Pesquisar este blog

Mostrando postagens com marcador Brasil. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Brasil. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 30 de setembro de 2014

Dilma Rousseff: A Candidata das “Opções Sexuais”

Dilma Rousseff, a mesma candidata que disse que em seu governo não faria propaganda de “opções sexuais”, voltou a defender a criminalização da homofobia após a repercussão da declaração homofobica de Levy Fidelix no debate eleitoral do TV Record. 

"Meu governo e eu, tanto publicamente quanto pessoalmente, somos contra a homofobia e acho que o Brasil atingiu um patamar de civilidade no qual todos nós não podemos conviver com processos de discriminação que levem à violência", disse em entrevista coletiva em São Paulo. A declaração da presidente me causou muita estranheza, pois foi ela e o seu partido que abriu concessões ao PLC 122 para acalmar os ânimos da bancada fundamentalista, forte base de apoio ao seu governo.

Dilma lembrou ainda que o Supremo Tribunal Federal (STF), ao reconhecer a união estável entre casais do mesmo sexo, garantiu os direitos civis a todos os cidadãos. "O STF foi claro e definitivo. Isso não está mais em discussão", afirmou. Ela, no entanto, evitou responder se aceitaria o apoio de Fidelix num eventual segundo turno. "Estou no primeiro turno e não vou fazer precipitação. Só falo em segundo turno depois do voto depositado na urna e computado." 

O STF tem total autonomia pelos seus atos. A vitória do reconhecimento da união estável junto ao STF não é da Presidente Dilma e nem do PT, essa vitória é da sociedade civil. Em nenhum momento tivemos apoio da presidência, como houve na Argentina e se Dilma estivesse realmente preocupada com os assassinatos homofóbicos que ocorrem no Brasil, ela mandaria um projeto para o Congresso e usaria sua base aliada, que é maioria na casa, para garantir a rápida aprovação.

Recentemente Dilma voltou a falar em "opção sexual" em seu programa de governo. Como ela pode estar conectada com a causa LGBT se não está alinhando nem com a terminologias do movimento? Quem vota em Dilma Rousseff, vota contra a cidadania e os princípios de igualdade. 

domingo, 7 de abril de 2013

Prefeito de Lins fala sobre Políticas Públicas LGBT e defende a saída de Marco Feliciano da CDHM

Estava na tensão da apuração do resultado das eleições, no Comitê do Vereador Floriano Pesaro, quando um amigo comentou que em Lins, município a 429 quilômetros de São Paulo, tinha sido eleito um Prefeito muito transversal que questão dos Direitos Humanos, em especial na defesa da população LGBT. Naquele momento comecei pesquisar quem era Edgar Souza.

Tomei as medidas inicias para quem quer acompanhar de perto o trabalho de um político. Comecei a segui-lo no Twitter e curti sua página no Facebook. Me chamou muito a atenção quando comecei a ver suas postagens e confirmei o que foi dito no inicio. Me orgulha em saber que Edgar faz parte do meu partido, da linha ideológica que eu acredito.

Convidei o prefeito para aprofundar alguns temas que estão em discussão na mídia nacional. Abordando a questão dos Direitos Humanos, avanços nas Políticas Públicas para a população LGBT, posicionamentos fundamentalistas de algumas figuras públicas e a rotina política na cidade de Lins. Confira na íntegra a entrevista:

Passageiro - Como foi que você ingressou na vida pública?

Edgar Souza - Meu ingresso na vida pública se deu muito cedo. Tenho uma militância desde minha adolescência na pastoral da juventude e nos movimentos populares e ali construí meu compromisso com a superação dessa sociedade, participando ativamente da construção de uma nova sociedade, mais humana, solidária, fraterna e igualitária . 

Participei do movimento estudantil, de movimento de bairro, mas sobremaneira foi a militância cristã que me impulsionou a entrar na política partidária e a disputar um mandato para levar adiante o sonho de sociedade que acredito. Dessa forma fui eleito aos 21 anos o vereador mais jovem da historia de minha cidade. Lins, no interior de São Paulo .

Passageiro - Comente um pouco sobre sua trajetória pelo PT, antes de ingressar no PSDB.

Edgar Souza - Quando adolescente, me simpatizava com o PT e com o PSDB, pelo compromisso com as causas humanas e libertárias. Acabei me filiando ao PT, pois como todo jovem, primeiro tinha que viver uma experiência na oposição. E naquele momento o PT estava muito mais próximo do movimento popular real do que o PSDB. Naquele momento é bom que se reafirme. Na minha cidade, o PT representava a real mudança política que sonhávamos. 

Tenho orgulho de minha historia dentro do PT, pois a vive com intensidade e sinceridade. Entretanto, com o passar do tempo, já não reconhecia mais o partido que eu entrei. As mudanças da cúpula foram brutais e envergonharam boa parte da militância. Batalhamos pela ética na política e depois veio o mensalão. Batalhamos por uma nova política, aí vieram as alianças promíscuas com Sarney, Renan, Collor e Maluf. Foi muito para mim. Saí do PT e fui para outros partidos, até finalmente ser convidado para ingressar no PSDB, onde estou muito feliz. 

Hoje, mais maduro politicamente, sei que temos diversos embates internos para que nosso partido seja de fato o Partido da Social Democracia Brasileira, mas creio que nesses últimos anos a agenda progressista, que sempre foi a marca indelével do PSDB, está sendo retomada com força e tenho gostado muito de participar desse processo. Na prática os governos do PSDB foram muito mais progressistas e populares - não populistas - do que os últimos governos, mesmo reconhecendo vários acertos e méritos neles também.

Passageiro - O nome da legenda que te elegeu prefeito de Lins, levou o nome “Lins Merece Muito Mais”. O que seria - qual o significado deste - esse muito mais?

Edgar Souza - Hoje tenho o desafio de ser o prefeito mais jovem e o primeiro tucano de Lins, mas sei que com as parceiras com os governos federal e estadual e com a experiência já acumulada nos governos tucanos, vamos fazer um grande governo.

Nossa cidade viveu nos últimos anos momentos de sofrimento e abandono, mas com algumas coisas boas. Usamos o lema "Lins merece muito mais" para expressar nosso desejo e compromisso com a superação daquele abandono e mesmo naquilo que era bem avaliado, sabemos que pode ir além, pode ser ainda melhor. Nosso povo é lutador e merece uma cidade com mais oportunidades e serviços públicos de melhor qualidade e mais que isso, uma cidade onde os governantes sejam de fato servidores públicos e que não se sirvam da cidade como acontecia no passado. Hoje, já começamos a construir um novo tempo para Lins.  

Passageiro - Como o Movimento LGBT tem se articulado com o Poder Público no município de Lins?

Edgar Souza - Nós não temos um movimento LGBT organizado em nossa cidade, mas temos um tradição progressista de parte da sociedade. Uma tradição de defesa de direitos humanos. Penso que isso nos ajuda. Hoje, mesmo tendo uma prefeitura com grandes limitações financeiras e uma cidade com muitas demandas, criei a Secretaria de Relações Institucionais, Participação e Parcerias, que está organizando diversos grupos da sociedade em suas pautas, em especial as chamadas minorias. Já estamos avançando na articulação dos movimento negro e já demos passos bem bacanas com os LGBT. 

Estamos nesses 3 meses na fase de organização e logo teremos nossa agenda específica. Mas como disse durante a posse: nosso governo tem profundo e total compromisso com a construção de uma cidade para todas e todos, combatendo toda forma de preconceito e discriminação e sendo um forte instrumento para a garantia de cidadania plena a todas as pessoas, independente de qualquer diferença de crença, raça, posicionamento político filosóficos, sexo, gênero ou identidade sexual. Sou social democrata e esse compromisso está em nosso DNA .

Passageiro -  Recentemente você se posicionou contrário ao Pr. Silas Malafaia, em seu Twitter, onde Malafaia comparava a Militância LGBT, com a Ditadura Militar. O que você pensa dos posicionamentos desses pastores neopentecostais em relação aos Direitos Civis LGBT?

