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sexta-feira, 3 de março de 2017

A Geni da vez

No Rio de Janeiro, um jovem foi encontrado nu na praia, com marcas de violência, infelizmente ele veio a falecer no hospital. Amigos disseram em sua página do Facebook que ele sempre teve medo de ser vítima de homofobia. Infelizmente, nos, LGBT, somos a Geni da vez. 

Enquanto não houver a criminalização da Homofobia e Transfobia esses crimes ficarão impunes e continuarão a jogar pedra, água e bosta na gente, achando que somos feitos para apanhar e bons para cuspir. 

Segundo a OMS, o Brasil é o 11º país com mais crimes de homicídios, é um dado alarmante e qualquer pessoa poder falar que viver no Brasil é perigoso para qualquer pessoa, sendo hétero, homossexual, travestis ou transexual, mas segundo Grupo Gay da Bahia, o Brasil é o país que mais mata lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais, superando índices de países do Oriente Médio e da África, que pune com pena de morte a homossexualidade.

segunda-feira, 16 de junho de 2014

Militantes LGBT realizam protesto durante a partida entre Irã x Nigéria

Durante a partida das seleções do Irã x Nigéria, o Movimento LGBT realizou um protesto contra a homolesbotransfobia de ambos os países. Irã e Nigéria pertencem ao grupo de nações que condenam a homossexualidade com pena de morte. No protesto, ativistas colocaram uma enorme bandeira do movimento gay na fachada de um prédio e enforcaram dois bonecos, um representando as mortes ocorridas naqueles países.

Durante o protesto, diversos iranianos pararam para ver e até tirar fotos da manifestação. Para o iraniano Mihda, que é radicado nos Estados Unidos e não quis revelar seu sobrenome, os protestos são legítimos e todos estão otimistas no país por uma maior abertura política. Ele, por exemplo, disse não se importar com a orientação sexual do seu filho, que ele nunca perguntou qual é. No entanto, Mihda se recusou a tirar uma foto diante da bandeira gay.

A partida Irã x Nigéria, foi apelidada de "Jogo da Morte". No Irã, gays são enforcados. No norte da Nigéria, perdem a vida a pedradas. A Capital paranaense também irá sediar o jogo entre Argélia x Russia, no dia 26. Na Argélia, homossexuais podem ser condenados a 14 anos de prisão, e na Rússia, embora oficialmente não existam leis contra gays, eles são cada vez mais apartados da sociedade e perseguidos.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Sobre Manifestações e Ausência de Políticas Públicas

Muito me impressiona o desdobramento que alguns militantes do movimento LGBT vem dando ao caso do menino Kaique, morto no dia 11 de janeiro. A morte completa um mês e apesar da família estar convencida que foi suicídio, alguns militantes não se convenceram da conclusão do laudo policial e prometem mais manifestações. 

Antes da conclusão do laudo policial, a Ministra Maria do Rosário soltou uma nota lamentando o caso de homofobia em São Paulo. A ministra trata São Paulo como um ente independente da Federação, como se os casos de homofobia praticados em São Paulo não fossem reflexos da ausência de políticas públicas nos mais de 10 anos do Governo Petista. 

Considero a manifestação legitima e um forte instrumento da democracia, porém no calor do momento, o seu alvo foi desviado. Os manifestantes programam ir até a Secretaria de Segurança Pública e cobrar por respostas e se esta Secretaria não se movimentar, significa que “a diversidade não é bem vinda em São Paulo”. 

São Paulo é o Estado que tem a maior rede de proteção e de políticas públicas voltadas para o segmento LGBT. Foi em São Paulo, na gestão do Prefeito José Serra, que foi instituído no âmbito municipal o primeiro órgão governamental de fomento as políticas para a população LGBT. Enquanto Governador, José Serra também instituiu a Coordenação de Políticas Publicas para a Diversidade Sexual. Também foi regulamentada a Lei 10.948, que pune administrativamente à homofobia, além da criação de conselhos municipais e estadual. 

Ainda temos muito que avançar para termos uma cidade e um Estado para todas e todos, acho completamente desconexo com a realidade cobrar somente do Governo Estadual a responsabilidade pela crescente onda de homofobia. Não é da alçada do poder público Estadual criminalizar a homofobia, mas sim do Governo Federal, que em negociações com as bancadas fundamentalistas enterrou o PLC 122 e vetou o Kit Escola Sem Homofobia, ocasião que a presidente Dilma Rousseff declarou que não faria propaganda de “opções sexuais”. 

Enquanto o Movimento LGBT fica se digladiando, numa disputa partidária sem fim, casos de homofobia estão acontecendo em todo o Brasil. Temos que cobrar, é um direito legitimo de todas e todos, mas temos que saber direcionar nossas demandas, cobrando a ausência do poder público nas esferas de sua competência.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Militantes de Uganda precisa reunir assinaturas para barrar projeto que prevê pena de morte aos LGBT

O parlamento de Uganda pode aprovar uma lei brutal que pode implicar na pena de morte para a homossexualidade. Se eles fizerem isso, milhares de ugandenses podem ser executados ou condenados a prisão perpétua, apenas por serem gays.

Por iniciativa popular, essa lei já foi impedida antes e podemos nos mobilizar novamente. Depois de uma enorme manifestação global no ano passado, o presidente ugandense Museveni bloqueou o avanço da lei. Mas os distúrbios políticos estão crescendo em Uganda, e extremistas religiosos no parlamento estão esperando que a confusão e violência nas ruas distraia a comunidade internacional nesta segunda tentativa de aprovar essa lei feita de ódio. Temos que mostrar a eles que a comunidade internacional está atenta.

Mão temos tempo a perder. Temos que reunir mais de 1 milhão de assinaturas contra a terrível lei que afronta não só a comunidade LGBT de Uganda, mas toda a comunidade LGBT do Mundo. Nas próximas 24 horas, militantes dos Direitos Humanos de Uganda entregará uma petição para que essa lei seja de uma vez por todas tirada da pauta dos legislativo daquele país.

Vamos ajudar nossos irmãos Ugandeses, assine a petição clicando aqui.

domingo, 27 de maio de 2012

Rússia: Passeata LGBT acaba em briga com cristãos e detenção

Dezenas de pessoas foram presas em Moscou neste domingo depois que ativistas da Igreja Cristã Ortodoxa Russa atacaram duas manifestações em defesa de diretos dos LGBT, jogando água contra os participantes e gritando orações. 

Alguns ativistas ortodoxos deram socos em manifestantes, tomaram suas bandeiras da cor do arco-íris - símbolo do movimento LGBT - e as pisotearam diante das câmeras de televisão. 


O confronto ocorreu durante os dois protestos, realizados diante da prefeitura e do Parlamento. Nenhuma das manifestações tinha sido autorizada pelas autoridades de Moscou. 

