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domingo, 17 de julho de 2011

Sobre Felicidade e Recomeço

Pela primeira vez, depois de muito tempo, me sinto realmente feliz. Algumas coisas, que eu sempre busquei, estão acontecendo e definitivamente percebo que não apenas virei uma página da minha vida, mas que comecei outro capitulo, outro livro e estou escrevendo em outros cadernos. Sempre valorizei uma relação afetiva e grande é a minha surpresa em perceber que o melhor momento da minha vida está sendo sozinho. Estou bem comigo mesmo.

Algumas pessoas passaram por minha vida, todas de forma distintas. Umas não ficaram por questões alheias a minha vontade e outras simplesmente porque aquele não era o meu momento. Depois de ficar triste por conta de não ter rolado nada com o rapaz dos posts anteriores (aqui, aqui e aqui), me senti extremamente bem. Pela primeira vez, depois que terminei o meu relacionamento com o Douglas, estava me sentindo livre de verdade, estava sofrendo por outra pessoa. Pela primeira vez, em um ano, doeu de verdade e confesso que isso foi muito bom, sentir essa dor de novo, por outra pessoa.

Mesmo não estando mais em minha vida e sem pretensões alguma de entrar, credito ao Douglas os melhores e muitos dos piores momentos da minha vida nos último oito anos. Passei momentos muito bons com aquele cara e reconhecer isso, sem dor, sem peso, sem rancor e ainda com muitas pendencias entre nos a serem resolvidas é algo que eu considero louvável.

A vida caminhou, o rio mudou o seu curso e alguns desaguaram no oceano. Tsunamis aconteceram e terremotos destruíram várias partes da minha vida. Me levantei, reconstruí meus pilares, respeitando as minhas origens e aqui estou, pela primeira vez assumindo e reconhecendo que estou pronto para outra, para todas as novidades que a vida possa me presentear.

Sinto-me como a música “Oração”, da Banda Mais Bonita da Cidade. Sinto-me em transição, alegre, querido, sozinho, unido e feliz. Sinto-me com o coração aberto, coração que cabe absolutamente tudo, coração que está pronto para continuar. Acrecito que isso é coisa de Saturno, ele definitivamente concluiu o seu curso e estou livre para viver. Vou aproveitar e colocar tudo o que cabe dentro do meu coração.

domingo, 10 de julho de 2011

Sobre Términos de Relação Afetiva e Enterros Simbólicos

Depois de tanto tempo, percebo que fiquei um pouco egoísta, sem paciência para esperar e pensando em mim acima de tudo. Sei o quanto posso dar e não quero receber menos. Muitos dizem que relacionamentos não é uma troca, algo que não concordo. É uma troca sim e se você fica dando mais por muito tempo, vai chegar o momento que a balança irá tombar e aquela relação afetiva, que tanto era valorizada anteriormente, irá para a ruína.

Carinho, afeto e companheirismo são momentos construídos não apenas por uma das partes, tem que haver um troca na relação afetiva. Conheci um cara, muito bacana por sinal, pois se não fosse eu não estaria sensível por conta dele. Ele está passando por um momento delicado e e entendo o seu momento, mas infelizmente não é o momento que eu estou vivendo. Passei por situações que ele esta passando, ele terminou um relacionamento duradouro há seis meses, está tentando alçar voos, mas não consegue. Eu demorei quase um ano depois que terminei com o meu ex, cada um tem o seu tempo, não posso, não devo e não é justo cobrar absolutamente nada nessa situação.

Depois de término de um relacionamento, antes de enterrarmos nossos exs, não conseguimos continuar a viver em plenitude. No filme "Como Esquecer", Júlia (Ana Paula Arósio) teve que matar sua ex-namorada, a Antônia (personagem oculta) e antes de tal morte, ela não obteve êxito em suas tentativas de continuar a viver.

No filme, Júlia andava no meio da multidão, de repente parou, olhou para trás, olhou novamente, continuou a andar e sorriu. Ela teve que olhar duas vezes para reconhecer a Antônia e a partir daquele momento ela continuou a viver, Antônia estava morta para ela e o não reconhecimento da mesma de imediato, significou o cerimonial de enterro que devemos cumprir socialmente. Quando não enterramos alguém, nem que tal cerimonia seja um ato simbólico, o fantasma daquele morto continuará a nos assombrar.

Por muitas vezes tentei me relacionar com alguém, mas o Douglas continuava vivo, continuava a me assombrar, tirando minha paz, meu sono, minando os meus sonhos. Sua morte foi muito gradativa, o que aumentou ainda mais a minha dor, tive que mata-lo para sobreviver. Meses atrás, precisei falar com ele, como sempre fiz, peguei o telefone e fui discar, mas eu havia esquecido o numero. Fiquei feliz com aquilo, aquele numero de telefone que sabia de cor, que ligava várias vezes por dia, tinha saído da minha memoria.

Assim como Julia foi matando Antônia aos poucos, eu matei o Douglas aos poucos, na demanda das minhas forças. Dessa mesma forma, essa cara bacana que eu conheci, tem que matar o seu ex, até que todo o ódio, rancor e mágoa vá embora e ele consiga lembrar desse relacionamento de forma positiva.

Semana passada, estava com ele numa padaria, no Largo do Arouche e perguntei: quer ketchup? Depois comecei a rir, ele perguntou o porque e eu expliquei que certa vez, fui com o Douglas comer pastel e riamos toda vez que a atendente perguntava “quer ketchup?”, fazíamos uma analogia com “quer que te chupe?”. Depois de contar pra ele, disse que estou em paz e que consigo lembrar de bons momentos que tive, sem dor, sem peso, apenas como algo bom que passou, se foi.