Edgar Souza - Primeiramente penso ser importantíssimo não generalizarmos os evangélicos pentecostais. Esse senhor não representa todos os pentecostais. Ele adora se posar de representante deles, mas eles já deixaram claro que ele não representa a todos. Muitos deles apoiam a luta pelos direitos igualitários e a maior parte não está nem aí para essa discussão. 

Com relação as afirmações que ele faz, digo que são absurdas e não encontram respaldo nos evangelhos e tão pouco na fé cristã genuína. Ele gosta muito de falar em ditadura, mas faz de forma dissimulada, espalhando confusão. Tenta fazer as pessoas pensarem que o movimento LGBT quer impor relações e casamentos homoafetivos a todos, como se fossemos obrigar todos a casarem com pessoas do mesmo sexo. Ridículo no mínimo essa tentativa deles. 

O movimento LGBT e seus apoiadores e simpatizantes só querem que a democracia brasileira não seja de faz te conta, mas real. E não existe democracia real sem a garantia de todos os direitos iguais a todos os cidadãos. Isso é fundamento da democracia e elemento basilar de nossa constituição. Está lá , é só cumprir.

Passageiro - O PSC afirmou que a polêmica em relação ao Deputado Feliciano pode triplicar a votação dele nas próximas eleições. Você acredita que a legenda tem algum compromisso com os Direitos Humanos ou só mantêm Feliciano no cargo para se aproveitar da mídia que o caso está gerando?

Edgar Souza - Ao tentar impor suas convicções religiosas e filosóficas, seu modo de vida e costumes a todas as pessoas, independente delas professarem ou não suas crenças, eles sim flertam fortemente com o pensamento totalitário fundamentalista religioso. Ou seja uma ditadura teocrática. Ditadura é quando uma parte da sociedade - mesmo que seja a maioria - se impõe sobre o todo. Exigir direitos iguais não tem nada haver com ditadura, assim como a democracia não é apenas o governo da maioria, mas é muito mais do que isso. É a sociedade onde todas as pessoas são iguais em seus direitos e a maioria governa tendo amplo e pleno respeito as minorias. E respeito assim como democracia não permite variações . Ou se tem ou não. 

Negar direitos elementares é desrespeitoso, antidemocrático, segregacional e portanto na minha humilde avaliação chega ser uma infração, para não dizer crime. Além disso, sejamos sinceros, apenas pessoas inseguras com sua sexualidade se preocupam tanto com a sexualidade alheia. É deprimente uma liderança religiosa e lideranças políticas se preocuparem com a vida intima alheia e se mobilizarem contra os direitos de outros .

Não quero também generalizar com o PSC, pois não conheço seus integrantes. Mas o deputado Marco Feliciano com certeza não possui nenhum compromisso com a causa dos direitos humanos. Não sei se quer apenas mídia, pois até acho que eles pensam aquelas bobagens e agem absurdamente para travar o avanço dos direitos civis. Na história sempre existiram esses políticos. Tiveram os contrários ao fim da escravidão, os contrários a emancipação feminina, ao divórcio etc. Essa turma aí nada mais é que a herdeira das forças políticas mais atrasadas do país. 

Direitos Humanos, mais que uma luta, por sua história já se consolidou como um conceito. E esse senhor que está lá presidindo a comissão não tem nada haver com a história dos Direitos Humanos. Mais que um retrocesso é um descalabro e uma incoerência vê lo lá. Os militantes dos Direitos Humanos não podem se acovardar e nem parar de enfrenta-los, pois se deixarmos depois dos ataques aos Direitos LGBT, eles vão buscar caçar a liberdade de culto, o direito de opinião livre e assim por diante até instalarem eles sim um estado totalitário ditatorial. Todas as pessoas que apreciam a liberdade precisam se colocar contra as ações desse grupo extremista. A liberdade é alma da democracia. Tenho certeza que logo teremos excelentes resultados nessa discussão toda e vamos recuperar a Comissão de Direitos Humanos para os que com ela tem afinidade real.

Passageiro - São Paulo tem sido um grande precursor na questão de garantias de Direitos para a população LGBT. Temos legislação estadual que pune a homofobia, Coordenadorias em âmbito Estadual e Municipais e apoio a maior Parada LGBT do Mundo. Ao que devemos atribuir tantos avanços no nosso Estado, enquanto a garantia de Direitos no âmbito Federal deixa muito a desejar?

Edgar Souza - São Paulo é um estado cosmopolita e aberto ao mundo. Temos aqui as forças mais progressistas bem organizadas e estruturadas. Além disso, apostamos a muito tempo no avanço educacional e na construção de um país mais livre. Isso tem reflexo nessas causas. Sem falar que desde 1995 temos conquistados sucessivos governos democráticos com o PSDB. A agenda dos governos tucanos é a agenda da social democracia. Isso é, a agenda da igualdade de direitos e superação das segregações de qualquer espécie. 

Tanto o saudoso Mário Covas, José Serra e principalmente o governador Geraldo Alckmin não se escondem desse tema e assumiram de verdade políticas de promoção da igualdade e respeito a comunidade LGBT. Temos muito a avançar, mas é indiscutível que em são Paulo essas medidas são reais e não apenas propaganda. Não podemos permitir, como no cenário nacional, que direitos fundamentais de cidadãos sejam trocados por tempos de TV na propaganda eleitoral ou votos no legislativo . 

Passageiro - Como é a rotina de um prefeito tão jovem? Em meio há tantos compromissos políticos, sobra tempo para se divertir? 

Edgar Souza - De fato a agenda é bastante intensa e puxada. Mas vivo a política com paixão, convicção. Não canso de viver esse trabalho de melhorar a vida das pessoas, principalmente das que mais precisam. Mas sempre sobra um tempinho também para uma diversão, sim. Pouco, mas sobra vez ou outra.

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Joelmir Beting deixará uma lacuna no jornalismo Brasileiro

Mauro Beting (no detalhe à esq.) anunciou a morte do pai,
Joelmir, na Rádio Bandeirantes
Recebi com muita tristeza a noticia da morte do jornalista Joelmir Beting, jornalista do grupo Bandeirantes. Tenho absoluta certeza que o Jornal da Band, que era enriquecido com os seus comentários, jamais será o mesmo. O filho dele, Mauro Beting, também jornalista do grupo Bandeirantes, recebeu a noticia na Rádio Bandeirantes, onde leu a emocionante carta em despedida ao pai.

Confira a íntegra da carta de Mauro Beting:

