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sexta-feira, 3 de março de 2017

A Geni da vez

No Rio de Janeiro, um jovem foi encontrado nu na praia, com marcas de violência, infelizmente ele veio a falecer no hospital. Amigos disseram em sua página do Facebook que ele sempre teve medo de ser vítima de homofobia. Infelizmente, nos, LGBT, somos a Geni da vez. 

Enquanto não houver a criminalização da Homofobia e Transfobia esses crimes ficarão impunes e continuarão a jogar pedra, água e bosta na gente, achando que somos feitos para apanhar e bons para cuspir. 

Segundo a OMS, o Brasil é o 11º país com mais crimes de homicídios, é um dado alarmante e qualquer pessoa poder falar que viver no Brasil é perigoso para qualquer pessoa, sendo hétero, homossexual, travestis ou transexual, mas segundo Grupo Gay da Bahia, o Brasil é o país que mais mata lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais, superando índices de países do Oriente Médio e da África, que pune com pena de morte a homossexualidade.

quinta-feira, 2 de março de 2017

Sobre beijo gay na Disney e irmãos disputando o mesmo boy na Coca-Cola

Enquanto as pautas progressistas vem sendo atacadas nos espaços políticos, as empresas estão cada vez mais voltando a sua comunicação para os mais diversos segmentos, sobretudo para aqueles que tem pouca representatividade nos parlamentos. ´

Ontem foi a vez do Canal Disney Channel mostrar o seu apoio, exibindo o primeiro beijo gay em um desenho animado. Foi no episodio "Just Friends", da sério "Star vs. A Força do Mal", exibida no Disney XD.


Hoje foi a vez da Coca-Cola, lançando mais um comercial da série "Taste the Felling", retratando com leveza e bom humor a disputa de uma irmã e um irmão o mesmo boy, mas na corrida ambos se dão mal e se deparam com a mãe saciando a sede do limpador de piscina.


O Pastor Silas Malafaia, indiciado na Operação Timóteo, por lavagem de dinheiro, pediu para os seus fies o boicote à Disney, vamos acompanhar se ele também lançará um boicote a Coca-Cola.

domingo, 26 de fevereiro de 2017

Encontros de Carnaval

- Eu já fiquei com você - disse a meretriz depois que me deu o primeiro beijo.

- Comigo? Onde ficamos? - perguntei assustado.

- Isso não vou lembrar - respondeu como responderia qualquer outra meretriz.

- Como você se chama? - perguntei enquanto tirava sua peruca.

- Diego e você, como se chama? - perguntou me dando outro beijo.

- Marcos... agora eu me lembro de você, ficamos numa rave.

O encontro na rave tem mais de 5 anos, foi em Sorocaba, numa festa predominantemente hétero. Eu lá estava com os meus amigos, quando vi um cara bonito e barbudo parado, me olhando. Ele foi se aproximando aos poucos, veio por trás e disse ao pé do meu ouvido:

- Que sorte encontrar um ursão desses por aqui - disse enquanto eu virava para o beijar.

- E eu pensando que não rolaria nada nessa festa - disse entre um beijo e outro. 

Ele me levou para área de camping, estava procurando por um barraca, senti que ele estava um pouco perdido, mas achei natural depois de tantas bebidas e talvez um alucinógeno. 

- Aqui está! - disse ele entrando na barraca.

- Que bacana, estava querendo acampar aqui, mas meus amigos não toparam - respondi enquanto ele me puxava para dentro da barraca. 

O sexo rolou ali mesmo, dentro da barraca, ao som da rave e dos acampados ao redor. Transar ao som de trance e dentro de um camping, é uma experiência única e indescritível. Diego era todo peludo, era um pelo alto e macio, ele também tinha muitos pelos nas pernas, se não fosse pelo rosto, de longe seria difícil falar que ele era branco, seus pelos pretos tomavam todo o seu corpo.

- Posso saber o que significa isso? - perguntou um rapaz ao abrir a entrada da barraca.

- Se vista logo! - disse Diego enquanto subia as calças.

- O que está acontecendo? - perguntei confuso.

- Agora não posso explicar, apenas corre - e foi o que fizemos em meio as barracas, com calças caindo, bunda a mostra, sem camisetas e ao som de protestos do rapaz da barraca.

- Filhos da Puta, filhos da puta - ele gritava enquanto o pessoal das barracas davam risadas.

Depois de muito correr, nos jogamos na grama, próximo do palco das atrações, ficamos ali por alguns minutos, nos recompondo, vendo um nascer do sol maravilhoso e toda energia positiva que aquele lugar nos estavam proporcionando. Nos despedimos da mesma forma que nos conhecemos. Estava com meus amigos e ele chegou por trás e disse:

- Tchau, ursão - me envolvendo em seu peito peludo.

Só quando eu estava no meio do caminho eu percebi que não havia pego o telefone do rapaz e nem eu tinha dado o meu, mas se fosse para nos reencontramos, com certeza a vida se encarregaria de nos proporcionar novos encontros.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

O Trio de Muhammed

Existem algumas regras de conduta para pegação virtual que, se seguidas a risca, evitam muitos desconfortos. As mais eficientes são a "cutuca que te cutuco" e a "curta que eu curto". A probabilidade de incômodos na paquera, com a aplicação dessas regras, é quase nula.

