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sábado, 6 de setembro de 2008

A Questão Polêmica do Banheirão

Nunca tentei ser um moralista, nem tenho currículo para isso, mas existem alguns comportamentos que não concordo e mantenho distância. Dias atrás estava falando com um amigo sobre banheirão, ele me perguntou se eu já fiz e minha resposta foi sim, não posso ser hipócrita e afirmar que nunca fiz banheirão, assim como não nego que já fui à sauna e cinemas, mas não concordo com a abordagem que é feita nos banheiros. A cena é típica: entramos no banheiro e vemos todos os mictórios lotados, vamos ao reservado, lavamos as mãos e observamos que as mesmas pessoas que estavam no mictório quando entramos no banheiro, ainda encontram-se lá, todas olhando para você como se você fosse uma carne de açougue em exibição.

Certa vez fui ao banheiro do Extra Mooca. Fiquei surpreso com o buraco na divisória do reservado, era um buraco grande que cabia uma mão, sem contar nas mensagens que estavam nas portas dos banheiros, tipo: Como sua mulher / Está a fim de dar? / Quero neca de negão / Dou e chupo / Me come... entre outras. Perdeu-se a magia de paquerar, de flertar, o sexo é mais rápido do que a paquera, já vi comunidade de Orkut onde os participantes marcam encontros em banheiros, as pessoas se esquecem que vivemos num mundo de imagem, não podemos negar isso e dizer que isso não é importante, pois é. Vendemos uma imagem para a sociedade, quando ela é negativa pagamos um preço alto por isso. O que há de errado em ver uma pessoa interessante no banheiro, sair do banheiro e ir para um motel fazer sexo? Porque o sexo tem que ser praticado no banheiro?

O direito coletivo sobrepõe o individual, nenhum individuo tem o direito de fazer sexo num banheiro coletivo, não se pode expor crianças à visualização de tais cenas. Estamos vendo o desenrolar da CPI da Pedofilia, sou a favor da criação de banheiros infantis em locais públicos. Quando levei a minha sobrinha para assistir Hi-5, ela pediu que eu a levasse ao banheiro – E agora, o que eu faço? Não posso levá-la ao banheiro masculino, e não posso deixá-la ir sozinha ao feminino... Pedir para alguém levá-la? Não sei, vi tantas aberrações na CPI da Pedofilia, que estou assustado. Como o show ainda não tinha começado, e a casa estava vazia, olhei rapidamente o banheiro e vi que estava vazio, a levei no banheiro masculino mesmo. Sou assim mesmo, desconfiado... É por uma situação como essa que defendo a idéia da obrigatoriedade da criação de banheiros infantis em locais públicos, as nossas crianças não podem compartilhar os nossos banheiros... banheiros de adultos de uma “sociedade civilizada”.

Não sou contra o banheirão, sou o contra o tipo de abordagem, sou contra a degradação da imagem que tal ato gera. O banheiro pode ser palco de um encontro, duas pessoas podem se ver e se interessarem uma pela outra no banheiro, mas não pode ser berço para o saneamento da fome sexual de dois indivíduos: o banheiro é público, de todos, e o restante da sociedade não é obrigada a compactuar os atos “viris” e sexuais de outros indivíduos. Quero entrar num banheiro e não ver o apelo sexual, pretendemos uma sociedade de Direito, e devemos nos portar como tal, existem tantas saunas e cinemas onde a pegação é mais proveitosa e assertiva, não entendo o porque perde-se tanto tempo em banheiro. E, de quebra, joga-se na lama a imagem de toda uma luta homossexual para a construção e participação nesse Direito.

19 comentários:

Serginho Tavares disse...

eu confesso: nunca fiz banheirão. não tenho nada contra, mas eu nunca fiz justamente porque acho que é um local onde pessoas que estão ali apenas para fazer xixi não precisam compartilhar com o sexo dos outros.

cinemas, saunas, ai sim são opções para isso.

uomini disse...

Hummm... Welll... Achei que o texto está cheio de conceitos prontos.

1 - Na maioria das vezes quem entra SÓ pra usar um banheiro público (sem o gaydar ligado) nem percebe o movimento.

