Sábado, 18 de Julho de 2009

Como Combater o Ciúme Patológico?

O ciúme está presente em todos os relacionamentos afetivos, muitas das vezes, sentimos ciúmes também dos nossos familiares e amigos. Quando o ciúme é destemperado, ele pode ser prejudicial e destruidor. Pode acabar com o que temos de mais importante, com o objeto do nosso ciúme

Vejo o ciúme como um excesso de zelo, um carinho excessivo. Mas quem disse que o excesso é positivo? Tudo em excesso, por mais boa vontade de possa vir acompanhando, se torna maléfico, inclusive, amar em excesso. O amor tem que ser um sentimento pontual, nem demais, nem de menos, tem que ser o bastante para que seja bom para ambos.

Existe o ciúme em níveis normais. Assim como temos níveis de diabetes no corpo, também tempos níveis de ciúme. Sabemos muito bem o que ocorre com pessoas diabéticas, eles tem que se policiar a todo momento com a sua alimentação, com uma dieta estritamente balanceada, o mesmo ocorre com aquelas que amam além da conta e sente um ciúme, um sentimento de pose excessivo pela pessoa amada. Ao contrário da diabetes, não há insulina para o amor, essa ponderação tem que partir de nos mesmo, do saber amor, do se re-educar para o o desprendimento, sempre ponderando que ninguém é de ninguém.

Existem níveis de ciúmes mais avançados, aquele que chega a restringir a pessoa amada, esses por sua vez, chamamos de ciúme patológico Isso ocorre quando o ciumento deixa de viver a sua vida e passar a viver a vida da outra pessoa, transformando os bons momentos numa verdade tortura a dois. O ciumento possessivo sempre imagina que está sendo traído a todo o momento, que tudo o que é dito é uma grande mentira que visa "despistar" a outra parte, apontando pontos negativos em tudo na acontece na relação. Temos que ficar atentos quando todos os questionamentos baseiam-se em desconfianças, quando isso ocorre, o ciúme tornou-se patológico e nesse caso há necessidade de intervensão médica.

O que fazer quando somos vitimas ou sofremos desse sentimento exagerado?
  • Colocar-se no lugar do outro, ou pedir ao companheiro que coloque-se em seu lugar a fim de imaginar como é a vida da pessoa que é vitima constante de acusações infundadas,
  • Reconhecer e admitir as suas qualidades e perceber que se elas não fossem encantadoras, o outro não teria motivos para estar com você;
  • Adquirir maior segurança (em si e no outro);
  • Procurar ajuda médica e psicológica quando a patologia estiver caminhando para níveis muito avançados;
  • Se você é vitima de ciúme patológico, evite dar as explicações pedidas e permitir que o outro comande a sua vida, porque ao agir dessa forma, você está alimentando as crenças e imaginações e contribuindo para que elas se tornem reais para o outro.
  • Procure ajuda ou denuncie o seu parceiro (ou parceira) caso você esteja sendo vítima de agressões físicas ou ameaças.
Depois de algum tempo, você aprende a diferença, a sutil diferença, entre dar a mão e acorrentar uma alma. E você aprende que amar não significa apoiar-se, e que companhia nem sempre significa segurança. E começa a aprender que beijos não são contratos e presentes não são promessas. E começa a aceitar suas derrotas com a cabeça erguida e olhos adiante, com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança. (William Shakespeare)

Quinta-feira, 16 de Julho de 2009

Diga Sim Pra Mim

Creio que uma das maiores dificuldades do ser humano é encontrar a sua cara metade, sua alma gêmea, se é que ela realmente exista. Porque precisamos necessariamente de outras pessoas para nos completar? Talvez, fomos condicionados a acreditar que precisamos de alguém ao nosso lado, nos esquecemos que a história de “Romeu e Julieta” não passa de uma ficção, fruto de uma bela inspiração de William Shakespeare. E se na vida real não for como em "Romeu e Julieta"? Na verdade, somos frutos de manipulações e é mais fácil dominar um homem que tem raízes, do que alguém que tem somente a si próprio, que é literalmente o “senhor do seu destino”.

