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terça-feira, 30 de novembro de 2010

Os 15 Anos Interrompidos pela Homofobia

Se não fosse pela homofobia, Alexandre Ivo, que foi espancado, torturado e morto por três homens em São Gonçalo, no Rio de Janeiro, estaria em festa. O adolescente completaria 15 anos no dia 30 de novembro, tinha toda vida pela frente, com sonhos, anseios e desejos, interrompidos em nome de uma doença chamada homofobia. Alexandre era ligado ao Grupo LGBT Atitude e voluntário da Parada LGBT de São Gonçalo. No laudo consta que ele foi morto por asfixia mecânica; enforcamento com sua própria camisa e graves lesões no crânio, provavelmente causadas por agressões com pedras, pedaços de madeira e ferro.

Nos dias que antecedeu a data do aniversário de Alexandre, Angélica Ivo, mãe do garoto, que deveria estar alegre, pensando nos preparativos para uma festa de aniversário, ansiosa para comprar um presente e convidado amigos para uma confraternização, teve que fazer a exumação do corpo do garoto. Não consigo analisar o tamanho do sofrimento que essa mãe sente, ela não perdeu apenas o filho, também perdeu todos os momentos que estavam por vir, como aniversário, natal, ano novo, formatura e tantas outras alegrias que a vida reservaria ao longo dos anos.

Os acusados foram localizados e tiveram prisão preventiva decretada. São eles: Eric Boa Hora Bedruim, Alan Siqueira Freitas e André Luiz Cruz Souza, todos com 23 anos de idade. Os três suspeitos estão sendo acusados de praticar homicídio duplamente qualificado por motivo torpe. Porém, respondem ao processo em liberdade. No dia 7 de dezembro, data da segunda audiência do caso, a família de Alexandre promoverá um ato público em repúdio à soltura dos três acusados do assassinato.

A polícia encontrou vestígios de sangue no carro de Erick Debruim, que teria sido usado no crime. O sangue foi confrontado com o material genético da mãe, mas ainda precisa do DNA do pai, para que seja comprovado que era de Alexandre. O corpo do jovem foi exumado para coleta de material de genético e realização de exame de DNA. A amostra será comparada ao sangue encontrado dentro do carro de um dos suspeitos do crime. De acordo com a polícia, caso o exame dê positivo, os três acusados pelo crime poderão voltar à prisão e condenados.

Casos como o de Alexandre Ivo não são isolados, segundo dados do Grupo Gay da Bahia, 198 lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais foram assassinados no Brasil apenas no ano de 2009, seguindo uma tendência anual crescente, e representando uma média de 1 assassinato a cada 2 dias. Sem dúvida, estes dados são subnotificados, uma vez que dependem de informações obtidas através do monitoramento dos meios de comunicação, e não existe o registro oficial (governamental) de estatísticas sobre a violência homofóbica.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Quarto Menor Acusado de Homofobia na Av. Paulista se Entrega à Justiça

O quarto menor acusado de agredir gays na Avenida Paulista, no último dia 14 de novembro, em São Paulo, apresentou-se na Fundação Casa (ex-Febem) na tarde desta segunda-feira. Ele tem 16 anos e chegou por volta de 16h30m, acompanhado dos pais e de um advogado. Ele e os outros três menores, que já se apresentaram, ficarão na unidade Brás da Fundação Casa. No dia 9 de dezembro, será realizada uma audiência para decidir se eles serão absolvidos ou considerados culpados da agressão. As agressões foram motivadas por homofobia, segundo testemunhas. Os quatro adolescentes passam a ser considerados menores infratores e poderão cumprir até três anos de internação, como medida socioeducativa.

Jonathan Lauton Domingues, o agressor.
Jonathan Lauton Domingues, 19, que também é acusado das agressões, teve a prisão preventiva pedida pela polícia, mas ainda não se apresentou. Edio Junior, advogado de Jonathan, foi até a delegacia do bairro da Aclimação e disse que seu cliente “tentou apartar a briga”. “Ele é primário de bons antecedentes, esteve presente na delegacia, deu depoimento e, portanto, não pode ser responsabilizado por essa agressão. Não foi ele o autor. O autor está identificado nas imagens, que é de conhecimento notório”, disse o advogado.

A defesa do advogado de Jonathan, contraria o depoimento do segurança da loja que socorreu o estudante Luís Alberto de 23 anos, que disse que Jonathan imobilizou a vitima, enquanto os 4 menores o agrediam. Nas cenas seguintes, podemos ver os cinco jovens correndo e comemorando o ato de violência. Nas imagens de um outra câmera de segurança, mostra os cinco homofóbicos agredindo um gay que esperava um táxi, o que comprova que Jonathan participou das agressões com os quatro menores.


Todos os casos de homofobia que presenciamos nos últimos dias, vem de encontro com a necessidade da aprovação imediata do PLC 122. O Brasil é o país que mais mata homossexuais com motivação de ódio e tal motivação não é criminalizada. Não podemos continuar em meio a tanta violência, sem leis que nos defendam. Temos que exigir os casos de homofobia sejam investigados e punidos e se necessário for, tomamos novamente a Av. Paulista em protesto a fragilidade política que o cidadão gay se encontra no Brasil.

domingo, 28 de novembro de 2010

Deputado Pode ser Expulso da Comissão de Direitos Humanos por Conta de Homofobia

O Deputado Federal e militar Jair Bolsonaro (PP-RJ), afirmou em entrevista ao programa “Participação Popular" da TV Câmara, que os pais deveriam dar um “couro” nos filhos com tendências homossexuais para mudarem de comportamento. A declaração do Deputado alimenta as ações homofóbicas, se um parlamentar eleito pelo povo e para servir o povo defende agressões a homossexuais, homofóbicos se sentem representados por ele e motivados a praticarem os seus crimes.

Bolsonaro pode ser expulso da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados (CDH). A alternativa é uma entre outras que serão examinadas na reunião de quarta-feira, em que os membros da CDH vão analisar a "receita" do deputado para mudar a opção sexual de menores. A deputada Iriny Lopes (PT-SC), Presidente da Comissão, afirma que tal declaração agride duas vezes os direitos humanos, por pregar a violência contra crianças e por estimular reações homofóbicas. "É um absurdo escolher para a CDH pessoas que passam longe do espírito da comissão", diz.

Membro da CDH, o deputado Chico Alencar (PSOL-RJ) critica o PP por ter indicado Bolsonaro para a comissão. Ele prevê que se mantiver a mesma posição no ano que vem, a legenda passará a ser conhecida como "o partido da homofobia". "Uma pessoa tão contrária aos direitos humanos não pode pertencer à comissão", afirma. "É muita sandice, os movimentos de direitos civis deveriam fazer uma campanha nacional para combater esse tipo de postura", defende. Bolsonaro ironiza a reação dos colegas. "Estou me lixando para eles, eu sou um dos poucos (integrantes) heterossexuais, então sou minoria, eles têm de respeitar as minorias", disse, debochando das reações.

A situação do gay no Brasil está ficando cada vez pior, será se chegaremos num ponto em que teremos que pedir asilo político para outros países para nos livrarmos da homofobia do Brasil? Estamos no país que mais mata homossexuais no Mundo e não temos uma lei que criminaliza o ódio contra homossexuais. O PLC 122 está no senado desde 2006 e acredito que dificilmente ele será aprovado. Temos mais de 12% do legislativo em todo o Brasil sendo ocupados por setores fundamentalistas e que fazem objeções ao projeto. Não podemos nos calar, a margem da sociedade não é o nosso lugar, temos que exigir os nosso direitos.

