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domingo, 28 de setembro de 2014

Entrevista de Floriano Pesaro para o Site #VoteLGBT

1. Quais são suas principais propostas para a população LGBT? 

O respeito ao Estado laico por todas as esferas do poder. 

Equiparar a prática da homofobia/lesbofobia/transfobia e bifobia à prática do racismo como crime inafiançável e imprescritível. 

Fortalecimento do Conselho Nacional LGBT. 

A inclusão, no currículo escolar, de conteúdo relativo a promoção dos direitos humanos, ressaltando a importância da igualdade de gênero, igualdade racial, respeito à diversidade, a inclusão de pessoas com deficiência e mobilidade reduzida, bem como das populações LGBT, indígena e outros grupos vulneráveis social ou economicamente. 

O respeito à orientação sexual e à identidade de gênero, apoiando as leis que estão tramitando no Congresso, como a lei de identidade de gênero, casamento civil igualitário e outras. Implementação, fiscalização e acompanhamento do Plano Nacional de Promoção da Cidadania e Direitos Humanos LGBT. 

2. Quais outras propostas da sua candidatura você gostaria de destacar? 

Além da inclusão tenho propostas nas áreas da Educação, Gestão Pública (Governo Eletrônico, e a prestação de serviços públicos por meio eletrônico), Reforma Política e Mobilidade Humana. 

Defendo o voto distrital misto com financiamento público de campanha, para que haja mais representatividade na política, além da diminuição de gastos, e adoção de uma cláusula de desempenho para a obtenção de recursos do fundo partidário e acesso gratuito ao rádio e televisão. 

3. Qual sua mensagem para as eleitoras e os eleitores LGBTs? 

Em 2005, antes dos meus dois mandatos de vereador, como Secretário de Assistência e Desenvolvimento Social, criamos o Centro de Referência da Diversidade – CRD, que trabalha com mulheres, crianças, negros, pessoas com deficiência, idosos, homossexuais, travestis e outros grupos e pessoas em situação de vulnerabilidade. 

Como vereador propus a Lei nº 15.900/13, que incluiu o Dia Municipal de Luta Contra a Homofobia, Lesbofobia e Transfobia no Calendário Oficial da Cidade de São Paulo, e do Projeto nº 147/2013, que institui a Política Municipal de Promoção da Cidadania LGBT e Enfrentamento da Homofobia e lutei contra o Dia do Orgulho Hétero e a proibição da Parada na Av. Paulista. 

Propus também o Projeto de Lei 497/2009 que proíbe discriminação motivada por etnia, deficiência, origem, gênero, classe social e geracional e contra a população LGBT em estabelecimentos comerciais, industriais, de serviços e similares na nossa capital. Isso quer dizer que se ocorrer discriminação em qualquer estabelecimento a empresa também será responsabilizada. O objetivo é difundir a importância de um treinamento adequado aos funcionários desses estabelecimentos e a importância de se cultivar o respeito e a proibição de atitudes discriminatórias, que deverão ser combatidas, independentemente de serem praticadas por empregados ou por clientes. 

Nas eleições 2014 sou candidato a Deputado Federal, meu número é 4544. São Paulo é uma cidade plural, construída por mulheres e homens, vindos de todas as partes do Brasil e do mundo. A diversidade não poderia encontrar melhor lugar para se expressar culturalmente. A cidade com a maior Parada LGBT do mundo não pode mais ser a que ostenta números assustadores de casos de violência de gênero ou motivada por orientação sexual! Vamos lutar para sermos de fato uma cidade de vanguarda, que respeita e coexiste com as diferenças. É essa a contribuição que se espera de nós!

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Mostra Critica a Homofobia no Irã

O Grupo Gay da Bahia (GGB) mais antiga entidade do gênero no país, vai aproveitar o jogo da seleção do Irã contra a Bósnia pela Copa do Mundo, em Salvador, na próxima quarta-feira, 25, para promover uma exposição contra a república islâmica iraniana. 

O GGB resolveu inaugurar a exposição "Irã, o Inferno dos Homossexuais" - Exposição de Fotos sobre a Homofobia na República Islâmica do Irã na sede da entidade, no Pelourinho, no mesmo dia do jogo do Irã contra a Bósnia, das 10h às 18h. A mostra permanecerá aberta até fim do mês de julho, mesmo após o término no Mundial, cuja final será no dia 13 do próximo mês. 


Conforme o GGB, dentre os 76 países do mundo onde ainda persistem leis que condenam os homossexuais a serem torturados e presos, sete condenam à morte: Irã, Arábia Saudita, Iêmen, Mauritânia, Sudão, Somália e Nigéria (apenas a região norte). Destes, ainda de acordo com a entidade, o Irã é o "mais homofóbico", pois o ex-presidente Ahmadinejad declarou que não existem gays no país, ali ocorrendo todos os anos duas ou mais execuções de homossexuais. A homofobia é política oficial de estado, 'homofobia governamental'", divulgou a entidade. 