De coração, desejo que ele fique bem e que se não ficar bem comigo, que fiquei bem com qualquer outra pessoa. Perder uma pessoa que um dia amamos, é muito triste, é a morte em vida. Se levantar, se recuperar dessa perda, é uma questão muito pessoal, cada um tem o seu tempo. Espero que o dele não seja duradouro e que de fato encontre paz em meio a momentos tão tristes.

sexta-feira, 25 de março de 2011

Final de Semana

Sábado passado fui ao Hopi Hari, descobri que lá não é o país mais divertido do Mundo, que os responsáveis pelos estados ou províncias (os operadores dos brinquedos) são super mal humorados e chegam a tratar mal os imigrantes, e às oito horas da noite todos são deportados do país sem explicação alguma, acho que essa foi a quarta fez que fui ao parque, sempre o achei melhor que o playcenter, tanto na infra-estrutura, como no atendimento, a infra-estrutura sempre será melhor, o playcenter não tem como crescer e superar o Hopi Hari por questões geográficas, porém o atendimento é o fator primordial na escolha do serviço, é lamentável que em pleno século XXI as empresas ainda pecam nisso, São Paulo e Grande São Paulo está cada vez mais sendo sustentada pelo serviço, se as empresas não serem excelência em atendimento, ficarão para trás.

Tirando isso, essa foi a vez que eu me diverti mais no parque, acho que foi pré-disposto a isso, das outras vezes também, mas nunca me diverti tanto num parque como nesse final de semana, precisamos disso, fui com o Douglas, foi o primeiro passeio que ele fez nas férias dele, hoje vamos assistir uma opera no Teatro Municipal de São Paulo, nunca fomos lá, acho a arquitetura daquele lugar belíssima, um orgulho para São Paulo, amanhã iremos assistir Miss Saigon e no Domingo iremos no Cirque Du Soleil, estou animado para tudo isso, morar em São Paulo é maravilhoso, temos tudo que há de melhor em gastronomia e entretenimento, acabei meio que tirando férias com o Douglas, pois dia 19 irei com ele para Fortaleza, minha única preocupação são as chuvas que estão acontecendo na região, chuva que aparentemente estão amenizando a cada dia, mas mesmo assmi estou preocupado, pois fazer uma viagem a praia em meio a chuva, não é legal.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Presente de um Poeta

Meu primeiro contato com Pablo Neruda foi nas aulas de espanhol, minha professora chilena tinha orgulho de falar do seu compatriota e dar-lhe o titulo de melhor poeta contamporaneo. Foram inumeras aulas que a minha professora levara um poema em espanhol do Pablo Neruda e recitava e depois dava paraos alunos também recitarem.

Anos se passaram e o livro “Presente de um Poeta” foi lançado, um verdadeiro presente, onde se encontra os mais lindos poemas de amor de Pablo Neruda, acompanhado de gravuras, num livro em capa dura. Comprei esse livro em 2001 e até hoje é o meu predileto.

Quando estou me relacionando, gosto de compartilhar o melhor de mim e por iniciativa propria, emprestei esse livro ao meu ex-namorado, depois, por diversas vezes recitei o poema:

Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Escrever, por exemplo: "A noite está estrelada,
e tiritam, azuis, os astros lá ao longe".
O vento da noite gira no céu e canta.

Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Eu amei-a e por vezes ela também me amou.
Em noites como esta tive-a em meus braços.
Beijei-a tantas vezes sob o céu infinito.

Ela amou-me, por vezes eu também a amava.
Como não ter amado os seus grandes olhos fixos.
Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Pensar que não a tenho. Sentir que já a perdi.

Ouvir a noite imensa, mais imensa sem ela.
E o verso cai na alma como no pasto o orvalho.
Importa lá que o meu amor não pudesse guardá-la.
A noite está estrelada e ela não está comigo.

Isso é tudo. Ao longe alguém canta. Ao longe.
A minha alma não se contenta com havê-la perdido.
Como para chegá-la a mim o meu olhar procura-a.
O meu coração procura-a, ela não está comigo.

A mesma noite que faz branquejar as mesmas árvores.
Nós dois, os de então, já não somos os mesmos.
Já não a amo, é verdade, mas tanto que a amei.
Esta voz buscava o vento para tocar-lhe o ouvido.

De outro. Será de outro. Como antes dos meus beijos.
A voz, o corpo claro. Os seus olhos infinitos.
Já não a amo, é verdade, mas talvez a ame ainda.
É tão curto o amor, tão longo o esquecimento.

Porque em noites como esta tive-a em meus braços,
a minha alma não se contenta por havê-la perdido.
Embora seja a última dor que ela me causa,
e estes sejam os últimos versos que lhe escrevo.

A primeira reação do meu ex foi ressaltar a tristeza contida nesses versos, tristeza que para nos, naquele momento não existia, pois tinhamos um ao outro. Naquele momento, esses versos não faziam o menor sentido, hoje eles são tão vivos. Já não o amo, é verdade, mas talvez o ame ainda. É tão curto o amor, tão longo o esquecimento.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Meu momento "Carla Perez" em 2010 foi...

Não sou um expert em português e tenho vergonha de alguns erros que cometo no blog, depois com o tempo vou corrigindo todos. Os problemas mais críticos estão com a acentuação. Escrevo melhor do que falo e já me peguei falando coisas do tipo “para mim fazer”.

