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quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Dominação Religiosa

Ultimamente ando muito triste. A ausência do Douglas ajudou a desencadear tal estado de espírito. Ando refletindo muito sobre a homofobia familiar, se ela não existisse, eu teria uma vida mais leve. Amo muito os meus pais, mas sinto que um dia terei que deixá-los. Não como um hétero que se casa e vai aos finais de semana visitar a família, pois no meu caso levarei para a casa dos meus pais outro homem, situação que a igreja não permite.

Que igreja é essa que nos priva de amar: Ame o seu filho gay, mas odeie com todas as suas forças o pecado dele. A igreja ferra com tudo, famílias chegam num grau de alienação tão grande, que preferem preceitos superados ao amor incondicional de um filho. Quero que pastores, padres, bispos, arcebispos, apóstolos, enfim, toda essa corja que envenena a sociedade vai para a casa do caralho. Bando de filhos da puta e imorais.

Desejo um dia viver numa sociedade em que a religião seja completamente ridicularizada. Religião não leva a nada, apenas gera preconceitos. No Canadá existem alguns palavrões super ofensivos, são eles: Cálice, hóstia, sacramento, tabernáculo, catedral, entre outros. Esses palavrões surgiram em protesto contra a dominação da igreja sob as pessoas. Vejo o povo brasileiro longe de tomar uma atitude tão plausível como essa... Não nos resta opção, temos que ver o povo sendo dominados por católicos e protestantes, que ditam regras e acabam com o que eles chamam de sagrado. Acabam com a família.

Concurso Cultural – Uma Luz para Davi

Quer ganhar de presente o livro “Uma Luz para Davi” de Marli Porto? O Blog Passageiro do Mundo em parceria com a autora lhe dá esse presente. Para isso, basta responder a pergunta abaixo nos comentários do post “Uma Luz para Davi”. A melhor resposta recebera um exemplar do livro em qualquer lugar do Brasil.

Você já viveu uma história de amor que alterou o rumo de sua vida?

As respostas serão aceitas até a meia-noite do dia 15 de fevereiro. A melhor resposta será divulgada no dia 17 de fevereiro, abaixo da resposta é necessário deixar um endereço de email para contato.

A balada do Cárcere de Reading

Não sei viver se não for de forma intensa e acabo sofrendo muito por conta disso. Amo como se não fosse existir outra noite de amor, comemoro como se fosse a minha última conquista, vivo a vida como se ela fosse acabar amanhã, ou pelo menos penso que vivo. Não há justificativa para a vida, se a mesma não for vivida de forma intensa.

Quando estou com alguém, idolatro-a, pois é a pessoa que eu escolhi para estar comigo “pra sempre”, ou pelo menos até onde o “pra sempre” durar. Com o tempo perdi um pouco do romantismo da adolescente que chegou a me acompanhar por boa parte da fase adulta. Hoje estou com o Douglas, e se estou é porque eu quero que seja eterno, nada mal para quem perdeu um pouco do romantismo.

Apesar de poucos acreditarem, existe amor eterno sim, entretando, o que falta nos relacionamentos é a criação de mecanismos para alimentar o “pra sempre”, quando isso não ocorre, o “pra sempre”, sempre acaba.

Criar mecanismos para perpetuar o “pra sempre” não é tão difícil quanto parece, mas necessitamos de um mínimo de dedicação. Temos que saber usar as palavras certas, na hora certa, sempre tratando a pessoa que está contigo com carinho e dedicação, e acima de tudo saber conversar, dizer o que incomoda e traçar acordos e metas para que haja uma mudança de fato.

Quando as mudanças não ocorrem e/ou os acordos não são cumpridos, acabamos destruindo aquilo que mais amamos por conta de uma simples falta de reflexão. Não preciso me aprofundar muito sobre o tema, pois o grande romancista e autor teatral Oscar Wilde já abordou tal tema com muita maestria enquanto esteve preso injustamente por conta de injurias cometidas por um marquês. Na prisão ele escreveu o seu mais belo poema, onde procura entender o porquê o homem termina sendo o seu próprio carrasco.