João Vitor, experiente no ambiente virtual, aplicou as duas técnicas conjuntas com Muhammed. Meia hora depois Muhammed já havia retribuído a cutucada e as curtidas. Sem pensar duas vezes João Vitor já enviou um "olá" por mensagem instantânea e sem ter tempo de fechar a janela de bate papo, já visualizou a notificação que Muhammed estava respondendo.

Muhammed era um refugiado Sírio. Veio para o Brasil por conta de divergências políticas e sociais. Como se não bastasse a sua família ser de oposição ao Governo, Muhammed também era gay e teve que fugir do seu país para não ser morto.  João Vitor era filho de baiano com uma pernambucana, tinha uma testosterona natural dos nordestinos, mesmo nascendo em São Paulo, tinha calor correndo pelo sangue.

As conversas fluíram muito rápido, Muhammed prezava pela boa comunicação, além de ser muito desconfiado, talvez pelo fato de ter fugido de um país, onde vizinhos e familiares poderiam se revelar como o seu mais cruel inimigo.

Muhammed e João Vitor foram se conheceram no Parque do Ibirapuera. Parecia um sonho para Muhammed, finalmente ele estava em paz, seguro e com alguém que ele poderia amar. No final daquela tarde, depois de caminharem de mãos dadas pelo parque e tomaram sorvete, envolvidos pela vista do pôr do sol proporcionada pelo lago, Muhammed pediu João Vitor em namoro. João Vitor não disse sim, mas também não disse não, apenas respondeu com um beijo e disse que ele era um dos seus melhores presentes.

Foi numa das infinitas conversar que tudo ruiu, ou quase ruiu. Muhammed perguntou para o João Vitor se ele já tinha feito "trio". João Vitor sem entender o questionamento, pediu explicações, até descobrir que o "trio" se tratava de "sexo à três". João Vitor pensou em responder qualquer coisa, mas optou pela sinceridade e disse "sim". Muhammed desolado respondeu que era difícil achar alguém sério no Brasil e que todo mundo já havia feito "trio".

A imagem do "trio" não saia da cabeça de Muhammad, como ele poderia amar uma pessoa que já fez "trio"? João Vitor tentou argumentar, disse que tudo o que ele viveu o transformou naquele homem que o amava, mas Muhammad estava convicto de que homem que faz "trio" não era homem para ele.  

João Vitor fez uma proposta para Muhammed e sugeriu um último encontro e se após este encontro a imagem do "trio" ainda atormentasse a cabeça de Muhammed, cada um seguiria o seu destino e assim foi feito. 

Eles foram num motel, pois apesar de Muhammed ser resolvido, ele vinha de uma cultura muito reprimida, o sexo ainda não havia acontecido entre eles. Tudo foi louco e intenso, ambos transaram como duas cadelas no cio, parando apenas para tomarem banho e fumar um cigarro.  

Quando sairiam do motel, João Vitor perguntou se a imagem do "trio" havia saído da cabeça de Muhammed. Ele muito triste respondeu que não e que ambos deveriam ser apenas amigos. João Vitor não ficou triste, mas também não ficou alegre. Ele perdeu Muhammed, mas poderia pintar, quando chegasse em sua casa, um mapa de colorir afixado na parede do seu quarto, contornando as delimitações da Síria. A marcação seria num tom verde claro, mas a esperança de se tornar um verde escuro era muito grande

domingo, 19 de fevereiro de 2017

Paqueras Liquidas

A paquera para o ser humano é o equivalente a dança do acasalamento para outras espécies, aquele momento de tudo ou nada, onde em alguns instantes saberemos se seremos ou não agraciados pela concessão da copulação com a presa almejada. 
Segundo o dicionário “paquera” significa o “ato ou efeito de paquerar, tentativa de namoro, paquerador”.

Os recursos visuais e gestuais sempre foram aliados de uma boa paquera. Dizem que ao passar por uma pessoa pela rua, quando os olhares se cruzaram, bastam apenas três segundos para ela olhar pra trás e confirmar o interesse.

Algumas paqueras servem apenas para massagear o ego, tem pessoas que passarão a vida inteira cruzando por outras pessoas nas ruas e olhando para trás, mas a ação de parar, observar e chegar no alvo, é um ato de coragem. Numa fase do ápice do amor liquido, qualquer atitude sem o recurso de alguma tecnologia, é um ato inovador. 

Após o expediente, como era de costume, Luís Fernando saiu do trabalho e foi para a faculdade. Pegava todos os dias o ônibus que seguia para as Perdizes, ali mesmo na Paulista com a Consolação. As 18h30m o movimento era intenso, vários ônibus parando no ponto, pessoas correndo para embarcar, se esbarrando com as pessoas que desembarcava. 

No meio daquele vai e vem de pessoas, Luís Fernando avistou um homem barbudo – não tanto quanto ele – parado, como se estivesse em câmera lenta, não sendo abalado pela agitação social que São Paulo passa para todos os seus filhos. Os dois se olhavam em meio à multidão, tentando descobrir um meio de se aproximarem, mas impedidos pela penetração dos olhares, que deixou ambos constrangidos. 

O ônibus do homem barbudo encostou na plataforma, Luís Fernando avistava o homem seguindo seu destino, mas preocupado com quem vinha atrás, preocupado se Luís Fernando também seguiria o mesmo destino.