A entidade informa que, entre as fotos da exposição, serão exibidas "cenas chocantes do enforcamento em praça pública em Teerã de jovens gays, as costas ensanguentadas de vítimas de açoites e torturas. Mas também fotos do ex-presidente Ahmadinejad beijando no rosto outros homens - o que demonstraria a contradição da cultura islâmica que convive com atos públicos de "homossociabilidade", mas condena à morte os que assumem ou são acusados de homoerotismo. 

Há críticas, ainda, ao ex-presidente Lula e à presidente Dilma, pela recepção e apoio a Ahmadinejad, constando na exposição fotos e caricaturas de Lula com o ex-presidente do Irã. Segundo Mott, em muitos países homofóbicos radicais, as autoridades religiosas muçulmanas estimulam que gays sejam submetidos a operações de mudança de sexo, "consertando" assim o abominável pecado de um homem amar outro homem. 

segunda-feira, 16 de junho de 2014

Militantes LGBT realizam protesto durante a partida entre Irã x Nigéria

Durante a partida das seleções do Irã x Nigéria, o Movimento LGBT realizou um protesto contra a homolesbotransfobia de ambos os países. Irã e Nigéria pertencem ao grupo de nações que condenam a homossexualidade com pena de morte. No protesto, ativistas colocaram uma enorme bandeira do movimento gay na fachada de um prédio e enforcaram dois bonecos, um representando as mortes ocorridas naqueles países.

Durante o protesto, diversos iranianos pararam para ver e até tirar fotos da manifestação. Para o iraniano Mihda, que é radicado nos Estados Unidos e não quis revelar seu sobrenome, os protestos são legítimos e todos estão otimistas no país por uma maior abertura política. Ele, por exemplo, disse não se importar com a orientação sexual do seu filho, que ele nunca perguntou qual é. No entanto, Mihda se recusou a tirar uma foto diante da bandeira gay.

A partida Irã x Nigéria, foi apelidada de "Jogo da Morte". No Irã, gays são enforcados. No norte da Nigéria, perdem a vida a pedradas. A Capital paranaense também irá sediar o jogo entre Argélia x Russia, no dia 26. Na Argélia, homossexuais podem ser condenados a 14 anos de prisão, e na Rússia, embora oficialmente não existam leis contra gays, eles são cada vez mais apartados da sociedade e perseguidos.

quinta-feira, 6 de março de 2014

Sobre Carnaval, Homofobia e Políticas Excludentes

A Mangueira não foi a campeã do Carnaval Carioca, mas sem sombras de dúvidas foi a escola que mais representou a Diversidade Cultural que existe no Brasil. Contando à história das festividades do Brasil, a escola levou à avenida 36 alas e sete alegorias para contar as origens e características das principais datas festivas do país. "Pegue seu par, dance quadrilha / 'simbora' pro meu sertão / vem pular fogueira / viva são João!", cantou o refrão do samba da verde e rosa. 

Os mais de 500 anos do Brasil foram retratados a partir de suas celebrações, desde o Descobrimento do país até tradições mais recentes, como a Parada Gay: "Sou brasileiro, vou festejar / Meu palco é a rua e a luz o luar / No coração da floresta magia que encanta "Garanto" que vai "caprichar" / Chegando à terra da garoa um arco-íris despontou / orgulho, respeito, igualdade / tremula a bandeira da diversidade". 

As cores da bandeira da diversidade sexual puderam ser vistas nas alas arco-íris e arauto da diversidade. Outro setor da escola trouxe homens vestidos de noivos e mulheres de noivas com seus buquês, representando a união homossexual, com direito a beijo gay. O sexto carro da agremiação também foi dedicado ao tema. Segundo a escola, 44 homens vieram na alegoria, sendo que a maioria deles vestia um sobretudo preto e chapéu. Em certo momento do desfile, todos entravam em um espaço com porta e saíam de dentro dele vestidos com espartilhos luminosos, fazendo coreografias – uma alusão à expressão popular “sair do armário”, que define quem assume a homossexualidade. Um verdadeiro show de diversidade. 

Depois de tanta alegria, o Brasil recebeu uma triste noticia na quarta-feira de cinzas, um menino de apenas 8 anos teve o seu fígado dilacerado pelo pai, devido aos constantes espaçamentos para o menino “virar homem”. Alex gostava de dançar dança do ventre e lavar louça. As sucessivas pancadas do pai, provocadas porque Alex não queria cortar o cabelo, dilaceraram o fígado do garotinho. Uma hemorragia interna se seguiu, levando o menino, que também gostava de forró e de brincar de carrinho, a óbito. 

Fazendo contraste com o colorido da diversidade e respeito promovido pela Mangueira, o corpo do menino Alex se tornou um mapa dos horrores que vinha passando por aquele que naturalmente deveria amar e proteger. O pai de Alex já havia cumprido pena por trafico de Drogas, o que nos leva a concluir que ele faz coro a predileção de muitos que dizem que preferem um filho bandido a um filho homossexual. Alex morava no Estado do Rio Grande do Norte, com sua mãe, mas para ela não perder a guarda do filho, pois não o enviava para a escola, mandou o garoto para morar com o seu pai. 

