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sexta-feira, 3 de março de 2017

A Geni da vez

No Rio de Janeiro, um jovem foi encontrado nu na praia, com marcas de violência, infelizmente ele veio a falecer no hospital. Amigos disseram em sua página do Facebook que ele sempre teve medo de ser vítima de homofobia. Infelizmente, nos, LGBT, somos a Geni da vez. 

Enquanto não houver a criminalização da Homofobia e Transfobia esses crimes ficarão impunes e continuarão a jogar pedra, água e bosta na gente, achando que somos feitos para apanhar e bons para cuspir. 

Segundo a OMS, o Brasil é o 11º país com mais crimes de homicídios, é um dado alarmante e qualquer pessoa poder falar que viver no Brasil é perigoso para qualquer pessoa, sendo hétero, homossexual, travestis ou transexual, mas segundo Grupo Gay da Bahia, o Brasil é o país que mais mata lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais, superando índices de países do Oriente Médio e da África, que pune com pena de morte a homossexualidade.

quinta-feira, 2 de março de 2017

Sobre beijo gay na Disney e irmãos disputando o mesmo boy na Coca-Cola

Enquanto as pautas progressistas vem sendo atacadas nos espaços políticos, as empresas estão cada vez mais voltando a sua comunicação para os mais diversos segmentos, sobretudo para aqueles que tem pouca representatividade nos parlamentos. ´

Ontem foi a vez do Canal Disney Channel mostrar o seu apoio, exibindo o primeiro beijo gay em um desenho animado. Foi no episodio "Just Friends", da sério "Star vs. A Força do Mal", exibida no Disney XD.


Hoje foi a vez da Coca-Cola, lançando mais um comercial da série "Taste the Felling", retratando com leveza e bom humor a disputa de uma irmã e um irmão o mesmo boy, mas na corrida ambos se dão mal e se deparam com a mãe saciando a sede do limpador de piscina.


O Pastor Silas Malafaia, indiciado na Operação Timóteo, por lavagem de dinheiro, pediu para os seus fies o boicote à Disney, vamos acompanhar se ele também lançará um boicote a Coca-Cola.

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Sobre Memórias de um Gigolô, Heranças Culturais e Saudosismo

Assistindo o musical "Memórias de um Gigolô", ambientado na São Paulo da década de 30, fiquei pensando em qual herança cultural deixaremos para as futuras gerações. Estamos vivendo um marasmo em vários setores de produção musical, artística e arquitetônica.

Na década de 30, o então presidente Getúlio Vargas, criou a estrutura dos sindicatos ligados ao governo, até mesmo para equilibrar as disputas de classes que foram tão acaloradas naquela época. Foi um período de intensa produção no país e que hoje observamos vários traços arquitetônicos deixados por aquela época.

Nossa cidade foi construída com o crescimento industrial e estamos migrando nossas atividades para o serviço, deixando inúmeros imóveis vazios e sem uma outra forma viável de ocupação. Muitos dos imóveis, que ocupavam as grandes empresas de São Paulo, estão virando igrejas e alguns sendo demolidos para a construção de outros imóveis, frios e envidraçados, sem nenhuma conexão com o seu entorno.

Na música, apesar de gostar de muitas produções que estão fazendo sucesso, não consigo identificar algo que irá marcar de verdade nossa geração. Temos muitos cantores que estouram nas paradas e depois de alguns anos não ouvimos mais.

Vivemos numa época da informação descartável, onde diariamente somos bombardeados pelos mais diversos assuntos, que tem uma validade reflexiva muito curta, até cair no completo esquecimento.

Ainda falando sobre "Memórias de um Gigolô", me chamou a atenção a forma que eles idolatravam os anos 30, da mesma forma que hoje recordamos com muito saudosismo dos anos 80 e 90. Já ouvi esse papo antes, dos meus pais falando dos anos 60 e 70, acho que essa defesa da sua época não terá fim, sempre seremos impactados pelo o que de melhor existiu em nossa geração e tudo isso nos moldará como cidadãos.

Gosto muito da produção musical dos anos 80 e 90, principalmente no que se refere ao Pop Rock Nacional e a MPB. Provavelmente estamos replicando o mesmo comportamento da veneração dos anos 30, retratado no musical e talvez daqui alguns anos, Ivete Sangalo seja a nova Elis Regina e o Luan Santana e novo Tom Jobim.

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Homem Feminista

Já fui muito criticado por feministas ao dizer que eu era um homem feminista. E o discurso foi o mesmo de sempre, apontando que os homens não podem protagonizar uma luta de mulheres. Antes de ser homem, sou filho, neto, irmão e amigo de muitas mulheres que tem seus direitos negados numa sociedade machista, heteronormativa e patriarcal. 