"Nunca falei com meu pai a respeito depois que o Palmeiras foi rebaixado. Sei que ele soube. Ou imaginou. Só sei que no primeiro domingo depois da queda para a Segunda pela segunda vez, seu Joelmir teve um derrame antes de ver a primeira partida depois do rebaixamento. Ele passou pela tomografia logo pela manhã. Em minutos o médico (corintianíssimo) disse que outro gigante não conseguiria se reerguer mais.
No dia do retorno à segundona dos infernos meu pai começou a ir para o céu. As chances de recuperação de uma doença autoimune já não eram boas. Ficaram quase impossíveis com o que sangrou o cérebro privilegiado. Irrigado e arejado como poucos dos muitos que o conhecem e o reconhecem. Amado e querido pelos não poucos que tiveram o privilégio de conhecê-lo.
Meu pai.
O melhor pai que um jornalista pode ser. O melhor jornalista que um filho pode ter como pai.
Preciso dizer algo mais para o melhor Babbo do mundo que virou o melhor Nonno do Universo?
Preciso. Mas não sei. Normalmente ele sabia tudo. Quando não sabia, inventava com a mesma categoria com que falava sobre o que sabia. Todo pai é assim para o filho. Mas um filho de jornalista que também é jornalista fica ainda mais órfão. Nunca vi meu pai como um super-herói. Apenas como um humano super. Só que jamais imaginei que ele pudesse ficar doente e fraco de carne. Nunca admiti que nós pudéssemos perder quem só nos fez ganhar.
Por isso sempre acreditei no meu pai e no time dele. O nosso.
Ele me ensinou tantas coisas que eu não sei. Uma que ficou é que nem todas as palavras precisam ser ditas. Devem ser apenas pensadas. Quem fala o que pensa não pensa no que fala. Quem sente o que fala nem precisa dizer.
Mas hoje eu preciso agradecer pelos meus 46 anos. Pelos 49 de amor da minha mãe. Pelos 75 dele.
Mais que tudo, pelo carinho das pessoas que o conhecem – logo gostam dele. Especialmente pelas pessoas que não o conhecem – e algumas choraram como se fosse um velho amigo.
Uma coisa aprendi com você, Babbo. Antes de ser um grande jornalista é preciso ser uma grande pessoa. Com ele aprendi que não tenho de trabalhar para ser um grande profissional. Preciso tentar ser uma grande pessoa. Como você fez as duas coisas.
Desculpem, mas não vou chorar. Choro por tudo. Por isso choro sempre pela família, Palmeiras, amores, dores, cores, canções.
Mas não vou chorar por algo mais que tudo que existe no meu mundo que são meus pais. Meus pais (que também deveriam se chamar minhas mães) sempre foram presentes. Um regalo divino. Meu pai nunca me faltou mesmo ausente de tanto que trabalhou. Ele nunca me falta por que teve a mulher maravilhosa que é dona Lucila. Segundo seu Joelmir, a segunda maior coisa da vida dele. Que a primeira sempre foi o amor que ele sentiu por ela desde 1960. Quando se conheceram na rádio 9 de julho. Onde fizeram família. Meu irmão e eu. Filhos do rádio.
Filhos de um jornalista econômico pioneiro e respeitado, de um âncora de TV reconhecido e inovador, de um mestre de comunicação brilhante e trabalhador.
Meu pai.
Eu sempre soube que jamais seria no ofício algo nem perto do que ele foi. Por que raros foram tão bons na área dele. Raríssimos foram tão bons pais como ele. Rarésimos foram tão bons maridos. Rarissíssimos foram tão boas pessoas. E não existe outra palavra inventada para falar quão raro e caro palmeirense ele foi.
(Mas sempre é bom lembrar que palmeirenses não se comparam. Não são mais. Não são menos. São Palmeiras. Basta).
Como ele um dia disse no anúncio da nova arena, em 2007, como esteve escrito no vestiário do Palmeiras no Palestra, de 2008 até a reforma: “Explicar a emoção de ser palmeirense, a um palmeirense, é totalmente desnecessário. E a quem não é palmeirense… É simplesmente impossível!”.
A ausência dele não tem nome. Mas a presença dele ilumina de um modo que eu jamais vou saber descrever. Como jamais saberei escrever o que ele é. Como todo pai de toda pessoa. Mais ainda quando é um pai que sabia em 40 segundos descrever o que era o Brasil. E quase sempre conseguia. Não vou ficar mais 40 frases tentando descrever o que pude sentir por 46 anos.
Explicar quem é Joelmir Beting é desnecessário. Explicar o que é meu pai não estar mais neste mundo é impossível.
Nonno, obrigado por amar a Nonna. Nonna, obrigado por amar o Nonno.
Os filhos desse amor jamais serão órfãos.
Como oficialmente eu soube agora, 1h15 desta quinta-feira, 29 de novembro. 32 anos e uma semana depois da morte de meu Nonno, pai da minha guerreira Lucila.
Joelmir José Beting foi encontrar o Pai da Bola Waldemar Fiume nesta quinta-feira, 0h55".

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Encontro de Frentes do Empreendedorismo discutem ações para 2012

O deputado Itamar Borges, coordenador da Frente Parlamentar do Empreendedorismo de da Guerra Fiscal reuniu na Assembleia Legislativa as Frentes Parlamentares de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Congresso Nacional e da Câmara Municipal de São Paulo, com a Secretaria do Micro Empreendedor Individual da PMSP e 20 representantes de entidades empresarias e órgãos de governo para preparação da solenidade de formalização de 450 mil Microempreendedores Individuais no Estado de São Paulo, que se realizará no próximo dia 19 de dezembro.

O encontro terá como foco o balanço das ações realizadas em 2011, os desafios para 2012, a comemoração por São Paulo atingir a marca de 450 MEI cadastrados e a identificação de ameaças e oportunidades relacionadas ao seguimento.

Os coordenadores das Frentes Parlamentares, deputados federais Mendes Thame e Vaz de Lima, o deputado Itamar Borges e o vereador Floriano Pesaro discutiram as necessidades e oportunidades para integrar e fortalecer as políticas públicas para os pequenos negócios, com o envolvimento do governo do Estado e dos Municípios Paulistas. Propuseram também concentrar esforços para que a totalidade das prefeituras de nosso Estado regulamente a Lei Geral em seus municípios. Para isso propuseram o envolvimento do CEPAM.

O secretário do MEI da Capital Natanael dos Anjos falou sobre os esforços e o êxito alcançado no cadastramento de 450 mil Empreendedores Individuais no Estado de São Paulo, sendo 130 mil na cidade de São Paulo. “É preciso dar seqüência a esse programa que tem porta de entrada e de saída, mas que precisa quebrar arestas existentes para ter sustentabilidade. A prefeitura de São Paulo fará um levantamento do perfil dos MEI em cada região da capital e irá procurar parceiros para apoiar esses empreendedores” disse.

Os representantes da FIESP, Marco Antonio dos Reis e Flávio Vital, falaram sobre o compromisso da Instituição com a produção e defesa da competitividade das empresas paulistas.

Wilson Gimenez Jr, do SESCON-SP, abordou as atividades do MEI e a necessidade de se aperfeiçoar a Lei do MEI LC 128, para isentar os Microempreendedores Individuais da declaração de imposto de renda.

Leony da Coordenadoria de Empreendedorismo da Secretaria de Desenvolvimento, Ciência e Tecnologia do Estado de São Paulo informou sobre as ações que estão sendo realizadas para a criação do Estatuto Paulista das MPEs, e outras iniciativas, tais como o Portal Via Rápida Empresa e SIL (Sistema Integrado de Licenciamento).

Júlio Perez do CRC falou sobre a necessidade de que os 450 mil empreendedores que se formalizaram dêem continuidade ao processo de tornarem-se empresários e para isso necessitam orientação, conhecimento e assistência técnica.

Júlio Cesar do Sebrae-SP defendeu que os empreendedores precisam de benefícios palpáveis para que a formalização não se transforme em pesadelo.

O deputado Itamar Borges informou sobre a Lei autorizativa aprovada pela ALESP e encaminhada ao Governador para a criação da Secretaria da Micro e Pequena Empresa. Também falou sobre o Termo de Cooperação Técnica entre o SESCON-SP e a Frente Parlamentar para apoiar estudos, pareceres e a criação da Secretaria Executiva da Frente Parlamentar do Empreendedorismo e da Guerra Fiscal da ALESP.


Formalização dos Microempreendedores Individuais no Estado de São Paulo


O evento do dia 19/12 contará com o apoio da Coordenadoria do Empreendedorismo da SDECT, SEBRAE-SP, SEBRAE-NACIONAL, FIESP, FECOMÉRCIO, FACESP, FAESP, SESCON-SP, CRC-SP, ACSP, APM- Associação Paulista de Municípios, UVESP- União dos Vereadores do Estado de São Paulo e CEPAM. Na ocasião, as entidades participantes e órgãos do governo apresentarão os Projetos que realizando para apoio ao MEI e às MPEs. 

Serão convidados a participar do evento deputados estaduais e federais, senadores, prefeitos, vereadores, secretários de estado, Junta Comercial, Banco do Povo Paulista, Investe São Paulo, Institutos de Pesquisas, Dirigentes das Universidades Públicas e Escolas Técnicas – CETPS, Prefeitos Empreendedores do Sebrae, Receita Federal, Comitê Gestor da Lei Geral, Ministério da Previdência, Ministério do Desenvolvimento e outras entidades, além de empreendedores individuais, micro e pequenos empresários.

sábado, 28 de janeiro de 2012

Presidente Dilma: Fala demais por não ter nada a dizer

A oposição está aproveitando o fato da ação de reintegração de pose no Pinheirinho para fazer uma oposição suja, medíocre e medonha. A operação da Polícia Militar em cumprimento da ordem de reintegração de posse do Pinheirinho foi finalizada quarta-feira (25). A operação terminou com 32 detidos. 

