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segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Homofobia da Policia de Santo André

A 5ª Parada do Orgulho LGBT de Santo André, que ocorreu neste domingo (08), foi marcada pela intolerância por parte da Polícia Militar. Durante a dispersão, os manifestantes foram ameaçados com armas e bombas de efeito moral. Ao tentar diálogo com as autoridades, o coordenador de políticas para a diversidade sexual do Estado de São Paulo, Dimitri Sales, foi atingido no rosto por spray de pimenta.

Marcada para as 13h, a Parada começou com duas horas de atraso, devido à negociação entre a ONG ABCDS (Ação Brotar pela Cidadania e Diversidade Sexual) – organizadora da manifestação – e a PM, para permitir que os trios elétricos participassem do trajeto. A liberação não foi concedida e o público seguiu em silêncio o trajeto de 5 km. Segundo o jornal Diário do Grande ABC, a vice-prefeita de Santo André, Dinah Zekcer, estava presente e foi contra a decisão da PM: "Se tinha alguma coisa errada, devia ter sido avisada antes."

A partir 18h, quando estava prevista a dispersão, policiais militares lançaram tiros de escopeta para o alto, batiam cassetetes e distribuíram bombas de efeito moral na direção dos participantes.

Ao tentar defender um manifestante que tinha seu pescoço agarrado por um policial, Dimitri Sales, membro da Secretaria da Justiça e da Defesa da Cidadania do governo de São Paulo, teve uma escopeta apontada para seu peito e o rosto atingido por spray de pimenta. “Não havia resistência para sair. O próprio Capitão Wlamir André Luis, responsável pela segurança da Parada, concordou que estávamos dialogando cordialmente quando a PM iniciou a agressiva. Foi totalmente desnecessário” disse Dimitri.

O assessor jurídico da Coordenadoria de Assuntos da Diversidade Sexual da cidade de São Paulo (CADS), Gustavo Menezes, também foi vítima do spray: “Tentava fotografar o policial que agrediu o Dimitri, pois ele estava sem a identificação. Quando de repente o mesmo apontou o spray a menos de 5 cm dos meus olhos e disparou” afirma o advogado.

Ambos prestaram depoimento no Comando Geral da Polícia Militar e um inquérito foi aberto para averiguar os abusos. “Ficamos horas agonizando, sem poder enxergar. Assim que possível, acionamos o Cel. Álvaro Camilo (comandante-geral da Polícia Militar do Estado de SP) que prometeu acompanhar o caso”, acrescentou Dimitri.

Em entrevista à reportagem local, o Capitão Wlamir justifica a ação da Polícia Militar como necessária, pois alguns participantes invadiram residências e postos de gasolina e outros se negavam a liberar a avenida no horário, e declarou ainda que a polícia só usou "meios moderados".

“Hoje, temos certeza de que nosso policiamento tem uma ideologia homofóbica” disse Marcelo Gil, presidente da ONG ABCDS. Horas antes do tumulto, o militante chorou ao anunciar que a 5ª Parada do Orgulho LGBT de Santo André não teria trios elétricos.

Por volta das 14h30, a PM sugeriu que os caminhões ficassem parados com o som ligado na Avenida Industrial, onde já ocorria a concentração de público desde as 12h, porém, a vizinhança da região não permitiu. Em protesto ao veto, um grupo com aproximadamente 5 mil pessoas marchou até à Avenida Firestone, destino do encerramento. Os trios foram escoltados pela PM até a avenida e tiveram o som permitido instantes antes do horário previsto para o término da manifestação.

O conflito entre PM e a Parada do Orgulho LGBT de Santo André já não é novidade. Em 2008 a polícia também proibiu de última hora a participação de trios e foi acusada pela organização de negligência, não prestando a devida segurança para os participantes. Mesmo assim, nenhum incidente foi registrado.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Diversidade em Piracicaba

Entre os dias 05/11 a 08/11, acontecerão os eventos em comemoração a diversidade na região de Piracicaba, evento que nesse ano conta com o “I Encontro LGBT de Piracicaba e Região” abordando questões sobre “Homofobia X Diversidade”. A abertura das atividades acontecerá hoje (05/11), ás 19h30, no Salão Nobre da Câmara de Vereadores de Piracicaba.

Participarei de toda a programação, inclusive da Festa Pré-Parada que acontecerá na boate E-Dub, onde o Pedro Pitanga da Rádio Omega Hitz estará com a unidade móvel da rádio com transmissão ao vivo pela internet. Ouçam a rádio, participem dos eventos e prestigie a parada, a militância agradece.