Não precisamos ter uma identidade de gênero feminina, para lutarmos contra o machismo. O machismo é um preconceito tão enraizado na sociedade, que não abrange só os mulheres, a luta contra a homofobia, lesbofobia e transfobia, protagonizadas pelo Movimento LGBT, são variações do machismo da nossa sociedade.

Nossos algozes superaram essa discussão de legitimidade e protagonismo, eles tem um objetivo e se algum setor da sociedade puder se unir a eles, será muito bem vindo. Podemos usar como exemplo os conchavos que a Bancada Evangélica, do Congresso Nacional, faz com a Bancada Ruralista, votando em conjunto suas pautas, ganhando força e travando as pauta progressistas dos Movimentos Sociais e as pautas de pautas de proteção ao meio ambiente.

Os homens sensíveis a causa do Movimento Feminista, não quer protagonizar a pauta do movimento, quer apenas unir forças para acabar com o Machismo que destrói nossa sociedade, colocando mulheres, que são maioria absoluta, numa situação de submissão social. 

domingo, 19 de abril de 2015

Sinfonia da Vida

Morei por algum tempo no Bairro do Pari, bem ao lado de uma Igreja Congregação Cristã. Adorava acordar aos domingos, pela manhã, com a orquestra da igreja ensaiando. Achava tudo aquilo harmonioso. Trompetes, clarinetas, violinos, saxofones e tantos outros instrumentos, como se fosse um só, tocando a mesma sinfonia, o mesmo ritmo, todos sincronizados no mesmo tempo.

A música tem um caráter renovador, sua magia tem o poder de emocionar e transformar até os corações mais enjaulados. Tentei inserir a música em minha vida, por algum tempo fiz aulas de saxofone e descobri que música é para quem tem o dom e passei a admirar ainda mais quem tem sucesso com essa arte.

Depois, trabalhei por algum tempo na Secretaria de Estado da Cultura, localizada na Sala São Paulo, sede da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo – OSESP. Costuma almoçar no restaurante da Sala São Paulo e adorava quando o horário coincidia com os ensaios da orquestra. No prédio, a OSESP colocava várias placas pedindo silêncio, nem precisava, ninguém seria capaz de interromper toda aquela maravilhava que emanava naquele prédio.

Assisti alguns concertos na Sala São Paulo, um deles foi com a minha irmã, quando a Maestrina Marin Alsop assumiu a direção da orquestra. Foi um momento mágico e emocionante, principalmente quando tocou “Fantasia”, uma das composições mais lindas da música clássica.

No primeiro andar da Secretaria de Cultura, dá para ouvir a orquestra ensaiando e trabalhar naquele lugar era sempre uma surpresa muito boa, a entrada de todas as estações do ano sempre eram saudadas com um concerto e os maestros faziam questão de interagir com os funcionário, teve uma vez que eu pedi para ele tocar a música “Viva La Vida”, do Cold Play.

Também vejo nossas vidas como uma grande sinfonia, onde nos somos os instrumentos, tocando no nosso ritmo, de acordo com o nosso entusiasmo. O maestro é sempre um ser oculto, a própria vida, que nem sempre dá o tom da melodia e está lá para colocar ritmo... Esse papel é nosso, junto com os outros instrumentos que nos rodeiam. 

Colocar ritmo na sinfonia da vida não é um trabalho fácil, tem que ter vontades bilaterais, trilaterais ou quadrilaterais, tudo dependo do tipo de relacionamento que estamos construindo e nem sempre todos os instrumentos estão vivendo aquele ritmo, compactuando da mesma motivação.

Às vezes a sinfonia é tão forte, que toca em nossas almas, mas será se tocou da mesma forma no outro? Não sabemos e talvez nem seja o nosso papel tentar descobrir ou impor o mesmo ritmo que estamos vivendo ou almejando viver, no outro. Sinfonia boa é aquela que deciframos no olhar, no tocar dos lábios e abraçar das almas, aquela que mesmo sem regente ou maestro, entramos no ritmo mais uniforme e coeso, tão arrebatador como os ensaios da igreja vizinha da minha casa ou da Sala São Paulo.

Quero viver uma sinfonia tão linda e marcante, como a “Fantasia”, tocada na ocasião que a Maestrina Marin Alsop assumiu a OSESP, uma sinfonia calma, tranqüila e arrebatadora, mas nos momentos certos tem suas explosões, levando aos mais diversos sentimentos , nos proporcionando sensações indescritíveis. Gostaria muito que a vida me presenteasse com a possibilidade de reviver algumas sinfonias, que naquele momento havia ritmo, mas não a motivação. Talvez também seja nosso papel motivar o ritmo alheio, ou talvez, temos que esperar a vida, nossa grande maestrina, trazer outras sinfonias.

