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quinta-feira, 3 de abril de 2014

“Encoxados” nos transportes públicos

Os abusos que ocorrem nos transportes públicos não são atos direcionados apenas as mulheres, homens também são “encoxados” e muito. Existem duas situações recorrentes nessa situação, na primeira somos obrigados e conviver com milhares de pessoas dentro de um vagão e acabamos sendo obrigados a “encoxar” ou deixar ser "encoxado", na segunda as pessoas se aproveitam da situação e fazem todas as barbaridades que foram relatadas pelos jornais, redes sociais e blogs.

Sou usuário de transporte público há muito tempo. Na época que morava em São Paulo e estudava em Santo André, usava diariamente os trens da CPTM. Pegava o trem sentido Rio Grande da Serra e na plataforma sempre encontrava um rapaz, baixinho e de óculos. Ficamos uns 6 meses trocando olhares. Eu sempre descia na Estação Santo André e ele seguia viagem. Num determinado dia o trem estava vazio, mas não a ponto de encontrarmos assentos. Fiquei no espaço entre as portas e o rapaz veio se aproximando até ficar atrás de mim e me “encoxar”. Imediatamente sai do lugar onde estava e fui para o outro lado do trem e depois disso nunca mais trocamos olhares.

O território dos trens, ônibus e metrôs é uma terra sem lei, onde os usuários fazem o que bem entendem, se sentindo no direito de violar a paz, a ordem e o conforto dos demais usuários. Nem dá para falarmos de conforto nos transportes públicos, a situação em que a população é submetida é desumana. Sou usuário do metrô e diariamente tenho que me submeter aos apertos na estação Anhangabaú, tendo que muitas das vezes “encoxar” e deixar ser “encoxado” de forma involuntária. Sei que muitos se aproveitam de tal situação, criando uma situação constrangedora, que muitas das vezes não cabem reclamações, pois a desculpa para tal ato está na ponta da lingua, o trem está lotado. Nosso maior violador neste caso é o próprio sistema. 

A “encoxada” nos transportes públicos, praticadas em homens e mulheres, é herança de uma sociedade machista e heteronormativa, onde a todo o momento homens são obrigados a reafirmarem sua virilidade perante a sociedade. Desde criança os meninos são criados para ser o sexo forte e dominador, encorajando a crescerem como promotores da opressão do sexo oposto e de grupos julgados socialmente como minoritários.

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Trollei meu Pai Fingindo que era Hétero

Em resposta ao vídeo de extremo mal gosto, em que um garoto faz uma brincadeira com a mãe e fala ao telefone com um suposto namorado, gravaram o vídeo "Trollei meu pai fingindo que era hétero".

A versão ficou engraçada, até porque sabemos que não existe nenhum tipo de recriminação nas imagens, é realmente tudo uma brincadeira e nenhum direito de liberdade de expressão e sexual estão sendo podados.

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Gay gasta mais de R$ 60 mil para tentar virar heterossexual


O americano Peterson Toscano conta ter gasto US$ 30 mil (cerca de R$ 60,5 mil), recorrido a três tentativas de exorcismo e passado por um casamento fracassado até conseguir superar seus dilemas pessoais e aceitar que era gay.
O processo durou 17 anos e Toscano hoje milita contra tratamentos que atendem por nomes como "conversão" ou "terapia reparadora", voltados para gays que querem mudar sua orientação sexual. Tais práticas contam com o apoio de Igrejas fundamentalistas cristãs. E alguns dos que se submeteram a elas asseguram sua eficácia e se definem como ex-gays.
Mas Toscano, 47 anos, afirma que não só estes processos não funcionam como também causam danos psicológicos. Ele é de uma tradicional família ítalo-americanda do Estado de Nova York. Cristão devoto e evangélico, Toscano teve dificuldades em aceitar o que via como um conflito entre sua orientação sexual e sua fé.
"Desespero terrível"
"Eu estava fazendo algo errado pelo qual eu seria punido na outra vida. E por isso sentia muito medo e um desespero terrível", afirmou, em entrevista à BBC. Como um adolescente que cresceu nos Estados Unidos da década de 80, Toscano viveu em uma época em que o termo "gay" era um sinônimo de aids. Até 1973, psiquiatras americanos classificavam homossexuais como sendo insanos.

"Eu somei dois mais dois e cheguei ao que me parecia ser uma equação lógica, a de dizer 'isto é errado, é ruim, eu preciso consertar isso'. E 17 anos depois eu finalmente acordei e retomei a razão", afirma.
Os anos de tratamento são uma lembrança dolorosa. Após ter entrado em depressão depois de uma entrevista à rádio pública dos Estados Unidos na qual relatou os processos a que se submeteu, ele agora evita entrar em pormenores.
Experiência traumática
Mas ele relata que um dos incidentes mais sombrios ocorreu durante seu internamento por dois anos no centro Love in Action (Amor em Ação), hoje rebatizado como Restoration Path (Caminho da Restauração), na cidade de Memphis, no Estado americano do Tennessee.

Lá, ele foi instruído a registrar todos os encontros homossexuais que já havia tido. Em seguida, pediram que ele relatasse o mais constrangedor destes encontros para sua família. Tais terapias não se limitam, no entanto, aos Estados Unidos. Toscano visitou a Inglaterra na década de 90 a fim de se submeter a um exorcismo. Ele já tinha se submetido a dois exorcismos fracassados nos Estados Unidos.
De acordo com Peterson, esse tipo de prática "é danosa psicologicamente especialmente para os jovens. Se você acredita nisso, você fará qualquer coisa para rasgar a sua alma".
Nos Estados Unidos, já estão sendo tomadas medidas para proibir parcialmente as terapias de conversões para gays no Estado da Califórnia. E o governador Jerry Brown está avaliando um projeto de lei que torna ilegal a terapia reparadora para crianças. Se aprovada, será a primeira medida nesse sentido tomada no país.
Toscano tem um blog e um canal de YouTube e usa sua experiência como ator de teatro realizando apresentações nas quais procura consicentizar pessoas sobre os danos causados aos que se submetem a tratamentos para suprimir ou mudar suas orientações sexuais.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

"Eu quero é botar meu blog na rua..." Olha o SampaCentro aí, gente...

Após meses de ensaio e preparação, finalmente o projeto SampaCentro vai por o bloco na rua. Frequentadores de bares, boates, academias, cinemas e outros espaços de convívio de gays, travestis e de homens que fazem sexo com outros homens, dos bairros da República e Consolação começaram a ser abordados pelas equipes do projeto no dia 3 de novembro.

O Projeto SampaCentro é um estudo sobre comportamentos e práticas sexuais, acesso à prevenção do HIV e prevalência da infecção pelo HIV entre esse público que freqüenta a região central da cidade de São
Paulo. O projeto é conduzido pelo Centro de Referência e Treinamento DST/Aids-SP da Secretaria de Estado da Saúde e a Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

O estudo proposto busca reduzir as lacunas existentes na informação e no conhecimento a respeito da epidemia de HIV e Aids nesta população. Fora isso os resultados da pesquisa servirão de subsídio para
aprimorar as ações de prevenção das doenças sexualmente transmissíveis do Programa Estadual DST/Aids-SP de São Paulo.