Antigamente, tinha uma visão mais romântica da vida. Acreditava no “feito um para o outro”, hoje acredito em duas pessoas que se sentem bem estando juntas, mas que nunca, nunca elas se completam e isso já foi abordado há a quase 2500 anos pelos Sofistas ao dizer que “o homem é a medida de todas as coisas” e se o homem é a medida de todas as coisas, nada é medida para ele mesmo. O homem é um animal civilizado, porém, não deixa de ter os instintos animais, como por exemplo, o instinto da liberdade. Bem sabemos que a história da humanidade é contada de acordo com a luta de classes e todas essas lutas tinha apenas um objetivo, a liberdade. Será se somos livres no amor? Será se somos livres na vida? Como disse anteriormente, o homem tem instintos animais e uma deles é a dominação, a classe dominante aprisiona os mais fracos, esses por sua vez perdem a sua liberdade.

Há também o grupo dos que querem viver um amor, aliás, essa é a vontade de maioria, inclusiva a minha. Enfim, me enquadro no que o sistema estipula como “normalidade”, sou um ser humano social e quero viver um grande amor e abrir mão da minha liberdade para isso. No fundo, sou um cara grandalhão que se derrete com comédias românticas, músicas que falam de amor e outras demonstrações de carinho. Sou romântico e tudo o que eu quero é que digam sim para os meus sentimentos e para o amor que eu tenho a doar. Quero viver um amor “breguinha”, com roupas de cama branca, com passeios programados para o final de semana e com juras de amor, mesmo sabendo que elas não são para sempre, ao contrário do que é dito. Quero um amor para poder chamar de meu, mesmo sabendo que ninguém é de ninguém, e isso, não é dominação, é mútua concessão sentimental.

Amanhã, irei ao show da Isabela Taviane, compositora e interprete da música, “Diga Sim pra Mim”, que me proporcionou a reflexão e analise desse tema sentimental que tanto machuca e acalenta o ser humano. Estou muito empolgado com o evento e tenho certeza que o ponto alto do show será quando Isabela, com a graça da sua voz, cantar para o seu público a música em questão. O show será voltado para o público gay e tenho certeza que muitos cantaram essa música como se fosse uma prece. Não existe nada melhor do que amar e ser amado, mas sem dominação, pois um relacionamento afetivo não é uma luta de classes.

Isabella Taviani, Ao Vivo
+ DJ Sandra Bull, gogo dancers e atração convidada
Dia 17 de julho, às 23h
The L Club (Rua Luis Murat, nº 370, Vila Madalena)
http://www.thelclub.com.br/
Ingressos: R$50 (antecipado) e R$60 (no dia do evento)
A casa aceita todos os cartões

Venda antecipada de ingressos nas lojas Chilli Beans dos Shoppings Ibirapuera, Frei Caneca, Tatuapé e Super Shopping Osasco, na Academia Status Center (Rua Conde Prates, 393, Mooca), com Clara Nogueira (11 6339-2943) ou diretamente na recepção do The L Club, durante o funcionamento.

Quarta-feira, 15 de Julho de 2009

Dia Internacional do Homem

No dia de hoje, comemoramos o inusitado Dia Internacional do Homem, a origem é desconhecida e a mídia ignora completamente a data, o resto do mundo comemora a data no dia 19 de novembro. Há rumores que a data seja coemorada hoje em homenagem ao Samuel Rosa , vocalista do Skank, nascido neste dia, que costuma cantar as virtudes da mulher brasileira, da cerveja e do futebol, ou seja, um verdadeiro macho. Também não é por menos, o homem nunca teve uma condição social reduzida pelo fato de ser homem, diferente das mulheres que a pouquíssimo tempo atrás não tinha direito a voto no Brasil. Apesar de toda a revolução do movimento feminista que se desenrolou no século passado, ainda hoje, os homens tem uma situação mais favorável socialmente do que as mulheres. A história é contada pelas lutas de classe, se não há uma luta de inclusão para o sexo masculino na sociedade, não tem como a data de hoje repercutir.

A situação pode mudar no decorrer dos anos, não quero pegar o jargão da Regina Kazé, mas não podemos negar que as mulheres “vêm com tudo” e se os homens não se posicionarem, daqui a alguns anos, temos ONGs defendendo os direitos do sexo masculino e talvez uma lei semelhante à lei “Maria da Penha” redigida especialmente para a proteção do “sexo predominante”.