Menor Acusado de Homofobia na Av. Paulista Deve se Entregar à Justiça

Segundo o advogado Davi Gebara de defesa do quarto adolescente  envolvido nas agressões a gays e roubo na região da Av. Paulista e numa boate em Moema, na Zona Sul de São Paulo, em 14 de novembro, ele irá se entregar à Vara da Infância e Juventude, no Brás, região central da capital, nas próximas 48 horas. O garoto de 16 anos é apontado pela Polícia Civil como um dos cinco jovens que participaram dos ataques. A Justiça determinou a internação provisória de quatro menores de 18 anos numa das unidades da Fundação Casa (extinta Febem). Até este sábado (27) três já haviam se apresentado.

Jonathan Lauton Domingues, o agressor.
Jonathan Lauton Domingues, 19, que também é acusado das agressões, teve a prisão preventiva pedida pela polícia, mas ainda não se apresentou. Edio Junior, advogado de Jonathan, foi até a delegacia do bairro da Aclimação e disse que seu cliente “tentou apartar a briga”. “Ele é primário de bons antecedentes, esteve presente na delegacia, deu depoimento e, portanto, não pode ser responsabilizado por essa agressão. Não foi ele o autor. O autor está identificado nas imagens, que é de conhecimento notório”, disse o advogado.

A defesa do advogado de Jonathan, contraria o depoimento do segurança da loja que socorreu o estudante Luís Alberto de 23 anos, que disse que Jonathan imobilizou a vitima, enquanto os 4 menores o agrediam. Nas cenas seguintes, podemos ver os cinco jovens correndo e comemorando o ato de violência. Nas imagens de um outra câmera de segurança, mostra os cinco homofóbicos agredindo um gay que esperava um táxi, o que comprova que Jonathan participou das agressões com os quatro menores.


Todos os casos de homofobia que presenciamos nos últimos dias, vem de encontro com a necessidade da aprovação imediata do PLC 122. O Brasil é o país que mais mata homossexuais com motivação de ódio e tal motivação não é criminalizada. Não podemos continuar em meio a tanta violência, sem leis que nos defendam. Temos que exigir os casos de homofobia sejam investigados e punidos e se necessário for, tomamos novamente a Av. Paulista em protesto a fragilidade política que o cidadão gay se encontra no Brasil.

sábado, 27 de novembro de 2010

Blue Space - SP apresenta sátira das "As Cariocas"


A Blue Space, localizada em São Paulo, prepara mega atração para matinê do domingo, 05 de dezembro. A partir das 20h o público tem acesso a melhor programação e conta com a apresentação do espetáculo "As Paulistas", uma sátira de humor com base na série "As Cariocas", exibida todas as terças-feiras pela TV Globo. O elenco para o show conta com Silvetty Montilla, Michelly Summer, Thália Bombinha, Natasha Rasha, Stefani di Bourbon e convidadas.

Esse não é o primeiro show com referencia na TV produzido pela Blue Space, novelas como A Favorita e videoclipes como 'All The Lovers' já receberam versões para shows de humor ou para apresentações com drag queens. Além da sátira, a noite ainda conta com com o som dos DJs Herbet Tonn e Robson Mouse. O ballet Blue Space compõe os shows e os gogos cuidam da sensualidade da noite. As informações para a programação completa para a matinê estão disponíveis no site da Blue Space.

Serviço:

Show: As Paulistas
Domingo, 05 de Dezembro - 20hs
Elenco: Silvetty Montilla, Michelly Summer, Thália Bombinha, Natasha Rasha e Stefani di Bourbon.
DJs: Hernert Tonn e Robson Mouse
Rua Brigadeiro Galvão, 723 - Barra Funda – SP
R$ 18 (com flyer) - Somente para Homens
R$ 26 (sem flyer)

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Mais Dois Homofóbicos da Av. Paulista se Entregam à Justiça

Um dos acusado de agredir cinco pessoas na avenida Paulista, se entregou na manhã desta sexta-feira (26 ) na vara da Infância e da Juventude. O jovem, de 16 anos, já foi levado a uma unidade de atendimento inicial da Fundação Casa, no Brás. O terceiro acusado se entregou a tarde, ele entrou por uma porta lateral para evitar a imprensa. Por volta das 18h de ontem, um outro acusado, de 17 anos, chegou à vara da Infância e da Juventude acompanhado dos pais.

Os três podem permanecer até cinco dias na unidade de atendimento inicial da Fundação Casa antes de serem transferidos para uma unidade de internação provisória, também no Brás. O outro menor, cuja apreensão foi determinada pela Justiça na última terça-feira (23), ainda não se entregou, ele é considerado foragido. O advogado Alexandre Dias Afonso, que defende um dos meninos, afirmou que vai recorrer da decisão. De acordo com ele, os adolescentes cumprem todos os requisitos necessários para responderem em liberdade.

Jonathan Lauton Domingos, o agressor.
Jonathan Lauton Domingues, 19, que também é acusado das agressões, teve a prisão preventiva pedida pela polícia, mas ainda não se apresentou. Edio Junior, advogado de Jonathan, foi até a delegacia do bairro da Aclimação e disse que seu cliente “tentou apartar a briga”. “Ele é primário de bons antecedentes, esteve presente na delegacia, deu depoimento e, portanto, não pode ser responsabilizado por essa agressão. Não foi ele o autor. O autor está identificado nas imagens, que é de conhecimento notório”, disse o advogado.

A defesa do advogado de Jonathan, contraria o depoimento do segurança da loja que socorreu o estudante Luís Alberto de 23 anos, que disse que Jonathan imobilizou a vitima, enquanto os 4 menores o agrediam. Nas cenas seguintes, podemos ver os cinco jovens correndo e comemorando o ato de violência. Nas imagens de um outra câmera de segurança, mostra os cinco homofóbicos agredindo um gay que esperava um táxi, o que comprova que Jonathan participou das agressões com os quatro menores.


Em Brasília, gays estão organizando o “Grito Contra a Homofobia”, motivados pela onda de homofobia que ocorreram em todo o Brasil, inclusive em Brasília. O ato acontece neste sábado (27), às 3 da tarde, na quadra comercial da 209 Norte, onde ocorreu um ataque homofóbico no último sábado (20), contra um universitário de 20 anos. Na manifestação, será exposta a necessidade da aprovação imediata da PLC 122, projeto que criminaliza a homofobia em todo o Brasil.

Movimento LGBT de Luto: Morre Claudia Wonder aos 55 Anos

Nascida em 1960, na cidade de São Paulo, Claudia Wonder foi uma artista, escritora, colunista e militante transexual brasileira pelos Direitos Humanos LGBT. Claudia descobriu a sua transexualidade ainda na adolescência, começou sua carreira artística fazendo shows em boates e logo estreou no teatro e no cinema. Ainda adolescente contracenou com grandes nomes nacionais, entre eles, Tarcísio Meira e Raul Cortez.

Na militância, coordenou o Grupo de Estudos da identidade de Gênero Flor do Asfalto. Também trabalhou como monitora de abordagem e comunicação do Centro de Referência da Diversidade no projeto Cidade Inclusiva, uma parceria do governo da cidade de São Paulo com a União Europeia. Durante seis anos, atuou como colunista e repórter da revista G Magazine e do site G.Online.
 
Em 2008, lançou pelas Edições GLS o livro Olhares de Claudia Wonder. Na obra, ela descortinou o universo trans e mostrou que encarar a diversidade é a única forma de superar o preconceito. Entre histórias engraçadas e trágicas, perfis e entrevistas, Claudia abordou temas espinhosos — como a humilhação a que estão permanentemente expostas as minorias sexuais —, mas também revelou caminhos possíveis, sempre permeados pela dignidade.

