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quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Vídeo com Beijo Gay do “Parafernalha” Gera Comentários Homofóbicos

O canal de humor “Parafernalha” foi alvo de comentários homofóbicos na internet. Após publicar um vídeo  de humor sobre os piores momentos para uma festa surpresa, a página recebeu citações negativas sobre dois atores se beijam.

O vídeo já teve mais de 800 mil visualizações pelo YouTube. Nele, os atores brincam com várias situações vistas como ruins para ser surpreendido com uma festa de aniversário, e, no fim, mostram dois casais se beijando. Só que o que revoltou alguns internautas foi o grupo exibir uma cena de uma relação entre homossexuais.

O ator e empresário Felipe Neto, idealizador do "Parafernalha", repudiou as manifestações homofóbicos e frisou que "apesar do vídeo ter uma cena quase explícita de sexo heterossexual (o que colocamos de propósito), as críticas avassaladoras são contra um beijo gay que acontece na cena seguinte. Ninguém comenta a cena de sexo, apenas ficam ofendidos pelo beijo homossexual".

O canal já publicou outros dois vídeos com beijo gay, no qual também causou manifestações homofóbicas por parte dos internautas. Num vídeo em que ensina 'como não terminar um namoro', os atores Daniel Curi e Victor Lamoglia interpretam um casal de namorados. Já em outro vídeo, fala sobre "coisas de carnaval", o comediante Lucas Salles dá um beijo por engano em Daniel Curi, que está fantasiado de mulher.

 

quinta-feira, 19 de junho de 2014

A Copa da Intolerância

Torcedores brasileiros e mexicanos poderão ser investigados por comportamento homofóbico durante partida entre Brasil e México na terça-feira em Fortaleza. As ofensas aconteceram quando os goleiros cobravam um tiro de meta. Os mexicanos, em bom número no Castelão, começaram a gritar “Puto!” contra Júlio Cesar, como acontece em alguns jogos de futebol no país. A torcida brasileira devolvia quando o goleiro Ochoa era o responsável pela reposição de bola.

O termo "puto", no México, é usado pejorativamente contra homossexuais. Por ser uma primeira ocorrência, Brasil e México devem escapar apenas com uma advertência, mas a situação do México pode piorar por conta de supostos casos de racismo na partida contra Camarões. Na mesma partida, o goleiro de Camarões também teria sido vítima de cantos homofóbicos, o que também será analisado pela Fifa.

A punição nesses casos afeta as equipes desses torcedores; elas podem ser obrigadas a disputar partidas a portas fechadas e, diante de novos casos, sofrer redução de pontos, rebaixamento ou expulsão de uma competição. A Fifa já abriu um processo disciplinar contra o México.  

Diversos jogadores foram vítimas de racismo nos últimos meses. No caso mais emblemático, um torcedor atirou uma banana contra o lateral da seleção brasileira Daniel Alves, durante partida do Barcelona na Espanha. Ele comeu a fruta e continuou a jogar. O episódio deu início a uma campanha global, lançada pelo jogador Neymar, contra o racismo.

Além de Brasil e México, os torcedores de Rússia e Croácia também estão na mira da Fifa. A entidade recebeu denúncias de conteúdo racista e antissemitas em cartazes exibidos por russos e croatas nos primeiros jogos de suas equipes na Copa do Mundo. A conduta dos torcedores russos é motivo ainda maior de preocupação, porque a próxima Copa do Mundo será disputada na Rússia, em 2018. 

segunda-feira, 16 de junho de 2014

Militantes LGBT realizam protesto durante a partida entre Irã x Nigéria

Durante a partida das seleções do Irã x Nigéria, o Movimento LGBT realizou um protesto contra a homolesbotransfobia de ambos os países. Irã e Nigéria pertencem ao grupo de nações que condenam a homossexualidade com pena de morte. No protesto, ativistas colocaram uma enorme bandeira do movimento gay na fachada de um prédio e enforcaram dois bonecos, um representando as mortes ocorridas naqueles países.

Durante o protesto, diversos iranianos pararam para ver e até tirar fotos da manifestação. Para o iraniano Mihda, que é radicado nos Estados Unidos e não quis revelar seu sobrenome, os protestos são legítimos e todos estão otimistas no país por uma maior abertura política. Ele, por exemplo, disse não se importar com a orientação sexual do seu filho, que ele nunca perguntou qual é. No entanto, Mihda se recusou a tirar uma foto diante da bandeira gay.

A partida Irã x Nigéria, foi apelidada de "Jogo da Morte". No Irã, gays são enforcados. No norte da Nigéria, perdem a vida a pedradas. A Capital paranaense também irá sediar o jogo entre Argélia x Russia, no dia 26. Na Argélia, homossexuais podem ser condenados a 14 anos de prisão, e na Rússia, embora oficialmente não existam leis contra gays, eles são cada vez mais apartados da sociedade e perseguidos.

quinta-feira, 6 de março de 2014

Sobre Carnaval, Homofobia e Políticas Excludentes

A Mangueira não foi a campeã do Carnaval Carioca, mas sem sombras de dúvidas foi a escola que mais representou a Diversidade Cultural que existe no Brasil. Contando à história das festividades do Brasil, a escola levou à avenida 36 alas e sete alegorias para contar as origens e características das principais datas festivas do país. "Pegue seu par, dance quadrilha / 'simbora' pro meu sertão / vem pular fogueira / viva são João!", cantou o refrão do samba da verde e rosa. 

Os mais de 500 anos do Brasil foram retratados a partir de suas celebrações, desde o Descobrimento do país até tradições mais recentes, como a Parada Gay: "Sou brasileiro, vou festejar / Meu palco é a rua e a luz o luar / No coração da floresta magia que encanta "Garanto" que vai "caprichar" / Chegando à terra da garoa um arco-íris despontou / orgulho, respeito, igualdade / tremula a bandeira da diversidade". 

As cores da bandeira da diversidade sexual puderam ser vistas nas alas arco-íris e arauto da diversidade. Outro setor da escola trouxe homens vestidos de noivos e mulheres de noivas com seus buquês, representando a união homossexual, com direito a beijo gay. O sexto carro da agremiação também foi dedicado ao tema. Segundo a escola, 44 homens vieram na alegoria, sendo que a maioria deles vestia um sobretudo preto e chapéu. Em certo momento do desfile, todos entravam em um espaço com porta e saíam de dentro dele vestidos com espartilhos luminosos, fazendo coreografias – uma alusão à expressão popular “sair do armário”, que define quem assume a homossexualidade. Um verdadeiro show de diversidade. 