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Festival de Curtas de Direitos Humanos

Com o tema “Cidadania Cultural”, a 7° edição do ENTRETODOS – Festival de Curtas de Direitos Humanos acontece de 03 a 07 de novembro em 57 pontos de cultura, educação,institutos, coletivos, fundações, ruas e diversos outros locais de todas as regiões de São Paulo. Serão mais de 260 exibições espalhadas pelo norte, sul, leste, oeste e centro da capital paulista.

Na “Mostra Competitiva”, o ENTRETODOS 7 exibirá 29 curtas, sendo 16 nacionais e 13 internacionais de países como Irã, Servia, Chile, China, Índia, França, Espanha, Alemanha, EUA, Itália, entre outros. Muitos dos filmes selecionados refletem, principalmente, os fenômenos de reivindicações e demandas atuais, que buscam a consolidação dos direitos ligados à cidadania.

Os curtas estão divididos nos programas temáticos: “Vozes Urbanas”, “Possibilidades”, “Na lata”, “Incêndios” e “Visão de dentro”. Com curadoria de Manuela Sobral e Jorge Grinspum, a sétima edição do Festival, ainda contará com uma Mostra Infantil, que este ano traz uma novidade na programação, curtas produzidos pela Rede Municipal de Educação.

Os filmes concorrem a prêmios nas categorias de melhor curta-metragem, melhor roteiro, visão social, Educação em Direitos Humanos e Cidadania Cultural. Os premiados pelo Júri Oficial irão juntar-se ao vencedor do Melhor Curta-Metragem escolhido pelo voto popular. Este ano o Júri é formado por Lucia Murat, cineasta, Ivan Marsiglia, jornalista, Gil Marçal, Diretor da área de Cidadania Cultural da Secretaria Municipal de Cultura, Francisco Cesar Filho, cineasta e curador do Cine Direitos Humanos, Tata Amaral, cineasta, Rafael Carvalho, programador de cinema e diretor de programação do Departamento de Expansão Cultural (DEC) da Secretaria Municipal de Cultura, Alessandro Santos, Professor do Departamento de Psicologia Social e do Trabalho do Instituto de Psicologia USP, e Oswaldo Santana, ator e editor de filmes.

A cerimônia de Premiação do 7º ENTRETODOS, marcada para 08 de novembro às 18h no Centro Cultural São Paulo (CCSP), anunciará os vencedores das seis categorias, que serão exibidos durante a Mostra dos Vencedores, que integra a programação do II Festival de Direitos Humanos – Cidadania nas Ruas, entre os dias 08 e 12 de dezembro. 

Serviço: 
ENTRETODOS 7 - Festival de curtas de Direitos Humanos 
Quando: 03 a 07 de novembro 
Mais informações: www.entretodos.com.br

domingo, 13 de abril de 2014

Love is All You Need?

O filme já é antigo, mas conheci recentemente. O curta conta a história de Ashley, uma jovem adolescente que fruto da “família americana perfeita” nos subúrbios da Califórnia – com duas mães, dois vovôs, dois tios e um irmão mais novo. Mas Ashley tem um problema – ela tem uma queda por um garoto na escola, que é contra tudo o que este mundo já lhe ensinou.

Ashley vive em um mundo onde os termos “gay” e “hétero” são trocados, esta jovem tem que enfrentar o fato de que ela é em hétero em um mundo gay. Esta atração incontestável para o sexo oposto faz com que ela seja alvo constante de abuso verbal e físico, até que ela é guiada a um fim trágico.

Este curta-metragem é o primeiro de um projeto de duas fases idealizado por Kim Rocco Shields, que também escreveu e dirigiu o filme. Vale a pena assistir e refletir. 

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Parada LGBT chega à sua 18ª edição e pede criminalização contra a homolesbotransfobia

A Associação da Parada do Orgulho GLBT de São Paulo (APOGLBT) divulgou nesta quinta-feira (10) o tema "País vencedor é país sem homolesbotransfobia: Chega de Mortes! Criminalização Já!" para o desfile deste ano, que ocorrerá com um mês de antecedência, no dia 4 de maio. Com investimento de R$ 3 milhões, o evento espera receber entre 3,5 milhões e 4 milhões de participantes, como nos anteriores, e movimentar cerca de R$ 188 milhões na cidade.

De acordo com a organização, o objetivo do desfile é lembrar que a criminalização de agressões contra gays, lésbicas, travestis, transexuais e bissexuais no Brasil é um assunto de extrema importância. 

