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segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Sobre Tentativa de Assalto e Internação Compulsória

Recentemente saiu na mídia que a Prefeitura Municipal de São Paulo está a um passo de legalizar a internação compulsória de viciados em drogas que vivem em situação de rua. Quando vi a noticia, fiquei estarrecido, achei um absurdo tal ato, pois um tratamento de desintoxicação depende muito mais da vontade do paciente, do que dos recursos disponíveis aplicados. Ainda mantenho a minha posição e tenho certeza que tal ação, se aprovada, será pouco eficiente nos seus objetivos.

Alguns amigos defenderam que a questão é bem mais ampla e que a internação compulsória viria para sanar parte dos nossos problemas de segurança pública, pois muitos desses usuários de drogas passam a cometer pequenos delitos a fim de conseguir dinheiro e objetos para depois trocar por drogas ilícitas. Mesmo com essa explanação, me coloquei contra a questão, pois de nada adiantará um tratamento realizado mediante uma internação forçada.

Terça-feira (06/09), saindo da Secretaria de Estado da Cultura, local onde trabalho, estava caminhando até o Largo do Arouche, caminho que sempre faço a pé. Passei por um menino de rua, que deveria ter no máximo 12 anos. Ele me pediu 50 centavos, eu disse que não tinha. Ele veio atrás de mim e pediu novamente os 50 centavos, novamente eu disse que não tinha. Furioso ele tirou um faca que estava escondida num cobertor que ele usava sobre os ombros e pediu o meu celular.

Fiquei assustado, virei o corri. No susto, desesperado, dei poucos passos no sentido de um posto móvel policial, que fica em frente a Secretaria da Cultura e cai. Machuquei meu joelho, ombro e região abdominal, que até o momento encontra-se machucada, doendo. Tive que ser medicado, por conta das dores que já estava incomodando bastante e tal fato me levou novamente a refletir sobre a noticia que vi há semanas sobre a internação compulsória.

A questão dos meninos de rua da Cracolândia, vai muito além da questão de saúde pública, tornou-se uma questão de segurança. O Estado é responsável pela nossa integridade física e tal caso se faz necessária uma intervenção imediata. Não podemos continuar dividindo as ruas com pequenos infratores que rejeitam os organismos que o Estado coloca a disposição para que eles deixem as ruas.

Em frente ao local que houve a tentativa de assalto pelo menor infrator, existe um albergue público, local que não tem sua capacidade de lotação atingida. Muitos dos moradores de rua, estão na rua porque não conseguem viver obedecendo regras. Em todos os lugares, na nossa casa, em nosso trabalho e na nossa vida social, obedecemos regras e até mesmo para viver num albergue, existem regras para serem obedecidas, regras que muitos dos moradores de ruas não querem cumprir.

Ainda não tenho uma opinião completamente formada sobre a internação compulsória, mas ela existindo ou não, o Estado tem que intervir sobre a questão desses infratores que passam dias e noites desequilibrando a ordem pública e tirando o direito de outros cidadãos de bem de ir e vir. Não passarei mais naquele lugar com a tranquilidade que passava antes, estou com os meus direitos violados e o Estado tem que intervir, seja acionando a Fundação Casa, ou habilitando clinicas de dependentes químicos para tratar a questão desses dependentes que recusam o tratamento e preferem as ruas, para cometer seus delitos e sustentar o vicio das drogas.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Membros das Secretarias de Estado de Justiça e Cultura visitam Palácio Rio Branco

O vice-prefeito Marinho Sampaio recebeu, na tarde desta sexta-feira, dia 19, membros das Secretarias de Estado da Justiça e Cultura, que vieram fazer um balanço das atividades desenvolvidas durante a semana que antecedeu a 7ª Parada do Orgulho LGBTT.

A assistente técnica da Coordenadoria de Assuntos de Diversidade Sexual da Secretaria da Justiça, Déborah B. Malheiros, ressaltou a importância desta semana, que tem como objetivo fazer com que as pessoas entendam um pouco mais sobre as questões ligadas a diversidade sexual. “Com discussões e palestras buscamos conscientizar e civilizar as pessoas com relação ao combate a homofobia. Ribeirão Preto é um grande pólo, uma grande cidade, e precisamos de uma maior abertura com relação a isso”, disse ela.

