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quarta-feira, 18 de março de 2009

A Hora do Clodovil

Eu já fui chamado de Clodovil, e não gostava do termo que me era atribuido, enfim, creio que o Clodovil também não gostava de ver o seu nome ligado a uma expressão depreciativa. A maioria dos gays da minha idade já foram chamados de Clodovil no colégio, e aposto que nenhum ficou feliz com tal colocação, soava no mesmo tom de "Bicha Loca", "Viadinho" ou "Bichinha".

Achei um absurdo à eleição do Clodovil para Deputado Federal. Ele nunca teve militância política e sempre foi muito excêntrico. Apesar da sua homossexualidade ser evidente, ele nunca se “aceitou”, sempre falava da homossexualidade com muitas ressalvas e nunca escondeu suas aversões na questões de políticas públicas LGBT. Para os gays, o Clodovil não contribuiu em politicamente com nada.

Não sou muito ligado em televisão, mas confesso que me diverti muito com o pânico perseguindo o Clodovil para ele usar as sandálias da humildade, e na boa, acho que o pânico foi longe demais. Se o AVC que o Clodovil teve, tivesse sido naquela época, o pânico estaria em maus lençóis. Era uma questão tão simples, se ele colocasse a sandália, ele ficaria em paz, mas o seu orgulho foi maior, a ponto do pânico seguir o de carro e helicóptero, até que o apresentador conseguiu uma liminar que o protegeu da brincadeira.

Tenho certeza que minha mãe escreveria esse post com mais propriedade, mas nesse exato momento ela está em viagem com o meu pai, eles irão visitar um parente que infelizmente está morrendo. Ela tinha o hábito de assistir os programas do Clodovil e me ligar em seguida falando de suas polemicas, e sempre comentava o saudosismo que o apresentador sentia de sua mãe adotiva. Clodovil declarava que após a morte de sua mãe, ele nunca mais soube o que era a felicidade.

Achei muito bonito o ato de doação de órgãos, é o mínimo que uma pessoa politizada pode fazer, uma pena ter ocorrido a impossibilidade de doação. Em Julho de 2007, Clodovil disse a revista Época que em sua lápide ele gostaria de escrever "Afronte o mundo, não sua consciência". Tenho certeza que o mundo ele afrontou, quanto a sua consciência, é um segredo que ele levará para o tumulo.

6 comentários:

O VIADO E A TRANSGRESSÃO POÉTICA disse...

Penso que o Clodovil era o Brasil, assim como Dercy Gonçalves também o foi: contraditório, chegado à posições bombásticas, criador de casos, conservador, excêntrico, enfim tudo o que este país é.
Sentirei falta dele, era um referencial, de todo o modo. Acho que fez pelos gays, sim. Quando ele se assumiu, homossexualidade era considerada grave patologia, tanto pelo nosso INPS, como pela OMS - Organização Mundial de Saúde, muitos eram tratados com choques elétricos. E se fez só, nunca teve apoio da militância. Portanto, penso que essa mesma não lhe pode cobrar nada. Pelo "bem", pelo "mal", Clodovil nos fez pensar.
Beijos,
Ricardo
aguieiras2002@yahoo.com.br

Serginho Tavares disse...

O Clodovil era muito cheio de preconceitos. Lembro de uma entrevista dele em que ele se dizia contra o casamento entre iguais. Se foi sem deixar um legado apenas muita controvérsia sobre si mesmo.

Diógenes de Souza disse...

Ah, Marcos, eu discordo um pouco de você. Acredito que ele era, sim, um referencial, apesar de não militar diretamente. Como citaram aí em cima, ele e Dercy tinham personalidades fantásticas. É uma lástima perdê-los. Adorava o Clodovil e admito que ele exagerava às vezes, principalmente quanso exaltava seu ego. Mas isso não é tudo.

O ruim é que ele se foi.

Sergio Viula disse...

Muito legal o seu post sobre o Clodovil. Quero aproveitar para convidá-lo a dar uma passadinha no meu blog: www.glsgls.blogspot.com

Abraço forte,
Sergio

P.S.: Cheguei aqui através do texto que vc enviou para a revista A Capa. ;)

Fabiano (LicoSp) disse...

realmente o clodovil afrontou o mundo com o seu jeito de ser. Nunca fui muito fã dele, acho que realmente ele mais atrapalhou do que ajudou o gay junto a sociedade, mas não podemos negar que ele foi o cara, que sempre teve muita coragem de dizer o que pensava ou que gostaria que as pessoas acreditasse que ele pensava.

abs

tommie carioca disse...

O peito que Clodovil teve de dizer o que achava das coisas e das pessoas é coisa rara de se ver. Pra mim, esse é um legado e tanto: seja você sem medo.