A Polícia fez apenas o que determinou a lei e o Estado em suas atribuições disponibilizou a corporação para isso. Dilma Rousseff ao dizer que a ação é uma barbárie e garantir que o Governo Federal não faria o mesmo é assumir que a sua gestão vai contra os princípios de legalidade do nosso Estado de direito. Dilma tem se mostrado fraca em sua gestão, com um discurso que vai contra princípios constitucionais, princípios que quando ela tomou pose para presidência jurou cumprir.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

II Conferência Estadual LGBT e Etapas Regionais

O Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria da Justiça e Defesa da Cidadania promoverá, nos dias 28, 29 e 30 de outubro de 2011, a II Conferência Estadual de Políticas Públicas e Direitos Humanos de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais, em parceria com os demais órgãos governamentais e instituições da sociedade civil organizada.

Esta etapa que antecede à II Conferência Nacional LGBT, prevista para ocorrer em dezembro próximo, em Brasília – D.F., tem por objetivo discutir e propor diretrizes para a implementação de políticas públicas para a diversidade sexual, além de avaliar e propor estratégias para fortalecer o Plano Estadual de Enfrentamento à Homofobia e Promoção da Cidadania LGBT, bem como eleger as(os) delegadas(os) para a Conferência Nacional.

A expectativa é de que 400 pessoas participem dos três dias de discussão, além de 30 convidadas(os) escolhidas(os) pela Comissão Organizadora.

A comissão organizadora possui representantes das seguintes redes do movimento LGBT organizado: Fórum Paulista LGBT, Fórum Paulista de Travestis e Transexuais, Fórum Paulista da Juventude e Conexão Paulista LGBT, além de outras instituições como OAB-SP (Ordem dos Advogados do Brasil), CRP-SP (Conselho Regional de Psicologia) e CONDEPE-SP (Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana)

Para estimular a participação da população LGBT do interior do Estado serão realizadas algumas conferências regionais até o dia 12 de outubro.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Sobre Tentativa de Assalto e Internação Compulsória

Recentemente saiu na mídia que a Prefeitura Municipal de São Paulo está a um passo de legalizar a internação compulsória de viciados em drogas que vivem em situação de rua. Quando vi a noticia, fiquei estarrecido, achei um absurdo tal ato, pois um tratamento de desintoxicação depende muito mais da vontade do paciente, do que dos recursos disponíveis aplicados. Ainda mantenho a minha posição e tenho certeza que tal ação, se aprovada, será pouco eficiente nos seus objetivos.

Alguns amigos defenderam que a questão é bem mais ampla e que a internação compulsória viria para sanar parte dos nossos problemas de segurança pública, pois muitos desses usuários de drogas passam a cometer pequenos delitos a fim de conseguir dinheiro e objetos para depois trocar por drogas ilícitas. Mesmo com essa explanação, me coloquei contra a questão, pois de nada adiantará um tratamento realizado mediante uma internação forçada.

Terça-feira (06/09), saindo da Secretaria de Estado da Cultura, local onde trabalho, estava caminhando até o Largo do Arouche, caminho que sempre faço a pé. Passei por um menino de rua, que deveria ter no máximo 12 anos. Ele me pediu 50 centavos, eu disse que não tinha. Ele veio atrás de mim e pediu novamente os 50 centavos, novamente eu disse que não tinha. Furioso ele tirou um faca que estava escondida num cobertor que ele usava sobre os ombros e pediu o meu celular.

Fiquei assustado, virei o corri. No susto, desesperado, dei poucos passos no sentido de um posto móvel policial, que fica em frente a Secretaria da Cultura e cai. Machuquei meu joelho, ombro e região abdominal, que até o momento encontra-se machucada, doendo. Tive que ser medicado, por conta das dores que já estava incomodando bastante e tal fato me levou novamente a refletir sobre a noticia que vi há semanas sobre a internação compulsória.

A questão dos meninos de rua da Cracolândia, vai muito além da questão de saúde pública, tornou-se uma questão de segurança. O Estado é responsável pela nossa integridade física e tal caso se faz necessária uma intervenção imediata. Não podemos continuar dividindo as ruas com pequenos infratores que rejeitam os organismos que o Estado coloca a disposição para que eles deixem as ruas.

Em frente ao local que houve a tentativa de assalto pelo menor infrator, existe um albergue público, local que não tem sua capacidade de lotação atingida. Muitos dos moradores de rua, estão na rua porque não conseguem viver obedecendo regras. Em todos os lugares, na nossa casa, em nosso trabalho e na nossa vida social, obedecemos regras e até mesmo para viver num albergue, existem regras para serem obedecidas, regras que muitos dos moradores de ruas não querem cumprir.

Ainda não tenho uma opinião completamente formada sobre a internação compulsória, mas ela existindo ou não, o Estado tem que intervir sobre a questão desses infratores que passam dias e noites desequilibrando a ordem pública e tirando o direito de outros cidadãos de bem de ir e vir. Não passarei mais naquele lugar com a tranquilidade que passava antes, estou com os meus direitos violados e o Estado tem que intervir, seja acionando a Fundação Casa, ou habilitando clinicas de dependentes químicos para tratar a questão desses dependentes que recusam o tratamento e preferem as ruas, para cometer seus delitos e sustentar o vicio das drogas.

domingo, 5 de junho de 2011

De Frente com Gabi Entrevista Jean Wyllys

O ex-BBB e atual deputado federal Jean Wyllys (PSol-RJ) falou sobre sua infância em entrevista à apresentadora Marília Gabriela, no programa De Frente com Gabi, do SBT. Conhecido por vencer o reality show Big Brother Brasil, em 2005, o parlamentar contou sobre seus dias de criança em Alagoinhas, na Bahia: “A gente não tinha banheiro em casa. Passei fome terrível. Fui salvo pela educação”. 

Wyllys revela também sobre o momento em que descobriu ser homossexual e sobre como sua família reagiu ao fato. “A primeira vez que percebi meu desejo foi aos 16 anos. Sou o único homossexual da família. Fui discriminado no seio familiar”. Apesar de sofrer bullying na escola, Jean contou que gostava de estudar. “Queria entender por que era chamado de gay”, disse ele, que completou: “Se a escola fosse inclusiva, eu teria sido protegido de uma série de violências. Das surras, dos insultos”. A entrevista com Jean Wyllys foi ao ar neste domingo (5), no programa “De Frente com Gabi”, no SBT. Confira abaixo a entrevista na integra.



quarta-feira, 1 de junho de 2011

Ser gay custa caro, muito caro...

Por Wagner Nunes

Vivemos em uma sociedade capitalista e extremamente consumista, queremos cada vez mais dinheiro e cada dia que passa temos a sensação de estarmos mais pobres. A sociedade é uma fábrica de desejos…
Onde aquela roupa de marca, aquele carro do ano ou o lançamento da Apple mobilizam as pessoas, que fazem de tudo para ter os objetos que tanto desejam.

Desejo estes que não sei nem quero explicar o motivo, pode tratar-se de aceitação social, apenas uma realização pessoal ou que seja futilidade. Não importa, o fato é que gastamos muito mais do que seria necessário.

E se engana quem pensa que estou falando somente da Classe média alta, pois se começarmos a pensar em pessoas de Classe social “diferenciada” vamos todos entender que este louco desejo por coisas aparentemente desnecessárias não é privilegio apenas de um grupo de pessoas, mas sim de todos, mesmo aqueles que não têm nenhum poder aquisitivo significante para movimentar o comércio tem desejos por tais objetos, se você não acredita basta perguntar a qualquer pessoa qual seria sua primeira compra se a caso viesse a ganhar na loteria, e tirar suas próprias conclusões.

