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terça-feira, 1 de abril de 2014

Equipe Italiana de Futebol Americano no Combate à Homofobia

A equipa italiana de futebol americano Lions de Bergamo decidiu fazer um vídeo contra a homofobia e todas as formas de discriminação. O spot da campanha contou com a participação de Carlo Gabardini, o popular “Olmo” da série televisiva “Camera Café”.

Carlo Gabardini assumiu a sua homossexualidade no jornal “La Repubblica”, num ato contra à homofobia, motivado pela notícia do suicídio de um menino de apenas 21 anos de idade, vítima de homofobia. Carlo Gabardini participou também no projecto Le Cose Cambiano , afiliado italiano da campanha It Gets Better, com um vídeo contra o bullying homofóbico intitulado La Marmellata e La Nutella.

 

quinta-feira, 6 de março de 2014

Sobre Carnaval, Homofobia e Políticas Excludentes

A Mangueira não foi a campeã do Carnaval Carioca, mas sem sombras de dúvidas foi a escola que mais representou a Diversidade Cultural que existe no Brasil. Contando à história das festividades do Brasil, a escola levou à avenida 36 alas e sete alegorias para contar as origens e características das principais datas festivas do país. "Pegue seu par, dance quadrilha / 'simbora' pro meu sertão / vem pular fogueira / viva são João!", cantou o refrão do samba da verde e rosa. 

Os mais de 500 anos do Brasil foram retratados a partir de suas celebrações, desde o Descobrimento do país até tradições mais recentes, como a Parada Gay: "Sou brasileiro, vou festejar / Meu palco é a rua e a luz o luar / No coração da floresta magia que encanta "Garanto" que vai "caprichar" / Chegando à terra da garoa um arco-íris despontou / orgulho, respeito, igualdade / tremula a bandeira da diversidade". 

As cores da bandeira da diversidade sexual puderam ser vistas nas alas arco-íris e arauto da diversidade. Outro setor da escola trouxe homens vestidos de noivos e mulheres de noivas com seus buquês, representando a união homossexual, com direito a beijo gay. O sexto carro da agremiação também foi dedicado ao tema. Segundo a escola, 44 homens vieram na alegoria, sendo que a maioria deles vestia um sobretudo preto e chapéu. Em certo momento do desfile, todos entravam em um espaço com porta e saíam de dentro dele vestidos com espartilhos luminosos, fazendo coreografias – uma alusão à expressão popular “sair do armário”, que define quem assume a homossexualidade. Um verdadeiro show de diversidade. 

Depois de tanta alegria, o Brasil recebeu uma triste noticia na quarta-feira de cinzas, um menino de apenas 8 anos teve o seu fígado dilacerado pelo pai, devido aos constantes espaçamentos para o menino “virar homem”. Alex gostava de dançar dança do ventre e lavar louça. As sucessivas pancadas do pai, provocadas porque Alex não queria cortar o cabelo, dilaceraram o fígado do garotinho. Uma hemorragia interna se seguiu, levando o menino, que também gostava de forró e de brincar de carrinho, a óbito. 

Fazendo contraste com o colorido da diversidade e respeito promovido pela Mangueira, o corpo do menino Alex se tornou um mapa dos horrores que vinha passando por aquele que naturalmente deveria amar e proteger. O pai de Alex já havia cumprido pena por trafico de Drogas, o que nos leva a concluir que ele faz coro a predileção de muitos que dizem que preferem um filho bandido a um filho homossexual. Alex morava no Estado do Rio Grande do Norte, com sua mãe, mas para ela não perder a guarda do filho, pois não o enviava para a escola, mandou o garoto para morar com o seu pai. 

Essa discrepância em nosso país acontece principalmente pela ausência de políticas públicas e reparatórias para a população LGBT. Vivemos em uma sociedade machista e homofobica, que aceita perfeitamente declarações de religiosos, em rede nacional, falando que gays são aberrações, escórias da sociedade. Vivemos num Estado de natureza laica, mas a cada eleição os legislativos de todo o país engrossa mais o caldo da bancada fundamentalista, que acabam legislando por causa própria, travando as pautas dos Direitos Humanos e se unindo com a bancada ruralista. 

Recentemente, o deputado Assis do Couto (PT), que acaba de assumir a Comissão de Direitos Humanos e Minorias, declarou que não é favorável nem contra a relação amorosa entre duas pessoas do mesmo sexo, se colocando em cima de muro numa questão tão importante e superada por países que estão no mesmo patamar de desenvolvimento do Brasil. O PT novamente mostra o tom de descaso com os Movimentos Sociais, rompendo com lutas históricas, que estavam com o partido desde a sua fundação. Enquanto não rompermos com governos descompromissados com a luta pelos Direitos Humanos, continuaremos sendo o país que mais mata homossexuais no Mundo, manchando o colorido da diversidade, com o vermelho da homofobia.