Certa vez o Douglas, meu ex-namorado me ligou desesperado, falando que eu havia cometido um erro grotesco no blog e como se não bastasse eu coloquei o erro em negrito. Se nivelarmos os brasileiros na questão domínio de português, acredito que fico acima da média, mas isso não me autoriza falar “para mim fazer”.

#MemeDasAntigas – Um Inventário de 2010.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Em 2010 eu quis matar…

Sofremos quando os nossos sentimentos se frustram, quando as nossas motivações vão na contramão de nossas vontades e assim foi a minha vida afetiva em 2010.  Não sei se posso dizer que tive vontade de matar, mas tive muitos momentos de fúria, na qual o sentimento chegou bem perto de “querer matar”. Tudo na vida tem começo, meio e fim e minha história com o Douglas teve o seu fim, apenas lamento pela forma que terminamos.

Fiquei triste pela forma que terminamos, com um monte de questões para resolvermos, que até hoje, seis meses após o término, não foram resolvidas. Haviamos acabado de comprar um apartamento, estavamos com um monte de planos e derepente terminamos. Os planos ainda existem, eles apenas mudaram de foco. Ainda tenho o sonho de encontrar alguém que mereça o meu amor e que junto comigo possa construir uma vida a dois.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Em 2010 eu descobri que…

O amor é uma via de mão dupla, jamais conseguiremos amar sozinho e levar uma relação com a vontade de apenas uma pessoa. Em 2010 eu amei e descobri que para continuar amando, não poderia mais amar sozinho.

Podemos correr atrás de um amor, permanecer com ele por um tempo, mas se não somos amados na mesma medida, esse amor não prevalecerá. Em 2010 eu descobri que não poderia continuar amando sozinho e que antes de ter outro amor, tenho que amar primeiro a mim mesmo.

Sofri com essa descoberta, ao ponto de creditar ao ano de 2010 o pior ano da minha vida. Foi o ano do retorno de saturno, onde se iniciou uma fase de mudanças e responsabilidades maiores. Tenho certeza que 2010 será um marco em minha vida e que daqui para frente pesarei melhores meus relacionamentos e situações da vida.

Katy Perry - Hot N Cold

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Em 2010 pela primeira vez...

Sentir-se recusado por um grande amor é uma dor imensurável. Passei muitas crises no meu antigo relacionamento, mas sempre nos resolvíamos. Na última briga, senti que as coisas seriam diferentes, que de certa forma uma situação definida havia se instaurado. Depois de tantos compromissos firmados, acredito que deveríamos ter sido mais cautelosos em algumas ações e não jogarmos tudo pra cima, sem medir as consequências.

Já me senti rejeitado em várias situações, na escola, entre amigos e na minha família, mas nada se comparou ao ser rejeitado por um grande amor. Quando ouvi as palavras “não quero mais nada contigo, nem a sua amizade”, doeu demais. Sinto que fui um cara bom, honesto, amoroso e carinhoso. Lutei por esse amor que se foi, mas quando lutamos sozinho, por mais força que seja empenhada na luta, nunca ela é o bastante, sempre nos damos por vencido.

Já tive outras rejeições nessa relação, mas encarei como fases, crises ou brigas cotidianas. Dessa vez, em alguns momentos tive que falar grosso e alto para ser ouvido e fui interpretado como grosseiro. Não me arrependo do que vivi, essa rejeição me deixou mais forte e maduro, hoje me sinto mais preparado para viver outras relações, experimentar outros amores e dar todos os créditos do sucesso de relações futuras, as relações passadas.

Vou viver outros relacionamentos, assim espero… Conhecerei outras pessoas, serei arrebatado por outros amores, mas nunca mais seria abandonado pela primeira vez… Mesmo a contragosto, serei abandonado por outros pessoas, em outras situações e até mesmo em relações afetivas. Posso sentir dores maiores, mas estarei mais forte e maduro para encarar a vida.

#MemeDasAntigas – Um Inventário de 2010.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Em 2010 eu tentei…

Namorei com o Douglas por 7 anos, nesse meio tempo tivemos as nossas diferenças, nossas brigas, mas nunca nos separamos de forma radical. Quando brigávamos e revogávamos o titulo de namorados, continuávamos nos encontrando, saindo de balada, indo ao cinema, beijando e as vezes transando. De fato não eram separações e sim brigas que com o tempo víamos que continuávamos juntos e voltávamos com o titulo de namorados.

Nesse ano tentei, ou melhor, tentamos dar um passo mais sério nessa relação e juntos compramos um apartamento. Três meses se passaram e terminamos. Não me arrependo de ter tentado, pois se não tivesse, jamais saberia se daria certo, se realmente ele era o homem da minha vida.

Nossa decisão acarretou um preço alto para ambos, que estamos pagando e resolvendo. Tudo tem começo, meio e fim, as relações se estabelecem e se findam, mas depois de tudo fica um aprendizado e nos nossos próximos relacionamentos procuramos não cometer os mesmo erros. Nessa história, apenas lamento por não termos dito maturidade para continuarmos sendo amigos.

#MemeDasAntigas – Um Inventário de 2010.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Meu Melhor Dia de 2010

Valorizo demais algumas datas comemorativas, encarro como fechamento de ciclos e uma ótima oportunidade para avaliar o que estamos fazendo de nossas vidas, o que devemos mudar e em que temos que insistir mais. Considero as comemorações de aniversário tão importante quanto a passagem do ano novo, é o dia em que um ciclo se fecha e com ele podemos renovar nossas metas, sonhos e anseios.