Essa discrepância em nosso país acontece principalmente pela ausência de políticas públicas e reparatórias para a população LGBT. Vivemos em uma sociedade machista e homofobica, que aceita perfeitamente declarações de religiosos, em rede nacional, falando que gays são aberrações, escórias da sociedade. Vivemos num Estado de natureza laica, mas a cada eleição os legislativos de todo o país engrossa mais o caldo da bancada fundamentalista, que acabam legislando por causa própria, travando as pautas dos Direitos Humanos e se unindo com a bancada ruralista. 

Recentemente, o deputado Assis do Couto (PT), que acaba de assumir a Comissão de Direitos Humanos e Minorias, declarou que não é favorável nem contra a relação amorosa entre duas pessoas do mesmo sexo, se colocando em cima de muro numa questão tão importante e superada por países que estão no mesmo patamar de desenvolvimento do Brasil. O PT novamente mostra o tom de descaso com os Movimentos Sociais, rompendo com lutas históricas, que estavam com o partido desde a sua fundação. Enquanto não rompermos com governos descompromissados com a luta pelos Direitos Humanos, continuaremos sendo o país que mais mata homossexuais no Mundo, manchando o colorido da diversidade, com o vermelho da homofobia.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Outdoor que Simula Beijo Gay de Jesus é Depredado

Parte do projeto chamado "Obranúncio", um outdoor que estampava três fotos, sendo uma delas um beijo entre dois homens, foi alvo de vandalismo em Vitória da Conquista, no sudoeste baiano. O ataque aconteceu na Avenida Juracy Magalhães. O mesmo outdoor mostra outras duas fotografias nas laterais, que remetem à representação de Jesus Cristo. 


Intitulada "Paixão de Cristo", a obra é fruto de parceria entre os artistas Alex Oliveira e Ricardo Alvarenga. Mais três fotógrados estão com imagens espalhadas na cidade, são eles George Neri, Rayza Lelis e Vinícius Gil. A autora do projeto, Núbia Neves, estuda Cinema e Audiovisual na Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia e foi contemplada em um edital da Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb). 


Os artistas não pretendem restaurar a peça, pois a intenção era gerar uma reflexão social e a sociedade tem o direito de reagir da forma que achar conveniente. A depredação é resultado da omissão de políticas públicas reparatórias para a Comunidade LGBT, resposta de uma sociedade que mais mata homossexuais no mundo por motivação de ódio. 

Em 2008, publiquei um ensaio fotográfico do artista Robert Recker, intitulado “A Paixão de Cristo”. Num ensaio sensual, temos representações da santa ceia, de Jesus lavando os pés de um discípulo, do beijo de Judas e de Jesus rezando em volta de alguns discípulos dormindo. O trabalho de Robert Recker também foi alvo de várias criticas. 

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Sobre Manifestações e Ausência de Políticas Públicas

Muito me impressiona o desdobramento que alguns militantes do movimento LGBT vem dando ao caso do menino Kaique, morto no dia 11 de janeiro. A morte completa um mês e apesar da família estar convencida que foi suicídio, alguns militantes não se convenceram da conclusão do laudo policial e prometem mais manifestações. 

Antes da conclusão do laudo policial, a Ministra Maria do Rosário soltou uma nota lamentando o caso de homofobia em São Paulo. A ministra trata São Paulo como um ente independente da Federação, como se os casos de homofobia praticados em São Paulo não fossem reflexos da ausência de políticas públicas nos mais de 10 anos do Governo Petista. 

Considero a manifestação legitima e um forte instrumento da democracia, porém no calor do momento, o seu alvo foi desviado. Os manifestantes programam ir até a Secretaria de Segurança Pública e cobrar por respostas e se esta Secretaria não se movimentar, significa que “a diversidade não é bem vinda em São Paulo”. 

São Paulo é o Estado que tem a maior rede de proteção e de políticas públicas voltadas para o segmento LGBT. Foi em São Paulo, na gestão do Prefeito José Serra, que foi instituído no âmbito municipal o primeiro órgão governamental de fomento as políticas para a população LGBT. Enquanto Governador, José Serra também instituiu a Coordenação de Políticas Publicas para a Diversidade Sexual. Também foi regulamentada a Lei 10.948, que pune administrativamente à homofobia, além da criação de conselhos municipais e estadual. 

Ainda temos muito que avançar para termos uma cidade e um Estado para todas e todos, acho completamente desconexo com a realidade cobrar somente do Governo Estadual a responsabilidade pela crescente onda de homofobia. Não é da alçada do poder público Estadual criminalizar a homofobia, mas sim do Governo Federal, que em negociações com as bancadas fundamentalistas enterrou o PLC 122 e vetou o Kit Escola Sem Homofobia, ocasião que a presidente Dilma Rousseff declarou que não faria propaganda de “opções sexuais”. 

Enquanto o Movimento LGBT fica se digladiando, numa disputa partidária sem fim, casos de homofobia estão acontecendo em todo o Brasil. Temos que cobrar, é um direito legitimo de todas e todos, mas temos que saber direcionar nossas demandas, cobrando a ausência do poder público nas esferas de sua competência.

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Tem alguém que nos odeia

O suspense "Tem alguém que nos odeia" estreia dia 17 de julho na sala experimental do Teatro Augusta, para temporada até 03 de outubro. Texto de Michelle Ferreira recebe direção de José Roberto Jardim. No elenco estão Ana Paula Grande e Bruna Anauate. 

