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sexta-feira, 3 de março de 2017

A Geni da vez

No Rio de Janeiro, um jovem foi encontrado nu na praia, com marcas de violência, infelizmente ele veio a falecer no hospital. Amigos disseram em sua página do Facebook que ele sempre teve medo de ser vítima de homofobia. Infelizmente, nos, LGBT, somos a Geni da vez. 

Enquanto não houver a criminalização da Homofobia e Transfobia esses crimes ficarão impunes e continuarão a jogar pedra, água e bosta na gente, achando que somos feitos para apanhar e bons para cuspir. 

Segundo a OMS, o Brasil é o 11º país com mais crimes de homicídios, é um dado alarmante e qualquer pessoa poder falar que viver no Brasil é perigoso para qualquer pessoa, sendo hétero, homossexual, travestis ou transexual, mas segundo Grupo Gay da Bahia, o Brasil é o país que mais mata lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais, superando índices de países do Oriente Médio e da África, que pune com pena de morte a homossexualidade.

terça-feira, 21 de abril de 2015

O Melhor da Vida

Sabe quando bate aquela vontade de viver várias coisas que você ainda não viveu e reviver outras que ficaram pra trás, de outra forma, percorrendo outros caminhos e sentindo outros gostos? É exatamente esta vontade que está me conduzindo.

Me privei por conta de algumas decepções do passado, deixando de viver vários momentos, me despedindo de várias pessoas, antes mesmo de conhece-las. Na verdade nos transformamos a cada dia e o principal agravante de pararmos, é o de não saber em quem estamos nos transformando.

As vezes precisamos que alguém se transporte do passado, para mostrar para nos o quanto estamos desperdiçando nossas vidas, deixando ela escapar por nossas mãos, perdendo o que nos é dado de graça.

Foi assim com uma pessoa que teve uma passagem muito rápida em mim vida, chegou num momento em que eu estava precisando reconhecer alguns valores adormecidos e quando compreendi, ela simplesmente desapareceu.

Vejo tais pessoas como anjos, vestidos de homens, que entram na nossa vida para cumprir uma determinada missão e depois vão cumprir outras missões, mostrar o melhor da vida para outras pessoas.

quinta-feira, 6 de março de 2014

Sobre Carnaval, Homofobia e Políticas Excludentes

A Mangueira não foi a campeã do Carnaval Carioca, mas sem sombras de dúvidas foi a escola que mais representou a Diversidade Cultural que existe no Brasil. Contando à história das festividades do Brasil, a escola levou à avenida 36 alas e sete alegorias para contar as origens e características das principais datas festivas do país. "Pegue seu par, dance quadrilha / 'simbora' pro meu sertão / vem pular fogueira / viva são João!", cantou o refrão do samba da verde e rosa. 

Os mais de 500 anos do Brasil foram retratados a partir de suas celebrações, desde o Descobrimento do país até tradições mais recentes, como a Parada Gay: "Sou brasileiro, vou festejar / Meu palco é a rua e a luz o luar / No coração da floresta magia que encanta "Garanto" que vai "caprichar" / Chegando à terra da garoa um arco-íris despontou / orgulho, respeito, igualdade / tremula a bandeira da diversidade". 

As cores da bandeira da diversidade sexual puderam ser vistas nas alas arco-íris e arauto da diversidade. Outro setor da escola trouxe homens vestidos de noivos e mulheres de noivas com seus buquês, representando a união homossexual, com direito a beijo gay. O sexto carro da agremiação também foi dedicado ao tema. Segundo a escola, 44 homens vieram na alegoria, sendo que a maioria deles vestia um sobretudo preto e chapéu. Em certo momento do desfile, todos entravam em um espaço com porta e saíam de dentro dele vestidos com espartilhos luminosos, fazendo coreografias – uma alusão à expressão popular “sair do armário”, que define quem assume a homossexualidade. Um verdadeiro show de diversidade. 

Depois de tanta alegria, o Brasil recebeu uma triste noticia na quarta-feira de cinzas, um menino de apenas 8 anos teve o seu fígado dilacerado pelo pai, devido aos constantes espaçamentos para o menino “virar homem”. Alex gostava de dançar dança do ventre e lavar louça. As sucessivas pancadas do pai, provocadas porque Alex não queria cortar o cabelo, dilaceraram o fígado do garotinho. Uma hemorragia interna se seguiu, levando o menino, que também gostava de forró e de brincar de carrinho, a óbito. 

Fazendo contraste com o colorido da diversidade e respeito promovido pela Mangueira, o corpo do menino Alex se tornou um mapa dos horrores que vinha passando por aquele que naturalmente deveria amar e proteger. O pai de Alex já havia cumprido pena por trafico de Drogas, o que nos leva a concluir que ele faz coro a predileção de muitos que dizem que preferem um filho bandido a um filho homossexual. Alex morava no Estado do Rio Grande do Norte, com sua mãe, mas para ela não perder a guarda do filho, pois não o enviava para a escola, mandou o garoto para morar com o seu pai. 

Essa discrepância em nosso país acontece principalmente pela ausência de políticas públicas e reparatórias para a população LGBT. Vivemos em uma sociedade machista e homofobica, que aceita perfeitamente declarações de religiosos, em rede nacional, falando que gays são aberrações, escórias da sociedade. Vivemos num Estado de natureza laica, mas a cada eleição os legislativos de todo o país engrossa mais o caldo da bancada fundamentalista, que acabam legislando por causa própria, travando as pautas dos Direitos Humanos e se unindo com a bancada ruralista. 