Mas vamos falar do que diz no titulo, sobre a “segunda classe”. Eu sei que o titulo fala de gays, afinal foi eu quem intitulou o texto, mas não consigo nem preciso fazer valer minha imparcialidade e deixar de lado meus sentimentos em relação ao governo, pois me sinto exatamente assim “cidadão de segunda classe” mesmo fazendo parte de uma das comunidades que mais movimentam o mercado. Exemplos disso são os grandes eventos como a Parada Gay, o São Paulo Fashion Week e até mesmo o dia dos namorados e isso somente em São Paulo, além disso, o “mercado Gay” movimenta muita grana no Brasil inteiro.

Gays têm por natureza a preferencia por produtos e serviços de excelente qualidade, Grifes e artigos de luxo, marcas exclusivas e acima de tudo que seja sempre o mais caro, no meu ponto de vista é uma questão de status, mas nem sempre é somente pelo prazer de comprar, pela realização pessoal, mas sim para ser usado como escudo de defesa, para proteger-se da sociedade hipócrita e preconceituosa, digo isso baseado no que vejo no meu dia a dia, entre amigos e pessoas do meu convívio. Um belo exemplo que consegue descrever melhor o que quero dizer é o que ocorreu com uma amiga transexual.

Minha amiga como a grande maioria das transexuais caminhou para a prostituição, devido ao preconceito sofrido na escola que esta diretamente ligada a esta escolha, pois sem formação não se tem oportunidade de trabalho e sendo travesti, o preconceito fala sempre mais alto, mas o caso é que minha amiga se mudou para Itália em busca de uma vida mais confortável no futuro, e foi vitoriosa neste sentido, pois não se deixou levar pelos males da prostituição, (Alcoolismo, crimes, drogas etc…) Quando retornou ao Brasil, comprou um belo carro, excelente modelo e após alguns anos de uso (dois anos para ser preciso) decidiu que precisava ser trocado… E trocou por um modelo que custou mais que o dobro do valor de seu antigo veiculo, eu a questionei sobre a necessidade de uma troca, já que seu antigo automóvel era ótimo e estava totalmente quitado. Ela me disse que por ser transexual sofre o preconceito dobrado, pois ao sair na rua é vista pela sociedade como um habitante de outro planeta, e que possuir objetos de valor foi a forma que encontrou para ser aceita e recebida de maneira menos preconceituosa nos estabelecimentos comerciais, pois como eu disse anteriormente a sociedade é hipócrita e não age de acordo com as idéias que demonstra ter. De fato isso e a mais pura verdade, porem existem gays de todas as classes sociais.

Recentemente, a nossa presidente Dilma Rousseff afirmou que o governo não vai “fazer propaganda de opções sexuais” (ao justificar sua decisão sobre o projeto “Escola sem Homofobia”). Mesmo sabendo que é provável que o Novo kit seja produzido ainda este ano eu não consegui engolir esta declaração. O que para alguns é um gracejo, um dito espirituoso e/ou inofensivo, pode ser entendido por muitos outros como ofensa, chacota e desrespeito… Gostaria que algumas pessoas soubessem disso.

Não posso esperar muito de alguém que se esquece que o próprio país é oficialmente neutro em relação às questões religiosas , e não poderia apoiar nenhuma religião. Agora eu me pergunto, Propaganda?

Propaganda é um modo específico de apresentar informação sobre um produto, marca, empresa ou política que visa influenciar a atitude de uma audiência para uma causa, posição ou atuação. Será que nos queremos transformar os heterossexuais em futuros gays?

Se defender a igualdade das pessoas de orientação sexual diferente pode tornar alguém homossexual suponho que a princesa Isabel tenha morrido Negra! Já dizia o ditado: De médico e louco, todo mundo tem um pouco!

Então vou fazer uso da minha loucura e ir a fundo neste assunto. A Constituição Federal determina que a publicidade dos atos, programas, obras, serviços e campanhas dos órgãos públicos é lícita quando tiver caráter educativo, informativo ou orientação social. Será que um Projeto que visa combater o bullying em escolas públicas não seria de caráter educativo?

Não sou advogado, não sou jornalista muito menos psicólogo, nem mesmo sou estudante de tais profissões e posso estar no auge da minha ignorância ao dizer tudo isso, mas seria propaganda eu querer apenas meus direitos como cidadão? O que seria esta tal propaganda?

Julgando pelo que a presidente disse e pelos vídeos que vi, (todo mundo viu, menos a Dilma) posso entender que se eu beijar meu companheiro em local público vou fazer propaganda da homossexualidade, se eu andar de mãos dadas também será propaganda e se a novela mostra a vida como ela é de fato e exibe todas as formas de expressar o amor, será uma propaganda gay?

Afinal se é uma propaganda, qual seria o produto? Qual seria o serviço? Quem estaria se beneficiando como este ato? Eu gostaria de saber, pois se realmente se trata de propaganda eu estou trabalhando voluntariamente para promover algo que não sei exatamente o que é, pois a mim não trás beneficio algum, alias se no Brasil existisse mais gays, quem lucraria com isso seria o governo, afinal, gays gastam mais e pagamos impostos sob absolutamente tudo, ao contrario das igrejas que levam e lavam seu dinheiro fora do país, mas isso é outra historia… E não quero ir mais fundo na minha “loucura”.

Voltando a lucidez… Falo por mim, mas acho que nenhum gay quer fazer essa tal propaganda da homossexualidade, pelo menos não com o intuito de que as pessoas se tornem homossexuais, mesmo porque isso não é possível, queremos somente ser vistos como igual, para que em um futuro próximo o governo nos de os direitos que hoje nos negam.

Quando digo que ser gay custa caro, não estou falando somente do valor em reais, nem todos podem pagar para serem aceitos, nem todos nos temos o mesmo poder de compra para satisfazer a sociedade hipócrita, para alguns o preço que se paga por ser gay, e bem mais alto que qualquer soma em dinheiro, e o mais triste e ver que o logotipo do governo diz: “Brasil, um país de todos” Quem seriam estes “todos”?

Fica a duvida.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Dilma, não Brinque com o Movimento Gay - Por Wagner Nunes

Meu nome é Wagner Nunes, tenho 22 anos, sou homossexual e acima de tudo sou Brasileiro. Apesar de entender que a política interfere diretamente na vida de todo e qualquer cidadão seja homo ou heterossexual, seja branco ou seja negro, seja homem ou seja mulher, eu por vezes prefiro ficar omisso em discussões partidárias onde pessoas que lutam por um mesmo ideal perdem o foco e preferem dar mais atenção ao partidarismo, do que aos interesses da causa LGBT.

Não quero Viver com a terrível limitação de ser apenas Azul ou apenas Vermelho, Eu Não… Quero ser um arco-íris! Acima de tudo respeito à opinião de todos…

Cada um de nos tem uma motivação para defender aquilo que acredita. A minha motivação vem de algo que gostaria de chamar de passado, mas infelizmente não posso, pois a cada dia eu vejo muitos que como eu, sofreram e ainda sofrem com o preconceito. Pessoas que são agredidas gratuitamente apenas por ter uma orientação sexual diferente dos demais, pessoas que são impedidas de alugar ou de comprar imóveis por não serem vistas por parte da população como uma família de fato, pessoas que tem seus direitos negados pelo simples fato de se relacionar com alguém do mesmo sexo.