Programação:

05/11/2009 – Salão Nobre da Câmara de Vereadores de Piracicaba

19h00-19h30: Credenciamento e Cofee-break

19h30-20h00: Solenidade de Abertura (prefeitura de Piracicaba, secretarias municipais de Educação, Saúde, Cultura, Turismo, Segurança Pública, Câmara de Vereadores)

20h00-20h20: Apresentação da esquete teatral: Quem não vê, com Núcleo de Teatro da ONG Casvi

20h20-20h30: Apresentação da enquete sobre Homofobia no município de Piracicaba, realizada pela ONG Casvi entre maio e setembro de 2009.

20h30- 22h00: Formação de mesa política para discussão sobre Homofobia em Piracicaba e região (Renato Simões, autor da lei estadual 10.948-01 / vereadores de Piracicaba, Limeira, Araras e Americana/ ONG Casvi / Diretoria Regional de Ensino / prefeitura do município de Piracicaba)

OFICINAS, PASSEIO E FESTA DA 3ª PARADA – 06 e 07/11

Oficinas de vídeo com Filo Comunicação, Educação e Arte – Dias 06 e 07/11, das 10h00 ás 12h00 e dia 08/11, das 14h00 às 15h30.

Oficina Corporal na linha Reichiana, com Victor Azenha (Joana Darc)

Passeio pela Rua do Porto – Sábado, dia 07/11, das 10h00 às 12h00

Festa da 3ª Parada LGBT de Piracicaba – Dia 07/11, 23h30 na boate EDUB CLUB

06/11/2009 – Palestras e Debates

13h30-14h00: Atividade Cultural de integração entre os participantes do evento (Ciranda e percussão)

14h00-15h00: Discussão em subgrupos sobre homofobia nos municípios participantes (levantamento de demandas)

15h00-16h30: Conversa Afiada – Juventude LGBT (ONG Casvi/ E-Jovem/ ONG Visibilidade LGBT/ Diversitas)

16h30-16h45: Café com MPB – Natália (voz e violão)

16h45-18h00: Conversa Afiada – Mercado de Trabalho e LGBT (Sindicato dos Bancários de Piracicaba e Região / Secretaria Municipal de Trabalho e Renda / ONG Casvi / CONESPI)

18h00-20h00: Jantar para os participantes não residentes em Piracicaba com bolsa alimentação (Hotel Nacional INN)

20h00-22h00: Palestra e debate: Estado laico, com Daniel Souto Maior, da ONG Brasil para Todos de São Paulo

07/11/2009 – Palestras e Debates

13h30-14h00: Apresentação da esquete Nhá-Borrachuda, com Núcleo de Teatro da ONG Casvi

14h00-15h30: Palestra sobre Gênero e Heteronormatividade com Regina Facchini

15h30-17h00: Mesa sobre Diversidade Sexual com Clara Cavalcanti, Lula Ramires, Carla Machado, Yanca, Anselmo Figueiredo

17h00-17h30: Lanche e Café

17h30-18h30: Conversa Afiada sobre Mídia e LGBT (A Capa/ Jornal de Piracicaba/ A Tribuna/ TV Mix-Limeira/ TV Beira Rio / Comunicação Social da Prefeitura de Piracicaba / ONG Casvi)

18h30-19h30: Palestra sobre Movimentos Sociais e Movimento LGBT, com Julian Rodrigues do Grupo Corsa

19h30-20h30: Apresentação de propostas para inserção de ações em prol da Cidadania LGBT (Educação, Saúde e Cultura) com Genésio Silva, Lula Ramires e Anselmo Figueiredo.

20h30: Encerramento do Encontro - Samba de Roda

08/11/09 - 3ª Parada LGBT de Piracicaba

Concentração: 15h30 – Praça São Vicente de Paula (próxima ao Teatro Municipal)

terça-feira, 3 de novembro de 2009

A Antropologia Perde seu Mestre: Levi Strauss Morre aos 100 Anos

Morreu nesta terça-feira (03/11), aos 100 anos de idade, Claude Lévi-Strauss, antropólogo e filosofo francês, um dos maiores nomes da antropologia contemporânea. Lévi-Strauss lecionou na Universidade de São Paulo nos anos 30, onde realizou seus primeiros estudos de etnologia entre populações indígenas, trabalho que desenvolveu ao longo da vida e que o transformou num clássico obrigatório das ciências humanas.

Nascido em Bruxelas, na Bélgica, Lévi-Strauss foi um dos grandes pensadores do século 20. Ele, que completaria 101 anos no próximo dia 28, tornou-se conhecido na França, onde seus estudos foram fundamentais para o desenvolvimento da antropologia. Filho de um artista e membro de uma família judia francesa intelectual, estudou na Universidade de Paris.