Os papeis já estão se invertendo, hoje em dia, muito homens são donos de casa, enquanto suas esposas saem para trabalhar. Com o crescendo domínio do salto alto e saia justa, as exigências das mulheres vêm crescendo, hoje os homens têm que ser bonitos, charmosos, elegantes, sensíveis. Ser do tipo aventureiro ou então sensível, saber ouvir, discutir a relação. Tem que ser inteligente, daqueles que encaram filmes mais densos. Se não, pelo menos que sejam bem humorados, generosos, dedicados e atenciosos. Algumas vão além, exigindo tudo isso dentro de um homem só. Com as mulheres contemporâneas, ser homem heterossexual, não é tão fácil quanto parece. Para alguns, ser gay é um alivio.







Terça-feira, 14 de Julho de 2009

Nos Laços (Fracos) da Internet

No Brasil, as redes sociais como Orkut, Twitter e FaceBook somam mais de 29 milhões de acessos únicos por mês. Os internautas aderem aos relacionamentos on line por vários motivos, que vão desde profissionais a paqueras. Manter contato com amigos através do Orkut é pratico e numa página de internet podemos reunir amigos de infância, trabalho e faculdade, compartilhar as nossas fotos e através dos recados, podemos marcar baladas e confraternizações. Mas será se o relacionamento virtual substitui o contato físico? Essa pergunta foi respondida há quase 2400 anos pelo filosofo Aristóteles ao dizer que as pessoas “precisam de tempo e de intimidade; como diz o ditado, não podem se conhecer sem que tenham comido juntos a quantidade necessária de sal"

As redes de relacionamentos podem ser boas ou ruins, tudo depende da forma que iremos conduzi-las em nossa vida cotidiana. Estima-se que 7,3 % dos internautas adultos já fizeram sexo com pessoas que conheceram pela internet. Não podemos deixar de frisar que a internet é um “território livre” por falta de legislação que a regulamente. Muitos dos cadastros nas redes têm o intuito de causar danos físicos e financeiros aos internautas. Os criminosos virtuais se aproveitam do anonimato que a internet proporciona e em nome de uma vida virtual, as pessoas tornam-se suscetíveis aos crimes on line.

O sociólogo americano Robert Weiss escreveu, na década de 70, que existem dois tipos de solidão: a emocional e a social. Segundo Weiss, "a solidão emocional é o sentimento de vazio e inquietação causada pela falta de relacionamentos profundos. A solidão social é o sentimento de tédio e marginalidade causada pela falta de amizades ou de um sentimento de pertencer a uma comunidade”. Vários estudos têm reforçado a tese de que os sites de relacionamentos diminuem a solidão social, mas aumentam significativamente a solidão emocional. É como se os participantes dessas páginas na internet estivessem sempre rodeados de pessoas, mas não pudessem contar com nenhuma delas para uma relação mais próxima. A associação entre a sensação de isolamento e o uso compulsivo de comunidades virtuais foi observada em pesquisas com jovens na Índia, na Turquia, na Itália e nos Estados Unidos. Na Austrália, um estudo da Universidade de Sydney com idosos mostrou que aqueles que usam a internet principalmente como uma ferramenta de comunicação tinham um nível menor de solidão social. Já os entrevistados que preferiam usar os computadores para fazer amigos apresentaram um alto grau de solidão emocional.

Segundo o antropólogo inglês Robin Dunbar, o número máximo de pessoas com quem cada um de nós consegue manter uma relação social estável é, em média, de 150. No Orkut, tenho mais de 600 amigos, porém, creio que pessoalmente só conheço uns 100, entretanto, o meu caso é atípico, tenho muitos contatos por conta do blog, leitores acessam o blog e me adicionam no Orkut, Twitter e MSN. O número de relacionamentos sociais estáveis apontados por Dunbar vai de encontro com a média dos brasileiros no Facebook e Twitter, em ambas as redes, os brasileiros tem em média 120 seguidores. Um grupo de antropólogos americanos, entre os quais Russell Bernard, da Universidade da Flórida, concluiu que, nos Estados Unidos, os laços de amizade de uma pessoa podem chegar a 290. Cento e cinqüenta ou 290 pessoas: não importa qual seja a cifra, ainda está muito longe do número de amigos que os mais ativos apregoam ter nas redes de relacionamentos.