Depois de tanta alegria, o Brasil recebeu uma triste noticia na quarta-feira de cinzas, um menino de apenas 8 anos teve o seu fígado dilacerado pelo pai, devido aos constantes espaçamentos para o menino “virar homem”. Alex gostava de dançar dança do ventre e lavar louça. As sucessivas pancadas do pai, provocadas porque Alex não queria cortar o cabelo, dilaceraram o fígado do garotinho. Uma hemorragia interna se seguiu, levando o menino, que também gostava de forró e de brincar de carrinho, a óbito. 

Fazendo contraste com o colorido da diversidade e respeito promovido pela Mangueira, o corpo do menino Alex se tornou um mapa dos horrores que vinha passando por aquele que naturalmente deveria amar e proteger. O pai de Alex já havia cumprido pena por trafico de Drogas, o que nos leva a concluir que ele faz coro a predileção de muitos que dizem que preferem um filho bandido a um filho homossexual. Alex morava no Estado do Rio Grande do Norte, com sua mãe, mas para ela não perder a guarda do filho, pois não o enviava para a escola, mandou o garoto para morar com o seu pai. 

Essa discrepância em nosso país acontece principalmente pela ausência de políticas públicas e reparatórias para a população LGBT. Vivemos em uma sociedade machista e homofobica, que aceita perfeitamente declarações de religiosos, em rede nacional, falando que gays são aberrações, escórias da sociedade. Vivemos num Estado de natureza laica, mas a cada eleição os legislativos de todo o país engrossa mais o caldo da bancada fundamentalista, que acabam legislando por causa própria, travando as pautas dos Direitos Humanos e se unindo com a bancada ruralista. 

Recentemente, o deputado Assis do Couto (PT), que acaba de assumir a Comissão de Direitos Humanos e Minorias, declarou que não é favorável nem contra a relação amorosa entre duas pessoas do mesmo sexo, se colocando em cima de muro numa questão tão importante e superada por países que estão no mesmo patamar de desenvolvimento do Brasil. O PT novamente mostra o tom de descaso com os Movimentos Sociais, rompendo com lutas históricas, que estavam com o partido desde a sua fundação. Enquanto não rompermos com governos descompromissados com a luta pelos Direitos Humanos, continuaremos sendo o país que mais mata homossexuais no Mundo, manchando o colorido da diversidade, com o vermelho da homofobia.

terça-feira, 26 de março de 2013

Marco Feliciano, Homofóbico e Racista, dá voz de prisão a Manifestante

O deputado Marco Feliciano (PSC-SP) presidiu na tarde desta quarta-feira (27), pela terceira vez, a Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara. Mais uma vez, encontrou o plenário tomado por manifestantes. Ele chegou a pedir a prisão de um manifestante que o chamou de racista.

O parlamentar fez declarações homofóbicas e racistas em seu twitter e facebook e desde que assumiu a presidência da Comissão, vem sofrendo uma séria de manifestações. Se o parlamentar desse voz de prisão a todos que afirmam o seu racismo, certamente metade desse país já estaria atrás das grades. 

Em tom irônico o parlamentar disse aos manifestantes para que "mantenham a calma. Eu não vou ceder à pressão. Vocês vão ficar sem voz de tanto gritar". A comissão chegou a restringir o acesso ao plenário para evitar tumulto, mas não adiantou e a sessão teve que ser transferida para uma sala maior. A Polícia Legislativa foi orientada a recolher os apitos dos manifestantes. 

Um manifestante chamou o deputado de racista e Feliciano pediu para que a Polícia Legislativa o retirasse do plenário. "Aquele senhor de barba vai sair preso daqui porque me chamou de racista", disse o deputado, citando o artigo 139 Código Penal, que trata de difamação. 

"Sou negro, pobre e gay, por isso que me prenderam", disse Marcelo Régis Pereira, que se identificou apenas como manifestante. Pereira, no entanto, não foi preso, foi levado pelos policiais para um local reservado na Câmara. Pereira foi solto e disse que apenas gritou palavras de ordem, assim como os outros manifestantes. 

Enquanto a CDH realizava sua reunião, outro manifestante foi detido. Allysson Rodrigues Prata tentou invadir o gabinete do deputado quando foi impedido pelos agentes da Polícia Legislativa. Ao final da audiência, Feliciano disse que "um parlamentar precisa ser respeitado". 

De acordo com diretor da Coordenação de Polícia Judiciária que integra a Polícia Legislativa, Antonio Geraldo Martins, quem decidirá se o manifestante será preso ou não é a Polícia Legislativa depois de investigar o caso. 

"A gente vai avaliar se as palavras expressadas por ele caracterizam ou não o crime de calúnia contra o deputado". A pena para o crime é de seis meses a dois anos de prisão e multa. 

No outro caso, a Polícia Legislativa ainda terá que analisar os exames do Instituto Médico Legal para verificar se houve ou não agressão por parte dos agentes da polícia no manifestante.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Suspeitos de agredir gerente gay foram flagrados por câmeras de segurança

Os suspeitos de agredir o gerente de tecnologia da informação no último domingo (16) foram flagrados por câmeras de segurança da área. A informação é do 7º Distrito Policial, que utilizará as imagens na investigação. Em uma delas, um dos quatro jovens aparece segurando a barra de ferro que teria sido usada no ataque à vítima, de 32 anos.

De acordo com o delegado Rubens Eduardo Barazal, os vídeos são importantes ainda para mostrar qual foi a “dinâmica do fato”. O gerente teve fratura no osso da face e levou seis pontos na testa, além de sofrer trauma na região da orelha direita.

Agredido após sair de uma boate na Lapa, zona oeste de São Paulo, ele prestou depoimento na quarta-feira (19). A vítima, que informou ser homossexual, alegou que a violência foi motivada por homofobia. Um amigo do gerente também foi ouvido na delegacia. No depoimento, o gerente relatou que estava nas imediações da rua Emílio Goeldi, quando foi atacado pelos jovens - a área costuma ser frequentada por gays. A vítima disse que circulava de carro, na companhia do amigo, quando parou o veículo para conversar com outro rapaz, que estava na via.

De repente, um segundo carro parou bruscamente e, do automóvel, desembarcaram os quatro suspeitos. O grupo foi em direção ao gerente e os amigos, gritando: “Corre, veado, nós vamos te matar”.

Assustadas, as vítimas correram. O gerente contou que fugiu em direção a um posto de gasolina e teria sido perseguido por um dos jovens, que estava, segundo ele, armado com uma barra de ferro.