Tradicionalmente o evento ocorre em junho, durante o feriado de Corpus Christi, porém em 2014, por conta da realização da Copa do Mundo no Brasil, a organização antecipou a data para que os turistas, que costumam visitar o País, possam aproveitar a estadia sem preocupações com a falta de hospedagem ou com as altas tarifas cobradas. 

As atividades do mês do Orgulho LGBT conta com um ciclo de debates, de 22 a 25 de abril, no Sindicato dos Comerciários; Feira Cultural LGBT, e o Prêmio Cidadania em Respeito à Diversidade, que ocorrem juntos no dia 1º de maio, na Praça da República. No encerramento da Parada, no dia 4 de maio, o público contará com shows das cantoras Wanessa Camargo e Maria Christina e do cantor Pedro Lima.

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Recaída

Certa vez, perguntaram no meu trabalho se eu sou realmente gay. Respondi que era apenas de segunda à sexta e no horário comercial, pois no meu trabalho lido com a questão LGBT. Lendo a crônica "Recaída", de Luis Fernando Veríssimo, me recordei do episódio.

...

Recaída

A proposta era simples. Cláudia acompanharia João Carlos numa visita à casa dos seus pais, na cidadezinha onde nascera, e seria apresentada como sua namorada. Alguém o tinha visto no Rio e chegara à cidadezinha com a notícia de que ele era gay. Ele precisava provar que não era gay. 

Mas você não tem uma namorada de verdade? - perguntara Cláudia 

- Por que eu? 

Porque eu sou gay. Não tenho namorada. Tenho namorado. O nome dele é Roni. Não posso aparecer lá com o Roni. 

Mas ninguém liga pra isso, hoje em dia. Liga? 

Na minha cidade, na minha casa, ligam.

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Cláudia hesitara. Quase não conhecia João Carlos. A ideia de passar o Natal e o ano-novo com um quase desconhecido, na casa de uma família totalmente desconhecida, numa cidadezinha inimaginável, não a atraía. Se bem que... Poderia ser divertido. O João Carlos não era antipático. E os dois se fingindo de namorados, enganando todo o mundo... Ela não tinha outros planos para o fim do ano. Nenhum desfile agendado. Seria divertido. Topou. 

No aeroporto, antes de embarcarem, João Carlos se despediu de Roni com um beijo prolongado e disse para ele não se preocupar. 

Não vá me ter uma recaída... - disse Roni, indicando Cláudia. 

Pode deixar - disse João Carlos. - Não há perigo. 

Os três riram muito.

...

Ao churrasco na casa dos pais de João Carlos, na primeira noite, veio gente de toda a região, parentes e amigos e até alguns que ninguém conhecia, para ver a namorada carioca. A notícia de que Cláudia era, além de carioca, uma bela mulher, uma modelo, se espalhara rapidamente e todos queriam vê-la, e ouvi-la, e dizer "O Joãozinho, hein? Quem diria". Os dois tinham dormido em quartos separados, João Carlos no seu quarto antigo, Cláudia com a irmã dele. A mãe do João Carlos, que via novela e sabia que aquilo era comum, não se importaria se os dois dormissem juntos, mas "O seu pai, sabe como é...". Eles sabiam como era. Não dormiam juntos, mas passavam o tempo todo se acariciando e se beijando, em casa e na rua. Provando para a cidade inteira que aquele boato de que o João Carlos tinha desandado no Rio era invenção, pura invenção. Gostava de mulher. E, a julgar pela Cláudia, gostava de grandes mulheres!

...

Foi na noite de ano-bom, depois de muito frisante no clube, depois de se abraçarem e se beijarem apaixonadamente à meia-noite para todos verem, que os dois chegaram em casa e não foram cada um para o um quarto, foram para o quarto do João Carlos, quem diria, onde se amaram durante toda a madrugada, tentando não fazer muito barulho. E de manhã, suas pernas ainda entrelaçadas com as de Cláudia, João Carlos lamentou o acontecido, e disse "Bem que o Roni me avisou...", e a Cláudia beijou a ponta do seu nariz e disse: Pronto, pronto.

...

Voltaram para o Rio no dia 2, o João Carlos silencioso no ônibus e no avião, com cara de culpa, depois de pedir à Cláudia que em hipótese alguma comentasse a sua recaída para quem quer que fosse senão o Roni ia acabar sabendo, e a Cláudia silenciosa, com o secreto orgulho de ser tão desejável, tão mulher, que provocara a recaída fatal do João Carlos, depois de prometer que não contaria nada a ninguém, que aquilo ficaria entre os dois, só entre os dois, para sempre.

...

