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quarta-feira, 1 de junho de 2011

Ser gay custa caro, muito caro...

Por Wagner Nunes

Vivemos em uma sociedade capitalista e extremamente consumista, queremos cada vez mais dinheiro e cada dia que passa temos a sensação de estarmos mais pobres. A sociedade é uma fábrica de desejos…
Onde aquela roupa de marca, aquele carro do ano ou o lançamento da Apple mobilizam as pessoas, que fazem de tudo para ter os objetos que tanto desejam.

Desejo estes que não sei nem quero explicar o motivo, pode tratar-se de aceitação social, apenas uma realização pessoal ou que seja futilidade. Não importa, o fato é que gastamos muito mais do que seria necessário.

E se engana quem pensa que estou falando somente da Classe média alta, pois se começarmos a pensar em pessoas de Classe social “diferenciada” vamos todos entender que este louco desejo por coisas aparentemente desnecessárias não é privilegio apenas de um grupo de pessoas, mas sim de todos, mesmo aqueles que não têm nenhum poder aquisitivo significante para movimentar o comércio tem desejos por tais objetos, se você não acredita basta perguntar a qualquer pessoa qual seria sua primeira compra se a caso viesse a ganhar na loteria, e tirar suas próprias conclusões.

Mas vamos falar do que diz no titulo, sobre a “segunda classe”. Eu sei que o titulo fala de gays, afinal foi eu quem intitulou o texto, mas não consigo nem preciso fazer valer minha imparcialidade e deixar de lado meus sentimentos em relação ao governo, pois me sinto exatamente assim “cidadão de segunda classe” mesmo fazendo parte de uma das comunidades que mais movimentam o mercado. Exemplos disso são os grandes eventos como a Parada Gay, o São Paulo Fashion Week e até mesmo o dia dos namorados e isso somente em São Paulo, além disso, o “mercado Gay” movimenta muita grana no Brasil inteiro.

Gays têm por natureza a preferencia por produtos e serviços de excelente qualidade, Grifes e artigos de luxo, marcas exclusivas e acima de tudo que seja sempre o mais caro, no meu ponto de vista é uma questão de status, mas nem sempre é somente pelo prazer de comprar, pela realização pessoal, mas sim para ser usado como escudo de defesa, para proteger-se da sociedade hipócrita e preconceituosa, digo isso baseado no que vejo no meu dia a dia, entre amigos e pessoas do meu convívio. Um belo exemplo que consegue descrever melhor o que quero dizer é o que ocorreu com uma amiga transexual.

Minha amiga como a grande maioria das transexuais caminhou para a prostituição, devido ao preconceito sofrido na escola que esta diretamente ligada a esta escolha, pois sem formação não se tem oportunidade de trabalho e sendo travesti, o preconceito fala sempre mais alto, mas o caso é que minha amiga se mudou para Itália em busca de uma vida mais confortável no futuro, e foi vitoriosa neste sentido, pois não se deixou levar pelos males da prostituição, (Alcoolismo, crimes, drogas etc…) Quando retornou ao Brasil, comprou um belo carro, excelente modelo e após alguns anos de uso (dois anos para ser preciso) decidiu que precisava ser trocado… E trocou por um modelo que custou mais que o dobro do valor de seu antigo veiculo, eu a questionei sobre a necessidade de uma troca, já que seu antigo automóvel era ótimo e estava totalmente quitado. Ela me disse que por ser transexual sofre o preconceito dobrado, pois ao sair na rua é vista pela sociedade como um habitante de outro planeta, e que possuir objetos de valor foi a forma que encontrou para ser aceita e recebida de maneira menos preconceituosa nos estabelecimentos comerciais, pois como eu disse anteriormente a sociedade é hipócrita e não age de acordo com as idéias que demonstra ter. De fato isso e a mais pura verdade, porem existem gays de todas as classes sociais.

Recentemente, a nossa presidente Dilma Rousseff afirmou que o governo não vai “fazer propaganda de opções sexuais” (ao justificar sua decisão sobre o projeto “Escola sem Homofobia”). Mesmo sabendo que é provável que o Novo kit seja produzido ainda este ano eu não consegui engolir esta declaração. O que para alguns é um gracejo, um dito espirituoso e/ou inofensivo, pode ser entendido por muitos outros como ofensa, chacota e desrespeito… Gostaria que algumas pessoas soubessem disso.

Não posso esperar muito de alguém que se esquece que o próprio país é oficialmente neutro em relação às questões religiosas , e não poderia apoiar nenhuma religião. Agora eu me pergunto, Propaganda?

Propaganda é um modo específico de apresentar informação sobre um produto, marca, empresa ou política que visa influenciar a atitude de uma audiência para uma causa, posição ou atuação. Será que nos queremos transformar os heterossexuais em futuros gays?