O presidente da ONG Arco Iris, Fábio de Jesus, fez questão de deixar claro que é a primeira vez que um governo colabora tanto com esta questão, sempre com portas abertas para as reivindicações e implantação de políticas públicas que visem o respeito e conscientização.

O vice-prefeito, Marinho Sampaio, disse que as portas estarão sempre abertas para novas discussões, agradeceu a colaboração das secretarias de Estado neste sentido, e disse que a administração como um todo, seguindo determinação da prefeita Dárcy Vera, tem sim, uma grande disposição em desenvolver políticas públicas que venham de encontro aos anseios do grupo.

“Tive a oportunidade de acompanhar o desenvolvimento de toda esta semana que esteve recheada de discussões que tiveram o objetivo de clarear ideias e realmente esclarecer as pessoas. As portas da Prefeitura de Ribeirão Preto estarão sempre abertas para vocês e no que pudermos iremos ajudar”, finalizou o vice-prefeito.

Acompanharam também a reunião a coordenadora de Diversidade Sexual do Estado de São Paulo, ligada à Secretaria da Justiça, Heloísa Gama Alves, o assessor especial de Cultura para Gêneros e Etnias, Cássio Rodrigo, e o produtor cultural Marcos Freitas.

Fonte: Portal de Ribeirão Preto

sábado, 20 de agosto de 2011

O Caixeiro-Viajante

- Eu estou namorando um caixeiro-viajante – disse o Fellipe sorrindo.

- Mas não se preocupe, eu sempre volto – completei.

Estou fora de São Paulo desde quarta-feira e confesso que essa vida de caixeiro-viajante, como diz o Fellipe, me deixou com muitas saudades dele. Estávamos na rotina de nos encontrarmos todos os dias e de repente, ficamos cinco dias seguidos com apenas o telefone nos unindo.

- É o seu trabalho, você tem que viajar – disse em outra ocasião.

Nesse inicio de relacionamento, existe uma necessidade maior de passarmos mais tempos juntos, até pelo fato de queremos nos conhecer mais, ter mais intimidade, passar bons momentos. Estou curtindo muito tudo o que está acontecendo e essa saudade que eu sinto, encarro como algo extremamente natural. Sinaliza que estou dando permissão para a história continuar.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Sobre Inicio de Relacionamento

Estava retirando cartão do banco da minha carteira quando me deparei com aquele rapaz alto, olhos pretos, cabelos pretos e barba. Fiquei desconcertado com o jeito que ele me olhou, da forma com que os nossos olhos se encontraram. Paguei a minha conta e fui ao banheiro, ele veio a atrás.

- Já está indo? – ele perguntou.

- Estou sim – respondi.

- Bem que você poderia ficar mais um pouco – me disse.

- Posso ficar – respondi com um sorriso.

Nos olhamos novamente, olho no olho e sem trocar mais nenhuma palavra, nos beijamos. Foi um beijo envolvente, com desejo, sem presa e sem a necessidade de ser interrompido. Devido ao horário, tive que ir embora. Trocamos telefone e prometemos nos ver mais vezes.

No outro dia a vontade de ligar e perguntar como ele estava foi grande. Fiquei com aquela estranha sensação que se eu ligasse, soaria como desespero. Não sei se existe um tempo “seguro” para ligar para alguém e não soar como desesperador ou carência, enfim, fiquei a manhã inteira ensaiando para ligar ou mandar uma mensagem. Quando tomei coragem, recebo uma mensagem dele dizendo que havia adorado me conhecer e perguntou o que eu faria a noite.

Marcamos de nos encontrar, num barzinho da Bela Vista. Trabalhei o resto do dia ansioso. Deu o meu horário e fui me arrumar para sair, quando de repente meu telefone tocou, era ele.

- Oi Marcos, tudo bem? Eu cai, estourei toda a boca e estou indo para o hospital – ele me disse. Na hora pensei: pronto, ele não está afim e está inventando essa desculpa que não cola.