Exilado nos Estados Unidos durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), Lévi-Strauss foi professor nesse país nos anos 1950. Na França, continuou sua carreira acadêmica, fazendo parte do círculo intelectual de Jean Paul Sartre (1905-1980), e assumiu, em 1959, o departamento de Antropologia Social no College de France, onde ficou até se aposentar, em 1982.

O estudioso jamais aceitou a visão histórica da civilização ocidental como privilegiada e única. Sempre enfatizou que a mente selvagem é igual à civilizada. Sua crença de que as características humanas são as mesmas em toda parte surgiu nas incontáveis viagens que fez ao Brasil e nas visitas a tribos de indígenas das Américas do Sul e do Norte.

O antropólogo passou mais da metade de sua vida estudando o comportamento dos índios americanos. O método usado por ele para estudar a organização social dessas tribos chama-se estruturalismo. "Estruturalismo", diz Lévi-Strauss, "é a procura por harmonias inovadoras".

Suas pesquisas, iniciadas a partir de premissas linguísticas, deram à ciência contemporânea a teoria de como a mente humana trabalha. O indivíduo passa do estado natural ao cultural enquanto usa a linguagem, aprende a cozinhar, produz objetos etc. Nessa passagem, o homem obedece a leis que ele não criou: elas pertencem a um mecanismo do cérebro. Escreveu, em "O Pensamento Selvagem", que a língua é uma razão que tem suas razões - e estas são desconhecidas pelo ser humano. Lévi-Strauss não via o ser humano como um habitante privilegiado do universo, mas como uma espécie passageira que deixará apenas alguns traços de sua existência quando estiver extinta.

Membro da Academia de Ciências Francesa (1973), integrou também muitas academias científicas, em especial européias e norte-americanas. Também é doutor honoris causa das universidades de Bruxelas, Oxford, Chicago, Stirling, Upsala, Montréal, México, Québec, Zaïre, Visva Bharati, Yale, Harvard, Johns Hopkins e Columbia, entre outras.

Aos 97 anos, em 2005, recebeu o 17o Prêmio Internacional Catalunha, na Espanha. Declarou na ocasião: "Fico emocionado porque estou na idade em que não se recebem nem se dão prêmios, pois sou muito velho para fazer parte de um corpo de jurados. Meu único desejo é um pouco mais de respeito para o mundo, que começou sem o ser humano e vai terminar sem ele - isso é algo que sempre deveríamos ter presente".

Obras Fundamentais

TRISTES TRÓPICOS: Mais que um livro de viagem, é um clássico da etnologia (1955). Além de trazer detalhes pitorescos das sociedades indígenas do Brasil, o livro discute as relações entre Velho e Novo Mundo e o significado da civilização e do progresso. Lévi-Strauss desloca parâmetros consagrados e questiona viajantes e cientistas. O mundo dos cadiuéus, bororos, nhambiquaras e dos tupi-cavaíbas revelam seus próprios estilos e linguagens.

ANTROPOLOGIA ESTRUTURAL: Publicada em 1958, a obra reúne artigos que propõem um empréstimo das teorias estruturalistas de Roman Jakobson, lingüista que Lévi-Strauss conheceu nos EUA, para renovar o método antropológico. Ela se divide em cinco partes: Linguagem e parentesco; Organização social; Magia e religião; Arte; e Problemas de método e de ensino. A obra será lançada pela Cosac Naify no dia 11.

O SUPLÍCIO DO PAPAI NOEL: A Cosac Naify lança, também no dia 11, O Suplício do Papai Noel, ensaio de 1952. Lévi-Strauss parte da queima de um boneco de Papai Noel em Dijon, França, em 1951, para analisar, por meio da antropologia estrutural, o significado das festas de fim de ano, a comercialização das datas tradicionais e a influência norte-americana nesse processo.

MITOLÓGICAS: Composta por quatro obras - O Cru e o Cozido (1964), Do Mel às Cinzas (1967), A Origem dos Modos à Mesa (1968) e O Homem Nu (1971) - a série analisa 813 mitos de diferentes povos indígenas do continente americano.

DE PERTO E DE LONGE: Em entrevista para o filósofo Didier Eribon em 1988, o antropólogo faz um balanço sobre sua história pessoal, formação intelectual e conceitos-chave de sua teoria.

HISTÓRIA DE LINCE: Segundo Lévi-Strauss, essa obra (1991) é a última incursão pela mitologia americana. Questões presentes em sua produção de mitólogo são retomadas e esclarecidas.

SAUDADES DO BRASIL: Obra de 1994 reúne fotografias feitas entre 1935 e 1939. Lévi-Strauss se deu conta de que poderia descrevê-las, localizando-as no tempo e no espaço, com auxílio da memória afetiva. Saudades de São Paulo, de 1996, também tem um depoimento em que se revisitam imagens de uma cidade onde o gado convivia com carros e bondes.

