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quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Desatando os Laços

Por mais que eu tente ser forte, a vida parece ser uma brincadeira de mal gosto. Tenho ciência que tudo o que aconteceu comigo foi por conta da minha permissão, até mesmo as pessoas que se aproximaram de mim, teve a minha concessão. Talvez fui ingênuo em não ver maldades ou não quis acreditar nos sinais e nas diversas pessoas que me alertaram, que me mostraram planos alternativos e que se fossem seguidos, hoje eu não passando por tudo isso.

Hoje senti saudades da época que o meu maior problema era convencer minha mãe a deixar eu andar de bicicleta na rua. Na época, achava um absurdo o excesso de zelo prestado por minha progenitora, hoje adoraria ter esse excesso. Até hoje ela cuida de mim, se mostra preocupada com a minha vida, mas a muito tempo deixou os seus excessos de mãe e passou apenas a me assistir, aliás, eu cresci e minha mãe fez tudo o que poderia ter feito por mim e tenho que admitir que ela fez muito.

Tudo o que fiz  foi por amor, confiando em um amor e pelo amor fui traído. Entreguei minha confiança, meu carinho e zelo e em troca tive uma porta fechada. Não sei avaliar se me arrependo ou não, acredito que ainda encontro-me próximo demais dos fatos para analisar as consequências dos mesmos. Desejo que tudo isso passe, sei que não posso usar uma borracha para passar na minha memoria e no meu coração, mas desejo que passe, desejo que a vida melhore e que um dia veja uma razão os fatos.

Certa vez, depois de uma briga, sai do carro e disse: entre, vamos conversar. Cenas como essas se repetiram por inúmeras vezes e nos mais distintos cenários. Hoje penso, o que teria sido diferente se a minha reação fosse a apatia? Talvez ele teria vindo atrás, como já veio outras vezes, ou talvez não. Na verdade, temos que parar de tentar adivinha como teria sido a nossa vida se determinada ação não tivesse sido tomada, não estamos no filme “Efeito Borboleta”, temos apenas que aceitar e seguir em frente.

Mesmo com a promessa de não permitir mais abusos ofertados gratuitamente a minha pessoa, novamente fui ferido. Foi uma situação da qual eu não consegui escapar. A sensação de incomodo foi imediata e a dissimulação no seu formato mais pobre e patético se fez presente. Uma tentativa primária de me machucar, só me fez validar que seguir em frente foi uma decisão assertiva. Sinto orgulho de não usar ninguém para atingir outras pessoas e quando alguém estiver de fato no meu caminho, será para viver e não para mostrar para alguém que estou bem e que estou “feliz”.

Desatar os laços feitos ao longo de um relacionamento duradouro, não é uma tarefa simples. O que mais quero é que tais laços sejam desatados e que eu possa seguir a minha vida, seguir em frente. De tudo o que passei, ficaram grandes aprendizados, de fato nunca mais serei o mesmo. O sofrimento, quando compreendido e aceito, nos torna melhores e tudo o que vivi foi com o intuito de me tornar melhor para vida e para os futuros laços que atarei.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Ex-BBB Eliéser é Destaque da Revista ACapa

No mês em que o Rio de Janeiro celebra o orgulho gay com a 15ª. edição da Parada Gay, que acontece no próximo domingo, 14/11, a revista A Capa traz em seu editorial o ex-BBB Eliéser Ambrósio em um ensaio lindíssimo fotografado, claro, na cidade maravilhosa.

Em entrevista ao editor Paco Llistó, que também esteve presente na sessão de fotos, ele falou sobre os boatos sobre ser gay, sua relação com a Cacau, a vida após a saída do programa e sobre como lida com o assedio por parte dos gays.

A revista disponibilizou um trecho da entrevista com o ex-bbb, a entrevista poderá ser conferida na íntegra na próxima edição da ACapa;

O que achou de posar para uma revista gay?