Com o ônibus partindo, Luís Fernando ficou procurando o homem barbudo dentro do ônibus, o olhar que momentos antes era de esperança, transformou-se em despedida... até lembrar-se que naquela mesma tarde ele havia baixado um aplicativo de celular, esses que cruzam pessoas com localizações, onde a paquera rola de forma não presencial. Luís Fernando era o terceiro da lista, estava lá com aquela barba farta e sorriso fechado, exatamente que forma que atraiu o outro homem barbudo.

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Sobre o musical do Chaplin e Canalização de Energias

Semana passada, assisti a reestreia do “Chaplin – O Musical”, no Teatro Procópio Ferreira. A obra de Marcos Rey, adaptada por Miguel Falabella, tem como protagonista Jarbas Homem de Melo, interpretando Chaplin, que conta a trajetória de sucesso de um dos maiores artistas do cinema, abordando desde a sua infância, sua origem humilde e pobre, mostrando seus conflitos com um lar desestruturado e ressaltando sua forte amizade com seu irmão mais velho, Sidney, interpretado por Marcelo Antony.

Sidney teve papel fundamental na carreira de Chaplin, iniciaram suas trajetórias artísticas em Londres, até que Chaplin recebe um convite de uma produtora de filmes de hollywood e Sidney dividido entre sua mãe, que sofria de Alzheimers e a carreira e amizade com o irmão, acaba escolhendo ficar em Londres com a mãe .

O musical, com canções originais do autor Christopher Curtis e alguns versões para a produção brasileira, retrata de uma forma envolvente a forma com que Chaplin abdicou de toda sua vida, e nome do sucesso, não hesitando em deixar sua mãe em uma clínica médica, para viver do outro lado do continente. Posteriormente, com sua carreira artística consagrada, Chaplin recebe uma visita surpresa de Sidney, que decide ficar nos Estados Unidos e cuidar da carreira artística do seu irmão.
Fiquei pensando sobre as escolhas que fazemos e até que ponto realmente vale a pena se abdicar de tudo em nome de uma determinada área de nossas vidas, nossas escolhas nos definem, norteiam toda nossa vida. Chaplin optou exclusivamente pelo sucesso e para isso fez escolhas que talvez eu não as faria, como não estar presente na velhice da mãe, demitir o irmão por conta de divergências políticas e não acompanhar o momento do nascimento do seu filho, que logo após ao parto veio a falecer.

Existem áreas nas nossas vidas que acabam sendo nossos pilares de sustentação, onde canalizamos as energias que nos norteiam, porém temos que tomar cuidado para não nos centrarmos em apenas um eixo, como ficou bem evidente no musical do Chaplin, que canalizou todas as suas energias para sua vida profissional.

Eu tenho basicamente duas áreas da minha vida que precisam sempre estar bem trabalhadas, quando uma das duas não estão bem, percebo que todas as outras também acabam ficando mal. Dosar a importância e as expectativas que jogamos para as diversas áreas é uma tarefa árdua e diária, precisamos estar bem no conjunto, para ter uma vida plena e feliz.

Serviço: 

Chaplin - O Musical
Teatro Procópio Ferreira: Rua Augusta, 2823 - Informações: 3083-4475
De 05/09 à 18/10 - quintas e sextas, às 21h, sábados, às 17h e 21h e domingos, às 16h e 20h
De R$ 25 a R$ 200

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Sobre Memórias de um Gigolô, Heranças Culturais e Saudosismo

Assistindo o musical "Memórias de um Gigolô", ambientado na São Paulo da década de 30, fiquei pensando em qual herança cultural deixaremos para as futuras gerações. Estamos vivendo um marasmo em vários setores de produção musical, artística e arquitetônica.

Na década de 30, o então presidente Getúlio Vargas, criou a estrutura dos sindicatos ligados ao governo, até mesmo para equilibrar as disputas de classes que foram tão acaloradas naquela época. Foi um período de intensa produção no país e que hoje observamos vários traços arquitetônicos deixados por aquela época.

Nossa cidade foi construída com o crescimento industrial e estamos migrando nossas atividades para o serviço, deixando inúmeros imóveis vazios e sem uma outra forma viável de ocupação. Muitos dos imóveis, que ocupavam as grandes empresas de São Paulo, estão virando igrejas e alguns sendo demolidos para a construção de outros imóveis, frios e envidraçados, sem nenhuma conexão com o seu entorno.

Na música, apesar de gostar de muitas produções que estão fazendo sucesso, não consigo identificar algo que irá marcar de verdade nossa geração. Temos muitos cantores que estouram nas paradas e depois de alguns anos não ouvimos mais.

Vivemos numa época da informação descartável, onde diariamente somos bombardeados pelos mais diversos assuntos, que tem uma validade reflexiva muito curta, até cair no completo esquecimento.

Ainda falando sobre "Memórias de um Gigolô", me chamou a atenção a forma que eles idolatravam os anos 30, da mesma forma que hoje recordamos com muito saudosismo dos anos 80 e 90. Já ouvi esse papo antes, dos meus pais falando dos anos 60 e 70, acho que essa defesa da sua época não terá fim, sempre seremos impactados pelo o que de melhor existiu em nossa geração e tudo isso nos moldará como cidadãos.