O texto escrito em 2011, aborda a relação privada e amorosa de duas mulheres, Maria, brasileira, e Cate, estrangeira, que decidem morar juntas em São Paulo. Dentro do antigo e decadente apartamento – herdado por Maria – elas vivem em conflito. Em meio a esse ambiente turbulento, a violência e horror batem a sua porta, invadindo o seu lar. Elas, então, se veem obrigadas a enfrentar agressões físicas e psicológicas de algum homofóbico do prédio, que se torna um inimigo invisível e constantemente presente. 

Num clima de suspense e desconfiança, elas lidam com a impunidade da justiça brasileira, com uma moradora que as considera um mau exemplo, com um padre que as tenta convencer de que são grandes pecadoras, com uma síndica que nada pode fazer e com suas angústias pessoais. A peça coloca em xeque a temática da tolerância, da coexistência entre diferentes grupos, os protocolos sociais, a justiça, religião e o papel de cada indivíduo diante das questões públicas.

Serviço: 

Tem alguém que nos odeia
Gênero: Suspense
Estreia dia 17 de julho, às 21h, no Teatro Augusta – Sala Experimental
Temporada: quartas e quintas, às 21h. Até dia 3 de outubro
Duração: 70 minutos
Capacidade: 35 lugares
Censura: 14 anos.

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Luiz Mott fala sobre Homofobia, Direitos para população LGBT e Marco Feliciano na CDHM

Luiz Mott, Antropólogo, historiador e fundador do Grupo Gay da Bahia, gentilmente cedeu uma entrevista ao Passageiro do Mundo, onde aborda a questão de Direitos para a população LGBT, homofobia e a polêmica de Marco Feliciano na presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias. 

Decano do Movimento LGBT, Mott é referência mundial na questão de luta pelos direitos da população LGBT. Dedicou grande parte do seu trabalho a pesquisas de sexualidade e gênero, tornando-se uma fonte, quase que obrigatória, para todos aqueles que fazem referências acadêmicas nessa questão. 

Passageiro - Como foi o seu ingresso na Militância LGBT? Quais eram as prioridades e as principais bandeiras de luta naquela época? 

Luiz Mott - Tinha recém mudado para a Bahia, em 1980, quando fui covardemente esmurrado por um homofóbico ao me ver abraçado com meu companheiro num por do sol no Farol da Barra. Fiquei revoltado, procurei um policial em vão. Foi esse murro que despertou minha consciência de militante gay. 

Tinha sido seminarista dominicano durante toda minha adolescência, e ao sair do convento, optei pelas Ciências Sociais, e pela antropologia em particular, pois mantive mesmo depois como ateu, o mesmo sentimento humanista inspirado no cristianismo. Nos primórdios do movimento homossexual, nossas principais bandeiras eram sair do armário, fundar grupos por todo o Brasil, lutar contra a homofobia manifesta na imprensa, que insistia em nos rotular de doentes e marginais, usando termos vulgares para se referir a nossa comunidade. 

Passageiro - E como se deu a fundação do Grupo Gay da Bahia? Quais as principais áreas de atuação do GGB? 

Luiz Mott - 1980 foi um ano emblemático no Brasil, no final da ditadura militar: data da fundação do PT, Olodum e GGB. O Movimento Homossexual Brasileiro havia sido fundado em 1978, com o Grupo Somos de São Paulo e o Jornal “O Lampião”. Percebi que era o momento de mobilizar os homossexuais baianos para nos organizarmos. Fundamos então o Grupo Gay da Bahia no carnaval de 1980, que desde sua origem teve como objetivo lutar contra qualquer manifestação de homofobia, divulgar informações corretas sobre homossexualidade e mobilizar a comunidade LGBT para defender sua cidadania plena. 

Desde sua fundação, o GGB foi protagonista das mais importantes conquistas do movimento LGBT nacional: liderou em 1985 a campanha nacional que retirou o “homossexualismo” da condição de desvio e transtorno sexual; foi a primeira ONG/LGBT a se registrar como entidade civil e obter o status de utilidade pública municipal; foi pioneira na prevenção da Aids e fundou diversas outras ONGs, como a Associação de Travestis de Salvador, o Grupo Lésbico da Bahia, o Quimbanda Dudu de Negros Gays, entre outras. 

Passageiro - O que falta no Brasil para que a homossexualidade não seja mais vista, por setores fundamentalistas, como um desvio de comportamento? 

Luiz Mott - Lastimavelmente o Brasil é um país extremamente contraditório para os LGBT: em seu lado cor de rosa, abriga a maior parada LGBT do mundo, tem a maior associação LGBT da America latina, já aprovou o casamento homoafetivo, porem, tem seu lado vermelho sangue, representado pelos cruéis assassinatos de gays e travestis. A cada 26 horas registra-se um “homocídio”, 338 em 2012, 86 só neste início de ano. Metade dos assassinatos homofóbicos do mundo são cometidos no Brasil. Herdamos da Inquisição e escravidão essa sangrenta homofobia, infelizmente atualizada pelos sermões homofóbicos dos fundamentalistas evangélicos e católicos, cada vez mais poderosos no Parlamento e que fizeram a Presidenta Dilma refém de seu projeto teocrático de dominação de nosso país. 

