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segunda-feira, 19 de abril de 2010

Rosas Brancas para Salomé

A memória brasileira parece formada apenas por homens e mulheres, mas há muito na História oficial que é desconhecido. Poucos sabem, por exemplo, que durante a ditadura, em plena década de 1960, entre militares, revoltas estudantis e muita repressão, viveu Salomé, uma transformista que transgrediu os valores de sua geração. A artista iniciou sua carreira nos anos 1940 e passou pelos momentos históricos mais conservadores do Brasil, sem medo de impor sua sexualidade e sua aura de artista.

E é sobre a vida dessa injustamente esquecida heroína da história LGBTT brasileira que o espetáculo "Rosas Brancas para Salomé", com Salete Campari. Escrito por Gladston Ramos, inicia temporada em 23 de abril. No palco, será mostrada ao público a alegria e os dramas de vida dessa personagem pioneira da noite gay e da batalha pelo direito de ser quem se é. Salomé desafiou uma época homofóbica e perigosa para a integridade humana em nome da liberdade e da individualidade.

Ambientada no camarim de Salomé após uma performance, a peça apresenta, em idas e vindas no tempo, fragmentos de seus melhores e piores momentos. A difícil vida de uma artista desafiadora é narrada em tom intimista, confessional e em alto astral, estado de espírito que lhe era intrínseco. Entre as melhores lembranças, está sua apresentação ao lado do ícone homossexual Madame Satã (já muito bem interpretado por Lázaro Ramos no filme homônimo de Karim Aïnouz). Salomé também conviveu com outros mitos polêmicos, como Dercy Gonçalves, Dalva de Oliveira e Elizete Cardoso.

O espetáculo não tem fins lucrativos, e seu ingresso (2 kg de alimentos não perecíveis) revertido para a Casa da Brenda Lee, casa de apoio que abriga portadores do vírus HIV que foram rejeitados por parentes e amigos ou R$10,00 para o espetáculo.



Serviço:

“Rosas Brancas para Salomé"
Teatro do Ator - Praça Franklin Roosevelt, 172 - Consolação
Estréia: dia 23 de abril, às 21 horas – sexta-feira
Todas as sextas
Ingresso: 2 kg de alimentos não perecíveis ou R$10,00 para espetáculo.

2 comentários:

Leo Carioca disse...

Nossa!
Ela pegou talvez a época mais homofóbica da História do Brasil, né? Durante a ditadura militar.
É um nome a ser lembrado, com certeza!

Arsênico disse...

genthy... to passado! quanta coragem! e hoje em dia as bee's lutam pra ficar dentro do armário o quanto podem!

Tenho certeza de que a peça é um escândalo maravilhoso!!!

Tomara que eles viagem com a peça pelo Brasil!

***

:D