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domingo, 19 de abril de 2015

Sinfonia da Vida

Morei por algum tempo no Bairro do Pari, bem ao lado de uma Igreja Congregação Cristã. Adorava acordar aos domingos, pela manhã, com a orquestra da igreja ensaiando. Achava tudo aquilo harmonioso. Trompetes, clarinetas, violinos, saxofones e tantos outros instrumentos, como se fosse um só, tocando a mesma sinfonia, o mesmo ritmo, todos sincronizados no mesmo tempo.

A música tem um caráter renovador, sua magia tem o poder de emocionar e transformar até os corações mais enjaulados. Tentei inserir a música em minha vida, por algum tempo fiz aulas de saxofone e descobri que música é para quem tem o dom e passei a admirar ainda mais quem tem sucesso com essa arte.

Depois, trabalhei por algum tempo na Secretaria de Estado da Cultura, localizada na Sala São Paulo, sede da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo – OSESP. Costuma almoçar no restaurante da Sala São Paulo e adorava quando o horário coincidia com os ensaios da orquestra. No prédio, a OSESP colocava várias placas pedindo silêncio, nem precisava, ninguém seria capaz de interromper toda aquela maravilhava que emanava naquele prédio.

Assisti alguns concertos na Sala São Paulo, um deles foi com a minha irmã, quando a Maestrina Marin Alsop assumiu a direção da orquestra. Foi um momento mágico e emocionante, principalmente quando tocou “Fantasia”, uma das composições mais lindas da música clássica.

No primeiro andar da Secretaria de Cultura, dá para ouvir a orquestra ensaiando e trabalhar naquele lugar era sempre uma surpresa muito boa, a entrada de todas as estações do ano sempre eram saudadas com um concerto e os maestros faziam questão de interagir com os funcionário, teve uma vez que eu pedi para ele tocar a música “Viva La Vida”, do Cold Play.

Também vejo nossas vidas como uma grande sinfonia, onde nos somos os instrumentos, tocando no nosso ritmo, de acordo com o nosso entusiasmo. O maestro é sempre um ser oculto, a própria vida, que nem sempre dá o tom da melodia e está lá para colocar ritmo... Esse papel é nosso, junto com os outros instrumentos que nos rodeiam. 

Colocar ritmo na sinfonia da vida não é um trabalho fácil, tem que ter vontades bilaterais, trilaterais ou quadrilaterais, tudo dependo do tipo de relacionamento que estamos construindo e nem sempre todos os instrumentos estão vivendo aquele ritmo, compactuando da mesma motivação.

Às vezes a sinfonia é tão forte, que toca em nossas almas, mas será se tocou da mesma forma no outro? Não sabemos e talvez nem seja o nosso papel tentar descobrir ou impor o mesmo ritmo que estamos vivendo ou almejando viver, no outro. Sinfonia boa é aquela que deciframos no olhar, no tocar dos lábios e abraçar das almas, aquela que mesmo sem regente ou maestro, entramos no ritmo mais uniforme e coeso, tão arrebatador como os ensaios da igreja vizinha da minha casa ou da Sala São Paulo.

Quero viver uma sinfonia tão linda e marcante, como a “Fantasia”, tocada na ocasião que a Maestrina Marin Alsop assumiu a OSESP, uma sinfonia calma, tranqüila e arrebatadora, mas nos momentos certos tem suas explosões, levando aos mais diversos sentimentos , nos proporcionando sensações indescritíveis. Gostaria muito que a vida me presenteasse com a possibilidade de reviver algumas sinfonias, que naquele momento havia ritmo, mas não a motivação. Talvez também seja nosso papel motivar o ritmo alheio, ou talvez, temos que esperar a vida, nossa grande maestrina, trazer outras sinfonias.

sábado, 23 de abril de 2011

O Capitalismo do Amor

Descobri que não sei absolutamente nada sobre o amor. Descobri que ninguém sabe o suficiente sobre esse sentimento tão arrebatador e devastador. Amor para mim é entrega, companheirismo, compaixão, amizade… Quando amamos, nossa vida se confunde com outra, nossos compromissos são bilaterais e você se torna a pessoa mais boba, chata e impertinente do Mundo.

Amar é algo muito sério, não é para qualquer um. Brincar de amor, nem pensar, isso é muito perigoso e o final, com certeza será desastroso. Quando amamos, tornamos parcialmente responsável pela vida de outra pessoa, da parte da vida que essa pessoas nos confiou, o seu coração. Somos o guardião “permanente”, até que o “pra sempre” termine, dos sentimentos que tange o campo das relações afetivas desse outro alguém.

Amar é algo estranho. O ser humano é um bicho estranho, talvez o mais estranho entre os outros animais. Dizem que a inteligência nos diferencia dos outros animais, a nossa capacidade de pensar. Mas de fato, somos os únicos que destruímos outros seres da nossa espécie. Não pensamos, não assimilamos antes de destruir outras vidas, ou pior, fazemos tudo de forma premeditada, ferramos a vida de outros por mero capricho. Tudo porque temos a capacidade de pensar ou de nos ausentar dessa condição.

Não sei pelo o que nos apaixonamos… Muitas das vezes o objeto do nosso amor não existe, nos apaixonamos pelo o que criamos, pelas características que achamos graça e que com o decorrer do tempo começa nos irritar e aquela pessoa, pela qual você um dia jurou passar o resto de sua vida, acaba se tornando insuportável. Muitas das vezes, nos apaixonamos pela pessoas que construímos, por algo que fisicamente não existe.

Somos consumistas ao extremo e ai está o sucesso do capitalismo no Mundo. Temos diferentes motivações para nos levantarmos de manhã e ir a luta, mas tudo se resume ao consumo. Trabalhamos porque temos que ganhar dinheiro e consumir e o amor funciona da mesma forma. Queremos consumir uma pessoa inteligente, um cara com dinheiro, que anda na moda e que nos faz rir. Queremos consumir uma moça bem educada, que fala vários idiomas, que já viajou para vários países, que é sensível, sexy e bem sucedida. O amor se tornou uma moeda de troca e quem tem mais a oferecer, consegue a melhor oferta.