Além da homofobia cultural, que fragiliza e vulnerabiliza os LGBT, dominando o imaginário dos assassinos de gays, sofremos da homofobia governamental da atual presidenta – chamada de Dilmofóbica nas listas LGBT e vaiada de norte a sul nas Paradas Gays – que vetou a distribuição do kit antihomofobia, que deveria ter capacitado mais de 6 milhões de jovens no respeito a diversidade sexual. 

Passageiro - Porque os fundamentalistas são tão homofóbicos? 

Luiz Mott - Desde os tempos da Inquisição, o amor que não ousava dizer o nome foi perseguido pelo Rei e pela Igreja. Chamavam aos sodomitas de “filhos da dissidência”. E de fato, o estilo de vida dos homossexuais e transexuais sempre foi uma ameaça ao conservadorismo familista do antigo regime, na medida em que os gays baseiam suas alianças no tesão e paixão, diferentemente das uniões heterossexuais, baseadas na aliança e controle das família: Matrimôni/Parimônio. 

Ainda hoje em dia, os LGBT são a última tribo romântica do mundo, pois lutamos pelo direito de se casar enquanto a maioria dos heterossexuais estão se divorciando, vivendo apenas amizades coloridas, “ficando”. Homossexualidade é vista pelos conservadores como uma anarquia perigosa que mina os alicerces da obediência cega dos filhos aos pais, ameaçando a tradição patriarcal. Acresce-se o fato de que LGBT em principio não reproduzem, e deixarão de nascer novos fundamentalistas, o que não interessa às religiões que precisam das novas gerações para continuar sua cruzada familista tradicional. 

Passageiro - Por que não avançamos o quanto deveríamos em relação às políticas públicas LGBT? 

Luiz Mott - É notório que nos últimos anos o antigo MHB, hoje MLGBT foi maciçamente cooptado pelo partido governista, e apesar de muitas lideranças homossexuais estarem trabalhando em órgãos federais, estaduais e municipais, infelizmente o governo não está conseguindo resolver nossa prioridade máxima: sobreviver aos “homicidios” e à Aids. 

O Governo não tem sequer habilidade para criar um banco de dados sobre assassinatos de LGBT: é o GGB quem há décadas faz tal levantamento, disponibilizado no blog “Quem a homofobia matou hoje” com atualização diária sobre crimes homofóbicos. Mesmo o tal Disk 100, que registrou 4.614 denúncias de homofobia em 2011 (cadê os dados de 2012 e 2013?), lastimavelmente não implementou nenhuma ação eficaz para diminuir tal calamidade. Portanto, as políticas públicas LGBT são poucas, tímidas, ineficazes. Falta vontade política e “savoir faire”, inteligência estratégica governamental para erradicar esse cancro que de nosso país, onde são mortos mais homossexuais do que em todos os países muçulmanos onde há pena de morte contra os LGBT. 

Passageiro - Como você vê a eleição de Marco Feliciano para a presidência da CDHM?

Luiz Mott - Nunca antes na nossa história houve uma mobilização nacional e internacional tão orquestrada contra a homofobia deste indigno presidente da Comissão de Direitos humanos e Minorias da Câmara dos deputados. É fantástica e de altíssimo nível a quantidade de artigos e ensaios escritos contra o pastor Feliciano. As incontáveis fotos de Vips e cidadãos comuns se beijando na boca como protesto continuam pipocando na internet. As manifestações em todas capitais, muitas cidades do interior e do exterior, sempre com o mote FORA FELICIANO é inaudito em nossa história, configurando-se como o maior movimento de massas do século 21, só igualadas pelas lutas Contra a Ditadura, Diretas Já, Fora Collor, do século passado. 

A produção de charges e cartoons fora Feliciano é fantástica: o GGB inaugura em maio, em Salvador uma exposição com 50 caricaturas dos melhores cartunistas brasileiros sobre esse tema. Infelizmente, Feliciano é cria e cota de Dilma e só teve essa visibilidade devido a irresponsabilidade do PT e seus partidos aliados, que após quase duas décadas na condução da comissão de DH, optaram por comissões mais poderosas e midiáticas. Quem pariu Feliciano, que o embale!

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Mostra "Fora Feliciano" reúne cartuns e caricaturas no GGB

Segue em cartaz até 31 de maio, na sede do Grupo Gay da Bahia (GGB), no Pelourinho, a exposição Fora Feliciano: Caricaturas e Charges Contra a Homofobia. A mostra, organizada pelo fundador do GGB, Luiz Mott, reúne 50 cartoons de 27 artistas de todo o país, entre eles os cartunistas Simanca e Cau Gomez, do Jornal A TARDE.

De acordo com o GGB, a proposta da exposição é divulgar a indignação nacional com a nomeação do deputado Marco Feliciano à presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados, além de exigir a sua renúncia.

"Que esse registro de nossa história permita não só aos nossos contemporâneos, mas também às futuras gerações, tomar conhecimento que estávamos presentes e ativos nesse momento crucial de luta pela cidadania contra a homofobia, racismo, machismo e intolerância", declarou Mott. 

