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terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Outdoor que Simula Beijo Gay de Jesus é Depredado

Parte do projeto chamado "Obranúncio", um outdoor que estampava três fotos, sendo uma delas um beijo entre dois homens, foi alvo de vandalismo em Vitória da Conquista, no sudoeste baiano. O ataque aconteceu na Avenida Juracy Magalhães. O mesmo outdoor mostra outras duas fotografias nas laterais, que remetem à representação de Jesus Cristo. 


Intitulada "Paixão de Cristo", a obra é fruto de parceria entre os artistas Alex Oliveira e Ricardo Alvarenga. Mais três fotógrados estão com imagens espalhadas na cidade, são eles George Neri, Rayza Lelis e Vinícius Gil. A autora do projeto, Núbia Neves, estuda Cinema e Audiovisual na Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia e foi contemplada em um edital da Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb). 


Os artistas não pretendem restaurar a peça, pois a intenção era gerar uma reflexão social e a sociedade tem o direito de reagir da forma que achar conveniente. A depredação é resultado da omissão de políticas públicas reparatórias para a Comunidade LGBT, resposta de uma sociedade que mais mata homossexuais no mundo por motivação de ódio. 

Em 2008, publiquei um ensaio fotográfico do artista Robert Recker, intitulado “A Paixão de Cristo”. Num ensaio sensual, temos representações da santa ceia, de Jesus lavando os pés de um discípulo, do beijo de Judas e de Jesus rezando em volta de alguns discípulos dormindo. O trabalho de Robert Recker também foi alvo de várias criticas. 

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Sobre Manifestações e Ausência de Políticas Públicas

Muito me impressiona o desdobramento que alguns militantes do movimento LGBT vem dando ao caso do menino Kaique, morto no dia 11 de janeiro. A morte completa um mês e apesar da família estar convencida que foi suicídio, alguns militantes não se convenceram da conclusão do laudo policial e prometem mais manifestações. 

Antes da conclusão do laudo policial, a Ministra Maria do Rosário soltou uma nota lamentando o caso de homofobia em São Paulo. A ministra trata São Paulo como um ente independente da Federação, como se os casos de homofobia praticados em São Paulo não fossem reflexos da ausência de políticas públicas nos mais de 10 anos do Governo Petista. 

Considero a manifestação legitima e um forte instrumento da democracia, porém no calor do momento, o seu alvo foi desviado. Os manifestantes programam ir até a Secretaria de Segurança Pública e cobrar por respostas e se esta Secretaria não se movimentar, significa que “a diversidade não é bem vinda em São Paulo”. 

São Paulo é o Estado que tem a maior rede de proteção e de políticas públicas voltadas para o segmento LGBT. Foi em São Paulo, na gestão do Prefeito José Serra, que foi instituído no âmbito municipal o primeiro órgão governamental de fomento as políticas para a população LGBT. Enquanto Governador, José Serra também instituiu a Coordenação de Políticas Publicas para a Diversidade Sexual. Também foi regulamentada a Lei 10.948, que pune administrativamente à homofobia, além da criação de conselhos municipais e estadual. 

Ainda temos muito que avançar para termos uma cidade e um Estado para todas e todos, acho completamente desconexo com a realidade cobrar somente do Governo Estadual a responsabilidade pela crescente onda de homofobia. Não é da alçada do poder público Estadual criminalizar a homofobia, mas sim do Governo Federal, que em negociações com as bancadas fundamentalistas enterrou o PLC 122 e vetou o Kit Escola Sem Homofobia, ocasião que a presidente Dilma Rousseff declarou que não faria propaganda de “opções sexuais”. 

Enquanto o Movimento LGBT fica se digladiando, numa disputa partidária sem fim, casos de homofobia estão acontecendo em todo o Brasil. Temos que cobrar, é um direito legitimo de todas e todos, mas temos que saber direcionar nossas demandas, cobrando a ausência do poder público nas esferas de sua competência.

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Luiz Mott fala sobre Homofobia, Direitos para população LGBT e Marco Feliciano na CDHM

Luiz Mott, Antropólogo, historiador e fundador do Grupo Gay da Bahia, gentilmente cedeu uma entrevista ao Passageiro do Mundo, onde aborda a questão de Direitos para a população LGBT, homofobia e a polêmica de Marco Feliciano na presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias. 

Decano do Movimento LGBT, Mott é referência mundial na questão de luta pelos direitos da população LGBT. Dedicou grande parte do seu trabalho a pesquisas de sexualidade e gênero, tornando-se uma fonte, quase que obrigatória, para todos aqueles que fazem referências acadêmicas nessa questão. 

Passageiro - Como foi o seu ingresso na Militância LGBT? Quais eram as prioridades e as principais bandeiras de luta naquela época? 

Luiz Mott - Tinha recém mudado para a Bahia, em 1980, quando fui covardemente esmurrado por um homofóbico ao me ver abraçado com meu companheiro num por do sol no Farol da Barra. Fiquei revoltado, procurei um policial em vão. Foi esse murro que despertou minha consciência de militante gay. 

Tinha sido seminarista dominicano durante toda minha adolescência, e ao sair do convento, optei pelas Ciências Sociais, e pela antropologia em particular, pois mantive mesmo depois como ateu, o mesmo sentimento humanista inspirado no cristianismo. Nos primórdios do movimento homossexual, nossas principais bandeiras eram sair do armário, fundar grupos por todo o Brasil, lutar contra a homofobia manifesta na imprensa, que insistia em nos rotular de doentes e marginais, usando termos vulgares para se referir a nossa comunidade. 

Passageiro - E como se deu a fundação do Grupo Gay da Bahia? Quais as principais áreas de atuação do GGB? 

Luiz Mott - 1980 foi um ano emblemático no Brasil, no final da ditadura militar: data da fundação do PT, Olodum e GGB. O Movimento Homossexual Brasileiro havia sido fundado em 1978, com o Grupo Somos de São Paulo e o Jornal “O Lampião”. Percebi que era o momento de mobilizar os homossexuais baianos para nos organizarmos. Fundamos então o Grupo Gay da Bahia no carnaval de 1980, que desde sua origem teve como objetivo lutar contra qualquer manifestação de homofobia, divulgar informações corretas sobre homossexualidade e mobilizar a comunidade LGBT para defender sua cidadania plena. 

Desde sua fundação, o GGB foi protagonista das mais importantes conquistas do movimento LGBT nacional: liderou em 1985 a campanha nacional que retirou o “homossexualismo” da condição de desvio e transtorno sexual; foi a primeira ONG/LGBT a se registrar como entidade civil e obter o status de utilidade pública municipal; foi pioneira na prevenção da Aids e fundou diversas outras ONGs, como a Associação de Travestis de Salvador, o Grupo Lésbico da Bahia, o Quimbanda Dudu de Negros Gays, entre outras. 

Passageiro - O que falta no Brasil para que a homossexualidade não seja mais vista, por setores fundamentalistas, como um desvio de comportamento? 

Luiz Mott - Lastimavelmente o Brasil é um país extremamente contraditório para os LGBT: em seu lado cor de rosa, abriga a maior parada LGBT do mundo, tem a maior associação LGBT da America latina, já aprovou o casamento homoafetivo, porem, tem seu lado vermelho sangue, representado pelos cruéis assassinatos de gays e travestis. A cada 26 horas registra-se um “homocídio”, 338 em 2012, 86 só neste início de ano. Metade dos assassinatos homofóbicos do mundo são cometidos no Brasil. Herdamos da Inquisição e escravidão essa sangrenta homofobia, infelizmente atualizada pelos sermões homofóbicos dos fundamentalistas evangélicos e católicos, cada vez mais poderosos no Parlamento e que fizeram a Presidenta Dilma refém de seu projeto teocrático de dominação de nosso país. 

Além da homofobia cultural, que fragiliza e vulnerabiliza os LGBT, dominando o imaginário dos assassinos de gays, sofremos da homofobia governamental da atual presidenta – chamada de Dilmofóbica nas listas LGBT e vaiada de norte a sul nas Paradas Gays – que vetou a distribuição do kit antihomofobia, que deveria ter capacitado mais de 6 milhões de jovens no respeito a diversidade sexual. 