- Nossa, mas está tudo bem contigo? – perguntei preocupado.

- Ah! Não sei, vou ao hospital, acho que devo levar alguns pontos. Quer ir comigo? – me convidou. Fiquei sem reação, mas fui.

Nos encontramos no MASP, como ele é carioca e está a pouco tempo em São Paulo, não conhecia muito bem onde ficavam os hospitais. Fomos num hospital próximo a Avenida Paulista, ele levou quatro pontos, saindo do hospital fomos para o barzinho que havíamos combinado de nos encontrar, isso foi na segunda, depois nos encontramos na terça, quarta, quinta e sexta, dia que ele viajou, foi para o Rio comemorar o aniversário de irmã e voltou na segunda.

Foi tudo muito intenso, está sendo muito intenso e recíproco e dessa forma começamos a namorar. Estou adorando conhecer o Fellipe, taurino, com um jeito carioca muito cativante e que sabe exatamente o que quer. Hoje sou eu quem viajo e ficarei até domingo longe. Vou a trabalho para Ribeirão Preto, mas no outro final de semana já prometemos passarmos juntinhos e curtindo o começo dessa relação, que está sendo tudo de bom.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Gays nas Telenovelas

Recebi alguns pedidos de posicionamento quanto à repercussão das personagens gays na novela “Insensato Coração”. Não assisti nenhum capitulo dessa novela, mas acompanho os comentários por Twitter e Facebook. Acho positiva a inclusão de personagens gays em tramas televisivas, antigamente as personagens negras eram reduzidas a empregadas, motoristas, e babás. Recentemente tivemos um negro como galã de uma novela, o que mostra a quebra de tabus sociais, o que vejo de forma muito positiva.

Hoje, o gay da forma que é colocado na novela “Insensato Coração”, pode não ser o que avaliamos como o gay padrão, que vive em nossa sociedade, entretanto, ter um gay compondo a trama é uma quebra de tabu, antigamente não tínhamos isso. O gay na novela, está sendo retratado como a sociedade nos vê. A sociedade se recusa a ver um beijo gay nas ruas, mas poucos se incomodam quando um gay é espaçando até a morte.

Viverei para ver ou pelo menos ouvir falar, pois não acompanho novelas, de personagens que são de verdade “homoafetivas”, gays que se relacionam de verdade, se beijam, fazem amor e que são felizes, assim como os héteros. Um dia evoluiremos ao ponto que a luta do movimento negro evoluiu e teremos galãs gays e famílias alternativas em todas as telenovelas brasileiras.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Um caso de amor em Brasília

Com o tempo as mascaras caem, ninguém consegue enganar a todos por muito tempo. Marta ex-Suplicy nunca me enganou, sempre soube das intenções dessa senhora, de usar o movimento gay como puleiro, ou melhor de palanque para as suas projeções politicas.

Políticos como a Senadora Marta não deveria existir, mas sim fazer parte de um folclórico distante, que ficou no nosso passado de dores, mortes e torturas. A ditadura acabou a muito tempo, aquela época que a política era construída por poucos e os poucos que ousavam se pronunciar, eram presos, torturados e mortos.

Hoje vivemos uma ditadura contra gays. Enquanto temos gays sendo mortos nas ruas, vemos a relação que até então muitos dos pares da Marta, gays que que também militam no movimento LGBT, achavam incestuosa, mas não é não e essa imagem mostra bem a composição política que está costurando as políticas públicas de proteção aos homossexuais desse país.

Dona Marta, em nome de tudo o que é mais sagrado, volte para TV, vá apresentar programas na Rede Mulher, vá ser sindica do seu prédio ou vá para onde você bem entender, mas deixe o movimento LGBT em paz. Somos um grupo sofrido, que já apanha demais da sociedade. Já existe um grupo de políticos fundamentalistas, que por sinal é bem grande, que são nossos torturadores históricos. 

Senadora Marta, não fale em nome do movimento LGBT, pois a senhora nunca foi e nunca contribuiu para ele. Somos milhões e não sou representado apenas por um, políticas públicas exige debates políticos, o que a senhora ao longo dos anos provou que não sabe fazer. 