Achei muito bacana! As fotos ficaram incríveis e de muito bom gosto. Não tenho nenhum preconceito com o público GLS. Adorei.

Quando você ainda estava no programa, surgiram boatos de que você era gay. O que você tem a comentar sobre isso?

Pois é, sou um cara muito bem resolvido sexualmente! Sou hétero e repito: tenho muitos amigos gays e nunca tive problema com nenhum deles. No BBB, era muito amigo do Serginho e do Dicesar. Como disse, não tenho preconceito e tenho orgulho de ser assim.

Como está sua relação com a Cacau? Apesar do término do namoro, vocês continuam amigos?

Sim. Gosto muito dela, independente de estarmos juntos ou não.

A revista atual é distribuída em cerca de 100 estabelecimentos como bares, restaurantes, saunas e clubes nos principais pontos de interesse gay de São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba, Belo Horizonte e Florianópolis.



segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Sobre Festas e Relacionamentos Desfeitos

Nesse final de semana, fui numa festa de aniversário na casa de um amigo. A festa foi ótima, regada de muito bebida e ótima música. Um ambiente bem diversificado sexualmente, muitas lésbicas, gays e héteros. Um gogoboy foi convidado, entrou no meu da noite vestido de militar, fez a sua performance e foi embora, mas a melhor performance não ficou por conta do gogoboy e sim do convidados.

Estava na fila do banheiro, depois de muitas vodkas e cervejas, ficamos um pouco mais solto. A Mari, minha amiga aniversariante, também estava na fila, eu era o próximo. Quando entrei no banheiro, ela entrou junto e com ela um convidado que não conheço. Devido a movimentação do banheiro, a minha vontade de usa-ló passou e aconteceu algo muito louco. A minha amiga beijou o rapaz e depois ele me beijou, isso seria algo normal, se não fosse pela declaração de que ele era hétero dada após o beijo.

Depois de mais algumas doses de vodka, a Mari chega até nós e diz: O Renato viu o Marcelo beijando o Gustavo e mandou os dois embora. Naquele momento eu fiquei sóbrio, mas como havia tomado muita vodka, logo estava bêbado de novo. O Renato e o Marcelo são casados há mais de 10 anos e o Gustavo é amigo de todos nos. Sem pensar muito fomos ao encontro deles, a briga estava acontecendo, os nervos a flor da pele. Marcelo pediu para ficarmos curtindo a festa e foi embora com o Gustavo.

A festa acabou e o casamento do meu amigo também. Não sei se os relacionamentos afetivos são complicados, ou se somos nós que complicamos tudo, fato é: viver a dois é muito complicado. O amor torna-se insuportável, quando passa a ser uma moeda de troca, na verdade, somos diferentes uns dos outros e não temos as mesmas motivações. Ambos sabiam há tempos que algo estava errado e mesmo não ajustando os seus anseios, preferiram continuar, em nome de vários fatores que não sei enumerar.

A agressividade com a qual os relacionamentos terminam, me assusta. As relações deveriam terminar da mesma forma que começam, aos poucos e com permissão para ir além e não de forma brusca e com a impossibilidade de uma amizade futura. Acabamos magoando, aquela pessoa que um dia amamos ou talvez ainda amamos, pelo fato de não sermos sinceros ao assumir que procurarmos por algo a mais. Muitas das vezes isso só é descoberto, quando os corações já estão despedaçados e com feridas que ficarão por toda a vida.

domingo, 7 de novembro de 2010

A Triste Despedida da Mãe do Ademir

Conheço o Ademir há mais de 10 anos. Ele é  um dos meus melhores amigos, esteve presente em muitos momentos importantes da minha vida, sempre dividindo alegrias e tristezas. Nesses vários anos de amizade, foram várias viagens para a praia, varias noitadas em muitas baladas e muitas confidencias trocadas. Conheço quase toda a sua família, assim como ele conhece boa parte da minha. Sempre fui muito bem recebido pelas seus pais, principalmente pela mãe, que sempre foi muito receptiva e comunicativa.