Gosto muito da produção musical dos anos 80 e 90, principalmente no que se refere ao Pop Rock Nacional e a MPB. Provavelmente estamos replicando o mesmo comportamento da veneração dos anos 30, retratado no musical e talvez daqui alguns anos, Ivete Sangalo seja a nova Elis Regina e o Luan Santana e novo Tom Jobim.

sexta-feira, 1 de maio de 2015

Frequência "Gay"

O Portal MixBrasil, em parceria com a Rádio 89 FM, lançou uma campanha intitulada "Frequência Gay", que alerta para as alarmantes estatísticas de assassinatos de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais, por motivação de ódio, no Brasil. Apesar da campanha exibir os dados como só fossem gays assassinados no Brasil, isso é um equivoco, essa estatística é contabilizada pelo Grupo Gay da Bahia e nela entra todos os crimes contra a população LGBT.

No filme, a Rádio 89 FM avisou que a música a ser tocada a seguir estaria em uma frequência que, segundo foi descoberto, somente homossexuais poderiam ouvir. Para registrar a reação de algumas pessoas, foram instaladas câmeras escondidas em um táxi com a estação sintonizada.

Apesar de a música tocada ser ouvida por todos, poucos passageiros assumiram que estavam ouvindo, alguns revoltados com o fato. Ao final, os ouvintes eram comunicados que, na verdade, a Frequência Gay não existe, afinal, somos todos iguais, independentemente da orientação sexual.

quarta-feira, 29 de abril de 2015

O Ravengar da minha infância

O grande papel da arte é nos sensibilizar, mexer com o nosso imaginário, muitas das vezes criando outra realidade. Quando eu era criança, na época que a novela "Que rei sou eu?" era exibida, morava um homem na minha rua que se parecia muito com o Ravengar, personagem de Antônio Abujamra, pai do Clayton, meu melhor amigo.

Eu tinha uma rotina muito definida. Dormia muito cedo, para acordar às 6 da manhã, assistir Vovó Mafalda, Jaspion, Power Rangers e Thundercats. Depois ia pra rua e passava na casa do Cleyton, filho do "Ravengar", na maioria das vezes ficávamos brincando na casa dele e as vezes chamávamos os outros meninos para brinca também. Nos dias que eu não passava na casa do Clayton, ele sempre passava na minha.

Nessa época tive que militar no Movimento LGBT pela primeira vez, os meninos da rua me chamavam de "Marcos Bicha", eu reclamei e de forma muito natural eles justificaram que era pelo fato de ter outro Marcos na mesma rua e que ele morava lá antes de mim e por isso ele tinha o direito de ser chamado de Marcos.

Fiquei alguns dias sem sair na rua, o apelido me incomodava. Como pedido de desculpas, todos os meninos se reuniram e foram me chamar em casa. Falaram que iriam me chamar de "Marcos da Esquina". Achei melhor, mas se fosse hoje eu também questionaria. Nunca fiz ponto na esquina para me chamarem assim.

Hoje, refletindo sobre o assunto, percebo que a minha relação com o Clayton era muito conturbada. Brigávamos muito e depois das brigas eu sempre ia pra minha casa e as vezes a mãe dele ia me chamar, falava que nos éramos amigos e não podíamos brigar. Ela pedia para eu ir lá na casa dela, fazer as pazes e pedir para ele sair debaixo do carro. Ele saia e íamos brincar novamente. Só teve um vez que entramos em confronto corporal, quando ele me chamou de "Filho da Puta".

Sempre que ia na casa dele, ia embora quando o pai dele chegava. Tinha muito medo. Enxergava aquele homem como o próprio Ravengar. Na maioria das vezes ia correndo, chegava em casa cansado e gritando "Ravengar, Ravengar". Minha mãe mandava eu parar de ser besta, dizendo que ele não era o "Ravengar".

Me mudei de Santo André ainda muito pequeno, com uns 12 anos, nunca mais vi o Clayton, mas a morte do ator e diretor Antônio Abujamra me trouxeram essas maravilhosas lembranças, provando que ele cumpriu sua missão como artista, mexendo com o imaginário de pessoas de todas as idades.

segunda-feira, 27 de abril de 2015

A moda da "mangina" e a desconstrução do falocentrismo

Uma nova moda que está tomando conta do instagram é a "Mangina", que consiste numa selfie em que o homem deve ficar totalmente pelado e esconder o pênis entre pernas.

Vi muitos comentários pelo Facebook e em alguns site de noticias, que a "Magina" nada mais é que um meio de burlar as regras do Instagram, com o objetivo de postar uma foto pelado, sem que ela seja denunciada. Pode até ser, não descarto essa hipótese, mas não vejo um efeito diferente ao de uma foto de cueca ou de sunga, que são amplamente divulgadas nas redes sociais.

Eu acredito que a "mangina" resulta de um trabalho dos movimentos sociais, que luta pela desconstrução de uma sociedade machista, homofobica e heterormativa. Quando um homem esconde o seu falo, simbolo maior de uma sociedade que prega a submissão feminina, imitando uma vagina, abrimos a discussão de gênero em nossa sociedade.

Quando um homem abre mão de alguns símbolos de sua masculina e mesmo por brincadeira, dá visibilidade aos símbolos femininos, eles estão desprovidos de uma cultura machista ou num processo de desconstrução.

Estamos numa sociedade que tenta destruir tudo aquilo que ameaça um ordem que eles julgam como natural do processo e nesse mundo o papel dos homens é manter sua masculinidade e o da mulher é ser submissa.