Estes são alguns versos de “A balada do cárcere de reading”:

A gente destrói aquilo que mais ama
Em campo aberto, ou numa emboscada;
Alguns com a leveza do carinho
Outros com a dureza da palavra;
Os covardes destroem com um beijo
Os valentes destroem com a espada.
Mas a gente sempre destrói aquilo que mais ama.


Concurso Cultural – Uma Luz para Davi

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terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Teste de Sexo e/ou Sexualidade dos Bebês

- Achei um teste para descobrir o sexo do bebê – contou-me a minha irmã.

- Sério, como? – perguntei curioso.

- Bom, você tem que pegar a idade da avó materna, somar com 9 e por último com o mês de gravidez, se dar par é menina, se dar ímpar é menino. – contou a minha irmã fazendo o teste para saber qual será o sexo do bebê que ela está esperando. – Olha será um menino – contou-me com alegria. (Ex: 59 (idade da avó) + 9 + 8 (mês da gravidez) = 76 - meu caso).

- Nossa, será se isso dá certo mesmo? – perguntei incrédulo.

- Sim, eu já fiz o meu teste e o da Larissa. Deu certo. Vou fazer o seu.

Algum tempo depois...

- Repeti o seu teste e o da Fúlvia, o seu dá par e o dela da impar. Estou achando que isso não tem nada a ver.

- Hum, talvez... Será se temos que levar em consideração o fato de sermos gays? – contei dando risada.

- Talvez. – respondeu minha irmã se divertindo.

- Pois bem. Estão na numerologia as explicações que a ciência tanto busca para entender a sexualidade humana. Sou gay porque sou homem eu sou par, e a Fúlvia é lésbica porque é ímpar. Simples assim. – conclui.

Fiquei intrigado com esse teste. Nos héteros da família deu certo, nos gays não. Estou curioso para fazer o texto com o Douglas, mas ultimamente estou tendo pouquíssimo contato com ele. No final de semana ele me ligou, até que conversamos bastante, mas são tantos assuntos para serem abordados, que nem dá tempo de nos falarmos muito, ultimamente ele mal responde os emails... Ainda faltam 9 dias para ele voltar, e sei que serão 9 longos dias. Sorte a minha estar fazendo faculdade.

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segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Uma Luz para Davi

O primeiro romance da escritora Marli Porto trata a homossexualidade de uma forma bem diferente dos famosos romances com temática LGBT. No livro, a autora conta a história em 3º pessoa, e com maestria aborda questões sentimentais de todas as personagens. Davi é um garoto sofrido, sozinho no Mundo e que não consegue ver a sua felicidade passando toda suas infância e adolescentes num orfanato. Ele parte em busca de sonhos, em busca da liberdade que o orfanato lhe tirava.

Fora do orfanato, Davi encontra-se com Henrique, que ao contrario de Davi, tem os seus sentimentos e desejos muito bem definidos. Henrique ama Davi de uma forma sexual, o que nos dá margem para refletirmos sobre os princípios de legalidade sobre a pedofilia, o papel das drogas na sociedade, e conflitos familiares. Davi se recusa viver esse amor e resolve partir, porém não tem como fugir dos sentimentos, dos laços que ficam estabelecidos no coração. Depois de felicidades, amores, tristezas e tragédias, a vida volta a colocá-los frente a frente.

O livro é um ótimo apoio para refletirmos sobre as mascaras que usamos na sociedade, os papeis que interpretamos em nossas vidas. Henrique é um homem temido pela sociedade, porém se sente impotente diante de um garoto indefeso, aceitando viver um amor segundo o tempo e as regras estipuladas pelo menino.

Além da riqueza de detalhes e a profundidades dos sentimentos narrados, outro ponto forte da obra é a localização de espaço e tempo. A autora cita pontos conhecidos em São Paulo e tem o cuidado de citar o tempo aproximado que levariam algumas viagens citadas abordadas no livro. Com um desfecho surpreendente, a narrativa marcará para sempre o coração dos seus leitores, nos levando a refletir, sobre as escolhas do amor e o rumo das nossas vidas em conseqüência das mesmas. Amar não dói o que dói e a insignificância que somos submetidos em meio de um sentimento tão nobre.