De acordo com o depoimento, o gerente e o agressor entraram em luta corporal na pista do posto. A vítima contou ainda que, na tentativa de se proteger, desarmou o suspeito. 

Neste momento, o carro com os outros três jovens se aproximou. Eles desembarcaram novamente e os quatro, de acordo com a vítima, começaram a surrá-la. 

Ainda conforme o relato do gerente à polícia, o grupo só parou de bater porque um frentista do posto resolveu intervir. Os quatro voltaram para o carro e fugiram em direção ao bairro Água Branca. Ferido, o gerente procurou socorro médico por meios próprios.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Correio Braziliense mostra mensagem de Marta Suplicy que chama suplente de “homofóbico”


Na sessão do senado dessa quarta-feira, 12, o fotógrafo Iano Andrade, do Correio Braziliense, flagrou o momento em que Marta Suplicy (PT-SP) mostrou um e-mail pelo celular à senadora Lídice da Mata (PSB-BA). A mensagem se referia ao vereador paulistano Antônio Carlos Rodrigues (PR), que deve ocupar no Congresso o lugar da ministra, que é a nova ministra da Cultura. 


Primeiro suplente de Marta, o vereador foi classificado como “evangélico e homofóbico”, numa tentativa de evitar que ele assumisse a relatoria do projeto que tem como objetivo criminalizar a homofobia no Brasil. Marta era relatora do caso e agora se despede do senado. Segundo Lídice, a mensagem foi encaminhada a Marta por um grupo que defende o direito dos homoafetivos. 



A imagem registrada pelo fotógrafo do Correio mostra frases que evidenciam o tema: “Substituir a senadora Marta Suplicy na relatoria do PLC 122”. O e-mail segue com reclamações. “Está havendo muitas críticas pelo suplente, que é evangélico e homofóbico.” Um questionamento no fim da mensagem levanta a possibilidade de Rodrigues não assumir a relatoria. “Podemos fazer isso?”, dizia.



Ao Correio, Marta informou, por meio de sua assessoria, que não iria comentar o assunto e que a ex-senadora recebe muitos e-mails e não tinha como localizar a mensagem em questão.  Além do Correio, a fotografia foi tema de matérias do Diário de Pernambuco, Estado de Minas e na coluna de Lauro Jardim na Veja Online. 
Casos como este, em que a imagem é a noticia, têm se tornado cada vez mais frequentes. A capa desta semana da Veja SP mostra o vereador da capital paulista, José Ferreira (PT), ampliando em seu tablet a foto de uma garota no Facebook com um vestido decotado. Isso durante sessão da Câmara.

Em maio, o deputado federal Cândido Vaccarezza (PT-SP) foi filmado pelo ‘Jornal do SBT’ enquanto enviava uma mensagem pelo celular ao governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), durante a sessão da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do contraventor Carlinhos Cachoeira. No texto, o petista diz que a relação com o PMDB poderia "azedar” mas que ele e outros deputados eram do político fluminense. 

domingo, 27 de maio de 2012

Rússia: Passeata LGBT acaba em briga com cristãos e detenção

Dezenas de pessoas foram presas em Moscou neste domingo depois que ativistas da Igreja Cristã Ortodoxa Russa atacaram duas manifestações em defesa de diretos dos LGBT, jogando água contra os participantes e gritando orações. 

Alguns ativistas ortodoxos deram socos em manifestantes, tomaram suas bandeiras da cor do arco-íris - símbolo do movimento LGBT - e as pisotearam diante das câmeras de televisão. 


O confronto ocorreu durante os dois protestos, realizados diante da prefeitura e do Parlamento. Nenhuma das manifestações tinha sido autorizada pelas autoridades de Moscou. 

Quase todos os cerca de 30 participantes homossexuais foram detidos e muito poucos dos quase 50 ativistas cristãos ortodoxos envolvidos. 

O líder do protesto pelos direitos dos gays, Nikolai Alexeyev, afirmou que estava sendo preso por falar com os jornalistas. "Fui detido no protesto do Orgulho na prefeitura de Moscou", escreveu ele no Twitter. "Não tenho palavras." 

A polícia disse à agência estatal de notícias Itar-Tass que cerca de 40 pessoas tinham sido detidas nos protestos. 

"Todos os nossos direitos estão sendo pisoteados aqui na Rússua", disse o manifestante Igor Yasin. "Os nossos direitos não são assegurados e não temos nossa segurança física garantida."

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Relatos Sobre a Violência no Brasil

Avenida Paulista, 6h30 da madrugada. Dois pastores evangélicos esperam um táxi quando veem cinco jovens atravessarem a rua na direção deles. Ao se aproximar, um deles dá um soco na cabeça de um dos pastores. As vítimas correm cada uma numa direção. “Apanhei até entrar no metrô. Ainda tropecei e caí na escada”, conta um deles. O outro cai no chão sangrando com os ferimentos e tem que ser levado ao hospital. Durante as agressões, os jovens gritam: “Seus evangélicos!”. Na sequência, o grupo segue armado com lâmpadas fluorescentes nas mãos em direção a outros três pastores que saíam de uma lanchonete. Eles atacam a cabeça e corpo de um deles com as lâmpadas. O segurança de uma loja sai em direção ao grupo de jovens, que foge. Detidos pela polícia mais tarde, eles afirmam que foi uma briga comum e que não têm nenhum tipo de preconceito religioso. *

Madrugada de sábado, esquina da alameda Jaú com a rua da Consolação, em São Paulo. Saindo de um bar, um militar volta a pé para casa com três amigos. De repente é surpreendido por uma garrafa lançada do outro lado da rua em sua direção. “Antes de a garrafa cair, outras pessoas me passaram uma rasteira por trás e eu caí. Meus amigos conseguiram correr e entrar em um bar, mas eles [os agressores] seguraram minhas pernas e começaram a me chutar.” Por alguns minutos, ele é espancado por uma gangue de homens e mulheres com roupas pretas e coturnos. Como resultado das agressões, o militar tem o maxilar quebrado, perde um dente canino, sofre luxação nas costelas e recebe pontos na boca e no nariz. *

Confundidos com uma dupla sertaneja, um homem de 42 anos e seu filho de 18 anos foram atacados por um grupo de seis rapazes numa noite de quinta-feira numa feira agropecuária em São João da Boa Vista (SP). “Um deles perguntou: ‘E aí, vocês são sertanejos?’ Eu disse que não. Não queria confusão”, conta o pai. Mesmo assim, ele levou um soco no queixo que o fez desabar no chão e ficar inconsciente. “Quando acordei, só ouvia os gritos: ‘O homem está sem orelha!’”. Na agressão, a orelha esquerda dele foi decepada por um instrumento cortante. “Tive de andar mais de 500 metros, sangrando, meu filho segurando o copo com gelo e minha orelha. E ninguém nos socorreu”, declarou. O pedaço da orelha apodreceu sem que ele conseguisse fazer o reimplante. *

* Estes depoimentos são histórias reais. As vítimas, no entanto, não eram sertanejos, pastores evangélicos ou militares, mas sim homossexuais ou pessoas tidas como homossexuais. Foram espancadas pelo simples fato de serem (ou parecerem ser) gays. As fotos, produzidas especialmente para este ensaio, não retratam as verdadeiras vítimas.