Passageiro - Porque os fundamentalistas são tão homofóbicos? 

Luiz Mott - Desde os tempos da Inquisição, o amor que não ousava dizer o nome foi perseguido pelo Rei e pela Igreja. Chamavam aos sodomitas de “filhos da dissidência”. E de fato, o estilo de vida dos homossexuais e transexuais sempre foi uma ameaça ao conservadorismo familista do antigo regime, na medida em que os gays baseiam suas alianças no tesão e paixão, diferentemente das uniões heterossexuais, baseadas na aliança e controle das família: Matrimôni/Parimônio. 

Ainda hoje em dia, os LGBT são a última tribo romântica do mundo, pois lutamos pelo direito de se casar enquanto a maioria dos heterossexuais estão se divorciando, vivendo apenas amizades coloridas, “ficando”. Homossexualidade é vista pelos conservadores como uma anarquia perigosa que mina os alicerces da obediência cega dos filhos aos pais, ameaçando a tradição patriarcal. Acresce-se o fato de que LGBT em principio não reproduzem, e deixarão de nascer novos fundamentalistas, o que não interessa às religiões que precisam das novas gerações para continuar sua cruzada familista tradicional. 

Passageiro - Por que não avançamos o quanto deveríamos em relação às políticas públicas LGBT? 

Luiz Mott - É notório que nos últimos anos o antigo MHB, hoje MLGBT foi maciçamente cooptado pelo partido governista, e apesar de muitas lideranças homossexuais estarem trabalhando em órgãos federais, estaduais e municipais, infelizmente o governo não está conseguindo resolver nossa prioridade máxima: sobreviver aos “homicidios” e à Aids. 

O Governo não tem sequer habilidade para criar um banco de dados sobre assassinatos de LGBT: é o GGB quem há décadas faz tal levantamento, disponibilizado no blog “Quem a homofobia matou hoje” com atualização diária sobre crimes homofóbicos. Mesmo o tal Disk 100, que registrou 4.614 denúncias de homofobia em 2011 (cadê os dados de 2012 e 2013?), lastimavelmente não implementou nenhuma ação eficaz para diminuir tal calamidade. Portanto, as políticas públicas LGBT são poucas, tímidas, ineficazes. Falta vontade política e “savoir faire”, inteligência estratégica governamental para erradicar esse cancro que de nosso país, onde são mortos mais homossexuais do que em todos os países muçulmanos onde há pena de morte contra os LGBT. 

Passageiro - Como você vê a eleição de Marco Feliciano para a presidência da CDHM?

Luiz Mott - Nunca antes na nossa história houve uma mobilização nacional e internacional tão orquestrada contra a homofobia deste indigno presidente da Comissão de Direitos humanos e Minorias da Câmara dos deputados. É fantástica e de altíssimo nível a quantidade de artigos e ensaios escritos contra o pastor Feliciano. As incontáveis fotos de Vips e cidadãos comuns se beijando na boca como protesto continuam pipocando na internet. As manifestações em todas capitais, muitas cidades do interior e do exterior, sempre com o mote FORA FELICIANO é inaudito em nossa história, configurando-se como o maior movimento de massas do século 21, só igualadas pelas lutas Contra a Ditadura, Diretas Já, Fora Collor, do século passado. 

A produção de charges e cartoons fora Feliciano é fantástica: o GGB inaugura em maio, em Salvador uma exposição com 50 caricaturas dos melhores cartunistas brasileiros sobre esse tema. Infelizmente, Feliciano é cria e cota de Dilma e só teve essa visibilidade devido a irresponsabilidade do PT e seus partidos aliados, que após quase duas décadas na condução da comissão de DH, optaram por comissões mais poderosas e midiáticas. Quem pariu Feliciano, que o embale!

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Mostra "Fora Feliciano" reúne cartuns e caricaturas no GGB

Segue em cartaz até 31 de maio, na sede do Grupo Gay da Bahia (GGB), no Pelourinho, a exposição Fora Feliciano: Caricaturas e Charges Contra a Homofobia. A mostra, organizada pelo fundador do GGB, Luiz Mott, reúne 50 cartoons de 27 artistas de todo o país, entre eles os cartunistas Simanca e Cau Gomez, do Jornal A TARDE.

De acordo com o GGB, a proposta da exposição é divulgar a indignação nacional com a nomeação do deputado Marco Feliciano à presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados, além de exigir a sua renúncia.

"Que esse registro de nossa história permita não só aos nossos contemporâneos, mas também às futuras gerações, tomar conhecimento que estávamos presentes e ativos nesse momento crucial de luta pela cidadania contra a homofobia, racismo, machismo e intolerância", declarou Mott. 

Além da mostra, uma sessão especial de combate à homofobia será realizada na Câmara Municipal de Salvador no dia 17 de maio, às 9h.

domingo, 28 de abril de 2013

Gays evangélicos lotam inauguração de igreja inclusiva em SP

A Igreja Cristã Contemporânea inaugurou um templo em São Paulo no último sábado (27) atraindo dezenas de evangélicos homossexuais que não se sentem acolhidos nas igrejas mais tradicionais. 

A denominação foi fundada no Rio de Janeiro em 2006 e é liderada pelos pastores Fábio Inácio de Souza e Marcos Gladstone que são homossexuais assumidos e casados. 

Conhecida por ser uma igreja inclusiva, eles não só aceitam homossexuais como promovem eventos voltados para casais gays, encontro de solteiros, balada e ainda realizam a união de pessoas do mesmo sexo. 

Foi usando esta temática que eles trouxeram uma filial para São Paulo, antes de inaugurar este templo no bairro do Tatuapé, zona Leste da capital paulista, eles reuniam cerca de 100 pessoas em salão de festas. 

O slogan da igreja é “Levando o amor de Deus a todos, sem preconceitos” se valendo do tema para atrair cada vez mais fiéis, uma vez que a ideia dos líderes é abrir dez templos na cidade de São Paulo. 

“A meta é fundar mais dez igrejas na capital”, disse o pastor Gladstone. A Igreja Contemporânea tem outros sete templos, um em Minas Gerais e outros seis no Rio de Janeiro. 

Apesar de ganhar destaque na mídia esta não é a primeira igreja cristã inclusiva na cidade, Lanna Holder e Rosania Rocha fundaram em 2011 a igreja Comunidade Refúgio e há outros ministérios menores com o mesmo estilo de pregação.

domingo, 7 de abril de 2013

Marco Feliciano ultrapassa todos os limites do bom senso e atribui morte de Jonh Lennon a vingança divida

O Pastor Marco Feliciano, Presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, em mais uma sessão de incontinência verbal, atribuiu a morte de John Lennon a uma orquestração divina. 

Em uma pregação, o evangélico ele diz que o primeiro tiro dado em Lennon foi em nome do pai, o segundo em nome do filho e o terceiro em nome do espírito santo. Também declarou que gostaria de estar lá, no momento que descobriu o corpo, para dar essa declaração ao morto. 

Os seu fieis glorificam a morte do ex-beatles, validando o discurso do pastor, apregoando em Deus uma imagem negativa e assassina. Marco Feliciano não pode falar em nome de Deus. Sempre ouvi dizer que Deus é amoroso e misericordioso. 

Fico muito preocupado com essa nova vertente do cristianismo, que prega Deus como carrasco e que está pronto para descer sua grande mão sobre a sua criação e massacra-la. Gostaria de saber onde se encaixa o amor, tão atribuído a Deus, nessa pregação do pastor Feliciano.

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Joelma grava vídeo tentando se defender da acusação de homofobia

A Cantora Joelma, vocalista da Banda Calypso, divulgou um vídeo no Facebook, onde se defende da acusação de homofobia, por conta das declarações dadas para a Revista Época.

Em sua fala, ela se limitou apenas a esclarecer a questão onde compara gays a drogados. Não comentou que também é contra o Casamento Gay e que se tivesse um filho homossexual, lutaria contra ele até a morte.