Não precisamos da sua contribuição, se você caiu de para-quedas no senado, não faça nada por nós, queremos leis que nos contemplem e não alianças costuradas com evangélicos afim de criar alianças políticas que visam apenas seu proveito. Faça plastica, botox, chapinha e coloque silicone, mas pelo amor de Deus, saia do caminho do MHB.

domingo, 17 de julho de 2011

Sobre Felicidade e Recomeço

Pela primeira vez, depois de muito tempo, me sinto realmente feliz. Algumas coisas, que eu sempre busquei, estão acontecendo e definitivamente percebo que não apenas virei uma página da minha vida, mas que comecei outro capitulo, outro livro e estou escrevendo em outros cadernos. Sempre valorizei uma relação afetiva e grande é a minha surpresa em perceber que o melhor momento da minha vida está sendo sozinho. Estou bem comigo mesmo.

Algumas pessoas passaram por minha vida, todas de forma distintas. Umas não ficaram por questões alheias a minha vontade e outras simplesmente porque aquele não era o meu momento. Depois de ficar triste por conta de não ter rolado nada com o rapaz dos posts anteriores (aqui, aqui e aqui), me senti extremamente bem. Pela primeira vez, depois que terminei o meu relacionamento com o Douglas, estava me sentindo livre de verdade, estava sofrendo por outra pessoa. Pela primeira vez, em um ano, doeu de verdade e confesso que isso foi muito bom, sentir essa dor de novo, por outra pessoa.

Mesmo não estando mais em minha vida e sem pretensões alguma de entrar, credito ao Douglas os melhores e muitos dos piores momentos da minha vida nos último oito anos. Passei momentos muito bons com aquele cara e reconhecer isso, sem dor, sem peso, sem rancor e ainda com muitas pendencias entre nos a serem resolvidas é algo que eu considero louvável.

A vida caminhou, o rio mudou o seu curso e alguns desaguaram no oceano. Tsunamis aconteceram e terremotos destruíram várias partes da minha vida. Me levantei, reconstruí meus pilares, respeitando as minhas origens e aqui estou, pela primeira vez assumindo e reconhecendo que estou pronto para outra, para todas as novidades que a vida possa me presentear.

Sinto-me como a música “Oração”, da Banda Mais Bonita da Cidade. Sinto-me em transição, alegre, querido, sozinho, unido e feliz. Sinto-me com o coração aberto, coração que cabe absolutamente tudo, coração que está pronto para continuar. Acrecito que isso é coisa de Saturno, ele definitivamente concluiu o seu curso e estou livre para viver. Vou aproveitar e colocar tudo o que cabe dentro do meu coração.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Sobre Sentimentos Conflituosos e Pingos nos “is”

Depois de muita conversa, resolvi colocar todos os pingos nos “is”, confesso que foi mais difícil do que imaginava. Às vezes gostaria de ser menos taurino, talvez mais aquariano ou libriano, mas não totalmente, taurinos tem um brilho especial.

Passei 4 dias em São José dos Campos e foram 4 dias de saudade de algo que eu nunca tive, saudades daquilo que estava para ter, saudades do que talvez eu não terei. Entre sentimentos e frustrações, resolver ser o mais franco possível e disse tudo o que eu estava disposto. Tive a reação que esperava. A reação de compreensão da outra parte, compreensão acompanhada de tristeza.

Entre os meus posicionamento, estava à decisão de não procura-lo, até que os seus sentimentos fossem minimamente reconhecidos e expressados. Não posso ficar preso num relacionamento que nem começou por conta de fatores oclusos, que não são inerentes a minha pessoa.

Na volta para São Paulo, um incomodo. Estava ouvindo o CD que ele havia me emprestado. Resolvi devolve-lo no mesmo dia, talvez numa alternativa insana de vê-lo novamente, mas sustentando a situação que não queria ficar com nada dele e que era melhor vê-lo agora, do que na semana que vem, quando ele voltasse de viagem.