Onde denunciar:

Centro de Combate à Homofobia
http://tinyurl.com/3v34ogm

Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância
(11) 3311-3556

Disque 100
Serviço telefônico que funciona em todo o Brasil

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Sobre Tentativa de Assalto e Internação Compulsória

Recentemente saiu na mídia que a Prefeitura Municipal de São Paulo está a um passo de legalizar a internação compulsória de viciados em drogas que vivem em situação de rua. Quando vi a noticia, fiquei estarrecido, achei um absurdo tal ato, pois um tratamento de desintoxicação depende muito mais da vontade do paciente, do que dos recursos disponíveis aplicados. Ainda mantenho a minha posição e tenho certeza que tal ação, se aprovada, será pouco eficiente nos seus objetivos.

Alguns amigos defenderam que a questão é bem mais ampla e que a internação compulsória viria para sanar parte dos nossos problemas de segurança pública, pois muitos desses usuários de drogas passam a cometer pequenos delitos a fim de conseguir dinheiro e objetos para depois trocar por drogas ilícitas. Mesmo com essa explanação, me coloquei contra a questão, pois de nada adiantará um tratamento realizado mediante uma internação forçada.

Terça-feira (06/09), saindo da Secretaria de Estado da Cultura, local onde trabalho, estava caminhando até o Largo do Arouche, caminho que sempre faço a pé. Passei por um menino de rua, que deveria ter no máximo 12 anos. Ele me pediu 50 centavos, eu disse que não tinha. Ele veio atrás de mim e pediu novamente os 50 centavos, novamente eu disse que não tinha. Furioso ele tirou um faca que estava escondida num cobertor que ele usava sobre os ombros e pediu o meu celular.

Fiquei assustado, virei o corri. No susto, desesperado, dei poucos passos no sentido de um posto móvel policial, que fica em frente a Secretaria da Cultura e cai. Machuquei meu joelho, ombro e região abdominal, que até o momento encontra-se machucada, doendo. Tive que ser medicado, por conta das dores que já estava incomodando bastante e tal fato me levou novamente a refletir sobre a noticia que vi há semanas sobre a internação compulsória.

A questão dos meninos de rua da Cracolândia, vai muito além da questão de saúde pública, tornou-se uma questão de segurança. O Estado é responsável pela nossa integridade física e tal caso se faz necessária uma intervenção imediata. Não podemos continuar dividindo as ruas com pequenos infratores que rejeitam os organismos que o Estado coloca a disposição para que eles deixem as ruas.

Em frente ao local que houve a tentativa de assalto pelo menor infrator, existe um albergue público, local que não tem sua capacidade de lotação atingida. Muitos dos moradores de rua, estão na rua porque não conseguem viver obedecendo regras. Em todos os lugares, na nossa casa, em nosso trabalho e na nossa vida social, obedecemos regras e até mesmo para viver num albergue, existem regras para serem obedecidas, regras que muitos dos moradores de ruas não querem cumprir.

Ainda não tenho uma opinião completamente formada sobre a internação compulsória, mas ela existindo ou não, o Estado tem que intervir sobre a questão desses infratores que passam dias e noites desequilibrando a ordem pública e tirando o direito de outros cidadãos de bem de ir e vir. Não passarei mais naquele lugar com a tranquilidade que passava antes, estou com os meus direitos violados e o Estado tem que intervir, seja acionando a Fundação Casa, ou habilitando clinicas de dependentes químicos para tratar a questão desses dependentes que recusam o tratamento e preferem as ruas, para cometer seus delitos e sustentar o vicio das drogas.

terça-feira, 7 de junho de 2011

Palocci cai, mas não explica sua evolução patrimonial


Depois de mais de 20 dias de intensa crise que assolou o governo Dilma, por conta do seu amigo, braço direito e grande articulador de seu campanha eleitoral, Antônio Palocci apresentou na tarde de hoje a sua carta de afastamento da Casa Civil.

A manutenção de Palocci no cargo era algo impossível, o desgaste que isso gerou na imagem da presidente, que já arranha sua imagem por si só, foi muito grande e levará um tempo para todo esse mal estar ser esquecido.

Palocci é a primeira grande crise do Governo Dilma, homem que ela queria e precisava manter no poder. Sem Palocci, Dilma é apenas uma mulher que comete erros de concordância nos seus discursos e sabe que é presidente do Brasil porque é rabuda demais, pois não tem história, currículo e capacidades técnicas que justifiquem o posto que hoje ocupa.

A queda de Palocci é o reflexo do amadorismo que existe na política brasileira. Desde 2006, quando saiu do Ministério da Fazenda, por conta de acusações de corrupção, frente a um complexo esquema de caixa dois no PT.

Palocci jamais deveria ter voltado para o cenário político. Foi um show de horrores que vimos em 2006 e o que mais me deixa chocado é ver que todos brasileiros sabiam dos planos de Dilma de incorporar Palocci no seu governo e mesmo assim ela foi eleita.

Dilma reforça ainda mais o que aos poucos todo mundo começa se dar conta, o seu dedo podre para política. Não podemos nos esquecer que o Palocci não é o primeiro ministro da Casa Civil, indicado por Dilma, a cair. No ano passado, quando Dilma saiu da Casa Civil, ela deixou sua companheira, braço direito de longa data, Erenice Guerra, que chefiou um requintado esquema de corrupção.

Agora é a vez de Gleisi Hoffmann, mulher com tantas capacidades técnicas, quanto o seu antecessor, mas capacidade técnica não é grande diferencial, tendo em vista o que os seus antecessores, indicados pela Dilma, já fizeram no poder.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Dilma, não Brinque com o Movimento Gay - Por Marcos Freitas

Muitos são os motivos para repudiar com veemência a nossa presidente Dilma Rousseff. Minhas posições partidárias não é segredo para ninguém, sempre sou autentico em meus posicionamentos e não escondo minhas ideologias, até porque sirvo elas com muito orgulho.

