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domingo, 18 de janeiro de 2009

Sexo Verbal: Surpresas da Vida e do Viver

Por Marcos Freitas e
Ricardo Rocha Aguieiras

Uma das coisas boas da vida é que quando você está entediado de tudo, saco na lua e olhando sedutoramente para aquele frasco de arsênico lá na penteadeira – vamos ser mais modernos: Rohypnol no rack do pc...ehehe... - , sempre acontece algo surpreendente que te resgata para a felicidade, o êxtase e te dá mais alguns anos de tentativas.

Tivemos nós dois, Marcos Freitas e Ricardo Aguieiras, um dos mais belos sábados indo, muito bem acompanhados, rever o emocionante espetáculo SEXO VERBAL, em cartaz no Casarão do Belvedere (serviço abaixo). “Bem acompanhados” por que rodeados por ilustres e famosos como o grande e carinhoso Dr. Prof. Luiz Mott, que ocupa o 1º lugar no quadro de honra da militância homossexual, figura ímpar nesses Brasis. Mas também ao lado de Douglas Drummond, empresário que criou a ong Casarão Brasil, na rua Frei Caneca, que já está dando o que falar, com um monte de propostas ótimas e criativas. Douglas é um lindão, um corpasso e voz de arrepiar e levou junto o maior maquiador artístico do país, Westerley Dornellas, um verdadeiro mágico dos pincéis. Ferdinando Martins e o marido Beto Sato um monte de jornalistas que atuam na mídia gay, a nata do talento e da competência da imprensa estava lá, como, ainda, o Lufe Steffen, uma delícia queimado de sol e cheio de dentes brancos e Ana Paula Siewerdt... bela bela e bela. Com certeza estamos sendo injustos e esquecendo de alguns, mas perdoem!

Porém, estamos aqui para falar da peça.

Os anos 90 e todo o início deste século foram marcados por conservadorismos, moralismos que – unidos ao holocausto provocado pela aids e pela culpa judaico-cristã – quase colocaram a perder as conquistas e os espaços anteriores, frutos de Maio de 68, do Movimento Hippie, do Feminismo e outros movimentos sociais; até mesmo provocações de Freud, Sartre; Genet , Sade e outros caíram um tanto no esquecimento em nome de um comportamento sexual e amoroso que fosse visto como algo não transgressor, asséptico, discreto e politicamente correto. E, o mais importante, sem entregas. O prazer controlado e medido para não atiçar a nossa culpa e ficarmos bem , tanto perante o espelho como perante o olhar do/da outro/a. Sempre existirão inúmeros argumentos e desculpas para não sermos livres e felizes. E como, para muita gente, sexo, sentimentos, emoções e amor andam de mãos dadas, pode-se imaginar o estrago que tudo isso trouxe às relações entre as pessoas, onde passou a reinar, antes de tudo, a desconfiança e seus tentáculos repressivos.

João Silvério Trevisan já disse que os escritores são como os pára-raios da sociedade e de seus indivíduos e cabe a eles a dolorida tarefa do alerta e da percepção. Nós ampliamos isso para todo e qualquer artista, independente de sua qualificação. Mas ainda mais para as atrizes e atores, a mais bela das profissões. Atuar é se arrebentar à cada noite, não há no mundo generosidade maior, por que fazem isso pelo outro, pelo espectador que está lá assistindo, comprando as dores dele e transformando-as em suas, mas com um requinte: algo nesse ato tem a ver com o sagrado. Como sagrado são o amor e o sexo.
Então, que alegria assistir algo em que nos identificamos em nosso sagrado, ver na entrega de um ator a discussão do meu medo e do meu anseio, dos meus limites e que posso ir além.