Além da mostra, uma sessão especial de combate à homofobia será realizada na Câmara Municipal de Salvador no dia 17 de maio, às 9h.

domingo, 28 de abril de 2013

Gays evangélicos lotam inauguração de igreja inclusiva em SP

A Igreja Cristã Contemporânea inaugurou um templo em São Paulo no último sábado (27) atraindo dezenas de evangélicos homossexuais que não se sentem acolhidos nas igrejas mais tradicionais. 

A denominação foi fundada no Rio de Janeiro em 2006 e é liderada pelos pastores Fábio Inácio de Souza e Marcos Gladstone que são homossexuais assumidos e casados. 

Conhecida por ser uma igreja inclusiva, eles não só aceitam homossexuais como promovem eventos voltados para casais gays, encontro de solteiros, balada e ainda realizam a união de pessoas do mesmo sexo. 

Foi usando esta temática que eles trouxeram uma filial para São Paulo, antes de inaugurar este templo no bairro do Tatuapé, zona Leste da capital paulista, eles reuniam cerca de 100 pessoas em salão de festas. 

O slogan da igreja é “Levando o amor de Deus a todos, sem preconceitos” se valendo do tema para atrair cada vez mais fiéis, uma vez que a ideia dos líderes é abrir dez templos na cidade de São Paulo. 

“A meta é fundar mais dez igrejas na capital”, disse o pastor Gladstone. A Igreja Contemporânea tem outros sete templos, um em Minas Gerais e outros seis no Rio de Janeiro. 

Apesar de ganhar destaque na mídia esta não é a primeira igreja cristã inclusiva na cidade, Lanna Holder e Rosania Rocha fundaram em 2011 a igreja Comunidade Refúgio e há outros ministérios menores com o mesmo estilo de pregação.

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Manifestantes fazem beijaço gay em novo ato contra Marco Feliciano

Em mais um dia de protestos contra a permanência do deputado federal Marco Feliciano (PSC-SP) na presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da câmara baixa, manifestantes promoveram um beijaço gay e simularam dois casamentos homoafetivos em frente ao Congresso Nacional, em Brasília. Quatro participantes foram detidos pela Policia Legislativa depois de fixarem numa janela do 15º andar do prédio da Câmara uma bandeira com o símbolo do arco-íris. Eles foram conduzidos para prestar esclarecimentos. Feliciano também encontrou militantes pelos corredores da Câmara. Ele deixou ativistas contrários à permanência dele do lado de fora da comissão. Contudo, 60 evangélicos foram autorizados a permanecer com cartazes em sua defesa.

O deputado foi bastante aplaudido ao entrar na comissão. Alguns aliados fizeram discurso de desagravo com ataques aos ativistas. Feliciano chegou a garantir ter recomendado aos seguranças que analisassem o perfil das pessoas pretendendo assistir à sessão da comissão. As críticas do parlamentar foram rebatidas por Antônio José, servidor ligado a entidades rurais. “Isso aqui é uma grande farsa. Eu quase não consegui entrar”.

Ele foi retirado por três seguranças a força, levando empurrões. Feliciano criticou, mais uma vez, os protestos: “Eu sinto que há um desejo de desestabilizar a nossa comissão”. Para o deputado, o tom dos protestos, que chegou a ter palavrões, não é democrático e “não faz parte do comportamento de pessoas de bem”.

Feliciano disse que tentou procurar os parlamentares ligados aos direitos humanos, que deixaram a comissão por sua presença no comando do colegiado: “Não tem acordo. Eles dizem que são extremos”. A Câmara informou que os quatro estudantes serão investigados porque, depois de tentarem colocar uma segunda bandeira na janela de uma das salas, fecharam uma ala onde fica uma copeira.

A Polícia Judiciária da Câmara vai investigar se a copeira ficou trancada ou se a porta foi apenas fechada, sem chave. Os policiais querem saber se houve invasão do ambiente de trabalho dos servidores. Os estudantes não foram presos, apenas foram conduzidos à Polícia Judiciária para prestar depoimento. Mas, eles utilizaram o direito constitucional de ficar calado, sem chegarem a prestar depoimento. Os detidos apenas assinaram o termo de compromisso de comparecimento. Foi aberto o boletim de ocorrência 112/2013. A Polícia Judiciária tem até 30 dias para concluir o caso.

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Marília Gabriela recusa participação de Marco Feliciano em seu programa

Marília Gabriela não aceitou receber o deputado federal Marco Feliciano em seu programa "De frente com Gabi", do SBT. A informação é do colunista Flávio Ricco, publicada nesta sexta-feira (19).

Segundo a nota da coluna, o próprio deputado ligou para o programa se oferecendo para uma entrevista, mas a equipe de Marília Gabriela, educadamente, recusou a oferta do presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDHM) da Câmara dos Deputados do Brasil.

Marco Feliciano tem sido o protagonista de muitas polêmicas, inclusive com a apresentadora Xuxa, envolvendo o tema da homossexualidade. Inclusive, a posição radical do político foi um dos pontos motivadores para que a cantora Daniela Mercury assumisse a relação com a jornalista Malu Verçosa. 