2 - Héteros elogiam mulheres bonitas que passam em frente a uma obra (clássico). Algumas gostam, outras não, mas na maioria dos casos não passam de grecejos sem maior importância (desde que a garota não se ofereça pra entrar e fazer a gang-banger pros peões, rsrsrs). Inclusive conheço garotas que se sentem mais "gostosas" com os elogios.

3 - "Imagem pra sociedade"? Na Holanda é permitido por lei fazer sexo em parques público...

4 - O banheiro foi durante muito tempo o único lugar de expressão homossexual na nossa sociedade.

5 - "O que é natural não pode ser imoral" (frase célebre) e achar que ficar bem na foto é passaporte pra aceitação dos gays na sociedade pode ser um engano.

Enfim, estes foram alguns dos pensamentos que tive enquanto li seu texto. Não gostei do tom, mas achei importante sua posição.

Um grande abraço, Cris.

RICARDO AGUIEIRAS disse...

Marcos, é muito admirável sua coragem em mostrar seu lado mais "moralista", eu te admiro , você sabe disso.
Como te disse: O buraco é bem mais embaixo. Gostei muito do que o Uomini disse aí em cima, Parabéns, Uonimi! Concordo com tudo o que ele falou e mais:"1 - Na maioria das vezes quem entra SÓ pra usar um banheiro público (sem o gaydar ligado) nem percebe o movimento."
foi perfeito.
Não temos que dar "bons exemplos" para a sociedade heterossexual e heterossexista só por que queremos ingressar nela. Mesmo por que ela nunca deu bons exemplos para nós.
Heterossexual também faz sua pegação, na cidade toda, de dia e sem ser discriminado ou reprendido por isso.
Fiz muita pegação na minha longa vida e NUNCA, nunca vi um hétero ter percebido ou continuarem perante uma criança, nunca. Esse argumento é sempre usado por que tem forte carga emocional, mas não corresponde à verdade. No belo filme " O Oposto do Sexo" , em dado momento Christina Ricci diz: " O verdadeiro heterossexual não se importa com gays, se estão ou não se pegando num banheiro ou olhando para ele num vesti´raio. Ele nem liga para isso..."
E venho da ditadura militar, na minha época, realmente, eram pouquíssimos os lugares onde se podia exercer a homossexualidade e nem existia e idéia de casamento, por exemplo, de tão errado que éramos considerados.
Como disse, há dois pontos: um, o enrustimento, que, para mim, é o que tem que ser combatido. Se as pessoas fossem livres, assumidas, não condenadas, poderiam exercer a sua sexualidade de outras maneiras. Pra que se contentar com pouco? Dois, a fantasia: não há como controlar isso. O mundo inteiro já tentou de todas as formas, mas o erotismo não se controla. Como vê, é bem mais grave e complexo tudo.
Eu nunca separei sexo de amor Ou a possibilidade de. Apenas acho que o sexo feito nesses lugares é miserável. Mas não me cabe condenar. Se eu não gosto de um local, basta não frequentar. Há outros banheiros.No próprio exemplo de sua sobrinha, você mesmo encontrou uma saída.
Tem várias músicas, que de um modo mais sutil abordam isso "Ilegal, Imoral ou engorda", do Erasmo Carlos e do Roberto, onde eles falam: " Por que tudo que eu gosto e que me dá prazer é ilegal, imoral ou engorda?"
E ainda, a bela "It's a Sin", dos Pet Shop Boys, onde tudo o que fazemos é acusado de pecado.
Apontar o dedo em riste, condenar , proibir, não adianta. Mesmo.
Se a sua preocupação é mesmo criança, o que acho bom, adorei sua idéia de banheiros infantís. Lembrando apenas que há crianças que ainda não sabem usar um banheiro sózinhas, se limpar, e aí precisariam de um/uma adulto/a. Voltaríamos aí ao ponto de partida?
Beijos e obrigado por essa importantíssima reflexão.
Ricardo
aguieiras2002@yahoo.com.br

" O PIMENTA ! " disse...