Meu melhor dia de 2010 foi a comemoração do meu aniversário. Reuni cerca de 30 amigos no bar “O Gato”, foi um dia maravilhoso, ao lado de pessoas muito especiais. Na época, ainda estava namorando o Douglas, sempre fomos muito baladeiros e passar esse momento com ele, foi algo muito bacana. Apesar da nossa história ter tido um fim, tenho que assumir que sempre fomos muito amigos e passamos momentos especiais juntos.

O bar é um excelente lugar para confraternizações. É um ambiente eclético, com vários ambientes e ótimas opções de bebidas. Comemorei o meu aniversário no mezanino alto, um ambiente com vista para a pista de dança. Um dos pontos fortes do bar são as intervenções de música ao vivo, a banda toca de tudo, desde sambinhas safadinhos a MPB e pop rock internacional, é um ambiete para todos os gostos. Em 2011, pretendo ir mais vezes ao “O Gato”.

#MemeDasAntigas – Um Inventário de 2010.

domingo, 12 de dezembro de 2010

Meu Pior dia de 2010

É impressionante como um momento, algumas palavras ou um dia podem destruir toda uma história. Imaginei que havia encontrado o amor da minha vida, uma pessoa que passaria comigo muitos momentos, tanto que compramos um apartamento juntos e como desfiz do meu carro para empenhar nesse apartamento, o ajudei a comprar o dele. Estava feliz com as novas aquisições, apartamento na planta, carro zero para irmos a balada e uma vida em comum sendo construída.

Naquele dia, o chamei para sair, ele se recusou, disse que estava cansado. Eu fiquei desconfiado e insisti e novamente ele recusou. Quando cheguei em casa, peguei o carro do meu pai e passei em frente a casa dele, o carro não estava na garagem, liguei e o telefone só chamou. Aquilo foi como se eu tivesse levado uma facada no coração. O cara, que juntos planejávamos uma vida e em nome de tudo isso eu abri mão de um monte de coisas, estava mentindo pra mim, me enganando.

Voltei para casa arrasado e fui dormir. Fui acordado com um torpedo de celular, com a mensagem “adorei te conhecer, desculpe-me por não ter te-ló convidado para subir, moro com amigos. Da próxima vez te convido”. Comecei a trocar mensagens, até descobrir tudo o que havia acontecido e acredito que não preciso expor os detalhes. Ele saiu, mentiu, traiu a minha confiança três meses após termos comprado um apartamento, depois de termos feito um monte de planos.

A mentira doeu muito mais que o fato dele ter ficado com outra pessoa, me senti tão sujo, pequeno. Depois disso, tentamos de novo, mas não deu, confiança não é uma via de mão dupla e uma vez perdida, nunca mais volta ser a mesma. Nem amizade aconteceu, é complicado falarmos em amizade, pois o que tínhamos em comum era um relacionamento afetivo e amizade tem que ser construída, com os mesmos passos e degraus que um relacionamento afetivo também é construído.

Hoje, não tenho raiva, ódio ou rancor, encarro como um fato de vida que aconteceu, passou e usei para me fortalecer. Acredito que era uma história que tinha tudo para ter um final bonito, tínhamos pontos em comum, gostávamos de fazer as mesmas coisas e até a nossa ambição e ânsia de crescer, era comum. Demorei um tempo para me levantar, recolher os cacos que estavam no chão e avaliar o que sobrou de mim, mas me levantei. Nessa história, não aponto culpados, não sou uma criança de 29 anos e sei os riscos que um relacionamento tem. Também cometi os meus erros e a soma dos erros de ambos resultou no final de um relacionamento.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Hot N cold

Analisando a tradução da música "Hot N Cold", percebemos que e a história de milhões de pessoas, que vivem em relacionamentos indecisos, com pessoas bipolares e que muitas das vezes usam de suas artimanhas para postergar compromissos. Hot n cold é o segundo single lançado pela cantora e faz parte do álbum "One of the Boys". Katy Perry também gravou uma versão em Simlish (língua artificial usada no jogo The Sims) de Hot N Cold, que está presente no jogo The Sims 2 - Vida de Apartamento.

O videoclipe oficial da música foi gravado em Los Angeles no começo de Setembro de 2008 e estreou em 1º de Outubro do mesmo ano no MySpace. O vídeo começa em um casamento, com os votos entre Katy e seu futuro marido. Entretanto, ele aparenta não querer se casar e a canção é uma performance com Katy o perseguindo pela cidade.

Primeiro, ela o segue usando uma bicicleta, ele se esconde em uma discoteca, mas Katy está cantando no palco usando um visual tecno, Ele consegue fugir, mas é surpreendido por Katy de novo de noiva, seguida de mais seis noivas decepcionadas. Ele é perseguido com todas elas numa bicicleta, quando ele tenta ligar pra alguém, Katy está na tela dizendo para ele ligar para um medico por causa do seu caso de "Amor Bipolar". Finalmente, ele foge para um beco, mas Katy está lá dançando Break, ele tenta virar, mas Katy de noiva está lá também, e do lado está a Katy da discoteca e ao lado o pessoal do casamento, mostrando que ele não tem como fugir.