Por isso, se você for abordado por pessoas vestidas com um colete de cor azul e com uma prancheta na mão, não hesite, participe do projeto, e ajude a melhorar a resposta paulista de prevenção das DST/Aids e a
diminuir os novos casos de HIV. Para garantir representatividade da população em estudo, dias, horários, locais e pessoas abordados são sorteados a partir de um primeiro mapeamento e contato com os locais
que está em curso desde o primeiro semestre de 2011. Por isso, não adianta que as pessoas se voluntariem em participar procurando a equipe, os entrevistadores é que deverão contatar as pessoas eleitas a
participar.

Aqueles que aceitarem participar do estudo vão responder a um questionário com perguntas de caráter sócio-comportamental e serão convidados a realizar o teste anti-HIV. O questionário será aplicado
na rua ou nos próprios estabelecimentos em um local mais reservado e o teste será feito no carro do projeto que estará estacionado próximo ao local da balada. O teste usado no estudo utiliza uma metodologia nova,
chamada de papel filtro. Não serão usadas seringas e agulhas no exame. O sangue é coletado por meio de uma picadinha na ponta do dedo e depositado sobre o papel. O resultado não sai na hora, mas estará
disponível em 15 dias no Centro de Referência e Treinamento DST/Aids-SP, na Rua Santa Cruz, 81, Vila Mariana.

Para saber mais sobre o Projeto SampaCentro, pode-se consultar o site www.projetosampacentro.com.br. Além disso, estão convidados todos e todas a participar do lançamento do projeto no dia 08 de Novembro, no Bar B, Rua General Jardim, 43, das 18h às 20h (próximo ao metrô República).

sábado, 29 de outubro de 2011

Entrevista: Fundador de grupo de ‘cura de homossexuais’ que se assumiu gay

Por William De Luca

Nada melhor do que um exemplo para refutar a eficiência de tratamentos para a conversão de orientação sexual, que dizem que gays podem se ‘converter’ em heteros. O professor de inglês, filosofia e teólogo carioca Sergio Viula, 42 anos, foi um dos fundadores do Movimento pela Sexualidade Sadia (Moses), ONG evangélica que dá auxílio a pessoas que desejam abandonar a homossexualidade. Ele casou-se, teve dois filhos e viu de perto os métodos de ‘reorientação sexual’. Sergio conversou com Willian De Luca, com exclusividade, e mostra que os métodos de mudança de orientação sexual são ineficazes e causam dor e sofrimento a quem se dispõe a passar por qualquer deles.

Como começou sua vida junto à igreja evangélica? Como foi a sua entrada?

- Eu comecei aos 16 anos, numa igreja noepentecostal, mas depois migrei para a igreja batista. Eu me converti a partir da pregação de colegas, não era de família, que era católica. Hoje parte é católica e parte é evangélica.

Nessa época você já sabia que era gay? Já tinha tido relacionamentos com guris?

- Havia tido relacionamentos gays, sim, mas não assumia, eu pensava que fosse passageiro. Meu primeiro relacionamento foi aos 12 anos, com um garoto um pouco mais velho, de forma escondida, é claro, durante dois anos. Na verdade, queria pensar que tudo isso fosse passageiro, por causa das pressões em casa. Minha família era muito tradicional.

Como foi o processo de “virar ex-gay”?

- Na verdade, ex-gay não existe, é pura auto-sugestão. Eu comecei a ir à igreja e percebi que os homossexuais não tinham como lidar com suas ‘dificuldades’, por falta de orientação das lideranças, então decidi fundar o Movimento pela Sexualidade Sadia (Moses), junto com João Luiz Santolin e Liane França. Foi aí que comecei realmente a dizer em momentos oportunos que era ex-gay.

Você nunca se convenceu que tinha virado ex gay? Sempre soube que estava se enganando?

- Hoje sei que estava me enganando. Na época, pensava que qualquer sentimento ou atração fosse mera ‘tentação’ e que isso poderia ser superado com oração e dedicação a deus. No grupo, basicamente, pensávamos que ser gay fosse pecado, que devia ser confessado e abandonado e para isso, fazíamos proselitismo, aconselhamento, oração, pregação, recomendávamos certos livros, leitura bíblica, coisas que os crentes geralmente fazem, mas com foco na homossexualidade, sempre demonizando a homoafetividade, infelizmente. Eu trabalhei com a igreja num total de 18 anos, o Moses começou em 1997, em 2003 eu estava fora, foram quase sete anos. Tínhamos psicólogos parceiros e contávamos com vários voluntários. Uma vez enchemos um ônibus e levamos para o Miss Brasil Gay em Juiz de Fora só para evangelizarmos os LGBT que foram ao evento, mas na diretoria eram cerca de 10 pessoas.

Mas como era esse processo de ‘abandonar o pecado’? Era como um tratamento?

– Isso não acontecia de fato, era o que se chamava discipulado, acaba sendo uma lavagem cerebral. Você tem que se isolar do seu antigo círculo de amigos, começar a se enfiar nas reuniões da igreja, fazer sessões de aconselhamento, orar, jejuar, essas coisas. Quando acontecia de alguém se envolver com outro homossexual, ele tinha que confessar o que fez, UMA LOUCURA DO CARALHO! Desculpe, mas ainda hoje tenho até raiva de lembrar disso.

Por que raiva?

– Ninguém deixava de ser gay, houve relacionamentos até dentro do grupo, entre uma atividade e outra da igreja, eles sempre arrumavam tempo pra isso. Você consegue imaginar quanto sofrimento para mim mesmo e para todos os que atuaram ou foram influenciados por esse trabalho? É irritante! E tem gente até hoje repetindo esse discurso imbecil.

O que tu sente quando vê pessoas como o pastor Silas Malafaia fazendo pregações do tipo que você fazia? É um discurso parecido?

– Ele é um idiota! Eu era um garoto quando me envolvi com tudo isso, tinha pouquíssima experiência de vida e não ainda não havia tanta informação como hoje. Agora, ele atua na base da má-fé mesmo, com interesses financeiros, projetos de poder, etc. E diz ele que nunca foi gay, será? Fico muito desconfiado de gente que gasta tanta energia e dinheiro para combater algo que não tenha nada a ver consigo mesma. Entendo heterossexuais que compreendem os riscos da homofobia, mas não entendo heterossexuais que quase surtam só por saberem que os gays estão felizes, saudáveis e produzindo para o país…

Será que não é pra ter uma bandeira atualmente? Ganhar visibilidade, sei lá…

– Não deixa de ser má-fé. Só confirma minha tese.

Quando você decidiu que era momento de parar? Você saiu do movimento ao mesmo tempo em que saiu do armário?