Sou tucano, de direita, centro-esquerda, centro, centro-direita ou seja lá como for os que se opõe as minhas ideologias queiram me chamar ou colocar, mas hoje me dispo por completo das minhas ideologias e busco dentro de mim o menino que ficou perdido nos anos 90, para escrever aqui um breve relato:

Meu nome é Marcos Freitas, tenho 30 anos e nasci em Santo André, região metropolitana de São Paulo. Sempre estudei em escola pública e sou testemunha do ódio homofobico que impera nessas escolas. Por diversas vezes voltei para casa chorando, dizendo para minha mãe que mais uma vez havia sido agredido de forma física e verbal num ambiente que deveria me acolher, me integrar.

Nas aulas de educação física, não era diferente. Na divisão dos times, pois meninos só jogavam futebol, eu sempre era o goleiro, pois não era bom de bola. No final da aula, praticava cooper, pois voltava para casa correndo, senão os outros meninos me batiam, as vezes eles me alcançavam. Para sair desse inferno, que logo nos primeiros anos de minha vida foi submetido, me matriculei num curso de natação e pedi dispensa da educação física na escola.

Sem a educação física, parte dos meus problemas foram resolvidos, pois ainda eu tinha que passar pelo intervalo, onde não era agredido apenas pelos alunos da minha classe, mas sim por toda a escola. Cresci rodeado de homofobia, fato que me transformou militante do movimento LGBT.

Quem sofreu homofobia, tem um desejo insaciável de que tal crueldade não seja repetida jamais e mesmo hoje, não sendo mais vitima dessa homofobia praticada nas escolas, eu continuo lutando para que haja um fim, pois eu sei que em alguma escola desse país existe um Marcos Freitas, que está apanhando e sendo segregado pelo simples fato de ser diferente.

Tive uma infância típica de moleque, vivi muito nas ruas de Santo André, andando de bicicleta, brincando com bolinhas de gude e outras brincadeiras de criança, nas ruas também sofri homofobia. Minha infância não foi fácil, minha vida está sendo fácil. Sou diferente do padrão heteronormativo, gosto de homens, sinto tesão por eles e minha motivações afetivas são por pessoas do mesmo sexo.

Apesar de ter dito uma vida sofrida, eu ainda tive sorte, não fui o Alexandre Ivo, que teve a sua vida ceifada pela homofobia e nem o Tyler Clementi, que não suportou a homofobia que sofreu e tirou a sua própria vida, eu sobrevivi.

Quando paro para analisar as ações pautadas por nossa presidente, eu entro em choque. Meu Deus, essa mulher também é brasileira, viveu na mesma época que eu, teve amigos, familiares e conhecidos homossexuais e sabe muito bem do que eu estou falando. Essa mulher é presidente e tem o mínimo de cultura possível para entender o que eu estou falando, para saber como dói sofrer homofobia e como dói ser colocado na invisibilidade para o Estado.

Dilma, não votei em você, mas sei que você não estas me castigando por isso, pois muitos gays desse país votou e as politicas públicas inclusivas para eles, servem para mim também. Dilma, não peço que honre os votos dos gays, pois não sei como isso funciona na matemática da sua cabeça, apenas peço que honre os princípios fundamentais da nossa constituição, apenas peço que todos sejam iguais de fato perante a lei.

Dói, machuca, nos mata aos poucos saber que do Oiapoque ao Chuí existem meninos e meninas sofrendo pela simples fato de serem diferentes, são crianças aprisionadas num modelo heteronormativo que mata tudo aquilo que vai na contramão do que eles julgam ser “normal”.

Não queremos uma classe privilegiada, onde gays tem super poderes e estão acima de outros cidadãos, o que nos queremos são políticas reparadoras. Queremos nos sentir brasileiros também, com todos os direitos garantidos e para isso queremos as nossas crianças educadas para a diversidade. Queremos que o “Brasil sem Homofobia” seja um braço salvador para essas crianças que hoje gritam, choram e morrem, braço salvador que infelizmente eu não tive.



Também quer desabafar sobre a homofobia escolar? Mande o relato por e-mail, que publico no blog.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Arnaldo Jabor sambando na cara do Bolsonaro


"Bolsonaro devia ser posto em formol e colocado num museu, para deixar registrado um comprovante de nossa burrice histórica"

Arnaldo Jabor


sexta-feira, 8 de abril de 2011

Os Filhos que Geramos

Assim como está amplamente sendo especulado pela mídia, eu também estou inquieto quanto a motivação do massacre ocorrido no dia de ontem em uma escola pública no Realengo, Rio de Janeiro.

Wellington Menezes de Oliveira tinha 23 anos e morava sozinho. Ultimamente tinha hábitos estranhos e andava de preto. O mundo dele era internet e gostava de jogos: diz um vizinho na TV. E antes do ataque deixou carta com teor religioso. Considerado tranquilo e tímido matou mais meninas do que meninos - o que pode demostrar um perfil psicológico de alguém que já sofreu rejeição por mulheres.

Ninguém opta pelo descaso, ninguém é reservado por mero capricho. Não estou defendendo Wellington, muito menos validando a sua atitude, apenas quero chamar a atenção que o Wellington também era um “brasileirinho” que teve a sua vida interrompida. Assim como das vitimas que ele brutalmente assassinou, os seus sonhos também foram enterrados e interrompidos. E qual é a parte que nos toca? Nos, como sociedade organizada, em que momento criamos o Wellington e quantos Wellingtons Brasil afora estamos criando?

Um dia depois do massacre na escola, surgem indícios de que o bullying é um dos fatores contribuintes para o crime. Colegas de classe afirmaram que Wellington Menezes, ex-aluno da escola Tasso da Silveira, era vítima de bullying e que um colega chegou a fazer a macabra previsão de que um dia ele "mataria muita gente". Do fato que ganhou manchetes em jornais do Mundo inteiro, podemos destacar que Wellington era virgem, algo pouco comum para um jovem de 23 anos e que o seu alvo eram mulheres. Talvez uma rejeição sexual ou até mesmo a sua introspecção na vida social, desencadeou tudo isso.

A escola tem um caráter sociabilizador e é dever da mesma criar mecanismos que promovam as trocas de relações sociais. Não devemos procurar culpados para o que aconteceu, mas temos sim que levantar uma discussão e analisarmos onde foi que a sociedade errou. Qual o papel que familiares, amigos e sociedade civil deveria desenvolver para que crimes tão cruéis como esse sejam evitados.