Eu sinceramente gostaria de dizer que nunca passei por nada disso, porem não posso… Sou sincero em dizer que minha vida escolar foi tranqüila, e não sofri Bullying Homofóbico, porem na escola onde estudei “existia” uma boa estrutura, mas infelizmente essa não é a realidade de toda a rede publica de ensino no Brasil. A escola prepara o aluno para a vida, para muitos é a primeira experiência de socialização e posso dizer com convicção que ninguém nasce Homofóbico, a escola tem “ou deveria ter” a obrigação de ensinar seus alunos que a intolerância não faz bem a ninguém e que as pessoas não devem sofrer nenhum tipo de discriminação por serem diferentes. A mente deve ser aberta á tudo. Menos ao preconceito. Os alunos que se formam em escolas que não possuem uma boa estrutura, são pessoas que tem uma predisposição para se tornarem adultos intolerantes, preconceituosos e sem senso critico. E ai que esta o ponto, se a escola não prepara os alunos para serem pessoas de bem e as famílias não se preocupam com isso, o resultado é a intolerância. Hoje se tornou comum ligar a TV e ver casos de crimes motivados pelo ódio, homofobia virou algo normal.

Em 2010 fui agredido verbalmente por um segurança em um shopping da zona sul de São Paulo, no mesmo ano fui agredido gratuitamente em uma cidade do interior, mas a maior e pior de todas as experiências foi há quatro anos, quando fui abordado na rua em uma cidade no interior do Paraná, por dois homens que me chamaram de “viado” “viadinho” e sem nenhum motivo justo aparente disseram que eu merecia apanhar na cara porque eu nasci para ser homem e enfermagem não era profissão de homem, (pois no dia eu estava vestido de branco por ter participado de um estagio no hospital da cidade) Depois de levar dois socos na boca e ter meu aparelho ortodôntico completamente preso em meus lábios, consegui ter forcas para me levantar do chão e correr alguns metros em direção à delegacia que ficava bem próximo, fui perseguido por algumas quadras ate me atirar na frente de um carro em movimento, a fim de pedir ajuda, ajuda esta que me foi negada, por fim cheguei á delegacia, mas não levei o caso adiante, a cidade onde isso aconteceu é pequena e tive medo de ameaças, também quis poupar minha família de mais preconceito. As conseqüências foram as marcas em minha face que ficaram visíveis por um longo tempo, além de ter desenvolvido síndrome do pânico. Depois de um longo tratamento, hoje estou bem, mas o pior de tudo é a humilhação à sensação de impotência, isso eu jamais irei esquecer.

Bom… É “passado”, mas á poucos meses fui questionado e presenciei claramente o preconceito ao tentar alugar um imóvel na cidade onde moro atualmente, ouvi orientações do tipo: “não permito travestis, se tiver amigos assim não poderá trazê-los aqui” com o tempo aprendemos a lidar com tais situações, mesmo sabendo que eu não deveria passar por nada disso. Não é justo, não é certo, mas é a realidade. Enfrentar preconceitos é o preço que se paga por ser diferente.

É triste ver que sou obrigado a viver como cidadão de segunda classe… No fim de tudo o fato é que não sou tão ingênuo a ponto de acreditar que o preconceito possa acabar de uma hora para outra, mas sou inteligente o bastante para entender que algumas medidas poderiam ser um enorme passo para que isso aconteça. Nos últimos dias a nossa presidente Dilma, infelizmente vetou uma dessas medidas que poderiam evitar que no futuro muitos não precisem passar pelo que passamos ainda nos dias de hoje. E o mais triste é saber que servimos como moeda de troca, e que em um Estado laico, os desejos de um grupo religioso sempre prevalecem…

No Brasil, se faz mais politicagem do que política. Somos todos brasileiros, porem me sinto um exilado ao ver que tenho menos direitos, apenas por ser homossexual, apenas por ser diferente.

Também quer desabafar sobre a homofobia escolar? Mande o relato por e-mail, que publico no blog.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Dilma Troca o Movimento Gay por Palocci

Por mais que eu me esforce, não consigo entender a indignação que alguns Petistas esboçaram durante o dia. O setorial LGBT do PT deveria entender muito bem as motivações de Dilma Rousseff, pois ela é uma invenção de mal gosto daqueles que querem o poder a qualquer custo e para o movimento gay o preço é a invisibilidade social.

No auge da sua campanha para presidência, Dilma Rousseff assinou documento com líderes evangélicos onde se comprometia não levar adiante nenhuma iniciativa que afr0ntasse os “valores” da tradicional e fundamentalista família brasileira. A presidente está coerente com suas promessas e está honrando os seus compromissos ao ser contrária ao material de vídeo do programa “Escola sem Homofobia”, que vulgarmente apelidado por “Kit Gay” pelo Deputado homofobico Jair Bolsonaro.

Semana passada, participei da Marcha Contra a Homofobia em Brasília. O Planalto Central ficou completamente vermelho, com militantes adorando com veemência a imagem da Dilma, Lula, Marta e outros beatificados petistas. Marta, que também cedeu a pressões de grupos fundamentalistas e alterou o texto do PLC 122, foi recebida com euforia, a mesma Marta que anos atrás ridicularizou o movimento gay quando tentou expor a vida pessoal do seu oponente a prefeitura de São Paulo, a mesma Marta que quando prefeita pediu para a Guarda Civil Metropolitana expulsar gays da prefeitura, na ocasião que cobrava algumas de suas promessas de campanha.

Assim como o seu rosto, Marta tem uma atuação sem expressão no Senado Federal, está usando o PLC 122 como puleiro para a sua vida política e infelizmente está comprometendo o andamento do mesmo. O PT e seus aliados não tem compromisso com nada e ninguém, o único compromisso do PT é com a manutenção do poder e esse compromisso é defendido a qualquer custo, nem que para isso eles tenham que sujar as mãos de vermelho, o vermelho do sangue dos gays que dia após dia tem suas vidas ceifadas no país mais homofóbico do Mundo.

Num surto de insanidade, um membro do Setorial LGBT do PT disse que está na hora de cobrarmos do Governo Estadual de São Paulo o uso do material do “Kit anti-homofobia” que a Dilma dejetou. Pera lá! Não vamos confundir focinho de porco, com tomada, vivemos numa república federativa, onde os membros da federação são submetidos ao poder central e as escolas dessa federação são submetidas ao Ministério da Educação, braço da presidência e que pelo que vimos hoje, trabalha para o beneficio da manutenção do poder dessa presidência.

Votamos na Dilma e agora temos que engolir o Palocci, mas isso não é surpresa para ninguém, Dilma estava tão segura de si, que antes mesmo de ganhar as eleições, assombrou o Brasil com a possível volta de Palocci e Zé Dirceu. Agora fico confuso com a indignação do povo… Não era esse o projeto dela? Ela está cumprindo o que prometeu. Fomos trocados por Palocci e o governo que diz ser guardião dos direitos humanos, compactua com a homofobia desse país.

Tenho profunda tristeza de morar num país onde os direitos humanos são trocados por um visto de permanência de um Ministro corrupto, ministro que no Governo anterior já havia se comprometido com a corrupção que corre nas veias desses mais de 8 anos de governo petista. Por outro lado, tenho a sorte de morar em São Paulo, estado precursor dos Direitos LGBTs do Brasil, onde as políticas públicas ao cidadão LGBT são pautadas com respeito. Veja algumas delas:
  • André Franco Montoro, em sua gestão no Governo do Estado de São Paulo (1983-1986), foi o primeiro homem público brasileiro a instituir, de maneira sistemática, ações de combate à perseguição aos homossexuais, travestis e transexuais, bem como a seus locais de freqüência, praticas comuns na época da ditadura militar.

  • Geraldo Alckmin, em 2001, no Governo do Estado de São Paulo, sancionou a Lei 10.948, que proíbe e pune a discriminação por orientação sexual e identidade de gênero. Em 2006, alçou o então GRADI – Grupo de Repressão a Delitos de Intolerância a DECRADI – Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância, que atua no mapeamento, controle e repressão dos grupos homofôbicos.

  • No município de São Paulo, José Serra, homem de visão, instituiu o primeiro órgão de administração pública brasileira voltado à diversidade sexual. Em seu segundo mês de governo frente à prefeitura de São Paulo, em 2005, criou a Coordenadoria de Assuntos da Diversidade Sexual.

  • Ainda em 2005, Serra decretou a criação do Conselho Municipal em Atenção à Diversidade Sexual, espaço de interlocução entre o poder público e a sociedade civil, bem como o Centro de Referência e Combate à Homofobia.

