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quarta-feira, 21 de julho de 2010

Metade

Identifico-me muito com a música “Metade” de Oswaldo Montenegro, mas nunca ela remeteu tanto ao que sinto, como ao que estou sentido agora. Sinto como se não conhecesse a pessoa que mais amei na vida, sinto que não me conheço e sinto que não sei o que já vivi e o que ainda viverei. Parece que estou numa sucessão de mentiras, que me levou a vida que eu estou hoje.

Sempre fui transparente com os meus sentimentos e quase sempre me dispo do meu orgulho para lutar pelo o que realmente julgo ser interessante e importante para a manutenção de quem eu sou ou de quem eu quero ser. Não posso um dia me arrepender de uma palavra não dita, talvez me arrependa de alguns palavrões não ditos, ou se dissesse, poderia me arrepender de tê-los ditos, mas sempre soube assumir o que sinto e dizer a importância das pessoas que ao meu lado estavam.

Hoje, desejo que essa minha vontade de ir embora se transforme na calma e na paz que eu mereço e que essa tensão que me corrói por dentro seja um dia recompensada. Porque metade de mim é o que eu penso, mas a outra metade é um vulcão. Que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso, que eu me lembro ter dado na infância. e que a minha loucura seja perdoada, porque metade de mim é amor e a outra metade também.

Espero um dia entender o porque estou passando por tudo isso hoje. Sei, admito que não sou o melhor ser humano da face da Terra, não sou uma versão masculina da Madre Tereza de Calcutá, mas confesso, não fiz por onde merecer tanto descaso de uma pessoa que dei tanto carinho. Não sou 100% doce, tenho minha porcentagem amarga, azeda e áspera, mas a mistura dos ingredientes, não é intragável. Espero que um dia, a outra metade, que hoje não encontro, entre novamente em harmonia com o meu intimo e que possamos ter o mínimo de convivência, mesmo andando por diferentes caminhos. Por que metade de mim é a lembrança do que fui e a outra metade eu não sei.


terça-feira, 29 de junho de 2010

A Guerra dos Sentimentos

Descobri que o amor é um sentimento forte e sem ser piegas, posso afirmar que tudo o que acontece em nossas vidas tem um lado positivo. Mesmo nos envolvendo em situações que nos magoa e machuca, só quando somos colocados a prova, temos a verdadeira ciência do que temos e/ou sentimos é verdadeiro, pra valer.

Michel Foucault, no livro "Em Defesa da Sociedade", aborda o direito a vida que é cedido ao Soberano e esse direito se efetiva pelo fato do Soberano também ter direito a morte do seus súditos, ou seja, é por poder matar que o Soberano dá o direito de viver. Traduzindo para a questão da nossa vida afetiva, só sabemos se amamos alguém de verdade, se essa pessoa nos dá motivos para não ama-la e mesmo assim continuamos amando.

Como saber o gosto da felicidade se não conhecemos a tristeza? É exatamente por esse motivo que a vida é cíclica, que não vivemos uma situação plena e estamos em constantes transformações, caso contrário, seriamos apáticos, mesmo com cenários pertinentes a felicidade ou não. Quando uma pessoa diz: Eu sou feliz, em certo momento de sua vida ela soube o que é ser infeliz, a felicidade não existe sem a infelicidade, caso contrário seria apatia, monotonia.

Estou planejando uma viagem com a minha mãe, ainda não decidimos se vamos para "Porto de Galinhas" ou Jericoacoara, mostrei algumas fotos da praia cearense para minha mãe e disse que os pacotes de viagens sempre são feitos em conjunto com destino, pois 7 dias em Jericoacoara se tornariam entediantes.

Em Jericoacoara encontramos lindas paisagens, cenários paradisíacos, entretanto, o lugar só tem isso para nos oferecer, ou seja, a tão sonhada paz que muitos almejam, porém quando isso se torna permanente, não é mais paz, é tédio. Damos valor a nossa casa, porque na rua somos submetidos ao stress, transito e correria, as vezes ocorre o contrário, há aqueles que dão valor a rua, pois é dentro da sua casa que mora o stress. Se não fosse a oposição, não seriamos capazes de nos beneficiarmos com as circunstâncias que nos faz bem.

