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sábado, 5 de março de 2011

Rachel Sheherazade Esperando a Quarta-Feira de Cinzas

Discordo de vários pontos levantados pela jornalista Rachel Sheherazade, é obvio que boa parte dos lucros provenientes das micaretas de carnaval vão para os cofres das cervejarias e promotoras de eventos, mas por outro lado, tais empresas são geradoras de emprego e renda e estão inseridas no processo econômico. Podemos abrir um parênteses e dizer que no Brasil temos um sério problema de distribuição de renda, mas não podemos desdenhar o “up econômico” que as “festas populares” geram em nossa economia.

O comentário de Rachel serve como base para todos os comentários dos grandes eventos que acontecem no Brasil. Podemos dizer que a Parada Gay é uma farsa e que por detrás da luta pelos diretos homoafetivos, estão as empresas de trio elétrico, os grandes patrocinadores e as grandes redes de hotéis lucrando alto com isso. Sim, podemos dizer isso, da mesma forma que podemos falar do Natal, do Dia das Mães, do GP de Formula 1 e por ai em diante.

Vivemos num mundo capitalista e onde houver oportunidade de maximização de lucros, ele acontecerá. Dizer que as classes C, D e E não lucram com isso, é um absurdo. Vamos perguntar se o vendedor de latinhas e churrasquinho da esquina está satisfeito? No carnaval, na Parada Gay e em tantas outras festas populares, podem ter certeza que a mesa desse vendedor ambulante fica mais farta. A festa maior é dos mais ricos, não posso negar, mas essa é uma questão mais ampla, que tem que ser fortemente discutida por nossos parlamentares. O Brasil é um dos países com a maior concentração de renda e precisamos de politicas econômicas que distribuam as nossas riquezas de forma mais justa e igualitária.

Rachel Sheherazade tocou num ponto muito importante, que eu não posso discordar, que é a questão das serviços públicos se voltarem para as grandes festividades e no nosso dia-a-dia sentimos a ausência dos mesmos. Da mesma forma que o serviço se democratiza nos locais onde a economia gira nos períodos de grandes festividades, esse serviço também tem que estar presente no nosso cotidiano.

Talvez o velhinho do interior, que tem que ser transportado para outra cidade para a realização de exames, não tem uma tributação que justifique o serviço público inclinado para as suas necessidades, nesse ponto voltamos para a questão da má distribuição de renda, o Estado tem que arrecadar, em momentos como o Carnaval e distribuir essa renda de forma democrática, analisando as necessidades de cada região e favorecendo os menos abastados dessa nação. Que venha o Carnaval, a Parada Gay, a Festa de São João e Boi Bumba e que paralelamente a todas essa festas, que venham politicas econômicas inclinadas para a necessidade do nosso país.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Chanchada, a Festa

“Só a Antropofagia nos Une”, disse Oswald de Andrade no Manifesto Antropófago, de 1928. Esta foi a inspiração para o produtor cultural Leandro Pardí criar a festa Chanchada, que estreia na pista do Clube Glória no dia 11 de julho.

O conceito musical da noite aposta em mixagens de músicas brasileiras, flashbacks com nova roupagem, sons latinos, trash e pop para dar o “ziriguidum” na pista. O espaço das cabines será aberto a artistas independentes da cena musical, além de Djs consagrados. A festa também abrirá espaço para a exibição de obras de novos vídeo-artistas.

Segundo Le Pardí, a festa contará com performances ao vivo para Orixá nenhum botar defeito. “Na primeira edição, o grupo Batucada Tropical mostrará a força dos tambores tupiniquins, com uma pegada de maracatu”, diz o promoter, que também é residente da festa.

Ele convidou o multiartista e DJ Ad Ferrera, o estilista Caio Gobbi, o produtor multimídia Uala Vandeik e o jornalista Jorge Wakabara, residente de outras festas no Glória, para o line up da primeira noite. Além disso, a cada festa serão convidados dois nomes expoentes de diferentes gerações musicais. No dia 11, a cantora Claudia Dorei, aclamada por seu trip hop tropical, e Tetê Espíndola, musa de décadas passadas, atacarão de Djs convidadas mostrando seus sons preferidos.