A declaração de Joelma, nada mais é do que uma nova afirmação do seu preconceito. Ela reafirma que deixar de ser gay é como deixar de ser drogado. Quando diz que "apenas comentou" um fato, para uma Revista de alta circulação, é porque acredita nisso e valida a homofobia denunciada.

A cantora termina dizendo que os fãs gays são muito importante para a carreira dela. Evidente, eles compram cds, vão em shows e contribui para o seu sucesso e fortuna.

Agora eu deixou aqui um recado para Joelma: Se você é contra o casamento gay e a isonomia de Direitos na sociedade, não fique com o dinheiro gay. Sua relação com o dinheiro gay é de prostituição. Está interessada apenas no pink money, nos fãs que vão aos shows e está pouco se lixando para a intimidade dessas pessoas que te adoram e acompanham, quando vai contra a felicidade, proteção e garantia de Direitos dessa população.

terça-feira, 2 de abril de 2013

A Influência Midiática de Silas Malafaia em Beneficio do Pr. Marco Feliciano

Para quem assistiu a entrevista do Pastor Marco Feliciano, atual Presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara de Deputados, no programa Agora é Tarde, percebeu que foi uma entrevista bem leve e que até conseguiu humanizar um pouco o demoníaco e polêmico pastor. Danilo Gentili costuma pegar muito mais pesado com os seus entrevistados, mais afrouxou com o Deputado. Marco Feliciano também participou do Programa Mega Senha, na RedeTV, onde ele também teve a oportunidade de se mostrar um pouco mais humano.

Fica clara a preocupação do pastor mudar de discurso, suavizando a sua imagem, na tentativa de desconstruir as reivindicações dos movimentos sociais, em especial do Movimento LGBT e Negro. A homofobia do pastor é tão nítida,  que o seu discurso humano não é mantido por muito tempo. Não demora muito para surgir outra declaração na imprensa ou até mesmo em suas redes sociais, atacando as minorias e colocando me jogo a evolução dos Direitos Humanos no Brasil.


Em seu Twitter, Feliciano ofendeu diretamente a Comunidade Negra, ao dizer que "Africanos descendem de ancestral amaldiçoado por Noé. Isso é fato. O motivo é a polemica. Não sejam irresponsáveis twitters rssss" Em entrevista com o Danilo Gentili, o pastor afirmou que não foi colocado o complemento da sua postagem, que dizia "porém toda maldição espiritual é quebrada na cruz de Cristo", como podemos ver na imagem acima, esse trecho que o pastor disse que editaram, para difama-lo, não existe.


Em outra publicação no Twitter, Marco Feliciano ataca fortemente os homossexuais, dizendo que "a podridão dos sentidos Dos homoafetivos levam ao ódio, ao crime, a rejeição", colocando a culpa da homofobia que existe no Brasil nos próprios gays e ainda condenando os LGBT aos crimes que o segmento é vitima e a rejeição que ele e os seus pares promove.

A permanência desse deputado numa comissão tão importante para o resgate a cidadania da população LGBT e para a evolução dos direitos da comunidade negra, expõe o Brasil ao ridículo. As audiências da comissão estão acontecendo sob uma forte onda de protestos, o que prejudica o andamento dos trabalhos e consequentemente acaba travando a pauta de toda a Câmara dos Deputados.

Em entrevista ao portal de noticias AfroPress, o Pastor Marco Davi, da Igreja Batista e autor do livro "A Igreja mais Negra do Brasil", cita dados do IBGE e lembra que a maioria das igrejas pentecostais é formada em sua maioria por negros, o que a meu ver poderá trazer muitos prejuízos políticos para o Deputado Marco Feliciano. Ele ofendeu a população negra e tem a incapacidade de retroceder e insiste nessa teoria, que não tem nenhum embasamento bíblico, para justificar o seu ato racista.

Nos próximos dias, o também homofóbico e pastor da Assembléia de Deus, Silas Malafaia, gravará entrevistas com Danilo Gentili e Luciana Gimenez. Tais entrevistas, como vimos no Programa do Danilo Gentili, tem um tom muito diferente da concedida por Silas no programa da Marília Gabriela e tudo isso não teria o porque ser diferente. Silas Malafaia, fiel escudeiro do Pastor Marco Feliciano, é um dos maiores clientes da RedeTV e Rede Bandeirantes, comprando horários em transmissões nacionais e de afiliadas espalhadas por todo o Brasil. Essas redes de televisão estão usando os seus programas populares para humanizar a imagem desses pastores, que estão pra lá de demonizados em nossa sociedade e mudar a opinião pública.

Assista a entrevista do Deputado Marco Feliciano, no Programa Agora é Tarde:


Assista o Programa Mega Senha, onde teve a participação do Deputado Marco Feliciano:

domingo, 31 de março de 2013

A História da Pascoa

Curta metragem encenado e narrado por crianças, conta a história da pascoa, baseado no Novo Testamento, de uma forma muito simples e linda. 

Independente da nossa religião, é um filme que vale a pena ser visto, pois transmite uma mensagem de paz, amor e superação. A língua presa do narrador, dá um toque especial na produção.

Feliz pascoa para todos. Religiosos ou não, temos que saber que essa é a verdadeira história da pascoa e não essa história capitalista, que envolve coelhinhos e ovos de chocolate.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Pastor Silas Malafaia dá show de homofobia em entrevista na TV

"Se tiver pastor homossexual, perde o emprego!", disse o pastor Silas Malafaia durante a entrevista que concedeu à jornalista Marília Gabriela, no "De Frente com Gabi", no SBT. O pastor também disparou várias outras palavras contra os homossexuais que vão deixar famílias indignadas. 

Durante a entrevista que foi ao ar neste domingo (03), à meia-noite, Silas disse que "homossexualismo (sic) é comportamento" e que "eles (os homossexuais) querem uma lei para atacar e atingir àqueles que querem", se dizendo claramento contra a união estável e o casamento homossexual. 

Silas Malafaia, que tem horários comprados em várias emissoras onde pede dinheiro para a igreja do qual faz parte, tenta colocar o homossexual como pecador. "A autoridade da bíblia é condenar o pecado. A bíblia define o que é pecado e eu estou aqui para condenar o pecado", disse. 

O deputado federal Jean Wyllys, que é titular da Comissão de Direitos Humanos e Minorias na Câmara dos Deputados, em Brasília, preferiu se manisfestar depois de assistir à entrevista. Jean Wyllys já foi um dos entrevistados da jornalista Marilia Gabriela e é um dos programas grande acesso nas redes sociais.

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Gay gasta mais de R$ 60 mil para tentar virar heterossexual


O americano Peterson Toscano conta ter gasto US$ 30 mil (cerca de R$ 60,5 mil), recorrido a três tentativas de exorcismo e passado por um casamento fracassado até conseguir superar seus dilemas pessoais e aceitar que era gay.
O processo durou 17 anos e Toscano hoje milita contra tratamentos que atendem por nomes como "conversão" ou "terapia reparadora", voltados para gays que querem mudar sua orientação sexual. Tais práticas contam com o apoio de Igrejas fundamentalistas cristãs. E alguns dos que se submeteram a elas asseguram sua eficácia e se definem como ex-gays.
Mas Toscano, 47 anos, afirma que não só estes processos não funcionam como também causam danos psicológicos. Ele é de uma tradicional família ítalo-americanda do Estado de Nova York. Cristão devoto e evangélico, Toscano teve dificuldades em aceitar o que via como um conflito entre sua orientação sexual e sua fé.
"Desespero terrível"
"Eu estava fazendo algo errado pelo qual eu seria punido na outra vida. E por isso sentia muito medo e um desespero terrível", afirmou, em entrevista à BBC. Como um adolescente que cresceu nos Estados Unidos da década de 80, Toscano viveu em uma época em que o termo "gay" era um sinônimo de aids. Até 1973, psiquiatras americanos classificavam homossexuais como sendo insanos.