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Casamento, por Luis Fernando Veríssimo

O tão discutido casamento homossexual não deixa de ser uma sequência natural da longa e estranha história de uma convenção, a união solene entre duas pessoas, que começou no Éden. A Bíblia não esclarece se Adão e Eva chegaram a se casar, formalmente. Deve ter havido algum tipo de solenidade. 

Na ausência de um padre, o próprio Criador, na qualidade de maior autoridade presente, deve ter oficiado a cerimônia. No momento em que Deus perguntou se alguém no Paraíso sabia de alguma razão para que aquele casamento não se realizasse, ninguém se manifestou, mesmo porque não havia mais ninguém. A cerimônia foi simples e rápida apesar de alguns problemas — Adão não tinha onde carregar as alianças, por exemplo — e Adão e Eva ficaram casados por 930 anos. E isso porque na época ainda não existiam os antibióticos. 

Mais tarde, instituiu-se o dote. Ou seja, as mulheres, como caixas de cereais, passaram a vir com brindes. O pai da noiva oferecia, digamos, dez cântaros de azeite e dois camelos ao noivo e ainda dizia: 

— Pode examinar os dentes. 

— Deixa ver... 

— Da noiva não, dos camelos! 

Houve uma época em que os pais se encarregavam de casar os filhos sem que eles soubessem. 

Muitas vezes, depois da cerimônia nupcial, os noivos saíam, ofegantes, para a lua de mel, entravam no quarto do hotel, tiravam as roupas, aproximavam-se um do outro — e apertavam-se as mãos. 

— Prazer. 

— Prazer. 

— Você é daqui mesmo? 

Eram comuns os casamentos por conveniência, pobres moças obrigadas a se sujeitar a velhos com gota e mau hálito para salvar uma fortuna familiar, um nome ou um reino. Sonhando, sempre, com um Príncipe Encantado que as arrebataria. O sonho era sempre com um Príncipe Encantado. Nenhuma sonhava com um Cavalariço ou com um Caixeiro Viajante Encantado. 

Mais tarde veio a era do Bom Partido. As moças não eram mais negociadas, grosseiramente, com maridos que podiam garantir seu futuro. Eram condicionadas a escolher o Bom Partido. Podiam namorar quem quisessem, mas na hora de casar... 

— Vou me casar com o Cascão. 

— O quê?! 

— Nós nos amamos desde pequenos. 

— O que que o Cascão faz? 

— Jornalismo. 

— Argk! 

A era do Bom Partido acabou quando a mulher ganhou sua independência. Paradoxalmente, foi só quando abandonou a velha ideia romântica do ser frágil e sonhador que a mulher pôde realizar o ideal romântico do casamento por amor, inclusive com o Cascão. Só havendo o risco de o Cascão preferir casar com o Rogério.

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Recaída

Certa vez, perguntaram no meu trabalho se eu sou realmente gay. Respondi que era apenas de segunda à sexta e no horário comercial, pois no meu trabalho lido com a questão LGBT. Lendo a crônica "Recaída", de Luis Fernando Veríssimo, me recordei do episódio.

...

Recaída

A proposta era simples. Cláudia acompanharia João Carlos numa visita à casa dos seus pais, na cidadezinha onde nascera, e seria apresentada como sua namorada. Alguém o tinha visto no Rio e chegara à cidadezinha com a notícia de que ele era gay. Ele precisava provar que não era gay. 

Mas você não tem uma namorada de verdade? - perguntara Cláudia 

- Por que eu? 

Porque eu sou gay. Não tenho namorada. Tenho namorado. O nome dele é Roni. Não posso aparecer lá com o Roni. 

Mas ninguém liga pra isso, hoje em dia. Liga? 

Na minha cidade, na minha casa, ligam.

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Cláudia hesitara. Quase não conhecia João Carlos. A ideia de passar o Natal e o ano-novo com um quase desconhecido, na casa de uma família totalmente desconhecida, numa cidadezinha inimaginável, não a atraía. Se bem que... Poderia ser divertido. O João Carlos não era antipático. E os dois se fingindo de namorados, enganando todo o mundo... Ela não tinha outros planos para o fim do ano. Nenhum desfile agendado. Seria divertido. Topou. 

No aeroporto, antes de embarcarem, João Carlos se despediu de Roni com um beijo prolongado e disse para ele não se preocupar. 