Passamos a vida inteira consumindo, comprando roupas, sapatos, aparelhos eletrônicos e coisas que nunca iremos descobrir uma utilidade prática. Com o tempo cansamos de tudo aquilo, aparece novidades e sentimos a necessidade de trocar, de consumir mais e aquele objeto de desejo, que pagamos com tanto sacrifício, vai parar no eBay, pois ele já foi substituído por outro novo, que será pago no cartão, em 10 vezes.

Começamos olhar as fotos e desacreditamos que um dia tivemos cabelo skatista, que usávamos calça bag e que íamos para escola com tênis conga. Da mesma forma funciona com quem nos relacionamos, olhamos pra trás e desacreditamos que um dia fomos capazes de “usar” aquela pessoa. Na verdade nunca estamos satisfeitos com o que temos e estamos em constantes mudanças e como ninguém é igual a ninguém, com o tempo os objetivos são reavaliados e o laços que uniam aquelas pessoas são desatados.

A maioria dos casais que permanecem juntos, aqueles que vencem a barreira da vida, apenas cumprem as convenções sociais. Alguns são amigos de verdade e de fato uma separação seria impossível, mas muitos, a grande maioria, ficam juntos por outros fatores que não é o amor, as vezes por despeito. Gosto muito da música “Senhora e Senhor” do Titãs, ela expressa bem o que eu quero dizer.
Veja só o que restou, do nosso caso de amor. Uma casa com varanda e um jardim que não dá flor. Uma geladeira cheia de comidas sem sabor, um programa interminável diante do televisor, uma lâmpada queimada no lustre do corredor... O pensamento distante para evitar a dor, o olhar tão desbotado que já não distingue cor, velhas rugas escondidas debaixo do cobertor. Saudades, indiferença, decadência e mau humor. Tratamento respeitável de senhora e senhor.
Passamos boa parte de nossas vidas com uma pessoa e não conseguimos deixa-lá porque nos apegamos ao que ela foi um dia ou a imagem que construímos. Passamos a viver um amor amargurado por conta de um passado feliz e que muitas das vezes nem foi tão feliz assim. Jogamos toda a nossa vida fora por conta de um bom sexo que tivemos um dia ou por conta de bens materiais que foram adquiridos ao longo dos anos. Definitivamente, quando isso acontece, é melhor aderir ao capitalismo do amor, cadastrar o velho no eBay e tentar sentir aquele sentimento de novo, ou vamos viver como “senhora e senhor”.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

A Necessidade da Inclusão

- Na minha escola tem um menino que ninguém gosta dele – disse a minha sobrinha.

- E porque ninguém gosta dele? – perguntei.

- Porque ele é gay – respondeu. Aquilo deu um play num filme da história da minha vida, lembrei de dias difíceis que passei no colégio, onde era conhecido como “Marcos Viadinho”.

- Você não deve se afastar de ninguém por conta disso – aconselhei.

- Não, eu sou amiga dele, fico conversando com ele no intervalo – respondeu minha sobrinha.

Começaram a chamar minha sobrinha de “sapatão”, por ser amiga do “viadinho” da escola. Ela partiu em defesa dela e do menino, dizendo que não era pelo fato dela ser amiga dele, que ela era “sapatão”. Senti orgulho da minha sobrinha, que mesmo sendo hostilizada por ser amiga do menino, não se intimidou e continuou sendo amiga dele.

Disse no post “Os Filhos que Geramos” que “ninguém opta pelo descaso, ninguém é reservado por mero capricho”. Quantas pessoas que hoje são reservadas, que foram reservadas pela sociedade, por escolas que não cumpriram o seu compromisso didático de proporcionar a aceitação das diferenças.

Em todas as escolas existe um, ou vários “Wellingtons”, menino reservado, com sexualidade duvidosa e que se prende no “seu mundo”. O mundo exterior acaba tornando-se dolorido demais, é quase impossível chegar na roda onde estão as pessoas mais descoladas da escola e dizer “olá”. O que fazer diante disso? Ficar numa redoma de vidro, onde ninguém te atinge e lá dentro você dá as regras, as suas regras que você irá obedecer, pois é o seu “mundo particular”.

Eu já fui o “Wellington”, já fui o cara estranho da escola, que torcia para não haver intervalos, pois estava cansando das hostilizações que eram expostos e que supervisores, professores e diretores escolares faziam vistas grossas. Eu já fui o garoto que era deixado de lado e que apenas algumas meninas conversavam comigo.

Na minha sala tinha o Tadeu, ele fazia natação de terça e quinta comigo e numa outra sala , umas duas sérias acima da nossa, havia um amigo dele. O Tadeu foi um dos que mais promoveu bullying comigo. Ele me chamada de “bicha” e  me batia na escola, ele era menor que eu e eu naturalmente ia pra cima dele, para me defender, mas ele era protegido pelo seu amigo. Nas terças e quintas, era a minha vez de bater nele e na natação não tinha ninguém que o defendia, mas no mesmo dia, um pouco mais a tarde, era a minha vez de apanhar na escola, do seu amigo, que era maior que eu.

Na sala de aula, o Tadeu sentava ao meu lado, era um inferno declarado, o cara não me dava sossego. Certa vez, quando ele estava voltado da mesa da professora, eu coloquei um lápis com a ponta bem apontada para furar a bunda dele, ele sentou e gritou. Ele estava com uma calça de helanca e aquilo machucou e muito, ele perguntou:

- Porque você fez isso comigo? – perguntou.

- Sei lá, você não gosta de mim - respondi.

- Gosto sim, nos somos amigos – disse ainda fazendo cara de dor.

- Se gosta de mim, porque fica tirando o sarro e mexendo comigo? Eu não gosto disso – questionei.

Depois desse episodio, continuei sendo o “bicha” da escola, mas o Tadeu nunca mais me provocou. Continuamos na natação de terça e quinta e ele continuou sentando ao meu lado, na sala de aula e o seu amigo, da outra série, nunca mais me bateu.

Não consigo explicar a motivação do bullying. Na minha época fui desamparado por profissionais “habilitados” a formarem cidadãos e o caso da escola no bairro do Realengo, Rio de Janeiro, prova que esses profissionais continuam pecando nas atribuições do oficio de suas profissões. O Wellington Menezes, que hoje é repudiado pela sociedade, é nosso filho. Fomos nos que o criamos, o ensinamos a odiar e colocamos armas em suas mãos, fomos nos que o odiamos primeiro.