Quase todos os cerca de 30 participantes homossexuais foram detidos e muito poucos dos quase 50 ativistas cristãos ortodoxos envolvidos. 

O líder do protesto pelos direitos dos gays, Nikolai Alexeyev, afirmou que estava sendo preso por falar com os jornalistas. "Fui detido no protesto do Orgulho na prefeitura de Moscou", escreveu ele no Twitter. "Não tenho palavras." 

A polícia disse à agência estatal de notícias Itar-Tass que cerca de 40 pessoas tinham sido detidas nos protestos. 

"Todos os nossos direitos estão sendo pisoteados aqui na Rússua", disse o manifestante Igor Yasin. "Os nossos direitos não são assegurados e não temos nossa segurança física garantida."

domingo, 29 de janeiro de 2012

Governo Dilma faz operação semelhante ao do Pinheirinho

Na semana passada, em reunião fechada com representantes do comitê internacional do Fórum Social Mundial, Dilma Rousseff critica duramente ação policial contra sem teto em São Paulo e diz que o governo federal jamais faria ação semelhante. Menos de uma semana se passou e me deparo com uma noticia no Correio Brasiliense que diz que o Governo Federal retirou 70 famílias de invasão em fazenda da União.


PM acompanha invasor durante a retirada:
Agefis derrubou moradias com a ajuda de três tratores
Durante a desocupação, a Delegacia do Meio Ambiente (Dema) prendeu 29 pessoas acusadas de invadir com intenção de ocupar terras da União, crime descrito no artigo 20 da Lei nº 4.947, de 1966. As penas para quem comete o delito são de seis meses a três anos de prisão. Cada um dos acusados poderá responder em liberdade, caso uma fiança de R$ 1 mil seja paga. Três pessoas também responderão pelo crime de desacato a autoridade, descrito no artigo 331 do Código Penal. As penas são de seis meses a dois anos.

O agricultor José Pereira Gonçalves, 48 anos, estava em um assentamento em Brazlândia com a mulher e dois filhos e, desde a última sexta-feira, fez um barraco na Fazenda Sálvia. Natural do Maranhão, José diz que gostaria de dar uma vida melhor para os filhos por meio do trabalho na lavoura. “Não quero nada de ninguém. Queria só um pedaço de chão para plantar, mas, como não deu certo, vou esperar uma oportunidade. O governo tinha de ajudar quem precisa. Essa terra está parada”, lamentou.

A agricultora Maria Silva, 39 anos, estava acampada na Fazenda Sálvia com a irmã, Rita Silva, 45. As duas são paraibanas e vieram para Brasília na esperança de conseguirem ser incluídas em um programa de reforma agrária. “A situação é precária no nosso estado. Viemos para cá em busca de um lugar para viver bem. Essa fazenda podia ser dividida entre o povo, mas ninguém consegue nada de graça”, disse.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Ninguém é Perfeito

Assistindo ao vídeo Pink Perfect – Não sou perfeito pai, que o próprio autor sugeriu que eu divulgasse no blog, me lembrei da campanha “Its gets better”, que ganhou grande repercussão nos Estados Unidos depois de uma séria de suicídios de adolescentes gays por não terem suportado a homofobia da sociedade, principalmente as ocorridas no ambiente escolar.

Uma das vitimas foi o garoto Tyler Clementi, de 20 anos, estudante e violinista. Tyler  morava no dormitório de uma faculdade no Estado de Nova Jersey. Ele dividia o quarto com Dharum Ravi, para quem pediu um pouco de privacidade. Ravi saiu, mas deixou uma webcam ligada, gravando tudo o que acontecia no quarto, com as imagens sendo exibidas ao vivo por um site de internet. As imagens gravadas mostravam Tyler beijando outro homem.

No Twitter, Dharun assumiu a autoria do vídeo e publicou no dia 19 de setembro de 2010 a mensagem “Eu o vi transando com outro cara”, referindo-se a Tyler Clementi, seu colega de quarto. Três dias depois, humilhado e com sua orientação sexual exposta, Tyler colocou uma mensagem em sua página do Facebook que dizia “jumping off gw bridge sorry” (saltando da ponte george washington sinto muito). O ministério público acusa Ravi e outra estudante de jogarem as imagens na internet sem permissão. Os dois estudantes envolvidos no cyberbullying podem ser condenados a cinco anos de cadeia.

Assim como o Marcos, ninguém é perfeito, mas se vivermos na tentativa que tentar agradar os demais, iremos nos anular. Temos que ser aceitos como somos e quando isso não acontece temos que ser fortes e lutar contra o preconceito e não tentar ser “perfeito”, pois perfeito ninguém é. Também espero por um país mais justo, com governantes corajosos e que não venda os direitos LGBTs em troca de apoio de grupos religiosos.

A homofobia teve uma chance para ser combatida no ambiente escolar, mas infelizmente o Kit anti-homofobia foi vetado pela presidente Dilma, com o depoimentos que ela não faria "publicidade de opções sexuais". Precisamos de um país melhor, mas para isso temos que ter governantes melhores, com coragem para combater os problemas que estão ceifando vidas.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Sobre Tentativa de Assalto e Internação Compulsória

Recentemente saiu na mídia que a Prefeitura Municipal de São Paulo está a um passo de legalizar a internação compulsória de viciados em drogas que vivem em situação de rua. Quando vi a noticia, fiquei estarrecido, achei um absurdo tal ato, pois um tratamento de desintoxicação depende muito mais da vontade do paciente, do que dos recursos disponíveis aplicados. Ainda mantenho a minha posição e tenho certeza que tal ação, se aprovada, será pouco eficiente nos seus objetivos.

Alguns amigos defenderam que a questão é bem mais ampla e que a internação compulsória viria para sanar parte dos nossos problemas de segurança pública, pois muitos desses usuários de drogas passam a cometer pequenos delitos a fim de conseguir dinheiro e objetos para depois trocar por drogas ilícitas. Mesmo com essa explanação, me coloquei contra a questão, pois de nada adiantará um tratamento realizado mediante uma internação forçada.

Terça-feira (06/09), saindo da Secretaria de Estado da Cultura, local onde trabalho, estava caminhando até o Largo do Arouche, caminho que sempre faço a pé. Passei por um menino de rua, que deveria ter no máximo 12 anos. Ele me pediu 50 centavos, eu disse que não tinha. Ele veio atrás de mim e pediu novamente os 50 centavos, novamente eu disse que não tinha. Furioso ele tirou um faca que estava escondida num cobertor que ele usava sobre os ombros e pediu o meu celular.