OLHAR, ESCUTAR, LER: De 1993, é escrita em tom de conversa, inteiramente dedicada à arte.

O PENSAMENTO SELVAGEM: No livro, de 1962, ele focaliza um traço universal do espírito humano - o pensamento selvagem que se desenvolve tanto no homem antigo como no contemporâneo.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Parada de SP Terá Trio Elétrico na 14ª Parada LGBT do Rio

As duas maiores Paradas do Orgulho LGBT brasileiras estarão juntas novamente. No próximo domingo (01), durante a 14ª Parada do Orgulho LGBT do Rio, a Parada de São Paulo terá um trio elétrico oficial. A ação reforça a parceria entre o Grupo Arco-Íris – organizador da manifestação fluminense – e a Associação da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo (APOGLBT).

“Por seu pioneirismo, a Parada do Rio de Janeiro representa um marco para a população LGBT brasileira. A união dos espíritos das duas Paradas reflete o momento do movimento LGBT em uníssono contra as declarações e atos homofóbicos”, diz Alexandre Santos (Xande), presidente da APOGLBT. Essa é a primeira vez que São Paulo marca presença em outra Parada com um trio próprio.

A aproximação entre as duas Paradas se intensificou durante o último Mês do Orgulho LGBT de São Paulo, quando APOGLBT e Grupo Arco-Íris fortaleceram a campanha “Não Homofobia!” conjuntamente, em todas as atividades da programação. A entidade carioca teve ainda um trio elétrico especial na 13ª Parada de São Paulo – em 14 de junho de 2009 – que ficou estacionado na Avenida Paulista recolhendo assinaturas para o abaixo-assinado a favor da criminalização da homofobia.

Xande também será homenageado na cerimônia do 8º Prêmio Arco-Íris de Direitos Humanos, que ocorre hoje (30), e integra as atividades da 14ª Parada do Rio. Transexual masculino, Alexandre Santos preside a APOGLBT desde 2007. Segundo Gilza Rodrigues, diretora do grupo Arco-Íris, o trabalho desenvolvido por Xande “contribui de maneira ímpar para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária”.

Convite ao público

Para incentivar que o público da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo compareça ao Rio, a APOGLBT faz um convite: quem for à Parada e levar uma bandeira do Estado ou da cidade de São Paulo, terá acesso ao trio elétrico da entidade durante a manifestação.

Mas a Associação ressalta que, por motivos de segurança, a capacidade de lotação máxima do carro será respeitada. Portanto, é recomendável que os interessados cheguem antecipadamente ao local em que o trio estiver posicionado. A partir do Posto 6 da praia de Copacabana, o trio da APOGLBT será o de número 14.

A Parada do Orgulho LGBT do Rio, cujo tema é “Eu tenho o direito de viver e amar livremente”, ocorre no próximo domingo (01) a partir das 13h. Para mais informações sobre a programação, acesse www.arco-iris.org.br.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Preconceito: Cada um Tem o Seu

Ontem, assisti o polemico documentário “Olhos Azuis”, idealizado pela americana Jane Elliot, uma mulher branca, de coragem e que enfrentou o preconceito racial da sociedade americana dos anos 60. Elliot era professora primaria e para mostrar aos seus alunos brancos como as outras crianças que não tinham a cor da pele caucasiana e/ou os olhos azuis sofriam por conta da imposição da classe dominante, ela realizou um exercício em sala de aula, separou as crianças pela a cor dos olhos com colares de papel no pescoço e as inferiorizou, dizendo que não eram capazes, que não poderiam usar o mesmo banheiro e bebedouro e que não podiam brincar com as demais crianças, pois se não podiam usar os mesmos banheiros e bebedouros, significavam que eram sujas e deveriam ficar separadas no horário do intervalo.

A experiência no colégio infantil durou apenas um dia, mas mudou a vida daquelas crianças para sempre, no final da aula elas tiraram os colares que as estigmatizaram e aprenderam uma grande lição acerca do preconceito. Só quando sentimos o preconceito na pele, sabemos como é difícil ser separado por condições que são inerentes ao ser humano. Ainda criança, eu senti isso na pele, fui separado no colégio porque os meus gostos e tendências não condiziam com aos gostos dos demais meninos, não gostava de futebol, não falava de meninas, era extremamente educado e gostava de estudar. As crianças são implacáveis, não perdoam, nunca perdoaram ninguém. Acabei me juntando ao grupo dos excluídos, entre eles estavam o meu amigo “Léo Gay”, a “Janaina Gorda” e eu, o "Marcos Viadinho”.