Após um compromisso, em meio à protestos de um amigo, fui até o seu apartamento. Mal conseguíamos olhar um para o outro. Havia uma tensão muito forte no ar, palavras mentalmente sendo ditas e a sensação que todas elas eram absorvidas, quando nos olhávamos, tínhamos a certeza que mesmo em silencio, estávamos conversando. Ficamos nessa situação/sensação por quase duas horas.

Às vezes o meu braço roçava no dele, era uma sensação maravilhosa, o toque que precisávamos para acalmar a necessidade que as nossas peles sentiam de estarem juntas. De repente, numa ação inesperada, ele me abraçou e ali ficamos por uns dois minutos, dei um beijo no seu pescoço e disse que tinha que ir embora. Ele retrucou, disse que o abraço não era para se despedir e sim para saciar o desejo carnal dos dois corpos unidos por um desejo. Antes de ir embora, nos abraçamos mais duas vezes.

Voltei para casa tendo dele apenas o sentimento, o CD havia devolvido, porém voltei com a consciência tranqüila que não trai o meu coração e que fiz absolutamente tudo para que esse relacionamento que estava prestes a nascer, não tivesse uma morte prematura. Ele me pediu tempo para colocar as idéias no lugar e confessou que já sentia saudades, sentimento que nesse momento compactuo.

Acredito que com espaço, algo pode acontecer, como disse anteriormente: eu já passei por tudo isso e sei como tal situação é difícil. Tenho uma amiga de trabalho que é casada há mais de 20 anos, antes dela assumir algo definitivo com a sua esposa, elas ficaram um ano se conhecendo, de forma leve e descompromissada. Acredito que os relacionamentos de sucesso nascem assim, sem muitas perspectivas e promessas, apenas vivendo o momento e deixando o futuro como uma mera conseqüência, como um simples acontecimento diário. É dessa forma que eu quero que acontece comigo, que simplismente aconteça, sem metas rigidas estabelecendo o que venha a ser o futuro.

domingo, 10 de julho de 2011

Sobre Términos de Relação Afetiva e Enterros Simbólicos

Depois de tanto tempo, percebo que fiquei um pouco egoísta, sem paciência para esperar e pensando em mim acima de tudo. Sei o quanto posso dar e não quero receber menos. Muitos dizem que relacionamentos não é uma troca, algo que não concordo. É uma troca sim e se você fica dando mais por muito tempo, vai chegar o momento que a balança irá tombar e aquela relação afetiva, que tanto era valorizada anteriormente, irá para a ruína.

Carinho, afeto e companheirismo são momentos construídos não apenas por uma das partes, tem que haver um troca na relação afetiva. Conheci um cara, muito bacana por sinal, pois se não fosse eu não estaria sensível por conta dele. Ele está passando por um momento delicado e e entendo o seu momento, mas infelizmente não é o momento que eu estou vivendo. Passei por situações que ele esta passando, ele terminou um relacionamento duradouro há seis meses, está tentando alçar voos, mas não consegue. Eu demorei quase um ano depois que terminei com o meu ex, cada um tem o seu tempo, não posso, não devo e não é justo cobrar absolutamente nada nessa situação.

Depois de término de um relacionamento, antes de enterrarmos nossos exs, não conseguimos continuar a viver em plenitude. No filme "Como Esquecer", Júlia (Ana Paula Arósio) teve que matar sua ex-namorada, a Antônia (personagem oculta) e antes de tal morte, ela não obteve êxito em suas tentativas de continuar a viver.

No filme, Júlia andava no meio da multidão, de repente parou, olhou para trás, olhou novamente, continuou a andar e sorriu. Ela teve que olhar duas vezes para reconhecer a Antônia e a partir daquele momento ela continuou a viver, Antônia estava morta para ela e o não reconhecimento da mesma de imediato, significou o cerimonial de enterro que devemos cumprir socialmente. Quando não enterramos alguém, nem que tal cerimonia seja um ato simbólico, o fantasma daquele morto continuará a nos assombrar.