Uma das pioneiras do movimento trans no Brasil, faleceu na manhã desta sexta-feira, 26, em decorrência de uma criptococose (Doença do Pombo), que é o fungo encontrado principalmente nas fezes de pombos. Claudia estava internada no Centro de Referência e Treinamento (CRT) DST/AIDS de São Paulo, na Vila Mariana, desde o começo de outubro último. Apesar da manifestação do desejo em ser cremada, a família de Claudia Wonder é contra e ela será velada na Secretária da Justiça do Estado de São Paulo, localizada no Pátio do Colégio e enterrada no cemitério da Vila Alpina, em São Paulo.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Homofóbico da Av. Paulista se Estrega à Justiça

Um dos homofóbicos, acusados de agredir gays na avenida Paulista, se entregou no final da tarde desta quinta-feira (25) na vara da Infância e da Juventude, de acordo com a assessoria de imprensa da Fundação Casa. O infrator, de 17 anos, estava acompanhado de familiares e do advogado. Depois de passar por uma audiência com o juiz, ele foi levado para a unidade de atendimento inicial da Fundação Casa e, em seguida, seria levado para uma unidade de internação provisória.

Os outros três menores, cuja apreensão foi determinada pela Justiça na última terça-feira (23), ainda não se entregaram. Eles são considerados foragidos, já que não foram localizados pelo oficial de Justiça responsável pela apreensão.  Um dos advogados de um dos meninos de 16 anos, Davi Gebara Neto, disse que não sabe onde está seu cliente. Os outros defensores não foram localizados.

Jonathan Lauton Domingues, 19 anos.
Jonathan Lauton Domingues, 19, que também é acusado das agressões, deve ter a prisão preventiva pedida pela polícia até sexta-feira (26). Edio Junior, advogado de Jonathan, foi até a delegacia do bairro da Aclimação e disse que seu cliente “tentou apartar a briga”. “Ele é primário de bons antecedentes, esteve presente na delegacia, deu depoimento e, portanto, não pode ser responsabilizado por essa agressão. Não foi ele o autor. O autor está identificado nas imagens, que é de conhecimento notório”, disse o advogado.

A defesa do advogado de Jonathan, contraria o depoimento do segurança da loja que socorreu o estudante Luís Alberto de 23 anos, que disse que Jonathan imobilizou a vitima, enquanto os 4 menores o agrediam. Nas cenas seguintes, podemos ver os cinco jovens correndo e comemorando o ato de violência. Nas imagens de um outra câmera de segurança, mostra os cinco homofóbicos agredindo um gay que esperava um táxi, o que comprova que Jonathan participou das agressões com os quatro menores.

Em Itapevi, outro caso de homofobia chocou a comunidade gay. Iranilson Nunes da Silva, 38 anos, conhecido como o Dicesar de Itapevi, foi assassinado nesta terça (23), com doze tiros. A polícia descartou roubo seguido de latrocínio e investiga a hipótese de ter sido crime homofóbico. O único objeto roubado foi um celular que estava com a vítima, supostamente contendo mensagens de ameaça. Os doze tiros foram certeiros, o que também chama a atenção da polícia.

Todos os casos de homofobia que presenciamos nos últimos dias, vem de encontro com a necessidade da aprovação imediata do PLC 122. O Brasil é o país que mais mata homossexuais com motivação de ódio e tal motivação não é criminalizada. Não podemos continuar em meio a tanta violência, sem leis que nos defendam. Espero que esse crime em Itapevi seja investigado e punido e que a comunidade gay se mobilize, da mesma forma que nos mobilizamos contra os casos de homofobia da Av. Paulista, da Parada Gay do Rio de Janeiro e do posicionamento da Universidade Mackenzie.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Protesto Contra a Homofobia do Mackenzie

Aconteceu nesta quarta-feira (25), por volta das 17 horas, o protesto organizado por alunos da Universidade Presbiteriana Mackenzie, contra a posição do Chanceler Augustus Nicodemus Gomes Lopes. O protesto reuniu certa de 500 pessoas, em frente o portão da universidade, na Rua Itambé. Moradores de um prédio localizado na esquina da avenida Higienópolis com a rua Itambé jogaram ovos nos manifestantes. Um homem e uma mulher foram atingidos.

O texto do chanceler, que é contra a aprovação do PL 122 que criminaliza a homofobia no Brasil, foi publicado no site da universidade na semana passada e replicado em blogs, mas já foi retirado do ar. Nele, o chanceler, cargo máximo da universidade, recomenda à comunidade acadêmica a se orientar pelo que pensa a Igreja Presbiteriana do Brasil, associada vitalícia da instituição de ensino. "Os cristãos se guiam pelos referenciais morais da Bíblia e não pelas mudanças de valores que ocorrem em todas as culturas", afirma Lopes, antes de dar parênteses ao que diz a igreja.

Na ocasião, a assessoria do Mackenzie afirmou que a universidade "se posiciona contra qualquer tipo de violência e descriminação" e "contra qualquer tentativa de se tolher a liberdade de consciência e de expressão garantidas pela Constituição". No manifesto da igreja, endossado pelo chanceler, a instituição diz que é contra à aprovação da lei "por entender que ensinar e pregar contra a prática da homossexualidade não é homofobia".

Em nota divulgada hoje, a assessoria disse que o Mackenzie respeita o direito de expressão de todos os cidadãos e reconhece o direito de manifestação pacífica. "Hoje consolidada como uma das instituições de ensino mais conceituadas do país, a Universidade Presbiteriana Mackenzie, que possui cerca de 40 mil alunos e 3 mil funcionários, sempre prezou pelo respeito à diversidade e pelo direito de liberdade de consciência e de expressão religiosa", diz a nota.

Depois de finalizarem o protesto em frente o Mackenzie, manifestantes continuaram a protestar contra homofobia com uma caminhada pelas ruas do centro da cidade até a Avenida Paulista, na altura do número 700, onde ocorreu uma agressão no dia 14 de novembro. Por volta das 21h, o grupo rezou e aplaudiu os seguranças do prédio que socorreram os garotos vítimas de agressão. A caminhada até a Av. Paulista não estava programada, foi um ato com aconteceu em solidariedade as vitimas de homofobia e com adesão dos manifestantes.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

A Homofobia Toma Conta do Brasil

Os quatro homofóbicos que participaram da tentativa de homicídio, com motivações de homofobia e roubos na Av. Paulista, deverão retornar a Fundação Casa a pedido do Ministério Público de São Paulo. Além dos quatro menores, também participou do ato Jonathan Lauton Domingues, de 19 anos, que também responde pelo crime de formação de quadrilha. A unidade da Fundação Casa na qual os delinquentes deverão ser internados ainda não está definida.

Uma outra vitima, da mesma quadrilha de homofóbicos da Av. Paulista, prestou queixa à polícia nesta terça-feira (23). O rapaz contou que foi espancado na saída de uma festa, em Moema, no mesmo dia (domingo, dia 14) das outras agressões. A vítima ainda tem sequelas, está com parte dos dentes amolecidos e não consegue se alimentar direito. Ele terá que passar por tratamentos dentários para se recuperar.

No Mackenzie, o Prof. Luís Cavalcante, promete tumultuar o protesto promovido por alunos contra a posição da Universidade Presbiteriana Mackenzie, que publicou no site da universidade uma carta onde se posiciona contra a PLC 122, citando passagens bíblicas e alegando que a cultura brasileira está cada vez mais distante das referências de certo e errado. A Decradi (Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância ),  já está informada sobre a ofensiva promovida por Luís Cavalcante e reforçou o policiamento que acompanhará o ato.