Na época, eu fazia natação com o “Léo Gay”, na nossa turma havia outro garoto do nosso colégio, ele estudava na minha classe, sempre, no horário da saída da natação ele nos ofendia (o Léo e eu), até que um dia eu comecei a bater nele. Ele xingava e corria, eu ia atrás, eu era mais forte que ele, mas ele corria mais rápido, mas quando eu pegava, batia com gosto. No outro dia, ele contava para amigo dele, de outra série, que eu havia batido nele, ai ele me batia e dizia que nã para nenhuma gayzinho bater no amigo dele, no outro dia, na natação ele novamente me xingava, eu novamente batia nele e na saída do colégio o amigo dele me batia novamente, e isso virou um circulo vicioso que durou o ano inteiro, no outro ano, minha família se mudou e eu mudei de colégio e o circulo se rompeu.

No documentário, Jane Elliot repete o exercício feito com os seus alunos primários, com adultos, separando os de olhos azuis e tratando-os com inferioridade. Em duas horas, Elliot prova que o poder da persuasão é capaz de deprimir pessoas resolvidas e bem sucedidas e depois critica dizendo que eles passaram por aquilo por apenas duas horas e pergunta: como ficam os negros, homossexuais, gordos e tantos outros grupos estigmatizados pela sociedade? No Brasil, o preconceito está tão difundido na sociedade, que me assusta. Vejo aqui o preconceito dentro dos grupos de minoria, gays estigmatizando gays e negros estigmatizando negros e isso ocorre de uma forma tão sutil que acabou surgindo uma nova modalidade de preconceito: o preconceito de ter preconceito.

O primeiro passo para acabarmos com esse câncer que consome a sociedade, é não se enganar e assumir para si mesmo os seus preconceitos, sempre ouvimos declarações do tipo: “Não tenho nada contra gays, mas não quero ter um filho gay” ou “tenho amigos negros, mas não me casaria com um”. Temos que acabar de vez com a hipocrisia e assumirmos as nossas falhas sociais e assim como o documentário “Olhos Azuis” deixa bem claro, o preconceito só acabará com a imposição, grupos reprimidos tem que se sobressair diante dos seus opressores e se portarem da mesma maneira, ou seja, negros se portando como brancos e gays se portanto como héteros. Não me refiro às questões culturais, essas particularidades tem que ser preservadas, me refiro ao comportamento social, negros, gays e demais grupos reprimidos tem que se portarem com dignidade e combater com afronta o preconceito e fazer valer os seus direitos, somente assim essa situação será revertida.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Tema da Parada Gay de 2010

A Associação da Parada inicia campanha para escolha do tema do 14º Mês do Orgulho LGBT de São Paulo e promove no dia 07 de novembro uma reunião aberta ao público para debate e definição do tema que norteará todas as atividades do calendário, incluindo a Parada do Orgulho LGBT, agendada para o dia 06 de junho de 2010, na Avenida Paulista. Sugestões para o tema podem ser enviadas para o email tema@paradasp.org.br. Em todos os anos, o tema do Mês do Orgulho LGBT de São Paulo é definido pela diretoria da APOGLBT, autoridades, apoiadores e o público das atividades, em reunião aberta na sede da entidade.

O tema escolhido para o Mês do Orgulho LGBT deve refletir o atual momento e demandas da comunidade LGBT no país, propiciando o debate na sociedade através da difusão gerada pelo conjunto de atividades e por sua ampla abordagem na mídia. Além de guiar a organização, o tema será a base para a criação de toda a identidade visual e material gráfico, campanhas de foto e vídeo e do 3º LGBTema – música tocada pelos DJs nos trios elétricos durante o trajeto da Parada.

A evolução da Parada Através dos Temas

Há 13 anos, os temas propostos pela Parada de São Paulo refletem as necessidades da comunidade LGBT brasileira. Analisá-los possibilita identificar como a Parada interferiu nos conceitos morais da sociedade e quais mudanças sociais já ocorreram.

Em 1997, a comunidade LGBT não era vista como “consumidores em potencial” ou “formadores de opinião”, como na atualidade. Nesse passado recente, a polícia realizava blitz em locais de frequência gay, coibindo a presença e intimidando as pessoas, muitas vezes prendendo cidadãos simplesmente pelas roupas que vestiam ou por se beijarem em locais públicos. Tendo a visibilidade como foco, o tema da primeira Parada foi “Somos muitos e estamos em todas as profissões!”.

Em 2000 a Parada inicia a campanha pelo envolvimento da sociedade, trazendo à discussão o conceito de diversidade e respeito. Naquele ano, em sua 4ª edição, o tema abordado foi “Celebrando o orgulho de viver a diversidade”.