Quando o meu telefone tocou, na manhã de sexta-feira, imaginei que algo estava errado. Depois de cumpridas as  formalidades ao atender um telefone, ele foi logo dizendo com a voz embargada que a sua minha havia mãe falecido. Eu fiquei sem palavras, disse que sentia muito e anotei o nome do cemitério e endereço do velório. Parei tudo o que estava fazendo e fui ao encontro do meu amigo, nesse que com certeza foi um dos dias mais tristes de sua vida.

Sai de Arujá e fui para Diadema, cheguei na igreja, que a mãe do meu amigo frequentava, por volta das 13 horas. Ele estava na porta, dei um abraço apertado nele, disse que sentia por sua perda e que estava ali, com ele. A igreja estava lotada, mostrando que a mãe do meu amigo era muito querida naquela comunidade. Foi um velório muito triste, com muitos depoimentos de parentes e amigos, ressaltando a pessoa importante que havia falecido.

Ela estava lutando contra o câncer há muito tempo e dos seis meses pra cá, a sua situação ficou muito complicada. Na quinta, ela foi internada com um quadro agravado, não resistiu, porém lutou bravamente. Com 61 anos, deixou filhos, netos, esposo, amigos e familiares inconsoláveis, mas fato é: ela descansou, agora está em paz e não sofre mais.

O enterro foi num cemitério muito bonito, chamado "Vale da Paz", em Diadema. No cemitério tem um viveiro de pássaros bem grande e um lago com vários patos. Cerca de 100 pessoas acompanharam o sepultamento, fiquei por perto do Ademir, numa distancia boa para lhe dar privacidade, mas não longe o bastante para que se sentisse sozinho. Após sua mãe ser aplaudida, quando o caixão desceu a cova, meu amigo não resistiu as cenas e se isolou, fui atrás e fiquei ao seu lado, em silêncio.

Tenho medo de passar por esse momento, a dor de perder uma mãe deve ser violenta. Perder aquela que é a motivação de nossas vidas, que nos gerou, nos ensinou a dar os primeiros passos e carinhosamente nos levantou dos primeiros tombos. Nunca estamos preparados para tal perda, essa dor nunca é minimamente suportável. Perder uma mãe é perder todos os referenciais de uma vida, é um luto que carregaremos para o resto de nossas vidas.

Desejo forças para o meu amigo. O momento do velório e enterro é carregado de muito sofrimento, mas sabemos que os momentos seguintes são os piores. Momentos ao entramos em casa e vermos que aquele lugar predileto no sofá, não será mais ocupado pelo ente querido, que alguns itens que sempre haviam na geladeira, não serão mais vistos e que o carinho e prestatividade desempenhados por aquela que lhe deu a vida, fará parte apenas das melhores lembranças. Espero que o meu amigo seja forte e encarre tais momentos com coragem e lembre-se sempre da grande mulher que foi a sua mãe.

sábado, 6 de novembro de 2010

Segunda Acontece Comemora 4 Anos em Novo Local

Na próxima segunda-feira, dia 08 de novembro, o espetáculo Segunda Acontece comemora 4 anos de sucesso. Musical de maior sucesso na cena noturna paulistana, desde que estreou em 2006, o show reúne as drags mais famosas do Brasil: Boo, Dimmy Kieer, Divina Núbia, Llady Meteora, Salete Campari, Silvetty Montilla e Vitória Principal. Os artistas farão a sua festa de aniversário a partir das 21h30 no Spasso Rio
Branco, no centro de São Paulo.

A noite contará ainda com shows de Brendha Costa e Valentinni, convidadas especiais. A casa recebe os convidados e a imprensa a partir das 20h e os convites são vendidos com as integrantes do grupo. Mais informações pelo telefone: (11)-3221-0874, onde reservas de mesas e convites também podem ser feitas. O Spasso Rio Branco conta com estacionamentos conveniados ao lado do local.