No Rio Grande do Sul, um grupo de defesa dos direitos de travestis recebeu ameaças por telefone de supostos neonazistas. Na ligação, o interlocutor advertiu que a 14ª Parada Livre de Porto Alegre, que será realizada no próximo domingo (28), no Parque da Redenção, em Porto Alegre, será o alvo, ele disse que os neonazistas da cidade de Santa Cruz do Sul, no interior gaúcho, estavam se organizando para o evento. "Vocês já se aprontem para domingo", ameaçou o homem, para depois desligar o telefone.

No Rio de Janeiro, o Deputado Federal e militar Jair Bolsonaro (PP-RJ), afirmou em entrevista ao programa “Participação Popular" da TV Câmara, que os pais deveriam dar um “couro” nos filhos com tendências homossexuais para mudarem de comportamento. A declaração do Deputado alimenta as ações homofóbicas, se um parlamentar eleito pelo povo e para servir o povo defende agressões a homossexuais, homofóbicos se sentem representados por ele e motivados a praticarem os seus crimes.

A situação do gay no Brasil está ficando cada vez pior, será se chegaremos num ponto em que teremos que pedir asilo político para outros países para nos livrarmos da homofobia do Brasil? Estamos no país que mais mata homossexuais no Mundo e não temos uma lei que criminaliza o ódio contra homossexuais. O PLC 122 está no senado desde 2006 e acredito que dificilmente ele será aprovado. Temos mais de 12% do legislativo em todo o Brasil sendo ocupados por setores fundamentalistas e que fazem objeções ao projeto. Não podemos nos calar, a margem da sociedade não é o nosso lugar, temos que exigir os nosso direitos.

Continuam Caindo as Máscaras dos Homofóbicos da Av. Paulista

Soraia, mãe do homofóbico e delinquente
Um dos adolescentes que participou da tentativa de homicídio do estudante de jornalismo Luís Alberto, de 23 anos, tem passagem na polícia. Em setembro desse ano, o rapaz de 16 anos agrediu a sua mãe em meio a uma discussão familiar. Soraia Costa, mãe do delinquente chegou a defende-ló da tentativa de homicídio e declaro que “todos são crianças. Estão chorando [lá dentro]”. Soraia ainda disse que “foi uma atitude infantil” e que “se preciso, vai buscar ajuda especializada”.

Acredito que esse sentimento de buscar alguma ajuda deveria ter vindo quando o “pequeno marginal”, a “criança delinquente” que ela criou, começou a apresentar os primeiros sintomas de doença social. Soraia Costa, o seu filho é um doente, um delinquente, um marginal que não pode conviver em sociedade e a ajuda especializada que ele precisa está na Fundação Casa, de onde ele não deveria ter saído na segunda-feira passada (15).

Delinquentes deixando a Fundação Casa 
O histórico de expulsões escolares do filho de Soraia, justifica a sua conduta social. Alunos do Colégio Objetivo, afirmaram para reportagem da Folha.com que a criança indefesa de Soraia foi expulsa do colégio após se envolver em uma briga e que eles têm fama de briguentos. Os alunos disseram que eles [filho de Soraia e outro delinquente menor de idade] já haviam batido em um homossexual em uma festa.

No Domingo (14), dia das agressões, Luís Alberto saía da delegacia, estava com o rosto todo inchado, cheio de curativos e uma porção de hematomas pelo corpo, quando foi abordado por Soraia, a mãe do delinquente, de maneira autoritária reprimiu a atitude do rapaz e disse “você não precisava ter feito um boletim de ocorrência”, Luís ficou tão indignado que não conseguiu responder.


À esquerda, Massetti, pai do delinquente homofóbico
 Soraia é ex-mulher do mafioso italiano Carlos Massetti, que tem a guarda do menor delinquente. Masseti foi preso pela Interpol no dia 23 de maio do ano passado, em São Paulo. O avó do menor-delinquente também pertencia a máfia, ele é neto de Gaetano Badalamenti, conhecido com´Dom Tano, do clã Cosa Nostra, na Sicília. Badalamenti morreu em 2004, aos 81 anos, numa prisão dos Estados Unidos, onde cumpria pena de 15 anos por assassinatos e tráfico de drogas.

Carlos Massetti conseguiu um habeas corpus do Supremo Tribunal Federal (STF) e em 12 de agosto deste ano, obteve o julgamento final, com o arquivamento do processo. O governo italiano não formalizou o pedido de extradição com os documentos probatórios da culpa do acusado. De acordo com a acusação da Interpol, Massetti participava de um grupo que colocava títulos falsos no mercado e a meta era embolsar U$ 1,0 bilhão. Com todo esse histórico familiar, não podemos esperar muito desse delinquente.

domingo, 21 de novembro de 2010

Manifestação Contra Homofobia na Av. Paulista

Cheguei no Vão Livre do Masp pouco antes das 15 horas, horário agendado para o inicio da mobilização, momentos após iniciou-se o nosso protesto, com amplo apoio da polícia militar. Várias autoridades e militantes LGBTs estavam presentes, dentre eles os Deputados Estaduais Carlos Giannazi e Ivan Valente; Franco Reinaudo, Coordenador da Diversidade Sexual de São Paulo; Marcos Fernandes, Coordenador da Diversidade Tucana; Beto de Jesus, Secretário Geral do Instituto Edson Néris; Eduardo Piza, Militante LGBT; Irina Bacci, Coordenadora do Centro da Diversidade Sexual; Jean Wyllys, Deputado Federal eleito pelo Estado do Rio de Janeiro, entre outros.

Alguns sites divulgam 100, outros 200 e também li por ai que haviam 300 manifestantes, acredito que na ocasião das considerações, no Vão Livre do Masp, haviam aproximadamente 200 pessoas e quando tomamos uma das faixas da Av. Paulista, sentido o Metrô Brigadeiro, os manifestantes foram chegando e terminamos o ato com aproximadamente 1000 pessoas. Vários carros buzinavam, com motoristas acenando de forma positiva, validando que a homofobia tem que ser criminalizada e que os casos que ocorreram em São Paulo e Rio de Janeiro tem que ser severamente punidos.

Finalizamos a caminhada em frente ao prédio onde o estudante de jornalismo, Luís Alberto, de 23 anos, foi agredido. Reafirmamos naquele local, palco de homofobia, a necessidade de aprovar o PLC 122 e todas as entidades envolvidas se mobilizarão para ter uma audiência com o Governador do Estado de São Paulo e discutir com ele as providências que serão tomadas quanto as agressões ocorridas no domingo passado (14).  Aplaudimos os seguranças que apartaram a briga e encerramos o protesto cantando o hino nacional.

Conviver com a homofobia e o fundamentalismo da sociedade é algo inadmissível.  Mais do que cobrar que os casos sejam apurados e severamente punidos, temos que cobrar políticas sociais para que a homofobia seja minimizada no Brasil. Somos classificados por várias setores da sociedade como doentes e até alguns psicólogos defendem essa tese. A sexualidade é inerente ao ser humano, não escolhermos ser gays ou héteros e se nesse contexto existem doentes, são os fundamentalistas, que não aceitam o que vai contra o que eles julgam como padrão.

sábado, 20 de novembro de 2010

A Homofobia Representa a Regressão Social do Brasil

A violência urbana chegou num ponto crítico e as políticas públicas preventivas são fracas e não conseguem estabelecer comunicação com os jovens, prova disso são os casos de violência generalizada por todo o Brasil. No Rio de Janeiro, um sargento que deveria estar servindo a população, se sente acima da lei e atira num jovem com motivações homofóbicas e em São Paulo, pit boys, que não aceitam a sexualidade alheia se sentem no direito de agredir homossexuais.