Recentemente, o deputado Assis do Couto (PT), que acaba de assumir a Comissão de Direitos Humanos e Minorias, declarou que não é favorável nem contra a relação amorosa entre duas pessoas do mesmo sexo, se colocando em cima de muro numa questão tão importante e superada por países que estão no mesmo patamar de desenvolvimento do Brasil. O PT novamente mostra o tom de descaso com os Movimentos Sociais, rompendo com lutas históricas, que estavam com o partido desde a sua fundação. Enquanto não rompermos com governos descompromissados com a luta pelos Direitos Humanos, continuaremos sendo o país que mais mata homossexuais no Mundo, manchando o colorido da diversidade, com o vermelho da homofobia.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Suspeitos de agredir gerente gay foram flagrados por câmeras de segurança

Os suspeitos de agredir o gerente de tecnologia da informação no último domingo (16) foram flagrados por câmeras de segurança da área. A informação é do 7º Distrito Policial, que utilizará as imagens na investigação. Em uma delas, um dos quatro jovens aparece segurando a barra de ferro que teria sido usada no ataque à vítima, de 32 anos.

De acordo com o delegado Rubens Eduardo Barazal, os vídeos são importantes ainda para mostrar qual foi a “dinâmica do fato”. O gerente teve fratura no osso da face e levou seis pontos na testa, além de sofrer trauma na região da orelha direita.

Agredido após sair de uma boate na Lapa, zona oeste de São Paulo, ele prestou depoimento na quarta-feira (19). A vítima, que informou ser homossexual, alegou que a violência foi motivada por homofobia. Um amigo do gerente também foi ouvido na delegacia. No depoimento, o gerente relatou que estava nas imediações da rua Emílio Goeldi, quando foi atacado pelos jovens - a área costuma ser frequentada por gays. A vítima disse que circulava de carro, na companhia do amigo, quando parou o veículo para conversar com outro rapaz, que estava na via.

De repente, um segundo carro parou bruscamente e, do automóvel, desembarcaram os quatro suspeitos. O grupo foi em direção ao gerente e os amigos, gritando: “Corre, veado, nós vamos te matar”.

Assustadas, as vítimas correram. O gerente contou que fugiu em direção a um posto de gasolina e teria sido perseguido por um dos jovens, que estava, segundo ele, armado com uma barra de ferro.

De acordo com o depoimento, o gerente e o agressor entraram em luta corporal na pista do posto. A vítima contou ainda que, na tentativa de se proteger, desarmou o suspeito. 

Neste momento, o carro com os outros três jovens se aproximou. Eles desembarcaram novamente e os quatro, de acordo com a vítima, começaram a surrá-la. 

Ainda conforme o relato do gerente à polícia, o grupo só parou de bater porque um frentista do posto resolveu intervir. Os quatro voltaram para o carro e fugiram em direção ao bairro Água Branca. Ferido, o gerente procurou socorro médico por meios próprios.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Correio Braziliense mostra mensagem de Marta Suplicy que chama suplente de “homofóbico”


Na sessão do senado dessa quarta-feira, 12, o fotógrafo Iano Andrade, do Correio Braziliense, flagrou o momento em que Marta Suplicy (PT-SP) mostrou um e-mail pelo celular à senadora Lídice da Mata (PSB-BA). A mensagem se referia ao vereador paulistano Antônio Carlos Rodrigues (PR), que deve ocupar no Congresso o lugar da ministra, que é a nova ministra da Cultura. 


Primeiro suplente de Marta, o vereador foi classificado como “evangélico e homofóbico”, numa tentativa de evitar que ele assumisse a relatoria do projeto que tem como objetivo criminalizar a homofobia no Brasil. Marta era relatora do caso e agora se despede do senado. Segundo Lídice, a mensagem foi encaminhada a Marta por um grupo que defende o direito dos homoafetivos. 



A imagem registrada pelo fotógrafo do Correio mostra frases que evidenciam o tema: “Substituir a senadora Marta Suplicy na relatoria do PLC 122”. O e-mail segue com reclamações. “Está havendo muitas críticas pelo suplente, que é evangélico e homofóbico.” Um questionamento no fim da mensagem levanta a possibilidade de Rodrigues não assumir a relatoria. “Podemos fazer isso?”, dizia.



Ao Correio, Marta informou, por meio de sua assessoria, que não iria comentar o assunto e que a ex-senadora recebe muitos e-mails e não tinha como localizar a mensagem em questão.  Além do Correio, a fotografia foi tema de matérias do Diário de Pernambuco, Estado de Minas e na coluna de Lauro Jardim na Veja Online. 
Casos como este, em que a imagem é a noticia, têm se tornado cada vez mais frequentes. A capa desta semana da Veja SP mostra o vereador da capital paulista, José Ferreira (PT), ampliando em seu tablet a foto de uma garota no Facebook com um vestido decotado. Isso durante sessão da Câmara.

Em maio, o deputado federal Cândido Vaccarezza (PT-SP) foi filmado pelo ‘Jornal do SBT’ enquanto enviava uma mensagem pelo celular ao governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), durante a sessão da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do contraventor Carlinhos Cachoeira. No texto, o petista diz que a relação com o PMDB poderia "azedar” mas que ele e outros deputados eram do político fluminense. 

terça-feira, 12 de junho de 2012

Saudades Eternas do Meu Amigo Ademir

Fiquei extremamente chateado com a noticia da morte do meu amigo Ademir. Conheci o Ademir há 14 anos. Durante esse tempo vivemos muitas coisas bacanas, curtimos várias baladas e fizemos várias viagens. Sua morte repentina me pegou de surpresa e deixará para sempre um vazio enorme no meu coração.

Quando soube da noticia, lembrei-me de quando ele me ligou triste e chorando por conta da morte de sua mãe. Ele foi sepultado no mesmo cemitério que ela e tenho absoluta certeza que ele está num lugar de paz, ao lado de sua mãe.

Descanse em paz meu querido amigo. Tenho certeza que a morte é apenas um recomeço e que um dia nos reencontraremos.

domingo, 27 de maio de 2012

Rússia: Passeata LGBT acaba em briga com cristãos e detenção

Dezenas de pessoas foram presas em Moscou neste domingo depois que ativistas da Igreja Cristã Ortodoxa Russa atacaram duas manifestações em defesa de diretos dos LGBT, jogando água contra os participantes e gritando orações. 