O caso do massacre do escola no Realengo me vez lembrar o caso do adolescente americano que se suicidou por conta do bullying que vinha sofrendo. Tyler Clementi tinha 20 anos, era estudando e violinista, morava no dormitório de uma faculdade no Estado de Nova Jersey. Ele dividia o quarto com Dharum Ravi, para quem pediu um pouco de privacidade. Ravi saiu, mas deixou uma webcam ligada, gravando tudo o que acontecia no quarto, com as imagens sendo exibidas ao vivo por um site de internet. As imagens gravadas mostravam Tyler beijando outro homem.

No Twitter, Dharun assumiu a autoria do vídeo e publicou no dia 19 de setembro a mensagem “Eu o vi transando com outro cara”, referindo-se a Tyler Clementi, seu colega de quarto. Três dias depois, humilhado e com sua orientação sexual exposta, Tyler colocou uma mensagem em sua página do Facebook que dizia “jumping off gw bridge sorry” (saltando da ponte george washington sinto muito).

Tyler Clementi quando publicou no seu facebook que saltaria da ponte George Washington, estava decidido a morrer e não tinha mais nada a perder, na sua visão, tudo o que ele tinha, foi tirado com a propagação do bullying. A atitude de Tyler poderia ser outra, ele poderia entrar fortemente armado no campus da universidade e tirar a vida daqueles que tiraram sua privacidade e “dignidade”.

Nos Estados Unidos, uma campanha chamada "It gets better" - que em português significa: "Isso melhora", foi lançada no ano passado. Artistas da Brodway também aderiram a campanha e lançaram um clip que leva o mesmo nome da campanha. Em forma de música, eles dizem: "Quando você se sentir sozinho e o mundo se mostrar cheio de ódio, isso não é o fim".

A música diz: "Isso melhora, melhora, melhora/ a dor vai sumir, sumir, sumir /se você cair, apenas levante, levante, levante / porque existe um outro jeito / Isso melhora, melhora, melhora / o mundo fica mais leve, leve, leve / então, seja um lutador, lutador, lutador / apenas viva para ver esse dia.” Talvez faltou alguém ou faltaram políticas públicas aqui no Brasil para falar ao Wellington que “isso melhora, o mundo fica mais leve, então seja um lutador e apenas viva para ver esse dia.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Alguns Desejos

Gostaria que muitas das verdades que presencio, fossem mentiras. Gostaria que o Brasil fosse um país livre de homofobia, gostaria de ir além e desejar que não houvesse homofobia em nenhuma parte do mundo. Gostaria que o amor fosse um sentimento mais recorrente. Gostaria que as juras de amor não se limitassem apenas aos momentos vividos e que fossem de fato para toda a vida.

Gostaria que o Deputado Jair Bolsonaro não existisse. Assim como gostaria que não houvesse fundamentalismo barato na política brasileira e que a laicidade fosse algo que existisse de fato. Gostaria que todos respeitassem a religião do próximo, que evangélicos, católicos e espiritas encontrassem um equilíbrio melhor para se articularem entre si.

Gostaria que essa estranha sensação de incomodo, sem motivo aparente, não existisse. Gostaria que a felicidade fosse algo pleno e vivido por todos. Gostaria que todos sentissem o privilegio de amar e ser amado. Gostaria que fosse mentira que a pessoa que eu mais amei nesse mundo, foi a que mais me prejudicou.

Gostaria que as pessoas fossem comprometidas com a verdade, não importando o quanto ela doesse. Gostaria que as pessoas não se sentisse na obrigação de provar nada para ninguém. Gostaria que as mentiras fossem silenciadas, até mesmo aquelas contadas para proteger algo ou alguém. Gostaria que quando uma verdade não coubesse num contexto, todos optassem pelo silêncio.

quinta-feira, 31 de março de 2011

A Maldição sobre a África

Em meio as polêmicas promovidas pelo Deputado Jair Bolsonaro (PP – RJ), chegou a vez do Pastor e também Deputado Marco Feliciano (PSC –SP) odiar, ofender, diminuir e denigrir em nome de Deus. Marco Feliciano publico hoje em seu twitter que os “africanos descendem de ancestral amaldiçoado por Noé. Isso é fato”.

Em outra postagem, Feliciano escreveu: “A maldição que Noé lança sobre seu neto, canaã, respinga sobre continente africano, daí a fome, pestes, doenças, guerras étnicas!”. Em um tweet que posteriormente foi removido, o deputado afirmou que a África sofre com a “maldição do paganismo, ocultismo, misérias, doenças oriundas de lá: ebola, aids (sic)”. Contra gays, o pastor tuitou: “Amamos os homossexuais mas abominamos suas praticas promiscuas!”. Antes dessa mensagem, ele já havia escrito: “Entre meus inimigos na net (sic), estão: satanistas, homoafetivos, macumbeiros...”

O caso envolvendo o deputado federal Marco Feliciano (PSC-SP), deverá será analisado pela Corregedoria da Câmara dos Deputados. A presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias, deputada Manuela d’Avila (PCdoB-RS), disse que irá encaminhar as mensagens do parlamentar para o órgão. Marco Feliciano foi eleito deputado federal nas eleições do ano passado, com mais de 211 mil votos e tem mais de 30 mil seguidores no Twitter.

Acredito sim que a África é amaldiçoada e quem jogou essa maldição foram os que colonizaram e escravizaram aquele continente.  O “mundo branco” tem uma dívida muito grande com a África e ao invés de paga-lá, continuamos os escravizando quando não damos acesso a cultura, emprego e renda. Escravizamos os negros quando inferiorizamos sua cultura e pejoramos suas religiões. Temos uma grande dívida com a África e não paga-lá é sinal que eles ainda são escravos da nossa cultura.

Tenho vergonha de viver num país que discute a questão da cota racial. Sou contra a questão da cota, mas numa questão emergencial, é a única solução que nos resta. Todos deveriam ter pleno acesso a educação, que por sua vez abre portas para outras conquistas. Como temos uma divida muito grande com os negros desse país, a questão da cota é muito pouco, deveríamos oferecer mais. Temos que pedir perdão para o povo negro e não sair falando de peito aberto que eles são um povo amaldiçoado.

terça-feira, 29 de março de 2011

Bolsonaro: Uma Vergonha para o Brasil

Num país sério, onde os cidadãos são minimamentes politizados e que os direitos humanos é muito mais do que uma mera falacia, o destino do Deputado Federal Jair Bolsonaro seria outro. Não é a primeira vez que o deputado ataca os gays, dizendo que a homossxualidade vem de um erro na educação das crianças e tudo se resolveria com palmadas em crianças com tendências homossexuais.