Tanto os 5 jovens da Av. Paulista como o sargento do Rio de Janeiro, estão repetindo um comportamento condicionado e aprendido por setores fundamentalistas, encabeçados por políticos e religiosos. Sempre pensei em “Qual é a atitude de um homofóbico ao assistir um programa do Silas Malafaia?” Esse pastor se sente no direito de chamar gays de aberrações, imundos e imorais. Políticos como Magno Malta, Marcelo Crivela e Carlos Apolinário fazem de sua atuação política um clamor ao ódio, estabelecendo um discurso retrogrado e que os gays são inimigos da família e da moral social.

As eleições de 2010 foi uma derrota massacrante para o movimento LGBT. A pauta eleitoral que deveria priorizar assuntos de interesse de toda a sociedade, se restringiu apenas aos discursos decorrentes ao aborto e casamento gay. É inadmissível que um país tão importante no cenário internacional deixe de lado assuntos como política externa, reforma tributária, geração de empregos e divisão de renda, para falar apenas em assuntos de interesse da igreja. A pauta eleitoral, comprometeu a laicidade do Estado e ficou mais que provado que estamos vivendo numa teocracia tímida e disfarçada.

Em Estados teocráticos, onde a liberdade individual não é respeitada,  quem vai contra o valores religiosos são mantidos a margem da sociedade e é isso que acontece com a comunidade gay no Brasil. Em oito anos de governo Lula, pouco foi feito para a situação dos LGBTs e com os mais de 80% de popularidade do presidente, em nenhum momento o executivo do nosso país se posicionou publicamente como favorável a aprovação do PLC 122/06 e do casamento civil entre pessoas do mesmo sexo.

Temos que reagir antes que todos os direitos humanos inerentes aos “grupos de minorias” sejam tirados por completo das discussões políticas. Em São Paulo e Rio de Janeiro temos leis de combate a homofobia, mas os acontecimentos sociais mostram que tais mecanismos se mostram insuficientes, a aprovação do PLC 122 promoveria uma discussão nacional em torno dos direitos dos LGBTs e a importância de respeitar a diversidade sexual.

Amanhã, acontecerão duas manifestações importantes. Em São Paulo, militantes LGBTs se manifestarão num ato de repúdio à violência homofóbica na Av. Paulista. No Rio de Janeiro, manifestantes que apoiam a causa LGBT organizam a “Caminhada da Paz”, um ato contra a homofobia promovida pelo sargento-marginal Ivanildo Ulisses Gervásio e pela aprovação do PLC 122/06. A articulação de todo o movimento LGBT para o sucesso dessas ações é de extrema importância, para mostrar aos nossos governantes que não estamos satisfeitos com a margem da sociedade e que precisamos de políticas públicas que nos defendam e validam a nossa cidadania.

Serviço:

Caminhada pela Paz – Rio de Janeiro
Domingo - 21 de novembro - concentração às14hoo
Av. Vieira Souto (esquina com a Rua Farme de Amoedo) - Praia de Ipanema

Ato em Repúdio à Violência na Av. Paulista – São Paulo
Domingo – 21 de novembro – concentração às 15h00
Av. Paulista, nº 1578 - Bela Vista (em frente o vão livre do Masp)

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Manifestações Contra a Homofobia Agita Militância LGBT

Gay baleado por militar no Rio de Janeiro
Aconteceu hoje (19), ao meio dia, um ato pedindo pela aprovação de leis que criminalizam a homofobia, promovido pela Frente Parlamentar contra a Homofobia. No protesto, cerca de 30 manifestantes recolheram assinaturas para pressionar o Congresso Nacional a aprovar o PLC 122, que tramita desde 2006. “Não há punição [à homofobia], porque não há uma lei que puna. Temos a lei Maria da Penha, que criminaliza a violência contra as mulheres, e a lei contra o racismo. A homofobia tem que estar no mesmo patamar”, afirmou o deputado estadual Carlos Giannazi (PSOL-SP), presidente da Frente Parlamentar contra a Homofobia.

No Rio de Janeiro, manifestantes que apoiam a causa LGBT organizam a “Caminhada da Paz”, um ato contra a homofobia promovida pelo sargento-marginal Ivanildo Ulisses Gervásio e pela aprovação do PLC 122/06. Ivanildo interceptou o jovem Douglas, que estava num parque com amigos e  namorado. O sargento atirou no abdômen do rapaz, que foi socorrido e passa bem. Ivanildo aguarda julgamento preso. Desde julho deste ano, foram registradas 1.572 denúncias de homofobia através do Disque Cidadania LGBT, serviço oferecido pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro.

Gay agredido por marginais em São Paulo
Em São Paulo, militantes LGBTs também se manifestaram no domingo (21), num ato de repúdio à violência homofóbica na Av. Paulista. O crime foi cometido por cinco jovens de classe média – sendo quatro menores de idade – que estudam juntos num colégio particular situado no Itaim Bibi, bairro nobre de São Paulo. Das 3h às 6h30, o grupo agrediu quatro rapazes em momentos isolados. Uma das vítimas perdeu a consciência e teve seus pertences roubados, enquanto outra foi atingida por duas lâmpadas fluorescentes no rosto.

Ainda em São Paulo, militantes LGBTs e alunos da Universidade Presbiteriana Mackenzie, organizam manifestação contra o Chanceler e Reverendo Dr. Augustus Nicodemus Gomes Lopes. O Dr. Augustus Nicodemus, publicou no site da universidade uma carta em nome da Universidade, ele se posiciona contra a aprovação do PL-122, citando passagens bíblicas e alegando que a cultura brasileira está cada vez mais distante das referências de certo e errado. A ação do Chanceler do Mackenzie, além de fundamentalista e assustadoramente maniqueísta, contraria o Estado de Direito democrático e laico.

A homofobia está generalizada no Brasil e não podemos nos intimidar. A ofensiva de grupos homofóbicos e fundamentalistas tem que aumentar ainda mais a nossa resistência. Gays, lésbicas, bissexuais, transexuais, trangenêros e héteros que apoiam a causa LGBT devem marcar presença nesses atos. Temos que exigir da justiça que os quatro marginais que foram liberados da Febem, retornem para a instituição e que o jovem maior de idade, retorne para a detenção provisória. Não podemos dividir a sociedade com marginais perigosos, que colocam em risco a vida de cidadãos de bem. Vamos marcar presença nas manifestações e o nosso posicionamento contra a homofobia.

Serviço:

Caminhada pela Paz – Rio de Janeiro Domingo - 21 de novembro - concentração às14hoo
Av. Vieira Souto (esquina com a Rua Farme de Amoedo) - Praia de Ipanema

Ato em Repúdio à Violência na Av. Paulista – São Paulo Domingo – 21 de novembro – concentração às 15h00
Av. Paulista, nº 1578 - Bela Vista (em frente o vão livre do Masp)

Protesto Contra o Chanceler e Reverendo – São Paulo Quarta-Feira – 24 de novembro – concentração às 16h30 – manifestação às 18 horas
Rua da Consolação, 930 - Cerqueira César

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Homofobia: Gays Vivendo Num Estado de Guerra

Sofri muito com a homofobia na escola, era xingado de “bicha”, “viadinho”, “Marcos bicha”, “travecão”, entre outros. Na verdade, desde os meus 10, 12 anos, tinha certeza da minha sexualidade e era afeminado, não sei se foi devido ao ser o filho mais novo e com saúde fragilizada, eu era o “não me toque, não me rele” da mamãe e até hoje sinto que minha mãe tem uma leve tendência em me poupar. Desde muito pequeno lidei com o bullying, muitas das vezes promovidos por aqueles que esperava amor, pelos meus parentes.