"Eu somei dois mais dois e cheguei ao que me parecia ser uma equação lógica, a de dizer 'isto é errado, é ruim, eu preciso consertar isso'. E 17 anos depois eu finalmente acordei e retomei a razão", afirma.
Os anos de tratamento são uma lembrança dolorosa. Após ter entrado em depressão depois de uma entrevista à rádio pública dos Estados Unidos na qual relatou os processos a que se submeteu, ele agora evita entrar em pormenores.
Experiência traumática
Mas ele relata que um dos incidentes mais sombrios ocorreu durante seu internamento por dois anos no centro Love in Action (Amor em Ação), hoje rebatizado como Restoration Path (Caminho da Restauração), na cidade de Memphis, no Estado americano do Tennessee.

Lá, ele foi instruído a registrar todos os encontros homossexuais que já havia tido. Em seguida, pediram que ele relatasse o mais constrangedor destes encontros para sua família. Tais terapias não se limitam, no entanto, aos Estados Unidos. Toscano visitou a Inglaterra na década de 90 a fim de se submeter a um exorcismo. Ele já tinha se submetido a dois exorcismos fracassados nos Estados Unidos.
De acordo com Peterson, esse tipo de prática "é danosa psicologicamente especialmente para os jovens. Se você acredita nisso, você fará qualquer coisa para rasgar a sua alma".
Nos Estados Unidos, já estão sendo tomadas medidas para proibir parcialmente as terapias de conversões para gays no Estado da Califórnia. E o governador Jerry Brown está avaliando um projeto de lei que torna ilegal a terapia reparadora para crianças. Se aprovada, será a primeira medida nesse sentido tomada no país.
Toscano tem um blog e um canal de YouTube e usa sua experiência como ator de teatro realizando apresentações nas quais procura consicentizar pessoas sobre os danos causados aos que se submetem a tratamentos para suprimir ou mudar suas orientações sexuais.

domingo, 26 de agosto de 2012

Igreja Católica ataca casamento gay na Escócia


Uma carta que crítica duramente os planos do governo da Escócia para legalizar os casamentos homossexuais foi lida neste domingo em 500 igrejas católicas do país.
A Igreja Católica, que se opôs à legalização do matrimônio entre pessoas do mesmo sexo que o governo nacionalista escocês pretende aprovar este ano, encorajou seus fiéis a "rebelar-se" contra o que considera uma "redefinição do casamento".
A carta fala da "profunda decepção" com os planos do governo e pede aos políticos que "apoiem o casamento em vez de destruí-lo".
O cardeal O''Brian, máxima autoridade da Igreja Católica na Escócia, que descreveu recentemente o casamento gay como "uma subversão grotesca de um direito humano universalmente aceito", disse hoje que com esta carta se pretende convencer os políticos que "redefinir o casamento seria um erro".
No texto se sustenta que "o ensinamento da Igreja sobre o casamento é inequívoco e único, a união de um homem e uma mulher, e por isso é um erro que os governos, políticos e Parlamentos busquem destruir ou alterar essa realidade".
O governo escocês deve aprovar neste ano uma lei que permitirá a partir de 2015 os casamentos civis entre homossexuais.
Os casais do mesmo sexo podem optar atualmente na Escócia pelas uniões civis que oferecem o mesmo tratamento legal que o casamento em termos de heranças, pensões, seguros de vida, manutenção das crianças, direitos de próximos e de imigração.

sábado, 25 de agosto de 2012

Cristãos gays podem ir para o céu, Jesus não disse: 'Eu vou fazer você Hetero'

Em uma entrevista com Lisa Ling, o presidente da Exodus International Alan Chambers reiterou sua crença de que os cristãos gays podem ir para o céu. Chambers também comentou sobre a necessidade das igrejas mudarem sua abordagem para com os homossexuais.

"Eu acho que há pessoas que vivem uma vida gay cristã que vão estar no céu comigo?" ele postou em um episódio de terça-feira de "Our America With Lisa Ling". "Acho, que se eles têm um relacionamento com Deus."


Chambers fez comentários semelhantes em entrevistas anteriores no ano passado. Ele disse ao The Christian Post, em julho que, enquanto ele não pode saber ao certo quem vai ou não entrar no céu, o que ele não sabe é que aqueles - incluindo as pessoas que vivem o estilo de vida homossexual - que tem um relacionamento com Cristo estão "eternamente salvas."
Chambers, que tem uma esposa com quem tem dois filhos, não tolera a homossexualidade. Ele acredita que é um pecado. Mas ele não está interessado em igrejas que tratam a questão da homossexualidade de forma diferente das questões de outros pecados.
"Jesus não disse 'venha a mim e eu vou fazer de você um hetero." Ele disse 'venha a mim’", disse o líder da Exodus em uma extensa entrevista com Ling. "Precisamos fazer um trabalho melhor na igreja de apoio a pessoas que talvez não se encaixe com a nossa visão de mundo religioso como cristãos".
"Acho que na igreja nós não temos um relacionamento (com os vizinhos gays e lésbicas) e optamos por fazer sinais de piquete e críticas sobre essa questão de uma forma que não temos feito com outras questões e eu acho que é hora de que parar", disse ele.
A questão que ele coloca é como os cristãos devem amar seus vizinhos gays e lésbicas "de uma forma que não vá machucá-los, que não vai ofendê-los?. Eu não estou dizendo que é andar em cascas de ovos, porque eu tenho amigos gays e lésbicas e falamos sobre questões realmente profundas. Eles me ofendem e eu os ofendo, mas que vem no contexto de relacionamento."
Chambers tem sido líder da Exodus International desde 2001. O ministério, que ajuda aqueles que lutam com a atração por pessoas do mesmo sexo, recentemente se distanciou-se da terapia reparadora - um tipo de aconselhamento que visa mudar a orientação sexual de uma pessoa de gay a hetero.
Parte da razão pela qual a Exodus deixou de apoiar a terapia reparativa foi porque ela iria definir pessoas por "expectativas irreais", como a promessa de diminuir ou até mesmo eliminar atração pelo mesmo sexo. "A grande maioria das pessoas que eu conheci diria que há algum nível de luta ou tentação ou atração que é residente seja um pouco ou muito. E não sei se alguém pode dizer que a terapia pode mudar isso," Chambers disse a Ling.
Chambers, que era um ex-homossexual praticante, foi também foi perturbado por algumas das técnicas empregadas na terapia reparativa, tais como o uso de pornografia heterossexual. Casado há quase 15 anos com Leslie, Chambers, um cristão, ainda luta com atração pelo mesmo sexo, mas disse a Ling que ele nem se identifica como gay nem se sente "preso" em seu casamento.
"Por mais de 15 anos desde que eu estive no relacionamento com Leslie, minha atração foi em direção a ela, a minha devoção foi em direção a ela", explicou. "Eu escolhi este casamento. Ela é o objeto do meu desejo. Ela é o objeto da minha afeição. Eu não escolheria qualquer coisa ou qualquer outra pessoa, mas ela.
"Então, eu sou heterossexual? Não sei. Eu não sou gay." Ele acrescentou: "Eu tenho atrações Leslie. Tenho atrações pelo sexo oposto pela minha esposa”.
Quando perguntado por Ling o que ele faria se seu filho fosse gay, Chambers disse que ainda o amaria. "E se ele (filho) for? Você respira fundo e continua o relacionamento," ele respondeu. "Não sei o que meus filhos vão escolher quando tiverem idade suficiente para escolher. No fim das contas, eles são meus filhos e eu os amo e não há nada mais importante do que a minha relação com eles."
Chambers disse que considera uma tragédia que muitos pais na igreja têm estado temerosos em dizer aos outros que eles têm um filho gay ou lésbica. "Queremos ajudar estes pais a ter uma relação com o seu filho gay [ou] filha lésbica que não está centrada ou em torno de onde eles não concordam, mas as coisas que eles concordam e que é estar em um relacionamento um com o outro, como pais e filhos", afirmou.
Comentários recentes de Chambers aos cristãos gays no céu e renúncia da terapia reparativa causaram polêmica entre alguns evangélicos. Dr. Robert AJ Gagnon, professor de Novo Testamento no Seminário Teológico de Pittsburgh, até mesmo pediu que ele renunciasse à presidência.
Vário ministros (de cerca de 270) deixaram a Exodus International, nos últimos dois meses, mas o conselho ficou com Chambers. John Warren, tesoureiro do Conselho de Administração Exodus Internacional, defendeu Chambers como ministro do Evangelho que tem uma visão bíblica do pecado e arrependimento e que entregou sua vida a serviço do Senhor.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

A maior ação de destruição a terreiros de Umbanda e Candomblé no Brasil completa 100 anos

Alagoas lembra hoje os cem anos do dia em que - nas vésperas do Carnaval - uma massa de populares, liderada por veteranos de guerra e políticos, invadiu, depredou e queimou os principais terreiros de Xangô em Maceió, espancando líderes e pais de santo dos cultos afros. Considerada um dos mais emblemáticos casos de racismo e intolerância religiosa do Brasil, a noite fatídica daquele 2 de fevereiro de 1912 ficou conhecida como “O Quebra de Xangô”.