Serviço:

Clube Glória
Rua 13 de maio, 830, Bela Vista
Tel: (11) 3287-3700
A partir das 23h59
Entrada: R$ 25 porta / R$ 20 com nome na lista do site
Censura: 18 anos
www.clubegloria.com.br

terça-feira, 3 de novembro de 2009

A Antropologia Perde seu Mestre: Levi Strauss Morre aos 100 Anos

Morreu nesta terça-feira (03/11), aos 100 anos de idade, Claude Lévi-Strauss, antropólogo e filosofo francês, um dos maiores nomes da antropologia contemporânea. Lévi-Strauss lecionou na Universidade de São Paulo nos anos 30, onde realizou seus primeiros estudos de etnologia entre populações indígenas, trabalho que desenvolveu ao longo da vida e que o transformou num clássico obrigatório das ciências humanas.

Nascido em Bruxelas, na Bélgica, Lévi-Strauss foi um dos grandes pensadores do século 20. Ele, que completaria 101 anos no próximo dia 28, tornou-se conhecido na França, onde seus estudos foram fundamentais para o desenvolvimento da antropologia. Filho de um artista e membro de uma família judia francesa intelectual, estudou na Universidade de Paris.

Exilado nos Estados Unidos durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), Lévi-Strauss foi professor nesse país nos anos 1950. Na França, continuou sua carreira acadêmica, fazendo parte do círculo intelectual de Jean Paul Sartre (1905-1980), e assumiu, em 1959, o departamento de Antropologia Social no College de France, onde ficou até se aposentar, em 1982.

O estudioso jamais aceitou a visão histórica da civilização ocidental como privilegiada e única. Sempre enfatizou que a mente selvagem é igual à civilizada. Sua crença de que as características humanas são as mesmas em toda parte surgiu nas incontáveis viagens que fez ao Brasil e nas visitas a tribos de indígenas das Américas do Sul e do Norte.

O antropólogo passou mais da metade de sua vida estudando o comportamento dos índios americanos. O método usado por ele para estudar a organização social dessas tribos chama-se estruturalismo. "Estruturalismo", diz Lévi-Strauss, "é a procura por harmonias inovadoras".

Suas pesquisas, iniciadas a partir de premissas linguísticas, deram à ciência contemporânea a teoria de como a mente humana trabalha. O indivíduo passa do estado natural ao cultural enquanto usa a linguagem, aprende a cozinhar, produz objetos etc. Nessa passagem, o homem obedece a leis que ele não criou: elas pertencem a um mecanismo do cérebro. Escreveu, em "O Pensamento Selvagem", que a língua é uma razão que tem suas razões - e estas são desconhecidas pelo ser humano. Lévi-Strauss não via o ser humano como um habitante privilegiado do universo, mas como uma espécie passageira que deixará apenas alguns traços de sua existência quando estiver extinta.

Membro da Academia de Ciências Francesa (1973), integrou também muitas academias científicas, em especial européias e norte-americanas. Também é doutor honoris causa das universidades de Bruxelas, Oxford, Chicago, Stirling, Upsala, Montréal, México, Québec, Zaïre, Visva Bharati, Yale, Harvard, Johns Hopkins e Columbia, entre outras.

Aos 97 anos, em 2005, recebeu o 17o Prêmio Internacional Catalunha, na Espanha. Declarou na ocasião: "Fico emocionado porque estou na idade em que não se recebem nem se dão prêmios, pois sou muito velho para fazer parte de um corpo de jurados. Meu único desejo é um pouco mais de respeito para o mundo, que começou sem o ser humano e vai terminar sem ele - isso é algo que sempre deveríamos ter presente".

Obras Fundamentais

TRISTES TRÓPICOS: Mais que um livro de viagem, é um clássico da etnologia (1955). Além de trazer detalhes pitorescos das sociedades indígenas do Brasil, o livro discute as relações entre Velho e Novo Mundo e o significado da civilização e do progresso. Lévi-Strauss desloca parâmetros consagrados e questiona viajantes e cientistas. O mundo dos cadiuéus, bororos, nhambiquaras e dos tupi-cavaíbas revelam seus próprios estilos e linguagens.

ANTROPOLOGIA ESTRUTURAL: Publicada em 1958, a obra reúne artigos que propõem um empréstimo das teorias estruturalistas de Roman Jakobson, lingüista que Lévi-Strauss conheceu nos EUA, para renovar o método antropológico. Ela se divide em cinco partes: Linguagem e parentesco; Organização social; Magia e religião; Arte; e Problemas de método e de ensino. A obra será lançada pela Cosac Naify no dia 11.