– Sim, saí ao mesmo tempo. Tudo aconteceu quando eu tive certeza de que já tinha feito e crido ao máximo. A gota d’água foi uma viagem a Cingapura, durante a qual conheci um filipino e fiquei com ele. Já voltei decido que iria colocar um fim nessa panacéia. Fiz isso e comecei imediatamente a repensar diversas das minhas posturas e crenças, levou ainda dois anos para que eu dissesse tudo o que digo até hoje. Houve perseguição por parte do Moses, muita gente ficou em choque, mas eles tiveram que se dobrar, pois minha atuação no movimento era grande. Minha maior projeção, porém, se dava na igreja. Eu era pastor, editor do jornal Desafio das Seitas, que teve seu auge durante minha atuação, e por aí vai…

E na sua família? Qual foi a reação?

– Houve um choque por parte dos meus pais, mas meus filhos nunca criaram problema, só ficaram perplexos, porque eu saí da igreja, já que eu era tão dedicado. Separei-me da mãe deles, mas isso não criava grandes problemas, aparentemente. Só me perguntaram francamente sobre o assunto aos 12 (ela) e aos 11 (ele). Ambos compreenderam numa boa e sempre foram meus amigos. Relacionam-se muito bem comigo e com meu parceiro Emanuel.

Você hoje se sente completo, feliz?

– Sim, hoje me sinto em paz comigo mesmo, feliz e me pergunto como pude ter suportado tanta castração inútil por tanto tempo.

Você acha que o que vocês faziam era uma violência, contra vocês mesmos, e contra os outros?

– Sim, era uma violência contra nós mesmos, por termos internalizado a homofobia que nos circundava desde cedo, e contra os outros, porque reproduzíamos essa mesma homofobia que eles mesmos já tinham internalizado. Só reforçávamos ainda mais isso.

Você não apenas largou a igreja, o movimento, como deixou de acreditar em deus… Como se deu isso?

– Isso se deu em função de questionamentos honestos e ousados sobre deus/deuses, escrituras cristãs e de outras religiões, igreja e outras instituições religiosas. Meu pensamento e atitude com relação a ideia de deus/deuses não é mero fruto de sofrimento com essa ou aquela igreja ou crença. Na verdade, muitas igrejas se abriram para mim quando saí do armário e confessaram seu interesse em que eu, não só participasse da vida da igreja, como ministrasse como pastor dela. O próprio bispo fundador da Metropolitan Community Church, Troy Perry, me disse isso pessoalmente. Também não foi por ver mau comportamento de crentes em geral, uma vez que conheço alguns que considero pessoas fantásticas até hoje (tanto do mainstream evangélico e protestante, como das modernas igrejas inclusivas). Tendo isso em mente, nem deus, nem escrituras, nem igrejas passam pelo crivo da razão, e não me refiro à razão de uma mente brilhante como a de Nietzsche, Darwin, Sartre, Hopkins, Dawkins, etc., refiro-me à razão de uma mente mediana como a minha. Não posso ir contra mim mesmo e contra aquilo que enxergo tão distintamente. No entanto, defendo a liberdade. E por isso, crer e não crer são coisas que não podem ser controladas, coibidas, exceto quando colocam os direitos humanos em xeque.

Pra terminar, o que você diria pra um jovem gay que está passando por este processo de ‘cura espiritual da homossexualidade’? Vale a pena?

– Conversão religiosa que não admite e CELEBRA sua homossexualidade não merece seu tempo e talento. Se quiser frequentar alguma comunidade, procure uma que tenha maturidade até para questionar a validade das assertivas religiosas. Mas, preferencialmente, viva sem depender de muletas existenciais quaisquer que sejam elas. Aproveito para sugerir a leitura de um post escrito por mim. Esse post nasceu do esboço de uma palestra que dei na Igreja Ecumênica de Copacabana por ocasião das comemorações do dia da Bíblia no calendário católico. Foi esse ano.

William De Luca é repórter de economia do Jornal da Paraíba. Jornalista, ativista LGBT.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Relatos Sobre a Violência no Brasil

Avenida Paulista, 6h30 da madrugada. Dois pastores evangélicos esperam um táxi quando veem cinco jovens atravessarem a rua na direção deles. Ao se aproximar, um deles dá um soco na cabeça de um dos pastores. As vítimas correm cada uma numa direção. “Apanhei até entrar no metrô. Ainda tropecei e caí na escada”, conta um deles. O outro cai no chão sangrando com os ferimentos e tem que ser levado ao hospital. Durante as agressões, os jovens gritam: “Seus evangélicos!”. Na sequência, o grupo segue armado com lâmpadas fluorescentes nas mãos em direção a outros três pastores que saíam de uma lanchonete. Eles atacam a cabeça e corpo de um deles com as lâmpadas. O segurança de uma loja sai em direção ao grupo de jovens, que foge. Detidos pela polícia mais tarde, eles afirmam que foi uma briga comum e que não têm nenhum tipo de preconceito religioso. *

Madrugada de sábado, esquina da alameda Jaú com a rua da Consolação, em São Paulo. Saindo de um bar, um militar volta a pé para casa com três amigos. De repente é surpreendido por uma garrafa lançada do outro lado da rua em sua direção. “Antes de a garrafa cair, outras pessoas me passaram uma rasteira por trás e eu caí. Meus amigos conseguiram correr e entrar em um bar, mas eles [os agressores] seguraram minhas pernas e começaram a me chutar.” Por alguns minutos, ele é espancado por uma gangue de homens e mulheres com roupas pretas e coturnos. Como resultado das agressões, o militar tem o maxilar quebrado, perde um dente canino, sofre luxação nas costelas e recebe pontos na boca e no nariz. *

Confundidos com uma dupla sertaneja, um homem de 42 anos e seu filho de 18 anos foram atacados por um grupo de seis rapazes numa noite de quinta-feira numa feira agropecuária em São João da Boa Vista (SP). “Um deles perguntou: ‘E aí, vocês são sertanejos?’ Eu disse que não. Não queria confusão”, conta o pai. Mesmo assim, ele levou um soco no queixo que o fez desabar no chão e ficar inconsciente. “Quando acordei, só ouvia os gritos: ‘O homem está sem orelha!’”. Na agressão, a orelha esquerda dele foi decepada por um instrumento cortante. “Tive de andar mais de 500 metros, sangrando, meu filho segurando o copo com gelo e minha orelha. E ninguém nos socorreu”, declarou. O pedaço da orelha apodreceu sem que ele conseguisse fazer o reimplante. *

* Estes depoimentos são histórias reais. As vítimas, no entanto, não eram sertanejos, pastores evangélicos ou militares, mas sim homossexuais ou pessoas tidas como homossexuais. Foram espancadas pelo simples fato de serem (ou parecerem ser) gays. As fotos, produzidas especialmente para este ensaio, não retratam as verdadeiras vítimas.