O Wellington tirou vidas, mas quantas vidas foram tiradas pelo bulliyng? Quantos homens e mulheres nesse mundo morreram em quartos escuros, isolados pela sociedade, pelo simples fato de serem diferentes. Não quero viver numa sociedade em tons pasteis, quero o verde, o vermelho, o preto e o amarelo compondo a nossa aquarela. Quero a diversidade interagindo na sociedade. Enquanto repudiarmos tudo o que vai em contramão ao que a “sociedade vigente” julga como padrão, vários “Wellingtons” se desabrocharam pelo mundo afora.

Talvez eu ainda seja um “cara estranho” e viva numa redoma de vidro, onde criei o meu mundo. Talvez essa redoma se tornou tão grande, com tantos integrantes, que virou um mundo de verdade, onde posso me articular com iguais. Os que não tem essa sorte, de viver num gueto que te abrigue, entra num estado de loucura, pois ninguém consegue viver sozinho. Sou favoravel aos guetos e tenho um sonho de que um dia ele se tornar tão grande ao ponto de se confundir com as barreiras da sociedade e que ninguém precise se incluir nesse gueto para ser aceito.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Os Filhos que Geramos

Assim como está amplamente sendo especulado pela mídia, eu também estou inquieto quanto a motivação do massacre ocorrido no dia de ontem em uma escola pública no Realengo, Rio de Janeiro.

Wellington Menezes de Oliveira tinha 23 anos e morava sozinho. Ultimamente tinha hábitos estranhos e andava de preto. O mundo dele era internet e gostava de jogos: diz um vizinho na TV. E antes do ataque deixou carta com teor religioso. Considerado tranquilo e tímido matou mais meninas do que meninos - o que pode demostrar um perfil psicológico de alguém que já sofreu rejeição por mulheres.

Ninguém opta pelo descaso, ninguém é reservado por mero capricho. Não estou defendendo Wellington, muito menos validando a sua atitude, apenas quero chamar a atenção que o Wellington também era um “brasileirinho” que teve a sua vida interrompida. Assim como das vitimas que ele brutalmente assassinou, os seus sonhos também foram enterrados e interrompidos. E qual é a parte que nos toca? Nos, como sociedade organizada, em que momento criamos o Wellington e quantos Wellingtons Brasil afora estamos criando?

Um dia depois do massacre na escola, surgem indícios de que o bullying é um dos fatores contribuintes para o crime. Colegas de classe afirmaram que Wellington Menezes, ex-aluno da escola Tasso da Silveira, era vítima de bullying e que um colega chegou a fazer a macabra previsão de que um dia ele "mataria muita gente". Do fato que ganhou manchetes em jornais do Mundo inteiro, podemos destacar que Wellington era virgem, algo pouco comum para um jovem de 23 anos e que o seu alvo eram mulheres. Talvez uma rejeição sexual ou até mesmo a sua introspecção na vida social, desencadeou tudo isso.

A escola tem um caráter sociabilizador e é dever da mesma criar mecanismos que promovam as trocas de relações sociais. Não devemos procurar culpados para o que aconteceu, mas temos sim que levantar uma discussão e analisarmos onde foi que a sociedade errou. Qual o papel que familiares, amigos e sociedade civil deveria desenvolver para que crimes tão cruéis como esse sejam evitados.

O caso do massacre do escola no Realengo me vez lembrar o caso do adolescente americano que se suicidou por conta do bullying que vinha sofrendo. Tyler Clementi tinha 20 anos, era estudando e violinista, morava no dormitório de uma faculdade no Estado de Nova Jersey. Ele dividia o quarto com Dharum Ravi, para quem pediu um pouco de privacidade. Ravi saiu, mas deixou uma webcam ligada, gravando tudo o que acontecia no quarto, com as imagens sendo exibidas ao vivo por um site de internet. As imagens gravadas mostravam Tyler beijando outro homem.

No Twitter, Dharun assumiu a autoria do vídeo e publicou no dia 19 de setembro a mensagem “Eu o vi transando com outro cara”, referindo-se a Tyler Clementi, seu colega de quarto. Três dias depois, humilhado e com sua orientação sexual exposta, Tyler colocou uma mensagem em sua página do Facebook que dizia “jumping off gw bridge sorry” (saltando da ponte george washington sinto muito).

Tyler Clementi quando publicou no seu facebook que saltaria da ponte George Washington, estava decidido a morrer e não tinha mais nada a perder, na sua visão, tudo o que ele tinha, foi tirado com a propagação do bullying. A atitude de Tyler poderia ser outra, ele poderia entrar fortemente armado no campus da universidade e tirar a vida daqueles que tiraram sua privacidade e “dignidade”.

Nos Estados Unidos, uma campanha chamada "It gets better" - que em português significa: "Isso melhora", foi lançada no ano passado. Artistas da Brodway também aderiram a campanha e lançaram um clip que leva o mesmo nome da campanha. Em forma de música, eles dizem: "Quando você se sentir sozinho e o mundo se mostrar cheio de ódio, isso não é o fim".

A música diz: "Isso melhora, melhora, melhora/ a dor vai sumir, sumir, sumir /se você cair, apenas levante, levante, levante / porque existe um outro jeito / Isso melhora, melhora, melhora / o mundo fica mais leve, leve, leve / então, seja um lutador, lutador, lutador / apenas viva para ver esse dia.” Talvez faltou alguém ou faltaram políticas públicas aqui no Brasil para falar ao Wellington que “isso melhora, o mundo fica mais leve, então seja um lutador e apenas viva para ver esse dia.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

O Fim está Próximo

Fim

Eu existo para assistir ao fim do mundo.
Não há outro espetáculo que me invoque.
Será uma festa prodigiosa, a única festa.
Ó meus amigos e comunicantes,
tudo o que acontece desde o princípio é a sua preparação.

Eu preciso assistir ao fim do mundo
para saber o que Deus quer comigo e com todos
e para saciar minha sede de teatro.
Preciso assistir ao julgamento universal,
ouvir os coros imensos,
as lamentações e as queixas de todos,
desde Adão até o último homem.