Convidado pelo programa “CQC” da TV Bandeirantes, o deputado respondeu perguntas do público, e novamente polêmicas sobre a homossexualidade veio a tona. Bolsonaro parece estar programado para atacar tudo e a todos com unhas e dentes e se escorregou numa pergunta da cantora Preta Gil e disse “Preta, não vou discutir promiscuidade com quem quer que seja. Eu não corro esse risco porque meus filhos foram muito bem educados e não viveram em ambiente como lamentavelmente é o teu”.

Preta Gil entrará com um representação no Ministerio Público contra o deputado por crimes de intolerancia racial e homofobia. "Advogado acionado, sou uma mulher negra, forte e irei até o fim contra esse deputado, racista, homofóbico, nojento, conto com o apoio de vocês" publicou Preta Gil em seu Twitter.

O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) do Rio de Janeiro, Wadih Damous, disse que irá oficializar abertura imediata de processo por quebra de decoro parlamentar contra Bolsonaro. Para Damous, as declarações do deputado são inaceitavelmente ofensivas, pois tem cunho racista e homofóbico, comportamento incompatível com as tradições parlamentares.

Bolsonaro divulgou em seu site uma nota em que explica a polêmica com Preta Gil. O parlamentar diz que entendeu errado a pergunta feita pela cantora. "A resposta dada deve-se a errado entendimento da pergunta - percebida, equivocadamente, como questionamento a eventual namoro de meu filho com um gay", diz o deputado.

Em seguida, Bolsonaro reitera não ser "apologista do homossexualismo, por entender que tal prática não seja motivo de orgulho". "Entretanto, não sou homofóbico e respeito as posições de cada um; com relação ao racismo, meus inúmeros amigos e funcionários afrodescendentes podem responder por mim", afirmou no texto.

Ao comentar o lançamento, nesta terça-feira (29), da Frente Parlamentar Mista em Defesa da cidadania LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transexuais), o parlamentar ironizou e disse que “isso não é uma frente, é uma retaguarda parlamentar. Defender esse pessoal para quê? Que exemplo de bons costumes, ética e moral eles têm para dar para a sociedade?” A frente parlamentar recolheu 171 assinaturas de parlamentares. O grupo pretende aprovar no Congresso o casamento gay.

Bolsonaro está acostumado em ser polêmico e tem um eleitorado que valida suas atitudes. Somos um país retrogrado e que valoriza as questões ressaltadas pela a igreja, indo de contramão com a laicidade do nosso Estado. Se não fosse pela questão racial, esse fato não teria ganhado tanta repercussão. O Movimento Gay do Brasil está fragilizado, sem forçar para lutar contra os seus oponentes. Temos um Movimento Gay dividido, que coloca as questões partidárias acima da luta homossexual e que não consegue unir forças para aprovar uma lei desatualizada e que não nos atende em sua plenitude.

quarta-feira, 23 de março de 2011

O Brasil Vendido por Algumas Bananas

Do século passado até os de hoje, muita coisa mudou no Brasil. Deixamos de ser um grande fazendão, lutamos contra a ditadura e vencemos, colocamos o Brasil no eixo da economia internacional, passamos de devedores para credores e conseguimos vencer a inflação, nosso maior monstro. Para muitos de nossos avós, tudo isso é muita informação e ainda há aqueles que lamentam o fim da ditadura.

Os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro e a Copa do Mundo são dois grandes momentos para mostrar ao Mundo “quem é o Brasil” e “para que viemos”. Ainda precisamos de infra-estrutura, caso contrário só venderemos a imagem que o Brasil continua sendo o país do futuro. Temos que mostrar para o Brasil o futuro do já começou, que não somos mais um país intimidado pelas grandes potências internacionais e  que somos a 7ª economia do Mundo e temos interesses a defender.

Em 1950, Walt Disney nos presenteou com o desenho “Aquarela do Brasil”, foi a primeira aparição do personagem Zé Carioca. Na animação,  Zé Carioca convida Donald para tentar aprender uns passos de samba nas ruas do Rio de Janeiro, ao som da música “Aquarela do Brasil”, de Ari Barroso.


A obra faz parte da atuação de Disney como agente especial da boa vizinhança, a polí­tica externa implantada pelo governo americano a partir do iní­cio dos anos 1930, que consistiu no esforço de desenvolver estratégias destinadas a estreitar os laços comerciais, polí­ticos e culturais dos Estados Unidos com a América Latina, especialmente com a Argentina, Brasil e México. Para desenvolver o curta, os desenhistas da Disney, incluindo o próprio Walt Disney, viajaram até o Rio de Janeiro.

Mais de 60 anos separam a animação de Walt Disney da animação de Carlos Saldanha, que estreitará nos cinemas de todo o Brasil no próximo dia 8 de abril. A diferença mais gritante de ambas é que a primeira trata-se de um curta-metragem e a segunda de um longa, também podemos evidenciar a introdução da tecnologia para a segunda, de resto, todos os símbolos destacados são os mesmo. Em 60 anos, de acordo com ambas as animações, o Rio de Janeiro não mudou em absolutamente nada.


Somos o país da natureza predominante, das belas praias, mulheres e carnaval. É assim que somos vistos. Ainda bem que não colocaram macacos assaltando turistas no centro do Rio de Janeiro, ou esse é um episódio dos Simpsons, que causou uma crise diplomática entre o Brasil e os EUA na época do governo FHC. Somos muito mais que essas animações mostram e a nossa economia não é fomentada pelos símbolos que somos erroneamente vendidos para o mercado internacional.

Em 2014 e 2016 o Mundo se inclinará para o Rio de Janeiro, temos a oportunidade de mudar os nossos símbolos e mostrar que além de samba, praias e carnaval, também temos um país emergente, com uma economia em constante crescimento e que tem muito mais a oferecer ao Mundo. Ano após anos, milhares de turistas vem ao Brasil a procura de sexo. Temos que nos posicionar e dizer que somos grandes o bastante para viver sem isso. Em 60 anos, muita coisa mudou, mas lá fora, somos vistos da mesma forma e se não nos posicionarmos, daqui 50 anos continuaremos sendo vistos como uma República das Bananas.

sexta-feira, 18 de março de 2011

Justiça nega pedido de liberdade para agressor da Paulista

A 7ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo negou nesta quinta-feira, em decisão de mérito, o habeas corpus a Jonathan Lauton Domingues, 19, acusado de agredir um rapaz na avenida Paulista, em novembro do ano passado.