Alguns ativistas ortodoxos deram socos em manifestantes, tomaram suas bandeiras da cor do arco-íris - símbolo do movimento LGBT - e as pisotearam diante das câmeras de televisão. 


O confronto ocorreu durante os dois protestos, realizados diante da prefeitura e do Parlamento. Nenhuma das manifestações tinha sido autorizada pelas autoridades de Moscou. 

Quase todos os cerca de 30 participantes homossexuais foram detidos e muito poucos dos quase 50 ativistas cristãos ortodoxos envolvidos. 

O líder do protesto pelos direitos dos gays, Nikolai Alexeyev, afirmou que estava sendo preso por falar com os jornalistas. "Fui detido no protesto do Orgulho na prefeitura de Moscou", escreveu ele no Twitter. "Não tenho palavras." 

A polícia disse à agência estatal de notícias Itar-Tass que cerca de 40 pessoas tinham sido detidas nos protestos. 

"Todos os nossos direitos estão sendo pisoteados aqui na Rússua", disse o manifestante Igor Yasin. "Os nossos direitos não são assegurados e não temos nossa segurança física garantida."

terça-feira, 10 de abril de 2012

Entre o Amor e o Ódio

Impressionante como velhos clichês, que muitas das vezes achamos que são meras frases de efeito usadas estrategicamente em momentos inoportunos, acaba fazendo tanto sentido em nossas vidas. Já tem um bom tempo que resolvi ser mais seletivo em minhas amizades e cortar definitivamente todas as pessoas que não faziam bem a minha vida.

Há alguns anos, eu era cheio de “amigos”. Vivia sempre rodeado pessoas que no fundo não gostavam de mim, mas sim do que eu tinha ou poderia proporcionar. Amizades plásticas, que tem o único intuito de se aproveitar do que você tem ou pode fazer. Eu ficava mal com isso e partia para um corrida sem fim em fazer com que todos gostassem de mim de verdade. A única coisa que conseguia, era me despersonificar.

As pessoas sempre te amaram e te odiaram pelo mesmo motivo – disse a um amigo que me ligou chateado por conta de supervalorizar pessoas que, na verdade, não dão a mínima para ele. Aprendi a duras lições que esse tipo de comportamento só nos coloca cada vez mais para baixo e camuflam o verdade sentido do que temos de mais precioso, o nosso amor.

Hoje tenho poucos, mas posso dizer que tenho bons amigos. Não tenho mais ninguém ao meu lado, estrategicamente posicionado para tirar qualquer tipo de proveito da minha amizade. Um dia acordei e resolvi ser eu mesmo, não me importante se estava alegrando a gregos ou troianos.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Cantor sertanejo da dupla Júnior e Marcel morre durante show no RS

O cantor Enio Knak Júnior, de 27 anos, morreu na madrugada deste domingo após sofrer uma descarga elétrica durante um show no Clube Gaúcho, localizado na cidade de Santo Ângelo, a 459 quilômetros de Porto Alegre.

Ele se apresentava ao lado do irmão, com o qual formava a dupla sertaneja Júnior e Marcel. Segundo informações registradas no boletim de ocorrência sobre o caso, o acidente aconteceu por volta das 2h30, quando o cantor caiu próximo a uma escada metálica que dava acesso ao palco.

Júnior chegou a ser levado para um hospital da cidade, mas não resistiu e morreu no local. A causa da morte foi confirmada pelo Instituto Médico Legal de Ijuí, onde foi realizada a necropsia.

O local da apresentação foi isolado e passará por perícia nos próximos dias. O show fazia parte da programação de Carnaval do clube, que divulgou nota lamentando o ocorrido e informando a suspensão de suas atividades no fim de semana.

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Lendo essa noticia, penso no perigo que passei em cima do Trio da Banda do Fuxico, onde os fios que encostaram no carro e soltaram faíscas para todos os lados, eram de alta tensão. Temos que nos divertir no carnaval, temos que fazer carnaval de rua, ir para os clubes e extravasar, mas temos que ter garantias de segurança pelas brigadas de incêndios responsáveis por estes eventos.

Não podemos aceitar o discurso que isso foi uma fatalidade, existe um culpado sim e enquanto eles não foram punidos, tais fatos continuaram acontecendo. A tragédia poderia ter sido ainda maior, bem como em cima do Trio da Banda do Fuxico, que ainda bem que ninguém se machucou, como no clube no Rio Grande do Sul, que infelizmente o cantor faleceu. 

Casos como esses não são fatalidade, são falta de planejamento e de infra-estrutura. Toda a equipe envolvida nos eventos compartilham a culpa, desde os organizadores, até os órgãos públicas que liberaram os alvarás para que o evento acontecesse.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Bear Planet 3D Decepciona na Noite de Inauguração

Com promessas de uma casa tecnologia, com pista 3D, open air, terraço que funciona como fumódromo, lounge, duas pistas, jardim snooker e cliperama, foi inaugurado um novo club gay na cidade de São Paulo, o Shiva. A proposta me deixou muito empolgado e fui prestigiar a noite de inauguração.

Encontrei muitos conhecidos na fila e dentro da casa também. Na entrada, recebi óculos de papel em 3D, a primeira decepção, pois no vídeo marketing os óculos que apareciam com o urso dançando não eram de papel, tudo bem, estava chegando e ainda tinha muito o que ver.

A entrada principal era num subsolo, lugar escuro. Os banheiros mal instalados, com sujeira de tinta. Na pista acima, o cheiro de tinta era insuportável e no meio do ambiente havia uma estatua da Deusa Shiva, compondo uma decoração muito brega.

Num outro pavimento, que funcionou como pista principal, o ambiente era ainda mais escuro, com muito efeito de fumaça, compondo um ambiente super abafado e quente. No terraço, onde acredito que seria o jardim, lounge e fumódromo, havia apenas um ambiente aberto, com alguns entulhos no canto.

