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sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Amor: O Signo da Vida

Quando eu era criança, acreditava que o amor era o grande signo da vida e que tudo era possível quando não estamos sozinhos. Sonhava em encontrar alguém para dividir minha vida por inteiro, nunca pensei numa pessoa encantada, nos meus sonhos, a pessoa que estava ao meu lado, dando significado a minha vida, era alguém comum, de fácil alcance dentre as mais de seis bilhões de pessoas que temos no mundo. O tempo passou e eu fiquei a procurar por alguém especial, durante esse tempo todo varias pessoas passaram pela minha vida, porém desempenharam papeis minoritários, julgo que se não houve nada “além”, é porque na verdade eram apenas pessoas com algumas afinidades em comum.

Pior do que não amar e não ser amado é amar e não ser amado. Amar sozinho não está nos planos de ninguém, sempre sonhamos com um amor compassado, no ritmo certo da vida, mas nem sempre é o que encontramos na vida real, fora da plataforma dos sonhos afetivos. Dizem que durante uma vida inteira encontramos em média duas pessoas pela qual seriamos capazes de dar nossa vida por elas, essas estimativas são camufladas por conta do próprio comportamento humano. Estamos vivendo a era da velocidade, onde os jornais são banalizados pelos sites de noticias atualizados em tempo real. Essa velocidade da vida, esse desenrolar dos fatos afeta a nossa forma de nos relacionarmos, muitas das vezes, por conta da velocidade dos acontecimentos na era digital, deixamos passar batido um alguém que mudaria por completo a nossa vida, que dariam os significados que tanto almejamos.

Por alguns momentos, para ser mais exato, por alguns anos, acreditei ter encontrado “a pessoa” que me ajudaria a significar a minha vida e de fato encontrei, mas não para sempre como idealizava, encontrei por apenas seis anos. Foram seis anos sentido o perfume das rosas e o encravar dos espinhos, com a vida sempre fui realista e nunca esperei apenas pelos bons momentos, aliás, acredito que os maus sãos mais freqüentes e necessários que os bons momentos e por isso que julgo ser indispensável uma vida a dois, pois, na dor, o sofrimento é dividido. Hoje, vivencio meus momentos sozinho, confesso que as alegrias encontram-se bem próximas da apatia e as tristezas ficam bem ao lado do desespero. As conquistas não têm o mesmo sabor quando não são compartilhadas, divididas e vivenciadas com outra pessoa.

Semana passada, fui ao casamento de uma amiga. Ela estava deslumbrante, vestido branco, buquê vermelho, daminhas e pajens e festa de arromba. Na cerimônia, cochichei com a minha mãe: “Isso não passa de um teatro, se eles não estiverem dispostos a levar uma vida a dois, todo esse juramento não vale nada”. Acho extremista quando o padre questiona se ambos ficaram um ao lado do outro até que a morte os separe, sabemos que isso não existe e que se não houver a criação e manutenção de mecanismos que levam ambos a alimentarem o prazer de estar junto, esse “pra sempre” não durará muitos anos. Na ocasião do casamento, lembrei-me do matrimonio de uma amiga que foi realizado na mesmo igreja e no qual eu fui um dos padrinhos, além de padrinho, conduzi a noiva até a igreja. Quando cheguei à porta da igreja matriz eu brinquei e perguntei a minha amiga: “Ainda dá tempo de mudar de idéia, se você quiser, arranco com o carro e tiro você daqui”. Minha amiga sorriu e disse que não era necessário, hoje, essa amiga me ligou e disse com uma voz tristonha que teria sido muito melhor se ela tivesse pedido para eu arrancar com o carro e tira-la dali. Fiquei triste com a declaração, fui testemunha dessa união e faço votos que ela dure.