Mesmo que os adeptos da "mangina", não tenham o objetivo de desconstruir uma cultura machista, eles estão nesse processo. A luta pela igualdade é tão árdua, que muitas das vezes os pequenos gestos passam desapercebidos.


domingo, 26 de abril de 2015

A evolução do pinto

Certa vez, quando eu era criança, eu e minhas irmãs fomos com minha mãe numa feira livre, que ficava próximo de casa. Na feira havia um barraca que vendia pintinhos, ficamos entusiasmado quando vimos e imediatamente começamos a campanha para minha mãe compra-los. Ela comprou os três, um pra mim e os outros dois para cada uma das minhas irmãs.

Em casa, tivemos que montar uma estrategia para manter a integridade física dos pintos, nos tínhamos 4 cachorros, que não viam aqueles pequenos animais como amigos, mas sim como comidas. Fizemos um cercadinho para colocar os pintinhos, que deixou os cachorros ainda mais alvoroçados.

Os pintos começaram a crescer e as vezes escapavam do cercadinho, tornando o quintal uma verdadeira bagunça, com os cachorros correndo atrás dos pintos e a gente correndo atrás do cachorros, por sorte os cachorros nunca conseguiram pegar os pintos.

Com o passar do tempo, os pintos começaram a parecer galinhas. A beleza daquele bichinho amarelinho, começou a desaparecer, os pintos estavam virando galinhas, o que para nos foi extremamente assustador. Na nossa cabeça, uma vez pinto, pra sempre pinto. Tivermos que dar as galinhas para uma vizinha, pois quando elas cresceram, ficamos com medo.

Na terça-feira, começou a circular uma foto pelo Facebook de um pinto numa caixinha, com os dizeres "lembrança do meu aniversário". Achei de extremo mal gosto oferecer pintos para uma criança e sabemos que esses pintos, na maioria dos casos, serão maltratados pelas crianças, até mesmo pela sua fragilidade e quando virarem galinhas, serão abandonadas nas ruas.

Tramitam pelo Brasil Projetos de Lei que tornam o ato de distribuir animais um crime, independentemente de constatados maus-tratos ou não. É o caso do PL 554/2014, do estado de São Paulo, que prevê multa de R$ 4.250,00 por animal encontrado em situação semelhante à da festa infantil.

Manter um pinto num apartamento é fácil. Quero saber o que irá acontecer quando virar galinha? A mãe chamará o filho pra fazer o abate e ensinar a ele como se faz uma galinhada?

sábado, 25 de abril de 2015

Meu Ibira: O presente é todo nosso

Um dos orgulhos dos paulistas e paulistanos, é o Parque do Ibirapuera. Um verdadeiro pulmão de resistência, na maior cidade da América Latina e que parece um verdadeiro coração de mãe. Todo mundo se encontra no Ibira e convivem muito bem.

Pensando nesses frequentadores, apaixonados pelo Ibirapuera, a Rede Globo resolveu presentear a cidade com o aplicativo "Meu Ibira". A interação do app é bem parecida com a do Facebook, com um mural onde podemos visualizar as atividades dos amigos. Na categoria explorar, encontramos as atividades do parque, divididas em categorias, como esporte, bem-estar, cultura, brincadeiras, natureza, entre outros. Um grande diferencial do app é um mapa, onde encontramos todos os pontos interessantes, com fotos e curiosidades do parque.

Um dos meus cantinhos prediletos do Ibirapuera, é o Museu AfroBrasil, dedicado a valorização da cultura negra, o museu conta com várias exposições itinerantes e uma permanente, sobre a história do orixás. Todas as vezes eu vou ao parque, tenho que ir ao Museu.

Também gosto muito da fonte, presente do Grupo Pão de Açucar, na ocasião do aniversário de 450 anos da Cidade de São Paulo. Sentar no gramadinho e ficar vendo o show pirotécnico, é arrebatador. Tem também o "Planetário", que marcou a infância de quase todos os moradores de São Paulo. O parque é um dos pontos mais democráticos da cidade, onde todas as tribos se encontram.

A aplicação ainda está muito lenta. Tive que tentar algumas vezes para concluir o meu cadastro. Como o app foi lançado hoje, deve estar enfrentando alguns bugs. Também não consegui localizar os meus amigos, talvez nenhum tenha baixado. Seria muito bom se a Secretaria de Estado da Cultura desenvolvesse um app parecido. Temos um ótimo circuito cultural na região central, pouco aproveitado pela população.


sexta-feira, 24 de abril de 2015

Por iguais oportunidade de trabalho

A nova capa da "Revista Época" vem para contribuir positivamente no que se tem discutido sobre a equanimidade nas condições de trabalho e no acesso ao emprego no que diz respeito a população LGBT. Parece inadmissível cogitarmos isso, mas ainda existem chefes que estão preocupados com quem os seus subordinados dividem a cama.

No ano passado conheci um cara pela internet, marcamos de tomar um café e durante a conversa ele comentou que toda sua família e amigos sabiam da sua sexualidade, ele só mantinha segredo no trabalho e não era apenas um simples segredo, ele fazia questão de reafirmar sempre uma falsa heterossexualidade, comentando sobre meninas e falando de experiencias sexuais que ele nunca teve.