Dados Técnicos"

Nome do Livro: Uma Luz para Davi
Autora: Marli Porto
Número de páginas: 248
Formato: 14 x 21
ISBN: 85-366-0744-0
Scortecci Editora
Preço: R$ 35,00 nas livrarias e R$ 25,00 com a autora
Contato com a autora: marli@ube.org.br

Concurso Cultural – Uma Luz para Davi

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sábado, 7 de fevereiro de 2009

O Ritual do Abacateiro

Ontem (sexta-feira 06/02) aconteceu na FESP, o ritual do abacateiro. O ritual é uma tradição que acontece desde os anos 30 com a finalidade de recepcionar os novos alunos, os bixos. O abacateiro fica no pátio do Casarão da Fesp, vira e mexe um abacate atinge um aluno, ouvi dizer que teve um rapaz que teve que ser socorrido por conta de uma abacatada na cabeça. Eu estava num banco que fica embaixo do histórico abacateiro, estava lendo um livro, quando ouvi um abacate caindo atrás de mim, por sorte não atingiu a minha cabeça.

O ritual é bonito. Uma aluna leu um texto explicando a história da tradição do abacate, e citou professores e alunos ilustres que passaram pela escola, entre eles, Fernando Henrique Cardoso e Ruth Cardoso, que se conheceram na faculdade, e marcavam encontros românticos no banheiro do terceiro andar do Casarão. Depois de lido o texto, os veteranos abriram abacates ao meio, retiram a polpa e colocaram vinho, achei uma delícia. Logo após todos os alunos deram as mãos e num semicírculo demos uma volta no prédio da faculdade simbolizando um abraço na instituição. Achei muito lindo ver esse amor que os alunos têm pela faculdade.

Dado o abraço, os veteranos começando a pintar a cara dos bixos, porém tudo de forma muito civilizada, se um aluno falasse não, eles nem tocavam no aluno, gostei disso, achei respeitoso. Eu deixei me pintarem, mas lavei o resto em seguida, e quando ouvi uma história de alunos novos iriam pedir dinheiro no farol para comprarmos cerveja, sai de fininho e fui embora.

Estou adorando o curso. Na semana passada todos os professores apresentaram o conteúdo programático do curso e a bibliográfica básica e complementar, além de conhecerem os alunos e suas pretenções com o curso superior. Nesse primeiro semestre terei Sociologia, Antropologia, Política, Filosofia, Língua Portuguesa e História. O professor de Política é o diretor acadêmico da escola, e também coordenador do curso. Na aula dele ele frisou que os alunos da FESP estão proibidos de fazer o uso de drogas dentro da instituição, pensei que ele estava brincando, mas depois soube que há algum tempo atrás os alunos fumavam maconha no pátio, sem muitas repreensões.

Lá têm alguns alunos exóticos. Têm um grupinho que parecem mais um grupo de guerrilha comandado pelo Che Guevarra, do que alunos de sociologia, achei engraçado... Tenho certeza essa faculdade irá agregará muito para mim, estou adorando. Sem contar a tradição e a importância que a instituição conquistou ao longo dos anos de sua existência.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

68 Meses

Hoje o meu relacionamento com o Douglas completa 5 anos e 8 meses. Vi o Douglas pela primeira vez no dia 18 de maio de 2003, na época frequentava a igreja Acalanto, uma igreja inclusiva gay. Já o tinha visto desde o inicio da reunião, cheguei um pouco atrasado, e fiquei em pé, estava encostado na parede, bem na direção dele. No momento que ele me viu, eu não sei o que estava acontecendo na igreja, ele olhou para trás porque alguém falou algo engraçado e todos riram, não me lembro o que, aliás, não importa. Para mim, naquele dia não houve reunião, pois fiquei o tempo todo olhando para ele, e depois que ele me viu, ele também ficava me olhando, e quando os olhares se cruzavam, nos disfarçávamos com vergonha e depois olhávamos de novo.