Fiquei assustado, virei o corri. No susto, desesperado, dei poucos passos no sentido de um posto móvel policial, que fica em frente a Secretaria da Cultura e cai. Machuquei meu joelho, ombro e região abdominal, que até o momento encontra-se machucada, doendo. Tive que ser medicado, por conta das dores que já estava incomodando bastante e tal fato me levou novamente a refletir sobre a noticia que vi há semanas sobre a internação compulsória.

A questão dos meninos de rua da Cracolândia, vai muito além da questão de saúde pública, tornou-se uma questão de segurança. O Estado é responsável pela nossa integridade física e tal caso se faz necessária uma intervenção imediata. Não podemos continuar dividindo as ruas com pequenos infratores que rejeitam os organismos que o Estado coloca a disposição para que eles deixem as ruas.

Em frente ao local que houve a tentativa de assalto pelo menor infrator, existe um albergue público, local que não tem sua capacidade de lotação atingida. Muitos dos moradores de rua, estão na rua porque não conseguem viver obedecendo regras. Em todos os lugares, na nossa casa, em nosso trabalho e na nossa vida social, obedecemos regras e até mesmo para viver num albergue, existem regras para serem obedecidas, regras que muitos dos moradores de ruas não querem cumprir.

Ainda não tenho uma opinião completamente formada sobre a internação compulsória, mas ela existindo ou não, o Estado tem que intervir sobre a questão desses infratores que passam dias e noites desequilibrando a ordem pública e tirando o direito de outros cidadãos de bem de ir e vir. Não passarei mais naquele lugar com a tranquilidade que passava antes, estou com os meus direitos violados e o Estado tem que intervir, seja acionando a Fundação Casa, ou habilitando clinicas de dependentes químicos para tratar a questão desses dependentes que recusam o tratamento e preferem as ruas, para cometer seus delitos e sustentar o vicio das drogas.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Dilma, não Brinque com o Movimento Gay - Por Marcos Freitas

Muitos são os motivos para repudiar com veemência a nossa presidente Dilma Rousseff. Minhas posições partidárias não é segredo para ninguém, sempre sou autentico em meus posicionamentos e não escondo minhas ideologias, até porque sirvo elas com muito orgulho.

Sou tucano, de direita, centro-esquerda, centro, centro-direita ou seja lá como for os que se opõe as minhas ideologias queiram me chamar ou colocar, mas hoje me dispo por completo das minhas ideologias e busco dentro de mim o menino que ficou perdido nos anos 90, para escrever aqui um breve relato:

Meu nome é Marcos Freitas, tenho 30 anos e nasci em Santo André, região metropolitana de São Paulo. Sempre estudei em escola pública e sou testemunha do ódio homofobico que impera nessas escolas. Por diversas vezes voltei para casa chorando, dizendo para minha mãe que mais uma vez havia sido agredido de forma física e verbal num ambiente que deveria me acolher, me integrar.

Nas aulas de educação física, não era diferente. Na divisão dos times, pois meninos só jogavam futebol, eu sempre era o goleiro, pois não era bom de bola. No final da aula, praticava cooper, pois voltava para casa correndo, senão os outros meninos me batiam, as vezes eles me alcançavam. Para sair desse inferno, que logo nos primeiros anos de minha vida foi submetido, me matriculei num curso de natação e pedi dispensa da educação física na escola.

Sem a educação física, parte dos meus problemas foram resolvidos, pois ainda eu tinha que passar pelo intervalo, onde não era agredido apenas pelos alunos da minha classe, mas sim por toda a escola. Cresci rodeado de homofobia, fato que me transformou militante do movimento LGBT.

Quem sofreu homofobia, tem um desejo insaciável de que tal crueldade não seja repetida jamais e mesmo hoje, não sendo mais vitima dessa homofobia praticada nas escolas, eu continuo lutando para que haja um fim, pois eu sei que em alguma escola desse país existe um Marcos Freitas, que está apanhando e sendo segregado pelo simples fato de ser diferente.

Tive uma infância típica de moleque, vivi muito nas ruas de Santo André, andando de bicicleta, brincando com bolinhas de gude e outras brincadeiras de criança, nas ruas também sofri homofobia. Minha infância não foi fácil, minha vida está sendo fácil. Sou diferente do padrão heteronormativo, gosto de homens, sinto tesão por eles e minha motivações afetivas são por pessoas do mesmo sexo.

Apesar de ter dito uma vida sofrida, eu ainda tive sorte, não fui o Alexandre Ivo, que teve a sua vida ceifada pela homofobia e nem o Tyler Clementi, que não suportou a homofobia que sofreu e tirou a sua própria vida, eu sobrevivi.

Quando paro para analisar as ações pautadas por nossa presidente, eu entro em choque. Meu Deus, essa mulher também é brasileira, viveu na mesma época que eu, teve amigos, familiares e conhecidos homossexuais e sabe muito bem do que eu estou falando. Essa mulher é presidente e tem o mínimo de cultura possível para entender o que eu estou falando, para saber como dói sofrer homofobia e como dói ser colocado na invisibilidade para o Estado.

Dilma, não votei em você, mas sei que você não estas me castigando por isso, pois muitos gays desse país votou e as politicas públicas inclusivas para eles, servem para mim também. Dilma, não peço que honre os votos dos gays, pois não sei como isso funciona na matemática da sua cabeça, apenas peço que honre os princípios fundamentais da nossa constituição, apenas peço que todos sejam iguais de fato perante a lei.

Dói, machuca, nos mata aos poucos saber que do Oiapoque ao Chuí existem meninos e meninas sofrendo pela simples fato de serem diferentes, são crianças aprisionadas num modelo heteronormativo que mata tudo aquilo que vai na contramão do que eles julgam ser “normal”.

Não queremos uma classe privilegiada, onde gays tem super poderes e estão acima de outros cidadãos, o que nos queremos são políticas reparadoras. Queremos nos sentir brasileiros também, com todos os direitos garantidos e para isso queremos as nossas crianças educadas para a diversidade. Queremos que o “Brasil sem Homofobia” seja um braço salvador para essas crianças que hoje gritam, choram e morrem, braço salvador que infelizmente eu não tive.



Também quer desabafar sobre a homofobia escolar? Mande o relato por e-mail, que publico no blog.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Arnaldo Jabor sambando na cara do Bolsonaro


"Bolsonaro devia ser posto em formol e colocado num museu, para deixar registrado um comprovante de nossa burrice histórica"

Arnaldo Jabor


quarta-feira, 13 de abril de 2011

A Necessidade da Inclusão

- Na minha escola tem um menino que ninguém gosta dele – disse a minha sobrinha.

- E porque ninguém gosta dele? – perguntei.

- Porque ele é gay – respondeu. Aquilo deu um play num filme da história da minha vida, lembrei de dias difíceis que passei no colégio, onde era conhecido como “Marcos Viadinho”.

- Você não deve se afastar de ninguém por conta disso – aconselhei.