Onde denunciar:

Centro de Combate à Homofobia
http://tinyurl.com/3v34ogm

Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância
(11) 3311-3556

Disque 100
Serviço telefônico que funciona em todo o Brasil

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Novo Club Gay Revoluciona com Tecnologia 3D

No coração do movimento gay paulistano, região da república e Arouche, o Shiva abre suas portas com festas destina aos ursos, homens com barba, barriguinha e pelos. A Bear Planet 3D Experience acontece no dia 22 de outubro, sábado.

O Shiva vai funcionar na Rua Bento Freitas, 353, com vários diferenciais que a coloca na frente de muitas casas da região. A casa contará com um open air, terraço que funciona como fumódromo, lounge, duas pistas, jardim snooker e cliperama. Vai ser a primeira casa a utilizar óculos prismáticos em uma festa.

Comandando as cabines, na Bear Planet 3D Experience, estão na Pista Pop Shiva os djs Giraldi (Máfia Club Bears), Juliano Lopes (Bear Secreto) e a abertura fica por conta de Raziel. Já na pista Trend tem abertura de Zek Paranhos, seguido de Mark Rocha (Bear Planet@D-Edge), Beto Gomes (Festa Jaca) e José Jr. (A Lôca).

No meio gay, onde o culto ao corpo é reverenciado por muitos como religião. o mesmo acontece no meio bear com seus admiradores. A mesma admiração que muitos tem pelos tonos musculares esculpidos em academia, os chasers tem pelos pelos, barba e barriga dos ursos e suas variantes. São Paulo conta com várias festas destinadas aos gordinhos, onde muitos tiram a camisa e viram sensação na pista.

sábado, 23 de abril de 2011

O Capitalismo do Amor

Descobri que não sei absolutamente nada sobre o amor. Descobri que ninguém sabe o suficiente sobre esse sentimento tão arrebatador e devastador. Amor para mim é entrega, companheirismo, compaixão, amizade… Quando amamos, nossa vida se confunde com outra, nossos compromissos são bilaterais e você se torna a pessoa mais boba, chata e impertinente do Mundo.

Amar é algo muito sério, não é para qualquer um. Brincar de amor, nem pensar, isso é muito perigoso e o final, com certeza será desastroso. Quando amamos, tornamos parcialmente responsável pela vida de outra pessoa, da parte da vida que essa pessoas nos confiou, o seu coração. Somos o guardião “permanente”, até que o “pra sempre” termine, dos sentimentos que tange o campo das relações afetivas desse outro alguém.

Amar é algo estranho. O ser humano é um bicho estranho, talvez o mais estranho entre os outros animais. Dizem que a inteligência nos diferencia dos outros animais, a nossa capacidade de pensar. Mas de fato, somos os únicos que destruímos outros seres da nossa espécie. Não pensamos, não assimilamos antes de destruir outras vidas, ou pior, fazemos tudo de forma premeditada, ferramos a vida de outros por mero capricho. Tudo porque temos a capacidade de pensar ou de nos ausentar dessa condição.

Não sei pelo o que nos apaixonamos… Muitas das vezes o objeto do nosso amor não existe, nos apaixonamos pelo o que criamos, pelas características que achamos graça e que com o decorrer do tempo começa nos irritar e aquela pessoa, pela qual você um dia jurou passar o resto de sua vida, acaba se tornando insuportável. Muitas das vezes, nos apaixonamos pela pessoas que construímos, por algo que fisicamente não existe.

Somos consumistas ao extremo e ai está o sucesso do capitalismo no Mundo. Temos diferentes motivações para nos levantarmos de manhã e ir a luta, mas tudo se resume ao consumo. Trabalhamos porque temos que ganhar dinheiro e consumir e o amor funciona da mesma forma. Queremos consumir uma pessoa inteligente, um cara com dinheiro, que anda na moda e que nos faz rir. Queremos consumir uma moça bem educada, que fala vários idiomas, que já viajou para vários países, que é sensível, sexy e bem sucedida. O amor se tornou uma moeda de troca e quem tem mais a oferecer, consegue a melhor oferta.

Passamos a vida inteira consumindo, comprando roupas, sapatos, aparelhos eletrônicos e coisas que nunca iremos descobrir uma utilidade prática. Com o tempo cansamos de tudo aquilo, aparece novidades e sentimos a necessidade de trocar, de consumir mais e aquele objeto de desejo, que pagamos com tanto sacrifício, vai parar no eBay, pois ele já foi substituído por outro novo, que será pago no cartão, em 10 vezes.

Começamos olhar as fotos e desacreditamos que um dia tivemos cabelo skatista, que usávamos calça bag e que íamos para escola com tênis conga. Da mesma forma funciona com quem nos relacionamos, olhamos pra trás e desacreditamos que um dia fomos capazes de “usar” aquela pessoa. Na verdade nunca estamos satisfeitos com o que temos e estamos em constantes mudanças e como ninguém é igual a ninguém, com o tempo os objetivos são reavaliados e o laços que uniam aquelas pessoas são desatados.

A maioria dos casais que permanecem juntos, aqueles que vencem a barreira da vida, apenas cumprem as convenções sociais. Alguns são amigos de verdade e de fato uma separação seria impossível, mas muitos, a grande maioria, ficam juntos por outros fatores que não é o amor, as vezes por despeito. Gosto muito da música “Senhora e Senhor” do Titãs, ela expressa bem o que eu quero dizer.
Veja só o que restou, do nosso caso de amor. Uma casa com varanda e um jardim que não dá flor. Uma geladeira cheia de comidas sem sabor, um programa interminável diante do televisor, uma lâmpada queimada no lustre do corredor... O pensamento distante para evitar a dor, o olhar tão desbotado que já não distingue cor, velhas rugas escondidas debaixo do cobertor. Saudades, indiferença, decadência e mau humor. Tratamento respeitável de senhora e senhor.
Passamos boa parte de nossas vidas com uma pessoa e não conseguimos deixa-lá porque nos apegamos ao que ela foi um dia ou a imagem que construímos. Passamos a viver um amor amargurado por conta de um passado feliz e que muitas das vezes nem foi tão feliz assim. Jogamos toda a nossa vida fora por conta de um bom sexo que tivemos um dia ou por conta de bens materiais que foram adquiridos ao longo dos anos. Definitivamente, quando isso acontece, é melhor aderir ao capitalismo do amor, cadastrar o velho no eBay e tentar sentir aquele sentimento de novo, ou vamos viver como “senhora e senhor”.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Alguns Desejos

Gostaria que muitas das verdades que presencio, fossem mentiras. Gostaria que o Brasil fosse um país livre de homofobia, gostaria de ir além e desejar que não houvesse homofobia em nenhuma parte do mundo. Gostaria que o amor fosse um sentimento mais recorrente. Gostaria que as juras de amor não se limitassem apenas aos momentos vividos e que fossem de fato para toda a vida.