Bom me chamem de púdico, hipócrita, falso-moralista, mas acho podre o banheirão, que nada mais é do que um beco onde os gays refugiam suas fantasias e podem matar sua sede reprimida a 7 chaves, para poder ao menos ver um pinto! Acho degradande sim, e é minha opinião, não peço que ninguém concorde comigo!!
Quer fazer banheirão, beleza, seja feliz, mas não reclame de solidão depois! Cada um colhe o que planta, e quem planta "bafo" de banheiro, pra mim só vai colher coisa ruim o resto da vida !
Tenho o dito !!!
e seus texto estão ótimos querdios, parabéns "one more time"!

MaxReinert disse...

Hummmmmm.... questão polêmica mesmo!

Não sei nem por onde começar... mas concordo em parte com o que vc disse... no mais , acho essa história de banheirão chhhhhaaaaata... mas tem gente que se excita exatamente nessa "exposição".. nesse "local impróprio"... vai entender o fetiche da cada um?

De qualquer forma, qualquer prática que perturbe quem não participa "pode" ser no mínimo controlada, não é mesmo? Já passei por momentos constrangedores em banheiro sim... tendo inclusive que dar um tapa na mão de uma criatura que não tinha "limites"... e talvez aí entre um ponto interessante!
Tem gente que não tem limites, não entende um belo e simples "NÃO"....

minininho_badboy disse...

Como eh minha primeira vez por aqui, qria dizer algo mais concreto, mas me faltam as palavras diante de tantas opinioes fortes!

Concordo contigo em alguns pontos, mas tb discordo em outros. Nunca pratiquei o banheirao, acho errado, nao me sinto bem.

Sexo é necessario? As vezes! Mas acho eu que sexo de verdade deve ser bem mais intenso do que um "descarrego" no banheiro masculino.

Obrigado por passar no meu blog e me desejar Feliz Aniversario..

Bjao, e volte sempre!

Ah, vc eh lindo! ^^

Goiano disse...

cara eu concordo com tudo
nao sou engajado na causa ... e muito menos na protecao da imagem gay que a sociedade tem... mas acho uma falta de civilidade e respeito esse negocio de banheirao

bjos

Alberto Pereira Jr. disse...

atire a primeira pedra quem nunca fez banheirão.. mas tb acho que as vezes tudo é muito exagerado

tommie carioca disse...

O leque de opções de prazer é individual e livre. A sociedade, em sua burra e eterna tentativa de se julgar e se punir, acaba por problematizar algo natural, o sexo. Não fôssemos tão reprimidos, medrosos e julgadores, estaríamos vivendo melhor a vida em vez de buscar novas genis para jogarmos pedra. Além de ser impossível, mesmo com milhões de leis e condenações, controlar o ser humano, é subjetivo demais dizer o que pode e não pode. Subjetivo e cultural, os tempos mudam e os conceitos vão mudando. Moral não é algo fixo, como nada na vida, aliás. E as punições tbm vão mudando. A única coisa que não muda é a natureza do ser humano - este que, em alguns momentos, desafia o conceito de "certo e errado" e faz na sua vida o que deseja. E, por incrível que pareça, são estes ousados que acabam depois sendo admirados. Por último, se todos fôssemos impor que não queremos ver o que nos incomoda, seríamos ditadores incontrolados. A barbárie não está na liberdade, mas na proibição.

RICARDO AGUIEIRAS disse...

Nossa! É uma delícia pura ver que tem gente cabeça e posicionada como o Tommie Carioca e o Uomini. Tommie, para o Uomini eu já tinha deixado meus parabéns. Agora vai mais um para você e sua inteligência!
Ricardo
aguieiras2002@yahoo.com.br

artcasez disse...

Nunca “fiz banheirão”, mas há dois pontos nos quais costumo pensar quando entro em um e percebo o clima.

1º) Esta situação de completo anonimato pode ser excitante e é isso, a meu ver, que atrai a muitos.

2º) Particularmente acho muito bom, entrando no "banheirão", ser olhado e desejado pelos espelhos. Não vejo nenhum probelma nisso nem nunca vi ninguém sentir-se agredido assim.

Infelizmente, o que ocorre nestas situações é que algumas pessoas são, de fato, ostensivas. Mas aí acho que o que rola é aquilo que cada um quer que role: desde o entrar no reservado e isolar-se, ou investir nas olhadas pelo espelho e parar (ou não) sabe-se onde (e como).