Eu existo para assistir ao fim do mundo,
eu existo para a visão beatífica.

Murilo Mendes
Um novo alerta apocalíptico chegou ao País com um aviso: o fim pode estar mais próximo do que se imagina. Um grupo cristão dos Estados Unidos, com representantes em Belo Horizonte, está rodando o Brasil para divulgar a tese de que o juízo final está marcado para 21 de maio - e não para 2012, segundo a popular profecia feita pelos maias.

Com propagandas até nas traseiras de ônibus, evangélicos da Family Radio fazem malabarismo com números e datas da Bíblia para garantir que há provas de que o mundo vai acabar nos próximos meses. No Rio, um grupo vestido de branco circulou pelas ruas do centro com placas que alertavam para o fim do mundo. Há semanas, ônibus regulares circulam com os enigmáticos dizeres "21/05/2011: Deus vai trazer o dia do julgamento".

A previsão bíblica foi interpretada pelo americano Harold Camping, responsável pela Family Radio, que tenta emplacar um apocalipse pela segunda vez em sua carreira de profeta. Nos anos 1990, ele publicou um livro em que dizia haver "alta probabilidade" de Cristo voltar à Terra em 6 de setembro de 1994 para julgar os homens. Um grupo se reuniu em uma cidade da Califórnia para esperar o evento.

Em Diadema, uma família de fanáticos religiosos desapareceu desde o último dia 13 de março. Pedro José Dias, sua esposa, Antônia Aparecida Gomes e os dois filhos, Henrique Gomes Dias e Thais Gomes Dias, teriam até rasgado dinheiro e todos os documentos antes de partir para uma viagem em rumo ao arrebatamento.

Pedro se modificou há cerca de seis meses, depois que mudou de religião e teve acesso a um DVD sobre o fim dos tempos. "Convencido pelo irmão, Pedro se tornou evangélico e passou a frequentar cultos na Praça da Sé. Pedro e o irmão não frequentavam nenhuma igreja específica, porém eles estavam lendo muito a bíblia nos últimos dias antes do desaparecimento. O arrebatamento estava marcado para o dia 14 de março às 14h, conforme previsto por Roberto Carlos da Silva, um líder religioso.

Minha mãe costumavc ouvir uma música chamada "Ano 2000", de uma cantora evangélica, a Mara Lima, que diz que não chegaríamos a virada do milênio. Lembro que eu dizia: “Mãe, essa cantora vai passar tanta vergonha”. Estamos em 2011 e acredito que a música “Ano 2000” até hoje causa náuseas na cantora Mara Lima. Não acredito que o mundo irá acabar, mas se eu fosse Deus, já teria acabado com essa palhaçada a muito tempo.

quinta-feira, 31 de março de 2011

A Maldição sobre a África

Em meio as polêmicas promovidas pelo Deputado Jair Bolsonaro (PP – RJ), chegou a vez do Pastor e também Deputado Marco Feliciano (PSC –SP) odiar, ofender, diminuir e denigrir em nome de Deus. Marco Feliciano publico hoje em seu twitter que os “africanos descendem de ancestral amaldiçoado por Noé. Isso é fato”.

Em outra postagem, Feliciano escreveu: “A maldição que Noé lança sobre seu neto, canaã, respinga sobre continente africano, daí a fome, pestes, doenças, guerras étnicas!”. Em um tweet que posteriormente foi removido, o deputado afirmou que a África sofre com a “maldição do paganismo, ocultismo, misérias, doenças oriundas de lá: ebola, aids (sic)”. Contra gays, o pastor tuitou: “Amamos os homossexuais mas abominamos suas praticas promiscuas!”. Antes dessa mensagem, ele já havia escrito: “Entre meus inimigos na net (sic), estão: satanistas, homoafetivos, macumbeiros...”

O caso envolvendo o deputado federal Marco Feliciano (PSC-SP), deverá será analisado pela Corregedoria da Câmara dos Deputados. A presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias, deputada Manuela d’Avila (PCdoB-RS), disse que irá encaminhar as mensagens do parlamentar para o órgão. Marco Feliciano foi eleito deputado federal nas eleições do ano passado, com mais de 211 mil votos e tem mais de 30 mil seguidores no Twitter.

Acredito sim que a África é amaldiçoada e quem jogou essa maldição foram os que colonizaram e escravizaram aquele continente.  O “mundo branco” tem uma dívida muito grande com a África e ao invés de paga-lá, continuamos os escravizando quando não damos acesso a cultura, emprego e renda. Escravizamos os negros quando inferiorizamos sua cultura e pejoramos suas religiões. Temos uma grande dívida com a África e não paga-lá é sinal que eles ainda são escravos da nossa cultura.

Tenho vergonha de viver num país que discute a questão da cota racial. Sou contra a questão da cota, mas numa questão emergencial, é a única solução que nos resta. Todos deveriam ter pleno acesso a educação, que por sua vez abre portas para outras conquistas. Como temos uma divida muito grande com os negros desse país, a questão da cota é muito pouco, deveríamos oferecer mais. Temos que pedir perdão para o povo negro e não sair falando de peito aberto que eles são um povo amaldiçoado.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Entre o Bem e o Mal

Quando estava indo para São Paulo, um amigo que estava comigo ao telefone me disse: Marcos, você é muito ingênuo, acredita demais nas pessoas, é fácil te dobrar. Não seria tão trágico, se eu não validasse todas as palavras do meu amigo. Pensei e disse: Tenho que me cercar de pessoas do bem. Mas agora, refletindo, vejo que tal meta é impossível. Num mundo com tantas diferenças e adversidades, nunca nos cercaremos apenas por pessoas do bem.

Outra amiga sempre me diz: O bem e o mal sempre estão em conflito, uma hora uma das forças irá vencer. Espero que na minha vida vença o bem, espero sempre optar pelo bem. Ainda hoje, depois de cumprir com o meus compromissos em São Paulo, fui tomar um café com um amigo. No meio da conversa, ele me interrompe e diz: Marcos, você é muito bonzinho, no seu lugar eu já teria @%#)!% com tudo.