Ainda ontem a Cláudia encontrou o Roni e perguntou pelo João Carlos e o Roni disse: 

Quem?! 

O João Carlos. Seu namorado. 

Ah, é. Está bem. Muito bem. Quer dizer. Olha aqui... Esse negócio de namorado... 

Você também mal conhecia o João Carlos. Não é? 

É. Eu... 

Ele pediu para você fingir que era o namorado dele. 

É 

O seu nome nem é Roni. 

Não. 

Cláudia sorriu. Pensando: se o João Carlos tivesse me pedido, honestamente, sem mentir, sem encenação, topa ou não topa, eu teria topado? 

Provavelmente não. Uma mulher como eu? Provavelmente não. 

O falso Roni tinha chegado mais perto e estava dizendo: 

Olha, eu também não sou gay. E se quiser, posso provar. 

Cláudia se afastou, ligeiro. Pensando: ô raça, essa masculina!

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Facebook: Além do Masculino e Feminino

Em sintonia com as lutas do Movimento LGBT, o Facebook anunciou novas opções no cadastro da rede social. Agora, além das possibilidades de “masculino” e “feminino”, é possível escolher uma terceira categoria: “outro”, que abre dessa forma um menu com mais de 50 definições de gênero, como “transgênero” e "intersexual".

Os usuários também podem selecionar como gostariam de ser pronunciados pelo site, usando pronomes masculinos, femininos ou neutros. A imprensa brasileira reproduz com muita frequência expressão como "o travesti Camila", alegando que o termo travesti é masculino, mas não levando em consideração o nome "Camila". As opções estão disponíveis apenas para os perfis dos Estados Unidos, mas o Facebook planeja expandir a classificação “no futuro”.

Para comemorar a ocasião, a rede social levantou uma bandeira com as cores do arco-íris no seu quartel-general, localizado em Menlo Park, na Califórnia. “Nós reconhecemos que algumas pessoas enfrentam desafios compartilhando seu gênero real com os demais, e essa opção dá às pessoas a habilidade de se expressar de uma forma autêntica”, comenta o Facebook em sua página Facebook Diversity, voltada a ações da empresa sobre diversidade racial e de gênero.

Em São Paulo temos o Decreto 51.180, que dispoe sobre o uso do nome social na repartições públicas do município, no Estado temos o Decreto 55.588, de igual teor, mas na prática esses decretos não são respeitados por vários motivos, dentre eles o preconceito e a falta de informação. A inclusão de vários gêneros numa rede social de grande repercussão vem de forma pedagógica para a sociedade, contribuindo para a quebra de preconceitos.

O Facebook não é a primeira empresa de tecnologia a apoiar a causa LGBT. Quando as Olimpíadas de Inverno de Sochi começaram, o Google criou um “doodle” com as cores da bandeira LGBT para questionar as legislações restritivas sobre o tema na Rússia, país que sedia a competição. O doodle, o tradicional símbolo da empresa que aparece na página de inicial de seu buscador na internet, possuiu os desenhos dos esportes olímpicos de inverno sobre um fundo que reproduz as cores do arco-íris, que representam a comunidade LGBT.  

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Praia do Futuro

Além do filme “Hoje eu Quero Voltar Sozinho”, o longa “Praia do Futuro”, estrelado por Wagner Moura, Jesuíta Barbosa e pelo alemão Clemens Schick, também está participando e fazendo sucesso no Festival de Berlim.

Com direção do cearense Karim Ainouz, "Praia do Futuro" está concorrendo ao Urso de Ouro, principal premiação do Festival de Berlim. Produções brasileiras já saíram vitoriosas nesta categoria com os filmes "Central do Brasil" e "Tropa de Elite".

O filme conta a história de Donato (Wagner Moura), um salva-vidas da Praia do Futuro, em Fortaleza, que falha ao tentar resgatar um indivíduo vítima de afogamento. Não sabendo muito bem lidar com o fracasso, ele acaba conhecendo o amigo da vítima, o alemão Konrado (Clemens Schick), e decide recomeçar a vida indo para Berlim, deixando para trás o irmão, Ayrton (Jesuíta Barbosa), que o tinha como ícone. Oito anos depois, Ayrton parte para Alemanha em busca do irmão mais velho. 

Na contramão de "Hoje eu Quero Voltar Sozinho", que usa da delicadeza e da percepção para narrar a história de um adolescente que se descobre gay, "Praia do Futuro" apresenta a história de um casal gay adulto que busca se aventurar e encontrar coragem para viver. O longa promete gerar polemica por conta das diversas cenas de sexo e nu frontal de Wagner Moura. 