A peça se desenvolve numa festa, num casarão cheio de almas trancafiadas, inclusive as nossas. E onde somos recepcionados por uma ex-prostituta imponente, logo envolvidos pelos “convidados” outros, numa noite em que devemos apertar os cintos, não seremos poupados. Ao contrário, depois que entramos não há mais como fugir, os nossos quartos, salas e cozinha serão abertos, por mais dolorido que isso seja, afinal “a Dor é o único sentimento que não tem máscara”. E sacanagem não é o que fazemos, mas o que fazem com a gente. Resgatar a sexualidade como um patrimônio único, presente dos deusas e deusas para a nossa felicidade e empatia. Com textos de Hilda Hist, Trevisan, Marcelino Freire e até mesmo alguns do Brasil Colônia e da Inquisição, uma cena se destaca de todas, a que se passa na cozinha onde a história de amor e morte entre homens, morte provocada pela homofobia, pelo olhar condenatório do outro. Te garanto que você não será mais o mesmo, depois que sair dessa cozinha. No elenco sentimos falta de uma travesti decidida Na re-paginação dos textos, foi incluída uma personagem lésbica que estreará na próxima edição do evento, ainda sem confirmação de data e local.

Mas também há celebração! Brilho das luzes e olhares que vêm juntos com o apelo para a nossa entrega. Não é possível viver, senão intensamente. Isso andava um bocado esquecido entre a gente...

Abaixo, um poema, “Desobediência Sexual”, de Ricardo Aguieiras, lido no final da peça:

Desobediência Sexual

Desobediência
Não espere de mim outra coisa
Infringir, transgredir
Não nasci para obedecer nem para semear a ordem
Quero a desordem

Desobediência sexual
Desobediência moral
Desobediência imoral

Quero um novo mundo
Além das leis e das regras
Além das religiões
De Deus ou do Diabo
É esse o mundo que quero

Não patrões e não partidos
Não dogmas e nem a sensatez conformada
Quero a minha educação descoberta por mim
Não ao sol tampado por peneiras
Estou na sarjeta onde plantei flores, mas sarjeta

Desobediência civil
Desobediência intelectual

Não a formas pré-estabelecidas
Não tentem me encaixar
Cremado ou dissecado serei
Para não caber nunca em um caixão
Flores? Não precisa! Já as trago tatuadas em meu corpo

Desobediência social
Desobediência corporal
Desobediência fiscal

Não sigo a sua estética
Não me dite normas
Não acredito na história oficial
Não acredito na conveniência da sua moral

Desobediência legal
Desobediência intelectual
... Desobediência sexual

FICHA TÉCNICA

Dramaturgia e Direção: Aurea Karpor
Elenco: Alexandre Acquiste, Aurélio Prates, Aurea Karpor, Hélio Tavares, Mariana Galeno, Silvana da Costa Alves
Iluminação: Alexandre Pestana
Trilha Sonora: Régis Frias
Operação de Luz: Sally Rezende
Operação de som: Wilton Rozante.
Produção: ProjetoBaZar
Figurino: Alexandre Acquiste
Orientação de Literatura: Marcus Aurélius Pimenta
Direção Geral do Projeto: Aurea Karpor e Rodolfo Lima

SERVIÇO

De 9 a 24 de Janeiro de 2008
Sextas e Sábados, às 21 horas
Local - Casarão do Belvedere - Rua Pedroso, 267 - Bela Vista
Informações - (11) 3266-5272
Ingressos - 20 reais (10 reais meia entrada)
Lotação - 50 lugares
Duração - 60 minutos
Recomendação - 18 anos

Concurso Cultural – Sexo Verbal

Quer ganhar de presente um par de ingressos para assistir a peça “Sexo Verbal” no Casarão do Belvedere? O Blog Passageiro do Mundo em parceria os produtores do evento lhe dá esse presente. Para isso, basta responder a pergunta abaixo nos comentários do post “Sexo Verbal: Surpresas da Vida e do Viver”. O concurso premiará apenas com os ingressos, as demais despesas, como locomoção, ficam a cargo do contemplado.

Como podemos viver a nossa sexualidade em sua plenitude?