O SUPLÍCIO DO PAPAI NOEL: A Cosac Naify lança, também no dia 11, O Suplício do Papai Noel, ensaio de 1952. Lévi-Strauss parte da queima de um boneco de Papai Noel em Dijon, França, em 1951, para analisar, por meio da antropologia estrutural, o significado das festas de fim de ano, a comercialização das datas tradicionais e a influência norte-americana nesse processo.

MITOLÓGICAS: Composta por quatro obras - O Cru e o Cozido (1964), Do Mel às Cinzas (1967), A Origem dos Modos à Mesa (1968) e O Homem Nu (1971) - a série analisa 813 mitos de diferentes povos indígenas do continente americano.

DE PERTO E DE LONGE: Em entrevista para o filósofo Didier Eribon em 1988, o antropólogo faz um balanço sobre sua história pessoal, formação intelectual e conceitos-chave de sua teoria.

HISTÓRIA DE LINCE: Segundo Lévi-Strauss, essa obra (1991) é a última incursão pela mitologia americana. Questões presentes em sua produção de mitólogo são retomadas e esclarecidas.

SAUDADES DO BRASIL: Obra de 1994 reúne fotografias feitas entre 1935 e 1939. Lévi-Strauss se deu conta de que poderia descrevê-las, localizando-as no tempo e no espaço, com auxílio da memória afetiva. Saudades de São Paulo, de 1996, também tem um depoimento em que se revisitam imagens de uma cidade onde o gado convivia com carros e bondes.

OLHAR, ESCUTAR, LER: De 1993, é escrita em tom de conversa, inteiramente dedicada à arte.

O PENSAMENTO SELVAGEM: No livro, de 1962, ele focaliza um traço universal do espírito humano - o pensamento selvagem que se desenvolve tanto no homem antigo como no contemporâneo.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

O Tsunami em Samoa

Fiquei muito triste com a noticia do Tsunami em Samoa e perplexo quando soube que já havia mais de 100 mortos, numero significativo para uma sociedade com aproximadamente 176 mil habitantes. Confesso que imaginava que Samoa não era tão povoada assim, pelas fotos que apareceram na mídia, achei a região bem desenvolvida.

Para os mais íntimos com a Antropologia, Samoa é uma região muito conhecida, foi por lá, na que década 20, a antropóloga Margareth Mead estudou o comportamento dos adolescentes samoanos e com base nesses estudos publicou o livro “Adolescência, sexo e cultura em Samoa”. Mead estava acostumada com a intransigência dos adolescentes americanos e na sua pesquisa, o objeto de estudo foi à transição suave que os samoanos tinham da infância para adolescência. Essa transição, não tão traumática, se dava pelo fato dos adolescentes viverem a liberdade sexual na adolescência, enquanto não ocorresse o casamento, o sexo casual era completamente aceitável e estimulado pela sociedade.

Hoje Samoa não é mais a mesma, a religião protestante se infiltrou na comunidade e o que antes era vista como natural, passou a ser visto como pecado. Para banir a atividade sexual dos jovens, as igrejas criaram colégios separando os meninos e as meninas, o que deixou evidente a homossexualidade na sociedade. Alguns antropólogos afirmam que a homossexualidade surgiu por conta da “proibição” do sexo casual, o que a meu ver é um tremendo absurdo, a homossexualidade sempre existiu, mas a liberdade sexual era tão grande, que esse fator não era preponderante.

Os estudos de Mead causaram muito alvoroço nos EUA, de fato ela foi uma mulher muito polemica. Na década de 70, Margareth esteve no Brasil e no auge da ditadura militar ela defendeu a liberação da comercializada da maconha, Margareth foi ridicularizada, e hoje vemos que ela era apenas uma mulher muito a frente da sua época, depois de 40 anos, discussões sobre a liberação do comércio de drogas no Brasil ganha fôlego. Ela faleceu em 1978, depois de sua morte, o antropólogo Derek Freeman voltou em Samoa e encontrou uma sociedade completamente diferente daquela que Margareth encontrou nos anos 20, ele publicou o livro “Margaret Mead e Samoa: a construção e destruição de um mito antropológico”, no qual ele desconstrói todo o trabalho de Mead e que até hoje divide a opinião de estudiosos.

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