Nossos relacionamentos são divididos entre “laços fortes” e “laços fracos”, as relações sociais estáveis como as estudadas por Dunbar e Bernard são chamadas, por sua vez, de "laços fortes". Dentro dessa categoria há um núcleo reduzido de confidentes, que não costumam passar de cinco. Esses são os amigos do peito, com quem podemos contar sempre, mesmo nos piores momentos. As mulheres costumam ter um núcleo de confidentes maior que o dos homens. A característica se repete na internet. No Facebook, por exemplo, um homem com 120 contatos na lista responde com freqüência aos comentários de sete amigos, em média. Entre as mulheres, esse número sobe para dez.

No Brasil, os sites de relacionamentos mais populares são o Orkut (rede social do Google, atualmente é mais usada no Brasil), Twitter (os usuários escrevem pequenas mensagens, uma espécie de miniblog), Facebook (maior rede de relacionamentos do mundo, diferente do Google, no Facebook só pessoas autorizadas podem ver o perfil do usuário), Sônico (No Sônico cada usuário pode ter dois perfis, um profissional e outro pessoal), MySpace (uma espécie de arquivo virtual, onde há possibilidade de inclusão de musicas e vídeos) e o Linkedin (uma rede de relacionamentos estritamente profissional, uma espécie de currículo on line).

Existem algumas redes de relacionamentos voltadas exclusivamente para o público LGBT, entre elas, o Disponivel.com, que tem aproximadamente meio milhão de usuários cadastrados, sendo 90% brasileiros, e está no ar há mais de seis anos. O site passou por uma reformação e está no ar com uma versão beta e a versão anterior, os usuários tem a possibilidade de optar qual versão irá utilizar.

Temos que saber utilizar as ferramentas que a internet nos disponibiliza, pois o mundo virtual é uma terra de ninguém. Pela internet, facilmente conseguimos levantar a ficha pessoal de um indivíduo. Tenho vários amigos que trabalham com RH e muitos confessam que o ambiente virtual é um prato cheio para checar as compatibilidades do candidato com o cargo proposto. Temos que analisar e nos responsabilizarmos pelos nossos atos virtuais, pois eles podem ser o nosso cartão de visita on line.

Abaixo, confira as fotos do ensaio promocional do Disponivel.com:






Segunda-feira, 13 de Julho de 2009

Os Meus, Os Seus e os Nossos

Não acredito nos relacionamentos que subtraem. Acredito que relações somam, dividem e multiplicam. Vejo pessoas que mudam completamente suas rotinas depois que começam a namorar. Fazem um novo circulo de amizade: o circulo dos amigos em comum, os "nossos" amigos e excluem os demais. Isso é extremamente maléfico, sem contar que é uma falta de respeito a aqueles que antigamente eram doadores da amizade, carinho e atenção.

A singularidade de cada um tem que prevalecer. O casal não pode se personificar em uma pessoa com hábitos, desejos e anseios em comum, antes de qualquer coisa, há de sempre se notar que um casal é composto de duas pessoas com hábitos, desejos e anseios diferentes e se isso não for levado em consideração, o sucesso do relacionamento está fadado ao fracasso.

Os amigos sempre são um porto seguro num momento de depressão. Muitos problemas não cabem serem confidenciados aos amigos em comum, aqueles que fazem parte do grupo dos “nossos”, pois os mesmos irão argumentar que não podem tomar partido, pois são amigos dos dois. Nesses casos temos que recorrer aos amigos do grupo dos “meus”, eles serão imparciais, pois podem até conhecer a pessoa na qual estamos nos relacionamento, mas não tem uma ligação afetiva com o mesmo.

Muitos aprendem essa lição tarde demais, as vezes, na ocasião do término de uma relação e sem amigos para ampará-lo. Sempre os “nossos” procuram ser imparciais. Ninguém quer correr o risco de tomar partido na briga, pois se por um acaso a relação voltar, aquele amigo que tomou partido de uma das partes, provavelmente será excluído na rede de relacionamentos do casal.