Serviço:

SEGUNDA ACONTECE 
O musical reúne as drag-queens mais
famosas do Brasil: Boo, Dimmy Kieer, Divina Núbia, Llady Metteora, Salete Campari,
Silvetty Montilla e Vitória Principal
Direção de Antônio Carlos Faquetti. (80 min). 14 anos.
Spasso Rio Branco (200 lugares),
Avenida Rio Branco, 82, tel. 3221-0874 / 7762-5226

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Lorena Simpson é atração da matinê da Blue Space

A cantora brasileira Lorena Simpson, dona do hit single 'Breathe Again', é a aposta para a matinê da Blue Space em São Paulo no domingo, 07 de Novembro. O show inédito e exclusivo reúne os grandes hits da estrela e conta com singles de grandes divas da música pop para complementar o show. A turnê de Lorena Simpson retorna à Blue Space após o sucesso de público e de crítica em sua última apresentação na casa, na qual dividiu o palco com a drag Talessa Top no hit 'Cant Stop Loving You'.

Lorena Simpson ganhou projeção nacional ao lançar em parceria com Filipe Guerra o single 'Cant Stop Loving You' e fazer sucesso nas pistas com hit 'Brand New Day'. A cantora é hoje a principal cantora da cena LGBT e ostenta o título de diva entre os gays do Brasil. No México foi escolhida como embaixadora internacional na luta contra o preconceito pela organização da parada LGBT do país.

A matinê da Blue Space começa as 20hs com os DJs Herbet Ton e Robson Mouse no comando do som, gogos e o show de humor com a participação de Silvetty Montilla, Thalia Bombinha, Natasha Rasha, Michelly Summer e Stefany D´Bourbon completam a programação da Blue Space - SP.

Confira a última apresentação da cantora no vídeo registrado e editado pela web-rádio Ômega Hitz:


Serviço:

Show Lorena Simpson
Domingo, 7 de Novembro - 20hs
Show: Lorena Simpson
Elenco: Silvetty Montilla, Thalia Bombinha, Natasha Rasha, Michelly Summer e Stefany D´Bourbon
DJs: Robson Mouse e Herbert Tonn (residentes)
Rua Brigadeiro Galvão, 723 - Barra Funda – SP
R$ 18 (com flyer) - somente para homens
R$ 26 (sem flyer)

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Boate Nostro Mondo Completa 39 anos

Todos os baladeiros que frequentam a noite gay com certeza já ouviram falar na boate Nostro Mondo. Considerada um verdadeiro ícone da noite paulistana, ela é rica em histórias e protagonizou alguns dos maiores eventos gays do país. Há 39 anos, o 'Castelinho da Consolação', como também é chamado, atrai um público diversificado para dançar em sua pista.

Antes de iniciar sua trajetória na noite, o local era um clube hétero, sem pretensão de ser um marco notívago. No entanto, quando a Condessa Monica (Clóvis) comprou o local na década de 1970, ela o transformou em um point glamoroso e elegante. Com ares teatrais e shows bem produzidos, o palco da boate foi o berço de verdadeiros ícones do transformismo.

A ex-Big Brother Dimmy Kieer deu seus primeiros passos com salto alto naquele lugar. Miss Biá, uma artista nata, trabalhou durante doze anos na casa, conquistando seu estrelato com shows memoráveis. "Era uma superprodução, cheguei a entrevistar Miguel Falabella, Wanderléia, Lucinha Lins, Paulo Autran, Claudia Raia, Raul Cortez e até mesmo Bibi Ferreira", conta a drag. "Era um lugar para ver e ser visto, fino, elegante e receptivo", reafirma Biá, ao falar com saudosismo sobre o tempo em que trabalhou na Nostro Mondo.

E é pensando no saudosismo de Miss Biá que DJ Gê Rodrigues e Igor Calmona, donos do DJ Club, Mini Club, lojas DJ Club de som e iluminação entre outros empreendimentos, estão no comando da Nostro Mondo e pretendem modernizar, mas também reavivar, a tradição de bons espetáculos e shows bem produzidos.