Um dos motivos para querer voltar em Fortaleza é a Praia do Futuro, é uma praia linda e acolhedora, com atrativos gostos. Lá você encontra quiosques com piscina, sauna, playground e voltados para o público GLS. Quando a maré está baixa, formam várias piscinas naturais em toda a extensão da praia. Um verdadeiro espetáculo, vale a visita.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

A Proibição de “Propaganda Homossexual” também existe no Brasil

Em meio a muitas criticas por conta da polêmica lei que proíbe a “propaganda homossexual”, a Rússia vem realizando os jogos de inverno de Sochi. Falar dos abusos do Presidente Putin e não nos remetermos ao cenário brasileiro, é quase impossível. Aqui no Brasil, avançamos muito pouco no que diz respeito aos Direitos Humanos para a População LGBT. 

Dilma Rousseff, justificando o veto do Kit-antihomofobia, disse que eu seu governo não fará propaganda de “opções sexuais”. A declaração da presidente aconteceu após lideres fundamentalistas ameaçarem o governo, dizendo que convocariam o então ministro da Casa Civil, Antonio Palocci para esclarecer a multiplicação do seu patrimônio. 

Apesar das condições climáticas distintas entre Brasil e Rússia, os dois países têm uma aproximação muito grande no que diz respeito a violação de direitos da população LGBT. Ambos são governados por lideres que não dialogam com os movimentos sociais e colocam as lutas pelas liberdades em segundo plano. 

Em solidariedade aos atletas e ao Movimento LGBT Russo, o Google demonstrou um doodle com as cores do arco-íris dedicado aos Jogos Olímpicos de Inverno. O doodle, o tradicional símbolo da empresa que aparece na página de inicial de seu buscador na internet, possuiu os desenhos dos esportes olímpicos de inverno sobre um fundo que reproduz as cores do arco-íris, que representam a comunidade LGBT. 

Alguns atletas expressaram que temem a discriminação durante os Jogos, enquanto vários ativistas da causa gay e dos direitos humanos convocaram um boicote à competição. O Instituto Canadense de Diversidade e Inclusão lançou uma campanha com o slogam “depois que você ver isso, jamais verá o luge da mesma forma”. Ao som do hit dos anos 80 'Don´t You Want Me, Baby', o vídeo reproduz dois atletas sentados juntos em uma espécie de carrinho, e pede o fim da restrição à propaganda gay em Sochi, local onde o evento acontece. “Os Jogos sempre foram um pouco gay. Vamos lutar para mantê-los assim”. 


Espero que o Movimento LGBT do Brasil também use a ocasião da Copa do Mundo e das Olimpíadas do Rio de Janeiro, para denunciar o descaso que Lesbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais são submetidos neste país, que mesmo sem uma lei restritiva as liberdades individuais, é o país que mais mata LGBT no Mundo. Não temos uma lei que proíbe a “propaganda homossexual”, mas temos a promessa de uma presidente, dizendo que nada caminhará neste sentido.

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Beijo gay também é tema da nova edição de 'Luluzinha Teen"


O beijo gay entre Felix e Niko, na novela "Amor à Vida", acabou motivando os editores dos quadrinhos "Luluzinha Teen e sua Turma" a também trabalhar a questão de Diversidade em suas histórias.

Na edição 57 do gibi, o personagem Edgar (da turma da Lulu) namora Fábio, que está passando por maus momentos com seus pais devido à sua orientação sexual. O problema aumenta quando eles decidem ir atrás do filho no evento “Anime Festa 2014”, organizado pelos amigos da Lulu na escola em que estudam. Para a tristeza de Fábio, seus pais são irredutíveis e não admitem que ele se relacione com outro garoto. Ainda bem que seus amigos irão aconselhá-lo.

O diretor da escola dos jovens, Vicente, também intercede a favor da relação dos meninos e conversa com os pais de Fábio para alertá-los quanto aos verdadeiros valores e atitudes que deveriam transmitir a seu filho, em vez de simplesmente discriminá-lo. 

A intenção da história é mostrar que ainda existe preconceito nos dias atuais, apesar dos avanços da sociedade para reconhecer os direitos dos homossexuais, mas que a nova geração representa uma esperança para todos aqueles que sofrem com a discriminação no dia a dia.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Águas Turvas

“Águas turvas” é o primeiro romance do jornalista político e apresentador de TV Helder Caldeira. Ambientado na cidade de Holden, nas colinas do Condado de Worcester, durante a crise econômica que sacudiu os Estados Unidos entre os anos de 2008 e 2011. O livro é cheio de encontros e desencontros, contando a história a partir de vários personagens, mas todos se centrando na história de Justin e Gabriel. 