Não estamos no papel de julgar esse tipo de comportamento, sabemos que a homofobia, lesbofobia e transfobia, no ambiente corporativo é muito grande, é fruto de uma sociedade machista e patriarcal, que tem o papel de repudiar tudo aquilo que não é considerado "padrão" e "heteronormativo". O mesmo preconceito que restringe os direitos das mulheres no mercado de trabalho, também restringe da população LGBT.

Embora gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais venham conquistando espaço nas grandes mídias e ganhando notoriedade nas telenovelas, é preciso que as pessoas entendam que a vida deles não se circunscreve ao sexo, nem tampouco ao aspecto comportamental. Quando falamos dessas pessoas, muitas vezes parece que sua vida se limita ao aspecto privado, íntimo, pessoal.

Não vemos muito frequentemente professores se assumirem LGBT com naturalidade, funcionários trabalharem travestidos sem que isso se torne a primeira coisa a chamar a atenção, e não o trabalho desempenhado pela pessoa, em si. Deveria ser normal vermos empresários transexuais numa reunião de trabalho abordando assuntos que em nada se referem a sexo, e sem que ninguém reparasse nisso. 

Recentemente o Carrefour lançou um manual de “Como tratar pessoas LGBT?”, são perguntas e respostas, que levam instruções aos colaboradores da empresa, maneiras de combater o preconceito em suas lojas. No manual a empresa ressalta que a discriminação e posturas intolerantes por parte de qualquer pessoa, seja colaborador, cliente ou qualquer público, não estão em sintonia com os valores da empresa". Outro avanço muito importante é no que diz respeito ao nome social, possibilitando que colaboradores e colaboradoras, figurem o seu nome social no crachá, independente de cirurgia ou decisão judicial, respeitando as liberdades e escolhas individuais. 

No Governo do Estado de São Paulo, no âmbito da Secretaria de Emprego e Relações do Trabalho, temos o "Selo Paulista da Diversidade", que tem o objetivo de destacar boas práticas empresariais como ação estratégica pela igualdade de direitos e cidadania. Essas práticas são relacionadas a inclusão das temáticas das pessoas com deficiência, e as questões étnicas, raciais, de gênero, idade, orientação sexual e identidade de gênero, e para difundir a cultura de respeito, valorização e promoção da igualdade nos ambientes de trabalho.

O que é necessário mudar no ambiente corporativo, está relacionado a “Acessibilidade Atitudinal”, um termo amplamente explorado e defendido pelo Movimento das Pessoas com Deficiência, mas que podemos projetar para todos os outros movimentos de minorias. Enquanto nos e as empresas não mudarem o modo de pensar, de ver o outro, estaremos apenas num discurso infundado e vazio que pede respeito, mas não mostra como ou porque. 

Precisamos ver as pessoas além do privado, pois os talentos não estão expostos em características físicas, raça, credo, orientação sexual ou identidade de gênero. Infelizmente a atitude generalizada é censurante e opressora e enquanto não mudarmos o comportamento corporativo não sairemos da base do discurso.

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Puro Êxtase: Um episódio de dor e prazer

Imagine: você, uma cadeira, uma mesa e um tatuador. Algo simples, aparentemente. Agora acrescente o desafio de ser estimulado sexualmente, sem perder a compostura, enquanto faz a tatuagem. Pois foi exatamente o que Tomie Akemi fez para o segundo episódio de Puro Êxtase.

A proposta do projeto é a desconstrução do erotismo, colocando os participantes em situações corriqueiras, enquanto são estimulados sexualmente. O desafio é conter o orgasmo. O que não deve ter sido uma tarefa fácil para Tomie, levando em consideração que a dor é um estimulo sexual para muitas pessoas.

O prazer é a dor sempre teve uma linha muito tênue, provocar a dor para estimular o prazer é uma pratica muito recorrendo e ganha casa vez mais adeptos e quando falo em dor, não me refiro apenas aos sadomasoquistas convictos, me refiro também as mordidas e apertões para obtenção do prazer.

Em conversa com o Pedro Paulo Vieira, idealizador do projeto "Puro Êxtase", questionei sobre a participação masculina nos próximos episódios, sem dar muitos detalhes, ele garantiu que está preparando uma grande surpresa. Também teremos novidades que envolve a Diversidade Sexual, em comemoração ao mês do Orgulho LGBT, que acontece em junho.

 

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Homem Feminista

Já fui muito criticado por feministas ao dizer que eu era um homem feminista. E o discurso foi o mesmo de sempre, apontando que os homens não podem protagonizar uma luta de mulheres. Antes de ser homem, sou filho, neto, irmão e amigo de muitas mulheres que tem seus direitos negados numa sociedade machista, heteronormativa e patriarcal. 

Não precisamos ter uma identidade de gênero feminina, para lutarmos contra o machismo. O machismo é um preconceito tão enraizado na sociedade, que não abrange só os mulheres, a luta contra a homofobia, lesbofobia e transfobia, protagonizadas pelo Movimento LGBT, são variações do machismo da nossa sociedade.

Nossos algozes superaram essa discussão de legitimidade e protagonismo, eles tem um objetivo e se algum setor da sociedade puder se unir a eles, será muito bem vindo. Podemos usar como exemplo os conchavos que a Bancada Evangélica, do Congresso Nacional, faz com a Bancada Ruralista, votando em conjunto suas pautas, ganhando força e travando as pauta progressistas dos Movimentos Sociais e as pautas de pautas de proteção ao meio ambiente.

