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sábado, 23 de abril de 2011

O Capitalismo do Amor

Descobri que não sei absolutamente nada sobre o amor. Descobri que ninguém sabe o suficiente sobre esse sentimento tão arrebatador e devastador. Amor para mim é entrega, companheirismo, compaixão, amizade… Quando amamos, nossa vida se confunde com outra, nossos compromissos são bilaterais e você se torna a pessoa mais boba, chata e impertinente do Mundo.

Amar é algo muito sério, não é para qualquer um. Brincar de amor, nem pensar, isso é muito perigoso e o final, com certeza será desastroso. Quando amamos, tornamos parcialmente responsável pela vida de outra pessoa, da parte da vida que essa pessoas nos confiou, o seu coração. Somos o guardião “permanente”, até que o “pra sempre” termine, dos sentimentos que tange o campo das relações afetivas desse outro alguém.

Amar é algo estranho. O ser humano é um bicho estranho, talvez o mais estranho entre os outros animais. Dizem que a inteligência nos diferencia dos outros animais, a nossa capacidade de pensar. Mas de fato, somos os únicos que destruímos outros seres da nossa espécie. Não pensamos, não assimilamos antes de destruir outras vidas, ou pior, fazemos tudo de forma premeditada, ferramos a vida de outros por mero capricho. Tudo porque temos a capacidade de pensar ou de nos ausentar dessa condição.

Não sei pelo o que nos apaixonamos… Muitas das vezes o objeto do nosso amor não existe, nos apaixonamos pelo o que criamos, pelas características que achamos graça e que com o decorrer do tempo começa nos irritar e aquela pessoa, pela qual você um dia jurou passar o resto de sua vida, acaba se tornando insuportável. Muitas das vezes, nos apaixonamos pela pessoas que construímos, por algo que fisicamente não existe.

Somos consumistas ao extremo e ai está o sucesso do capitalismo no Mundo. Temos diferentes motivações para nos levantarmos de manhã e ir a luta, mas tudo se resume ao consumo. Trabalhamos porque temos que ganhar dinheiro e consumir e o amor funciona da mesma forma. Queremos consumir uma pessoa inteligente, um cara com dinheiro, que anda na moda e que nos faz rir. Queremos consumir uma moça bem educada, que fala vários idiomas, que já viajou para vários países, que é sensível, sexy e bem sucedida. O amor se tornou uma moeda de troca e quem tem mais a oferecer, consegue a melhor oferta.

Passamos a vida inteira consumindo, comprando roupas, sapatos, aparelhos eletrônicos e coisas que nunca iremos descobrir uma utilidade prática. Com o tempo cansamos de tudo aquilo, aparece novidades e sentimos a necessidade de trocar, de consumir mais e aquele objeto de desejo, que pagamos com tanto sacrifício, vai parar no eBay, pois ele já foi substituído por outro novo, que será pago no cartão, em 10 vezes.

Começamos olhar as fotos e desacreditamos que um dia tivemos cabelo skatista, que usávamos calça bag e que íamos para escola com tênis conga. Da mesma forma funciona com quem nos relacionamos, olhamos pra trás e desacreditamos que um dia fomos capazes de “usar” aquela pessoa. Na verdade nunca estamos satisfeitos com o que temos e estamos em constantes mudanças e como ninguém é igual a ninguém, com o tempo os objetivos são reavaliados e o laços que uniam aquelas pessoas são desatados.

A maioria dos casais que permanecem juntos, aqueles que vencem a barreira da vida, apenas cumprem as convenções sociais. Alguns são amigos de verdade e de fato uma separação seria impossível, mas muitos, a grande maioria, ficam juntos por outros fatores que não é o amor, as vezes por despeito. Gosto muito da música “Senhora e Senhor” do Titãs, ela expressa bem o que eu quero dizer.
Veja só o que restou, do nosso caso de amor. Uma casa com varanda e um jardim que não dá flor. Uma geladeira cheia de comidas sem sabor, um programa interminável diante do televisor, uma lâmpada queimada no lustre do corredor... O pensamento distante para evitar a dor, o olhar tão desbotado que já não distingue cor, velhas rugas escondidas debaixo do cobertor. Saudades, indiferença, decadência e mau humor. Tratamento respeitável de senhora e senhor.
Passamos boa parte de nossas vidas com uma pessoa e não conseguimos deixa-lá porque nos apegamos ao que ela foi um dia ou a imagem que construímos. Passamos a viver um amor amargurado por conta de um passado feliz e que muitas das vezes nem foi tão feliz assim. Jogamos toda a nossa vida fora por conta de um bom sexo que tivemos um dia ou por conta de bens materiais que foram adquiridos ao longo dos anos. Definitivamente, quando isso acontece, é melhor aderir ao capitalismo do amor, cadastrar o velho no eBay e tentar sentir aquele sentimento de novo, ou vamos viver como “senhora e senhor”.

7 comentários:

Rodrigo disse...

Eu também não sei... mas sou teimoso.
;)

Bia Sousa disse...

ACHO que maioria de nós tem uma mania, um vício: não aceitar o término do ardor da paixão. Quando passa aquela coisa toda, pronto, já perde a graça e passamos a nos perguntar o que estamos fazendo ali com aquela pessoa... E um não consegue falar para o outro do que exatamente sente falta, e não conseguem conversar sobre expectativas "desencantadas". Só achamos que está ruim e pronto. Maturidade no relacionamento inclui isso: a mágica nem sempre resiste porque quanto mais se "embrenha" em alguém, mas se divide a vida real e é sim bem difícil manter o romance com os problemas e dificuldades do cotidiano, especialmente se o casal não sabe o motivo de estar junto... Depois de um tempo passei a me perguntar por que estar com tal pessoa ou outra. Isolei as coisas boas "etéreas" como sexo, como o bom humor do outro, como as possibilidades do que fazer juntos e todas as coisas passageiras. Restou o carinho imenso que tinha pela pessoa, sendo o que me mantinha junto. Eu sentiria falta de tudo, não só do que é bom e sim, eu acho que pessoas que ficam juntas "para um sempre" são dessas que se acostumam com a presença do outro, e não apenas por convenção, mas si porque a pessoa é parte da vida dela. Outro dia estava falando sobre isso e perguntei: "o que resta depois que você conhece a pessoa? Depois do início do relacionamento, quando você já aprendeu sobre as preferências, gosto musical, alguns defeitos, capacidade, enfim, depois de passar o início???" Sobre o que sobra sempre: sobra o ser humano comum que deve ter algum valor para aquele que está com ele e vice-versa. Ruim é quando vivemos na ilusão de que tudo será lindo e forte... Há tempo de maré alta e muitos de maré baixa... Necessário é sempre se perguntar: "o que é importante?"

FOXX disse...

se vc não sabe nada sobre o amor, imagina eu...

Anônimo disse...

o comentário da Bia foi perfeito!

Bruno ribeiro disse...

Marcos por favor saí dessa FOSSA!!!

Marcos Freitas disse...

Bruno,

Fossa? Que Fossa? Pelo contrário, eu estou muito bem.

Hugo de Oliveira disse...

Excelente texto...gostei Marcos.

abraços