Gabriel é um jovem médico brasileiro, que largou sua vida de agricultor e foi em busca do seu sonho em Massachusetts, levando em sua bagagem apenas a necessidade de um recomeço. Justin é herdeiro de uma tradicional família americana, que apesar da crise que assombram os seus negócios, vivem em momentos de harmonia. 

A aproximação de Gabriel ao seio da Família Thompson é um fator preponderante para o desencadeamento de vários fatos, onde serão revelados todos os segredos, medos e mistério que envolve a família. Diferente da maioria dos romances gays, onde a aceitação da sexualidade é usada como pano de fundo, em "Águas Turvas" encontramos personagens bem resolvidos.
“A verdade não é um instrumento de libertação. Tão somente, a verdade é uma porção racional de águas turvas que se choca, de forma permanente e sistemática, contra os rochedos subjetivos da mentira.” (Helder Caldeira, 2014, p.201) 
Todos nos somos envoltos pelas águas turvas, onde os seixos sãos os nossos sentimentos e segredos mais ocultos. Nossos atos podem alterar momentaneamente o curso do rio, mas o destino é persistente e levará as águas turvas até o encontro da realidade, onde todos se confrontam com os seus segredos. 

Apesar do exagero da beleza plástica, conflitando as desventuras da trama, “Águas Turvas” é um livro envolvente, daqueles que te faz entrar na história e projetar o que acontecerá no capitulo seguinte. O autor tem personalidade na sua narrativa, com personagens fortes e bem estruturados, surpreende positivamente seus leitores.

domingo, 2 de fevereiro de 2014

Tô Sapecando

Semana passada, almoçando com um amigo, comentamos sobre o novo comercial do “H2OH!”, da marca de refrigerantes PEPSICO. O filme mostra o homem assumindo o controle da cozinha, enquanto sua mulher comenta que tem duas noticias para dar a ele, uma boa e uma má. Ele opta por primeiro ouvir a má. A mulher comenta se ele se recorda de uma moça do trabalho dele, que ele vida “dando em cima”. Ele fica tenso e é surpreendido com uma reposta de duplo sentido: “Então, tô sapecando”. 

Na discussão, defendi que o “tô sapecando” vem no sentido de “estou pegando” e ele defendeu que é no sentido de “estou de olho em vocês. Procurei no dicionário informal o que significa o termo “sapecando” e encontrei a seguinte resposta: 
Sapecando: 

Pegando, ficando, traçando, fazendo sexo, transando.  

A gente não tem nada sério, só estamos sapecando. 
Como o dicionário informal é um site de construção coletiva, assim como o site Wikipédia, não podemos concluir como correto o significado do termo. Qualquer pessoa pode contribuir na construção de terminologias, publicando os significados no site. 

Apesar do duplo sentido, gostei muito do comercial, pois mostra a mulher em pé de igualdade com o homem. Nos comercias de margarina, vemos sempre a mulher comandando a cozinha, enquanto o homem se coloca no papel de macho alpha. Sabemos que essa relação de família é ultrapassada e hoje as mulheres estão no mesmo patamar de igualdade em relação aos homens e em muitos casos, são as mulheres que assumem o papel de provedora do lar. 


E você, como interpretou o termo “Tô Sapecando” no comercial?

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Além do Beijo Gay

Apesar de não ter assistido toda a trama da novela “Amor à Vida”, foi impossível deixar de acompanhar a história. Diariamente fui bombardeado por comentários, muitas das vezes atribuindo minhas piadas as do Félix... Não acho que sou tão sarcástico. 

Os comentários de hoje girou em torno se aconteceria ou não o beijo gay. Na verdade, Walcyr Carrasco foi apenas um mediador na trama, quem escreveu essa novela foi à opinião pública. Félix nem era o protagonista, mas com o tempo foi ganhando a simpatia do público e o seu personagem cresceu, roubou a cena. 

Durante 48 anos os personagens homossexuais nas tramas globais foram todos estereotipados, mostrando uma realidade que não é regra no segmento LGBT e muitas das vezes contribuindo ainda mais para o fomento do preconceito. 

Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais amam, odeiam, tem os seus medos, suas fraquezas e os seus pontos fortes, como quaisquer outros seres humanos. Um beijo gay não difere em nada de um beijo hétero, isso se realmente todos fossem iguais nas garantias dos seus direitos. 

O fato da maior rede de televisão do Brasil ter se recusado por 48 anos mostrar um beijo entre pessoas do mesmo sexo, reflete que por todo esse tempo ela serviu a uma sociedade heteronormativa e que ainda colocam LGBT como cidadãos e cidadãs de segunda classe, jogados(as) politicamente às margens da sociedade.


