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segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Presente de um Poeta

Meu primeiro contato com Pablo Neruda foi nas aulas de espanhol, minha professora chilena tinha orgulho de falar do seu compatriota e dar-lhe o titulo de melhor poeta contamporaneo. Foram inumeras aulas que a minha professora levara um poema em espanhol do Pablo Neruda e recitava e depois dava paraos alunos também recitarem.

Anos se passaram e o livro “Presente de um Poeta” foi lançado, um verdadeiro presente, onde se encontra os mais lindos poemas de amor de Pablo Neruda, acompanhado de gravuras, num livro em capa dura. Comprei esse livro em 2001 e até hoje é o meu predileto.

Quando estou me relacionando, gosto de compartilhar o melhor de mim e por iniciativa propria, emprestei esse livro ao meu ex-namorado, depois, por diversas vezes recitei o poema:

Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Escrever, por exemplo: "A noite está estrelada,
e tiritam, azuis, os astros lá ao longe".
O vento da noite gira no céu e canta.

Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Eu amei-a e por vezes ela também me amou.
Em noites como esta tive-a em meus braços.
Beijei-a tantas vezes sob o céu infinito.

Ela amou-me, por vezes eu também a amava.
Como não ter amado os seus grandes olhos fixos.
Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Pensar que não a tenho. Sentir que já a perdi.

Ouvir a noite imensa, mais imensa sem ela.
E o verso cai na alma como no pasto o orvalho.
Importa lá que o meu amor não pudesse guardá-la.
A noite está estrelada e ela não está comigo.

Isso é tudo. Ao longe alguém canta. Ao longe.
A minha alma não se contenta com havê-la perdido.
Como para chegá-la a mim o meu olhar procura-a.
O meu coração procura-a, ela não está comigo.

A mesma noite que faz branquejar as mesmas árvores.
Nós dois, os de então, já não somos os mesmos.
Já não a amo, é verdade, mas tanto que a amei.
Esta voz buscava o vento para tocar-lhe o ouvido.

De outro. Será de outro. Como antes dos meus beijos.
A voz, o corpo claro. Os seus olhos infinitos.
Já não a amo, é verdade, mas talvez a ame ainda.
É tão curto o amor, tão longo o esquecimento.

Porque em noites como esta tive-a em meus braços,
a minha alma não se contenta por havê-la perdido.
Embora seja a última dor que ela me causa,
e estes sejam os últimos versos que lhe escrevo.

A primeira reação do meu ex foi ressaltar a tristeza contida nesses versos, tristeza que para nos, naquele momento não existia, pois tinhamos um ao outro. Naquele momento, esses versos não faziam o menor sentido, hoje eles são tão vivos. Já não o amo, é verdade, mas talvez o ame ainda. É tão curto o amor, tão longo o esquecimento.

6 comentários:

Solyni disse...

"Já não a amo, é verdade, mas talvez a ame ainda.
É tão curto o amor, tão longo o esquecimento. "
Foi estranho chegar ao final da postagem e encontrar o trexo que eu havia copiado para iniciar meu cometário.
A dor nos eleva, obriga a evoluir e o esquecimento é lento.
Mas quanto mais caminhar, mais verá isso passar, e seus olhos se abrirão mais infinitamente!
Tenha um ótima semana, e nunca deixe sua esperança ir-se!Tudo melhora.
Beijos

Hugo de Oliveira disse...

Bom saber dessa relação com o Neruda.

Te desejo um ótimo domingo.

abraços

Rodrigo disse...

Achei que tinha desaparecido, rsrsrs
Bom te rever Marcos
Beijos...

Marcelo Complexo disse...

Encontrei seu blog de uma forma muito diferente, eu procurava um par de alianças de compromisso para trocar com meu namorado e vi uma resposta que vc havia dado a uma pergunta feita no yahoo e então vim aqui ver quem era e de cara vi um poema do Neruda... Quero te desejar muita sorte, muita felicidade. Quanto ao poema, este é sem palavras, não tem muito o que se dizer dos poemas de Pablo Neruda a não ser "perfeito". Tenha uma ótima semana. ahh pretendo ler todo seu blog. Um forte abraço.

FOXX disse...

ah
gosto do Neruda romantico!

Edson Cacimiro disse...

Minha relação com Neruda foi de amor a primeira vista. Amo.
abç.