O movimento foi organizado por integrantes da Liga dos Republicanos Combatentes em Maceió, sob a liderança do sargento do Exército Manoel da Paz, veterano da guerra de Canudos, na Bahia. “Muitos foram pegos de surpresa e apanharam pelas ruas até chegar à delegacia, na calada da noite. Outros tiveram a oportunidade de fugir para estados como Bahia, Pernambuco e Sergipe”, assegura o professor de História e pesquisador Célio Rodrigues, o “Pai Célio”, um dos grandes difusores da religião de matriz africana no Estado.

Também denominada como Operação Xangô, o movimento tinha um forte viés político com o objetivo de afastar do poder o então governador do Estado, Euclides Malta, que já administrava Alagoas por 12 anos seguidos e era considerado um amigo dos líderes religiosos massacrados.

Na época do Quebra, o movimento que desencadeou a postura intolerante contra a religião de matriz africana contou com o apoio da imprensa oposicionista, notadamente o Jornal de Alagoas. Nos trechos de seus artigos e matérias, termos pejorativos sempre eram direcionados ao governador por este se relacionar com os xangôs. Na série de matérias intituladas “Bruxaria”, publicada nos dias consequentes ao episódio, a suposta relação de Euclides Malta com os xangôs denota a mãe de santo Tia Marcelina como sua “feiticeira” protetora.

“Os relatos são de que a multidão induzida pela Liga dos Republicanos Combatentes - oposição - entrou quebrando tudo que via pela frente, no auge do ritual, quando alguns seguidores ainda tinham o santo na cabeça. Bateram nos filhos de santo e queimaram objetos sagrados numa grande fogueira”, diz Fernando Gomes.

O pesquisador Célio Rodrigues acrescenta que foi uma perseguição também aos negros em geral. “Essa Liga foi feita para dizimar as religiões de matriz africana e, por tabela, os negros, pois naquela época Maceió era habitada por muitos ex-escravos e seguramente uma das maiores cidades negras do Brasil”, defende ele.

O governador Teotonio Vilela Filho assinou, nesta quarta-feira (1º), às 17h30, um pedido de perdão oficial do Governo de Alagoas a todas as comunidades de terreiros de Alagoas

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

"Nos desculpem pela forma como a igreja tem tratado vocês"

Um grupo de cristãos que foram a Parada LGBT em Chicago e que ao invés de xingarem e dizerem que todos vão para o inferno e estão com o demônio no corpo, colocaram faixas com a seguinte frase:

"Nos desculpem pela forma como a igreja tem tratado vocês"


Linda atitude do grupo e mais bonito ainda foi a reação de um dos participantes da Parada LGBT que deu um abraço muito caloroso no grupo religioso.

Não espero aceitação de grupos evangélicos, espero respeito pelo que sou. Sou de família evangélica, cresci na igreja e sei muito bem como o preconceito está enraizado nas religiões, não somente nas igrejas evangélicas, mas também na católica e em algumas da linha espirita.

Espero ver um dia manifestações como essa em Paradas aqui no Brasil e que evangélicos entendam que de forma alguma queremos afronta-los, apenas lutamos pelo direito de sermos o que somos. Defendemos a liberdade de expressão, não só para nós, mas também para todas as igrejas terem o livre direito ao culto. Unidos, mesmo cada um na sua tribo, somos mais.

sábado, 19 de novembro de 2011

Um Final de Semana Destinado a Consciência Negra

Margareth Menezes, Virgínia Rosa, Leandro Lehart e Sandália de Prata estão entre as atrações do evento promovido pelo Governo do Estado e Prefeitura de São Paulo que oferece ainda oficinas, apresentações de capoeira e outras atividades.



O tradicional Show da Consciência Negra, promovido pela Secretaria de Estado da Cultura desde 2007 para comemorar o dia 20 de novembro, será realizado este ano na Praça da Luz (ao lado da Estação da Luz). Entre as diversas atrações está o encontro entre as cantoras Margareth Menezes e Virgínia Rosa – que encerram o show –, além dos cantores Leandro Lehart, Vanessa Jackson e do grupo Sandália de Prata, que faz show com participação de Rappin’ Hood.

Neste ano, a Secretaria de Estado da Cultura, para a realização do show, conta com a parceria, como co-realizadores, da Coordenação Estadual de Políticas para as Populações Negra e Indígena, da Secretaria da Justiça e Defesa da Cidadania, e da Coordenadoria de Assuntos da População Negra, da Secretaria Municipal de Participação e Parceria - Prefeitura de São Paulo, além do apoio do Conselho Estadual de Participação e Desenvolvimento da Comunidade Negra.

O 5º Show da Consciência Negra, além da mudança de local, traz como novidade a descentralização das ações, ocorrendo apresentações, no dia 19 de novembro, às 14 horas, no Parque da Juventude, numa parceria com o Programa Cultura Livre, da Secretaria de Estado da Cultura, Galeria Olido, em parceria com a Secretaria Municipal de Cultura, e Parque da Água Branca, em parceria com a Fundação ITESP.

Estão programadas ainda ações voltadas para o público infantil como pinturas de rosto, esculturas com bexiga, oficina de contação de histórias, e muito mais, para ocorrerem na Praça da Luz, durante todo o dia 20 de novembro.

O evento homenageia ainda os 80 anos de fundação da Frente Negra Brasileira, primeiro movimento político organizado voltado para as demandas da população negra brasileira. Um de seus integrantes, o escultor, ator, poeta e ativista social Abdias do Nascimento, que morreu neste ano, também será lembrado.

Além das atrações artísticas, haverá também um espaço destinado para atividades de cidadania, com a participação da Defensoria Pública do Estado de São Paulo, a Fundação PROCON e a Secretaria Municipal de Saúde.

Outras duas atividades ainda compõem a grade de programação do Dia da Consciência Negra: a tradicional Missa em Comemoração à Consciência Negra, promovida pela Pastoral Afro, que irá ocorrer às 15 horas, do dia 20 de novembro, na Catedral da Sé, e a VIII Marcha da Consciência Negra, que terá concentração às 10 horas, nas proximidades do Vão Livre do MASP e saída prevista para às 14 horas, em cortejo pelas principais ruas da Cidade de São Paulo, promovida pelo movimento negro de São Paulo e cujo tema é "Do luto à Luta - contra o genocídio da juventude negra".

Para mais informações sobre a Marcha, acessar: www.20denovembrosp.blogspot.com ou marchadaconsciencianegra2011@gmail.com.

O 5º Show da Consciência Negra terá início às 9h, com a apresentação do grupo feminino de percussão Ilú Obá Demin e, dentre os destaques, estão os shows de Vanessa Jackson, às 10h45; Leandro Lehart, às 15h30; Sandália de Prata com participação de Rappin’ Hood, às 16h40; e Margareth Menezes, às 20h40. Confira abaixo, a programação completa.