Gostaria que o Deputado Jair Bolsonaro não existisse. Assim como gostaria que não houvesse fundamentalismo barato na política brasileira e que a laicidade fosse algo que existisse de fato. Gostaria que todos respeitassem a religião do próximo, que evangélicos, católicos e espiritas encontrassem um equilíbrio melhor para se articularem entre si.

Gostaria que essa estranha sensação de incomodo, sem motivo aparente, não existisse. Gostaria que a felicidade fosse algo pleno e vivido por todos. Gostaria que todos sentissem o privilegio de amar e ser amado. Gostaria que fosse mentira que a pessoa que eu mais amei nesse mundo, foi a que mais me prejudicou.

Gostaria que as pessoas fossem comprometidas com a verdade, não importando o quanto ela doesse. Gostaria que as pessoas não se sentisse na obrigação de provar nada para ninguém. Gostaria que as mentiras fossem silenciadas, até mesmo aquelas contadas para proteger algo ou alguém. Gostaria que quando uma verdade não coubesse num contexto, todos optassem pelo silêncio.

domingo, 13 de março de 2011

Os Extremos do Amor e do Ódio

Sempre fiquei confuso com as brigas que os casais travam na justiça dizendo “isso aqui é meu”, “isso aqui não é seu”,  “foi eu quem construí” e “só eu tenho direito nisso”. Tudo isso é medonho, viver num mundo onde precisamos de advogados, é medonho. Esquecer toda uma vida que foi construida junto com outra pessoa e lavar roupa suja num tribunal, é algo lamentável, mas quando as situações são levadas nas ultimas consequências e o bom senso não prevalece, é a única alternativa que nos restam.

Não entendo o porque algumas pessoas permanecem juntas por tanto tempo, é algo insano. Será despeito? Vejo tantos casais, que estão juntos há 30, 40 anos e que o amor se perdeu pelo caminho. Onde foi parar esse amor? Onde se perderam as juras de amor que foram feitas na presença de amigos e entes querido? Tudo isso me leva a acreditar que os nossos modelos sociais estão falidos e vivemos num comportamento condicionado, aprendido e repetido ao longo dos tempos.

Por 7 anos, jurei que amava uma pessoa que estava ao meu lado, hoje me pergunto: Onde foi parar esse amor? Porque fiquei tanto tempo com um pessoa que hoje – se não fosse por algumas pendências – não representa nada pra mim. Acredito que nos inflamamos com as relações sociais, com mecanismos que tem por finalidade doutrinar o ser humano, estabelecendo valores sociais que na realidade não faz parte da natureza humana.
A gente destrói aquilo que mais ama
Em campo aberto, ou numa emboscada;
Alguns com a leveza do carinho
Outros com a dureza da palavra;
Os covardes destroem com um beijo
Os valentes destroem com a espada.
Mas a gente sempre destrói aquilo que mais ama.
O amor e o ódio caminham juntos e nem sempre é uma via de mão dupla, muitos dizem que são dois extremos e que na verdade são os mesmos sentimentos. Se assim for: não é “natural” amar e nem odiar. Dizem que a sabedoria está no meio. Entre o amor e o ódio, temos que encontrar um meio terno para não sobrecarregarmos os extremos, caso contrário, destruiremos o que – na verdade -  mais amamos.

terça-feira, 8 de março de 2011

A Mulher da Minha Vida

Cresci rodeado de mulheres, mãe e duas irmãs mais velhas. Pela mãe, fui um pouco mimado, filho mais novo e único homem. Pelas duas irmãs, quando criança, era visto como rival. Da minha irmã do meio, eu era visto como aquele que roubou o carinho materno, pois de idade, temos pouco mais de um ano de diferença. Pela irmã mais velha, era visto apenas como o irmão mais novo, aquele que veio ao mundo para atazanar. Dessa forma eu cresci.

Por ordens da mãe, as duas irmãs mais velhas viviam para me servir (escrevo isso com risos nos lábios), além do irmão mais novo, eu também tinha uma saúde muito debilitada e minha mãe guardava o sentimento de que a qualquer momento ela teria que se despedir de mim. Minhas irmãs, até pelo fato de ainda serem crianças, não assimilavam isso direito.

Em meio as minhas crises, sempre via a minha mãe chorando, eu ficava em silencio, pois sabia que ela estava chorando por mim. Numa crise violenta, em que eu vi a morte de perto, rompi o silêncio e disse: Mãe, não chore, se eu morrer eu vou para o céu. Acredito que a minha tentativa de conforta-lá não muito foi bem sucedida.

Meus problemas de saúde foram superados, a certeza que vou para o céu também, mas o carinho materno ficou e até hoje sinto o zelo e proteção despendidos por minha progenitora. Semana passada, estava num bar, com um cara que estou conhecendo, num clima tenso, romântico e arrebatador, quando o meu telefone tocou. Olhei no visor era a minha mãe. Atendi e quando desliguei ouvi: Que bonitinho!  Dando satisfação para a mamãe. Depois ele disse: Eu também sou o filhinho da mamãe.

Devo muito a minha mãe e tenho muito orgulho de ser seu filho. Nos melhores e piores momentos ela esteve ao meu lado, se despiu de preconceitos e mesmo contrariando seus princípios religiosos, aceitou minha sexualidade e colocou a condição de filho acima de todas as coisas. Devo muito a essa mulher, tenho orgulho de ser seu filho. Feliz dia internacional da mulher, dona Zilda.

segunda-feira, 7 de março de 2011

Confesso

Confesso que sou bem maior do que aparento ser.  Confesso que aquele garoto, que brincava de bolinha de gude, nas ruas de Santo André, ainda existe e não se cansa de brincar. Confesso que deveria ser menos emotivo, mas também confesso que a minha emoção não é sinal de fraqueza, mas sim sinal de humanidade, sinalizando que existe vida dentro de um corpo.

Confesso que tenho poucos e bons amigos e que tais são os meus irmãos escolhidos a dedo. Confesso que passei toda a minha infância e adolescência me perguntando o porque eu não tinha um irmão. Confesso que quando criança sempre tive um melhor amigo e alguns desses amigos estão comigo até hoje.

Confesso que nunca fui um bom aluno, sempre estudei no dia das provas, mas quando eu entrava na sala de aula, era para assistir aula de verdade. Confesso que nunca fui bom em exatas, na verdade esse problema é bem maior, não concordo com nada muito definido, explicar os fatos com precisão matemática, não é comigo.

Confesso que já amei e fui amado. Confesso que amo a minha família acima de todas as coisas. Confesso que acreditava que o meu pai era um super herói, hoje confesso que ele é um grande homem. Confesso que acreditava que a minha mãe era detentora de toda a sabedoria do mundo, hoje confesso que preciso de poucas palavras proferidas por ela para tornar o meu dia muito melhor.