De 2003 a 2005, a Parada começa a ser utilizada como ferramenta de pressão política do movimento para aprovação de leis e garantia de Direitos Humanos para LGBT. A 9ª edição falava “Parceria civil, já! Direitos iguais: nem mais, nem menos”, quando na época era discutido o Projeto de Lei 1151/95 na Câmara dos Deputados, que regulamentaria no Brasil a união civil entre pessoas do mesmo sexo. A lei foi engavetada, porém, diversas empresas e instituições possuem atualmente políticas de inclusão LGBT, reconhecendo o casal homossexual e concedendo benefícios aos companheiros dos funcionários, assim como para os casais heterossexuais.

Desde 2006, com a proposta do Projeto de Lei da Câmara 122/06 – que visa criminalizar em todo o território nacional os atos de violência discriminatória, verbal ou física, cometidos contra cidadãos(ãs) LGBT – a Parada traz como tema a questão da homofobia. “Homofobia é crime! Direitos sexuais são direitos humanos” e “Sem Homofobia, Mais Cidadania – Pela Isonomia dos Direitos!” foram os temas das 10ª e 13ª edições, respectivamente. Mesmo com a lei federal ainda em discussão, vários municípios e estados brasileiros já regulamentaram códigos similares em suas instâncias.

Ano a ano: os temas das Paradas em São Paulo

1ª Parada do Orgulho GLT (28/06/1997): “Somos muitos, estamos em todas as profissões

2ª Parada do Orgulho GLT (28/06/1998): “Os direitos de gays, lésbicas e travestis são direitos humanos

3ª Parada do Orgulho GLBT (27/06/1999): “Orgulho Gay no Brasil, rumo ao ano 2000

4ª Parada do Orgulho Gay (25/06/2000): “Celebrando o orgulho de viver a diversidade

5ª Parada do Orgulho Gay (17/06/2001): “Abraçando a diversidade

6ª Parada do Orgulho Gay (02/06/2002): “Educando para a diversidade

7ª Parada do Orgulho Gay (22/06/2003): “Construindo políticas homossexuais

8ª Parada do Orgulho GLBT (13/06/2004): “Temos família e orgulho

9ª Parada do Orgulho GLBT (29/05/2005): “Parceria civil, já! Direitos iguais: nem mais, nem menos

10ª Parada do Orgulho GLBT (17/06/2006): “Homofobia é crime! Direitos sexuais são direitos humanos

11ª Parada do Orgulho GLBT (10/06/2007): “Por um mundo sem machismo, racismo e homofobia!

12ª Parada do Orgulho GLBT (28/05/2008): “Homofobia mata! Por um Estado laico de fato!

13ª Parada do Orgulho LGBT (14/06/2009): “Sem Homofobia, Mais Cidadania – Pela Isonomia dos Direitos!

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

A Regra da Tapioca

Vitor estava no intervalo da faculdade. Ele tem por hábito comer uma tapioca por semana, regra estabelecida por ele mesmo e que nem sempre é seguida à risca, às vezes ele se descontrola e come duas, mas isso ocorre muito eventualmente. Houve momentos de destemperamento que levaram Vitor comer tapioca diariamente, ele até pensou em procurar ajuda médica, talvez uma psicoterapia para trabalhar melhor essa compulsão por tapioca, mas não foi necessário, ele se reencontrou e voltou a se conter com uma barrinha de cereal ao chegar à faculdade e outra no horário do intervalo, as tapiocas ficaram agendadas para as sextas, mas aquele dia era uma terça.

Tudo indicava ser um indicio de um novo destemperamento, se as tapiocas eram para as sextas, então o porquê ele estava nunca terça-feira, ali parado, esperando por uma tapioca de carne seca com queijo? Existem muitos mistérios que podem esconder-se por detrás de algo que foge do controle, às vezes a vida quer nos aproximar de algo e para isso temos que quebrar algumas regras... Quanto a isso, tudo bem, talves na sexta-feira Vitor se contenha com sua barra de cereal para compensar esse ato desmedido.

Antes mesmo de a tapioca ser entregue, Vitor se depara com um rapaz mediano, olhos profundos e andar firme, os olhares se encontram e ambos os mantiveram firmes, o rapaz passou direito e o coração de Vitor disparou, mas logo ele pensou: Olhar uma vez é só curiosidade. Vitor olha para trás e o seu olhar cruza novamente com o olhar do rapaz mediano, olhos profundos e andar firme, então ele conclui: Olhar uma vez é só curiosidade, olhar duas vezes é interesse.