  • Como governador, Serra criou a Coordenação de Políticas Públicas para a Diversidade Sexual, no âmbito da Secretaria de Justiça e Defesa da Cidadania; instituiu o Comitê Intersecretarial de Defesa da Diversidade Sexual e o Conselho Estadual de Defesa da Diversidade Sexual e realizou a I Conferencia Estadual LGBT de São Paulo.

  • Em relação às garantias legais para a população LGBT, Serra regulamentou a Lei 10.948, e publicou decreto acerta do uso do nome social na administração pública. Para travestis e transexuais, Serra criou o Ambulatória de Saúde Integral.

  • Em 2007, Serra foi revolucionário ao reformular o Sistema Previdenciário do Estado de São Paulo, instituindo o direito à pensão ao(à) parceiro(a) e fundou o Núcleo de Combate à Discriminação, Racismo e Preconceito, no âmbito de Defensoria Pública do Estado de São Paulo.

    sexta-feira, 20 de maio de 2011

    Marcha Nacional Contra a Homofobia

    Participei da II Marcha Nacional Contra a Homofobia. Fui para Brasília representando o Diversidade Tucana, núcleo da Diversidade Sexual do PSDB, além da minha participação, também estavam Marcos Fernandes, Gui Tronolone, André Pomba e André Juquinha representando a DT e outros simpatizantes do PSDB.

    Fui com o ônibus do Conselho da Diversidade Sexual de São Paulo. No inicio achei que seria cansativa uma viagem de mais de 15 horas e eu não estava enganado, ela foi cansativa mesmo. Como toda viagem em grupo, o pessoal estava bem animado e a animação foi até Brasília, ou seja, ninguém dormiu.

    
     De madrugada, quando eu estava tentando dormir, vi o meu companheiro de viagem pegar uma cartela de Prozac, ele se virou para mim e perguntou: - Servido? Eu respondi: Quero um, por favor. Foi o meu primeiro Prozac, não senti nada demais, nem consegui dormir, mas deu para relaxar.

    A falta de organização do ônibus foi um fato marcante na viagem. Quando o  representante do Conselho, que tinha a simples tarefa de organizar uma viagem, sugeriu que poderia fumar no banheiro, eu já imaginei o que aquilo iria virar. Todos sabem que ônibus tem ar condicionado e o sistema de ar do ônibus espalhou o cheiro de cigarro no ônibus inteiro e fomos de São Paulo a Brasília como fumantes passivos para o beneficio de poucos. Sem contar as paradas, que eram feitas sem organização alguma e com um período de duração muito longo, o que nos fez chegar atrasados em Brasília, quando o previsto era para chegar com duas horas de antecedência.

    Gui Tronolone, André Pomba e Marcos Freitas
    Brasília estava bem mais quente do que foi noticiado na previsão do tempo, a máxima de 22° foi parar em 31. Não levei protetor solar e fiquei com o rosto bem queimado, como os meus olhos estava irritados, comprei um óculos, que me proporcionou um linda marca no rosto que me remetei ao episódio do Chaves, em que eles vão para Cancun e o Quico toma sol com óculos e fica com o rosto marcado.

    A manifestação foi super positiva, apesar do clima partidarista em meio aos participantes. Todos os participantes foram respeitados, mas quando um membro da Diversidade Tucana tomou a palavra, ele foi vaiado por alguns manifestantes.

    Marcos Freitas e Wagner Nunes
    A senadora Marta foi ovacionado quando tomou a palavra, falou de vários estados e o seus avanços quantos a questão de politicas públicas para a comunidade LGBT, mas não citou São Paulo, justamente o Estado que a elegeu para senadora. Acredito a Marta ficou com vergonha de ter sido prefeita de São Paulo e não ter feito absolutamente nada para a comunidade gay. Para a Marta e para todos aqueles que tem a erronia visão que o PSDB não é um partido de vanguarda na questão dos Direitos aos LGBTs, deixo uma relação de algumas de nossas conquistas no Estado de São Paulo:
    • Na gestão do Governador André Franco Montoro, antes mesmo da fundação do partido, em sua gestão no Governo do Estado de São Paulo (1983-1986), foi o primeiro homem público brasileiro a instituir, de maneira sistemática, ações de combate à perseguição aos homossexuais, travestis e transexuais, bem como a seus locais de freqüência, praticas comuns na época da ditadura militar.
    • No âmbito estadual, Geraldo Alckmin, em 2001, no Governo do Estado de São Paulo, sancionou a Lei 10.948, que proíbe e pune a discriminação por orientação sexual e identidade de gênero. Em 2006, alçou o então GRADI – Grupo de Repressão a Delitos de Intolerância a DECRADI – Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância, que atua no mapeamento, controle e repressão dos grupos homofôbicos.
    • No município de São Paulo, José Serra, homem de visão, instituiu o primeiro órgão de administração pública brasileira voltado à diversidade sexual. Em seu segundo mês de governo frente à prefeitura de São Paulo, em 2005, criou a Coordenadoria de Assuntos da Diversidade Sexual.
    • Ainda em 2005, Serra decretou a criação do Conselho Municipal em Atenção à Diversidade Sexual, espaço de interlocução entre o poder público e a sociedade civil, bem como o Centro de Referência e Combate à Homofobia.
    • Como governador, Serra criou a Coordenação de Políticas Públicas para a Diversidade Sexual, no âmbito da Secretaria de Justiça e Defesa da Cidadania; instituiu o Comitê Intersecretarial de Defesa da Diversidade Sexual e o Conselho Estadual de Defesa da Diversidade Sexual e realizou a I Conferencia Estadual LGBT de São Paulo. 
    • Em relação às garantias legais para a população LGBT, Serra regulamentou a Lei 10.948, e publicou decreto acerta do uso do nome social na administração pública. Para travestis e transexuais, Serra criou o Ambulatória de Saúde Integral.
    • Em 2007, Serra foi revolucionário ao reformular o Sistema Previdenciário do Estado de São Paulo, instituindo o direito à pensão ao(à) parceiro(a) e fundou o Núcleo de Combate à Discriminação, Racismo e Preconceito, no âmbito de Defensoria Pública do Estado de São Paulo.
    Até entendo a posição da Senadora Marta, mas não as valido. Deve ser difícil assumir para um público que ela se auto-domina como mãe e defensora, a sua total incompetência. A criação da Coordenadoria de Assuntos da Diversidade Sexual foi uma promessa dela, que articulou com o movimento LGBT em campanha, mas quando ela se elegeu, não articulou mais com o movimento LGBT e quando os militantes Gays foram até a prefeitura, para cobrar respostas, a então Prefeita Marta pediu para a Guarda Civil Metropolitana tirarem os militantes do prédio da prefeitura. Nem de longe Marta é a mãe defensora do movimento gay, ela está mais para bruxa ou madrasta do movimento.

    Agora como senadora, Marta desengavetou o PLC 122, projeto da Deputada Estadual Iara Bernardes que ficou órfão no senado. Hoje Marta é a relatora do projeto e mais uma vez se mostra como a “Super Marta”, a heroína que pode tudo e que sem ela os gays desse país ainda andariam de riquixá.

    Na verdade, Marta está despersonificando ainda mais o PLC 122 e a comunidade Judaica, que não tem uma atuação ativa junto ao movimento gay, veio a público para criticar a senadora. As alterações feita pela “Super Marta”, abre brecha para permitir que religiosos possam ofender homossexuais durante os cultos. Segundo o texto proposto pela senadora, manifestações em cultos não poderiam ser enquadradas como crime de preconceito racial, religioso ou mesmo sexual.

    Marta Suplicy argumentou que não se deve punir por discriminação os casos de "manifestação pacífica de pensamento fundada na liberdade de consciência e de crença". A senadora justificou que não se deve ignorar que muitas religiões consideram a prática homossexual uma conduta a ser evitada. Marta não é defensora dos gays e está novamente usando o movimento como palanque para se promover.