Quanto estamos namorando, não temos que sair somente com o nosso namorado, porém, quando saímos com os amigos, principalmente quando não foram do grupo dos "nossos" é de priori avisar ao namorado. O meio gay é muito restrito e sempre haverá alguém de plantão para correr até o nosso namorado e comentar: Olha, vi o seu namorado em tal lugar, sozinho. E nesses casos, a melhor resposta que temos para dar é: Eu sei, ele foi com amigos. Fazendo assim, ficara fácil a manutenção dos grupos de amigos.


Sexta-feira, 10 de Julho de 2009

E Quando os Pais Abrem o Armário?

Costumo dizer que não saí do armário, e, sim, fui expulso dele. Eu tinha 17 anos quando confiei em minha irmã e contei para ela sobre a minha sexualidade. Ela é mais velha do que eu e na época tinha uma namorada que me simpatizei e começamos a sair. Estávamos voltando de um dos nossos passeios, a Ângela, namorada da minha irmã começou a falar sobre sexualidade e questionou sobre a minha orientação sexual. Eu cai como um patinho e contei todos os meus “segredos” sexuais. Na hora, a minha irmã chorou, achei uma atitude estranha e a questionei, ela disse que estava triste, porque os gays “sofrem” demais e ela não queria ver-me sofrendo.

Passaram-se os meses, a orientação sexual que temos em comum me aproximou de minha irmã. Íamos a barzinhos, boates, restaurantes e passamos a ter amigos em comum. Para os meus pais, minha sexualidade era um segredo, já a da minha irmã, todos sabiam. Ela foi casada, ficou 2 meses e 5 dias comprometida num casamento depois de anos de namoro, a separação veio à tona por conta de ciúmes que o marido tinha de sua “melhor amiga”. Depois, descobrimos que a amiga tinha uma representatividade muito maior em sua vida.

Certa vez, minha irmã me disse: - “Não é justo eu sofrer preconceito do pai e da mãe e você, que também é gay, ficar de boa”. Achei o questionamento estranho, aliás, sair ou não do armário é uma decisão única e intransferível. Não dei importância para a situação, mas deveria. Com relação às minhas irmãs, sempre fui muito discreto. Meus pais até poderiam desconfiar de minha homossexualidade, mas jamais tiveram certeza. Minha timidez era um fator preponderante para a dúvida que não queria calar.

Num final de semana qualquer, minha mãe me chamou para ir visitarmos uma amiga. Fomos para São Roque, cidade onde morava a “Irmã” Cida, missionária e dirigente de uma casa de recuperação de drogados que minha família ajudava com doações. Almoçamos com a família dela e assim que terminamos, ela nos convidou para caminharmos na mata, fui com ela e minha mãe. Caminhamos por alguns minutos e quando estávamos afastados dos demais, ela disse que, junto com a minha mãe, precisava falar comigo, eu não disse nada, apenas olhei para as duas e ela continuou, disse que minha mãe sabia da minha homossexualidade e que iria me ajudar a me “libertar”. Naquele dia, não voltei para casa, fiquei hospedado na casa dela, onde ela começou com “sessões de cura espiritual”.

Passaram-se os dias. Dormia gay e acordava gay e aquela situação já estava me irritando. Ela fazia orações, pedia para eu ler algumas passagens da bíblia e uma vez por semana me levava num lugar chamado “Vale da Benção”, um lugar muito grande, onde têm igrejas, dormitórios para hospedar visitantes e casas, uma espécie de condomínio evangélico. Comecei a ficar entediado com aquilo. Em São Paulo, costuma ir para baladas de sexta, sábado e domingo, tinha algumas paqueras e muitos amigos, percebi que esse lance de deixar de ser gay era uma furada e que eu só estava me martirizando.

Num domingo, fomos surpreendidos com a morte de uma galinha. Nesse dia nem fui ao galinheiro, pois disseram que havia penas e sangue para todos os lados. A ave foi morta por um cachorro, a missionária ficou furiosa com aquilo e jogou o cachorro num poço, o animal ficou a manhã inteira chorando e morrendo aos poucos, aquilo me deixou muito chateado e foi à gota d’água para dar um ponto final naquela história. Liguei para minha mãe e disse que se até a noite ela não estivesse lá para me levar para casa, ela nunca mais teria noticias minhas, eu estava disposto a sumir, andar sem rumo se aquela situação não fosse revista.