Sai de lá com a impressão que a casa foi inaugurada as pressas, sem o cuidado dos idealizados para receber um público tão exigente como o público gay. A casa ficou a noite inteira vazia, pois a fila da entrada era tão grande quanto à fila de saída. Uma pena, poisa proposta da casa é muito boa.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Sobre Tentativa de Assalto e Internação Compulsória

Recentemente saiu na mídia que a Prefeitura Municipal de São Paulo está a um passo de legalizar a internação compulsória de viciados em drogas que vivem em situação de rua. Quando vi a noticia, fiquei estarrecido, achei um absurdo tal ato, pois um tratamento de desintoxicação depende muito mais da vontade do paciente, do que dos recursos disponíveis aplicados. Ainda mantenho a minha posição e tenho certeza que tal ação, se aprovada, será pouco eficiente nos seus objetivos.

Alguns amigos defenderam que a questão é bem mais ampla e que a internação compulsória viria para sanar parte dos nossos problemas de segurança pública, pois muitos desses usuários de drogas passam a cometer pequenos delitos a fim de conseguir dinheiro e objetos para depois trocar por drogas ilícitas. Mesmo com essa explanação, me coloquei contra a questão, pois de nada adiantará um tratamento realizado mediante uma internação forçada.

Terça-feira (06/09), saindo da Secretaria de Estado da Cultura, local onde trabalho, estava caminhando até o Largo do Arouche, caminho que sempre faço a pé. Passei por um menino de rua, que deveria ter no máximo 12 anos. Ele me pediu 50 centavos, eu disse que não tinha. Ele veio atrás de mim e pediu novamente os 50 centavos, novamente eu disse que não tinha. Furioso ele tirou um faca que estava escondida num cobertor que ele usava sobre os ombros e pediu o meu celular.

Fiquei assustado, virei o corri. No susto, desesperado, dei poucos passos no sentido de um posto móvel policial, que fica em frente a Secretaria da Cultura e cai. Machuquei meu joelho, ombro e região abdominal, que até o momento encontra-se machucada, doendo. Tive que ser medicado, por conta das dores que já estava incomodando bastante e tal fato me levou novamente a refletir sobre a noticia que vi há semanas sobre a internação compulsória.

A questão dos meninos de rua da Cracolândia, vai muito além da questão de saúde pública, tornou-se uma questão de segurança. O Estado é responsável pela nossa integridade física e tal caso se faz necessária uma intervenção imediata. Não podemos continuar dividindo as ruas com pequenos infratores que rejeitam os organismos que o Estado coloca a disposição para que eles deixem as ruas.

Em frente ao local que houve a tentativa de assalto pelo menor infrator, existe um albergue público, local que não tem sua capacidade de lotação atingida. Muitos dos moradores de rua, estão na rua porque não conseguem viver obedecendo regras. Em todos os lugares, na nossa casa, em nosso trabalho e na nossa vida social, obedecemos regras e até mesmo para viver num albergue, existem regras para serem obedecidas, regras que muitos dos moradores de ruas não querem cumprir.

Ainda não tenho uma opinião completamente formada sobre a internação compulsória, mas ela existindo ou não, o Estado tem que intervir sobre a questão desses infratores que passam dias e noites desequilibrando a ordem pública e tirando o direito de outros cidadãos de bem de ir e vir. Não passarei mais naquele lugar com a tranquilidade que passava antes, estou com os meus direitos violados e o Estado tem que intervir, seja acionando a Fundação Casa, ou habilitando clinicas de dependentes químicos para tratar a questão desses dependentes que recusam o tratamento e preferem as ruas, para cometer seus delitos e sustentar o vicio das drogas.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Um caso de amor em Brasília

Com o tempo as mascaras caem, ninguém consegue enganar a todos por muito tempo. Marta ex-Suplicy nunca me enganou, sempre soube das intenções dessa senhora, de usar o movimento gay como puleiro, ou melhor de palanque para as suas projeções politicas.

Políticos como a Senadora Marta não deveria existir, mas sim fazer parte de um folclórico distante, que ficou no nosso passado de dores, mortes e torturas. A ditadura acabou a muito tempo, aquela época que a política era construída por poucos e os poucos que ousavam se pronunciar, eram presos, torturados e mortos.

Hoje vivemos uma ditadura contra gays. Enquanto temos gays sendo mortos nas ruas, vemos a relação que até então muitos dos pares da Marta, gays que que também militam no movimento LGBT, achavam incestuosa, mas não é não e essa imagem mostra bem a composição política que está costurando as políticas públicas de proteção aos homossexuais desse país.

Dona Marta, em nome de tudo o que é mais sagrado, volte para TV, vá apresentar programas na Rede Mulher, vá ser sindica do seu prédio ou vá para onde você bem entender, mas deixe o movimento LGBT em paz. Somos um grupo sofrido, que já apanha demais da sociedade. Já existe um grupo de políticos fundamentalistas, que por sinal é bem grande, que são nossos torturadores históricos. 

Senadora Marta, não fale em nome do movimento LGBT, pois a senhora nunca foi e nunca contribuiu para ele. Somos milhões e não sou representado apenas por um, políticas públicas exige debates políticos, o que a senhora ao longo dos anos provou que não sabe fazer. 

Não precisamos da sua contribuição, se você caiu de para-quedas no senado, não faça nada por nós, queremos leis que nos contemplem e não alianças costuradas com evangélicos afim de criar alianças políticas que visam apenas seu proveito. Faça plastica, botox, chapinha e coloque silicone, mas pelo amor de Deus, saia do caminho do MHB.

domingo, 17 de julho de 2011

Sobre Felicidade e Recomeço

Pela primeira vez, depois de muito tempo, me sinto realmente feliz. Algumas coisas, que eu sempre busquei, estão acontecendo e definitivamente percebo que não apenas virei uma página da minha vida, mas que comecei outro capitulo, outro livro e estou escrevendo em outros cadernos. Sempre valorizei uma relação afetiva e grande é a minha surpresa em perceber que o melhor momento da minha vida está sendo sozinho. Estou bem comigo mesmo.