Será se o problema é comigo mesmo, ou os valores sociais estão invertidos. Porque não acreditar numa pessoa até que ela nos de motivos e respaldos para não acreditar? Hoje, um turbilhão de emoções veio a tona, por diversos motivos. Tudo seria mais fácil se o bom senso prevalecesse e se as pessoas fossem mais sinceras uma com as outras. Tudo seria mais fácil se fossemos mais coerentes com o nosso discurso.

Fato é: estamos no Mundo e é tarde demais, uma hora ou outro seremos atingidos por fatos e situações que nos desconcertam. Optarei sempre pelo bem, mesmo que em meios as minhas escolhas eu seja rotulado de bobo, bonzinho e maleável. Se esperei quase um ano para tomar uma inciativa que muitos tomariam em dias ou meses, é porque esse é o meu tempo e prefiro esgotar todas as alternativas que me impactem positivamente, para depois tomar as atitudes mais agressivas.

domingo, 13 de março de 2011

Os Extremos do Amor e do Ódio

Sempre fiquei confuso com as brigas que os casais travam na justiça dizendo “isso aqui é meu”, “isso aqui não é seu”,  “foi eu quem construí” e “só eu tenho direito nisso”. Tudo isso é medonho, viver num mundo onde precisamos de advogados, é medonho. Esquecer toda uma vida que foi construida junto com outra pessoa e lavar roupa suja num tribunal, é algo lamentável, mas quando as situações são levadas nas ultimas consequências e o bom senso não prevalece, é a única alternativa que nos restam.

Não entendo o porque algumas pessoas permanecem juntas por tanto tempo, é algo insano. Será despeito? Vejo tantos casais, que estão juntos há 30, 40 anos e que o amor se perdeu pelo caminho. Onde foi parar esse amor? Onde se perderam as juras de amor que foram feitas na presença de amigos e entes querido? Tudo isso me leva a acreditar que os nossos modelos sociais estão falidos e vivemos num comportamento condicionado, aprendido e repetido ao longo dos tempos.

Por 7 anos, jurei que amava uma pessoa que estava ao meu lado, hoje me pergunto: Onde foi parar esse amor? Porque fiquei tanto tempo com um pessoa que hoje – se não fosse por algumas pendências – não representa nada pra mim. Acredito que nos inflamamos com as relações sociais, com mecanismos que tem por finalidade doutrinar o ser humano, estabelecendo valores sociais que na realidade não faz parte da natureza humana.
A gente destrói aquilo que mais ama
Em campo aberto, ou numa emboscada;
Alguns com a leveza do carinho
Outros com a dureza da palavra;
Os covardes destroem com um beijo
Os valentes destroem com a espada.
Mas a gente sempre destrói aquilo que mais ama.
O amor e o ódio caminham juntos e nem sempre é uma via de mão dupla, muitos dizem que são dois extremos e que na verdade são os mesmos sentimentos. Se assim for: não é “natural” amar e nem odiar. Dizem que a sabedoria está no meio. Entre o amor e o ódio, temos que encontrar um meio terno para não sobrecarregarmos os extremos, caso contrário, destruiremos o que – na verdade -  mais amamos.

segunda-feira, 7 de março de 2011

Confesso

Confesso que sou bem maior do que aparento ser.  Confesso que aquele garoto, que brincava de bolinha de gude, nas ruas de Santo André, ainda existe e não se cansa de brincar. Confesso que deveria ser menos emotivo, mas também confesso que a minha emoção não é sinal de fraqueza, mas sim sinal de humanidade, sinalizando que existe vida dentro de um corpo.

Confesso que tenho poucos e bons amigos e que tais são os meus irmãos escolhidos a dedo. Confesso que passei toda a minha infância e adolescência me perguntando o porque eu não tinha um irmão. Confesso que quando criança sempre tive um melhor amigo e alguns desses amigos estão comigo até hoje.

Confesso que nunca fui um bom aluno, sempre estudei no dia das provas, mas quando eu entrava na sala de aula, era para assistir aula de verdade. Confesso que nunca fui bom em exatas, na verdade esse problema é bem maior, não concordo com nada muito definido, explicar os fatos com precisão matemática, não é comigo.

Confesso que já amei e fui amado. Confesso que amo a minha família acima de todas as coisas. Confesso que acreditava que o meu pai era um super herói, hoje confesso que ele é um grande homem. Confesso que acreditava que a minha mãe era detentora de toda a sabedoria do mundo, hoje confesso que preciso de poucas palavras proferidas por ela para tornar o meu dia muito melhor.

Confesso que passei boa parte da minha vida procurando um grande amor. Confesso que ainda procuro um grande amor. Confesso que já me apaixonei por pessoas que encontrei nos vagões de trens e me decepcionei quando chegou a próxima estação. Confesso que os relacionamentos instantâneos praticados nos elevadores me incomoda e que as risadinhas mostrando o quão estamos sem graça é algo ultrapassado.

Confesso que a música é a arte que mais me emotiva. Confesso que já chorei, xinguei, praguejei e fiz amor ouvindo boas canções. Confesso que a poesia me arrebatada. Confesso que já recebi e escrevi cartas de amor. Confesso que não guardei nenhuma dessas cartas de amor, mas também confesso que todos os momentos estão guardados no meu coração.

Confesso que tenho vergonha de alguns dos meus atos, confesso que tenho orgulho de outros. Confesso que da minha boca já saíram palavras que não ouço pronunciar novamente. Confesso que já tive vontade de matar. Confesso que tenho muitos mais do que precisaria ter. Confesso que ainda tenho muito a confessar e que quando olho pra trás, sou bem menor do que aparento ser.

sábado, 5 de março de 2011

Rachel Sheherazade Esperando a Quarta-Feira de Cinzas

Discordo de vários pontos levantados pela jornalista Rachel Sheherazade, é obvio que boa parte dos lucros provenientes das micaretas de carnaval vão para os cofres das cervejarias e promotoras de eventos, mas por outro lado, tais empresas são geradoras de emprego e renda e estão inseridas no processo econômico. Podemos abrir um parênteses e dizer que no Brasil temos um sério problema de distribuição de renda, mas não podemos desdenhar o “up econômico” que as “festas populares” geram em nossa economia.