Nesse dia eu o cumprimentei, mas não trocamos nenhuma palavra além do cordial. Na época eu tinha uma moto, no caminho o encontrei indo para o metrô. Parei, ofereci uma carona e ele não aceitou, depois ele me confessou que ficou pedindo a Deus para me guardar, ele tinha medo da moto, e enquanto ele não me viu livre dela, não sossegou. No outro domingo fui para a igreja de metrô, pois queria voltar com ele, e no caminho teríamos oportunidade para conversarmos, ele foi. Não me lembro ao certo o que falávamos naquele dia, acho que algum papo bobo de quem está com a vergonha de um adolescente em meio à descoberta do amor. Nessa mesma semana teria uma festa na casa de um membro da igreja, eu perguntei se ele iria, ele não deu certeza, mas disse que faria um esforço, eu não estava muito a fim de ir, mas fui, estava com a intenção de encontrá-lo. Para a minha decepção, ele não foi.

Na festa conversei com o meu amigo André, perguntei se ele conhecia o Douglas, ele disse que sim, que conversaram quando ele se apresentou como visitante na igreja. Uma amiga nossa, a Mara, também disse que havia conversado com ele, e que achou ele uma gracinha, eu disse que também havia achado. O André ficou de me ajudar a me aproximar dele, e nos convidou para irmos ao teatro, nos aceitamos, precisávamos de uma oportunidade para nos aproximarmos, pois éramos tímidos.

A peça era numa sexta-feira, dia 06/06/03 no teatro Ruth Escobar. Marcamos de nos encontrarmos no metrô. No dia eu tive uma série de contratempos e eu cheguei bem atrasado. Se na época conhecesse a música “Por Onde Andei” do Nando Reis, sairia da catraca cantando: Desculpe estou um pouco atrasado, mas espero que ainda de tempo... Até hoje o Douglas comenta desse nosso primeiro encontro que eu o deixei esperando mais de uma hora... Enfim, passou.

No teatro, quando o Douglas não estava por perto eu perguntei para o André: E ai, o que você acha? Ele me respondeu: Ta no papo. Eu fiquei feliz, estava extremamente apaixonado. No final de peça, que por sinal foi uma das piores que já assistimos, fomos para o Franz Café da Haddock Lobo, a todo o momento queria falar com ele o que estava sentindo, que queria namorá-lo e amá-lo, mas não tinha coragem. Estava ficando tarde, e resolvemos ir embora, pois eu não estava com a minha moto.

Quando chegamos à plataforma do Metrô Consolação, ele me perguntou: A Mara comentou alguma coisa com você? Eu respondi: Não, o quê? Fazendo cara de desentendido, ele ficou roxo e então disse: Eu estou gostando de você (achei lindo). Eu olhei para ele e disse: Eu também enquanto tirava do bolso um presente que havia comprado para a ocasião. Era uma miniatura de bonequinho de um contador, pois sabia que ele era formado em Ciência Contábeis, ele disse que não tinha nada para ocasião, mas não me importava com isso, o que eu mais queria eu já tinha, o coração dele. Deixamos o metrô passar, ele olhou para mim e me disse: Queria lhe dar um abraço, fazer alguma coisa, aqui não dá para fazer nada... Uma pena. Depois disso nos vemos no domingo, fomos ao Shopping Hienópolis para almoçar, depois o convidei para ir no Vermont Centro (bar gay que se localiza na região da república), e lá aconteceu no nosso primeiro beijo.

Estávamos numa mesa que ficava na calçada da Rua Viera de Carvalho, ele ficou preocupado, e perguntou: Pode beijar aqui? Eu disse que sim e continue beijando colocando as minhas mãos em suas pernas, percebi que ele estava deslocado, então parei e ficamos conversando. Nosso amor não tinha pressa, pois sabíamos da magia que estávamos envolvidos era muito forte, e que aquele singelo beijo era apenas o começo de um grande amor que já dura 5 anos e 8 meses.

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quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Beaucoup de Rater mon Petit Ami


O Ricardo Aguieiras rogou praga para mim, e a praga pegou. Antes de o Douglas viajar ele disse:

- Você irá sentir tanta falta do Douglas - disse o Ricardo em meio uma conversa sobre a viagem a viagem do meu petit ami.

- Hum, acho que não, são apenas alguns dias – me defendi com ar de descaso.

- Vai sentir e muito, você vai ver – reforçou-me a praga.