Confesso que passei boa parte da minha vida procurando um grande amor. Confesso que ainda procuro um grande amor. Confesso que já me apaixonei por pessoas que encontrei nos vagões de trens e me decepcionei quando chegou a próxima estação. Confesso que os relacionamentos instantâneos praticados nos elevadores me incomoda e que as risadinhas mostrando o quão estamos sem graça é algo ultrapassado.

Confesso que a música é a arte que mais me emotiva. Confesso que já chorei, xinguei, praguejei e fiz amor ouvindo boas canções. Confesso que a poesia me arrebatada. Confesso que já recebi e escrevi cartas de amor. Confesso que não guardei nenhuma dessas cartas de amor, mas também confesso que todos os momentos estão guardados no meu coração.

Confesso que tenho vergonha de alguns dos meus atos, confesso que tenho orgulho de outros. Confesso que da minha boca já saíram palavras que não ouço pronunciar novamente. Confesso que já tive vontade de matar. Confesso que tenho muitos mais do que precisaria ter. Confesso que ainda tenho muito a confessar e que quando olho pra trás, sou bem menor do que aparento ser.

sábado, 5 de março de 2011

Rachel Sheherazade Esperando a Quarta-Feira de Cinzas

Discordo de vários pontos levantados pela jornalista Rachel Sheherazade, é obvio que boa parte dos lucros provenientes das micaretas de carnaval vão para os cofres das cervejarias e promotoras de eventos, mas por outro lado, tais empresas são geradoras de emprego e renda e estão inseridas no processo econômico. Podemos abrir um parênteses e dizer que no Brasil temos um sério problema de distribuição de renda, mas não podemos desdenhar o “up econômico” que as “festas populares” geram em nossa economia.

O comentário de Rachel serve como base para todos os comentários dos grandes eventos que acontecem no Brasil. Podemos dizer que a Parada Gay é uma farsa e que por detrás da luta pelos diretos homoafetivos, estão as empresas de trio elétrico, os grandes patrocinadores e as grandes redes de hotéis lucrando alto com isso. Sim, podemos dizer isso, da mesma forma que podemos falar do Natal, do Dia das Mães, do GP de Formula 1 e por ai em diante.

Vivemos num mundo capitalista e onde houver oportunidade de maximização de lucros, ele acontecerá. Dizer que as classes C, D e E não lucram com isso, é um absurdo. Vamos perguntar se o vendedor de latinhas e churrasquinho da esquina está satisfeito? No carnaval, na Parada Gay e em tantas outras festas populares, podem ter certeza que a mesa desse vendedor ambulante fica mais farta. A festa maior é dos mais ricos, não posso negar, mas essa é uma questão mais ampla, que tem que ser fortemente discutida por nossos parlamentares. O Brasil é um dos países com a maior concentração de renda e precisamos de politicas econômicas que distribuam as nossas riquezas de forma mais justa e igualitária.

Rachel Sheherazade tocou num ponto muito importante, que eu não posso discordar, que é a questão das serviços públicos se voltarem para as grandes festividades e no nosso dia-a-dia sentimos a ausência dos mesmos. Da mesma forma que o serviço se democratiza nos locais onde a economia gira nos períodos de grandes festividades, esse serviço também tem que estar presente no nosso cotidiano.

Talvez o velhinho do interior, que tem que ser transportado para outra cidade para a realização de exames, não tem uma tributação que justifique o serviço público inclinado para as suas necessidades, nesse ponto voltamos para a questão da má distribuição de renda, o Estado tem que arrecadar, em momentos como o Carnaval e distribuir essa renda de forma democrática, analisando as necessidades de cada região e favorecendo os menos abastados dessa nação. Que venha o Carnaval, a Parada Gay, a Festa de São João e Boi Bumba e que paralelamente a todas essa festas, que venham politicas econômicas inclinadas para a necessidade do nosso país.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

E o troféu vergonha alheia de 2010 vai para...

2010 foi um ano muito difícil para a Militância LGBT, passamos por um processo eleitoral que nos fragilizou e nos empurrou ainda mais para a margem da sociedade. A pauta eleitoral, que deveria ser marcada por políticas econômicas, criação de renda e geração de emprego, se centrou na aprovação do casamento gay. A igreja jogou as suas cartas e o candidato que mais repudiou o movimento LGBT se saiu vitorioso.

Os meses subseqüentes foram marcados pelo ódio, intolerância e fundamentalismo, com o mesmo vermelho que foi festejado a vitória nas urnas, os gays desse país se mancharam. Na Av. Paulista, palco da maior Parada Gay de Mundo, gays não se sentiam mais em casa, a Av. foi tomada por homofobicos, que não aceitavam que aquele lugar era lugar comum para todos.

É uma vergonha dividir a sociedade com o ódio e a intolerância. Conviver com tanta violência é algo inadmissível e doí ainda mais quando percebemos que essa violência é validada pelo poder público. Temos que ganhar mais visibilidade e ter políticos que inclinem suas ações sociais na políticas públicas inclusivas aos cidadãos LGBTs, só assim começaremos a vencer a guerra contra a homofobia.

#MemeDasAntigas – Um Inventário de 2010.

domingo, 5 de dezembro de 2010

Fantástico Entrevista Vitíma de Homofobia na Av. Paulista

O jovem agredido com uma lâmpada fluorescente na Avenida Paulista, no dia 14 de novembro, mostra o rosto pela primeira vez e conta abertamente o que aconteceu. “Eu pensei mesmo que eu ia morrer naquela hora. Eles estavam me batendo com uma brutalidade e falando coisas que nem um psicopata fala, com tanta gana de bater em alguém que eu falei: ‘eu vou morrer aqui’”, diz o estudante de jornalismo Luís Alberto Betonio, de 23 anos.


Os quatro adolescentes de envolvimento em agressões a homossexuais seguem internados na Fundação Casa (ex-Febem). Jonathan Lauton Domingues, de 19 anos, também suspeito de participar dos mesmo ataques, continuará em liberdade. O juiz Daniel Luiz Maia Santos, da 1ª Vara Criminal da Barra Funda, na Zona Norte de São Paulo, decidiu na quarta-feira (1º), remeter de volta o inquérito sobre o caso, sem analisar o pedido de prisão preventiva do rapaz maior de idade, para o 5º DP, na Aclimação, região central. O juiz acatou requerimento do promotor Roberto Bacal.

O representante do Ministério Público solicita que sejam anexadas ao inquérito as imagens das gravações feitas por circuitos de segurança de prédios próximos de onde ocorreram as agressões, além dos laudos do Instituto Médico Legal (IML) com as vítimas dos ataques, que aconteceram no último dia 14 de novembro. O objetivo, segundo o promotor, "é esclarecer todas as circunstâncias delitivas", inclusive para que o pedido de prisão preventiva por tentativa de homicídio seja analisado.