A canção termina com Katy ao lado de uma zebra, revelando que era uma visão de como seria se o noivo tivesse recusado. Ele aceita e o vídeo termina com os dois correndo pelo corredor da igreja lotada, sendo aplaudidos. A história da música de Kate Perry é uma ficção que na vida de milhares de pessoas se mostra uma grande realidade. Mais uma vez a vida imitando a arte ou a arte imitando a vida.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Viva la Vida: A Iminência de um Sentimento

Procuro rever toda a história, recapitulando memorias de anos atrás, logo no inicio, quando a vida era cheia de sonhos e todas as motivações eram sustentadas por esperanças. Me pego em lembranças remotas, com promessas de felicidade e algumas com planos alternativos, que dizia: se nada der certo, seremos amigos, você é como um irmão para mim. Eu pensava ser o cara mais sortudo do mundo, sou taurino e uma amizade verdadeira me despi por inteiro. Não existe nada que valorizo mais do que uma amizade verdadeira.

Certa vez, estávamos deitados no banco do carro, esperando o tempo passar. Eu rompi o silêncio ao dizer: às vezes sinto que não ficaremos juntos. Ele disse que também sentia o mesmo e achava tudo isso muito triste e naquele momento reafirmamos votos de amizade. Meses depois, terminamos e continuamos amigos, saindo de baladas e curtindo a vida. O tempo passou e decidimos voltar, foi um fracasso total. Compramos apartamento e carro, misturamos dinheiro numa relação que ambos anteriormente não acreditava num futuro promissor, ambos erraram e hoje estamos pagando caro por isso, pagamos com o enterro de uma amizade.

Não sei quanto a ele, mas eu estou de luto, não pelo fato de ter perdido um namorado, relacionamentos vai e vem, mas pelo fato de ter perdido um amigo. Não acredito que fomos ruins um ao outro, fomos bons demais, tão bons ao ponto de um relacionamento afetivo ser pequeno para comportar o tamanho da troca afetiva que tínhamos em questão, éramos amigos, irmãos. Hoje, encontro-me engasgado com tal situação, indignado por termos colocado a perder uma amizade, que por muitos era admirada.

Sa musique - ele dizia quando tocava "viva la vida" ou "i gotta a felling" na balada. Não sinto saudades de intimidade como sexo, beijos e pegação, sinto saudades de momentos como esse, de quando ele me ligava questionando o porque eu não havia ligado pra ele e da mutua motivação de ambos na tentava de um tirar o outro de casa para ir a balada. O namorado, de fato, tinha perdido a muito tempo, estávamos juntos por conta de uma amizade, apenas não assumíamos tal posição, até pelo fato de não a enxergarmos.

Lembro-me que encontrei um amigo na balada, meu amigo me perguntou dele. Eu disse que havíamos brigados. Meu amigo deu risada e disse: vocês são fogos, um não vive sem o outro e vivem brigando. Meu amigo me disse que semanas atrás também havia encontrado ele na balada e ele ficou a noite inteira falando sobre mim, dizendo coisas que falávamos e fazíamos quando íamos na balada. Depois, me dei conta, que fiz a mesmo coisa com o meu amigo e fiquei a balada inteira falando dele. Na verdade, naquela noite, gostaria que ele estivesse ali, da mesmo forma que na outra noite, em que ele estava sozinho, acredito que ele gostaria que eu estivesse lá.

Não sei se a situação que nos metemos cabe desculpas, perdões e reparos. Na forma mais popular de se referir a questão: a merda está feita. Espero que ambos sejam felizes, que eu de fato encontre alguém que mude o rumo da minha vida e que ele encontre de fato quem mude o rumo da vida dele. Não sei se lamento o que aconteceu ou se fico no silêncio, pois acredito que tudo que passamos, contribui para a formação de quem somos. Talvez precisávamos passar por isso, sacrificar uma amizade em nome de algo que estamos nos transformando, ou talvez fomos burros ao extremos e acabamos com algo que era importante para ambos, seja lá o que for, espero que um dia a dor fica ao menos suportável.

domingo, 24 de outubro de 2010

Sonhos Destruídos

Ela destruiu com todos os meus sonhos – ele me disse enquanto tomava outro gole de cerveja. Nós tínhamos planos de um dia ir morar na praia, fazer viagens, ter outro filho e viver nossa vida – completou enquanto enchia outro copo. Fazia muito tempo que não via o meu primo, acredito que mais de 5 anos. Sempre fomos grandes amigos e depois que ele morou alguns meses em casa, nos tornamos confidentes, nossa amizade se fortaleceu.

Certa vez, sai de casa para um desses encontros de internet e chegando no local, percebi que fui novamente enganado. Depois de anos e anos como usuário de internet, eu ainda não tinha me acostumado com o fato das pessoas mentir. Naquele dia, quando eu coloquei os pés em casa, ele me perguntou: O que você tem? Porque está assim? Confesso que senti um bem estar tão grande naquele momento, meu primo, o cara que fazia a linha hétero pegador e talvez até pagava de homofobico para os amigos, era sensível. Eu olhei para ele e disse: Não é nada. Ele não se convenceu e me encheu até eu contar que fui num encontro de internet e me frustrei.

Dessa vez, quando o que vi, senti que algo estava muito errado com ele. Mesmo depois de tanto tempo, ainda tínhamos uma conexão que não permite segredos entre nós. No centro da cidade, parei para fazer um telefonema, ao desligar ele me pergunta: O que foi que aconteceu? Disse que eram problemas sentimentais, o meu namorado na época ficou magoado pelo fato de eu não ter dado noticias por 3 dias. Era véspera de natal e tanto eu como ele estávamos no mesmo barco, sofrendo por amor ou pela falta dele.