Esperamos contar com a presença de todas e todos nessas atividades de reflexão, de luta e de visibilidade da comunidade negra paulistana e paulista.



Outras Programações:

FEPAQ SÃO PAULO - Feira Paulista de Assentamentos e Quilombos
Dias 19 e 20 de Novembro de 2011
Das 09h às 18h
Parque da Água Branca
Av. Francisco Matarazzo, 455
13h - Show de Adler São Luís

VIII Marcha da Consciência Negra - Do Luto à Luta - contra o genocídio da juventude negra
Dia 20 de Novembro de 2011
10h - Concentração MASP - Museu de Arte de São Paulo
Av. Paulista

Missa em Comemoração ao Dia da Consciência Negra
Dia 20 de Novembro de 2011 - 15 horas
Catedral da Sé
Praça da Sé - Centro - S.P.

sábado, 29 de outubro de 2011

Entrevista: Fundador de grupo de ‘cura de homossexuais’ que se assumiu gay

Por William De Luca

Nada melhor do que um exemplo para refutar a eficiência de tratamentos para a conversão de orientação sexual, que dizem que gays podem se ‘converter’ em heteros. O professor de inglês, filosofia e teólogo carioca Sergio Viula, 42 anos, foi um dos fundadores do Movimento pela Sexualidade Sadia (Moses), ONG evangélica que dá auxílio a pessoas que desejam abandonar a homossexualidade. Ele casou-se, teve dois filhos e viu de perto os métodos de ‘reorientação sexual’. Sergio conversou com Willian De Luca, com exclusividade, e mostra que os métodos de mudança de orientação sexual são ineficazes e causam dor e sofrimento a quem se dispõe a passar por qualquer deles.

Como começou sua vida junto à igreja evangélica? Como foi a sua entrada?

- Eu comecei aos 16 anos, numa igreja noepentecostal, mas depois migrei para a igreja batista. Eu me converti a partir da pregação de colegas, não era de família, que era católica. Hoje parte é católica e parte é evangélica.

Nessa época você já sabia que era gay? Já tinha tido relacionamentos com guris?

- Havia tido relacionamentos gays, sim, mas não assumia, eu pensava que fosse passageiro. Meu primeiro relacionamento foi aos 12 anos, com um garoto um pouco mais velho, de forma escondida, é claro, durante dois anos. Na verdade, queria pensar que tudo isso fosse passageiro, por causa das pressões em casa. Minha família era muito tradicional.

Como foi o processo de “virar ex-gay”?

- Na verdade, ex-gay não existe, é pura auto-sugestão. Eu comecei a ir à igreja e percebi que os homossexuais não tinham como lidar com suas ‘dificuldades’, por falta de orientação das lideranças, então decidi fundar o Movimento pela Sexualidade Sadia (Moses), junto com João Luiz Santolin e Liane França. Foi aí que comecei realmente a dizer em momentos oportunos que era ex-gay.

Você nunca se convenceu que tinha virado ex gay? Sempre soube que estava se enganando?

- Hoje sei que estava me enganando. Na época, pensava que qualquer sentimento ou atração fosse mera ‘tentação’ e que isso poderia ser superado com oração e dedicação a deus. No grupo, basicamente, pensávamos que ser gay fosse pecado, que devia ser confessado e abandonado e para isso, fazíamos proselitismo, aconselhamento, oração, pregação, recomendávamos certos livros, leitura bíblica, coisas que os crentes geralmente fazem, mas com foco na homossexualidade, sempre demonizando a homoafetividade, infelizmente. Eu trabalhei com a igreja num total de 18 anos, o Moses começou em 1997, em 2003 eu estava fora, foram quase sete anos. Tínhamos psicólogos parceiros e contávamos com vários voluntários. Uma vez enchemos um ônibus e levamos para o Miss Brasil Gay em Juiz de Fora só para evangelizarmos os LGBT que foram ao evento, mas na diretoria eram cerca de 10 pessoas.

Mas como era esse processo de ‘abandonar o pecado’? Era como um tratamento?

– Isso não acontecia de fato, era o que se chamava discipulado, acaba sendo uma lavagem cerebral. Você tem que se isolar do seu antigo círculo de amigos, começar a se enfiar nas reuniões da igreja, fazer sessões de aconselhamento, orar, jejuar, essas coisas. Quando acontecia de alguém se envolver com outro homossexual, ele tinha que confessar o que fez, UMA LOUCURA DO CARALHO! Desculpe, mas ainda hoje tenho até raiva de lembrar disso.

Por que raiva?

– Ninguém deixava de ser gay, houve relacionamentos até dentro do grupo, entre uma atividade e outra da igreja, eles sempre arrumavam tempo pra isso. Você consegue imaginar quanto sofrimento para mim mesmo e para todos os que atuaram ou foram influenciados por esse trabalho? É irritante! E tem gente até hoje repetindo esse discurso imbecil.

O que tu sente quando vê pessoas como o pastor Silas Malafaia fazendo pregações do tipo que você fazia? É um discurso parecido?

– Ele é um idiota! Eu era um garoto quando me envolvi com tudo isso, tinha pouquíssima experiência de vida e não ainda não havia tanta informação como hoje. Agora, ele atua na base da má-fé mesmo, com interesses financeiros, projetos de poder, etc. E diz ele que nunca foi gay, será? Fico muito desconfiado de gente que gasta tanta energia e dinheiro para combater algo que não tenha nada a ver consigo mesma. Entendo heterossexuais que compreendem os riscos da homofobia, mas não entendo heterossexuais que quase surtam só por saberem que os gays estão felizes, saudáveis e produzindo para o país…

Será que não é pra ter uma bandeira atualmente? Ganhar visibilidade, sei lá…

– Não deixa de ser má-fé. Só confirma minha tese.

Quando você decidiu que era momento de parar? Você saiu do movimento ao mesmo tempo em que saiu do armário?

– Sim, saí ao mesmo tempo. Tudo aconteceu quando eu tive certeza de que já tinha feito e crido ao máximo. A gota d’água foi uma viagem a Cingapura, durante a qual conheci um filipino e fiquei com ele. Já voltei decido que iria colocar um fim nessa panacéia. Fiz isso e comecei imediatamente a repensar diversas das minhas posturas e crenças, levou ainda dois anos para que eu dissesse tudo o que digo até hoje. Houve perseguição por parte do Moses, muita gente ficou em choque, mas eles tiveram que se dobrar, pois minha atuação no movimento era grande. Minha maior projeção, porém, se dava na igreja. Eu era pastor, editor do jornal Desafio das Seitas, que teve seu auge durante minha atuação, e por aí vai…

E na sua família? Qual foi a reação?

– Houve um choque por parte dos meus pais, mas meus filhos nunca criaram problema, só ficaram perplexos, porque eu saí da igreja, já que eu era tão dedicado. Separei-me da mãe deles, mas isso não criava grandes problemas, aparentemente. Só me perguntaram francamente sobre o assunto aos 12 (ela) e aos 11 (ele). Ambos compreenderam numa boa e sempre foram meus amigos. Relacionam-se muito bem comigo e com meu parceiro Emanuel.

Você hoje se sente completo, feliz?

– Sim, hoje me sinto em paz comigo mesmo, feliz e me pergunto como pude ter suportado tanta castração inútil por tanto tempo.

Você acha que o que vocês faziam era uma violência, contra vocês mesmos, e contra os outros?

– Sim, era uma violência contra nós mesmos, por termos internalizado a homofobia que nos circundava desde cedo, e contra os outros, porque reproduzíamos essa mesma homofobia que eles mesmos já tinham internalizado. Só reforçávamos ainda mais isso.

Você não apenas largou a igreja, o movimento, como deixou de acreditar em deus… Como se deu isso?

