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quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Pergunta sem Resposta

Às vezes me pego pensando na minha tia que faleceu no ano passado, e a tristeza vem à tona de forma inevitável. Dias antes de ela falecer, eu estava voltando do hospital, tinha ido visitar outra tia que estava internada, passava perto da casa dela, então eu sugeri.

- Vamos visitar a tia Aparecida? – disse pegando a entrada para a casa dela.

- Eu tenho medo de deixar o carro por aqui – retrucou a minha mãe. E de fato tinha mesmo, pois sempre que ela visitava a minha tia pedia para o meu pai ir levá-la e depois marcava um horário para ir buscá-la, pois na região que ela morava tem um alto índice de roubos de carro, talvez um dos maiores da cidade de São Paulo. Quando íamos lá, ela mesmo alertava que lá era perigoso e para tomar cuidado.

Acabei fazendo o retorno e pegando novamente a avenida que me levaria até a Aricanduva, para de lá pegar a Dutra e seguir para Arujá. Alguns dias depois minha tia foi internada para fazer uma cirurgia no fêmur. Também não fui visitá-la no hospital, as visitas eram super restritivas, o horário estabelecido era de apenas 15 minutos, e só podiam entravam duas pessoas e sem a possibilidade de revesamento, ou seja, muitos visitantes para pouco horário.

Minha mãe foi visitá-la, ela ficou muito feliz e estava animada, pois imaginou que não iria acordar da cirurgia, pois o seu estado era muito delicado... Depois de dois ou três dias dessa visita minha prima me ligou.

- Kinho (minha família e os meus amigos de infância me chamam por esse apelido), estou desconfiada que a minha mãe faleceu – contou-me com uma voz engasgada.

- Nossa, porque você acha isso? – perguntei entristecendo a minha voz.

- O hospital ligou, disse que era para comparecer com os documentos dela. Eu perguntei se aconteceu algo, e eles falaram que não, que precisavam desses documentos porque faltam no prontuário, mas não faltam, pois eu mesma levei esses documentos quando ela foi internada – explicou-me sem conseguir conter o choro.

Depois de meia hora ela me ligou aos prantos dizendo que a mãe dela havia falecido e me perguntou: O que eu vou fazer sem a minha mãe? Eu não soube responder, e hoje, quase oito meses depois, ainda não sei lhe dar uma resposta plausivel. É uma pergunta muito difícil de ser respondida. Mães são as responsáveis por nossa existência, temos uma ligação muito intima com elas, e não importa com qual idade estamos e se somos ou não completamente independentes delas, quando elas partem, ficamos sem saber o que fazer.

14 comentários:

Proudstar disse...

Eu ja perdi pai. Paizão mesmo, de propaganda de gelol e até hj sofro dessa perda, mas mãe... meu amigo, mãe é nosso elo com o mundo. Também não sei qual seria o meu sentido sem ela.
Adorei conehcer aqui.
abraços

Única e Exclusiva disse...

Afe, eu nem quero imaginar sem a minha. Mesmo não sendo aquela amigona mas, é minha mãe. Qdo não preciso dela é qdo ela esta lá para me ajudar. É tudo na minha vida! Igual ao meu pai. [E detalhe eu sou adotada]. Mas, os amo demais. ^^

Bjinhos :************

Cara do Blog disse...

Mãe é o bem mais precioso que existe, unica que nos entende, que nos ama de verdade incondicionalmente sem espera nada em troca.
E muito ruim mesmo, não tenho medo da minha morte, tenho medo da morte das pessoas queridas por mim.

J. M. disse...

Prefiro nem pensar na possibilidade de não ter mais a minha mãe comigo...

Fabiano (LicoSp) disse...

Mãe é tudo igual né. Por mais que tenhamos diferenças em alguns momentos ela é a unica com quem sabemos que poderemos contar. Tudo bem q tem umas maes pelo mundo que é melhor nem te-las, mas são minorias.

Eu acho que em qualquer tipo de fato envolvendo morte, qualquer pergunta, qualquer tentativa de confortar a pessoa é em vão.

As vezes a melhor resposta é um bom abraço e um ombro amigo para consolação.

abs

Arsênico disse...

As vezes me pego pensando nisso e me desespero... tento mudar a lógica do assunto e pensar em outra coisa... por mais que eu não tenho uma boa convivência com minha família... não gosto nem de imaginar minha vida sem eles... afinal... eles não têm culpa se foram educados que ser gay é pecado e vai pro inferno...

umBeijo!

***

Celso Dossi disse...

:(((((

Paulo disse...

Perdi meu pai um bom tempo atrás, quando eu tinha 21 anos. Não quero nem imaginar perder minha mãe, embora seja inevitável um dia.

Não sei se existe dor pior do que perder alguém querido.

Diógenes de Souza disse...

Eu também não faço idéia do que serei sem a minha. Meus irmão paternos perderam a mãe logo cedo, e adotaram minha avó. Mas, mesmo assim, eles sentem falta. Muita. Imagino que para quem perde um ser tão sublime seja algo inimaginável!

Abraço.

SOBERBA disse...

Belas palavras, hoje, Marcos!
Infelizmente, essa pergunta eu tenho feito com uma frequência cada dia maior, você sabe o motivo....
Em tempo: Esse eufemismo dos hospitais, sempre que ligam pedindo os documentos é por que o paciente faleceu, já vivenciei isso várias vezes na vida, mas não sei por que fazem isso, talvez para evitarem o desespero familiar que uma mera telefonista, recepcionista ou atendente não consegue suportar... deve ser isso... portanto, é bom a gente saber isso, sempre que um hospital ligar pedindo aos familiares que se dirijam para lá com os documentos do paciente, já sabe...
Beijos,
Ricardo
aguieiras2002@yahoo.com.br

Serginho Tavares disse...

não sei responder e duvido quem saiba

ANDRE LUIS PANACHI disse...

PASSEI POR ISSO DE HOSPITAL E VISITAS RECENTEMENTE, POREM ONDE FIQUEI INTERNADO(HSPM - HOSPITAL SERVIDOR PUBLICO MUNICIPAL AS VISITAS ACONTECEM DAS 8 AS 20 APENAS LIBERADO UM POR VEZ, FOI OTIMO E REVIGORANTE MEUS AMIGOS VIREM ME VISITAR ENQUANTO ME RECUPERAVA DA RINOPLASTIA
ABRAÇOS

Anônimo disse...

Marcos, olá. Me chamo Karen, e, navegando pelo seu blog descobri uma série de coisas interessantes e simplesmente fiquei encantada com seu blog e com sua forma de pensar. Fiquei sem saber como entrar em contato com vc... então decidi deixar um comentário (e torcer para vc ler). Peço autorização para usar algumas citações suas, algumas figuras, algumas idéias. Gostaria muito que me enviasse um e-mail para eu entender um pouco mais do que é feito teus pensamentos. Um sincero e ansioso abraço, Ka. kathati@yahoo.com.br.

Anônimo disse...

a morte de uma mãe é a MAIOR PERDA de tdas no mundo.Mãe é e sera spre INSUBSTITUIVEL.....a perdi ha mtos anos e continuo sofrendo muitissimo!...
Q. deus nos conforte muito...abçs!