Por muitas vezes tentei me relacionar com alguém, mas o Douglas continuava vivo, continuava a me assombrar, tirando minha paz, meu sono, minando os meus sonhos. Sua morte foi muito gradativa, o que aumentou ainda mais a minha dor, tive que mata-lo para sobreviver. Meses atrás, precisei falar com ele, como sempre fiz, peguei o telefone e fui discar, mas eu havia esquecido o numero. Fiquei feliz com aquilo, aquele numero de telefone que sabia de cor, que ligava várias vezes por dia, tinha saído da minha memoria.

Assim como Julia foi matando Antônia aos poucos, eu matei o Douglas aos poucos, na demanda das minhas forças. Dessa mesma forma, essa cara bacana que eu conheci, tem que matar o seu ex, até que todo o ódio, rancor e mágoa vá embora e ele consiga lembrar desse relacionamento de forma positiva.

Semana passada, estava com ele numa padaria, no Largo do Arouche e perguntei: quer ketchup? Depois comecei a rir, ele perguntou o porque e eu expliquei que certa vez, fui com o Douglas comer pastel e riamos toda vez que a atendente perguntava “quer ketchup?”, fazíamos uma analogia com “quer que te chupe?”. Depois de contar pra ele, disse que estou em paz e que consigo lembrar de bons momentos que tive, sem dor, sem peso, apenas como algo bom que passou, se foi.

De coração, desejo que ele fique bem e que se não ficar bem comigo, que fiquei bem com qualquer outra pessoa. Perder uma pessoa que um dia amamos, é muito triste, é a morte em vida. Se levantar, se recuperar dessa perda, é uma questão muito pessoal, cada um tem o seu tempo. Espero que o dele não seja duradouro e que de fato encontre paz em meio a momentos tão tristes.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Prefeitura de Itapecerica da Serra recebe até dia 15 exposição fotográfica “África em Nós”


Na última sexta-feira, 1º de julho, a Prefeitura de Itapecerica da Serra, através da Coordenadoria de Políticas Públicas de Igualdade Racial da Secretaria de Cultura realizou a abertura da exposição fotográfica “África em Nós”, que está exposta na recepção do Complexo Administrativo Norberto José da Costa até o dia 15 de julho.

A mostra traz 62 imagens vencedoras da campanha fotográfica homônima, promovida pela Secretaria de Estado da Cultura, que retratam a influência africana no cotidiano brasileiro. A exposição é dividida em oito categorias: Cotidiano, Festas Populares, Gastronomia, Contrastes, Paisagem, Religiosidade e Retratos.

O secretário de Cultura, Paulo Flamingo, agradeceu a presença de todos e agradeceu a Secretaria de Estado da Cultura por proporcionar a vinda desta mostra ao município. “É uma honra temos sido contemplados com essa bela exposição que vem percorrendo diversas cidades, e agora nos traz a oportunidade de ver imagens do cotidiano e nos resgata detalhes que às vezes não são vistos pela sociedade”, discursou o secretário.

“Esta campanha foi realizada em 2009, e a exposição mostra o que a comunidade negra trouxe de bom para o Brasil. Parcerias como esta entre o Estado e o Município são ações que através da cultura beneficiam a população com arte”, disse o assessor de cultura para gêneros e etnias da Secretaria do Estado da Cultura, Cássio Reis.

Na abertura da mostra houve declamação de poesia de Solano Trindade por Josias Patrolino, do grupo Itapoesia, e apresentação do grupo de capoeira Tupinambá.

“A herança da cultura africana em nossa população é muito forte. É sempre uma alegria poder valorizar e ressaltar a importância de nossas raízes africanas”, falou o prefeito de Itapecerica da Serra, Jorge Costa.

Participaram também da abertura do evento a coordenadora de Políticas Públicas de Igualdade Racial, Kátia Trindade; o subcomandante da GCM, Fábio Pinto; o vereador Zé Maria; o assessor especial de projetos para hip hop da Secretaria de Estado da Cultura, Marcio Santos; Marcos Freitas e Sara Aparecida Mendes da Secretaria de Estado da Cultura; Marcos de Santana Sena representando o Conegro, entre outras autoridades.