O comentário de Rachel serve como base para todos os comentários dos grandes eventos que acontecem no Brasil. Podemos dizer que a Parada Gay é uma farsa e que por detrás da luta pelos diretos homoafetivos, estão as empresas de trio elétrico, os grandes patrocinadores e as grandes redes de hotéis lucrando alto com isso. Sim, podemos dizer isso, da mesma forma que podemos falar do Natal, do Dia das Mães, do GP de Formula 1 e por ai em diante.

Vivemos num mundo capitalista e onde houver oportunidade de maximização de lucros, ele acontecerá. Dizer que as classes C, D e E não lucram com isso, é um absurdo. Vamos perguntar se o vendedor de latinhas e churrasquinho da esquina está satisfeito? No carnaval, na Parada Gay e em tantas outras festas populares, podem ter certeza que a mesa desse vendedor ambulante fica mais farta. A festa maior é dos mais ricos, não posso negar, mas essa é uma questão mais ampla, que tem que ser fortemente discutida por nossos parlamentares. O Brasil é um dos países com a maior concentração de renda e precisamos de politicas econômicas que distribuam as nossas riquezas de forma mais justa e igualitária.

Rachel Sheherazade tocou num ponto muito importante, que eu não posso discordar, que é a questão das serviços públicos se voltarem para as grandes festividades e no nosso dia-a-dia sentimos a ausência dos mesmos. Da mesma forma que o serviço se democratiza nos locais onde a economia gira nos períodos de grandes festividades, esse serviço também tem que estar presente no nosso cotidiano.

Talvez o velhinho do interior, que tem que ser transportado para outra cidade para a realização de exames, não tem uma tributação que justifique o serviço público inclinado para as suas necessidades, nesse ponto voltamos para a questão da má distribuição de renda, o Estado tem que arrecadar, em momentos como o Carnaval e distribuir essa renda de forma democrática, analisando as necessidades de cada região e favorecendo os menos abastados dessa nação. Que venha o Carnaval, a Parada Gay, a Festa de São João e Boi Bumba e que paralelamente a todas essa festas, que venham politicas econômicas inclinadas para a necessidade do nosso país.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

O bom de 2010 foi…

Em 2010 trabalhei um pouco os meus limites, aprendi lições duras e que significaram a minha vida para sempre. O bom de 2010 é que passou e me tornou uma pessoa melhor. 2010 foi o ano que perdi e encontrei um grande amor, me encontrei comigo mesmo, por muito tempo me perdi e me anulei, colocando-me em segundo plano, em 2010 aprendi a me amar e a pedir perdão.

Perdi coisas valiosas em 2010, mas em contrapartida me encontrei em meio aos destroços envoltos de minha vida. Hoje sou um ser humano mais forte e posso dizer com toda firmeza que 2010 foi um dos melhores anos da minha vida, foi o primeiro ano do resto da minha vida.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Em 2010 eu tentei…

Namorei com o Douglas por 7 anos, nesse meio tempo tivemos as nossas diferenças, nossas brigas, mas nunca nos separamos de forma radical. Quando brigávamos e revogávamos o titulo de namorados, continuávamos nos encontrando, saindo de balada, indo ao cinema, beijando e as vezes transando. De fato não eram separações e sim brigas que com o tempo víamos que continuávamos juntos e voltávamos com o titulo de namorados.

Nesse ano tentei, ou melhor, tentamos dar um passo mais sério nessa relação e juntos compramos um apartamento. Três meses se passaram e terminamos. Não me arrependo de ter tentado, pois se não tivesse, jamais saberia se daria certo, se realmente ele era o homem da minha vida.

Nossa decisão acarretou um preço alto para ambos, que estamos pagando e resolvendo. Tudo tem começo, meio e fim, as relações se estabelecem e se findam, mas depois de tudo fica um aprendizado e nos nossos próximos relacionamentos procuramos não cometer os mesmo erros. Nessa história, apenas lamento por não termos dito maturidade para continuarmos sendo amigos.

#MemeDasAntigas – Um Inventário de 2010.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Peraí... 2010 tá acabando?

Graças a Deus que 2010 está no fim e  não me deixará saudades.  Uma das minhas metas para 2011 é esquecer tudo o que aconteceu em 2010. Nesse ano, fiquei frente a frente com alguns dos meus maiores medos, os enfrentei e paguei caro por isso. Não me arrependo, mas espero que 2011 seja diferente, mais ameno e feliz.

Amei, odiei e fui odiado, por alguns motivos, não sei se posso dizer que fui amado. Em 2010, descobri que o verdadeiro amor é aquele que está dentro de nos, pois tudo que é exterior, não nos pertence, é corrompido e a traça do Mundo se encarrega em destruir. Aprendi a me amar e respeitar, pois em meio a dor descobri que se a predisposição de me amar não partir de mim mesmo, não serei amado por ninguém.

2010 está indo embora e quero que leve consigo todas as as lembranças de um amor antigo, que me fez sofrer, que várias vezes me provou que amar não vale e pena e outras vezes provou que amar a nos mesmo tem que estar acima de todos as coisas. Não acredito que o amar a nos mesmo tem que estar acima de tudo, somos responsáveis pelas pessoas que nos rodeiam e nunca, em hipótese alguma, podemos causar mal, dor e estrago a vida alheia.

O término de 2010 soa como o fim de um ciclo ruim, talvez o pior que enfrentei nesses meus poucos e longos 29 anos. Dizem que estou no “retorno de saturno” e com a  sua vinda, um ciclo se fecha, para dar espaço a outro ciclo, marcado por conquistas mais palpáveis e trazendo uma fase de mais responsabilidade. Tudo isso faz sentido, em 2010 percebi que pouco fiz para a minha vida, aliás, fiz muito, me diverti bastante, mas foi só isso e sei que preciso de mais. Em 2011 resolvo isso, pois em 2010, a única coisa que quero e espero é que ele acabe logo.


#MemeDasAntigas – Um Inventário de 2010.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Muitos Mortos para nos Responsabilizarmos

Todos nos temos uma cota de mortos para nos responsabilizarmos. Se hoje estamos vivos, isso significa que tivemos que matar todos os nossos opositores para chegar onde estamos. Civilizações se opuseram a outras e no final, os vencedores dominaram os oprimidos. Em nome da sociedade moderna, muitas vidas foram ceifadas, para dar lugar as novas ideologias. Nesse jogo, não cabe discussões, quando paravam para discutir, os que postergavam o renovo, se davam por vencidos e a guerra se definia.