- Não, eu sou amiga dele, fico conversando com ele no intervalo – respondeu minha sobrinha.

Começaram a chamar minha sobrinha de “sapatão”, por ser amiga do “viadinho” da escola. Ela partiu em defesa dela e do menino, dizendo que não era pelo fato dela ser amiga dele, que ela era “sapatão”. Senti orgulho da minha sobrinha, que mesmo sendo hostilizada por ser amiga do menino, não se intimidou e continuou sendo amiga dele.

Disse no post “Os Filhos que Geramos” que “ninguém opta pelo descaso, ninguém é reservado por mero capricho”. Quantas pessoas que hoje são reservadas, que foram reservadas pela sociedade, por escolas que não cumpriram o seu compromisso didático de proporcionar a aceitação das diferenças.

Em todas as escolas existe um, ou vários “Wellingtons”, menino reservado, com sexualidade duvidosa e que se prende no “seu mundo”. O mundo exterior acaba tornando-se dolorido demais, é quase impossível chegar na roda onde estão as pessoas mais descoladas da escola e dizer “olá”. O que fazer diante disso? Ficar numa redoma de vidro, onde ninguém te atinge e lá dentro você dá as regras, as suas regras que você irá obedecer, pois é o seu “mundo particular”.

Eu já fui o “Wellington”, já fui o cara estranho da escola, que torcia para não haver intervalos, pois estava cansando das hostilizações que eram expostos e que supervisores, professores e diretores escolares faziam vistas grossas. Eu já fui o garoto que era deixado de lado e que apenas algumas meninas conversavam comigo.

Na minha sala tinha o Tadeu, ele fazia natação de terça e quinta comigo e numa outra sala , umas duas sérias acima da nossa, havia um amigo dele. O Tadeu foi um dos que mais promoveu bullying comigo. Ele me chamada de “bicha” e  me batia na escola, ele era menor que eu e eu naturalmente ia pra cima dele, para me defender, mas ele era protegido pelo seu amigo. Nas terças e quintas, era a minha vez de bater nele e na natação não tinha ninguém que o defendia, mas no mesmo dia, um pouco mais a tarde, era a minha vez de apanhar na escola, do seu amigo, que era maior que eu.

Na sala de aula, o Tadeu sentava ao meu lado, era um inferno declarado, o cara não me dava sossego. Certa vez, quando ele estava voltado da mesa da professora, eu coloquei um lápis com a ponta bem apontada para furar a bunda dele, ele sentou e gritou. Ele estava com uma calça de helanca e aquilo machucou e muito, ele perguntou:

- Porque você fez isso comigo? – perguntou.

- Sei lá, você não gosta de mim - respondi.

- Gosto sim, nos somos amigos – disse ainda fazendo cara de dor.

- Se gosta de mim, porque fica tirando o sarro e mexendo comigo? Eu não gosto disso – questionei.

Depois desse episodio, continuei sendo o “bicha” da escola, mas o Tadeu nunca mais me provocou. Continuamos na natação de terça e quinta e ele continuou sentando ao meu lado, na sala de aula e o seu amigo, da outra série, nunca mais me bateu.

Não consigo explicar a motivação do bullying. Na minha época fui desamparado por profissionais “habilitados” a formarem cidadãos e o caso da escola no bairro do Realengo, Rio de Janeiro, prova que esses profissionais continuam pecando nas atribuições do oficio de suas profissões. O Wellington Menezes, que hoje é repudiado pela sociedade, é nosso filho. Fomos nos que o criamos, o ensinamos a odiar e colocamos armas em suas mãos, fomos nos que o odiamos primeiro.

O Wellington tirou vidas, mas quantas vidas foram tiradas pelo bulliyng? Quantos homens e mulheres nesse mundo morreram em quartos escuros, isolados pela sociedade, pelo simples fato de serem diferentes. Não quero viver numa sociedade em tons pasteis, quero o verde, o vermelho, o preto e o amarelo compondo a nossa aquarela. Quero a diversidade interagindo na sociedade. Enquanto repudiarmos tudo o que vai em contramão ao que a “sociedade vigente” julga como padrão, vários “Wellingtons” se desabrocharam pelo mundo afora.

Talvez eu ainda seja um “cara estranho” e viva numa redoma de vidro, onde criei o meu mundo. Talvez essa redoma se tornou tão grande, com tantos integrantes, que virou um mundo de verdade, onde posso me articular com iguais. Os que não tem essa sorte, de viver num gueto que te abrigue, entra num estado de loucura, pois ninguém consegue viver sozinho. Sou favoravel aos guetos e tenho um sonho de que um dia ele se tornar tão grande ao ponto de se confundir com as barreiras da sociedade e que ninguém precise se incluir nesse gueto para ser aceito.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Os Filhos que Geramos

Assim como está amplamente sendo especulado pela mídia, eu também estou inquieto quanto a motivação do massacre ocorrido no dia de ontem em uma escola pública no Realengo, Rio de Janeiro.

Wellington Menezes de Oliveira tinha 23 anos e morava sozinho. Ultimamente tinha hábitos estranhos e andava de preto. O mundo dele era internet e gostava de jogos: diz um vizinho na TV. E antes do ataque deixou carta com teor religioso. Considerado tranquilo e tímido matou mais meninas do que meninos - o que pode demostrar um perfil psicológico de alguém que já sofreu rejeição por mulheres.

Ninguém opta pelo descaso, ninguém é reservado por mero capricho. Não estou defendendo Wellington, muito menos validando a sua atitude, apenas quero chamar a atenção que o Wellington também era um “brasileirinho” que teve a sua vida interrompida. Assim como das vitimas que ele brutalmente assassinou, os seus sonhos também foram enterrados e interrompidos. E qual é a parte que nos toca? Nos, como sociedade organizada, em que momento criamos o Wellington e quantos Wellingtons Brasil afora estamos criando?

Um dia depois do massacre na escola, surgem indícios de que o bullying é um dos fatores contribuintes para o crime. Colegas de classe afirmaram que Wellington Menezes, ex-aluno da escola Tasso da Silveira, era vítima de bullying e que um colega chegou a fazer a macabra previsão de que um dia ele "mataria muita gente". Do fato que ganhou manchetes em jornais do Mundo inteiro, podemos destacar que Wellington era virgem, algo pouco comum para um jovem de 23 anos e que o seu alvo eram mulheres. Talvez uma rejeição sexual ou até mesmo a sua introspecção na vida social, desencadeou tudo isso.

A escola tem um caráter sociabilizador e é dever da mesma criar mecanismos que promovam as trocas de relações sociais. Não devemos procurar culpados para o que aconteceu, mas temos sim que levantar uma discussão e analisarmos onde foi que a sociedade errou. Qual o papel que familiares, amigos e sociedade civil deveria desenvolver para que crimes tão cruéis como esse sejam evitados.