Vários outros artistas também estão se posicionando a respeito de Feliciano, e muitos deles têm publicado fotos nas redes sociais em que aparecem beijando outro artista do mesmo sexo. Antonia Morais e Yasmin Brunet, Fernanda Paes Leme e Fernanda Rodrigues, foram algumas das duplas que expressaram o seu protesto: "Feliciano, você não me representa".

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Novo PLC 122 dá aval para homofobia religiosa

As manifestações de religiosos sobre homossexuais feitas dentro de templos está fora da sugestão de substitutivo ao projeto de lei (PLC 122/2006) que criminaliza a homofobia, entregue na terça-feira à Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Senado pelo Conselho Nacional de Combate à Discriminação e Promoção dos Direitos de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (CNCD-LGBT). 

O CNCD-LGBT integra a estrutura da Secretaria de Direitos Humanos (SDH) da Presidência da República e sua composição é formada de 15 representantes do governo e 15 da sociedade civil. Na avaliação da senadora Ana Rita (PT-ES), presidente da CDH, a nova proposta é completamente diferente da que tramita na Casa. "É uma proposta que trata do ódio e da intolerância contra todas as pessoas, idosos, crianças, adolescentes, deficientes e também contra as pessoas do movimento LGBT", explicou.

O substitutivo diz que constitui crime de intolerância, com pena prevista de um a seis anos, "impedir, restringir a expressão e a manifestação de afetividade, identidade de gênero em espaços públicos ou privados de uso coletivo, exceto em templos de qualquer culto, quando estas expressões e manifestações sejam permitidas às demais pessoas".

"As autonomias que as igrejas têm nas suas estruturas, nas suas sedes, nos seus locais, nós não podemos fazer interferência, mas as manifestações públicas vão ter um outro contexto", explicou a representante da Rede Nacional de Negras e Negros LGBT Janaína Oliveira.

A intenção do senador Paulo Paim (PT-RS), que vai relatar a proposta, é pedir regime de urgência para que, depois de votado o relatório na comissão, a matéria siga direto para votação no plenário da Casa. "O substitutivo não é um adendo à Lei 7.716, conhecida como Lei do Racismo, ela é uma lei autônoma, que vai tratar especificamente dos crimes de ódio e intolerância", explicou o presidente do CNCD-LGBT, Gustavo Bernardes. Ele acredita que a nova proposta vai abrir um caminho de diálogo com os segmentos que até agora resistem à proposta. 

Segundo as entidades que integram o movimento, a nova proposta reforça a necessidade de enfrentamento de crimes de ódio e intolerância à população LGBT. Os crimes previstos na proposta têm pena aumentada de um sexto à metade se a ofensa também for motivada por raça, cor, etnia e religião. O texto também ressalta que, sob "nenhuma hipótese", as penas previstas na lei serão substituídas por pagamento de fiança.

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Pai do vocalista dos Mamonas Assassinas pretende processar o Deputado Marco Feliciano

O pai do vocalista Dinho, da banda Mamonas Assassina, pretende processar o deputado Marco Feliciano (PSC-SP) por ter afirmado que o acidente aéreo que provocou a morte dos integrantes do grupo, em 1996, foi uma espécie de castigo divino. "Ele não pode falar isso porque não tem como provar. Como meu filho não está aqui para se defender, eu tenho de fazer isso" disse Hildebrando Alves. 

O advogado do pai de Dinho, Nilson Moreira, pretende ingressar com ações na esfera criminal, por calúnia e difamação, e na esfera cível com pedido de indenização. Ainda não se sabe o valor que será pedido. O advogado ainda vai estudar em que instância entrará com as ações, já que Feliciano possui foro privilegiado por ser deputado. A ação criminal teria que ser impetrada no Supremo Tribunal Federal (STF). 

Na semana passada, circulou na internet um vídeo de um culto de 2005, na cidade de Camboriú, em Santa Catarina, em que Feliciano diz: — O avião estava no céu, região do ministro do juízo de Deus. Ao invés de virar para um lado, o manche tocou pro outro. Um anjo pôs o dedo no manche, e Deus fulminou aqueles que tentaram colocar palavras torpes na boca das nossas crianças. 

No mesmo culto, o pastor afirma ainda que Dinho era evangélico e "se vendeu ao diabo pelo vil dinheiro" e conseguiu assim fazer com que a banda vendesse 1,5 milhão de CDs. "Ele foi muito infeliz no que falou" acusou o pai de Dinho. Ainda no culto, Feliciano relaciona o assassinato do ex-beatle John Lennon a um suposto deboche sobre Deus e diz "Eu queria estar lá quando descobriram o corpo dele. Ia tirar o pano de cima e dizer: me perdoe, John, mas esse primeiro tiro é em nome do Pai, esse é em nome do Filho, e esse, em nome do Espírito Santo". Na verdade, Lenon foi morto com cinco tiros. 