– Isso se deu em função de questionamentos honestos e ousados sobre deus/deuses, escrituras cristãs e de outras religiões, igreja e outras instituições religiosas. Meu pensamento e atitude com relação a ideia de deus/deuses não é mero fruto de sofrimento com essa ou aquela igreja ou crença. Na verdade, muitas igrejas se abriram para mim quando saí do armário e confessaram seu interesse em que eu, não só participasse da vida da igreja, como ministrasse como pastor dela. O próprio bispo fundador da Metropolitan Community Church, Troy Perry, me disse isso pessoalmente. Também não foi por ver mau comportamento de crentes em geral, uma vez que conheço alguns que considero pessoas fantásticas até hoje (tanto do mainstream evangélico e protestante, como das modernas igrejas inclusivas). Tendo isso em mente, nem deus, nem escrituras, nem igrejas passam pelo crivo da razão, e não me refiro à razão de uma mente brilhante como a de Nietzsche, Darwin, Sartre, Hopkins, Dawkins, etc., refiro-me à razão de uma mente mediana como a minha. Não posso ir contra mim mesmo e contra aquilo que enxergo tão distintamente. No entanto, defendo a liberdade. E por isso, crer e não crer são coisas que não podem ser controladas, coibidas, exceto quando colocam os direitos humanos em xeque.

Pra terminar, o que você diria pra um jovem gay que está passando por este processo de ‘cura espiritual da homossexualidade’? Vale a pena?

– Conversão religiosa que não admite e CELEBRA sua homossexualidade não merece seu tempo e talento. Se quiser frequentar alguma comunidade, procure uma que tenha maturidade até para questionar a validade das assertivas religiosas. Mas, preferencialmente, viva sem depender de muletas existenciais quaisquer que sejam elas. Aproveito para sugerir a leitura de um post escrito por mim. Esse post nasceu do esboço de uma palestra que dei na Igreja Ecumênica de Copacabana por ocasião das comemorações do dia da Bíblia no calendário católico. Foi esse ano.

William De Luca é repórter de economia do Jornal da Paraíba. Jornalista, ativista LGBT.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Um caso de amor em Brasília

Com o tempo as mascaras caem, ninguém consegue enganar a todos por muito tempo. Marta ex-Suplicy nunca me enganou, sempre soube das intenções dessa senhora, de usar o movimento gay como puleiro, ou melhor de palanque para as suas projeções politicas.

Políticos como a Senadora Marta não deveria existir, mas sim fazer parte de um folclórico distante, que ficou no nosso passado de dores, mortes e torturas. A ditadura acabou a muito tempo, aquela época que a política era construída por poucos e os poucos que ousavam se pronunciar, eram presos, torturados e mortos.

Hoje vivemos uma ditadura contra gays. Enquanto temos gays sendo mortos nas ruas, vemos a relação que até então muitos dos pares da Marta, gays que que também militam no movimento LGBT, achavam incestuosa, mas não é não e essa imagem mostra bem a composição política que está costurando as políticas públicas de proteção aos homossexuais desse país.

Dona Marta, em nome de tudo o que é mais sagrado, volte para TV, vá apresentar programas na Rede Mulher, vá ser sindica do seu prédio ou vá para onde você bem entender, mas deixe o movimento LGBT em paz. Somos um grupo sofrido, que já apanha demais da sociedade. Já existe um grupo de políticos fundamentalistas, que por sinal é bem grande, que são nossos torturadores históricos. 

Senadora Marta, não fale em nome do movimento LGBT, pois a senhora nunca foi e nunca contribuiu para ele. Somos milhões e não sou representado apenas por um, políticas públicas exige debates políticos, o que a senhora ao longo dos anos provou que não sabe fazer. 

Não precisamos da sua contribuição, se você caiu de para-quedas no senado, não faça nada por nós, queremos leis que nos contemplem e não alianças costuradas com evangélicos afim de criar alianças políticas que visam apenas seu proveito. Faça plastica, botox, chapinha e coloque silicone, mas pelo amor de Deus, saia do caminho do MHB.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Estado e Religião pontuam mesas do Ciclo de Debates

A APOGLBT (Associação da Parada do Orgulho GLBT de São Paulo) realiza no próximo Sábado (11), 9h, o terceiro dia da série do 9º Ciclo de Debates. Atividade integrante do 15º Mês do Orgulho LGBT de São Paulo, de 6 de junho a 6 de julho, o público confere gratuitamente diversas mesas de discussão, além de seminários, apresentações culturais e lançamentos. A 9ª edição do Ciclo vem aprofundar a reflexão acerca do tema proposto para a 15ª Parada do Orgulho LGBT de São Paulo: “Amai-vos uns aos outros: basta de homofobia! – 10 anos da Lei 10.948/01, rumo ao PLC 122/06”.

Em diálogo com a atual conjuntura nacional e internacional na esfera dos Direitos Humanos de lésbicas, gays bissexuais, travestis e transexuais (LGBT), a programação propõe uma reflexão participativa entre os movimentos sociais, sociedade civil, autoridades e os expoentes dos mais diversos campos da intelectualidade.

Entre os assuntos, destaque para o posicionamento do Estado em relação ao fundamentalismo religioso, o papel da espiritualidade na construção das sexualidades e o redimensionamento dos aspectos jurídicos de instituições como família, casamento e os direitos para as minorias definidos através de políticas públicas.

Em consonância com a Organização das Nações Unidas (ONU), que decretou 2011 como o Ano Mundial do Afrodescendente, o 9º Ciclo de Debates aborda também a relação entre a cultura negra e a diversidade sexual.

Estado e Religião

Sob o tema “Estado e Religião”, a atividade que será dividida em três mesas de debates, ocorre no próximo dia 11 de junho (sábado), às 9h, na Câmara Municipal de São Paulo – Palácio Anchieta – Viaduto Jacareí, 100.

Com mediação da coordenadora do Ciclo, Cléo Dumas, a primeira mesa que conta com a participação da pesquisadora associada do Núcleo de Estudos para Prevenção da AIDS (NEPAIDS/USP), Cristiane Gonçalves da Silva, questiona: “O Estado faz acepção de pessoas?”. No segundo horário, em “Religião e LGBT”, Greta Star recebe o presidente da APOGLBT Ideraldo Beltrame e o Diácono da Igreja da Comunidade Metropolitana de São Paulo, Dario Neto. 

Na última mesa de debate, mediada por Fernando Quaresma (Vice-Presidente da APOGLBT), a proposta de uma discussão conjunta com autoridades e líderes espirituais de diferentes religiões. “O Pecado da Religião e a divindade do corpo” conta com a presença da Iyalorixá Egbomi Kiusam d'Oxóssi - Kiusam de Oliveira, do pastor da Comunidade Betel/ICM RJ e da Igreja Presbiteriana da Praia de Botafogo Márcio Retamero e do Padre James Alison. Após os debates, atividade cultural integrante do LeFest e coffebreak.

Para quem não puder acompanhar os debates presencial, eles também serão exibidos pela webtv BeGay TV. Para acompanhar, basta acessar o site da BeGayTV: www.beweb.tv/begay. Todas as atividades do 9º Ciclo de Debates são gratuitas, abertas ao público em geral e acontecem em diversos locais de fácil acesso. Confira a programação das duas primeiras mesas do Ciclo. Para mais informações, acompanhe o site www.paradasp.org.br.

Serviço:

9º Ciclo de Debates – 15º Mês do Orgulho LGBT de São Paulo
De 06 de junho a 06 de julho, diversos horários e locais

Estado e Religião
· 11 de junho, a partir das 9h.
Câmara Municipal de São Paulo - Palácio Anchieta - Viaduto Jacareí, 100 - Bela Vista.
Info Ciclo: (11) 3362-8266 ou paradasp@paradasp.org.br

9h – Apresentação Cultural Coro Jovem ICM-SP.

9h30 – Debate: O Estado faz acepção de pessoas?
Mediação: Cléo Dumas (APOGLBT)
Janaina Teodoro
Cristiane Gonçalves da Silva (Pesquisadora associada do Núcleo de Estudos para Prevenção da AIDS (NEPAIDS/USP).

