
Aconteceram tantas coisas nos últimos dias que me deixou um pouco sensibilizado, foi o meu namorado ser internado de forma repentina, brigas com as minhas irmãs, verdades e mentiras que vieram a tona, e no final de tudo acabei chorando pela morte de uma arvore que vivia no quintal dos fundos da minha casa, trata -se de um pé mexerica morto, quando mudamos para a casa o pé já estava doente e ele foi morrendo aos poucos até se desfalecer por completo, porém ela ficou em pé até o fim, ao contrário de nos que muitas das vezes caimos e lavantamos no meu do caminho, as arvores permanecem de pé por toda a sua vida e no momento de sua morte ela está lá, em pé, com a sua dignidade intacta, gostaria de morrer como uma arvore, de morrer em pé, deixar esse Mundo olhando por cima e não prostrado como acontece com a grande maioria dos homens, ao contrário de nos, as arvores morrem de pé.

Sempre soube que a minha família como todas as outras não tem o dom da perfeição, aliás, esse dom não existe, eles se acostumaram com um filho que procurou ouvir tudo e ficar calado, com um filho com os padrões comportamentais de uma típica família que nasceu em meio à ditadura militar do Brasil, aquela família que fala: “Você está sob o meu teto e quem manda aqui sou eu”, uma demonstração gratuita do que vemos por anos e anos nos governos militares do Brasil que acabou espelhando-se no comportamento familiar, a democracia é algo novo e isso será exercido no âmbito familiar com a educação das novas gerações, pois boa parte da atual e da geração passada ainda está sob o câncer da ditadura militar.

Na ditadura militar muitos não aceitaram o meio no qual estavam sendo submetidos e não ficaram quietos por isso, foi o que eu fiz, gritei em alto em bom som, incomodei por não estar satisfeito, gerei transtornos, sofri e não me arrependo, falei o que sentia, se magoaram por verdades, mas verdades têm que serem ditas, o conhecimento gera a liberdade, considero hoje o segundo pior dia do ano, o primeiro foi no dia 01/01/08 e o segundo hoje (27/03/08), antes desse ano começar, eu sabia que teria um ano difícil, pois estava me sentido incomodado com a situação diante da minha vida como um todo, estava incomodado com minha família, com a faculdade que abandonei, por estar solteiro na época, e tantas outras coisas que por puro desleixo da minha parte ficaram insustentáveis, propus uma mudança para mim mesmo, e mudanças carecem de adaptações e muitas das vezes elas não ocorrem de forma pacifica, infelizmente lido com pessoas conservadoras que tiveram uma educação religiosa e alienada, é lamentável ver a intolerância gerada pela religião.

Por outro lado estou feliz sentimentalmente, com o Douglas, com o nosso relacionamento e com o carinho que é trocado, sempre defendi a tese de que para que algo fique bem em uma área da vida, precisamos dar outra área como aval, espero estar enganado e ver tudo ficando bem na minha família, relacionamento e vida profissional, pois essas áreas formam o tripé que me sustentam em pé, sem ela não serei uma arvore a ponto de ter a dignidade de morrer em pé, sem esse tripé serie apenas um pé de chuchu que fica vulgarmente espalhado pelo chão e pendurado em trepadeiras para que os seus frutos sejam poupados do atrito da terra, quero os meus frutos em pé, juntamente comigo e para isso preciso desse tripé fundamental intacto, lutarei com todas as forças para obter isso.