Antes de anoitecer, meus pais foram me buscar. O trajeto São Roque – São Paulo foi feito em silêncio. Quando chegamos em casa, fui informado que eu não poderia mais usar telefone, internet e sair com amigos e descobri que meu pais ficaram sabendo de minha sexualidade por intermédio de minha irmã, que ligou para um amigo meu enquanto o meu pai estava na extensão ouvindo eles falavam a meu respeito. Pressionado pelos meus pais, freqüentei o GAD (Grupo de Apoio a Família), as reuniões aconteciam numa igreja evangélica e era monitorada por uma psicóloga cristã, que em nenhum momento tratou o meu caso como uma doença ou desvio moral. Assim como me cansei da situação em São Roque com a missionária, também que cansei daquela situação de freqüentar a igreja e aquele grupo que mais servia para lavar roupa suja do que para fazer terapia.

Estava uma pilha, precisava de fôlego e a única saída que encontrei foi me fingir de liberto, agir como hétero, como cristão para minha família. Comecei a falar que ia para as vigílias, mas ia para a Tunnel, foi uma época muito divertida. Na época, fiz amizade com uma menina lésbica, contei para ela a minha situação e ela fingiu ser a minha namorada, ficávamos horas ao telefone com conversas melosas e com o tempo fui colocando a minha vida em ordem, impondo limites e adquirindo respeito.

Depois de tudo o que passamos, o relacionamento familiar não tem mais condições de voltar a ser o mesmo. E uma coisa eu garanto: eu não sou o culpado por isso. Não quero transferir toda a responsabilidade para os meus pais, pois eles também são vitimas de um sistema que prega a heteronormatividade liderado por religiosos, hipócritas e fundamentalistas. Porém, depois de tudo que passamos, temos que ser gratos por ter nos restado o respeito e as mínimas condições de uma vida familiar.

Meus pais que deveriam ter procurado ajuda, não eu. Na época, não existia o GPH (Grupo de Pais de Homossexuais), fundado pela escritora Edith Modesto e o Grupo Arco-Íris que tem o Projeto Entre Garotos, que vem trabalhando no íntuito de unir pais com seus filhos homossexuais. Acredito que se existisse trabalhos de orientação a pais, eles não procurariam ajuda, pois até hoje eles são convictos de que eu sou errado por ser gay e que no “juízo final” serei punido por conta dos meus “desvios de conduta”. Hoje, tenho uma convivência familiar pacifica, mas seria ótimo se um dia eles procurassem o GPH e descobrissem que, além deles, existem outros pais que querem entender os seus filhos pelo simples fato deles serem homossexuais.

Quinta-feira, 9 de Julho de 2009

A Capa - Queer: Transgressões Culturais

A nova edição da Revista A Capa, que circula a partir deste fim de semana, tem como tema central a cultura queer, bastante complexa pela sua amplitude, mas presente no cotidiano de todos e traz pela primeira vez um ensaio artístico de capa. O protagonista deste ensaio é o cantor cearense Daniel Peixoto uma personagem da noite gay rico de elementos que compõe a estética queer e propõe um olhar artístico aos leitores, habitados aos tradicionais ensaios com homens de peitoral de fora. Daniel fala ainda sobre paternidade, drogas, carreira e seu próximo álbum, que não será lançado com o nome de Montage.

A revista também nos trás a comovente história de Erika, uma transexual de 15 anos que foi recusada por seis escolas, chegou a estudar em colégio para portadores de deficiência e agora usa seu nome social na rede pública de São Paulo. Para os fãs de Tom of Finland, artista finlandês conhecido pelo seu trabalho de caráter homoerótico, a revistra trás com exclusividade, a contribuição que o artista deu para a formatação da estética homossexual que está presente hoje no imaginário de todos através da sua arte, baseada em seus desejos que renderam mais de três mil peças.