Os homens sensíveis a causa do Movimento Feminista, não quer protagonizar a pauta do movimento, quer apenas unir forças para acabar com o Machismo que destrói nossa sociedade, colocando mulheres, que são maioria absoluta, numa situação de submissão social. 

terça-feira, 21 de abril de 2015

O Melhor da Vida

Sabe quando bate aquela vontade de viver várias coisas que você ainda não viveu e reviver outras que ficaram pra trás, de outra forma, percorrendo outros caminhos e sentindo outros gostos? É exatamente esta vontade que está me conduzindo.

Me privei por conta de algumas decepções do passado, deixando de viver vários momentos, me despedindo de várias pessoas, antes mesmo de conhece-las. Na verdade nos transformamos a cada dia e o principal agravante de pararmos, é o de não saber em quem estamos nos transformando.

As vezes precisamos que alguém se transporte do passado, para mostrar para nos o quanto estamos desperdiçando nossas vidas, deixando ela escapar por nossas mãos, perdendo o que nos é dado de graça.

Foi assim com uma pessoa que teve uma passagem muito rápida em mim vida, chegou num momento em que eu estava precisando reconhecer alguns valores adormecidos e quando compreendi, ela simplesmente desapareceu.

Vejo tais pessoas como anjos, vestidos de homens, que entram na nossa vida para cumprir uma determinada missão e depois vão cumprir outras missões, mostrar o melhor da vida para outras pessoas.

domingo, 19 de abril de 2015

Sinfonia da Vida

Morei por algum tempo no Bairro do Pari, bem ao lado de uma Igreja Congregação Cristã. Adorava acordar aos domingos, pela manhã, com a orquestra da igreja ensaiando. Achava tudo aquilo harmonioso. Trompetes, clarinetas, violinos, saxofones e tantos outros instrumentos, como se fosse um só, tocando a mesma sinfonia, o mesmo ritmo, todos sincronizados no mesmo tempo.

A música tem um caráter renovador, sua magia tem o poder de emocionar e transformar até os corações mais enjaulados. Tentei inserir a música em minha vida, por algum tempo fiz aulas de saxofone e descobri que música é para quem tem o dom e passei a admirar ainda mais quem tem sucesso com essa arte.

Depois, trabalhei por algum tempo na Secretaria de Estado da Cultura, localizada na Sala São Paulo, sede da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo – OSESP. Costuma almoçar no restaurante da Sala São Paulo e adorava quando o horário coincidia com os ensaios da orquestra. No prédio, a OSESP colocava várias placas pedindo silêncio, nem precisava, ninguém seria capaz de interromper toda aquela maravilhava que emanava naquele prédio.

Assisti alguns concertos na Sala São Paulo, um deles foi com a minha irmã, quando a Maestrina Marin Alsop assumiu a direção da orquestra. Foi um momento mágico e emocionante, principalmente quando tocou “Fantasia”, uma das composições mais lindas da música clássica.

No primeiro andar da Secretaria de Cultura, dá para ouvir a orquestra ensaiando e trabalhar naquele lugar era sempre uma surpresa muito boa, a entrada de todas as estações do ano sempre eram saudadas com um concerto e os maestros faziam questão de interagir com os funcionário, teve uma vez que eu pedi para ele tocar a música “Viva La Vida”, do Cold Play.

Também vejo nossas vidas como uma grande sinfonia, onde nos somos os instrumentos, tocando no nosso ritmo, de acordo com o nosso entusiasmo. O maestro é sempre um ser oculto, a própria vida, que nem sempre dá o tom da melodia e está lá para colocar ritmo... Esse papel é nosso, junto com os outros instrumentos que nos rodeiam. 

Colocar ritmo na sinfonia da vida não é um trabalho fácil, tem que ter vontades bilaterais, trilaterais ou quadrilaterais, tudo dependo do tipo de relacionamento que estamos construindo e nem sempre todos os instrumentos estão vivendo aquele ritmo, compactuando da mesma motivação.

Às vezes a sinfonia é tão forte, que toca em nossas almas, mas será se tocou da mesma forma no outro? Não sabemos e talvez nem seja o nosso papel tentar descobrir ou impor o mesmo ritmo que estamos vivendo ou almejando viver, no outro. Sinfonia boa é aquela que deciframos no olhar, no tocar dos lábios e abraçar das almas, aquela que mesmo sem regente ou maestro, entramos no ritmo mais uniforme e coeso, tão arrebatador como os ensaios da igreja vizinha da minha casa ou da Sala São Paulo.

Quero viver uma sinfonia tão linda e marcante, como a “Fantasia”, tocada na ocasião que a Maestrina Marin Alsop assumiu a OSESP, uma sinfonia calma, tranqüila e arrebatadora, mas nos momentos certos tem suas explosões, levando aos mais diversos sentimentos , nos proporcionando sensações indescritíveis. Gostaria muito que a vida me presenteasse com a possibilidade de reviver algumas sinfonias, que naquele momento havia ritmo, mas não a motivação. Talvez também seja nosso papel motivar o ritmo alheio, ou talvez, temos que esperar a vida, nossa grande maestrina, trazer outras sinfonias.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Resistência à homofobia é tema de espetáculo na SP Escola de Teatro

Inspirado nas diversas notícias de homens que foram agredidos e assassinados por conta de sua orientação sexual, a A Inacabada Cia. estreia o espetáculo "Meninos também amam - um poema manifesto cênico", que integra artes visuais, dança, teatro e performance, buscando compartilhar a não aceitação da violência contra homossexuais.