Certa vez, estava brincando na rua e os meus colegas e eles começaram a me chamar de "bicha", entrei chorando pra casa e minha mãe saiu, foi comigo na rua e perguntou quem estava mexendo comigo, ninguém respondeu, depois a minha mãe disse: vocês não gostam de brincar com o Marcos? Porque ficam fazendo isso com ele? Se vocês continuarem a ofende-ló, ele não vai mais brincar com vocês. Os meninos pediram desculpas e continuei brincando com eles naquele dia.

Na escola, a situação era critica, quase que diariamente eu voltava pra casa chorando. Minha irmã mais velha sempre intervinha quando via as provocações, mas nem sempre ela estava presente. Minha mãe, cansada de tudo isso, me disse: da próxima vez que você voltar chorando, irá apanhar. E como prometido, aconteceu. Depois da surra ela me disse: isso é para você aprender a resolver os seus problemas na escola. Acredito que muitos pedagogos irão se retorcer ao ler esse depoimento, mas essa lição dada por minha mãe, mudou a minha vida.

Na mesma semana, ainda enfezado por ter apanhado da minha mãe e de também apanhar na escola, um dos babacas que sempre mexia comigo me chamou de bicha, eu fui em direção dele e perguntei: Quem é bicha? Ele respondeu: Você. Não pensei duas vezes e sem saber dar porrada, dei porrada. Em segundos um grande circulo se formou ao redor da briga e sai de lá com título de herói. Continuaram mexendo comigo, essa não foi a primeira briga, mas depois disso conquistei respeito e nunca mais foi o “Marcos Viadinho”.

Não estou incentivando a violência, mas sou a favor da legitima defesa. Se um homofóbico vem pra cima de, com sede de matar e tirar sangue, temos que ir pra cima, temos que nos defender. Se não sabe brigar, meta a unha, arranque os cabelos, chuta as canelas, mira no joelho sem dó, mas gays desse Brasil varonil, não apanhem feio de homofóbicos na rua. Pensem o seguinte: Se você for atacado, estará "fudido" mesmo e não tem muito a perder, então vá pra cima, arranque sangue, chute o saco e mostre que “bicha não é bagunça”.

Vendo as cenas que foram ao ar hoje pelo SBT, das câmeras de seguranças de flagraram o momento que os delinquentes atacaram um gay na Av. Paulista, fiquei indignado. O rapaz que foi atacado estava com dois amigos e os dois ficaram assistindo a briga. A homofobia é uma guerra, estamos em guerra e temos que lutar juntos, se vermos um gay apanhando na rua, vamos todos pra cima, vamos apanhar e bater juntos, se eles pegaram uma lâmpada, a gente pega um pedaço de pau, mas vamos nos defender, nãos vamos deixar os nossos iguais apanhando de graça, pelo simples fato de serem homossexuais e estar exercendo o direito de ir e vir, garantido em nossa constituição federal.


Já o caso do Rio de Janeiro, é diferente. O marginal, que jurou amor e proteção a pátria, estava armado. Não podemos sentir que temos peito de ferro e partir pra cima de todos os nossos ofensores, mas temos que nos defender. Em situações extremas, a primeira atitude do ser humano é proteger a sua integridade física, não podemos ficar passivos em meio a tanta violência. Fico feliz em saber que o sargento-marginal Ivanildo Ulisses Gervásio, de 37 anos, autor do disparo no abdômen do jovem após a Parada Gay do Rio de Janeiro está preso e pode pegar 20 anos de prisão por tentativa de homicídio duplamente qualificado. Espero que as apurações dos casos do Rio de Janeiro e São Paulo sejam severas e tratadas com rigor, pois gay não é bagunça e paga impostos.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Homofobia no Twitter

Motivados pelos casos de homofobia em São Paulo e no Rio de janeiro, os usuários do Twitter colocaram na primeira posição dos TTs (Trending Topics) a tag #homofobiaNao. O twitter funciona como um termômetro social, as tags são interpretadas como clamores e anseios sociais e ter um “Não a Homofobia” entre os assuntos mais comentados dessa importante rede social é uma grande vitória para o movimento LGBT e para todos aqueles que primam por uma sociedade mais justa e igualitária para todos.

Como os homofóbicos não estão somente nas ruas, nos agredindo e atirando em nos, houve uma ofensiva e a tag #homofobiasim foi criada, até o momento sem forças para entrar nas 10 posições dos TTs e ganhar visibilidade. O fato de pessoas exporem a sua homofobia, numa rede social tão importante como o Twitter, é assustador. Pesquisando sobre a tag, encontrei algo mais estarrecedor, o Twitter @HomofobiaSim, que em menos de uma hora de criação, estava com mais de 15 mil seguidores, mais que o triplo de seguidores do twitter @HomofobiaNao.

Como pano de fundo desse cenário, temos a Universidade Mackenzie, que declarou a sua homofobia diante da sociedade, mas no seu processo de seleção aceita gays na instituição e o Pink Money proveniente dos mesmo. Também temos o exército Brasileiro, que covardemente baleou um gay após a realização da Parada Gay do Rio de Janeiro, que clamava por Não Homofobia. E em São Paulo, temos o ato repugnante na Av. Paulista, onde 5 marginais de classe média alta fizeram vários ataques contra gays.

A necessidade de se aprovar uma lei que criminaliza a homofobia nunca se fez tão necessária. A importância da participação de todos na manifestação que ocorrerá em frente a Universidade Mackenzie é de extrema importância. Vamos nos unir nesse momento, mostrar a uniformidade do Movimento LGBT e de todas as pessoas que apoiam a causa gay e sente nojo da homofobia que brota de nossa sociedade. É importante denunciarmos o perfil @HomofobiaSim e todos os usuários que fizeram uso da tag #HomofobiaSim para o site SaferNet Brasil, as denúncias recebidas pelo site são reportadas ao Ministério Público Federal.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Caem as Máscaras dos Homofóbicos da Av. Paulista

Nenhum individuo nasce homofobico, as crianças são livres de preconceitos e atitudes extremas são frutos de convivência social e fatores familiares que despertam as pessoas para ódio. Certa vez a minha sobrinha me perguntou se o meu namorado (hoje ex) era o meu marido. Disse que não, mas que namorava com ele e o amava, da mesma forma que os seus pais se amam. Ela passou a ser referir muito a ele como tio e isso prova que os ambientes familiares, abertos para a tolerância, influência muito uma criança e define o adulto que ela se tornará.

A mãe de um dos adolescentes envolvidos na agressão homofobica ocorrida na Av. Paulista declarou que nunca incentivou o seu filho a ter ódio de homossexuais. Os pais declararam que seus filhos não praticam artes marciais e que são jovens "normais", que saem para se divertir a noite e que a briga foi obra do acaso. Eliezer Domingues Lima, pai do marginal Jonathan Lauton Domingues (sim, posso chamar uma pessoa que responde aos crimes de agressão corporal, formação de quadrilha e roubo, de marginal), foi além e disse que não podem tratar o seu filho como um criminoso. Os valores sociais estão se invertendo, para o Sr. Eliezer Domingues Lima, espancar pessoas na rua, roubar e liderar uma quadrilha, não é crime.