O caso do massacre do escola no Realengo me vez lembrar o caso do adolescente americano que se suicidou por conta do bullying que vinha sofrendo. Tyler Clementi tinha 20 anos, era estudando e violinista, morava no dormitório de uma faculdade no Estado de Nova Jersey. Ele dividia o quarto com Dharum Ravi, para quem pediu um pouco de privacidade. Ravi saiu, mas deixou uma webcam ligada, gravando tudo o que acontecia no quarto, com as imagens sendo exibidas ao vivo por um site de internet. As imagens gravadas mostravam Tyler beijando outro homem.

No Twitter, Dharun assumiu a autoria do vídeo e publicou no dia 19 de setembro a mensagem “Eu o vi transando com outro cara”, referindo-se a Tyler Clementi, seu colega de quarto. Três dias depois, humilhado e com sua orientação sexual exposta, Tyler colocou uma mensagem em sua página do Facebook que dizia “jumping off gw bridge sorry” (saltando da ponte george washington sinto muito).

Tyler Clementi quando publicou no seu facebook que saltaria da ponte George Washington, estava decidido a morrer e não tinha mais nada a perder, na sua visão, tudo o que ele tinha, foi tirado com a propagação do bullying. A atitude de Tyler poderia ser outra, ele poderia entrar fortemente armado no campus da universidade e tirar a vida daqueles que tiraram sua privacidade e “dignidade”.

Nos Estados Unidos, uma campanha chamada "It gets better" - que em português significa: "Isso melhora", foi lançada no ano passado. Artistas da Brodway também aderiram a campanha e lançaram um clip que leva o mesmo nome da campanha. Em forma de música, eles dizem: "Quando você se sentir sozinho e o mundo se mostrar cheio de ódio, isso não é o fim".

A música diz: "Isso melhora, melhora, melhora/ a dor vai sumir, sumir, sumir /se você cair, apenas levante, levante, levante / porque existe um outro jeito / Isso melhora, melhora, melhora / o mundo fica mais leve, leve, leve / então, seja um lutador, lutador, lutador / apenas viva para ver esse dia.” Talvez faltou alguém ou faltaram políticas públicas aqui no Brasil para falar ao Wellington que “isso melhora, o mundo fica mais leve, então seja um lutador e apenas viva para ver esse dia.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Alguns Desejos

Gostaria que muitas das verdades que presencio, fossem mentiras. Gostaria que o Brasil fosse um país livre de homofobia, gostaria de ir além e desejar que não houvesse homofobia em nenhuma parte do mundo. Gostaria que o amor fosse um sentimento mais recorrente. Gostaria que as juras de amor não se limitassem apenas aos momentos vividos e que fossem de fato para toda a vida.

Gostaria que o Deputado Jair Bolsonaro não existisse. Assim como gostaria que não houvesse fundamentalismo barato na política brasileira e que a laicidade fosse algo que existisse de fato. Gostaria que todos respeitassem a religião do próximo, que evangélicos, católicos e espiritas encontrassem um equilíbrio melhor para se articularem entre si.

Gostaria que essa estranha sensação de incomodo, sem motivo aparente, não existisse. Gostaria que a felicidade fosse algo pleno e vivido por todos. Gostaria que todos sentissem o privilegio de amar e ser amado. Gostaria que fosse mentira que a pessoa que eu mais amei nesse mundo, foi a que mais me prejudicou.

Gostaria que as pessoas fossem comprometidas com a verdade, não importando o quanto ela doesse. Gostaria que as pessoas não se sentisse na obrigação de provar nada para ninguém. Gostaria que as mentiras fossem silenciadas, até mesmo aquelas contadas para proteger algo ou alguém. Gostaria que quando uma verdade não coubesse num contexto, todos optassem pelo silêncio.

quinta-feira, 31 de março de 2011

A Maldição sobre a África

Em meio as polêmicas promovidas pelo Deputado Jair Bolsonaro (PP – RJ), chegou a vez do Pastor e também Deputado Marco Feliciano (PSC –SP) odiar, ofender, diminuir e denigrir em nome de Deus. Marco Feliciano publico hoje em seu twitter que os “africanos descendem de ancestral amaldiçoado por Noé. Isso é fato”.

Em outra postagem, Feliciano escreveu: “A maldição que Noé lança sobre seu neto, canaã, respinga sobre continente africano, daí a fome, pestes, doenças, guerras étnicas!”. Em um tweet que posteriormente foi removido, o deputado afirmou que a África sofre com a “maldição do paganismo, ocultismo, misérias, doenças oriundas de lá: ebola, aids (sic)”. Contra gays, o pastor tuitou: “Amamos os homossexuais mas abominamos suas praticas promiscuas!”. Antes dessa mensagem, ele já havia escrito: “Entre meus inimigos na net (sic), estão: satanistas, homoafetivos, macumbeiros...”

O caso envolvendo o deputado federal Marco Feliciano (PSC-SP), deverá será analisado pela Corregedoria da Câmara dos Deputados. A presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias, deputada Manuela d’Avila (PCdoB-RS), disse que irá encaminhar as mensagens do parlamentar para o órgão. Marco Feliciano foi eleito deputado federal nas eleições do ano passado, com mais de 211 mil votos e tem mais de 30 mil seguidores no Twitter.

Acredito sim que a África é amaldiçoada e quem jogou essa maldição foram os que colonizaram e escravizaram aquele continente.  O “mundo branco” tem uma dívida muito grande com a África e ao invés de paga-lá, continuamos os escravizando quando não damos acesso a cultura, emprego e renda. Escravizamos os negros quando inferiorizamos sua cultura e pejoramos suas religiões. Temos uma grande dívida com a África e não paga-lá é sinal que eles ainda são escravos da nossa cultura.

Tenho vergonha de viver num país que discute a questão da cota racial. Sou contra a questão da cota, mas numa questão emergencial, é a única solução que nos resta. Todos deveriam ter pleno acesso a educação, que por sua vez abre portas para outras conquistas. Como temos uma divida muito grande com os negros desse país, a questão da cota é muito pouco, deveríamos oferecer mais. Temos que pedir perdão para o povo negro e não sair falando de peito aberto que eles são um povo amaldiçoado.

sexta-feira, 18 de março de 2011

Justiça nega pedido de liberdade para agressor da Paulista

A 7ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo negou nesta quinta-feira, em decisão de mérito, o habeas corpus a Jonathan Lauton Domingues, 19, acusado de agredir um rapaz na avenida Paulista, em novembro do ano passado.

A defesa do jovem --que está foragido-- entrou com o pedido de liberdade requerendo decisão liminar (provisória), que já havia sido negada pela mesma Câmara em janeiro.

De acordo com o voto do relator do processo, desembargador Fernando Miranda, a manutenção da prisão é necessária para a garantia da ordem pública.