O país que eu vivo, descoberto pela civilização por Pedro Álvares Cabral, massacrou os primitivos que aqui existiam, acabando com todas as suas origens e cultura. O fator de dominação sempre é a religião e língua e essas foram as primeiras inserções que os jesuítas impuseram aos índios, os que resistiam as mudanças, pagavam com vida, os que se davam por vencidos, pagaram com a morte social. Antes mesmo de nascermos, nossas mãos são sujas com o sangue dos oprimidos.

O número de mortos que muitos acreditam que devem chorar, na realidade é muito maior. Temos que chorar pelos escravos, que morreram nesse país em nome da ganância e maximização de renda dos meus ancestrais que vieram da Europa para sugar o que havia de melhor nessa terra. Temos que chorar pelos crimes políticos da época da ditadura, cometidos por aqueles que queriam permanecer no poder a qualquer custo. Temos que chorar pelas mulheres que não se conformaram com suas vidas ritmadas e se rebelaram em nome da liberdade feminina e morreram nas mãos do machismo. Temos que chorar pelos milhares de gays que se opuseram mundo afora em nome da liberdade sexual e suas vidas foram ceifadas em nome de um fundamentalismo barato e medonho. Nossos mortos são multiplicados e não faço a mínima ideia de qual seja o coeficiente para chegar num número aproximado.

Mais de 2000 mil anos se passaram desde que um homem que tinha uma ideologia que fugia da dos que estavam no poder foi crucificado. No decorrer da história tivemos outros mortos, entre eles Joana D'arc, Martinho Lutero e tantos outros que se opuseram a norma vigente. O poder não aceita contestações e a forma de pronunciamento compactuado, chamamos de democracia. Continuamos a matar e assim será até o fim da nossa civilização, até todos nós nos matarmos, extinguindo por completo a vida humana e os fatores primordiais para a manutenção de nossa existência.

Certa vez um amigo me disse que "para continuar, tenho que matar o meu pai", não esbocei reação alguma e continuei a ouvi-lo: "meu terapeuta disse que se eu não me livrar do monstro do meu pai, eu não conseguirei continuar vivendo". São muitos os que temos que matar socialmente para continuarmos a viver em harmonia. Eu tenho que matar alguns, mas tudo tem que ser no momento exato, muitas das vezes precisamos daquela pessoa viva, para nos dar forçar a continuar e nos alimentar para mata-las. Para matarmos alguém de nossas vidas, precisamos de forças, muita força e depois que as matamos, assim como a Fênix renasce das cinzas, nos também renascemos e alçamos voos ainda mais altos que os dados anteriormente.

No filme "Como Esquecer", Júlia (Ana Paula Arósia) teve que matar sua ex-namorada, a Antônia (personagem oculta), antes de tal morte, ela não obteve êxito em suas tentativas de continuar a viver. No filme, Júlia andava no meio da multidão, derepente parou, olhou para trás, olhou novamente, continuou a andar e sorriu. Ela teve que olhar duas vezes para reconhecer a Antônia e apartir daquele momento ela continuou a viver, Antônia estava morta para ela e o não reconhecimento da mesma de imediato, significou o cerimonial de enterro que devemos cumprir socialmente. Quando não enterramos alguém, nem que tal cerimonia seja um ato simbólico, o fantasma daquele morto continuará a nos assombrar.

Muita das vezes, também temos que matar um pouco de nos para continuarmos a viver. A águia, a ave que voa mais alto, quando se aproxima dos 40 anos, tem que decidir entre matar um pouco de si mesma ou morrer definitivamente. As que decidem por matar um pouco de si, se isolam. No decorrer desses 40 anos, o seu bico fica velho e encurvado, suas garras não são mais as mesmas e o excesso de penas é um peso que a impossibilidade de ter a agilidade de antes. No seu isolamento, a ave bate o seu bico contra a rocha, até quebra-lo por inteiro, quando um bico novo cresce, é a vez de arrancar as suas garras e quando novas garras crescem, é a vez de arrancar suas penas. Renovada, depois de aproximadamente 150 dias de isolamento, com bico novo, garras novas e penas mais leves, começa o segundo ciclo de vida da ave, que vive aproximadamente mais 30 anos.

Assim como a águia, também temos que por diversas vezes eliminar o que não precisamos e o que nos impede de ter uma vida melhor e mais leve, temos que nos matar um pouco para viver melhor. A vida e a morte estão intrinsecamente ligadas e para ter uma vida longa, temos que ter muitas mortes em vida. Temos que matar tudo o que nos torna mais pesado, que nos regride e nos impede de nos tornarmos seres humanos melhores. Quando isso não é feito, quando não morremos em vida para nos tornarmos melhores, até podemos continuar vivendo de forma biológica, mas a vida verdadeira, aquela que nos dá prazer e nos motiva ir além, fica para trás, perdida em meio aos sonhos de uma vida melhor.

The Winner Takes It All

domingo, 31 de outubro de 2010

Uma Tragédia Anunciada para o Brasil

Ganhando na região sul, boa parte da região sudeste, centro-oeste e norte do país, José Serra não é eleito a presidência do Brasil. Apesar de sua derrota nas urnas, considero José Serra o grande vitorioso nesse processo eleitoral. Nos últimos meses assistimos a maior rede de mentiras sendo instaurada no nosso país, contra quem justamente colocou esse país no rumo certo a trilhar.

Lula tem os seus méritos, não precisava fazer jogo sujo, se apropriando de méritos do governo de FHC e criando factoides contra José Serra, dizendo que o nosso candidato iria privatizar a Petrobras e entregaria o Brasil nas mãos de empresas internacionais. Fato é: privatizações aconteceram, mas poucas pessoas param para analisar o bem que tais privatizações fizeram ao Brasil.