Se defender a igualdade das pessoas de orientação sexual diferente pode tornar alguém homossexual suponho que a princesa Isabel tenha morrido Negra! Já dizia o ditado: De médico e louco, todo mundo tem um pouco!

Então vou fazer uso da minha loucura e ir a fundo neste assunto. A Constituição Federal determina que a publicidade dos atos, programas, obras, serviços e campanhas dos órgãos públicos é lícita quando tiver caráter educativo, informativo ou orientação social. Será que um Projeto que visa combater o bullying em escolas públicas não seria de caráter educativo?

Não sou advogado, não sou jornalista muito menos psicólogo, nem mesmo sou estudante de tais profissões e posso estar no auge da minha ignorância ao dizer tudo isso, mas seria propaganda eu querer apenas meus direitos como cidadão? O que seria esta tal propaganda?

Julgando pelo que a presidente disse e pelos vídeos que vi, (todo mundo viu, menos a Dilma) posso entender que se eu beijar meu companheiro em local público vou fazer propaganda da homossexualidade, se eu andar de mãos dadas também será propaganda e se a novela mostra a vida como ela é de fato e exibe todas as formas de expressar o amor, será uma propaganda gay?

Afinal se é uma propaganda, qual seria o produto? Qual seria o serviço? Quem estaria se beneficiando como este ato? Eu gostaria de saber, pois se realmente se trata de propaganda eu estou trabalhando voluntariamente para promover algo que não sei exatamente o que é, pois a mim não trás beneficio algum, alias se no Brasil existisse mais gays, quem lucraria com isso seria o governo, afinal, gays gastam mais e pagamos impostos sob absolutamente tudo, ao contrario das igrejas que levam e lavam seu dinheiro fora do país, mas isso é outra historia… E não quero ir mais fundo na minha “loucura”.

Voltando a lucidez… Falo por mim, mas acho que nenhum gay quer fazer essa tal propaganda da homossexualidade, pelo menos não com o intuito de que as pessoas se tornem homossexuais, mesmo porque isso não é possível, queremos somente ser vistos como igual, para que em um futuro próximo o governo nos de os direitos que hoje nos negam.

Quando digo que ser gay custa caro, não estou falando somente do valor em reais, nem todos podem pagar para serem aceitos, nem todos nos temos o mesmo poder de compra para satisfazer a sociedade hipócrita, para alguns o preço que se paga por ser gay, e bem mais alto que qualquer soma em dinheiro, e o mais triste e ver que o logotipo do governo diz: “Brasil, um país de todos” Quem seriam estes “todos”?

Fica a duvida.

6 comentários:

César Silva disse...

Texto muito rico e real!
Parabéns!!!!
Abraços

Pode me chamar assim... disse...

Eu entendo. Infelizmente, a aceitação gay pela sociedade se dá mais pela questão do consumo mesmo. Mas tenho esperanças que num futuro não muito distante a mentalidade social vai mudar e as dos gays que só conseguem enxergar o consumo como forma de aceitação também. Mas, agora faço outra observação: talvez seja apenas um reflexo da relação gay-sociedade como um todo, mas, parece-me que esse cosumismo se torna também interessante na relação social gay-gay. Não é regra - claro. Poderia ficar ilustrando minha pensamento com exemplos, mas acho que não precisa, porque o gay que teve algum contato com o "mundo gay" saberá do que estou falando e poderá usar seus próprios exemplos para reflexão.

Pode me chamar assim... disse...

E quanto à sua loucura, se servir de consolo, também tenho a impressão de estar ficando louco, porque compartilho das suas constatações.

FOXX disse...

o texto está mto bom, mas ele poderia ser facilmente desmebrado em dois, ele começa com falando sobre conseguir respeito demonstrando ter dinheiro comprando coisas caras, mas não se aprofundou no assunto e fez um link com o kit que eu não consegui entender... de verdade.

Anônimo disse...

O artigo é muito realista e verdadeiro. O mais importnte é a conquista da cidadania para todos. É um grande luta, mas que está aos poucos avançando!!!

Anônimo disse...

Concordo com o autor do artigo, e gostaria de alertar para mais um tipo de preconceito muito pouco comentado,,,um preconceito que dói mais que a homofobia da sociedade, o preconceito do gay contra o própio gay, o preconceito contra os gays que não se encaixam no padrão de desejo do mundo gay, e que sofrem com a maldade, o deboche, o sarcasmo de um casal de gays malhados e bonitos que debocham e discriminam um gay "feio" que ousa sonhar em ter alguem, as fofocas e intrigas dentro do meio gay,,uma querendo puxar o tapete da outra. Os gays reproduzem o preconceito da sociedade dentro do nosso própio meio!! isso é triste e preocupante!!