Miranda afirmou, em seu voto, que recebeu a informação que, ainda em liberdade provisória, Domingues foi procurado por várias vezes pela polícia e não foi encontrado.

"Ter-se-ia mudado para endereço certo e não sabido, o que sugere propósito de furtar-se à aplicação da lei penal", afirmou no processo.

A decisão da Justiça foi unânime. A reportagem não encontrou o advogado de Domingues, Édio Dalla Torre, para comentar a decisão.
O estudante chegou a ser preso após as agressões, mas foi libertado no dia 15 de novembro após a Justiça conceder habeas corpus. O Tribunal de Justiça considerou, na ocasião, que ele não tinha antecedentes criminais e possuía endereço fixo, e por isso poderia responder ao processo em liberdade.

A promotora Solange Azevedo Beretta da Silveira denunciou Domingues em dezembro por três lesões corporais, furto e tentativa de homicídio triplamente qualificada.

Quatro adolescentes --também suspeitos de participarem da agressão-- chegaram a ser internados na Fundação Casa, mas três deles foram libertados no dia 23 de dezembro. O único que permanece internado foi o rapaz de 16 anos que aparece em imagens de câmeras de segurança atacando homossexuais com lâmpadas fluorescentes.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Marcha Contra a Homofobia na Av. Paulista

Uma grande Marcha contra a Homofobia será realizada neste sábado, 19 de fevereiro, na Av. Paulista, em São Paulo, com a presença da Ministra Maria do Rosário, da Secretaria de Direitos Humanos. O evento é organizado por jovens ativistas que utilizam o Facebook como instrumento de mobilização e é apoiado pela recém-criada Frente Paulista contra a Homofobia, dentre outros grupos. Eles pedem o fim da violência homofóbica e reivindicam a aprovação do PLC 122/2006, Projeto de Lei da Câmara que torna crime a discriminação de lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e transgêneros.

A concentração será na Praça do Ciclista, esquina da Av. da Consolação, às 15h com destino ao edifício 777 da Av. Paulista, local que se tornou simbólico por ter sido palco da mais noticiada agressão homofóbica de 2010: em 14 de novembro, um estudante de 23 anos foi agredido com lâmpadas fluorescentes por um grupo de jovens.

Depois da agressão com as lâmpadas, outros episódios semelhantes tornaram a acontecer na região da Paulista. No sábado, dia 4 de dezembro de 2010, dois homens de 28 anos foram espancados. O mesmo aconteceu no dia seguinte, quando um casal de rapazes foi agredido na Rua Frei Caneca por um homem que portava um soco inglês. No dia 21 de dezembro de 2010, uma garota também levou socos e empurrões após beijar uma amiga na Rua Augusta. E 2011 já começou com novas agressões: no dia 25 de janeiro, um grupo de rapazes vestidos de preto atacou um estudante de 27 anos, que levou uma garrafada no olho direito e foi parar no hospital. A violência contra a população LGBT, no entanto, está longe de acontecer apenas na região central da cidade. Também no início deste ano, um casal de lésbicas levou chutes e pontapés dentro de uma lanchonete da rede McDonald's, em Taboão da Serra, na Grande São Paulo.

Os organizadores da marcha acreditam que casos assim continuarão acontecendo enquanto a população LGBT não dispuser de um instrumento jurídico que os proteja. "O incessante número de ataques contra LGBTs tem mostrado que há pessoas que julgam ter 'direito' a discriminar os LGBTs por falta de um crime específico. A aprovação do projeto as conscientizaria de que esse 'direito' não existe e traria uma pena maior para atos discriminatórios, mais condizente com a sua gravidade, por se tratarem de crimes de ódio”, afirma Paulo Roberto Iotti Vecchiatti, Mestre em Direito Constitucional e um dos colaboradores da Marcha.

A marcha também pretende relembrar a série de ataques homofóbicos, como forma de conscientizar a sociedade para a necessidade da aprovação do PLC 122. Os ativistas pretendem desmistificar a idéia de que a lei fere a liberdade de expressão ou de culto religioso, uma vez que o texto apenas altera a Lei contra o Preconceito (Lei 7716/89), acrescentando "origem, condição de pessoa idosa ou com deficiência, gênero, sexo, orientação sexual e identidade de gênero" ao rol já existente de "discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional".

“Nosso objetivo com manifestações como a Marcha Contra a Homofobia é chamar a atenção da sociedade para o que está acontecendo com os gays, lésbicas, transgêneros e bissexuais no Brasil. Chegou o momento de mudar! Somente com uma Lei Federal que criminalize a homofobia estaremos seguros", diz Paulo Tavares Mariante, advogado membro do grupo Identidade, de Campinas; "queremos direitos iguais, ou seja, criminalização da homofobia e aprovação do casamento civil igualitário", conclui.

MOBILIZAÇÃO ONLINE

Uma nova militância vem surgindo. Os organizadores da marcha são jovens que se reúnem em comunidades virtuais, como a do grupo Ato Anti-Homofobia, que já conta com mais de 1.600 integrantes, para discutir ideias e ações contra a homofobia. O objetivo é agregar o maior número de pessoas por meio de tal plataforma. Assim foi organizado o protesto em frente à Universidade Mackenzie no final do ano passado, quando o chanceler da instituição emitiu carta pública contra a aprovação do PLC 122/2006. O ato contou com a participação de cerca de 3.000 pessoas, em sua maioria informados pelo site. Pouco tempo depois, o mesmo grupo reuniu cerca de 500 pessoas em frente à Doceria Ofner da Alameda Campinas para um “beijaço” em resposta à discriminação sofrida por um casal homossexual que se abraçava dentro do estabelecimento.

SERVIÇO:

Marcha Contra a Homofobia
DATA: 19 de fevereiro de 2011
LOCAL: Praça do Ciclista, Av. Paulista esquina com a Av. da Consolação
HORÁRIO: Concentração às 15h
ITINERÁRIO: O grupo sai em marcha da Praça do Ciclista e segue em direção ao edifício 777 da Av.Paulista

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

E o troféu vergonha alheia de 2010 vai para...

2010 foi um ano muito difícil para a Militância LGBT, passamos por um processo eleitoral que nos fragilizou e nos empurrou ainda mais para a margem da sociedade. A pauta eleitoral, que deveria ser marcada por políticas econômicas, criação de renda e geração de emprego, se centrou na aprovação do casamento gay. A igreja jogou as suas cartas e o candidato que mais repudiou o movimento LGBT se saiu vitorioso.

Os meses subseqüentes foram marcados pelo ódio, intolerância e fundamentalismo, com o mesmo vermelho que foi festejado a vitória nas urnas, os gays desse país se mancharam. Na Av. Paulista, palco da maior Parada Gay de Mundo, gays não se sentiam mais em casa, a Av. foi tomada por homofobicos, que não aceitavam que aquele lugar era lugar comum para todos.