Sabe, ela me colocou para fora de casa, ficou com o carro e eu fiquei com a moto – ele desabafou enquanto acenava para o garçom trazer outra cerveja. E como se não bastasse, ela também ficou com a barraca de camping que ele usava para passar feriados prolongados em Lorena, com a yogurteira e com a chopeira. Fato é: tudo isso seria amenizado, se a ex-mulher não impedisse o meu primo de ver a filha dele. Esse porre tem quase dois anos e até hoje ele tem dificuldades para ver a filha.

Eu adorava encher o saco do meu primo, quando ele veio para São Paulo, também estava sofrendo por amor, aliás, tenho a impressão que sempre estamos sofrendo desse mal, que na verdade deveria ser um bem. Ele tinha acabado de sair de uma relação, com uma menina chamada Camila e  eu ficava cantando a música Camila da Banda Nenhum de Nós. Sei que isso é cruel, mas eu cantava. No fundo, fazia isso para ajuda-ló sair do abismo chamado “fim do amor”.


Depois do natal, fizemos uma viagem longa. Fomos de Itaúna do Sul à São Tomé, contando ida e volta, foram aproximadamente 6 horas dirigindo. Na volta, entramos em Londrina e passamos na frente da casa da ex-mulher dele, ele queria ver a filha, nem que fosse rapidamente, mas não tinha movimento algum em frente a casa. Seguimos viagem. Durante o percurso, ouvimos muito Capital inicial, na época que ele esteve em São Paulo, ouvíamos muito essa banda e ficamos lembrando das nossas baladas no Cabral, Fabrica 5 e Level, sim, o meu primo ia comigo em baladas gays e até num ambiente com a predominância masculina, ele sempre arrumava uma menina para beijar.

Hoje, senti muita falta dele, daria tudo para estar numa mesa de bar, conversando, dando risadas e lamentando. Ele está morando na Bahia, mas já combinamos de passar no Ano Novo juntos, no Paraná. O que o meu primo me disse há quase dois anos, naquele bar, me fez sentido hoje: Ela destruiu com os meus sonhos. Assim como ele se viu naquele momento, eu me vejo hoje, com os sonhos destruídos.

Meus sonhos - destruídos - não são tão diferentes dos dele. Planejei finais de semanas; viagens de fim de ano; cada um com um carro, e no rodízio revisaríamos a carona; a reforma e decoração do apartamento, enfim, assim como ele, também idealizei uma vida. Certa vez um amigo me disse que os sonhos não morrem, só mudamos o foco e passamos a ter os mesmos sonhos, que nada mais são que projetos e objetivos, com outra pessoa.

Meu lamento está muito acima dos sonhos destruídos. Lamento pela forma cruel que esses sonhos foram expelidos de minha vida, não deixando vasão alguma para uma amizade sadia. Lembro-me de termos ditos em diversos momentos: Se um dia nos separarmos, seremos para sempre amigos. O que são dito em bons momentos, são trocas de afeto que acontecem quando estamos bem, mas isso não significa que tais promessas correspondem com a verdade. O fato de hoje, não almejar nem uma amizade com aquela pessoa que um dia eu jurei dar a vida, me entristece. São mais que sonhos destruídos, são vidas. A morte de tudo que um dia viria acontecer. De momentos felizes, mortos prematuramente e outros que nem ganharam a vida, fruto de um aborto-sentimental.


sábado, 10 de julho de 2010

Sonhando Acordado

Ouvi uma voz perguntando: Você pode me ver? Imediatamente respondi: Não, só posso te escutar. Foi algo tão vivo, como se a voz estivesse dividindo o mesmo espaço físico comigo, como se estivesse dentro do meu quarto. Estava naquele estágio intermediario, entre dormir e estar acordado, quando a nossa mente está ativa, mas o corpo não. Demorei um pouco para abrir os olhos e nesse meio tempo senti o meu corpo inteiro se estremecer, não foi algo ruim, mas também não foi bom.

Quando finalmente consegui abrir os olhos, não vi absolutamente nada além da escuridão do meu quarto. Depois, completamente acordado, ainda sentia o meu corpo se estremecer, principalmente nas extremidades dos dedos dos pés. Levantei, tomei água e fui ao banheiro, depois voltei a dormir.

No segundo tempo da noite de sono, tive um sonho. No meu sonho, haveria um amistoso entre as seleções Brasileira e Argentina, todos estavam eufóricos, esperando que o Brasil desse uma goleada na Argentina, como foi na partida anterior. Minutos antes de começar o jogo, sai com minha irmã para comprar refrigerante, mas todos os comércios estavam fechados e andamos muito até achar um lugar para comprar.

Na volta, subimos à Rua Araucária, em Santo André, no sonho eu era adulto, mas morava na casa que morei quando criança, ainda subindo a rua, senti vontade de comprar doces. Essa rua, a Araucária, é uma subida bem íngreme, e quando estamos na metade da subida, avistei o Douglas, parado, nos esperando. Quando cheguei, o Douglas disse: Enfim, estava te esperando. Fui para dar um abraço nele e o que antes era tomado pelo vazio e silencio, foi rompido pelos olhares dos vizinhos pelas janelas, nos intimidados.

Já na rua da minha casa, encontrei uma doceria aberta. Comprei uma caixa de Bis Branco e acordei. E hoje, fiquei ouvindo uma música que gosto muito, de uma cantora que já está no mundo de lá, que diz: Ainda somos os mesmos e vivemos como os nossos pais...


terça-feira, 8 de junho de 2010

Agitos do Final de Semana

No último sábado, 5/6, fui com o Douglas pela primeira vez ao clube Megga, em São Paulo. A casa recebeu o coquetel de lançamento da edição 34 da Revista A Capa e contou com a presença do Serginho, capa da publicação, e a Morango, em uma festa intimista e bastante animada. Quem animou a festa foi o DJ Anderson Bressane.