11h – Debate: Religião e LGBT
Mediação: Greta Star (APOGLBT)
Ideraldo Beltrame (Presidente da APOGLBT)
Dario Neto (Diácono da Igreja da Comunidade Metropolitana de São Paulo)

14h - Debate: O Pecado da Religião e a divindade do corpo
Mediação: Fernando Quaresma (Vice-Presidente da APOGLBT)
Egbomi Kiusam d'Oxóssi - Kiusam de Oliveira – (Iyalorixá e autora do livro “Omo-Oba: Histórias de Princesas”)
Marcio Retamero (Pastor da Comunidade Betel/ICM RJ e da Igreja Presbiteriana da Praia de Botafogo)
Padre James Alison (Sacerdote católico, teólogo, e autor de vários livros)

16h - Atividade Cultural LesFest (Dedilhadas Vídeo)

16h30 - Coffee Break

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Marcha Nacional Contra a Homofobia

Participei da II Marcha Nacional Contra a Homofobia. Fui para Brasília representando o Diversidade Tucana, núcleo da Diversidade Sexual do PSDB, além da minha participação, também estavam Marcos Fernandes, Gui Tronolone, André Pomba e André Juquinha representando a DT e outros simpatizantes do PSDB.

Fui com o ônibus do Conselho da Diversidade Sexual de São Paulo. No inicio achei que seria cansativa uma viagem de mais de 15 horas e eu não estava enganado, ela foi cansativa mesmo. Como toda viagem em grupo, o pessoal estava bem animado e a animação foi até Brasília, ou seja, ninguém dormiu.


 De madrugada, quando eu estava tentando dormir, vi o meu companheiro de viagem pegar uma cartela de Prozac, ele se virou para mim e perguntou: - Servido? Eu respondi: Quero um, por favor. Foi o meu primeiro Prozac, não senti nada demais, nem consegui dormir, mas deu para relaxar.

A falta de organização do ônibus foi um fato marcante na viagem. Quando o  representante do Conselho, que tinha a simples tarefa de organizar uma viagem, sugeriu que poderia fumar no banheiro, eu já imaginei o que aquilo iria virar. Todos sabem que ônibus tem ar condicionado e o sistema de ar do ônibus espalhou o cheiro de cigarro no ônibus inteiro e fomos de São Paulo a Brasília como fumantes passivos para o beneficio de poucos. Sem contar as paradas, que eram feitas sem organização alguma e com um período de duração muito longo, o que nos fez chegar atrasados em Brasília, quando o previsto era para chegar com duas horas de antecedência.

Gui Tronolone, André Pomba e Marcos Freitas
Brasília estava bem mais quente do que foi noticiado na previsão do tempo, a máxima de 22° foi parar em 31. Não levei protetor solar e fiquei com o rosto bem queimado, como os meus olhos estava irritados, comprei um óculos, que me proporcionou um linda marca no rosto que me remetei ao episódio do Chaves, em que eles vão para Cancun e o Quico toma sol com óculos e fica com o rosto marcado.

A manifestação foi super positiva, apesar do clima partidarista em meio aos participantes. Todos os participantes foram respeitados, mas quando um membro da Diversidade Tucana tomou a palavra, ele foi vaiado por alguns manifestantes.

Marcos Freitas e Wagner Nunes
A senadora Marta foi ovacionado quando tomou a palavra, falou de vários estados e o seus avanços quantos a questão de politicas públicas para a comunidade LGBT, mas não citou São Paulo, justamente o Estado que a elegeu para senadora. Acredito a Marta ficou com vergonha de ter sido prefeita de São Paulo e não ter feito absolutamente nada para a comunidade gay. Para a Marta e para todos aqueles que tem a erronia visão que o PSDB não é um partido de vanguarda na questão dos Direitos aos LGBTs, deixo uma relação de algumas de nossas conquistas no Estado de São Paulo:
  • Na gestão do Governador André Franco Montoro, antes mesmo da fundação do partido, em sua gestão no Governo do Estado de São Paulo (1983-1986), foi o primeiro homem público brasileiro a instituir, de maneira sistemática, ações de combate à perseguição aos homossexuais, travestis e transexuais, bem como a seus locais de freqüência, praticas comuns na época da ditadura militar.
  • No âmbito estadual, Geraldo Alckmin, em 2001, no Governo do Estado de São Paulo, sancionou a Lei 10.948, que proíbe e pune a discriminação por orientação sexual e identidade de gênero. Em 2006, alçou o então GRADI – Grupo de Repressão a Delitos de Intolerância a DECRADI – Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância, que atua no mapeamento, controle e repressão dos grupos homofôbicos.
  • No município de São Paulo, José Serra, homem de visão, instituiu o primeiro órgão de administração pública brasileira voltado à diversidade sexual. Em seu segundo mês de governo frente à prefeitura de São Paulo, em 2005, criou a Coordenadoria de Assuntos da Diversidade Sexual.
  • Ainda em 2005, Serra decretou a criação do Conselho Municipal em Atenção à Diversidade Sexual, espaço de interlocução entre o poder público e a sociedade civil, bem como o Centro de Referência e Combate à Homofobia.
  • Como governador, Serra criou a Coordenação de Políticas Públicas para a Diversidade Sexual, no âmbito da Secretaria de Justiça e Defesa da Cidadania; instituiu o Comitê Intersecretarial de Defesa da Diversidade Sexual e o Conselho Estadual de Defesa da Diversidade Sexual e realizou a I Conferencia Estadual LGBT de São Paulo. 
  • Em relação às garantias legais para a população LGBT, Serra regulamentou a Lei 10.948, e publicou decreto acerta do uso do nome social na administração pública. Para travestis e transexuais, Serra criou o Ambulatória de Saúde Integral.
  • Em 2007, Serra foi revolucionário ao reformular o Sistema Previdenciário do Estado de São Paulo, instituindo o direito à pensão ao(à) parceiro(a) e fundou o Núcleo de Combate à Discriminação, Racismo e Preconceito, no âmbito de Defensoria Pública do Estado de São Paulo.
Até entendo a posição da Senadora Marta, mas não as valido. Deve ser difícil assumir para um público que ela se auto-domina como mãe e defensora, a sua total incompetência. A criação da Coordenadoria de Assuntos da Diversidade Sexual foi uma promessa dela, que articulou com o movimento LGBT em campanha, mas quando ela se elegeu, não articulou mais com o movimento LGBT e quando os militantes Gays foram até a prefeitura, para cobrar respostas, a então Prefeita Marta pediu para a Guarda Civil Metropolitana tirarem os militantes do prédio da prefeitura. Nem de longe Marta é a mãe defensora do movimento gay, ela está mais para bruxa ou madrasta do movimento.

Agora como senadora, Marta desengavetou o PLC 122, projeto da Deputada Estadual Iara Bernardes que ficou órfão no senado. Hoje Marta é a relatora do projeto e mais uma vez se mostra como a “Super Marta”, a heroína que pode tudo e que sem ela os gays desse país ainda andariam de riquixá.

Na verdade, Marta está despersonificando ainda mais o PLC 122 e a comunidade Judaica, que não tem uma atuação ativa junto ao movimento gay, veio a público para criticar a senadora. As alterações feita pela “Super Marta”, abre brecha para permitir que religiosos possam ofender homossexuais durante os cultos. Segundo o texto proposto pela senadora, manifestações em cultos não poderiam ser enquadradas como crime de preconceito racial, religioso ou mesmo sexual.

Marta Suplicy argumentou que não se deve punir por discriminação os casos de "manifestação pacífica de pensamento fundada na liberdade de consciência e de crença". A senadora justificou que não se deve ignorar que muitas religiões consideram a prática homossexual uma conduta a ser evitada. Marta não é defensora dos gays e está novamente usando o movimento como palanque para se promover.

A volta para São Paulo foi tranquila e como estava cansado, dormi quase a viagem inteira. A ordem para fumar no banheiro foi revogada, para a alegria dos não fumantes e por respeito a leis federais, estaduais e municipais, que o conselheiro responsável deveria conhece-las. Avalio a Marcha como positiva, mas ainda temos que lutar contra o partidarismo, o que engessa o movimento gay, impedindo que grupos de diversos partidos se unam em nome de um bem maior.