Amamos porque também podemos odiar, sorrimos porque também podemos chorar e acolhemos porque também podemos rejeitar. Não estou querendo dizer que temos domínio por nossas escolhas, pelo contrário, quase sempre somos inerentes a elas, não escolhemos quem amamos, para quem sorrimos e quem acolhemos, tais ações são subjetivas e as vezes com motivos de produzirmos sentimentos que fazem oposição aos expostos, não conseguimos dominar o coração.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

A Antropologia Perde seu Mestre: Levi Strauss Morre aos 100 Anos

Morreu nesta terça-feira (03/11), aos 100 anos de idade, Claude Lévi-Strauss, antropólogo e filosofo francês, um dos maiores nomes da antropologia contemporânea. Lévi-Strauss lecionou na Universidade de São Paulo nos anos 30, onde realizou seus primeiros estudos de etnologia entre populações indígenas, trabalho que desenvolveu ao longo da vida e que o transformou num clássico obrigatório das ciências humanas.

Nascido em Bruxelas, na Bélgica, Lévi-Strauss foi um dos grandes pensadores do século 20. Ele, que completaria 101 anos no próximo dia 28, tornou-se conhecido na França, onde seus estudos foram fundamentais para o desenvolvimento da antropologia. Filho de um artista e membro de uma família judia francesa intelectual, estudou na Universidade de Paris.

Exilado nos Estados Unidos durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), Lévi-Strauss foi professor nesse país nos anos 1950. Na França, continuou sua carreira acadêmica, fazendo parte do círculo intelectual de Jean Paul Sartre (1905-1980), e assumiu, em 1959, o departamento de Antropologia Social no College de France, onde ficou até se aposentar, em 1982.

O estudioso jamais aceitou a visão histórica da civilização ocidental como privilegiada e única. Sempre enfatizou que a mente selvagem é igual à civilizada. Sua crença de que as características humanas são as mesmas em toda parte surgiu nas incontáveis viagens que fez ao Brasil e nas visitas a tribos de indígenas das Américas do Sul e do Norte.

O antropólogo passou mais da metade de sua vida estudando o comportamento dos índios americanos. O método usado por ele para estudar a organização social dessas tribos chama-se estruturalismo. "Estruturalismo", diz Lévi-Strauss, "é a procura por harmonias inovadoras".

Suas pesquisas, iniciadas a partir de premissas linguísticas, deram à ciência contemporânea a teoria de como a mente humana trabalha. O indivíduo passa do estado natural ao cultural enquanto usa a linguagem, aprende a cozinhar, produz objetos etc. Nessa passagem, o homem obedece a leis que ele não criou: elas pertencem a um mecanismo do cérebro. Escreveu, em "O Pensamento Selvagem", que a língua é uma razão que tem suas razões - e estas são desconhecidas pelo ser humano. Lévi-Strauss não via o ser humano como um habitante privilegiado do universo, mas como uma espécie passageira que deixará apenas alguns traços de sua existência quando estiver extinta.

Membro da Academia de Ciências Francesa (1973), integrou também muitas academias científicas, em especial européias e norte-americanas. Também é doutor honoris causa das universidades de Bruxelas, Oxford, Chicago, Stirling, Upsala, Montréal, México, Québec, Zaïre, Visva Bharati, Yale, Harvard, Johns Hopkins e Columbia, entre outras.

Aos 97 anos, em 2005, recebeu o 17o Prêmio Internacional Catalunha, na Espanha. Declarou na ocasião: "Fico emocionado porque estou na idade em que não se recebem nem se dão prêmios, pois sou muito velho para fazer parte de um corpo de jurados. Meu único desejo é um pouco mais de respeito para o mundo, que começou sem o ser humano e vai terminar sem ele - isso é algo que sempre deveríamos ter presente".

Obras Fundamentais

TRISTES TRÓPICOS: Mais que um livro de viagem, é um clássico da etnologia (1955). Além de trazer detalhes pitorescos das sociedades indígenas do Brasil, o livro discute as relações entre Velho e Novo Mundo e o significado da civilização e do progresso. Lévi-Strauss desloca parâmetros consagrados e questiona viajantes e cientistas. O mundo dos cadiuéus, bororos, nhambiquaras e dos tupi-cavaíbas revelam seus próprios estilos e linguagens.

ANTROPOLOGIA ESTRUTURAL: Publicada em 1958, a obra reúne artigos que propõem um empréstimo das teorias estruturalistas de Roman Jakobson, lingüista que Lévi-Strauss conheceu nos EUA, para renovar o método antropológico. Ela se divide em cinco partes: Linguagem e parentesco; Organização social; Magia e religião; Arte; e Problemas de método e de ensino. A obra será lançada pela Cosac Naify no dia 11.