Em “Achados”, coluna que estréia na revista e com a assinatura de Régis Olivar, editor de arte de A Capa, podemos conferir dicas para ler, ver, ouvir e comprar. Sérgio Ripardo faz uma homenagem à fotógrafa Daia Oliver ao publicar cinco cliques que reproduzem a cultura da noite gay. Gilles Wullus, editor da revista francesa Têtu, esteve no Brasil durante a Parada Gay e conversou com A Capa sobre o impacto da crise financeira no mercado editorial segmentado, turismo gay, publicidade e o futuro da mídia gay. A Capa também aborda a questão dos gogo boys e heterossexuais que contam como é trabalhar em clube gay onde são constantemente assediados do público e taxados de garotos de programa.

A revista é distribuída em cerca de 100 estabelecimentos como bares, restaurantes, saunas e clubes nos principais pontos de interesse gay de São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba, Belo Horizonte e Florianópolis. A revista também dispõe de assinaturas semestrais que podem ser feitas por moradores de qualquer cidade brasileira com o custo de R$ 29,90.








Quarta-feira, 8 de Julho de 2009

Qual é o Sexo do seu Cérebro?

Apesar de pertencer ao sexo masculino, o meu cérebro é feminino. Há alguns meses, a Revista Época entrevistou a neuropsicologista Anne Moir, da Universidade de Oxford, na Inglaterra. Moir está desenvolvendo uma linha de pesquisa para entender melhor as diferenças neurológicas entre homens e mulheres e, para isso, desenvolveu um teste que mostra numa escala de 1 a 20 qual é o sexo do cérebro. O número 1 representa o cérebro mais masculino possível e o 20, o mais feminino. Quem se aproxima do 10 tem um cérebro misto. O meu teste deu 11, ou seja, o meu cérebro é misto, feminino rústico ou um masculino delicado, podemos dizer que cerebralmente sou quase bissexual.
Eu consigo identificar só pelo olhar ser uma pessoas está chateada, irritada, alegre ou apática, segundo o estudo de Moir, essa é uma característica do cérebro feminino, mas em contrapartida, não consigo ficar numa sala onde todos falam ao mesmo tempo e assim mesmo conseguem manter uma linha de raciocino, essa também é uma característica do cérebro feminino. O estudo afirma que o sexo do cérebro é determinado pela quantidade de testosterona [hormônio masculino] a que o feto fica exposto no útero. Em geral, homens recebem doses maiores do que as mulheres.

O estudo aponta que a diferença entre o cérebro dos dois gêneros tem raízes evolutivas. Durante o desenvolvimento dos seres humanos, como o homem era o caçador, desenvolveu um cérebro com habilidades manuais, visuais e coordenação para construir ferramentas. Por isso, um cérebro masculino tem mais habilidades funcionais. Já as mulheres preparavam os alimentos e cuidavam dos mais novos. Elas tinham que entender os bebês, ler sua linguagem corporal e ajudá-los a sobreviver. Elas também tinham que se relacionar com as outras mulheres do grupo e dependiam disso para sobreviver na comunidade e, por isso, desenvolveram um cérebro mais social.

A diferença de sexo entre cérebro e corpo pode estar ligada às causas da homossexualidade. Tudo será determinado de acordo com a distribuição de testosterona no tempo de gestação da criança. Se a concentração de testosterona for mais baixa do que o padrão para os homens, então o “centro sexual” do cérebro será feminino e esse homem sentira atração por outros homens. Se a concentração desse hormônio estiver alta, o 'centro sexual' será masculino e ele sentirá atração por mulheres.

As causas da homossexualidade é um mistério para a ciência que talvez nunca seja desvendado. Acredito que o que determina a sexualidade são as predisposições genéticas. Não acredito em comportamento condicionado, defendido por religiosos e fundamentalistas, pois, se fosse um comportamento adquirido, os insatisfeitos com sua sexualidade condicionariam o seu comportamento para o lado oposto sem maiores dificuldades. Apesar do resultado do meu teste apontar que tenho um cérebro misto, sexualmente sou definido como gay puro sangue, apesar de adorar as mulheres, não sinto atração sexual por elas.

Clique para fazer o teste e comente o resultado.

Terça-feira, 7 de Julho de 2009

Mr. Gay Internacional

O Concurso Mr. Gay Internacional, que visa escolher o ícone máximo da beleza masculina no mundo LGBT já tem o seu representante de 2009. Trata-se do Mr. Gay Suíça Ricco Müller, de 24 anos. Ricco é estudante, gosta de malhar, ler, viajar e fotografar. Além da sua língua nativa, alemã, Ricco também fala Inglês, Francês e um pouco de Japonês. O belo, de 1,74 e 60 kg, também tem militância política, ele atua em serviços comunitários para as ONGs AIDS-aid, Europride 2009 e Comunidade de Surdos.