Serginho chegou no coquetel por volta das 21h acompanhado de sua mãe Vera Barros Franceschini e vários amigos, o Douglas e eu chegamos minutos antes. A Morango também chegou trazendo garotas lindas para a festa minutos após a chegada do Serginho.

Após o encerramento do coquetel, às 23h, o BBB aproveitou a balada na Megga e curtiu até altas horas, onde até dançou no queijinho, tamanha agitação do público. Eu tive que ir embora cedo, pois no Domingo pela manhã me encontrei com a Diversidade Tucana na Av. Paulista, onde aconteceu a 14ª Edição da Parada do Orgulho LGBT com o Tema "Vote Contra a Homofobia, Defenda a Cidadania. A Parada LGBT de São Paulo é a maior do Mundo e o quarto evento Paulista com a maior arrecadação de ISS (Imposto Sobre Serviço), ficando atrás do Carnaval, Fórmula 1 e Fórmula Indy.



segunda-feira, 7 de junho de 2010

Cuidado com as Brincadeiras

Sempre contei a um amigo, num tom confessional, algumas particularidades de minha vida, fatos que me incomoda a mim e ao meu namorado. Esse amigo sempre me deu conselhos, alguns até radicais, chegando a sugerir uma virada em minha vida, algo que nunca estive disposto, pois eram mudanças que deixariam o meu cotidiano insuportável em longo médio ou prazo.

Fiz uma brincadeira com esse amigo, tenho o hábito de brincar com as pessoas eu que tenho apreço. Não tive a intenção de ser ofensivo e não usei nada do que foi dito durante os vários anos que fomos amigos para tirar-lhe o sarro e imediatamente, esse amigo usou as minhas confidencias, que incomoda a mim e ao meu namorado, para revidar a brincadeira. O clima ficou estranho entre o Douglas e eu.

Fiquei extremamente frustrado, chateado e angustiado, me senti traído por uma pessoa que confiei e contei detalhes da minha vida na intenção de obter acalanto e ombro amigo. O meu dia já estava péssimo, apesar de tê-lo aguardado por muito tempo, pois era o dia da Parada Gay e o meu aniversário de namoro, completamos ontem sete anos de namoro.

Não consigo definir como foi o dia de ontem. Estive com pessoas super queridas, me diverti bastante e terminei o dia com uma pequena briga que deixou uma indefinição na minha vida afetiva. Sempre costumo dizer que todo o que começa errado, tem grandes probabilidade de terminar errado. Assim foi o dia de ontem, começou de forma chata, melhorou por conta das inúmeras pessoas queridas que encontrei e terminou de forma super chata.

Na faculdade de administração, aprendi que em todos os segmentos comerciais temos as barreiras de entrada e as barreiras de saída, muitas das vezes um empresário quer encerrar as atividades de sua empresa, mas não pode por conta da agenda pontual que sua empresa definiu ou outros compromissos que impedem a sua saída do mercado, podemos chamar isso de barreiras de saída, na nossa vida acontece da mesma forma e por conta dessas barreiras de saída, ainda estou namorando.

A maior barreira de saída que tenho instituído em minha vida, é o amor. Se não existe amor, não há absolutamente nada que consiga amarrar um relacionamento, veja, por exemplo, os casais que tem filhos pequenos, às vezes recém-nascidos e mesmo assim se separam. Posso ter inúmeros defeitos e cometer diversos erros, mas amo e sou amado e ontem, apesar do dia não ter terminado muito bem, descobri que com o decorrer dos anos meu amor se fortaleceu e tem forças para continuar e essas forças são as barreiras de saída, que não nos prendem um ao outro, mas nos dão forças para continuar.

terça-feira, 18 de maio de 2010

+ Homofobia

A questão da homofobia coorporativa foi resolvida, porém, não foi aplicada a suspensão, e sim, uma demissão sem justa causa, apesar de ela merecer ser demitida por justa causa. Meus pais são empresários há mais de 15 anos e sempre adotaram como política a minimização de conflitos, a fim de evitar reclamações trabalhistas. Sabemos que por mais certa que seja a empresa, o ministério do trabalho sempre tem uma inclinação para o lado do empregado. Enfim, situação resolvida, entretanto é fantasia imaginar que a homofobia no Mundo está longo de ser extirpada.

Sábado, dia 15/05, dia que convidei amigos para sair e comemorar os meus 29 anos, eu fui ameaçado de morte. A situação foi tão inesperada, que quase estragou a confraternização, mas fui mais forte, aliás, fomos, pois o Douglas também foi ameaçado e a situação dele foi e ainda é muito mais delicada que a minha, porém, prefiro não comentar sobre o ocorrido com o Douglas e centrar apenas na minha versão da história. Ficamos mutio chateado com o ocorrido, a ponto do Douglas não querer mais me acompanhar na confraternização, só depois de muita conversa, convenci o Douglas a ir no “O Gato”, onde nos reunimos com aproximadamente 30 amigos que fizeram da comemoração de 2010, a melhor festa de aniversário que já tive. Fiquei muito feliz, pois mesmo concorrendo com a “Virada Cultural”, que teve uma programação excelente, meus amigos compareceram em peso.