O SUPLÍCIO DO PAPAI NOEL: A Cosac Naify lança, também no dia 11, O Suplício do Papai Noel, ensaio de 1952. Lévi-Strauss parte da queima de um boneco de Papai Noel em Dijon, França, em 1951, para analisar, por meio da antropologia estrutural, o significado das festas de fim de ano, a comercialização das datas tradicionais e a influência norte-americana nesse processo.

MITOLÓGICAS: Composta por quatro obras - O Cru e o Cozido (1964), Do Mel às Cinzas (1967), A Origem dos Modos à Mesa (1968) e O Homem Nu (1971) - a série analisa 813 mitos de diferentes povos indígenas do continente americano.

DE PERTO E DE LONGE: Em entrevista para o filósofo Didier Eribon em 1988, o antropólogo faz um balanço sobre sua história pessoal, formação intelectual e conceitos-chave de sua teoria.

HISTÓRIA DE LINCE: Segundo Lévi-Strauss, essa obra (1991) é a última incursão pela mitologia americana. Questões presentes em sua produção de mitólogo são retomadas e esclarecidas.

SAUDADES DO BRASIL: Obra de 1994 reúne fotografias feitas entre 1935 e 1939. Lévi-Strauss se deu conta de que poderia descrevê-las, localizando-as no tempo e no espaço, com auxílio da memória afetiva. Saudades de São Paulo, de 1996, também tem um depoimento em que se revisitam imagens de uma cidade onde o gado convivia com carros e bondes.

OLHAR, ESCUTAR, LER: De 1993, é escrita em tom de conversa, inteiramente dedicada à arte.

O PENSAMENTO SELVAGEM: No livro, de 1962, ele focaliza um traço universal do espírito humano - o pensamento selvagem que se desenvolve tanto no homem antigo como no contemporâneo.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

A Busca da Felicidade

Creio que se houvesse uma espécie de Google, no qual pudessemos buscar sonhos, desejos e anseios, o top ranking desse buscador seria sem sombras de dúvidas “a felicidade”. Porque o homem contemporâneo busca tanto a "felicidade"? Penso que essa busca é um comportamento condicionado, repetitivo e aprendido durante a nossa existência. Não acredito em felicidade e em minha concepção, o homem não veio ao mundo para ser feliz, nossa própria existência é incompatível com as definições de felicidade que encontramos por aí.

A religião, historicamente, é a maior manipuladora do pensamento humano. Se ligarmos a televisão, em qualquer horário, veremos um líder religioso convidando os seus telespectadores a visitarem sua igreja, prometendo que nela encontraremos a verdadeira felicidade. Que felicidade é essa? A bíblia é enfática ao dizer que “no mundo tereis aflição” e agora eu pergunto: Como podemos ser felizes estando num mundo de constantes aflições? Num mundo que jaz do malígno? Em outros discursos quanto a felicidade, as religiões judaico-cristã nos direciona a acreditar que a verdadeira felicidade virá como recompensa à sublimação do corpo na Terra, ou seja, os religiosos, que vendem a felicidade, não conseguem estabelecer um consenso quanto ao tema.

São muitos os que confundem felicidade com alegria. Estar alegre não significa que somos felizes. Segundo o dicionário Michaelis, alegria significa: 1 Contentamento, júbilo, prazer moral. 2 Regozijo. 3 Divertimento, festa. 4 Acontecimento feliz. Como podemos observar, o termo alegria nos remete aos prazeres momentâneos, as conquistas diárias e muitas das vezes a seqüencia desses acontecimentos é confundida com a “verdadeira felicidade”. No mesmo dicionário, encontramos para felicidade a definição: 1 Estado de quem é feliz. 2 Ventura. 3 Bem-estar, contentamento. 4 Bom resultado, bom êxito, Felicidade eterna: bem-aventurança. Notamos que segundo o Michaelis, felicidade é uma condição imutável, é a felicidade por si só, sem interferência de fatores externos ao nosso corpo.

A felicidade definida nos dicionários, e a mesma felicidade definida por Aristóteles. Em “Ética a Nicâmaco”, Aristóteles defini que “felicidade é, portanto, algo absoluto e auto-suficiente, sendo também a finalidade da ação”, ou seja, a felicidade se justifica por si só, e não pelos atos que praticamos e/ou os que são dedicados a nós. Ainda no mesmo texto, Aristóteles completa que “a felicidade não reside, por conseguinte, na recreação; e seria mesmo estranho que a recreação fosse o fim, e um homem devesse passar trabalhos e suportar agruras durante a vida inteira simplesmente para divertir-se.” Aristóteles nos deixa uma bela critica quanto ao que chamamos de recompensa ao trabalho. O ser humano que trabalha 11 meses e tira 1 de férias e se justifica feliz por conta disso, segundo Aristóteles, ele não é feliz. A felicidade independe da ação, o homem que é feliz, não precisa de meios que justifique essa tal felicidade.