Um segundo inquérito da polícia apura a acusação de roubo contra um lavador de carros que teria sido praticada pelo mesmo grupo. Uma audiência com o juiz da Vara da Infância e Juventude marcada para 9 de dezembro deve decidir se os menores serão absolvidos ou continuarão internados. O tempo máximo que eles poderão ficar, no caso de uma sentença condenatória, são três anos. Imagens gravadas pelo sistema de monitoramento de câmeras dos prédios da Avenida Paulista mostram um jovem desferir golpes com lâmpadas fluorescentes numa vítima. Esse agressor teria 16 anos. Os outros três menores suspeitos têm idades entre 16 e 17.

Todos os casos de homofobia que presenciamos nos últimos dias, vem de encontro com a necessidade da aprovação imediata do PLC 122. O Brasil é o país que mais mata homossexuais com motivação de ódio e tal motivação não é criminalizada. Não podemos continuar em meio a tanta violência, sem leis que nos defendam. Temos que exigir os casos de homofobia sejam investigados e punidos e se necessário for, tomamos novamente a Av. Paulista em protesto a fragilidade política que o cidadão gay se encontra no Brasil.

sábado, 14 de agosto de 2010

Você Nasceu para ser Solteiro?

Sou o tipo de cara que adora um "esquenta pés". Este é o meu lema. Aprendi que um relacionamento saudável implica em constatar semelhanças deliciosas, mas também reconheço que há as diferenças ameaçadoras do outro, então estou em bons e macios lençóis para compartilhar algo muito maior. Do contrário, sei que procurar o príncipe encantado é uma tarefa inglória.

Quem baseia sua felicidade exclusivamente na realização de um relacionamento amoroso raramente estará satisfeito seja quando está sozinho ou mesmo quando namora, pois ama mais a ideia do relacionamento em si do que a pessoa que está ao seu lado. É uma situação típica ouvir uma pessoa dizer "ah, como eu queria um namorado", mas quando encontra, vive em conflito e insatisfeito, seja porque o outro não age da maneira esperada, seja porque o ideal de ter alguém foi colocado acima da preocupação que essa pessoa lhe fizesse bem no dia a dia. Para não viver nesse calvário, é necessário colocar "os pés no chão". "Quem quer se relacionar amorosamente tem que saber que seres humanos falham e quase todos nós temos defeitos incorrigíveis", diz o psicólogo Thiago de Almeida.

De acordo com um estudo da Universidade de Tel Aviv, em Israel, os homens solteiros têm 64% a mais de chances de sofrer um derrame fatal em comparação aos casados. Mas isso vale apenas para quem tem um relacionamento satisfatório, pois a felicidade influi positivamente sobre a saúde física e emocional. Mesmo assim há quem prefira passar a maior parte do tempo no time dos solteiros. Assim como há quem passe dias, meses, anos cabisbaixo por não ter um "esquenta pés" para chamar de seu - e a maioria de nós alterna esses dois estados durante a vida.

O fato é que saber lidar bem tanto com a fase da maior propensão à solteirice, recusando a ideia de relacionamentos fixos, quanto naquela em que não se consegue passar sem um romancezinho que seja, não costuma ser algo fácil, pois vivemos trocando de desejos e expectativas que são só nossas, ou seja, nunca serão totalmente correspondidas pelo outro e o mundo que nos cerca.

Ficar sozinho, no entanto, pode ser uma opção prazerosa, na qual se descobre o valor da própria companhia, aproveita-se melhor os amigos e a família. "E quem é incapaz de construir uma vida bacana sozinho, jamais será uma pessoa interessante para se relacionar amorosamente", completa o psicólogo Almeida. O teste para saber se você naceu para ser solteiro está no site Minha Vida, elaborado pela Jornalista Ana Maria Madeira.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Os Jogadores Mais Bonitos da Copa

Uma das revistas internacionais mais famosas, a “Cosmopolitan” publicou recentemente uma lista dos dez jogadores bonitos que estarão na Copa do Mundo da África do Sul. Os escolhidos foram votados graças aos seus rostos bonitos e corpos atléticos, que arrebatam os corações de homens e mulheres.

O meia Kaká é o único brasileiro presente na lista dos dez jogadores mais atraentes da Copa. O português Cristiano Ronaldo, estrela de muitos comerciais, também está entre os galãs. Dois italianos marcam presença na lista dos mais bonitos: Claudio Marchisio e Alberto Gilardino. O francês Thierry Henry também aparece entre os belos do Mundial de 2010. Carlos Bocanegra, dos Estados Unidos, Valon Behrami, da Suíça, Lucas Neil, da Austrália, Maarten Stekelenburg, da Holanda, e Bastian Schweinsteiger, da Alemanha, completam a seleção.


Valon Behrami, meia da Suíça.

Maarten Stekelenburg, goleiro da Holanda.

Lucas Neil, zagueiro da Austrália.

Kaká, meia e camisa 10 da seleção brasileira.

Thierry Henry, atacante da França.

Cristiano Ronaldo, meia-atacante de Portugal.

Claudio Marchisio, volante da Itália.

Carlos Bocanegra, zagueiro dos Estados Unidos.

Bastien Schweisteiger, meia da Alemanha.

Alberto Gilardino, atacante da Itália.

sábado, 12 de junho de 2010

Um Outro Olhar do Dia dos Namorados

Parece que o frio veio trazer ainda mais solidão para aqueles que, nessa noite de "Dia dos Namorados", encontram-se com os corações vazios e carentes de um amor para aquecer as noites frias de nessas vidas. Há aqueles que dizem: O dia é dos namorados, mas a noite é dos solteiros. Penso que na hora de aliviar a dor, qualquer declaração que visa justificar algo ou situações, é valida.

Por outro lado, temos que levar em consideração as escolhas de cada um, ou ter alguém ao lado para chamar de "seu" e marcar compromissos nos finais de semana é uma regra social? Parece que sim, parece inconcebível para os moldes predefinidos de uma sociedade que não admite outra forma de agrupamento social que não seja a família, admitir que uma pessoa escolhe trilhar a sua vida sem a presença de uma figura conjugal.

Marta Suplicy, quando candidata à Prefeitura de São Paulo, questionou as escolhas pessoais do seu adversário e atual prefeito Gilberto Kassab ao perguntar se ele era casado e se tinha filhos. Notem que ao tentar questionar a sexualidade do atual prefeito, a candidata não ofendeu apenas a comunidade gay, mas também mexeu com homens e mulheres heterossexuais, que tem escolhas diferentes do que a sociedade admite como "padrão". Ao dar tal depoimento, a petista não demonstrou apenas a sua intolerância quanto a sexualidade, mas também mostrou-se rígida quanto as escolhas pessoais de cada um, reafirmando os padrões heteronormativos vigentes em nossa sociedade decadente.

Todos têm direitos de ter as mais diversas escolhas na vida. Temos o direito de escolher nossos amigos, nosso curso superior, nossa especialização, as nossas viagens e as definições da nossa vida afetiva. Não ter um namorado no dia dos namorados, não é o fim do Mundo e sim o resultado de nossas escolhas. Não vejo o porque milhares de solteiros se sentem excluídos nesse dia, até pelo fato de nos outros dias do ano eles se sentirem maravilhosamente bem sozinho.