Podemos enumerar várias empresas que passaram do controle estatal para o privado, mas vamos nos atentar apenas ao caso da Telesp, a maior privatização que o Brasil já teve. Antes de 1998, para possuirmos uma linha telefônica, tinha que compra-la, o valor era equivalente ao de um carro usado. Poucas famílias possuíam esse serviço, que hoje é tido como essencial. A venda da empresa se concretizou por pouco mais de 22 bilhões e abriu o mercado brasileiro para as telecomunicações. Hoje, temos mais telefones celulares, do que telefones fixos. É um segmento importante na economia do país, que se consolidou com a privatização promovida pelo governo FHC e que a campanha de Dilma usou essa consolidação para ilustrar o "sucesso" do governo Lula.

Foi no governo do Fernando Herinque que os programas assistenciais que hoje compõem o pacote chamado "bolsa-família", se originaram, são eles: auxilio-gás, bolsa-escola e cartão alimentação. Também foi no governo FHC que se originou o "Luz para Todos", no governo anterior o programa levava o nome de "Luz do Campo", o governo Lula mudou o nome do programa para descaracterizar a sua origem e se apropriar do mesmo. Mentiras como: Serra irá acabar com programas sociais e que privatizará a Petrobras ganharam forças e aponto tais fatores como motivações para a não-eleição de José Serra.

De um lado tínhamos um candidato que todos conhecem, que foi Deputado, Secretário de Planejamento, Ministro da Saúde, prefeito e governador de São Paulo, do outro lado tínhamos Dilma, uma candidata que ninguém conhece, ninguém viu. A história recente de Dilma são cheias de escândalos, como Secretária da Fazenda em Porto Alegre ela foi um desastre, deixando a secretária um caos e até hoje apontada como a pior administração que Porto Alegre já teve. Na Casa Civil, Dilma com a sua amiga Erenice encabeçaram um complexo sistema de corrupção e loteamento de cargos, beneficiando até o seu acupunturista. Com escândalos a tona e sendo amplamente divulgados na imprensa, não consigo compreender a eleição de Dilma.

Hoje o Brasil regrediu, a eleição de Dilma Rousseff representa o atraso e um passo a frente para uma ditadura de esquerda que ganha força na américa do sul. Hoje o Brasil se iguala a Venezuela, fato que deixa a nossa democracia ameaçada. O Brasil que antes era visto como exemplo de diplomacia, hoje é ironizado no cenário internacional. As relações próximas com o Irã, um governo ditador, fragilizaram a imagem do nosso país. É uma vergonha eleger uma mulher como presidente que mantém relações próximas com um governo que discrimina mulheres e não respeita os direitos humanos. Hoje o Brasil retrocede e se não for uma oposição forte e séria, o que vemos hoje é um princípio de uma tragédia anunciada.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Viva la Vida: A Iminência de um Sentimento

Procuro rever toda a história, recapitulando memorias de anos atrás, logo no inicio, quando a vida era cheia de sonhos e todas as motivações eram sustentadas por esperanças. Me pego em lembranças remotas, com promessas de felicidade e algumas com planos alternativos, que dizia: se nada der certo, seremos amigos, você é como um irmão para mim. Eu pensava ser o cara mais sortudo do mundo, sou taurino e uma amizade verdadeira me despi por inteiro. Não existe nada que valorizo mais do que uma amizade verdadeira.

Certa vez, estávamos deitados no banco do carro, esperando o tempo passar. Eu rompi o silêncio ao dizer: às vezes sinto que não ficaremos juntos. Ele disse que também sentia o mesmo e achava tudo isso muito triste e naquele momento reafirmamos votos de amizade. Meses depois, terminamos e continuamos amigos, saindo de baladas e curtindo a vida. O tempo passou e decidimos voltar, foi um fracasso total. Compramos apartamento e carro, misturamos dinheiro numa relação que ambos anteriormente não acreditava num futuro promissor, ambos erraram e hoje estamos pagando caro por isso, pagamos com o enterro de uma amizade.

Não sei quanto a ele, mas eu estou de luto, não pelo fato de ter perdido um namorado, relacionamentos vai e vem, mas pelo fato de ter perdido um amigo. Não acredito que fomos ruins um ao outro, fomos bons demais, tão bons ao ponto de um relacionamento afetivo ser pequeno para comportar o tamanho da troca afetiva que tínhamos em questão, éramos amigos, irmãos. Hoje, encontro-me engasgado com tal situação, indignado por termos colocado a perder uma amizade, que por muitos era admirada.

Sa musique - ele dizia quando tocava "viva la vida" ou "i gotta a felling" na balada. Não sinto saudades de intimidade como sexo, beijos e pegação, sinto saudades de momentos como esse, de quando ele me ligava questionando o porque eu não havia ligado pra ele e da mutua motivação de ambos na tentava de um tirar o outro de casa para ir a balada. O namorado, de fato, tinha perdido a muito tempo, estávamos juntos por conta de uma amizade, apenas não assumíamos tal posição, até pelo fato de não a enxergarmos.

Lembro-me que encontrei um amigo na balada, meu amigo me perguntou dele. Eu disse que havíamos brigados. Meu amigo deu risada e disse: vocês são fogos, um não vive sem o outro e vivem brigando. Meu amigo me disse que semanas atrás também havia encontrado ele na balada e ele ficou a noite inteira falando sobre mim, dizendo coisas que falávamos e fazíamos quando íamos na balada. Depois, me dei conta, que fiz a mesmo coisa com o meu amigo e fiquei a balada inteira falando dele. Na verdade, naquela noite, gostaria que ele estivesse ali, da mesmo forma que na outra noite, em que ele estava sozinho, acredito que ele gostaria que eu estivesse lá.

Não sei se a situação que nos metemos cabe desculpas, perdões e reparos. Na forma mais popular de se referir a questão: a merda está feita. Espero que ambos sejam felizes, que eu de fato encontre alguém que mude o rumo da minha vida e que ele encontre de fato quem mude o rumo da vida dele. Não sei se lamento o que aconteceu ou se fico no silêncio, pois acredito que tudo que passamos, contribui para a formação de quem somos. Talvez precisávamos passar por isso, sacrificar uma amizade em nome de algo que estamos nos transformando, ou talvez fomos burros ao extremos e acabamos com algo que era importante para ambos, seja lá o que for, espero que um dia a dor fica ao menos suportável.