Concordo com a posição de Aristóteles no que diz respeito ao estado de plenitude da felicidade, porém, não acredito que possamos alcançar esse “estado de espírito”, enfim, não acredito na felicidade. Acredito que milhões de pessoas no mundo inteiro buscam algo que na verdade não existe, é utópico. Ao contrário do filósofo, acredito que o homem por si só é vazio e triste e os que se dizem felizes, se apegam as seqüencias de momentos de alegria e estes por sua vez confundem tais momentos com a felicidade.

Temos que nos apegar aos momentos, mas não podemos creditar tais momentos na busca e encontro de um amor ou ao prazer que temos de estar com amigos e familiares, mas sim na harmonia que conseguimos estabelecer por equilibrar tais momentos. Quanto a felicidade, ela é uma verdade inquestionável, é algo eterno e o seu descrédito começa em sua própria definição: nada no mundo é uma verdade inquestionável, tudo é passível de mudanças, nada se permanece imutável, senão, seria irreal. Vamos nos apegar ao momentos de alegria, e, a felicidade, deixamos somente na definição, na apreciação dos poetas e na mente dos amantes incondicionais.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Conhece-te a Ti Mesmo

Dizem por ai que o maior inimigo dos relacionamentos é o tempo e isso me causa estranheza. O mesmo tempo que é maléfico para as relações, também pode ser um fator preponderante para o sucesso quando olhamos a situação por outra ótica. Com o tempo adquirimos intimidades, passamos a conhecer as pessoas que nos rodeia melhor do que elas mesmas e começamos a trocar cumplicidades que só o “tempo amigo” consegue estabelecer, como por exemplo: conversar somente com os olhares. O tempo pode ser uma ponte e/ou um muro nos relacionamentos afetivos.

O muro se estabelece quando com o passar do tempo passamos ver aquela pessoa que dividiu tantos momentos conosco como um peso, passando a enxergar apenas defeitos e dissabores e nos esquecendo das qualidades que um dia foi pauta na conquista do amor. A ponte se estabelece, quando usamos o tempo vivido como um elo. Conhecemos bem os defeitos e as qualidades pertinentes aquela pessoa, mas, por opção, preferimos ressaltar apenas as qualidades que fizeram nascer o objeto do amor compartilhado.

O “conhecer” tem um poder que muitas das vezes desconhecemos. Quando conhecemos o intimo de uma pessoa, somos capazes de destruí-la. Sabemos os pontos fracos, o que aflige e incomoda e com as palavras lançadas podemos levar essa pessoa ao completo aniquilamento. O conhecimento é benéfico, quando utilizamos a construção da intimidade mútua para ressaltar as qualidades provenientes das pessoas e motivá-las para o crescimento social. A falácia tem um poder intangível e na maioria das vezes ela não é usado para a promoção do bem estar coletivo.

O poder do “conhecimento” foi pauta de discussão de Sócrates, o filosofo que é tido como o divisor de águas na filosofia. Sócrates, assim como Jesus e outros poucos pensadores, não deixou nenhum trabalho manuscrito, tudo o que sabemos dele tornou-se público através dos seus discípulos, entre eles, o grande filosofo Platão. A inspiração do pensamento socrático veio da inscrição no Templo de Apolo que dizia: Conhece-te a ti mesmo. Sócrates dizia que deveríamos nos preocupar menos com o “mundo das coisas” (riqueza, fama, poder) e nos preocuparmos mais com nos mesmos, com o nosso intimo. O que acontece hoje é o contrário, nos preocupamos mais com a matéria e o intangível deixamos para segundo plano, dando poder ao inimigo, não conhecendo os nossos limites e nos deixando a mercê das manipulações alheias.

Hoje, por conta do “mundo das coisas”, conheço pouco de mim mesmo. Estamos muito preocupados com fama, poder e riqueza para perder tempo com a manutenção do nosso próprio intimo. Tornou-se muito mais prazeroso conhecer os segredos alheiros do que desvendar os mistérios contidos em nossa alma, solucionar os problemas do nosso coração. Não conheço os meus limites e isso é preocupante e pode me condenar a morrer como um velho elefante amarrado numa estaca por não conhecer a força que tenho e ficando a mercê de quem me rodeia.