As mudanças estruturais são perceptíveis logo na entrada do clube: a fachada foi restaurada e a entrada voltou a ter os traços elegantes de outrora. Mas as modificações não param por aí. O sistema de iluminação foi alterado, assim como o palco e o equipamento de som, considerado um dos mais modernos entre as casas noturnas de São Paulo. Agora, além da pista principal com o palco, há também uma segunda opção para dançar: uma nova pista no térreo, intimista, em que os DJs tocarão flashbacks, house e muito mais.

Os clássicos shows aos sábados e domingos serão mantidos, aos sábados Frank Ross e aos domingos com Silvetty Montilla. Gê Rodrigues e Igor Calmona convidaram importantes personagens da noite para compor o line-up da nova era da casa. Entre eles, estão Renato Lopes, Oscar Bueno, Jean Tavares, Luca Lauri, Andrea Gram, Xavier, Ulisses Cavassana, Jac Junior, Marcelo Saturnino, Cris Vilela, Zuba entre outros. A Nostro também terá para essa nova programação de inicio três afters, 'o After da Nostro' e o estreante 'After XAROPE’, do renomado DJ Luiz Pareto e SUB After.

E durante a semana, a Nostro abrirá Espaço Cultural Nostro Mondo para exibições de peças teatrais (coordenado por Duilio Ferronato) e projeções cinematográficas (com programação de cinema, que será coordenada pelo crítico Christian Petermann), projeto de moda (coordenado por Marcelo Hirata) e bandas novas. Ou seja, o Castelinho da Condessa retornou mais imponente e completo do que nunca.

Dia 04 de novembro a partir das 23 horas, na festa de OPENING, estarão nas pick-ups os DJs convidados Ulisses Cavassana, Sérjô , Jac Junior , Oscar Bueno e Haroldo Pereira Jr e no palco Silvetty Montilla e no dia 05 estreia a festa Classix Nouveaux, onde apresentarão mensalmente as múltiplas facetas da música para as pistas. Som e imagem conduzirão o público pelas boas lembranças do clubbing experience, desde meados dos anos 80 até os novos desafios sonoros e estéticos dos anos 2000.

Serviços:

Boate Nostro Mondo
Rua da Consolação, 2.554 - Jardim Paulista - São Paulo - SP - (11) 3338-0179
Festa Opening - dia 04 de novembro a partir das 23 horas
Festa Classix Nouveaux – dia 05 de novembro a partir das 23 horas
Funcionamento: de quinta a domingo
Horários: de quinta a sábado das 23 horas até ultimo cliente.
Matine aos domingos: das 18 a 0hora

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Esclarecimento aos "Anônimos" que me Ofendem

Desde abril, quando oficialmente foram anunciados oficialmente os candidatos a presidência da república, como cidadão que goza dos seus direitos civis e com direito a plena liberdade, como consta no artigo 5º da nossa constituição federal, me posicionei a favor do candidato José Serra, não apenas pelo fato de compor a militância do PSDB, mas por acreditar que o meu candidato representaria o que hoje o Brasil precisa.

O processo eleitoral foi finalizado e a maior parte do eleitorado Brasileiro se posicionou a favor da candidata do governo. Até os cidadãos mais leigos se deram conta que a tonalidade da campanha não foi uma das mais amistosas, entre acusações e defesas, o real cenário eleitoral foi alterado. Uma das minhas maiores indignações foi o fato da discussão central da pauta política focar aborto e casamento gay. Sou militante LGBT, sei como a questão do casamento entre homossexuais é importante para movimento gay no Brasil, mas fato é: o Brasil é muito mais amplo que tais questões.