A montagem pode ser conferida nos finais de semana entre os dias 13 e 21, sábados, às 20h30, e domingos, às 19h30, na SP Escola de Teatro, com entrada no esquema "pague o quanto puder". 

Criada a partir de um poema do ator, diretor e dramaturgo Rafael Guerche, a montagem apresenta como manifesto cênico o corpo masculino desnudo, que é sempre alvo de retaliação nos casos de violências aos homossexuais. Em cena, a arte homoerótica e o afeto entre duas pessoas convidam o espectador para fazer uma reflexão e promover a resistência à homofobia. 

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

IBGE divulga dados sobre casamento entre pessoas do mesmo sexo

Pela primeira vez o IBGE divulgou dados sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo no Brasil. No ano passado, para cada mil casamentos heterossexuais, houve três uniões civis entre pessoas do mesmo sexo. Quase metade dos casamentos homossexuais foram realizados em São Paulo. 

Muitos desses casais são formados por pessoas que já estavam juntas há muito tempo, mas só puderam oficializar a união depois que o Conselho Nacional de Justiça autorizou o casamento entre homossexuais, no ano passado. 

Pela primeira vez o IBGE analisou os números de casamentos entre pessoas do mesmo sexo no Brasil. No ano passado, ocorreram 3.701 uniões entre pessoas do mesmo sexo, o que representa 0,35% do total de casamentos no país. 

São Paulo foi o estado que registrou o maior número de uniões entre casais do mesmo sexo, seguido pelo Rio de Janeiro e por Minas Gerais.  A maioria dessas uniões gays no país foi entre mulheres: 52%. 

Outros dados da pesquisa do IBGE também mostram que o Brasil registrou mais casamentos e menos divórcios no ano passado. Foram 1,052 milhão casamentos, 1,1% a mais do que em 2012. A idade média para casar aumentou. Nas mulheres passou de 25 para 27 anos. Nos homens de 28 para 30 anos, isso em um espaço e uma década. 

Já número de divórcios diminuiu. Foram 16.679 separações a menos em 2013, uma queda de quase 5 % em relação ao ano anterior. E mais pessoas estão casando pela segunda vez. No ano passado, o recasamento representou 23% do total da uniões. Dez anos antes, significavam 13%.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

SBT corta cenas e transforma casal gay de novela em heterossexuais

O SBT está transformando um casal gay de uma novela mexicana em dois garanhões heterossexuais. Na dublagem de Sortilégio, que exibe há um mês na faixa das 16h, a emissora trocou todas as insinuações gays por diálogos de contexto hétero. Cenas da intimidade dos personagens Ulisses (Julián Gil) e Roberto (Marcelo Córdoba), que evidenciariam a orientação sexual de ambos, foram eliminadas na edição. Eles apenas trocam gracejos e se entreolham. 

Em Sortilégio, Ulisses e Roberto são bissexuais e têm um caso, mas fingem ser apenas bons amigos héteros. Eles têm namoradas. Na versão original mexicana, apareceram nus trocando carícias na cama e falando abertamente sobre sexualidade. 

No capítulo 16, exibido pelo SBT em 17 de novembro, Ulisses e Roberto preparam um drink enquanto estão conversando. O SBT cortou a cena quando os dois foram para a janela e se entreolharam com cumplicidade. 

No dia seguinte, uma cena romântica do casal gay foi mutilada. Na versão mexicana, enquanto caminham e fumam charuto, Ulisses diz a Roberto que gosta de homens e mulheres. Depois, os dois param. Roberto, em um gesto de carinho, pega o colar de Ulisses, que responde passando o charuto no lábio com sensualidade. 

Enquanto isso, no Brasil, o texto em que Ulisses diz que gosta de meninos e meninas foi trocada pela dublagem por “Namorei bastante lá. Eu ia para as festas e arranjava namorada”. As carícias, o charuto e a troca de olhares foram suprimidos. No capítulo de 20 de novembro, metade da cena do casal em uma banheira de hidromassagem também foi cortada, apesar de os dois nem se tocarem na versão da Televisa. 

Em 21 de novembro, o SBT transformou Roberto em hétero. Na versão mexicana, ele diz a Ulisses, em tom jocoso, que vai ver a sua “mulher”. A dublagem trocou “mulher” por “Raquel”, nome da falsa namorada, e fez o personagem suspirar, como se estivesse apaixonado por ela. Trocou a ironia original por uma declaração de amor velada. 

Procurado, o SBT disse que “todas as edições feitas são para adequar a novela à classificação indicativa para o horário de exibição, de acordo com a lei”. A trama mexicana é imprópria para menores de dez anos, mas o Ministério da Justiça não veta insinuações homossexuais. O mais curioso é que cenas mais pesadas, como o sexo na sombra entre os protagonistas Alessandro (William Levy) e Maria José (Jacqueline Bracamontes) foram ao ar. 

No capítulo com previsão para ir ao ar em 22 de dezembro, Ulisses e Roberto aparecerão na cama, nus, cobertos apenas com um lençol. Se os cortes persistirem, essa cena não irá ao ar no SBT.