À esquerda, Massetti, pai do menor infrator e homofóbico
O pai de um dos envolvidos, é um mafioso italiano, foragido no Brasil e que adotou a identidade de Carlos Massetti, mas o seu nome verdadeiro é Leonardo Badalamenti. Carlos Massetti foi preso pela Interpol no dia 23 de maio do ano passado, no bairro da Bela Vista, em São Paulo, onde mora com o filho infrator, que faz jus ao provérbio de que “filho de peixe, peixinho é”. Carlos Massatti usa este nome desde que veio morar no Brasil, há 16 anos. Era casado com Soraia Costa, mãe de G.M, que deu um depoimento dizendo que a agressão do filho foi “uma coisa infantil”. O infrator G.M. é neto de Gaetano Badalamenti, conhecido como o poderoso Dom Tano, do clã Cosa Nostra, na Sicília. Badalamenti morreu em 2004, aos 81 anos, numa prisão dos Estados Unidos, onde cumpria pena de 15 anos por assassinatos e tráfico de drogas.

O criminoso italiano conseguiu um habeas corpus do Supremo Tribunal Federal (STF). Em 12 de agosto deste ano, obteve o julgamento final, com o arquivamento do processo. “Não se revela processualmente viável, na via estreita do processo de “habeas corpus”, a discussão em torno da identidade do paciente em questão, que sustenta não ser ele o súdito estrangeiro que poderia vir a ser reclamado, pela República Italiana, ao Governo do Brasil [...] Arquivem-se os presentes autos”, disse o processo.

O governo italiano não formalizou o pedido de extradição com os documentos probatórios da culpa do acusado. De acordo com a acusação da Interpol, Massetti participava de um grupo que colocava títulos falsos no mercado e a meta era embolsar U$ 1,0 bilhão. Na época, Massetti alegou ser “preso político e vítima de um clamoroso erro judiciário”. Na época, segundo o diretor da Interpol no Brasil, delegado federal Jorge Pontes, Carlos Massetti representa um caso típico de lavagem de identidade. “Assim como os criminosos nazistas, ele criou uma nova identidade e, assim, um dos mais notórios mafiosos vivia tranquilo no Brasil”, disse.

O agressor Jonathan Lauton Rodrigues,
de 19 anos, é instrutor de Jiu-Jítsu
O agressor Jonathan Lauton Rodrigues, de 19 anos, é instrutor de Jiu-Jítsu na modalidade MMA, na academia Ryan Gracie Tean, da Vila Mariana. A academia retirou o site deles na segunda, a noite, onde haviam 3 fotos desse de Jonathan. No google imagens, é possível ver uma foto do criminoso, ele é o primeiro da esquerda. É importante ressaltar que as ideologias das artes marciais não prega ódio e violência. Quando adolescente, pratiquei Jiu Jitsu e nunca foi motivado a violência, o meu instrutor sempre ressaltou que a nossa arte não deveria ser usada para a disseminação do ódio.

No seu perfil do Orkut, o filho do mafioso dizia: "Se você não encontrar algo pelo qual vale a pena viver, encontre algo pelo qual valha à pena morrer”. No perfil, uma foto com um cigarro na boca, que faz lembrar o charuto usado pelos mafiosos. Além disso, havia comunidades como “treta de amigo meu é treta minha tbem” (sic), “quem fecha chega junto sempre”. Os outros menores infratores são V.L.C, morador do bairro Vila Mariana, G.P.P., morador do Itaim Bibi, e J.G.B.B. Os perfis já foram retiradas da internet.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Onda Crescente de Homofobia

Na última quinta-feira (11), o Chanceler e Reverendo da Universidade Presbiteriana Mackenzie, uma das maiores e mais influentes Universidades do Brasil, Dr. Augustus Nicodemus Gomes Lopes publicou uma carta onde ele, em nome da Universidade se posicionava contra a aprovação da Lei da Homofobia, citando passagens bíblicas e alegando que a cultura brasileira está cada vez mais distante das referências de certo e errado.

Da mesma forma que o Chancelar e Reverendo da Universidade Presbiteriana Mackenzie, sentiu-se no direito de se manifestar, membros da sociedade civil também se manifestarão contra o ato homofobico, fundamentalista e heterenormativo do Dr. Augustus Nicodemos Gomes Lopes. No dia 24/11, quarta-feira, militantes LGBTs, alunos da Universidade Mackenzie e a sociedade civil se manifestará contra o ato da instituição Mackenzie, que compactua com a ilegalidade promovida pelo Estado Brasileiro.

Enquanto isso, no Rio de Janeiro, após a Parada Gay, um jovem foi baleado no Arpoador, a polícia acredita que o tiro foi disparado por um militar. A agressão teria sido motivada por homofobia - justamente o tema principal de combate da 15° Parada Gay do Rio. Na manhã da próxima quinta-feira (18), o oficial do Exército responsável pelo patrulhamento na área foi intimado a depor na delegacia do Leblon (14°DP) sobre o caso.  O jovem foi internado e recebeu alta do hospital na segunda-feira (15).

Jonathan Lauton Domingues, o agressor.
 Em São Paulo, os quatro menores que estavam detidos na Fundação Casa, foram liberados, o juiz não acredita que a série de agressões promovida pelos jovens na Av. Paulista tenha a motivação de homofobia. Jonathan Lauton Domingues, amigo dos quatro menores e que também participou do ato homofobico, também foi liberado e deverá responder em liberdade aos crimes de formação de quadrilha, agressão corporal gravíssima e roubo. A mãe de um dos menores, que pediu punição para o filho, disse após a liberação que o assunto está encerrado.

Eliezer Domingues Lima, pai de Jonathan Lauton Domingues, disse que o filho tem pavio curto e que: "É um menino muito bonito e foi assediado por homossexuais. Ele pediu para parar, eles não pararam. Aí, virou briga". A justificativa do pai valida a atitude do filho e contraria o depoimentos das vitimas, que estavam parados num ponto de táxi e foram atacados de forma inusitada. Sou gay e gostaria de perguntar ao Sr. Eliezer Domingues Lima se eu tenho o direito de espancar uma mulher hétero, caso seja paquerado na rua.

Não podemos nos calar diante de tantos atos de homofobia, temos que fazer presença na manifestação contra o ato do Chanceler e Revendo da instituição Mackenzie, que dá legitimidade a todos esses atos de homofobia e temos que protestar contra o ato que ocorreu na Av. Paulista, cobrando das autoridades severidade nas apurações e justiça. Não podemos nos contentar com a margem da sociedade, pagamos impostos como todos os cidadãos e atos como esse, de covardia extrema, tem que ser extinto de uma sociedade “civilizada”.


Serviço:

Manifestação contra a Universidade Presbiteriana Mackenzie
Dia 24/11/2010 - Quarta Feira - Concentração às 16h30
Manifestação às 18h00

domingo, 14 de novembro de 2010

A Necessidade de Criminalizar a Homofobia no Brasil

No mesmo dia em que milhares de pessoas lotaram a praia de Copacabana, pedindo por tolerância quanto a sexualidade e a aprovação do PLC 122/06, projeto de lei que visa criminalizar a homofobia em todo o território nacional, em São Paulo, no palco da maior parada Gay do Mundo, o cenário foi de homofobia, o que valida a pressão do Movimento Homossexual Brasileiro quanto a aprovação da criminalização da homofobia.

Setores fundamentalista do Brasil fazem oposição a lei, gerando um desconforto generalizado a camadas da sociedade que não tem opinião formada quanto ao projeto e não sabem analisar qual o impacto que teremos no Brasil com a aprovação do mesmo. O PLC 122 dará respaldo jurídico para que crimes com motivação de ódio contra homossexuais sejam corretamente julgados.