Algumas pessoas passaram por minha vida, todas de forma distintas. Umas não ficaram por questões alheias a minha vontade e outras simplesmente porque aquele não era o meu momento. Depois de ficar triste por conta de não ter rolado nada com o rapaz dos posts anteriores (aqui, aqui e aqui), me senti extremamente bem. Pela primeira vez, depois que terminei o meu relacionamento com o Douglas, estava me sentindo livre de verdade, estava sofrendo por outra pessoa. Pela primeira vez, em um ano, doeu de verdade e confesso que isso foi muito bom, sentir essa dor de novo, por outra pessoa.

Mesmo não estando mais em minha vida e sem pretensões alguma de entrar, credito ao Douglas os melhores e muitos dos piores momentos da minha vida nos último oito anos. Passei momentos muito bons com aquele cara e reconhecer isso, sem dor, sem peso, sem rancor e ainda com muitas pendencias entre nos a serem resolvidas é algo que eu considero louvável.

A vida caminhou, o rio mudou o seu curso e alguns desaguaram no oceano. Tsunamis aconteceram e terremotos destruíram várias partes da minha vida. Me levantei, reconstruí meus pilares, respeitando as minhas origens e aqui estou, pela primeira vez assumindo e reconhecendo que estou pronto para outra, para todas as novidades que a vida possa me presentear.

Sinto-me como a música “Oração”, da Banda Mais Bonita da Cidade. Sinto-me em transição, alegre, querido, sozinho, unido e feliz. Sinto-me com o coração aberto, coração que cabe absolutamente tudo, coração que está pronto para continuar. Acrecito que isso é coisa de Saturno, ele definitivamente concluiu o seu curso e estou livre para viver. Vou aproveitar e colocar tudo o que cabe dentro do meu coração.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Sobre Sentimentos Conflituosos e Pingos nos “is”

Depois de muita conversa, resolvi colocar todos os pingos nos “is”, confesso que foi mais difícil do que imaginava. Às vezes gostaria de ser menos taurino, talvez mais aquariano ou libriano, mas não totalmente, taurinos tem um brilho especial.

Passei 4 dias em São José dos Campos e foram 4 dias de saudade de algo que eu nunca tive, saudades daquilo que estava para ter, saudades do que talvez eu não terei. Entre sentimentos e frustrações, resolver ser o mais franco possível e disse tudo o que eu estava disposto. Tive a reação que esperava. A reação de compreensão da outra parte, compreensão acompanhada de tristeza.

Entre os meus posicionamento, estava à decisão de não procura-lo, até que os seus sentimentos fossem minimamente reconhecidos e expressados. Não posso ficar preso num relacionamento que nem começou por conta de fatores oclusos, que não são inerentes a minha pessoa.

Na volta para São Paulo, um incomodo. Estava ouvindo o CD que ele havia me emprestado. Resolvi devolve-lo no mesmo dia, talvez numa alternativa insana de vê-lo novamente, mas sustentando a situação que não queria ficar com nada dele e que era melhor vê-lo agora, do que na semana que vem, quando ele voltasse de viagem.

Após um compromisso, em meio à protestos de um amigo, fui até o seu apartamento. Mal conseguíamos olhar um para o outro. Havia uma tensão muito forte no ar, palavras mentalmente sendo ditas e a sensação que todas elas eram absorvidas, quando nos olhávamos, tínhamos a certeza que mesmo em silencio, estávamos conversando. Ficamos nessa situação/sensação por quase duas horas.

Às vezes o meu braço roçava no dele, era uma sensação maravilhosa, o toque que precisávamos para acalmar a necessidade que as nossas peles sentiam de estarem juntas. De repente, numa ação inesperada, ele me abraçou e ali ficamos por uns dois minutos, dei um beijo no seu pescoço e disse que tinha que ir embora. Ele retrucou, disse que o abraço não era para se despedir e sim para saciar o desejo carnal dos dois corpos unidos por um desejo. Antes de ir embora, nos abraçamos mais duas vezes.

Voltei para casa tendo dele apenas o sentimento, o CD havia devolvido, porém voltei com a consciência tranqüila que não trai o meu coração e que fiz absolutamente tudo para que esse relacionamento que estava prestes a nascer, não tivesse uma morte prematura. Ele me pediu tempo para colocar as idéias no lugar e confessou que já sentia saudades, sentimento que nesse momento compactuo.

Acredito que com espaço, algo pode acontecer, como disse anteriormente: eu já passei por tudo isso e sei como tal situação é difícil. Tenho uma amiga de trabalho que é casada há mais de 20 anos, antes dela assumir algo definitivo com a sua esposa, elas ficaram um ano se conhecendo, de forma leve e descompromissada. Acredito que os relacionamentos de sucesso nascem assim, sem muitas perspectivas e promessas, apenas vivendo o momento e deixando o futuro como uma mera conseqüência, como um simples acontecimento diário. É dessa forma que eu quero que acontece comigo, que simplismente aconteça, sem metas rigidas estabelecendo o que venha a ser o futuro.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Onde Estiver

Tomamos decisões em nossas vidas, que mudam por completo o nosso rumo. Tomei muitas decisões que transformaram a minha num verdadeiro tsunami de emoções. Amei demais, odiei demais, cedi demais e fui duro demais. Vivi em muitos extremos e confesso que os extremos não são as minhas melhores áreas, sempre agi melhor no meio.

Sofri demais nesse ultimo ano, perdi contatos, pessoas e oportunidades que eu não estava disposto a abrir mão, mas quando o tempo da vida cessa, não temos muito o que fazer, temos que abrir mão e deixar o velho partir e se abrir para as novidades de vida.