Eleger um presidente que luta pelos direitos de minorias, que não se articula com movimentos conservadores e não assina documentos que anula direitos políticos de determinada camada da sociedade, é dever do cidadão. Se isso não ocorre, o que podemos fazer? Vivemos num poder de representatividade e se mais de 50% do eleitorado brasileiro se viu representado na figura de Dilma Rousseff, ela tem total autonomia para sentar na cadeira e fazer valer o poder de representatividade que a ela foi concedido.

Apartir do dia 1º de janeiro, não serei mais representando pelo presidente Lula, mas sim por Dilma, não é pelo fato dela me representar, que eu tenho que me sentir representado por ela. Não votei na Dilma, mas como brasileiro, ela me representa. Vivemos numa democracia, temos liberdade de expressão e tenho todo o direito de fazer oposição ao governo, como cidadão e como membro de um partido da oposição.

A eleição da Dilma não calará a minha voz e espero que não cale a dos 44 milhões de brasileiros que também não se sente representados por ela. Tal oposição é benéfica para o poder, pois regula a manutenção do mesmo. O PT continuará no poder, mas a necessidade de mudança foi acionada, pois se daqui 4 anos, mais uma camada da sociedade se somar aos 44 milhões que se opõe ao atual modelo, certamente teremos mudanças de fato.

Desde que foi anunciado a vitória da candidata do governo, recebi vários comentários ofensivos neste blog, se referindo a minha pessoa como "elite branca amargurada" "tucanalha frustrado", entre outros adjetivos. A campanha política acabou, mas a violência e a cegueira da manutenção do poder a qualquer custo, não. Agora me acusam de xenofóbo, dizendo que compactuei e promovi a enxurrada de preconceito contra os nordestinos desse país, outra violência gratuita destinada a minha pessoa. Sou filho de nordestinos, meu pai é baiano e minha mãe é pernambucana, fato que me enche de orgulho.

Tanto os meus avós paternos, como os maternos, deixaram o nordeste a fim de encontrar no sul, a região mais rica do Brasil, uma vida melhor. A família da minha mãe foi para a cidade de Santo André, berço do movimento sindical brasileiro, que tem uma história que se confunde com história do PT e cidade que eu nasci. A família do meu pai foi para o interior do Paraná, uma região rica no agro negócios, segmento que impulsiona a economia da nossa nação. Meus avós trabalharam muito para a construção e desenvolvimento desse país, nasceram e morreram pobres, meus pais trabalham até hoje.

Não vou ser hipócrita a ponto de dizer que não tenho uma situação favorecida frente a milhares de brasileiros, vim de uma família humilde e não pertenço a uma elite branca, tal termo dirigido a minha pessoa soa como ofensa, um deboche gratuito de pessoas que não tem argumentações para fazerem oposição as minhas ideologias políticas. Dizer que o meu partido é um partido de elite é no mínimo ingenuidade frente aos 44 milhões de votos que conquistamos do Oiapoque ao Chuí. O PSDB é um partido que representa o povo brasileiro, pois ele foi votado pelo povo, gostaria muito que a elite brasileira fosse composta por 44 milhões de brasileiros, mas tal informação não corresponde com a verdade.

Como se não bastasse as acusações de membro de uma elite branca e xenófobo, a mais nova acusação é de misógino. Sou gay, com muito orgulho, mas não abro mãos das mulheres da minha vida. Fui criado pela minha mãe, com o auxílio de duas irmãs mais velhas. Cresci rodeado de mulheres, fato que me enche de orgulho, pois credito muito do meu caráter, as mulheres que passaram e que ainda estão em minha vida. Minhas melhores amizades são do sexo feminino.

Ter aversão ao sexo feminino é rasgar toda a minha militância politica. Como ativista LGBT, luto pelo fim da homofobia, preconceito que nasce do machismo, a grande luta no movimento feminista. Tal termo me foi atribuído pelo fato de um comentário no twitter que dizia que me recordei do filme "O professor aloprado", quando a presidente eleita disse: Sim, a mulher pode. Quem assistiu ao filme deve se lembrar da cena que o professor aloprado diz: Sim, eu posso. Me referi apenas as expressões.