Um dos grandes equívocos que cometemos no que tange os relacionamentos afetivos, é imaginar que o amor é uma ciência exata e tentar desesperadamente resolver a equação “eu = a você”. As pessoas são diferentes, reconhecer essas diferenças e aceita-las é um grande passo no percurso de um relacionamento duradouro. Orgulho, individualismo e falta de dialogo minam qualquer relacionamento, quando estamos com alguém, muitas das vezes temos que ceder, pedir desculpas, dizer que sente muito e que não seria a mesma coisa sem você. Quando somos amados, sentimos, mas às vezes precisamos ouvir com todas as letras um forte e entonado “eu te amo”, ser companheiro e dizer o que sente são ações imprescindíveis para fazer valer todos os dias as juras feitas nos momentos movidos pela paixão.

6 comentários:

Renato Fierce disse...

Eu imagino que cada um deve passar por momentos sozinho e em boa cia, aprender a se amar, a ser feliz sozinho tem o mesmo valor do que apender a amar alguem e ser amado, temos que ter essas duas lições na vida.

tommie disse...

Compartilho com vc da idéia de que amor não é ciência. Amor é o oposto de pensamento, mente, consciência, amor é somente sentir. E por isso que amar não pode ser algo atrelado a ser amado, pois a felicidade advém do fato de vc amar (o que ou quem for, não importa), sem se preocupar se é amado ou não, essa equação torna tudo matemático, racional. Estava reparando em algumas coisas que vc diz ("nunca esperei apenas pelos bons momentos, aliás, acredito que os maus sãos mais freqüentes e necessários que os bons momentos", "As conquistas não têm o mesmo sabor quando não são compartilhadas, divididas e vivenciadas com outra pessoa"). Eu acho que nossa vida, nosso mundo são espelhos do que acreditamos/vemos. Se vc assim acredita/vê, assim será pra vc. A vida, o mundo não vai te provar o contrário, só vc pode se provar o contrário, e pra isso precisa acreditar nas coisas que vc quer pra vc. Ninguém consegue algo sendo negativo - e tem gente que acha que ser negativo é ser realista.

Blog do Jean disse...

Todos já devem ter ouvido a velha frase: "Que seja eterno enquanto dure!" Pois bem, é uma grande verdade!
O meu está durando, vai completar sete anos, e eu pergunto, será porque eu sou diferente das demais pessoas, tenho algo especial, sortudo? Claro que não!!! A reposta? Você mesmo já citou no texto: "se [eles] não estiverem dispostos a levar uma vida a dois, todo esse juramento não vale nada".
Simples assim..Bjs..

J. M. disse...

O amor...viver ou não viver? Amor e sofrimento andam juntos, é verdade. Mas todo mundo quer viver um grande amor. E vem cá, seis anos são "apenas" pra vc? Nossa, seis anos é muito tempo. Sei que pra quem está amando, isso é pouco tempo, passa voando...
Mas, imagino o que está vivendo agora, já que não há mais esse amor do seu lado. No entanto, creio que seja possível amar mais de duas únicas vezes a ponto de "dar a vida". Enfim, o amor...como explicá-lo?
Abração!

felipemaia disse...

Concordo com @ comoentad@r tommie aqui ariba:

o mundo é o que queremos que seja. não podemos viver sempre imaginando que o mundo agora é outro; a velocidade impera; prefe-re a quantidade à qualidade...

tudo balela...

nós temos que contruir nossos conceitos; nós temos que decidir o que vai acontecer.

Lembre: what you see is what you get!

Tenha em mente e foque porque se consegue.

Mas é claro, um pouco de compaixão da outra parte ajuda!
rs

Bia Sousa disse...

nossa.. não sei quantas vezes eu já expliquei isso para uma pessoa mas parece que não rola... certas coisas só são compreendidas quando surgem de dentro para fora... eu demorei um tantão para sentir isso em meu peito, o que me fez aprender a relevar as "falhas" alheia... RElevar não, a aceitar porque é parte dakilo que amo... mas nem todos estão na mesma vibe no mesmo momento... sei lá...