As respostas serão aceitas até a meia-noite do dia 22 de janeiro. A melhor resposta será divulgada no dia 23 de janeiro, abaixo da resposta é necessário deixar um endereço de email para contato.

13 comentários:

FOXX disse...

eu vou tão pouco ao teatro...
devia ir mais

Karol disse...

" O prazer é controlado e medido para não atiçar a nossa culpa e ficarmos bem , tanto perante o espelho como perante o olhar do/da outro/a. "
Acho que a partir do momento em que nos tornamos escravos de uma sociedade hipócrita somos tão culpados quanto as mesmas pois como consequência acabamos permitindo determinadas coisas que na realidade são inaceitáveis Privar-se de algo prazeroso quando este não afeta ninguém além de nós mesmos e os que consideram tal ato igualmente interessante é tão condenável quanto tentar controlar algo porque a partir do momento que você desrespeita sua própria vontade é igualmente incapaz de desrespeitar a vontade ou opção alheia. Poucas são as verdadeiras vítimas, abrir mão de preferencias por medo da opinião alheia é igualmente culposo.


"Sempre existirão inúmeros argumentos e desculpas para não sermos livres e felizes."
Pra sociedade é interessante que existam pessoas ignorantes e infelizes, quanto menos informação tiver ao seu alcance, quanto mais desanimado estiver, mais fácil será te corromper.Normalmente as pessoas diriam que precisamos de trabalhadores competentes mas assim como precisamos de trabalhadores competentes, os trabalhadores, precisam de um sálario.Cultura é mais que uma boa escola ou uma faculdade exemplar - cultura vai além, motivação idem. Informação e felicidade não são convenientes a uma sociedade onde exploração e egoismo estão acima de tudo.A persuasão , ainda é, a maior arma dos corruptos, e estes, raramente a utilizam de forma positiva.Liberdade implica o direito de escolha, direito este que a sociedade viola em tempo integral, ninguém está livre de intromissão ou negligência alheia.
O espetáculo parece ser muito interessante, sabe me dizer se vão vir ao RJ?

;**

VIADAGEM E A TRANSGRESSÃO POÉTICA disse...

Nada menos que...PERFEITO!
Ricardo
aguieiras2002@yahoo.com.br

Aurea Karpor disse...

Ainda não há contato com o Rio, Karol. Porém iniciamos contatos com outras cidades, se tiver um local para nos indicar agradecemos.
Att.

E obrigada Macos e Ricardo, mais uma vez!

Beijos
Aurea Karpor
(dir. Sexo Verbal)

J. Mendes disse...

Ai meu Deus, porque uma peça dessas não baixa aqui na Bahia. Não digo aqui onde moro que é o Ó, do borogodó. Mas ao menos na capital. Faria de tudo para ir a Salvador ver um espetáculo desses! Adorei o post! Simplesmente MARAVILHOSO!

Davidoff disse...

Uma crítica tão boa que dá vontade de ir ver...pena para mim ser impossível,vale a sua descrição tão bem feita!
abraço

Paulo disse...

Você me falou dessa peça semana passada, preciso dar um jeito de assistir essa semana!!


beijo!

Homorango disse...

Hum... adoro promoções... Vou já já responder...

VINCENZO GONZAGA disse...

Poxa Marcos
Essas peças ótimas acabam nunca vindo a Floripa!!!!!
Só de ler oq ue vc escreveu tive muita vontade de assistir.
Grande abraço
PS - Nem sempre comento em seu blog, porém todos os dias o leio.
e vc sabe que amo!!!!

Sandra disse...

comungar o sagrado "amor e sexo"
na arte de representar no palco
Parabéns a Aurea Karpor ao elenco e a vc Marcos
quem não se envolve ,
não se desenvolve.

bjos

Karol disse...

Aurea, é uma pena que ainda não tenham contato por aqui...
Não tenho nenhum lugar em mente. =/

;*

Karol disse...

Aurea, é uma pena que ainda não tenham contato por aqui...
Não tenho nenhum lugar em mente. =/

;*

Anônimo disse...

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