Não vá me ter uma recaída... - disse Roni, indicando Cláudia. 

Pode deixar - disse João Carlos. - Não há perigo. 

Os três riram muito.

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Ao churrasco na casa dos pais de João Carlos, na primeira noite, veio gente de toda a região, parentes e amigos e até alguns que ninguém conhecia, para ver a namorada carioca. A notícia de que Cláudia era, além de carioca, uma bela mulher, uma modelo, se espalhara rapidamente e todos queriam vê-la, e ouvi-la, e dizer "O Joãozinho, hein? Quem diria". Os dois tinham dormido em quartos separados, João Carlos no seu quarto antigo, Cláudia com a irmã dele. A mãe do João Carlos, que via novela e sabia que aquilo era comum, não se importaria se os dois dormissem juntos, mas "O seu pai, sabe como é...". Eles sabiam como era. Não dormiam juntos, mas passavam o tempo todo se acariciando e se beijando, em casa e na rua. Provando para a cidade inteira que aquele boato de que o João Carlos tinha desandado no Rio era invenção, pura invenção. Gostava de mulher. E, a julgar pela Cláudia, gostava de grandes mulheres!

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Foi na noite de ano-bom, depois de muito frisante no clube, depois de se abraçarem e se beijarem apaixonadamente à meia-noite para todos verem, que os dois chegaram em casa e não foram cada um para o um quarto, foram para o quarto do João Carlos, quem diria, onde se amaram durante toda a madrugada, tentando não fazer muito barulho. E de manhã, suas pernas ainda entrelaçadas com as de Cláudia, João Carlos lamentou o acontecido, e disse "Bem que o Roni me avisou...", e a Cláudia beijou a ponta do seu nariz e disse: Pronto, pronto.

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Voltaram para o Rio no dia 2, o João Carlos silencioso no ônibus e no avião, com cara de culpa, depois de pedir à Cláudia que em hipótese alguma comentasse a sua recaída para quem quer que fosse senão o Roni ia acabar sabendo, e a Cláudia silenciosa, com o secreto orgulho de ser tão desejável, tão mulher, que provocara a recaída fatal do João Carlos, depois de prometer que não contaria nada a ninguém, que aquilo ficaria entre os dois, só entre os dois, para sempre.

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Ainda ontem a Cláudia encontrou o Roni e perguntou pelo João Carlos e o Roni disse: 

Quem?! 

O João Carlos. Seu namorado. 

Ah, é. Está bem. Muito bem. Quer dizer. Olha aqui... Esse negócio de namorado... 

Você também mal conhecia o João Carlos. Não é? 

É. Eu... 

Ele pediu para você fingir que era o namorado dele. 

É 

O seu nome nem é Roni. 

Não. 

Cláudia sorriu. Pensando: se o João Carlos tivesse me pedido, honestamente, sem mentir, sem encenação, topa ou não topa, eu teria topado? 

Provavelmente não. Uma mulher como eu? Provavelmente não. 

O falso Roni tinha chegado mais perto e estava dizendo: 

Olha, eu também não sou gay. E se quiser, posso provar. 

Cláudia se afastou, ligeiro. Pensando: ô raça, essa masculina!

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Outdoor que Simula Beijo Gay de Jesus é Depredado

Parte do projeto chamado "Obranúncio", um outdoor que estampava três fotos, sendo uma delas um beijo entre dois homens, foi alvo de vandalismo em Vitória da Conquista, no sudoeste baiano. O ataque aconteceu na Avenida Juracy Magalhães. O mesmo outdoor mostra outras duas fotografias nas laterais, que remetem à representação de Jesus Cristo. 


Intitulada "Paixão de Cristo", a obra é fruto de parceria entre os artistas Alex Oliveira e Ricardo Alvarenga. Mais três fotógrados estão com imagens espalhadas na cidade, são eles George Neri, Rayza Lelis e Vinícius Gil. A autora do projeto, Núbia Neves, estuda Cinema e Audiovisual na Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia e foi contemplada em um edital da Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb). 


Os artistas não pretendem restaurar a peça, pois a intenção era gerar uma reflexão social e a sociedade tem o direito de reagir da forma que achar conveniente. A depredação é resultado da omissão de políticas públicas reparatórias para a Comunidade LGBT, resposta de uma sociedade que mais mata homossexuais no mundo por motivação de ódio. 

Em 2008, publiquei um ensaio fotográfico do artista Robert Recker, intitulado “A Paixão de Cristo”. Num ensaio sensual, temos representações da santa ceia, de Jesus lavando os pés de um discípulo, do beijo de Judas e de Jesus rezando em volta de alguns discípulos dormindo. O trabalho de Robert Recker também foi alvo de várias criticas. 