Acreditava no amor eterno e inacreditavelmente ainda acredito, sou taurino e não desisto nunca. Hoje sou mais maduro, pelo menos julgo conhecer melhor a vida e sei que outras oportunidades, sonhos e anseios estão por vir… Um grande rio é formado por diversos afluentes, assim também é a nossa vida, não temos apenas uma fonte, temos varias ligadas a nós e o conjunto delas em ação é responsável pelo que somos.

Ainda acredito que a vida pode ser em tons pasteis, mas não em sua plenitude, hoje aceito outras cores e procuro usar o diferente para compor a aquarela da minha vida. Pintamos a nossa vida e se o quadro não nos agrada, a culpa é nossa, que somos os artistas, os regentes, os autores desse obra.

A vida seria muito fácil se fosse passível de programação, quando algo sei de lugar, reprogramamos o sistema e continuamos, mas não é tão fácil, temos que lidar com os erros, com os borrões em nossos quadros. Com fatos, não temos muito o que justificar, temos que aceitar e continuar a viver.

Convivo com a saudade, não do que somos, mas do que fomos um dia. Estamos em constantes mudanças e não há erro em querer trilhar outros caminhos, que não estavam previstos antes. Errado é fugir, agir covardemente e anular tudo o que fomos um dia e nesse ponto, ambos foram extremamente covardes. No final, temos que seguir, não se importando com os caminhos e sendo feliz, aonde estivermos, acreditando na vida e tendo ciência que nos meio dessa guerra, nenhum de nos pode ganhar.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Arnaldo Jabor sambando na cara do Bolsonaro


"Bolsonaro devia ser posto em formol e colocado num museu, para deixar registrado um comprovante de nossa burrice histórica"

Arnaldo Jabor


sábado, 23 de abril de 2011

O Capitalismo do Amor

Descobri que não sei absolutamente nada sobre o amor. Descobri que ninguém sabe o suficiente sobre esse sentimento tão arrebatador e devastador. Amor para mim é entrega, companheirismo, compaixão, amizade… Quando amamos, nossa vida se confunde com outra, nossos compromissos são bilaterais e você se torna a pessoa mais boba, chata e impertinente do Mundo.

Amar é algo muito sério, não é para qualquer um. Brincar de amor, nem pensar, isso é muito perigoso e o final, com certeza será desastroso. Quando amamos, tornamos parcialmente responsável pela vida de outra pessoa, da parte da vida que essa pessoas nos confiou, o seu coração. Somos o guardião “permanente”, até que o “pra sempre” termine, dos sentimentos que tange o campo das relações afetivas desse outro alguém.

Amar é algo estranho. O ser humano é um bicho estranho, talvez o mais estranho entre os outros animais. Dizem que a inteligência nos diferencia dos outros animais, a nossa capacidade de pensar. Mas de fato, somos os únicos que destruímos outros seres da nossa espécie. Não pensamos, não assimilamos antes de destruir outras vidas, ou pior, fazemos tudo de forma premeditada, ferramos a vida de outros por mero capricho. Tudo porque temos a capacidade de pensar ou de nos ausentar dessa condição.

Não sei pelo o que nos apaixonamos… Muitas das vezes o objeto do nosso amor não existe, nos apaixonamos pelo o que criamos, pelas características que achamos graça e que com o decorrer do tempo começa nos irritar e aquela pessoa, pela qual você um dia jurou passar o resto de sua vida, acaba se tornando insuportável. Muitas das vezes, nos apaixonamos pela pessoas que construímos, por algo que fisicamente não existe.

Somos consumistas ao extremo e ai está o sucesso do capitalismo no Mundo. Temos diferentes motivações para nos levantarmos de manhã e ir a luta, mas tudo se resume ao consumo. Trabalhamos porque temos que ganhar dinheiro e consumir e o amor funciona da mesma forma. Queremos consumir uma pessoa inteligente, um cara com dinheiro, que anda na moda e que nos faz rir. Queremos consumir uma moça bem educada, que fala vários idiomas, que já viajou para vários países, que é sensível, sexy e bem sucedida. O amor se tornou uma moeda de troca e quem tem mais a oferecer, consegue a melhor oferta.

Passamos a vida inteira consumindo, comprando roupas, sapatos, aparelhos eletrônicos e coisas que nunca iremos descobrir uma utilidade prática. Com o tempo cansamos de tudo aquilo, aparece novidades e sentimos a necessidade de trocar, de consumir mais e aquele objeto de desejo, que pagamos com tanto sacrifício, vai parar no eBay, pois ele já foi substituído por outro novo, que será pago no cartão, em 10 vezes.

Começamos olhar as fotos e desacreditamos que um dia tivemos cabelo skatista, que usávamos calça bag e que íamos para escola com tênis conga. Da mesma forma funciona com quem nos relacionamos, olhamos pra trás e desacreditamos que um dia fomos capazes de “usar” aquela pessoa. Na verdade nunca estamos satisfeitos com o que temos e estamos em constantes mudanças e como ninguém é igual a ninguém, com o tempo os objetivos são reavaliados e o laços que uniam aquelas pessoas são desatados.