Ele ainda esperava por sua tapioca, uma espera sem fim: Pelo amor de deus minha filha, no seu lugar eu faria dez tapiocas. Ou pelo menos penso que faria, pois o tempo do coração com condiz com o tempo material... Depois de instantes de minutos de ansiedade pela espera, ou talvez segundos, não sei ao certo, Vitor dirigiu-se para o sentido que foi o rapaz: Caralho, ele já está no fim da rua. Vitor não se abate e começa a correr, mas depois ele pensa: Porque eu estou correndo? Ele se sente como aqueles cachorros que correm atrás de rodas de carros, mas não fazem a mínima idéia do que fazer com aquela roda caso ele consiga alcançar, enfim, assim como os cachorros, ele não racionaliza e continua aquela desenfreada perseguição ao rapaz, com a vantagem de não estar latindo, pois ai seria demais.

O farol fechou para os pedestres, por conta disso Vitor consegue se aproximar do rapaz que percebe que está sendo seguido, mas não tem para onde correr, talvez ele nem queira correr. Vitor o alcança, mas ao contrario dos cachorros que perseguem rodas de carros, ele teve uma atitude e diz: Olá, tudo bem? O rapaz responde: Tudo! Vitor ficou sem assunto, apesar de paulista, ele está cansado de papo de tempo e como ele é gay, não tem por habito falar de futebol, ele até poderia falar sobre política, mas não seria uma boa para o momento, então se recolhe para dentro de si mesmo e faz a pergunta mais pertinente para tal situação: Para onde você vai? O rapaz responde: Para casa e você? O retruque do rapaz animou Vitor, pois o dialogo havia se estabelecido e ele responde: Eu não vou para lugar nenhum, estou apenas atrás de você... Choquei com a sinceridade de Vitor e o rapaz também ficou chocado e se recuou para dobrar-se de rir, apesar da situação inusitada, ambos sentiram uma vontade imensa de se conhecerem e de lá para cá Vitor abriu mão da regra de tapioca às sextas e passou a comer tapioca nos dias que ele tem vontade, afinal, ele não sabe o que a vida lhe reserva.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Guia de Etiqueta: Saudações

Ontem, conversando com um amigo, confessei: “eu não cumprimento pessoas em elevadores”. Ele ficou passado com a minha declaração, achou um absurdo o fato de eu entrar num recinto e não saudar os presentes. Não gosto de criar vínculos com pessoas que conviverei por apenas alguns minutos, às vezes segundos. É muito estranho o comportamento das pessoas nos elevadores, uns olham para a cara dos outros e dão risinhos sem graça enquanto os outros comentam sobre a chuva que deu no último feriado prolongado e as possibilidades disso acontecer no próximo feriado.

As regras de etiqueta dizem que ao entrar num elevador devemos saudar as pessoas com um aceno de cabeça acompanhado ou não de um "bom dia". Quem foi saudado retribui a saudação. Eu prefiro não saudar, me apego fácil as pessoas e quero evitar sofrimentos futuros quando chegar o andar de determinada pessoa e tivermos que nos separar para sempre. Ao entrarmos num elevador em silencio e sairmos em silêncio, estamos respeitando a individualidade de cada um, não há como saber se determinada pessoa está no meio de uma reflexão ou se simplesmente ela não acordou bem e não quer dirigir-se a ninguém. Caso seja feito um aceno de cabeça, faça apenas um aceno geral, é estranho se dirigir a cada um dos presentes e acenar individualmente.

Outra situação que considero delicada é o fato de entrarmos atrasado numa sala de aula ou reunião e ao abrir a porta recepcionarmos os presentes com um caloroso e sonoro bom dia, desconcentrando todos os que estão trabalhando e/ou estudando. Chegar atrasado já é indelicado, quando isso acontecer, temos que entrar no ambiente de forma imperceptível, fazendo o mínimo de barulho possível, pois existem pessoas que tem problema de concentração e só o fato de alguém entrar em silencio, tira à atenção muitas pessoas.

Quando chegamos num ambiente onde as pessoas estão divididas em vários grupos, não há necessidade de dar beijinhos e bom dia em todas pessoas de todos os grupos, cumprimente apenas as pessoas que você conhece e as que estão acompanhadas delas e beije apenas as pessoas que você tem intimidade, apesar de moramos no Brasil, um país de calor latino, existem muitas pessoas se sentem retraídas ao serem tocadas.

Não há necessidade de cumprimentarmos as 147 pessoas que encontramos na rua, como no caso do elevador, essas pessoas são frutos de relacionamentos instantâneos, caso seja alguém que você conhece de vista, é educado um aceno com a cabeça e se alguém lhe der bom dia, é educado responder. Quando o bom dia for seguido de um “como vai” ou “você está bem”, contenha-se em dizer “sim, estou bem”, ninguém precisa ficar sabendo dos problemas de pressão arterial da sua mãe, dos roncos do seu marido e do cálculo renal da sua filha.