A defesa do jovem --que está foragido-- entrou com o pedido de liberdade requerendo decisão liminar (provisória), que já havia sido negada pela mesma Câmara em janeiro.

De acordo com o voto do relator do processo, desembargador Fernando Miranda, a manutenção da prisão é necessária para a garantia da ordem pública.

Miranda afirmou, em seu voto, que recebeu a informação que, ainda em liberdade provisória, Domingues foi procurado por várias vezes pela polícia e não foi encontrado.

"Ter-se-ia mudado para endereço certo e não sabido, o que sugere propósito de furtar-se à aplicação da lei penal", afirmou no processo.

A decisão da Justiça foi unânime. A reportagem não encontrou o advogado de Domingues, Édio Dalla Torre, para comentar a decisão.
O estudante chegou a ser preso após as agressões, mas foi libertado no dia 15 de novembro após a Justiça conceder habeas corpus. O Tribunal de Justiça considerou, na ocasião, que ele não tinha antecedentes criminais e possuía endereço fixo, e por isso poderia responder ao processo em liberdade.

A promotora Solange Azevedo Beretta da Silveira denunciou Domingues em dezembro por três lesões corporais, furto e tentativa de homicídio triplamente qualificada.

Quatro adolescentes --também suspeitos de participarem da agressão-- chegaram a ser internados na Fundação Casa, mas três deles foram libertados no dia 23 de dezembro. O único que permanece internado foi o rapaz de 16 anos que aparece em imagens de câmeras de segurança atacando homossexuais com lâmpadas fluorescentes.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Marcha Contra a Homofobia na Av. Paulista

Uma grande Marcha contra a Homofobia será realizada neste sábado, 19 de fevereiro, na Av. Paulista, em São Paulo, com a presença da Ministra Maria do Rosário, da Secretaria de Direitos Humanos. O evento é organizado por jovens ativistas que utilizam o Facebook como instrumento de mobilização e é apoiado pela recém-criada Frente Paulista contra a Homofobia, dentre outros grupos. Eles pedem o fim da violência homofóbica e reivindicam a aprovação do PLC 122/2006, Projeto de Lei da Câmara que torna crime a discriminação de lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e transgêneros.

A concentração será na Praça do Ciclista, esquina da Av. da Consolação, às 15h com destino ao edifício 777 da Av. Paulista, local que se tornou simbólico por ter sido palco da mais noticiada agressão homofóbica de 2010: em 14 de novembro, um estudante de 23 anos foi agredido com lâmpadas fluorescentes por um grupo de jovens.

Depois da agressão com as lâmpadas, outros episódios semelhantes tornaram a acontecer na região da Paulista. No sábado, dia 4 de dezembro de 2010, dois homens de 28 anos foram espancados. O mesmo aconteceu no dia seguinte, quando um casal de rapazes foi agredido na Rua Frei Caneca por um homem que portava um soco inglês. No dia 21 de dezembro de 2010, uma garota também levou socos e empurrões após beijar uma amiga na Rua Augusta. E 2011 já começou com novas agressões: no dia 25 de janeiro, um grupo de rapazes vestidos de preto atacou um estudante de 27 anos, que levou uma garrafada no olho direito e foi parar no hospital. A violência contra a população LGBT, no entanto, está longe de acontecer apenas na região central da cidade. Também no início deste ano, um casal de lésbicas levou chutes e pontapés dentro de uma lanchonete da rede McDonald's, em Taboão da Serra, na Grande São Paulo.

Os organizadores da marcha acreditam que casos assim continuarão acontecendo enquanto a população LGBT não dispuser de um instrumento jurídico que os proteja. "O incessante número de ataques contra LGBTs tem mostrado que há pessoas que julgam ter 'direito' a discriminar os LGBTs por falta de um crime específico. A aprovação do projeto as conscientizaria de que esse 'direito' não existe e traria uma pena maior para atos discriminatórios, mais condizente com a sua gravidade, por se tratarem de crimes de ódio”, afirma Paulo Roberto Iotti Vecchiatti, Mestre em Direito Constitucional e um dos colaboradores da Marcha.

A marcha também pretende relembrar a série de ataques homofóbicos, como forma de conscientizar a sociedade para a necessidade da aprovação do PLC 122. Os ativistas pretendem desmistificar a idéia de que a lei fere a liberdade de expressão ou de culto religioso, uma vez que o texto apenas altera a Lei contra o Preconceito (Lei 7716/89), acrescentando "origem, condição de pessoa idosa ou com deficiência, gênero, sexo, orientação sexual e identidade de gênero" ao rol já existente de "discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional".

“Nosso objetivo com manifestações como a Marcha Contra a Homofobia é chamar a atenção da sociedade para o que está acontecendo com os gays, lésbicas, transgêneros e bissexuais no Brasil. Chegou o momento de mudar! Somente com uma Lei Federal que criminalize a homofobia estaremos seguros", diz Paulo Tavares Mariante, advogado membro do grupo Identidade, de Campinas; "queremos direitos iguais, ou seja, criminalização da homofobia e aprovação do casamento civil igualitário", conclui.

MOBILIZAÇÃO ONLINE

Uma nova militância vem surgindo. Os organizadores da marcha são jovens que se reúnem em comunidades virtuais, como a do grupo Ato Anti-Homofobia, que já conta com mais de 1.600 integrantes, para discutir ideias e ações contra a homofobia. O objetivo é agregar o maior número de pessoas por meio de tal plataforma. Assim foi organizado o protesto em frente à Universidade Mackenzie no final do ano passado, quando o chanceler da instituição emitiu carta pública contra a aprovação do PLC 122/2006. O ato contou com a participação de cerca de 3.000 pessoas, em sua maioria informados pelo site. Pouco tempo depois, o mesmo grupo reuniu cerca de 500 pessoas em frente à Doceria Ofner da Alameda Campinas para um “beijaço” em resposta à discriminação sofrida por um casal homossexual que se abraçava dentro do estabelecimento.

SERVIÇO:

Marcha Contra a Homofobia
DATA: 19 de fevereiro de 2011
LOCAL: Praça do Ciclista, Av. Paulista esquina com a Av. da Consolação
HORÁRIO: Concentração às 15h
ITINERÁRIO: O grupo sai em marcha da Praça do Ciclista e segue em direção ao edifício 777 da Av.Paulista