A segunda colocação ficou para o Mr. Gay Austrália Samuel Byron. O belo australiano também tem 24 anos, nasceu em Adelaide, Austrália e tem 1,81 m e 80kgs. Samuel é formado em Psicologia e Política e trabalho no escritório de investigação do Governo Australiano. Nas horas vagas, ela gosta de ouvir músicas, ler e passar o tempo com os amigos. Há vários anos, Samuel é filiado no Partido Trabalhista Australiano.

A terceira colocação ficou para o Mr. Gay dos Estados Unidos Michael Austin. O americano tem 21 anos, nasceu Birmingham, no Estado do Alabama e tem 1,75 m e 63 kg. Michael não tem formação superior.


O representante brasileiro, o Mr. Gay Brasil 2008 Marcos Grabowski, não teve muita sorte no concurso. O Mr. Gay Internacional 2009 era para acontecer em fevereiro, foi adiado para junho e posteriormente cancelado por conta a repercussão da gripe HIN1. A decisão do concurso foi fita por intermédio de votação pública no site da organização do evento.

Segunda-feira, 6 de Julho de 2009

O Puchero do Final de Semana

Ontem fui na casa da tia do Douglas, comer o Puchero que comentei na semana passada. Estava ótimo, tão bom quanto a nossa feijoada. O preparo do prato é muito fácil, abaixo colocarei a receita. Estou pensando em fazer a receita e convidar alguns amigos para degustação. Posso fazer no aniversário de zero ano do João Vitor, (minha irmã está grávida e o meu sobrinho está para nascer) posso preparar o puchero nessa ocasião. Depois do almoço, ficamos a tarde inteira conversando e dando risada. No finalzinho da tarde deixei o Douglas em casa e fui embora.

A noite, a convite da Rogéria, fui ver um jogo de vólei aqui na cidade. Conheci a Rogéria pela internet, no site Yahoo Respostas!, a amizade cresceu, nos tornamos amigos e acabe sendo convidado para ser padrinho de seu casamento. Uma história muito bacana, tenho um carinho imenso por ela.

Não esperei o final do jogo, estava tarde e precisava dormir. Creio que Guarulhos ganhou, o jogo era Guarulhos X Suzano. A equipe de Suzano está hospedada em frente da minha casa e não ouvi barulho de comemorações, então deduzi que Guarulhos ganhou.

Hoje, completo mais um mês de namoro com mon petit ami. São 6 anos e 1 mês de companheirismo, e confesso: É muito bom estar com o Douglas. Amo pra caramba aquele carinha, e creio que isso não é segredo para ninguém.

Receita de Puchero

Tipo de Culinária: Espanha
Categoria: Pratos Principais
Subcategorias: Carnes
Rendimento: 10 porções

Ingredientes

500 gr de grão-de-bico
750 gr de coxão-mole em cubos médios
100 gr de toucinho em cubos pequenos
1 unidade(s) de paio em rodelas
1 unidade(s) de lingüiça calabresa defumada em rodelas
2 unidade(s) de tomate picado(s), sem pele(s), sem sementes
3 unidade(s) de cenoura em cubos pequenos
4 colher(es) (sopa) de óleo de soja
1 unidade(s) de cebola picada(s)
1 tablete(s) de caldo de carne
1 colher(es) (sopa) de salsinha picada(s)

Modo de preparo

Deixe o grão-de-bico de molho de um dia para o outro. No dia seguinte, cozinhe em panela de pressão por 30 minutos. Aqueça o óleo em uma panela e frite a cebola até dourar. Acrescente, aos poucos, a carne, o toucinho, o paio, a lingüiça e o tomate. Deixe refogar por alguns minutos.

Junte a cenoura e o caldo de carne e deixe cozinhar, acrescentando água fervente, se necessário.

Quando a carne estiver cozida, junte o grão-de-bico escorrido e cozinhe por mais 15 minutos. Enfeite com salsinha e sirva bem quente.

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