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Facebook: Além do Masculino e Feminino

Em sintonia com as lutas do Movimento LGBT, o Facebook anunciou novas opções no cadastro da rede social. Agora, além das possibilidades de “masculino” e “feminino”, é possível escolher uma terceira categoria: “outro”, que abre dessa forma um menu com mais de 50 definições de gênero, como “transgênero” e "intersexual".

Os usuários também podem selecionar como gostariam de ser pronunciados pelo site, usando pronomes masculinos, femininos ou neutros. A imprensa brasileira reproduz com muita frequência expressão como "o travesti Camila", alegando que o termo travesti é masculino, mas não levando em consideração o nome "Camila". As opções estão disponíveis apenas para os perfis dos Estados Unidos, mas o Facebook planeja expandir a classificação “no futuro”.

Para comemorar a ocasião, a rede social levantou uma bandeira com as cores do arco-íris no seu quartel-general, localizado em Menlo Park, na Califórnia. “Nós reconhecemos que algumas pessoas enfrentam desafios compartilhando seu gênero real com os demais, e essa opção dá às pessoas a habilidade de se expressar de uma forma autêntica”, comenta o Facebook em sua página Facebook Diversity, voltada a ações da empresa sobre diversidade racial e de gênero.

Em São Paulo temos o Decreto 51.180, que dispoe sobre o uso do nome social na repartições públicas do município, no Estado temos o Decreto 55.588, de igual teor, mas na prática esses decretos não são respeitados por vários motivos, dentre eles o preconceito e a falta de informação. A inclusão de vários gêneros numa rede social de grande repercussão vem de forma pedagógica para a sociedade, contribuindo para a quebra de preconceitos.

O Facebook não é a primeira empresa de tecnologia a apoiar a causa LGBT. Quando as Olimpíadas de Inverno de Sochi começaram, o Google criou um “doodle” com as cores da bandeira LGBT para questionar as legislações restritivas sobre o tema na Rússia, país que sedia a competição. O doodle, o tradicional símbolo da empresa que aparece na página de inicial de seu buscador na internet, possuiu os desenhos dos esportes olímpicos de inverno sobre um fundo que reproduz as cores do arco-íris, que representam a comunidade LGBT.  

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Praia do Futuro

Além do filme “Hoje eu Quero Voltar Sozinho”, o longa “Praia do Futuro”, estrelado por Wagner Moura, Jesuíta Barbosa e pelo alemão Clemens Schick, também está participando e fazendo sucesso no Festival de Berlim.

Com direção do cearense Karim Ainouz, "Praia do Futuro" está concorrendo ao Urso de Ouro, principal premiação do Festival de Berlim. Produções brasileiras já saíram vitoriosas nesta categoria com os filmes "Central do Brasil" e "Tropa de Elite".

O filme conta a história de Donato (Wagner Moura), um salva-vidas da Praia do Futuro, em Fortaleza, que falha ao tentar resgatar um indivíduo vítima de afogamento. Não sabendo muito bem lidar com o fracasso, ele acaba conhecendo o amigo da vítima, o alemão Konrado (Clemens Schick), e decide recomeçar a vida indo para Berlim, deixando para trás o irmão, Ayrton (Jesuíta Barbosa), que o tinha como ícone. Oito anos depois, Ayrton parte para Alemanha em busca do irmão mais velho. 

Na contramão de "Hoje eu Quero Voltar Sozinho", que usa da delicadeza e da percepção para narrar a história de um adolescente que se descobre gay, "Praia do Futuro" apresenta a história de um casal gay adulto que busca se aventurar e encontrar coragem para viver. O longa promete gerar polemica por conta das diversas cenas de sexo e nu frontal de Wagner Moura. 


Um dos motivos para querer voltar em Fortaleza é a Praia do Futuro, é uma praia linda e acolhedora, com atrativos gostos. Lá você encontra quiosques com piscina, sauna, playground e voltados para o público GLS. Quando a maré está baixa, formam várias piscinas naturais em toda a extensão da praia. Um verdadeiro espetáculo, vale a visita.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Sobre Manifestações e Ausência de Políticas Públicas

Muito me impressiona o desdobramento que alguns militantes do movimento LGBT vem dando ao caso do menino Kaique, morto no dia 11 de janeiro. A morte completa um mês e apesar da família estar convencida que foi suicídio, alguns militantes não se convenceram da conclusão do laudo policial e prometem mais manifestações. 