O beijo entre Félix e Niko foi tímido, mas emblemático. Porque o Movimento LGBT lutou tanto por um beijo? O que isso muda em nossas vidas? Muitos acham que não passa de uma besteira... Um simples beijo insere uma discussão importante na nossa sociedade, mostra para muitos que existimos e temos que ser representados nas ficções televisivas. 

Muito mais importante que o beijo, foi a declaração de amor de Félix e César, que numa cena emocionante e cinematográfica se perdoaram e selaram o amor de pai e filho, mostrando que a homofobia pode e deve ser vencida. Que o amor à vida saia da tela da televisão e entre nas famílias de todos e todas que sofrem com a homofobia que mata neste país.

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Curta “Gaydar” disponível no YouTube

Apesar de ter sido lançado em 2012, somente na semana passada o curta “Gaydar” foi disponibilizado no YouTube. O filme conta história de Rafael, um jovem cansado de só chegar em caras que se dizem héteros, contrabandeia um aparelho há muito tempo banido do mercado para conseguir conhecer caras homossexuais no quase esquecido “gaydar”. 

O curta já participou de Festivais Nacionais e Internacionais, sendo premiado como Melhor Curta Nacional pelo Juri Popular do Rio Festival Gay de Cinema 2012 e Melhor Roteiro e Melhor Atriz (Julia Stockler) no 7º For Rainbow - Festival de Cinema e Cultura da Diversidade Sexual.

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Travestis Envelhecem?

Aconteceu ontem, na SP Escola de Teatro, a abertura do “II SP Transvisão - Semana da Visibilidade de Travestis e Transexuais”, promovida pelo Governo do Estado de São Paulo e varias entidades parceiras. O evento, com programação ao longo de toda a semana, tem como objetivo fomentar o debate a respeito da tolerância e diversidade em relação aos transgêneros. 

O debate usou como pano de fundo o livro “Travestis Envelhecem?”, do psicólogo Pedro Paulo Sammarco. O envelhecimento tem chamado muito à atenção dos pesquisadores de todo o Mundo, a população está envelhecendo cada vez mais e o mundo não conta com recursos financeiros e estruturais para ter uma grande população de idosos, sobretudo se essa população for de travestis e transexuais, que muitas das vezes são abandonadas por suas famílias ainda na fase da adolescência.

O tema envelhecimento não é recorrente no segmento de Travestis e Transexuais, envelhecer para muitas é uma realidade difícil de acreditar. A violência nas ruas, a falta de acesso aos serviços básicos de saúde, a vulnerabilidade exacerbada e falta de perspectiva profissional, contribui para a redução da expectativa de vida desta população. 

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Sobre Mudança de Sexo, Direitos Humanos e Visibilidade Trans

Semana passada o Brasil foi surpreendido com a notícia que um delegado de interior de Goiás passou suas férias na Tailândia, onde se submeteu a cirurgia de resignação de sexo. O delegado Thiago, passa a ser a delegada Laura. Ela ainda está de licença e muito provavelmente será lotada na Delegacia da Mulher. 

A briga do movimento LGBT, para o respeito à identidade de gênero e a garantia do uso do nome social, é antiga. Alocar Laura na delegacia da mulher é reposta de anos de luta. O Estado passa a dar sinais que vem compreendendo o que é identidade de gênero e como se deve conduzir essas questões. 

Tenho muitas amigas travestis e transexuais. Certa vez, ouvi uma fala de uma travesti que me deixou muito incomodo. Ela disse: “nos seguimos o caminho contrário, primeiro vencemos na vida e depois nos tornamos travesti”. Ela é empresária e estava numa mesa com uma professa e uma oficial da marinha, todas travestis, que mudaram o seu gênero depois que já tinham uma carreira consolidada. 

A evasão escolar para travestis e transexuais ainda é muito grande, são poucas que conseguem concluir seus estudos e ter uma profissão, para muitas, a prostituição não é uma opção. Ainda temos muito que avançar. Apesar de termos vários decretos que obriga as repartições públicas a respeitarem o nome social, não é isso que vemos na prática. Carecemos da sensibilidade dos governantes e gestores públicos, para fazer uma administração pública que respeite à identidade de gênero de cada um. 

No dia 29 de janeiro, comemoramos o “Dia da Visibilidade Trans”, entretanto, não existem motivos para comemorar. As trans são diariamente agredidas e mortas por todo o Brasil, os casos nem sempre são levados para a mídia e tem uma conclusão da polícia. Para muitas, o que resta é a margem da sociedade. Elas continuam invisíveis, na garantia aos Direitos e a dignidade, tanto para o Governo quanto para a Sociedade.