É uma vergonha dividir a sociedade com o ódio e a intolerância. Conviver com tanta violência é algo inadmissível e doí ainda mais quando percebemos que essa violência é validada pelo poder público. Temos que ganhar mais visibilidade e ter políticos que inclinem suas ações sociais na políticas públicas inclusivas aos cidadãos LGBTs, só assim começaremos a vencer a guerra contra a homofobia.

#MemeDasAntigas – Um Inventário de 2010.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Homofóbicos da Av. Paulista Podem Pagar 80 mil de Multa

Baseada numa lei estadual anti-homofóbica, a Defensoria Pública de São Paulo vai entrar com uma denúncia administrativa na Secretaria da Justiça e da Defesa da Cidadania para pedir que a comissão do órgão aplique uma multa de R$ 80 mil para os cinco homofóbicos acusados de agredir gays região da Avenida Paulista em 14 de novembro. A defensora Maíra Diniz, coordenadora do Núcleo de Combate à Discriminação, Racismo e Preconceito da defensoria, afirmou nesta quinta-feira (16) que duas vítimas relataram para ela que a motivação dos ataques foi homofóbica.

“Ouvi uma vítima dos agressores, o rapaz que apanhou na boate, e uma testemunha que viu um outro rapaz ser agredido por lâmpadas . Eles afirmaram que os ataques foram homofóbicos porque os agressores confundiram as vítimas com homossexuais. Afirmaram terem sido chamados de gays e xingados de ‘viados’”, disse a defensora pública Maíra Diniz.

De acordo com a coordenadora do Núcleo de Combate à Discriminação, Racismo e Preconceito da Defensoria Pública, ela irá basear seu pedido à secretaria na lei estadual 10.948 de 2001 de combate à homofobia. “Ela é uma lei anti-homofóbica. Prevê a aplicação de penalidade administrativa na forma de uma advertência ou aplicação de multa para quem comete esse ato que deve ser repudiado”, disse Maíra.

O Juizado Especial da Vara da Infância e Juventude de São Paulo deve ouvir na manhã desta sexta-feira (17) as testemunhas de defesa dos jovens suspeitos de agredir pessoas na região da Avenida Paulista no dia 14 de novembro. Na última sexta (10), as testemunhas de acusação prestaram depoimentos.

Os quatro adolescentes envolvidos em agressões a homossexuais, no dia 14 de novembro, seguem internados na Fundação Casa (ex-Febem). Jonathan Lauton Domingues, de 19 anos, também suspeito de participar dos mesmo ataques, continuará em liberdade. O juiz Daniel Luiz Maia Santos, da 1ª Vara Criminal da Barra Funda, na Zona Norte de São Paulo, decidiu na quarta-feira (1º), remeter de volta o inquérito sobre o caso, sem analisar o pedido de prisão preventiva do rapaz maior de idade, para o 5º DP, na Aclimação, região central. O juiz acatou requerimento do promotor Roberto Bacal.

O tempo máximo que eles poderão ficar, no caso de uma sentença condenatória, são três anos. Imagens gravadas pelo sistema de monitoramento de câmeras dos prédios da Avenida Paulista mostram um jovem desferir golpes com lâmpadas fluorescentes numa vítima. Esse agressor teria 16 anos. Os outros três menores suspeitos têm idades entre 16 e 17. O estudante de jornalismo Luís Alberto Betonio, de 23 anos, que aparece nas imagens apanhando do adolescente de 16 anos afirmou em entrevista ao Fantástico em 5 de dezembro que foi confundido com gays e vítima de homofobia.

Jonathan Lauton Domingues, o agressor.
Todos os casos de homofobia que presenciamos nos últimos dias, vem de encontro com a necessidade da aprovação imediata do PLC 122. O Brasil é o país que mais mata homossexuais com motivação de ódio e tal motivação não é criminalizada. Não podemos continuar em meio a tanta violência, sem leis que nos defendam. Temos que exigir os casos de homofobia sejam investigados e punidos e se necessário for, tomamos novamente a Av. Paulista em protesto a fragilidade política que o cidadão gay se encontra no Brasil.

Outros casos

Imagens do circuito de segurança de um imóvel revelam um novo caso de agressão na região da avenida Paulista (centro de São Paulo). O caso ocorreu na madrugada do último domingo (5) na rua Frei Caneca, região famosa por abrigar casas noturnas voltadas à comunidade gay. Na ocasião, por volta das 4h20, dois homens andavam na via quando um homem, ainda não identificado, se aproximou e agrediu as vítimas com um soco inglês.

As imagens, obtidas pela polícia, mostram que, em seguida, uma mulher impediu que o homem continuasse as agressões. Para a polícia, a moça seria namorada do agressor. As vítimas registraram a agressão na Decradi (Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância) no domingo (6) e prestaram depoimento no mesmo dia. Segundo a polícia, os homens são homossexuais e há suspeita de que o crime tenha sido motivado por homofobia. Nos últimos meses, foram pelo menos seis ataques na região, com oito vítimas feridas.

domingo, 12 de dezembro de 2010

Meu Pior dia de 2010

É impressionante como um momento, algumas palavras ou um dia podem destruir toda uma história. Imaginei que havia encontrado o amor da minha vida, uma pessoa que passaria comigo muitos momentos, tanto que compramos um apartamento juntos e como desfiz do meu carro para empenhar nesse apartamento, o ajudei a comprar o dele. Estava feliz com as novas aquisições, apartamento na planta, carro zero para irmos a balada e uma vida em comum sendo construída.

Naquele dia, o chamei para sair, ele se recusou, disse que estava cansado. Eu fiquei desconfiado e insisti e novamente ele recusou. Quando cheguei em casa, peguei o carro do meu pai e passei em frente a casa dele, o carro não estava na garagem, liguei e o telefone só chamou. Aquilo foi como se eu tivesse levado uma facada no coração. O cara, que juntos planejávamos uma vida e em nome de tudo isso eu abri mão de um monte de coisas, estava mentindo pra mim, me enganando.

Voltei para casa arrasado e fui dormir. Fui acordado com um torpedo de celular, com a mensagem “adorei te conhecer, desculpe-me por não ter te-ló convidado para subir, moro com amigos. Da próxima vez te convido”. Comecei a trocar mensagens, até descobrir tudo o que havia acontecido e acredito que não preciso expor os detalhes. Ele saiu, mentiu, traiu a minha confiança três meses após termos comprado um apartamento, depois de termos feito um monte de planos.