Depois me perguntei o motivo do ataque instantâneo Porque a presidente eleita não pode ter a sua imagem ligada a personagem do filme? Pelo fato dele ser frustrado e não beneficiado pela beleza padrão estabelecida pela sociedade? Não sei, mas concluo que o preconceito vem daqueles que me acusam. Se Dilma disse "sim, a mulher pode" e a personagem do filme disse "sim, eu posso", qual o problema de fazer tal analogia? Não são as mesmas expressões, de motivação e reafirmação. Se Dilma tivesse mudado o seu discurso e tivesse dito "eu tenho um sonho" e eu tivesse ligado a sua expressão ao discurso de Martin Luther King que disse "I have a dream", os simpatizantes do partido da situação encheriam a minha caixa postal de elogios.

O grande problema é que estão me medindo com a régua deles, assim como fizeram com o candidato José Serra. Ao me acusarem de xenofobia e misoginia, estão atribuindo os preconceitos inerentes a outra parte, para a minha pessoa. Todos o que disserem "sim, eu posso" me lembrarei do professor aloprado e todos os que disserem "eu tenho um sonho", me lembrarei de Martim Luther King. Atribuir preconceitos a mim por conta dos fatos expostos é expor os seus proprios preconceitos.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Muitos Mortos para nos Responsabilizarmos

Todos nos temos uma cota de mortos para nos responsabilizarmos. Se hoje estamos vivos, isso significa que tivemos que matar todos os nossos opositores para chegar onde estamos. Civilizações se opuseram a outras e no final, os vencedores dominaram os oprimidos. Em nome da sociedade moderna, muitas vidas foram ceifadas, para dar lugar as novas ideologias. Nesse jogo, não cabe discussões, quando paravam para discutir, os que postergavam o renovo, se davam por vencidos e a guerra se definia.

O país que eu vivo, descoberto pela civilização por Pedro Álvares Cabral, massacrou os primitivos que aqui existiam, acabando com todas as suas origens e cultura. O fator de dominação sempre é a religião e língua e essas foram as primeiras inserções que os jesuítas impuseram aos índios, os que resistiam as mudanças, pagavam com vida, os que se davam por vencidos, pagaram com a morte social. Antes mesmo de nascermos, nossas mãos são sujas com o sangue dos oprimidos.

O número de mortos que muitos acreditam que devem chorar, na realidade é muito maior. Temos que chorar pelos escravos, que morreram nesse país em nome da ganância e maximização de renda dos meus ancestrais que vieram da Europa para sugar o que havia de melhor nessa terra. Temos que chorar pelos crimes políticos da época da ditadura, cometidos por aqueles que queriam permanecer no poder a qualquer custo. Temos que chorar pelas mulheres que não se conformaram com suas vidas ritmadas e se rebelaram em nome da liberdade feminina e morreram nas mãos do machismo. Temos que chorar pelos milhares de gays que se opuseram mundo afora em nome da liberdade sexual e suas vidas foram ceifadas em nome de um fundamentalismo barato e medonho. Nossos mortos são multiplicados e não faço a mínima ideia de qual seja o coeficiente para chegar num número aproximado.

Mais de 2000 mil anos se passaram desde que um homem que tinha uma ideologia que fugia da dos que estavam no poder foi crucificado. No decorrer da história tivemos outros mortos, entre eles Joana D'arc, Martinho Lutero e tantos outros que se opuseram a norma vigente. O poder não aceita contestações e a forma de pronunciamento compactuado, chamamos de democracia. Continuamos a matar e assim será até o fim da nossa civilização, até todos nós nos matarmos, extinguindo por completo a vida humana e os fatores primordiais para a manutenção de nossa existência.

