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terça-feira, 14 de julho de 2009

Nos Laços (Fracos) da Internet

No Brasil, as redes sociais como Orkut, Twitter e FaceBook somam mais de 29 milhões de acessos únicos por mês. Os internautas aderem aos relacionamentos on line por vários motivos, que vão desde profissionais a paqueras. Manter contato com amigos através do Orkut é pratico e numa página de internet podemos reunir amigos de infância, trabalho e faculdade, compartilhar as nossas fotos e através dos recados, podemos marcar baladas e confraternizações. Mas será se o relacionamento virtual substitui o contato físico? Essa pergunta foi respondida há quase 2400 anos pelo filosofo Aristóteles ao dizer que as pessoas “precisam de tempo e de intimidade; como diz o ditado, não podem se conhecer sem que tenham comido juntos a quantidade necessária de sal"

As redes de relacionamentos podem ser boas ou ruins, tudo depende da forma que iremos conduzi-las em nossa vida cotidiana. Estima-se que 7,3 % dos internautas adultos já fizeram sexo com pessoas que conheceram pela internet. Não podemos deixar de frisar que a internet é um “território livre” por falta de legislação que a regulamente. Muitos dos cadastros nas redes têm o intuito de causar danos físicos e financeiros aos internautas. Os criminosos virtuais se aproveitam do anonimato que a internet proporciona e em nome de uma vida virtual, as pessoas tornam-se suscetíveis aos crimes on line.

O sociólogo americano Robert Weiss escreveu, na década de 70, que existem dois tipos de solidão: a emocional e a social. Segundo Weiss, "a solidão emocional é o sentimento de vazio e inquietação causada pela falta de relacionamentos profundos. A solidão social é o sentimento de tédio e marginalidade causada pela falta de amizades ou de um sentimento de pertencer a uma comunidade”. Vários estudos têm reforçado a tese de que os sites de relacionamentos diminuem a solidão social, mas aumentam significativamente a solidão emocional. É como se os participantes dessas páginas na internet estivessem sempre rodeados de pessoas, mas não pudessem contar com nenhuma delas para uma relação mais próxima. A associação entre a sensação de isolamento e o uso compulsivo de comunidades virtuais foi observada em pesquisas com jovens na Índia, na Turquia, na Itália e nos Estados Unidos. Na Austrália, um estudo da Universidade de Sydney com idosos mostrou que aqueles que usam a internet principalmente como uma ferramenta de comunicação tinham um nível menor de solidão social. Já os entrevistados que preferiam usar os computadores para fazer amigos apresentaram um alto grau de solidão emocional.

Segundo o antropólogo inglês Robin Dunbar, o número máximo de pessoas com quem cada um de nós consegue manter uma relação social estável é, em média, de 150. No Orkut, tenho mais de 600 amigos, porém, creio que pessoalmente só conheço uns 100, entretanto, o meu caso é atípico, tenho muitos contatos por conta do blog, leitores acessam o blog e me adicionam no Orkut, Twitter e MSN. O número de relacionamentos sociais estáveis apontados por Dunbar vai de encontro com a média dos brasileiros no Facebook e Twitter, em ambas as redes, os brasileiros tem em média 120 seguidores. Um grupo de antropólogos americanos, entre os quais Russell Bernard, da Universidade da Flórida, concluiu que, nos Estados Unidos, os laços de amizade de uma pessoa podem chegar a 290. Cento e cinqüenta ou 290 pessoas: não importa qual seja a cifra, ainda está muito longe do número de amigos que os mais ativos apregoam ter nas redes de relacionamentos.

Nossos relacionamentos são divididos entre “laços fortes” e “laços fracos”, as relações sociais estáveis como as estudadas por Dunbar e Bernard são chamadas, por sua vez, de "laços fortes". Dentro dessa categoria há um núcleo reduzido de confidentes, que não costumam passar de cinco. Esses são os amigos do peito, com quem podemos contar sempre, mesmo nos piores momentos. As mulheres costumam ter um núcleo de confidentes maior que o dos homens. A característica se repete na internet. No Facebook, por exemplo, um homem com 120 contatos na lista responde com freqüência aos comentários de sete amigos, em média. Entre as mulheres, esse número sobe para dez.

No Brasil, os sites de relacionamentos mais populares são o Orkut (rede social do Google, atualmente é mais usada no Brasil), Twitter (os usuários escrevem pequenas mensagens, uma espécie de miniblog), Facebook (maior rede de relacionamentos do mundo, diferente do Google, no Facebook só pessoas autorizadas podem ver o perfil do usuário), Sônico (No Sônico cada usuário pode ter dois perfis, um profissional e outro pessoal), MySpace (uma espécie de arquivo virtual, onde há possibilidade de inclusão de musicas e vídeos) e o Linkedin (uma rede de relacionamentos estritamente profissional, uma espécie de currículo on line).

Existem algumas redes de relacionamentos voltadas exclusivamente para o público LGBT, entre elas, o Disponivel.com, que tem aproximadamente meio milhão de usuários cadastrados, sendo 90% brasileiros, e está no ar há mais de seis anos. O site passou por uma reformação e está no ar com uma versão beta e a versão anterior, os usuários tem a possibilidade de optar qual versão irá utilizar.