Na dúvida em como se comportar, é só pensar: “Ai, e se fosse no meu!”. Sempre temos que projetar nossas ações em nos mesmo, só assim saberemos em quais situações somos enfadonhos e como podemos nos policiar para criar uma situação de bem estar social aos que nos rodeiam.

sábado, 17 de outubro de 2009

Terapia Musical

É impressionante como as músicas têm um caráter terapêutico, no mesmo instante que achamos que está tudo errado, que a vida não tem sido generosa e que muitas das vezes dá vontade de desistir de ser um bom garoto, mudamos de ideia ao ouvir uma boa música que marcou um bom momento e que nos faz lembrar que temos bons antecedentes e uma reputação a zelar. A música, como qualquer outro tipo de manifestação artística, nos faz voltar as primícias, nos coloca em contato com o nosso íntimo, nos remete as nossas origens.

Fui extremamente sincero com um fato de minha vida, criei situações, que depois parando para pensar, refleti que tal comportamento não é meu, no geral não sou tão "abusado", me contenho em meio as situações, mas confesso que gostei do "Marcos" que estava escondido dentro de mim, me surpreendi, fui enfático no que queria e literalmente corri do que me atraiu... Achei que seria pertinente experimentar a verdade absoluta, mas tenho a impressão que a verdade nem sempre tem que ser dita, mas sim vivenciada. A verdade é fascinante, mas ao mesmo tempo é assustadora e na sociedade plástica que estamos acostumados a viver, temos que a todo momento fazer uma releitura do real e editar apenas o que é pertinente para determinadas situações.

De tempos em tempos tem uma música que marca a minha vida e se a minha vida fosse um filme ou uma novela, certamente tal música faria parte da trilha sonora da mesma. Dentre as músicas que já sonorizou a minha vida, estão: Fácil (Jota Quest), Primeiros Erros (Capital Inicial), Quando a Chuva Passar (Ivete Sangalo), Borboletas (Vitor e Léo), Perfect (Simple Plan), Wake Me Up When September Ends (Green Days), Viva la Vida (Cold Play) e recentemente, anda fazendo a trilha sonora da minha vida algumas músicas um pouco badaladas, como: Halo (Beyoncé), Hush Hush (The Pussycat Dolls), Circus (Britney Spears), I Gotta Feelin (Black Eyed Peas), I Didn't Know My Own Strength (Whitney Houston) Poker Face (Lady Gaga) e When Love Takes Over (Kelly Rowlanda).

Ultimamente estou um pouco baladeiro, isso explica o porque de tantas músicas que estão nas paradas de sucessos entre as minhas favoritas, com o passar do tempo, sei que algumas delas serão esquecidas e outras se juntarão ao grupo das primeiras, como: I Gotta Feelin e When Love Takes Over que estão marcando com mais intensidade o atual momento da minha vida. Amo uma boa música e não existe nada melhor do que se cercar delas em momentos de pequenas instabilidades emocionais. Encerro esse post por aqui, mas fico ouvindo When Love Takes Over de Kelly Rowlanda, música que tem o melhor clipe dos últimos tempos.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Minha Vida Cor de Rosa

Vendo o caso da menina Josie Romero que mudou se sexo aos oitos anos, lembrei-me do filme françês “Minha Vida Cor de Rosa”, que conta a história do garoto Ludovic, que cresce imaginando que nasceu no corpo errado: na verdade, acredita ser uma menina. O filme começa com uma festa promovida pela família de Ludovic para atrair a simpatia da nova vizinhança, o garoto se arruma para festa num lindo vestido de menina e surpreende a todos gerando um mal estar generalizado. Ludovic refugia-se do tormento em um mundo imaginário, onde só cabem a boneca Pam, uma Barbie espevitada, e o apoio afetivo da avó.

A vida imita a arte e fico feliz pelo exemplo de diversidade que a família da garota Josie deu ao mundo. A mãe da menina achava que o seu filho era homossexual e para não contrariar o filho, fez um guarda roupas de menino e um de menina, pois desde pequeno ele se comportou como uma menina, nas atitudes e brincadeiras, o filho sempre optava pelas roupas femininas, com o passar do tempo, a mãe viu que o filho tinha outra identidade de gênero.

Josie recebe atendimento médico e psicológico. Ela tomará medicamentos para evitar a puberdade masculina. Quando completar 12 anos, deve ingerir hormônios femininos. A mãe diz que Josie já sabe que terá de passar por uma cirurgia de mudança de sexo quando for adulta. No Arizona, onde vivem, Josie participa de grupos de apoio para famílias de transexuais, incluindo crianças. No ano passado, todos os documentos de Josie foram alterados. Legalmente, ela é uma menina.