Ser solteiro não é nenhum agravante social, temos que lembrar que vivemos em sociedade e casar, ter filhos e se agrupar como família, não passa de uma norma social. Ceder a norma ou ficar solteiro é uma escolha de cada um. Tenho amigos que são muito bem casados e outros que são muito bem solteiros e são felizes, na vida o que importa é ser feliz e se você é feliz solteiro, não ceda aos apelos de marketing das lojas de departamento e nesse dia dos namorados não fique deprimido, fique com tudo, porque o que importa é ser feliz e nada mais. Viva la vida.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Homens Trans: O Masculino no Corpo de Mulher

Ele é ator pornô, e dos bons. Já foi até premiado com o Troféu AVN, o Oscar do segmento. Careca, de voz grossa, músculos definidos, piercing, tattoos e um bigode respeitável, Buck Angel é extremamente másculo e encarna o biótipo “daddy”, que faz a cabeça de muitos gays. Mas Buck não é um homem como os outros. Até os 20 e poucos anos, ele era modelo, tinha seios, vagina e era “considerado” uma mulher bonita – e, na verdade, vagina, ele ainda tem! Buck Angel é um homem trans.

O Espaço Entre Homens, da Associação da Parada do Orgulho GLBT de São Paulo discute, NO PRÓXIMO DIA 01/10 (quinta-feira), o tema:

Homens Trans: O Masculino no Corpo de Mulher

A existência dos homens trans, ou transexuais FTM (do inglês “female to male”), ganhou a grande imprensa quando, em 2007, Thomas Beatie, então com 34 anos, resolveu engravidar no lugar de sua esposa, Nancy, que não podia ter filhos por ter necessitado se submeter à retirada do útero.

Beatie havia nascido com o sexo biológico feminino, mas se tornara fisicamente homem havia cerca de dez anos. Para engravidar, recorreu à inseminação artificial e suspendeu o tratamento hormonal com testosterona. Este ano, o casal teve seu segundo filho, também por meio de uma gravidez de Beatie.

De maneira similar a Buck Angel, Beatie retirou os seios, mas manteve todos os órgãos reprodutivos. Outro exemplo de homem com vagina é o fotógrafo Loren Cameron. Isso, por si só, já põe em xeque a definição de transexual no senso comum: aquele, ou aquela, que realiza ou sente necessidade de realizar mudanças em seus genitais.

Esse, porém, é só o “primeiro mistério” que cerca os homens trans. Menos famosos e menos comentados que as mulheres trans, ou transexuais MTF ("male to female"), ainda pairam muitas dúvidas sobre eles.

- Como eles se sentem?

- Como se descobrem?

- Como vivem a transexualidade?

- Que anseios possuem?

- Como se dá a transformação?

Por isso, o Entre Homens, que é um espaço para todos os homens, de todos os sexos, cores, tipos e orientações sexuais, abrirá um canal por meio do qual eles possam se expressar.

Com a participação especial de um grupo de homens trans, venha conhecer mais sobre os Thomas, Bucks e Lorens que temos no Brasil e em nossa cidade! Contamos com sua presença.

Quando?

01/10/2009, quinta-feira, às 19h

Onde?

Praça da República, 386 - Sala 22 - Centro
01045-000 - São Paulo, SP
Tel.: (11) 3362-8266

Quem?

Homens trans, mulheres trans, homens biológicos, gays, héteros, bis, lésbicas, travestis, mulheres biológicas, crossdressers e todos que queiram saber mais sobre nossa diversidade sexual e identidade de gênero! A entrada é franca, para qualquer pessoa, e com direito a comes e bebes.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Homofobia na Mídia

A “RedeTV!” foi condenada pela 2ª Vara Cível de Barueri a indenizar em 80 salários mínimos um casal de lésbicas que participou recentemente do programa “Superpop”, apresentado por Luciana Gimenez. Na ação, a psicóloga Valéria Melki Busin e a servidora pública Renata Junqueira de Almeida alegaram que houve discriminação pela orientação sexual durante exibição do programa.

O casal foi convidado para debater a homossexualidade e o preconceito enfrentado na sociedade. Valeria e Renata alegam que a discussão foi pautada num “show bizarro” e com “clima hostil” à orientação sexual. Quem já teve a oportunidade de assistir algum debate promovido pelo “Superpop” não se surpreende com as declarações das militantes. As discussões são sempre fundamentadas por declarações moralistas e com a péssima intermediação de Luciana Gimenez.

A ação também foi impetrada contra o advogado Celso Vendramini (participante do debate), acusado pelo casal de "trazer informações injuriosas" aos homossexuais em geral. Segundo a psicóloga e a agente pública, opiniões preconceituosas e comentários como "homossexuais deveriam viver entre duas paredes" foram levantados pelo convidado do programa.

A emissora alegou que o programa teve por objetivo "trazer aos telespectadores um melhor esclarecimento ao assunto" e que o casal participou sob livre espontânea vontade. A RedeTV! afirmou ainda que a discussão não fosse premeditada e que as participantes poderiam ter solicitado se ausentar da polêmica. Na ação, o juiz afirmou que houve excessos durante a exibição do programa. Segundo ele, os fatos não se limitaram a livre manifestação de pensamento, mas sim em comentários que violaram a honra e a imagem das convidadas.

Outro caso que chamou a atenção da Militância Gay foi o de Danilo Gentili do CQC, programa exibido na Band. Na madrugada do dia 25/07, o “repórter inexperiente” postou em seu Twitter o comentário: "King Kong, um macaco que, depois que vai para a cidade e fica famoso, pega uma loira. Quem ele acha que é? Jogador de futebol?", a declaração de Gentili saiu do ambiente virtual e foi para na MPF-SP (Ministério Público Federal em São Paulo). O caso foi encaminhado a um procurador, que vai apurar se houve ou não racismo.

Momentos após Gentili escrever sobre o "King Kong", ele tentou se justificar, só que conseguiu ser ainda mais infeliz do que na primeira declaração, ele postou: "Alguém pode me dar uma explicação razoável por que posso chamar gay de veado, gordo de baleia, branco de lagartixa, mas nunca um negro de macaco?" Mais de uma vez, ele tentou se justificar. "Na piada do King Kong, não disse a cor do jogador. Disse que a loira saiu com cara porque é famoso. A cabeça de vocês que têm preconceito." Danilo Gentili é um formador de opinião e tem em seu Twitter mais de 170 mil seguidores.

Não podemos admitir que alguém capaz de interagir com milhares de pessoas use suas ferramentas de comunicação de forma irresponsável, é inadmissível usar a mídia que temos disponíveis para segregar as "classes de minorias". Espero que o Ministério Público ensine para Gentili o porquê não é recomendável chamar Negros de King Kong, Gay de Veados e Gordos de Baleia, ou ele não sabe o que é segregação social?