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quinta-feira, 26 de maio de 2011

Dilma, não Brinque com o Movimento Gay - Por Marcos Freitas

Muitos são os motivos para repudiar com veemência a nossa presidente Dilma Rousseff. Minhas posições partidárias não é segredo para ninguém, sempre sou autentico em meus posicionamentos e não escondo minhas ideologias, até porque sirvo elas com muito orgulho.

Sou tucano, de direita, centro-esquerda, centro, centro-direita ou seja lá como for os que se opõe as minhas ideologias queiram me chamar ou colocar, mas hoje me dispo por completo das minhas ideologias e busco dentro de mim o menino que ficou perdido nos anos 90, para escrever aqui um breve relato:

Meu nome é Marcos Freitas, tenho 30 anos e nasci em Santo André, região metropolitana de São Paulo. Sempre estudei em escola pública e sou testemunha do ódio homofobico que impera nessas escolas. Por diversas vezes voltei para casa chorando, dizendo para minha mãe que mais uma vez havia sido agredido de forma física e verbal num ambiente que deveria me acolher, me integrar.

Nas aulas de educação física, não era diferente. Na divisão dos times, pois meninos só jogavam futebol, eu sempre era o goleiro, pois não era bom de bola. No final da aula, praticava cooper, pois voltava para casa correndo, senão os outros meninos me batiam, as vezes eles me alcançavam. Para sair desse inferno, que logo nos primeiros anos de minha vida foi submetido, me matriculei num curso de natação e pedi dispensa da educação física na escola.

Sem a educação física, parte dos meus problemas foram resolvidos, pois ainda eu tinha que passar pelo intervalo, onde não era agredido apenas pelos alunos da minha classe, mas sim por toda a escola. Cresci rodeado de homofobia, fato que me transformou militante do movimento LGBT.

Quem sofreu homofobia, tem um desejo insaciável de que tal crueldade não seja repetida jamais e mesmo hoje, não sendo mais vitima dessa homofobia praticada nas escolas, eu continuo lutando para que haja um fim, pois eu sei que em alguma escola desse país existe um Marcos Freitas, que está apanhando e sendo segregado pelo simples fato de ser diferente.

Tive uma infância típica de moleque, vivi muito nas ruas de Santo André, andando de bicicleta, brincando com bolinhas de gude e outras brincadeiras de criança, nas ruas também sofri homofobia. Minha infância não foi fácil, minha vida está sendo fácil. Sou diferente do padrão heteronormativo, gosto de homens, sinto tesão por eles e minha motivações afetivas são por pessoas do mesmo sexo.

Apesar de ter dito uma vida sofrida, eu ainda tive sorte, não fui o Alexandre Ivo, que teve a sua vida ceifada pela homofobia e nem o Tyler Clementi, que não suportou a homofobia que sofreu e tirou a sua própria vida, eu sobrevivi.

Quando paro para analisar as ações pautadas por nossa presidente, eu entro em choque. Meu Deus, essa mulher também é brasileira, viveu na mesma época que eu, teve amigos, familiares e conhecidos homossexuais e sabe muito bem do que eu estou falando. Essa mulher é presidente e tem o mínimo de cultura possível para entender o que eu estou falando, para saber como dói sofrer homofobia e como dói ser colocado na invisibilidade para o Estado.

Dilma, não votei em você, mas sei que você não estas me castigando por isso, pois muitos gays desse país votou e as politicas públicas inclusivas para eles, servem para mim também. Dilma, não peço que honre os votos dos gays, pois não sei como isso funciona na matemática da sua cabeça, apenas peço que honre os princípios fundamentais da nossa constituição, apenas peço que todos sejam iguais de fato perante a lei.

Dói, machuca, nos mata aos poucos saber que do Oiapoque ao Chuí existem meninos e meninas sofrendo pela simples fato de serem diferentes, são crianças aprisionadas num modelo heteronormativo que mata tudo aquilo que vai na contramão do que eles julgam ser “normal”.

Não queremos uma classe privilegiada, onde gays tem super poderes e estão acima de outros cidadãos, o que nos queremos são políticas reparadoras. Queremos nos sentir brasileiros também, com todos os direitos garantidos e para isso queremos as nossas crianças educadas para a diversidade. Queremos que o “Brasil sem Homofobia” seja um braço salvador para essas crianças que hoje gritam, choram e morrem, braço salvador que infelizmente eu não tive.



Também quer desabafar sobre a homofobia escolar? Mande o relato por e-mail, que publico no blog.

2 comentários:

Arney Barcelos disse...

ELa também é homossexual Marcos! As mais intimas dela sabem disso! Só que em politica isso é um peso contrario muito forte!! No Senado e na Camara tem dezenas de homossexuais inrrustidos. A Ideli Salvatti ja teve um caso com a Dilma,... O problema dela é o mesmo de todos nós!

megabelusca disse...

Marcos, está expresso em su palavras o que muitos passam e sofrem, com certeza a nossa presidenta sofreu também em escolas que ela passou, exemplo do questionamento da sua sexualidade na última campanha, então afirmo que foi fraca nesse momento, sabendo que poderia ter o apoio de toda uma população.