A mentira doeu muito mais que o fato dele ter ficado com outra pessoa, me senti tão sujo, pequeno. Depois disso, tentamos de novo, mas não deu, confiança não é uma via de mão dupla e uma vez perdida, nunca mais volta ser a mesma. Nem amizade aconteceu, é complicado falarmos em amizade, pois o que tínhamos em comum era um relacionamento afetivo e amizade tem que ser construída, com os mesmos passos e degraus que um relacionamento afetivo também é construído.

Hoje, não tenho raiva, ódio ou rancor, encarro como um fato de vida que aconteceu, passou e usei para me fortalecer. Acredito que era uma história que tinha tudo para ter um final bonito, tínhamos pontos em comum, gostávamos de fazer as mesmas coisas e até a nossa ambição e ânsia de crescer, era comum. Demorei um tempo para me levantar, recolher os cacos que estavam no chão e avaliar o que sobrou de mim, mas me levantei. Nessa história, não aponto culpados, não sou uma criança de 29 anos e sei os riscos que um relacionamento tem. Também cometi os meus erros e a soma dos erros de ambos resultou no final de um relacionamento.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Mais um Ataque a Gays na Região da Av. Paulista

Imagens do circuito de segurança de um imóvel revelam um novo caso de agressão na região da avenida Paulista (centro de São Paulo). O caso ocorreu na madrugada do último domingo (5) na rua Frei Caneca, região famosa por abrigar casas noturnas voltadas à comunidade gay. Na ocasião, por volta das 4h20, dois homens andavam na via quando um homem, ainda não identificado, se aproximou e agrediu as vítimas com um soco inglês.

As imagens, obtidas pela polícia, mostram que, em seguida, uma mulher impediu que o homem continuasse as agressões. Para a polícia, a moça seria namorada do agressor. As vítimas registraram a agressão na Decradi (Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância) no domingo (6) e prestaram depoimento no mesmo dia. Segundo a polícia, os homens são homossexuais e há suspeita de que o crime tenha sido motivado por homofobia.


Homofobia na Ofner

Um casal de gays foi vitima de homofobia na rede de docerias Ofner, uma das mais tradicionais de São Paulo. Eles tomavam um café ao lado de uma amiga, na unidade localizada na Alameda Campinas, região da Av. Paulista, quando se abraçaram e foram repreendidos por um segurança. Juntos há sete meses, eles entraram com uma ação indenizatória por danos morais contra a empresa.

Motivados pela homofobia e intolerância promovida pela Ofner, o mesmo grupo de organizou a manifestação contra o ato de homofobia do chanceler do Mackenzie, organiza um beijaço na Ofner. O protesto também irá ressaltar a necessidade da aprovação do PLC 122, projeto de lei que pune a homofobia em todo o território nacional e que está parado no senado desde 2006. O beijaço acontece no dia 12 de dezembro, às 18 horas, na Al. Campinas, 1160.

Os Outros Casos de Homofobia na Av. Paulista

A polícia investiga mais um caso de agressão na Av. Paulista, com motivação de homofobia. Um estudante e um operador de telemarketing foram agredidos por volta de 4h54m de sábado por um grupo de jovens na altura do número 1.500 da avenida, perto do Parque do Trianon. As duas vítimas disseram ter sido agredidas por serem homossexuais. Os dois foram levados ao Pronto Socorro Vergueiro. Um dos agredidos, o estudante, continuou internado. As vítimas deverão prestar esclarecimentos na delegacia. Não há suspeitos e ninguém foi preso.

Neste sábado, a Secretaria de Segurança Pública informou que surgiu mais uma vítima do grupo de jovens que promoveu uma série de agressões na Avenida Paulista em novembro passado. Segundo o homem, a violência foi tanta que ele teve de passar por uma cirurgia. "Eu estava saindo desse clube noturno na Rua Augusta e fui surpreendido por dois rapazes. Um deles me imobilizou por trás e o outro começou a me agredir com soco inglês, desferiu vários golpes durante muito muito tempo, até que fiquei inconsciente. Eles não falaram, não citaram absolutamente nada, mas eu presumo com toda convicção que se trata de crime homofóbico de crime de ódio na verdade."

Por causa dos golpes , parte do rosto foi esfacelada. “Fiquei internado por cinco dias, sofri uma grande cirurgia, coloquei uma prótese de titânio, e presilhas ´para sustentação dos ossos”, disse o homem. Depois de se recuperar, o homem foi viajar a trabalho e ficou meses fora do Brasil. Voltou na semana passada e vendo as imagens pela televisão identificou os agressores. Por foto, teve mais certeza. O rapaz que bateu nele é o maior de idade, Jonathan Lauton Domingues. E outro foi um dos quatro adolescentes que participaram das agressões na Paulista.

Os quatro adolescentes envolvidos em agressões a homossexuais, no dia 14 de novembro, seguem internados na Fundação Casa (ex-Febem). Jonathan Lauton Domingues, de 19 anos, também suspeito de participar dos mesmo ataques, continuará em liberdade. O juiz Daniel Luiz Maia Santos, da 1ª Vara Criminal da Barra Funda, na Zona Norte de São Paulo, decidiu na quarta-feira (1º), remeter de volta o inquérito sobre o caso, sem analisar o pedido de prisão preventiva do rapaz maior de idade, para o 5º DP, na Aclimação, região central. O juiz acatou requerimento do promotor Roberto Bacal.

O representante do Ministério Público solicita que sejam anexadas ao inquérito as imagens das gravações feitas por circuitos de segurança de prédios próximos de onde ocorreram as agressões, além dos laudos do Instituto Médico Legal (IML) com as vítimas dos ataques, que aconteceram no último dia 14 de novembro. O objetivo, segundo o promotor, "é esclarecer todas as circunstâncias delitivas", inclusive para que o pedido de prisão preventiva por tentativa de homicídio seja analisado.

Um segundo inquérito da polícia apura a acusação de roubo contra um lavador de carros que teria sido praticada pelo mesmo grupo. Uma audiência com o juiz da Vara da Infância e Juventude marcada para 9 de dezembro deve decidir se os menores serão absolvidos ou continuarão internados. O tempo máximo que eles poderão ficar, no caso de uma sentença condenatória, são três anos. Imagens gravadas pelo sistema de monitoramento de câmeras dos prédios da Avenida Paulista mostram um jovem desferir golpes com lâmpadas fluorescentes numa vítima. Esse agressor teria 16 anos. Os outros três menores suspeitos têm idades entre 16 e 17.

Todos os casos de homofobia que presenciamos nos últimos dias, vem de encontro com a necessidade da aprovação imediata do PLC 122. O Brasil é o país que mais mata homossexuais com motivação de ódio e tal motivação não é criminalizada. Não podemos continuar em meio a tanta violência, sem leis que nos defendam. Temos que exigir os casos de homofobia sejam investigados e punidos e se necessário for, tomamos novamente a Av. Paulista em protesto a fragilidade política que o cidadão gay se encontra no Brasil.