Certa vez um amigo me disse que "para continuar, tenho que matar o meu pai", não esbocei reação alguma e continuei a ouvi-lo: "meu terapeuta disse que se eu não me livrar do monstro do meu pai, eu não conseguirei continuar vivendo". São muitos os que temos que matar socialmente para continuarmos a viver em harmonia. Eu tenho que matar alguns, mas tudo tem que ser no momento exato, muitas das vezes precisamos daquela pessoa viva, para nos dar forçar a continuar e nos alimentar para mata-las. Para matarmos alguém de nossas vidas, precisamos de forças, muita força e depois que as matamos, assim como a Fênix renasce das cinzas, nos também renascemos e alçamos voos ainda mais altos que os dados anteriormente.

No filme "Como Esquecer", Júlia (Ana Paula Arósia) teve que matar sua ex-namorada, a Antônia (personagem oculta), antes de tal morte, ela não obteve êxito em suas tentativas de continuar a viver. No filme, Júlia andava no meio da multidão, derepente parou, olhou para trás, olhou novamente, continuou a andar e sorriu. Ela teve que olhar duas vezes para reconhecer a Antônia e apartir daquele momento ela continuou a viver, Antônia estava morta para ela e o não reconhecimento da mesma de imediato, significou o cerimonial de enterro que devemos cumprir socialmente. Quando não enterramos alguém, nem que tal cerimonia seja um ato simbólico, o fantasma daquele morto continuará a nos assombrar.

Muita das vezes, também temos que matar um pouco de nos para continuarmos a viver. A águia, a ave que voa mais alto, quando se aproxima dos 40 anos, tem que decidir entre matar um pouco de si mesma ou morrer definitivamente. As que decidem por matar um pouco de si, se isolam. No decorrer desses 40 anos, o seu bico fica velho e encurvado, suas garras não são mais as mesmas e o excesso de penas é um peso que a impossibilidade de ter a agilidade de antes. No seu isolamento, a ave bate o seu bico contra a rocha, até quebra-lo por inteiro, quando um bico novo cresce, é a vez de arrancar as suas garras e quando novas garras crescem, é a vez de arrancar suas penas. Renovada, depois de aproximadamente 150 dias de isolamento, com bico novo, garras novas e penas mais leves, começa o segundo ciclo de vida da ave, que vive aproximadamente mais 30 anos.

Assim como a águia, também temos que por diversas vezes eliminar o que não precisamos e o que nos impede de ter uma vida melhor e mais leve, temos que nos matar um pouco para viver melhor. A vida e a morte estão intrinsecamente ligadas e para ter uma vida longa, temos que ter muitas mortes em vida. Temos que matar tudo o que nos torna mais pesado, que nos regride e nos impede de nos tornarmos seres humanos melhores. Quando isso não é feito, quando não morremos em vida para nos tornarmos melhores, até podemos continuar vivendo de forma biológica, mas a vida verdadeira, aquela que nos dá prazer e nos motiva ir além, fica para trás, perdida em meio aos sonhos de uma vida melhor.

The Winner Takes It All

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Hallowen da Blue Space é destaque para o feriado em São Paulo

Uma grande festa reunindo o maior elenco de drag quens no Brasil é o destaque dessa segunda-feira, 1º de novembro (véspera de feriado), na Blue Space em São Paulo. A festa tem como tema o “halloween” com shows inspirados em obras de terror, obscuras e assustadoras. Com inicio marcado para as 20hs, a noite conta com mega produção e decoração assinadas por Vagner Bi e Fátima Fast Food.

Além da estrutura de show, a Blue Space - SP disponibiliza dois DJs que são destaque na cena LGBT, os TOPs Breno Barreto e Robson Mouse dividem a residência no comando das duas pistas abertas ao público. O staff ainda conta com gogo boys, o ballet blue space e equipe de som e iluminação.

Serviço:

Halloween Blue Space
Rua Brigadeiro Galvão, 723 - Barra Funda – SP

Segunda-Feira - 1º de Novembro - 20hs
Show: Halloween Blue Space
Show com elenco
DJs: Robson Mouse e Breno Barreto
Preços:
R$ 18 (com flyer) - Somente para homens
R$ 26 (sem flyer)