Um juiz pode julgar uma agressão a um homossexual, motivado por conta da orientação sexual, levando em consideração a agressão física, mas o crime é muito mais sério e tem que ser levado em consideração a intolerância, a falta de aceitação do diferente e o ódio quanto a orientação sexual que não condiz com uma sociedade heteronormativa. É errado pensar que a aprovação da PLC 122 tirará a liberdade de expressão, o projeto de lei visa o combate ao ódio, a desarticulação de grupos de intolerância que prega o Nazismo e o resgata da dignidade do cidadão homossexual.

Apesar dos advogados dos acusados tentarem tirar o foco da imprensa que o crime foi motivado por homofobia, tal fato é inquestionável. Os jovens que foram espancados na paulista são gays e a mãe de um dos acusados defende que o seu filho seja punido e declara que nunca incentivou o seu filho a ser contra homossexuais. As vítimas afirmam que foram chamadas de bicha, maricas, o que caracteriza a homofobia.

Dos cinco agressores, apenas Jonathan Lauton Domingues, de 19 anos, é maior de idade e será indiciado por formação de quadrilha e lesão corporal. Além da agressão aos homossexuais na Av. Paulista, os jovens também assaltaram um lavador de carros na altura  do número 2.500 da Avenida Brigadeiro Luís Antônio, o grupo também o agrediu e levaram carteira, documentos e R$ 100.

É inadmissível que um ato de violência extrema, com motivação de ódio, seja resumido em lesão corporal, o caso é muito mais complexo e merece a atenção e sensibilização dos nossos parlamentares. Nessas eleição, a comunidade gay perdeu espaço por conta do apoio que a presidente eleita recebeu de alas conversadoras. Dilma se comprometeu em vetar qualquer projeto que afronte a família e gere qualquer mal estar para a igreja.

sábado, 13 de novembro de 2010

O Retorno de Saturno

Conversando com uma amiga sobre cinema, existência e pecuária, descobri que o “retorno de saturno” está acontecendo na minha vida. Como assim? Eu nem soube que ele tinha ido embora e agora sei que ele está voltando. Quem é Saturno? E quem ele pensa que é para voltar na hora que quer, sem avisar e zonear toda a minha vida? Na boa, estou puto com Saturno e se ele aparecer nesse exato momento na minha frente, vai ouvir umas boas.

Mais tarde, descobri que Saturno não retorna uma vez só, como se não bastasse uma vez ser ser convidado, ele ainda vem três vezes durante a nossa existência. De boa, não estou pronto pra isso e escrevo essa carta-despedida, para avisar que estou indo embora com Saturno. Já que ele veio, sem muitas cerimonias, não quero nem saber,vou embora com ele, seja lá para onde ele estiver indo.

Nunca ninguém me avisou de Saturno e as sacanagens que tal fase da nossa vida pode nos acarretar. Me pergunto: o que as nossas crianças estão aprendendo nas escolas? Temos que ter matérias intensivas em Saturno, bem como táticas de defesa, noções de guerrilha e moda e decoração, para realçar a nossa auto-estima em momentos críticos de depressão. Vou escrever uma carta ao MEC, para elaborar programas educacionais voltados para esse segmento, bem como grupos de apoio com aprendizado no formato de imersão, para aqueles que querem se aprofundar na questão.

Me perguntaram o que é “Retorno de Saturno”, procurei explicar de uma forma simples e abrangente. Todo mundo sabe o que é inferno astral, o “Retorno de Saturno” é uma edição revista, atualizada e bem ampliada do inferno astral, para quem não sabe o que é inferno astral, eu vou ser ainda mais claro: o “Retorno de Saturno” é como estar de “chico”, só que sem absorvente, mulher sabe muito bem o que é isso, agora imagina esse “chico” por um ano inteiro, ininterruptos, em alguns casos, o “chico” dura até dois anos.

Procurando pela internet, não achei nenhum “Saturnos Anônimos”. Como assim? Uma questão tão complexa como essa, não tem um grupos anônimos para tratar a questão. Recentemente o Cesar Polvilho declarou no programa do Jô que ele frequenta o “Silvio Santos Anônimos”, grupo destinados para imitadores do Silvio Santos que não conseguem parar de imita-ló, gerando situações constrangedoras e também informou que o próprio Silvio Santo participa do grupo. Se até o "Silvio Santos Anônimos" existe, uma questão tão importante, como os "Saturnos Anônimos", não pode ser negligenciada dessa maneira.

O “Retorno de Saturno” sempre acontece por volta dos 28-30 anos. Estão acontecendo muitos fatos na minha vida que me impulsiona a tomar decisões mais responsáveis, que de fato me mudaram por completo. Estava tão bom ser adolescente, sair pra beber e chegar tarde, mas Saturno não gosta disso e parece que vou ter que tomar as rédeas de minha vida, resgatar a minha alma, seja lá para quem ela foi vendida, estava bêbado na ocasião. Que venha a responsabilidade e que Saturno me deixe em paz, por mais 29 anos.

 

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Contracorriente Emociona na Abertura do Festival Mix Brasil de Cinema

Ontem fui na abertura do 18º Festival Mix Brasil de Cinema. O evento foi um sucesso, a sala do CineSesc Augusta ficou pequena para comportar a quantidade de pessoas que estavam prestigiando o evento. Na abertura, foi apresentado o filme “Contracorriente”, do peruano Javier Fuentes León, que estava presente na exibição. Foi o primeiro filme peruano que assisti e confesso que fiquei tocado com a qualidade da fotografia, que ressaltou a beleza da costa peruana e a qualidade do cinema daquele país.

Contracorriente é o primeiro longa de Javier Fuentes León, que estreará no Brasil no ano que vem com distribuição da produtora Festival Filmes. Recomendei o filme para uma amiga, que ficou empolgadíssima, mas depois, conferindo a programação do festival, notei que o filme só foi exibido na ocasião da abertura, uma pena. Por diversas vezes o público aplaudiu o filme, confirmando a escolha assertiva da produção do Festival em abrir o evento com o filme peruano.

O filme conta a história de Miguel (Cristian Mercado), um homem respeitado na vila de pescadores onde vive com a sua esposa Mariela (Tatiana Astengo), que está grávida do primeiro filho do casal. Embora viva bem com a sua esposa, Miguel tem um caso extraconjugal com o artista forasteiro, Santiago (Manolo Cardona), chamado pelas costas pelo povo do vilarejo de “Príncipe Encantado”. Quando a história ganha um rumo sobrenatural, Mariela começa a questionar Miguel, que eventualmente terá que decidir se é homem o suficiente para assumir a sua sexualidade.

Mais do que uma história de uma de amor entre dois homens em meio ao preconceito velado de uma sociedade conversadora e religiosa, contracorriente é um filme que fala de superação e humanidade. Todos os gays que vivem em sociedades ou famílias conservadoras, já viveram um pouco de contracorriente, já se sentiram presos numa sociedade preconceituosa, que não enxergam nada além dos costumes aprendidos e repetidos ao longo dos anos.

Ser “viado” (como diz no filme) é coisa pra homem. Assumir a sua sexualidade e enfrentar a tudo e a todos não é para qualquer um. Existem muitos casos de héteros mal casados, que são infelizes e por sua vez fazem de suas famílias infelizes, por não terem sidos machos o bastante para assumirem que são gays. Vencer o seu próprio preconceito não é para qualquer um, se deitar com outro homem não é assumir um lado feminino, mas é ressaltar a masculinidade que muitos machos que pagam de homofobicos para amigos tentam esconder. Contracorriente é um pedido de libertação para a dignidade humana e sexualidade plena.