Penso muito como o Tommie. Não costumo julgar ou coibir um comportamento. Apenas penso (como você), que se este comportamento repercute em um outro, precisa ser avaliado.

Mesmo pensando assim, sei como ninguém que o desejo turva a realidade. E nem sempre é simples perceber alguns limites.

O Menino que Voa disse...

Opiniões diversas, condescendentes ou nao com seu post, hein? Muito legal. admiro sua coragem de tocar num assunto tão tabu, mesmo nos meios gays, e a coragem dos outros de contestarem essas opiniões. É por isso que eu ainda acredito nesse tipo de mídia, onde ficamos expostos aos mais diversos pensamentos. Bom Domingo!

Amaral Dias disse...

"Na Holanda é permitido por lei fazer sexo em parques público..."
bem, acho que temos que evoluir porque isso é de uma irracionalidade completa, mas não é por isso que a holanda é um país de exemplos...cenários destas é próprios de animalidade. Parece que falta romantismo e sexo por sexo, vale mais ficar em casa bater uma. Agora cenas nestas em locais públicos é de banir completamente. Não acham que escrever aquelas porcarias dignifica quem tem que utilizar as casas de banho públicas ? Sejamos civilizados !

O Menino que Voa disse...

acredito PIAMENTE que as opinioes sao pessoais e defendo o direito de dizê-las, mesmo que nao concorde com isso. Enfim... naturistas dizem que a maldade esta nos olhos de quem vê, não de quem faz. Nao sou tão Poliana, afinal de contas, dentro do "banheirão", faz a "maldade" que está no ato. Mas será mais difícil de me convencer de que a possibilidade de se fazer sexo em parques publicos é um ato de animalidade. Está ocorrendo alí e, sendo permitido, olha quem pode e leva crianças ao parque quem quiser.

_Gabriel disse...

texto bacan. acho que essa é a pior parte. maior luta pra mostrar que gay não pensa só em sexo e glitter, e aí essas coisas depoem contra

Klero disse...

Se nós mesmos ficamos constrangidos ao ver as estátuas nos mictórios esperando a oportunidade, como não pensar em todos os outros?

O assunto reeeeeeeeeeeende, mas acho que respeito vale sempre antes de tudo.

Leandro G. disse...

Olha, eu nunca participei de banheirão. Na verdade é muito difícil eu usar um banheiro público, e são raras as vezes que eu vou. Das duas uma, ou nunca aconteceu nada, ou eu fui patife demais ao ponto de nunca perceber nada.
Porém, fico neutro no assunto, pois tudo depende daquele momento.
Não sei se um dia farei algo no banheirão, ou se, simplesmente, não aceitarei esse tipo de coisa. Mas tenha certeza de que guardarei a opinião pra mim mesmo, sem julgar ninguém, exceto quanto ao assunto de crianças, que a meu ver não são obrigadas e nem tem que ver esse tipo de "lance".
E mais, existem muitos héteros que são mais desrespeitosos do que eu, e você que é gay, pois vc sabe né, somos pecadores (kkkkkk)...Só para concluir, recentemente estava na lavanderia da minha casa, vendo lá no fundão da minha rua que tem uma pedra gigantesca. Havia um cara sentado na pedra, e como tinha um pouco de mato, não consegui identificar uma segunda pessoa.
Eu percebi que estava acontecendo alguns movimentos "estranhos", e foi quando eu vi uma garota praticando o que vcs já devem imaginar.
Pois bem, ascendi um cigarrinho, e ali fiquei de camarote observando e provocando, até que o casal resolveu ficar irritado comigo, e foram embora.
Concluindo, na minha rua tem crianças, idosos, pessoas evangélicas, pessoas más, enfim, de tudo, como qualquer rua. Sem contar uma igreja que tem bem ao lado dessa pedra (e o casal passou bem em frente).
Daí podemos perceber que, quando o "fogo" ascende, as pessoas perdem a noção.
Agora eu pergunto, seu que não tem muito a ver com o assunto aqui abordado, mas e se fosse um casal gay ali?
Aposto que seria caso até de polícia.
Mas voltando, continuo no neutro.
Um abraço a todos e uma ótima semana.

Robert Silva disse...

Tem guarulhos

Robert Silva disse...

Em guarulhos tem banheirao ? aonde