A maioria dos casais que permanecem juntos, aqueles que vencem a barreira da vida, apenas cumprem as convenções sociais. Alguns são amigos de verdade e de fato uma separação seria impossível, mas muitos, a grande maioria, ficam juntos por outros fatores que não é o amor, as vezes por despeito. Gosto muito da música “Senhora e Senhor” do Titãs, ela expressa bem o que eu quero dizer.
Veja só o que restou, do nosso caso de amor. Uma casa com varanda e um jardim que não dá flor. Uma geladeira cheia de comidas sem sabor, um programa interminável diante do televisor, uma lâmpada queimada no lustre do corredor... O pensamento distante para evitar a dor, o olhar tão desbotado que já não distingue cor, velhas rugas escondidas debaixo do cobertor. Saudades, indiferença, decadência e mau humor. Tratamento respeitável de senhora e senhor.
Passamos boa parte de nossas vidas com uma pessoa e não conseguimos deixa-lá porque nos apegamos ao que ela foi um dia ou a imagem que construímos. Passamos a viver um amor amargurado por conta de um passado feliz e que muitas das vezes nem foi tão feliz assim. Jogamos toda a nossa vida fora por conta de um bom sexo que tivemos um dia ou por conta de bens materiais que foram adquiridos ao longo dos anos. Definitivamente, quando isso acontece, é melhor aderir ao capitalismo do amor, cadastrar o velho no eBay e tentar sentir aquele sentimento de novo, ou vamos viver como “senhora e senhor”.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

A Necessidade da Inclusão

- Na minha escola tem um menino que ninguém gosta dele – disse a minha sobrinha.

- E porque ninguém gosta dele? – perguntei.

- Porque ele é gay – respondeu. Aquilo deu um play num filme da história da minha vida, lembrei de dias difíceis que passei no colégio, onde era conhecido como “Marcos Viadinho”.

- Você não deve se afastar de ninguém por conta disso – aconselhei.

- Não, eu sou amiga dele, fico conversando com ele no intervalo – respondeu minha sobrinha.

Começaram a chamar minha sobrinha de “sapatão”, por ser amiga do “viadinho” da escola. Ela partiu em defesa dela e do menino, dizendo que não era pelo fato dela ser amiga dele, que ela era “sapatão”. Senti orgulho da minha sobrinha, que mesmo sendo hostilizada por ser amiga do menino, não se intimidou e continuou sendo amiga dele.

Disse no post “Os Filhos que Geramos” que “ninguém opta pelo descaso, ninguém é reservado por mero capricho”. Quantas pessoas que hoje são reservadas, que foram reservadas pela sociedade, por escolas que não cumpriram o seu compromisso didático de proporcionar a aceitação das diferenças.

Em todas as escolas existe um, ou vários “Wellingtons”, menino reservado, com sexualidade duvidosa e que se prende no “seu mundo”. O mundo exterior acaba tornando-se dolorido demais, é quase impossível chegar na roda onde estão as pessoas mais descoladas da escola e dizer “olá”. O que fazer diante disso? Ficar numa redoma de vidro, onde ninguém te atinge e lá dentro você dá as regras, as suas regras que você irá obedecer, pois é o seu “mundo particular”.

Eu já fui o “Wellington”, já fui o cara estranho da escola, que torcia para não haver intervalos, pois estava cansando das hostilizações que eram expostos e que supervisores, professores e diretores escolares faziam vistas grossas. Eu já fui o garoto que era deixado de lado e que apenas algumas meninas conversavam comigo.

Na minha sala tinha o Tadeu, ele fazia natação de terça e quinta comigo e numa outra sala , umas duas sérias acima da nossa, havia um amigo dele. O Tadeu foi um dos que mais promoveu bullying comigo. Ele me chamada de “bicha” e  me batia na escola, ele era menor que eu e eu naturalmente ia pra cima dele, para me defender, mas ele era protegido pelo seu amigo. Nas terças e quintas, era a minha vez de bater nele e na natação não tinha ninguém que o defendia, mas no mesmo dia, um pouco mais a tarde, era a minha vez de apanhar na escola, do seu amigo, que era maior que eu.

Na sala de aula, o Tadeu sentava ao meu lado, era um inferno declarado, o cara não me dava sossego. Certa vez, quando ele estava voltado da mesa da professora, eu coloquei um lápis com a ponta bem apontada para furar a bunda dele, ele sentou e gritou. Ele estava com uma calça de helanca e aquilo machucou e muito, ele perguntou:

- Porque você fez isso comigo? – perguntou.

- Sei lá, você não gosta de mim - respondi.

- Gosto sim, nos somos amigos – disse ainda fazendo cara de dor.

- Se gosta de mim, porque fica tirando o sarro e mexendo comigo? Eu não gosto disso – questionei.

Depois desse episodio, continuei sendo o “bicha” da escola, mas o Tadeu nunca mais me provocou. Continuamos na natação de terça e quinta e ele continuou sentando ao meu lado, na sala de aula e o seu amigo, da outra série, nunca mais me bateu.

Não consigo explicar a motivação do bullying. Na minha época fui desamparado por profissionais “habilitados” a formarem cidadãos e o caso da escola no bairro do Realengo, Rio de Janeiro, prova que esses profissionais continuam pecando nas atribuições do oficio de suas profissões. O Wellington Menezes, que hoje é repudiado pela sociedade, é nosso filho. Fomos nos que o criamos, o ensinamos a odiar e colocamos armas em suas mãos, fomos nos que o odiamos primeiro.

O Wellington tirou vidas, mas quantas vidas foram tiradas pelo bulliyng? Quantos homens e mulheres nesse mundo morreram em quartos escuros, isolados pela sociedade, pelo simples fato de serem diferentes. Não quero viver numa sociedade em tons pasteis, quero o verde, o vermelho, o preto e o amarelo compondo a nossa aquarela. Quero a diversidade interagindo na sociedade. Enquanto repudiarmos tudo o que vai em contramão ao que a “sociedade vigente” julga como padrão, vários “Wellingtons” se desabrocharam pelo mundo afora.

Talvez eu ainda seja um “cara estranho” e viva numa redoma de vidro, onde criei o meu mundo. Talvez essa redoma se tornou tão grande, com tantos integrantes, que virou um mundo de verdade, onde posso me articular com iguais. Os que não tem essa sorte, de viver num gueto que te abrigue, entra num estado de loucura, pois ninguém consegue viver sozinho. Sou favoravel aos guetos e tenho um sonho de que um dia ele se tornar tão grande ao ponto de se confundir com as barreiras da sociedade e que ninguém precise se incluir nesse gueto para ser aceito.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Os Filhos que Geramos

Assim como está amplamente sendo especulado pela mídia, eu também estou inquieto quanto a motivação do massacre ocorrido no dia de ontem em uma escola pública no Realengo, Rio de Janeiro.