Antes da conclusão do laudo policial, a Ministra Maria do Rosário soltou uma nota lamentando o caso de homofobia em São Paulo. A ministra trata São Paulo como um ente independente da Federação, como se os casos de homofobia praticados em São Paulo não fossem reflexos da ausência de políticas públicas nos mais de 10 anos do Governo Petista. 

Considero a manifestação legitima e um forte instrumento da democracia, porém no calor do momento, o seu alvo foi desviado. Os manifestantes programam ir até a Secretaria de Segurança Pública e cobrar por respostas e se esta Secretaria não se movimentar, significa que “a diversidade não é bem vinda em São Paulo”. 

São Paulo é o Estado que tem a maior rede de proteção e de políticas públicas voltadas para o segmento LGBT. Foi em São Paulo, na gestão do Prefeito José Serra, que foi instituído no âmbito municipal o primeiro órgão governamental de fomento as políticas para a população LGBT. Enquanto Governador, José Serra também instituiu a Coordenação de Políticas Publicas para a Diversidade Sexual. Também foi regulamentada a Lei 10.948, que pune administrativamente à homofobia, além da criação de conselhos municipais e estadual. 

Ainda temos muito que avançar para termos uma cidade e um Estado para todas e todos, acho completamente desconexo com a realidade cobrar somente do Governo Estadual a responsabilidade pela crescente onda de homofobia. Não é da alçada do poder público Estadual criminalizar a homofobia, mas sim do Governo Federal, que em negociações com as bancadas fundamentalistas enterrou o PLC 122 e vetou o Kit Escola Sem Homofobia, ocasião que a presidente Dilma Rousseff declarou que não faria propaganda de “opções sexuais”. 

Enquanto o Movimento LGBT fica se digladiando, numa disputa partidária sem fim, casos de homofobia estão acontecendo em todo o Brasil. Temos que cobrar, é um direito legitimo de todas e todos, mas temos que saber direcionar nossas demandas, cobrando a ausência do poder público nas esferas de sua competência.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

A Proibição de “Propaganda Homossexual” também existe no Brasil

Em meio a muitas criticas por conta da polêmica lei que proíbe a “propaganda homossexual”, a Rússia vem realizando os jogos de inverno de Sochi. Falar dos abusos do Presidente Putin e não nos remetermos ao cenário brasileiro, é quase impossível. Aqui no Brasil, avançamos muito pouco no que diz respeito aos Direitos Humanos para a População LGBT. 

Dilma Rousseff, justificando o veto do Kit-antihomofobia, disse que eu seu governo não fará propaganda de “opções sexuais”. A declaração da presidente aconteceu após lideres fundamentalistas ameaçarem o governo, dizendo que convocariam o então ministro da Casa Civil, Antonio Palocci para esclarecer a multiplicação do seu patrimônio. 

Apesar das condições climáticas distintas entre Brasil e Rússia, os dois países têm uma aproximação muito grande no que diz respeito a violação de direitos da população LGBT. Ambos são governados por lideres que não dialogam com os movimentos sociais e colocam as lutas pelas liberdades em segundo plano. 

Em solidariedade aos atletas e ao Movimento LGBT Russo, o Google demonstrou um doodle com as cores do arco-íris dedicado aos Jogos Olímpicos de Inverno. O doodle, o tradicional símbolo da empresa que aparece na página de inicial de seu buscador na internet, possuiu os desenhos dos esportes olímpicos de inverno sobre um fundo que reproduz as cores do arco-íris, que representam a comunidade LGBT. 

Alguns atletas expressaram que temem a discriminação durante os Jogos, enquanto vários ativistas da causa gay e dos direitos humanos convocaram um boicote à competição. O Instituto Canadense de Diversidade e Inclusão lançou uma campanha com o slogam “depois que você ver isso, jamais verá o luge da mesma forma”. Ao som do hit dos anos 80 'Don´t You Want Me, Baby', o vídeo reproduz dois atletas sentados juntos em uma espécie de carrinho, e pede o fim da restrição à propaganda gay em Sochi, local onde o evento acontece. “Os Jogos sempre foram um pouco gay. Vamos lutar para mantê-los assim”. 


Espero que o Movimento LGBT do Brasil também use a ocasião da Copa do Mundo e das Olimpíadas do Rio de Janeiro, para denunciar o descaso que Lesbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais são submetidos neste país, que mesmo sem uma lei restritiva as liberdades individuais, é o país que mais mata LGBT no Mundo. Não temos uma lei que proíbe a “propaganda homossexual”, mas temos a promessa de uma presidente, dizendo que nada caminhará neste sentido.