O pai nega que Dinho fosse evangélico. Ele diz que a sua esposa e mãe do cantor, sim, é frequentadora da Assembleia de Deus. Ela inclusive está em Israel em uma viagem de peregrinação. Feliciano criou e preside a Igreja Tempo do Avivamento, que é um ministério da Assembleia de Deus. O advogado do pai do vocalista também pretende procurar os familiares dos outros quatro integrantes da banda que para que façam parte das ações. 

terça-feira, 9 de abril de 2013

Senador Aécio Neves se posiciona contra Marco Feliciano e se diz favorável ao casamento gay

Em entrevista publicada na Folha de S.Paulo deste domingo, 07, o senador Aécio Neves (PSDB/MG), se posicionou como candidato à Presidência da República, atacando a política macroeconômica de Dilma Rousseff e acusando a presidente de ser “leniente” com a inflação e de querer “até controlar o lucro de empresários”. 

A entrevista foi concedida na sexta-feira, 05, em um hotel em São Paulo, durante a qual o político fez criticas aos adversários e também uma autocrítica e uma crítica do PSDB sobre o desempenho dos tucanos na últimas três eleições presidenciais, quando foram derrotados pelo PT. 

Aécio Neves reconheceu, ainda, que seu partido perdeu a batalha para os petistas em torno da paternidade dos programas sociais e diz que o PSDB precisa se “renovar na expectativa das pessoas”. 

Ao jornal, o tucano declarou, ainda, ser a favor da união civil entre gays e afirmou que a polêmica em torno do pastor Feliciano (PSC/SP) “já foi longe demais”, classificando o congressista como “despreparado”. A seguir, alguns trechos da entrevista ocorrida em São Paulo, onde esteve para mais uma jornada ao lado do governador Geraldo Alckmin (PSDB). 

Folha – O que você acha da polêmica em torno do pastor Feliciano (PSC/SP), na Comissão de Direitos Humanos da Câmara? 

Aécio Neves – Eu acho que deixaram isso ir longe demais. Ele mostrou ser um sujeito totalmente despreparado, independentemente de suas convicções. Ele está fazendo um grande marketing pessoal, as pessoas não compreenderam isso ainda. Criaram um problema que agora vão ter de desatar. 

Folha – É a favor da união civil gay? 

Aécio Neves – Eu já me manifestei mais de uma vez. Sou a favor. É a realidade do mundo moderno, ninguém é contra a realidade do mundo. Isso já foi. Respeito quem tem posição divergente, lamento apenas que a pauta da Câmara esteja concentrada nisso. 

Folha – Na última eleição travou-se uma polêmica sobre o aborto. Qual sua posição? 

Aécio Neves – Defendo a atual legislação. 

O senador tocou pontos polêmicos e importantes, ainda, como o monitoramento e a crítica ao PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), do Partido dos Trabalhadores, ao qual chamou de “falácia”. 

Aécio declarou ao jornal seu descontentamento com a reforma ministerial anunciada: “Alguém pode achar que essa chamada reforma ministerial em curso tem por objetivo melhorar a qualidade do governo? Ela sequer conhece essas pessoas que está colocando lá. Nem no período Sarney houve uma entrega tão grande dos espaços do poder sem qualquer critério.” 

Ele afirmou, também, que é uma “lenda urbana”, alimentada por seus inimigos, a acusação de ter feito “corpo mole” em seu Estado para a campanha do tucano José Serra à Presidência da República em 2010: “Ficarei muito satisfeito e tenho certeza de que terei em São Paulo o apoio que ele teve em Minas”, disse. 

Folha – Vários inimigos seus exploram seu estilo de vida, que gosta muito de ir ao Rio de Janeiro. 

Aécio Neves – Eu digo que se gostar do Rio for um defeito, é um defeito que cada dia aumenta um pouco (risos). E gosto de São Paulo também, viu. Olha, eu passei boa parte da minha infância e da adolescência no Rio, o que é absolutamente natural eu gostar de lá. 

Folha – E quanto à fama de bon-vivant? 

Aécio Neves – Não escondo o que sou, sou um homem do meu tempo, e tenho posições e clareza de minhas atitudes e quero ajudar o Brasil dar um salto de qualidade. E é isso que sou, disso que estou imbuído. Obviamente, quem se expõe num projeto como esse tem de estar preparado para as críticas. Eu as recebo há muito tempo, e os resultados das eleições que disputei estão aí. As pessoas estão preocupadas é com que o homem público pode fazer por elas. Olha, um homem como eu, que trabalha de oito da manhã às dez da noite, dizer que eu sou um bon-vivant, isso deixaria os que realmente são bon-vivant decepcionados. 

 Fonte: GayBrasil

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Marco Feliciano, em outra sessão de incontinência verbal, diz que Deus matou os Mamonas Assassinas

O Deputado Marco Feliciano (PSC-SP), Presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, também atribui a morte do grupo Mamonas Assassina a uma interferência divida.

Ontem, foi divulgado um vídeo com o mesmo teor, onde o pastor diz que os três tiros primeiros tiros dados pelo assassino de John Lennon foram em nome do Pai, do Filho e do Espirito Santo.

Somente quem estava dentro daquele avião pode falar sobre o que aconteceu. Entendo como uma fatalidade e um pecado afirmar que Deus ceifou tais vidas.

Além do Feliciano falar em nome dos evangélicos, ele também fala em nome de Deus. Atribuindo a Deus desastres e fatalidade. Colocando Deus como um grande pai que está sente ponto para punir e matar os seus filhos.