Temos que saber utilizar as ferramentas que a internet nos disponibiliza, pois o mundo virtual é uma terra de ninguém. Pela internet, facilmente conseguimos levantar a ficha pessoal de um indivíduo. Tenho vários amigos que trabalham com RH e muitos confessam que o ambiente virtual é um prato cheio para checar as compatibilidades do candidato com o cargo proposto. Temos que analisar e nos responsabilizarmos pelos nossos atos virtuais, pois eles podem ser o nosso cartão de visita on line.

Abaixo, confira as fotos do ensaio promocional do Disponivel.com:






10 comentários:

O VIADO E A TRANSGRESSÃO POÉTICA disse...

Olha,
A internet continua válida para o seu objetivo primordial: troca ou divulgação de informações. Quanto ao relacionamento humano, qualquer deles: amizade; sexual, amoroso; eu duvido muitoem algo mais concreto. Não acho que ofereça tanto perigo assim e não gosto dessa tara atual de desconfiar e duvidar de tudo e de todos. Não oferece mais perigo que outras formas não virtuais de relacionamentos. Mas, ao contrário, vejo que o perigo está não em cruzar com um criminoso virtual, mas , sim, no favorecer muito só e somente relações frágeis. Além de gerar muita confusão: por um lado a palavra escrita confunde, por outro o anonimato favorece as agressões e revela preconceitos. Muitas pessoas, sem se identificarem, aproveitam covardemente para agredir, apenas.
enfim, penso exatamento como o filósofo, amigo é outro papo, tem que comer nosso sal e pão e no oferecer o dele, tem que compartilhar problemas, alegrias e intimidades, tem que ter solidariedade. O resto é apenas e será sempre coleguismo, não passa disso.
Beijos,
Ricardo
aguieiras2002@yahoo.com.br

FOXX disse...

bem
então eu tenho as duas solidões
aqui em bh pelo menos
as duas

Tiozinho disse...

Parabéns pelo texto, querido. Ótimo, como sempre.
bjo pra ti.

Caco disse...

Muito legal o texto. É bom conhecer gente pela internet. E se surgir uma amizade, melhor ainda se conhecer pessoalmente.

Regina disse...

Já fui mais solitária antes de conhecer os recursos da internet , antes de formar os amigos que tenho aqui e que muitas vezes é realmente quem me ampara no momento que eu preciso. A internet é uma grande ferramenta de fato que pode te conectar com o mundo, e ampliar tanto sua capacidade , sua sensibilidade que jamais voltará a ser o mesmo! Mas a internet pode também ser uma arma letal , pode levar pessoas a um prejuízo imenso, pode desvendar caminhos escuros e perigosos, pode transformar alguns , menos atentos, em sonâmbulos, em gente que troca dia pela noite, que interfere nas suas relações de trabalho e familiar..inumeros são os males que os menos esclarecidos ou os mal intencionados podem se causar. Eu busco fazer um bom uso, busco ajudar as pessoas aqui, busco emocionar e ser gentil , busco conhecimento, crescimento intelectual ....E sinceramente querido...não tenho nem mais tempo pra pensar em solidão...seja de que tipo for....Dentro de mim existe luz...e ela me guia por bons caminhos.....Grande beijo...

Luiz Carlos disse...

Às vezes me sinto um E.T. por nunca ter entrado no Orkut.
Minha experiência com relacionamentos virtuais se resume aos bate-papos, mas, mesmo nesse território mais descompromissado, não sou muito bem sucedido. Tenho a impressão de que o que menos se faz nos bate-papos é bater papo, a maioria só quer se exibir ou se masturbar. Como não gosto de (e não posso) me expor, essas redes de relacionamento não têm muita utilidade para mim.
Creio que, para quem é socialmente inábil como eu, essas redes de nada adiantam para aliviar a solidão.

Ayslan Matheus Salles disse...

Olá meu querido!blz!!Eu particularmente sou cadastrado em alguns sites de relacionamento, e continuo sofrendo dos dois tipos de solidão.bjs!!

Ayslan - Angel Face

Rodrigo disse...

O pior é que os maiores relacionamentos que tive na vida foram pela internet, eu devo ser um anormal mesmo. Tenho cadastro em quase todos estes sites que vc falou. Esse diponível.com eu nao conhecia, valeu pela dica. Eu conhecia o manhunt.net, que também é para o público gay.

Omeninoquebebedetergente disse...

Hey!!!

Passei aqui para me despedir de você, Mas deixo claro que o “blogdosmenino” ainda continua !!!
Um grande beijo e muitas jujubas!!!!

Meu contato é betodosmenino@gmail.com

Até mais!!!!

Fabiano (LicoSp) disse...

Bem, estava discutindo sobre este assunto com um amigo no final de semana. 90% dos meus amigos reais e atuas eu conheci via internet, não só amigos, mas tambem relacionamentos sexuais e namoro. Namorei por 9 anos uma pessoa que com certeza não iria conhecer se não fosse desta forma.

Acho que o principal combustivel para que um relacionamento começado no virtual flua é deixar acontecer sem medo.

Mas tambem tenho de concordar que a internet aumenta a percepção de solidão, como costumo dizer eu normalmente me encontro "Alone in the Darkness", tenho N amigos no orkut e MSN, mas é complicado encontrar aquele para um cinema, uma exposição ou whatever.

Mas mesmo assim ainda continuo adepto das redes sociais, para ampliar horizontes

bjs do Lico