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sábado, 28 de fevereiro de 2009

Despedida Permanente

Não tenho medo da morte, apenas a acho estranha. Talvez seja medo do desconhecido, se for, nesse caso, eu tenho medo da morte.

No ano passado, no dia do primeiro turno das eleições municipais, um primo da minha mãe foi almoçar em casa. Apesar do pouco contato que tive com ele, sempre tive muita simpatia pela sua pessoa. Nesse ano, eles estavam combinando de irem para o Pernambuco, iriam visitar alguns parentes em Belo Jardim, e outras cidades próximas que não me recordo os nomes. Como esse primo estava com uma saúde muito debilidade, a viagem necessitaria de cuidados, e o filho dele preferia acompanhá-lo, mas, a morte colocou fim no desejo de visitar algumas tias que vivem no interior de Pernambuco.

Esse tipo de noticia é preferível dar pessoalmente as pessoas cardíacas. Não contamos a minha mãe, pretendíamos dar a noticia quando chegássemos em casa, porém o filho do primo da minha mãe deixou uma mensagem no Orkut que lhe dava a nóticia. Ela ficou triste, chorou, mas não precisou de intervenção médica. No outro dia fui com ela ao cemitério para assistirmos ao sepultamento.

O caixão estava lacrado e o rosto um pouco inchado. Ficamos sabendo que ele morreu ao se levantar da cama, chegou a abrir a janela, talvez para recuperar o ar que os últimos instantes de vida estavam lhe tirando, ar não recuperado e que deu lugar ao infarto fulminante, levando a vida sem a possibilidade de um socorro prévio, de uma intervenção médica. Ele estava na fila de um transplante de coração, seu caso era muito grave e todos sabiam que as chances dele morrer nessa fila eram grandes.

Fiquei observando a viúva. Mulher alegre e falante, conversou muito na ocasião que almoçou na minha casa. Ela nos avistou de longe e veio em nossa direção, no caminho foi interceptada por outras pessoas que lhe deram os seus pêsames e fraternalmente a abraçaram, depois de alguns minutos, também a abracei, porém não disse nada. Não há o que ser dito num momento tão difícil, qualquer tentativa de conforto, torna-se muito superficial: Deus sabe o que faz. É melhor assim. Ele não sofre mais. Ele está num lugar melhor. São expressões horríveis para dizer em meio a tanto sofrimento, a meu ver, um abraço sincero e o silêncio é o melhor conforto que uma pessoa possa receber. Nesses momentos queremos a solidão misturada com a presença de pessoas queridas.

Quando começou a cerimônia budista, soube que os momentos mais tristes estavam se aproximando. Tenho muitos parentes budistas, porém nenhum é oriental. No cemitério fiquei pensando no sucesso que a imigração japonesa teve no Brasil, a cultura oriental está amplamente inserida no Brasil - desde a religião, até a gastronomia - uma parte considerável de minha família que estavam fadados ao cristianismo, se converteram ao budismo. Terminada a cerimônia, o caixão foi retirado da sala do velório e levado ao túmulo destinado ao mesmo. É um momento muito triste. Não lido bem com a morte, nunca soube lidar. Não existe nada mais triste do que as despedidas permanentes.

Saindo do cemitério, fui para a empresa. Depois fui vender uns dólares que sobraram da viagem do Douglas, e liguei para ele, avisando que iria embora e pedindo para ele me acompanhar, estou tomando uns medicamentos que me deixa muito sonolento e não estava com disposição para assistir aula... Hoje completa uma semana que estou doente, com a garganta inflamada, febre e dores no corpo. Já estou bem melhor, creio que amanhã me recuperarei por completo, e na segunda-feira voltarei a cumprir minha rotina habitual.

6 comentários:

≈ João Pé-de-Feijão ≈ disse...

Oi,
Curioso que o ser humano é o único animal que tem consciência da morte. E mesmo depois de milhões de anos de evolução,e milênios de humanidade ainda lidamos com a morte de uma maneira tão sofrida...
Talvez seja por isso mesmo que agonia nosso peito: saber da morte e não poder negar, não poder fugir...
E não entender esse mistério, esse fim, que muitas vezes é repentino!

Concordo com você quando diz que não há nada mais triste do que despedidas permanentes!
E permanente também é o sofrimento causado: é uma situação que nunca esquecemos...

Mais melhoras pra você!
^^
inté

Serginho Tavares disse...

a morte é inevitável moço
ninguém quer, aceita ou entende, mas não se pode passar sem ela
fica bom logo
abração

Fabiano (LicoSp) disse...

é ... a perda principalmente inesperada eh fogo. qdo a pessoas é alegre e tem planos então, nem c fale. é isso ae

abs

Rodrigo disse...

Coincidência voce falar sobre isso justo hoje, pois a algumas horas recebi a notícia de que minha tia, irmã mais velha da minha mãe, faleceu depois de uma semana internada. Realmente a morte é algo sempre inesperado, não sei como reagiria se fosse alguém bem próximo, tipo os pais ou irmãos. O irônico, é que é uma coisa inevitável e que todos tem certeza de que vai acontecer.

VIADAGEM E A TRANSGRESSÃO POÉTICA disse...

Essa é outra coisa que admiro em você: sua coragem em falar o que o restante insiste em não olhar ou negar.
Ainda bem que melhorou, não sabia que tinha piorado...
Se cuida!
Beijos,
Ricardo
aguieiras2002@yahoo.com.br

Aninha disse...

De todos os seres criados por Deus, o que mais recebeu foi o ser humano, porém ganhamos com isto um preço enorme a pagar: ter a consciência de nossa finitude. Porque é assim não sei, mas que ela existe e machuca, mas ninguém: pobre ou rico, gay ou hetero vai escapar um dia dela. A morte é a única coisa democrática que existe nesta terra, cedo ou tarde ela bate na porta de todos.Por isto fica as lembranças e as experiências boas que vivemos. Uma delas é a vossa história de amor!! Me emocionei ao ler alguns post. Minha orientação é hétero, mas acredito no amor de
dois homens ou duas mulheres, quando eles acontecem de verdade tendem a ser verdadeiros e profundos.

Beijos!