Wellington Menezes de Oliveira tinha 23 anos e morava sozinho. Ultimamente tinha hábitos estranhos e andava de preto. O mundo dele era internet e gostava de jogos: diz um vizinho na TV. E antes do ataque deixou carta com teor religioso. Considerado tranquilo e tímido matou mais meninas do que meninos - o que pode demostrar um perfil psicológico de alguém que já sofreu rejeição por mulheres.

Ninguém opta pelo descaso, ninguém é reservado por mero capricho. Não estou defendendo Wellington, muito menos validando a sua atitude, apenas quero chamar a atenção que o Wellington também era um “brasileirinho” que teve a sua vida interrompida. Assim como das vitimas que ele brutalmente assassinou, os seus sonhos também foram enterrados e interrompidos. E qual é a parte que nos toca? Nos, como sociedade organizada, em que momento criamos o Wellington e quantos Wellingtons Brasil afora estamos criando?

Um dia depois do massacre na escola, surgem indícios de que o bullying é um dos fatores contribuintes para o crime. Colegas de classe afirmaram que Wellington Menezes, ex-aluno da escola Tasso da Silveira, era vítima de bullying e que um colega chegou a fazer a macabra previsão de que um dia ele "mataria muita gente". Do fato que ganhou manchetes em jornais do Mundo inteiro, podemos destacar que Wellington era virgem, algo pouco comum para um jovem de 23 anos e que o seu alvo eram mulheres. Talvez uma rejeição sexual ou até mesmo a sua introspecção na vida social, desencadeou tudo isso.

A escola tem um caráter sociabilizador e é dever da mesma criar mecanismos que promovam as trocas de relações sociais. Não devemos procurar culpados para o que aconteceu, mas temos sim que levantar uma discussão e analisarmos onde foi que a sociedade errou. Qual o papel que familiares, amigos e sociedade civil deveria desenvolver para que crimes tão cruéis como esse sejam evitados.

O caso do massacre do escola no Realengo me vez lembrar o caso do adolescente americano que se suicidou por conta do bullying que vinha sofrendo. Tyler Clementi tinha 20 anos, era estudando e violinista, morava no dormitório de uma faculdade no Estado de Nova Jersey. Ele dividia o quarto com Dharum Ravi, para quem pediu um pouco de privacidade. Ravi saiu, mas deixou uma webcam ligada, gravando tudo o que acontecia no quarto, com as imagens sendo exibidas ao vivo por um site de internet. As imagens gravadas mostravam Tyler beijando outro homem.

No Twitter, Dharun assumiu a autoria do vídeo e publicou no dia 19 de setembro a mensagem “Eu o vi transando com outro cara”, referindo-se a Tyler Clementi, seu colega de quarto. Três dias depois, humilhado e com sua orientação sexual exposta, Tyler colocou uma mensagem em sua página do Facebook que dizia “jumping off gw bridge sorry” (saltando da ponte george washington sinto muito).

Tyler Clementi quando publicou no seu facebook que saltaria da ponte George Washington, estava decidido a morrer e não tinha mais nada a perder, na sua visão, tudo o que ele tinha, foi tirado com a propagação do bullying. A atitude de Tyler poderia ser outra, ele poderia entrar fortemente armado no campus da universidade e tirar a vida daqueles que tiraram sua privacidade e “dignidade”.

Nos Estados Unidos, uma campanha chamada "It gets better" - que em português significa: "Isso melhora", foi lançada no ano passado. Artistas da Brodway também aderiram a campanha e lançaram um clip que leva o mesmo nome da campanha. Em forma de música, eles dizem: "Quando você se sentir sozinho e o mundo se mostrar cheio de ódio, isso não é o fim".

A música diz: "Isso melhora, melhora, melhora/ a dor vai sumir, sumir, sumir /se você cair, apenas levante, levante, levante / porque existe um outro jeito / Isso melhora, melhora, melhora / o mundo fica mais leve, leve, leve / então, seja um lutador, lutador, lutador / apenas viva para ver esse dia.” Talvez faltou alguém ou faltaram políticas públicas aqui no Brasil para falar ao Wellington que “isso melhora, o mundo fica mais leve, então seja um lutador e apenas viva para ver esse dia.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Alguns Desejos

Gostaria que muitas das verdades que presencio, fossem mentiras. Gostaria que o Brasil fosse um país livre de homofobia, gostaria de ir além e desejar que não houvesse homofobia em nenhuma parte do mundo. Gostaria que o amor fosse um sentimento mais recorrente. Gostaria que as juras de amor não se limitassem apenas aos momentos vividos e que fossem de fato para toda a vida.

Gostaria que o Deputado Jair Bolsonaro não existisse. Assim como gostaria que não houvesse fundamentalismo barato na política brasileira e que a laicidade fosse algo que existisse de fato. Gostaria que todos respeitassem a religião do próximo, que evangélicos, católicos e espiritas encontrassem um equilíbrio melhor para se articularem entre si.

Gostaria que essa estranha sensação de incomodo, sem motivo aparente, não existisse. Gostaria que a felicidade fosse algo pleno e vivido por todos. Gostaria que todos sentissem o privilegio de amar e ser amado. Gostaria que fosse mentira que a pessoa que eu mais amei nesse mundo, foi a que mais me prejudicou.

Gostaria que as pessoas fossem comprometidas com a verdade, não importando o quanto ela doesse. Gostaria que as pessoas não se sentisse na obrigação de provar nada para ninguém. Gostaria que as mentiras fossem silenciadas, até mesmo aquelas contadas para proteger algo ou alguém. Gostaria que quando uma verdade não coubesse num contexto, todos optassem pelo silêncio.