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quarta-feira, 21 de outubro de 2009

A Regra da Tapioca

Vitor estava no intervalo da faculdade. Ele tem por hábito comer uma tapioca por semana, regra estabelecida por ele mesmo e que nem sempre é seguida à risca, às vezes ele se descontrola e come duas, mas isso ocorre muito eventualmente. Houve momentos de destemperamento que levaram Vitor comer tapioca diariamente, ele até pensou em procurar ajuda médica, talvez uma psicoterapia para trabalhar melhor essa compulsão por tapioca, mas não foi necessário, ele se reencontrou e voltou a se conter com uma barrinha de cereal ao chegar à faculdade e outra no horário do intervalo, as tapiocas ficaram agendadas para as sextas, mas aquele dia era uma terça.

Tudo indicava ser um indicio de um novo destemperamento, se as tapiocas eram para as sextas, então o porquê ele estava nunca terça-feira, ali parado, esperando por uma tapioca de carne seca com queijo? Existem muitos mistérios que podem esconder-se por detrás de algo que foge do controle, às vezes a vida quer nos aproximar de algo e para isso temos que quebrar algumas regras... Quanto a isso, tudo bem, talves na sexta-feira Vitor se contenha com sua barra de cereal para compensar esse ato desmedido.

Antes mesmo de a tapioca ser entregue, Vitor se depara com um rapaz mediano, olhos profundos e andar firme, os olhares se encontram e ambos os mantiveram firmes, o rapaz passou direito e o coração de Vitor disparou, mas logo ele pensou: Olhar uma vez é só curiosidade. Vitor olha para trás e o seu olhar cruza novamente com o olhar do rapaz mediano, olhos profundos e andar firme, então ele conclui: Olhar uma vez é só curiosidade, olhar duas vezes é interesse.

Ele ainda esperava por sua tapioca, uma espera sem fim: Pelo amor de deus minha filha, no seu lugar eu faria dez tapiocas. Ou pelo menos penso que faria, pois o tempo do coração com condiz com o tempo material... Depois de instantes de minutos de ansiedade pela espera, ou talvez segundos, não sei ao certo, Vitor dirigiu-se para o sentido que foi o rapaz: Caralho, ele já está no fim da rua. Vitor não se abate e começa a correr, mas depois ele pensa: Porque eu estou correndo? Ele se sente como aqueles cachorros que correm atrás de rodas de carros, mas não fazem a mínima idéia do que fazer com aquela roda caso ele consiga alcançar, enfim, assim como os cachorros, ele não racionaliza e continua aquela desenfreada perseguição ao rapaz, com a vantagem de não estar latindo, pois ai seria demais.

O farol fechou para os pedestres, por conta disso Vitor consegue se aproximar do rapaz que percebe que está sendo seguido, mas não tem para onde correr, talvez ele nem queira correr. Vitor o alcança, mas ao contrario dos cachorros que perseguem rodas de carros, ele teve uma atitude e diz: Olá, tudo bem? O rapaz responde: Tudo! Vitor ficou sem assunto, apesar de paulista, ele está cansado de papo de tempo e como ele é gay, não tem por habito falar de futebol, ele até poderia falar sobre política, mas não seria uma boa para o momento, então se recolhe para dentro de si mesmo e faz a pergunta mais pertinente para tal situação: Para onde você vai? O rapaz responde: Para casa e você? O retruque do rapaz animou Vitor, pois o dialogo havia se estabelecido e ele responde: Eu não vou para lugar nenhum, estou apenas atrás de você... Choquei com a sinceridade de Vitor e o rapaz também ficou chocado e se recuou para dobrar-se de rir, apesar da situação inusitada, ambos sentiram uma vontade imensa de se conhecerem e de lá para cá Vitor abriu mão da regra de tapioca às sextas e passou a comer tapioca nos dias que ele tem vontade, afinal, ele não sabe o que a vida lhe reserva.

6 comentários:

FOXX disse...

tão bonitinho
cheio de esperança!

Fabiano (LicoSp) disse...

nada como o acaso...
Maktub!!!

Anônimo disse...

Acheei o texto lindo ^^
Amei, simplesmente.
Gostaria que você postasse mais desse tipo,
O blog tá ótimo
bjo!!

J. M. disse...

Ah, adorei. Realmente, as coisas acontecem nas nossas vidas em momentos que não planejamos. E acabam sendo especiais demais! Que curiosidade para saber o fim ou a continuação dessa história. Abração.

Rodrigo disse...

Pena que é história inventada né? Falar na cara dura que está indo atrás da pessoa, só pode ser fictício.

Lan disse...

gostei pakas da estória!
Parabéns!