Passada a confraternização, foi à hora de colocar a cabeça no lugar e pensar nos problemas e novamente fiquei surpreso com o posicionamento da minha família, que soube de tudo no mesmo instante que me avisaram da ameaça. Penso que nessas situações, temos que informar a todos, para no caso de a ameaça ser cumprida, as providencias cabíveis sejam tomadas. O mesmo acolhimento que tive da minha família, o Douglas também teve e mais uma vez a minha militância se fez valer, quando vi que barreiras de preconceito estão sendo quebradas dentro da minha casa e que hoje eles não enxergam mais o Douglas como um “melhor amigo” do filho gay e sim como o meu companheiro e cara que escolhi para ficar ao meu lado.

Decidimos que contra tudo isso, registraremos boletins de ocorrência no Distrito Policial de Arujá e no meu caso, ainda procederei com uma denuncia no Ministério Público para que os fatos sejam apurados e a punição cabivel seja aplicada. O crime de ameaça de morte é passível de 1 a 6 meses de prisão e o pagamento de multa por dano moral também pode ser aplicado. Situações como essa nos abalam, mas também nos deixa mais forte e valida a nossa luta por dignidade, por uma sociedade mais justa e igualitária aos cidadãos homossexuais. A ameaça não tem ligação alguma com o caso da ex-funcionaria, a pessoa que nos ameaçou faz parte do nosso convívio social, o que deixa a situação ainda mais delicada e a motivação da ameaça é fruto de homofobia e intolerância, a não aceitação que dois homens estão construindo algo juntos e se dando bem. É apenas uma fase, que superarei junto com o Douglas e servirá para firmar ainda mais os laços que temos.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Verdades e Mentiras

Na vida temos dois grandes agravantes, que são: Em quais mentiras devemos acreditar? E quais são as mentiras que se tornam verdade? Já presenciei casos de mentiras repetidas por diversas vezes, que se tornaram verdade absolutas. Já vi pessoas comuns, que passaram longe de escolas de artes cênicas, chorando em meio a uma mentira. São mentiras, que para aquela pessoa se tornou verdade. Quem tem certeza absoluta que o casal Nardoni matou a pequena Isabela? Ninguém tem, pois não houve confissão e muitas das provas técnicas não são conclusivas. Não estou defendendo o casal Nardoni, pois também fiz parte do clamor popular que gritou por justiça. De certa forma, me sinto um pouco responsável pela condenação dos mesmos, pois bem sabemos que a opinião pública teve um peso gigantesco no desenrolar do caso.

Nunca, jamais, em hipótese alguma, gostaria de estar na pele de Alexandre Nardoni, pois mesmo sendo inocente, gostaria de ser condenado, preferiria a reclusão do que o convívio social e o julgamento perpetuo do povo. Se a condenação deles foi certa, fato que eu acredito, as mentiras que os Nardonis contaram foi tão bem trabalhada na mentalidade deles, que para eles, ela se tornou verdade absoluta. O caso dos irmãos Cravinhos foi diferente, naquele caso houve a confissão e os pais dos mesmos se juntaram ao clamor popular e gritaram por justiça, o que não aconteceu com a família dos Nardonis, os pais de Alexandre defenderam a inocência do filho até as últimas consequências.

Na vida, passei por muitas verdades que daria tudo para que fosse mentira, verdades cruéis, mas que no fundo fazem parte do saldo positivo da minha vida. Acredito que tudo o que sou hoje, nada mais é que a soma de todas as escolhas que já fiz, a soma de todos os erros e acertos, de todas as verdades e mentiras que já contei e/ou acreditei. Assim como no filme "Efeito Borboleta", acredito que pequenas ações realizadas de forma diferentes da real, mudaria a minha vida por completo. Hoje, namoro com o Douglas. O que aconteceria se no dia 18/05/03 eu não tivesse ido ao culto da Igreja Acalanto? Hoje, com toda certeza, minha vida não seria a mesma, não faço ideia de como, com quem ou aonde estaria, só sei que tudo seria diferente. O que nos somo, fazemos, falamos e ouvimos, define o que somos e o que iremos ser.

Hoje, gostaria que fosse mentira que eu vivo num dos países mais homofóbicos do mundo. Segundo o GGB (Grupo Gay da Bahia), fundado por Luis Mott, o decano do Movimento Homossual Brasileiro, o Brasil é o país com o maior número de homicídios contra lésbicas, gays, bissexuais e travestis, as estimativas apontam que a cada dois dias um homossexual é assassinado por homofobia. Esses assassinos não são julgados pelo crime de ódio, pois não temos legislação especifica no Brasil para tratar tais crimes, nossos legisladores não estão preocupado com isso. Hoje, gostaria de fosse mentira que os nossos legisladores pouco se importam com tais dados e fazem pouco caso da PLC 122 que está sob apreciação do senado.

Uma mentira, que eu gostaria que fosse verdade, foram ditas por Magno Malta, Silas Malafaia, Waldir Agnelo e outros políticos e líderes religiosos, esses senhores, ao fazerem campanha contra a PLC 122, disseram que não existe homofobia no Brasil, essa é uma mentira que todo o movimento gay gostaria de fosse verdade. Fico triste com o fatos, pois percebo que vivo num mundo onde a fachada se faz mais importante do que o aconchego da casa, vivemos num mundo onde nossos semelhantes mentem para proveito próprio, para o beneficio de poucos, fazem política para grupos, ignorando que o papel de legisladores é muito mais amplo que os papéis que os mesmos desenvolvem em seus grupos, esquecem que suas mentiras, contadas para beneficiar grupos, acabam ceifando a vida de muitos inocentes e quando nos contamos que suas mãos estão sujas de sangue pelas mentiras que eles contam, eles não querem acreditar nessa verdade.