    A volta para São Paulo foi tranquila e como estava cansado, dormi quase a viagem inteira. A ordem para fumar no banheiro foi revogada, para a alegria dos não fumantes e por respeito a leis federais, estaduais e municipais, que o conselheiro responsável deveria conhece-las. Avalio a Marcha como positiva, mas ainda temos que lutar contra o partidarismo, o que engessa o movimento gay, impedindo que grupos de diversos partidos se unam em nome de um bem maior.

    quinta-feira, 5 de maio de 2011

    Um Passo na Luta dos Direitos Humanos no Brasil

    Milito no movimento LGBT há quase 10 anos. Nossas reinvindicações não são nem um pouco ambiciosas e também não tem a pretensão de censurar e impedir que religiosos deixem de professar sua fé. Nossa luta é em favor da vida, em favor do direitos que nos são negados, mas garantidos pela constituição. Lutamos pelo direito de ir e vir sem receber uma lâmpada na cara, lutamos por esperar um taxi sem ser surpreendido por grupos homofobicos, lutamos pela vida.

    Hoje o movimento LGBT comemora uma grande vitória, somos o quarto país da américa do sul que passa a reconhecer a união afetiva de pessoas do mesmo sexo como entidade familiar. E porque não reconhecer? Minha irmã mora com a sua namorada há mais de 5 anos, elas tem uma vida comum, vão ao supermercado, fazem seus planejamentos financeiros, tem seus planos e sonhos como qualquer outro ser humano. O que difere elas de uma família estabelecida nos moldes da heteronormatividade?

    Vencemos apenas a barreira legal. Sim, agora juridicamente somos aceitos, mas ainda temos uma árdua batalha social. Temos que vencer o preconceito e fundamentalismo que está enraizado na nossa nação. Questões como as que foram discutidas ontem e hoje no Supremo Tribunal Federal, não deveriam fazer parte da pauta da nossa Corte maior, entendo tais direitos como naturais.

    Duas pessoas que se amam e estão de comum acordo firmado para construir uma família, de forma alguma deveria ser motivo de julgamentos de setores conversadores da nossa sociedade. O reconhecimento da união homoafetiva pelo Supremo Tribunal Federal, não abre a mente da sociedade para a aceitação, essa luta ainda continuaremos a travar.

    Por outro lado, essa decisão deveria ter vindo do legislativo desse país, pelas mãos de Deputados e Senadores que são legitimamente eleitos pelo povo a fim de criar políticas públicas e inclusivas para todos os cidadãos, já que a nossa constituição garante que todos são iguais perante a lei. Tenho vergonha do legislativo desse país e espero que os senhores Deputados e Senadores tenham aprendido as lições de direitos humanos que foram proferidas pelos Ministros do STF na tarde de ontem e hoje .

    O dia 05 de maio ficará para sempre marcado na militância LGBT no Brasil. O dia que fomos libertados das amarras sociais que impediam duas pessoas do mesmo sexo que se amam, de terem um relacionamento em sua plenitude. A partir da decisão de hoje, o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo será permitido e as uniões homoafetivas passam a ser tratadas como um novo tipo de família.

    O julgamento foi aprovado por unanimidade, não esperava por isso, imaginava que teríamos fortes emoções, que nos contorceríamos no sofá, que suaríamos de desespero, mas tudo foi muito tranquilo, o Supremo Tribunal Federal desse país está no século XXI, diferente de outros setores sociais que ainda vivem em épocas medievais. Parabéns STF, parabéns senhores ministros, que se inclinaram para as necessidades dos cidadãos homossexuais desse país.

    sexta-feira, 8 de abril de 2011

    Os Filhos que Geramos

    Assim como está amplamente sendo especulado pela mídia, eu também estou inquieto quanto a motivação do massacre ocorrido no dia de ontem em uma escola pública no Realengo, Rio de Janeiro.

    Wellington Menezes de Oliveira tinha 23 anos e morava sozinho. Ultimamente tinha hábitos estranhos e andava de preto. O mundo dele era internet e gostava de jogos: diz um vizinho na TV. E antes do ataque deixou carta com teor religioso. Considerado tranquilo e tímido matou mais meninas do que meninos - o que pode demostrar um perfil psicológico de alguém que já sofreu rejeição por mulheres.

    Ninguém opta pelo descaso, ninguém é reservado por mero capricho. Não estou defendendo Wellington, muito menos validando a sua atitude, apenas quero chamar a atenção que o Wellington também era um “brasileirinho” que teve a sua vida interrompida. Assim como das vitimas que ele brutalmente assassinou, os seus sonhos também foram enterrados e interrompidos. E qual é a parte que nos toca? Nos, como sociedade organizada, em que momento criamos o Wellington e quantos Wellingtons Brasil afora estamos criando?

    Um dia depois do massacre na escola, surgem indícios de que o bullying é um dos fatores contribuintes para o crime. Colegas de classe afirmaram que Wellington Menezes, ex-aluno da escola Tasso da Silveira, era vítima de bullying e que um colega chegou a fazer a macabra previsão de que um dia ele "mataria muita gente". Do fato que ganhou manchetes em jornais do Mundo inteiro, podemos destacar que Wellington era virgem, algo pouco comum para um jovem de 23 anos e que o seu alvo eram mulheres. Talvez uma rejeição sexual ou até mesmo a sua introspecção na vida social, desencadeou tudo isso.

    A escola tem um caráter sociabilizador e é dever da mesma criar mecanismos que promovam as trocas de relações sociais. Não devemos procurar culpados para o que aconteceu, mas temos sim que levantar uma discussão e analisarmos onde foi que a sociedade errou. Qual o papel que familiares, amigos e sociedade civil deveria desenvolver para que crimes tão cruéis como esse sejam evitados.

    O caso do massacre do escola no Realengo me vez lembrar o caso do adolescente americano que se suicidou por conta do bullying que vinha sofrendo. Tyler Clementi tinha 20 anos, era estudando e violinista, morava no dormitório de uma faculdade no Estado de Nova Jersey. Ele dividia o quarto com Dharum Ravi, para quem pediu um pouco de privacidade. Ravi saiu, mas deixou uma webcam ligada, gravando tudo o que acontecia no quarto, com as imagens sendo exibidas ao vivo por um site de internet. As imagens gravadas mostravam Tyler beijando outro homem.

    No Twitter, Dharun assumiu a autoria do vídeo e publicou no dia 19 de setembro a mensagem “Eu o vi transando com outro cara”, referindo-se a Tyler Clementi, seu colega de quarto. Três dias depois, humilhado e com sua orientação sexual exposta, Tyler colocou uma mensagem em sua página do Facebook que dizia “jumping off gw bridge sorry” (saltando da ponte george washington sinto muito).

    Tyler Clementi quando publicou no seu facebook que saltaria da ponte George Washington, estava decidido a morrer e não tinha mais nada a perder, na sua visão, tudo o que ele tinha, foi tirado com a propagação do bullying. A atitude de Tyler poderia ser outra, ele poderia entrar fortemente armado no campus da universidade e tirar a vida daqueles que tiraram sua privacidade e “dignidade”.

    Nos Estados Unidos, uma campanha chamada "It gets better" - que em português significa: "Isso melhora", foi lançada no ano passado. Artistas da Brodway também aderiram a campanha e lançaram um clip que leva o mesmo nome da campanha. Em forma de música, eles dizem: "Quando você se sentir sozinho e o mundo se mostrar cheio de ódio, isso não é o fim".

    A música diz: "Isso melhora, melhora, melhora/ a dor vai sumir, sumir, sumir /se você cair, apenas levante, levante, levante / porque existe um outro jeito / Isso melhora, melhora, melhora / o mundo fica mais leve, leve, leve / então, seja um lutador, lutador, lutador / apenas viva para ver esse dia.” Talvez faltou alguém ou faltaram políticas públicas aqui no Brasil para falar ao Wellington que “isso melhora, o mundo fica mais leve, então seja um lutador e apenas viva para ver esse dia.