Sou taurino, apesar de não acreditar em signo, os taurinos são assim, pessoas ultra-sensíveis. Como todos os taurinos, eu não fujo da regra. Mas que regra? Eu não acredito nisso, mas o pior é que sempre funciona. Certa vez fui ver o significa do meu nome. Marcos é martelo forte ou martelador. Achei bem sugestivo, imaginem um martelador... Nossa!!! Juro que nem pensei nisso, imaginei o martelador como uma pessoa guerreira, forte e persistente.

Hoje vindo trabalhar o meu pai me perguntou:

- Porque você acordou tão cedo.

- Mal consegui dormir – respondi.

- Essas coisas acontecem, relaxa – disse ele se referindo ao arrombando da porta e o furto do som do meu carro. Mal sabe ele que nem estou pensando no carro, engraçado, nunca fui materialista. Na hora fiquei triste, pensei no prejuízo, mas depois, eu relaxei... Mandarei arrumar e comprarei outro som. Então, para que se lamentar? Não adiantará nada. Lembro-me do dia em que peguei esse carro, foi o meu primeiro carro zero, todos os meus amigos estavam me perguntando se eu estava empolgado e tal, mas eu estava normal, era apenas um carro novo.

...

Ontem, por volta das 16 horas o telefone tocou. Estava desanimado, pensando na vida, mas mesmo assim atendi prontamente:

- Alô - atendi desanimado pensando como seria bom estar próximo do meu amor.

- Bonjour mon petit ami! Tu va bien? - perguntou do outro lado da linha de forma eufórica.

- Douglas, oi meu lindo, não acredito que é você. Nossa você não imagina como é bom ouvir a sua voz, que bom que você me ligou - respondi emocionado.

...

Fiquei muito feliz e surpreso. Ficamos uns 5 minutos ao telefone, ele estava no intervalo de uma aula. Matamos um pouco a saudade, mas logo ele teve que desligar. Hoje fiquei com vontade de falar novamente com ele, mas ele não me passou o telefone. Liguei na escola de intercambio que ele fechou a viagem e pedi para falar com a agente de viagem dele. Disse que era o namorado do Douglas que fechou uma viagem com ela e que precisava do telefone da hospedaria estudantil que ele está, ela me passou. Na primeira vez que liguei atendeu uma brasileira, ela falou que ele era de outro andar e que deveria estar dormindo, ou seja, ela não queria ir chamá-lo. Depois de uma hora liguei novamente, era uma moça falando em inglês com um sotaque horrível, era uma tailandesa. Pedi para chamar o Douglas, ela foi chamá-lo, e em poucos minutos atende o Douglas desesperado. Ele sempre é desesperado, pensou que tinha acontecido alguma coisa. Vocês acreditam que ele não sabia que na hospedaria tinha telefone? Se eu não ligasse, ele jamais iria descobrir, enfim, ele é fofo, até a sua distração me atrai.

Ontem ele foi numa balada. Era um bar dançando com as mesas cheias e a pista vazia. Os estudantes que estavam com ele foram dançar, em pouco tempo várias pessoas levantaram-se das mesas e ficaram observando. Uma canadense se aproximou do Douglas e disse que ele dançava bem e pediu para ele ensinar, o Douglas deu uns toques para ela e ela ficou repetindo: Oui, oui, oui... Caralho! Parece filme pornô francês. Hoje eles vão na Parking Bar, é uma balada super conceituada em Montreal, é como se fosse a The Week de São Paulo... Se arrependimento matasse, eu estaria morto, deveria ter ido com ele, estaríamos nos divertindo horrores, mas não faltarão oportunidades. Estou com saudades do meu petit ami.

Leia Também: Bon Voyage mon Petit Ami

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Leve Desespero - Parte II

Ontem fui surpreendido com a porta do meu carro arrombada ao sair da faculdade. Rapidamente guardei o meu material, verifiquei se não havia ninguém no carro, notei que arrancaram o meu som e parte do painel do veiculo. Como não havia o que ser feito, liguei o carro e fui embora. Todas as vezes que abri B.O nesse país, eu perdi o meu tempo, nada é resolvido, e ficamos quatro horas, perdendo tempo dentro de uma delegacia.

Minha atitude não foi muito coerente com o curso universitário que estou iniciando – Sociologia e Política -. Se não ocorre o registro de um boletim de ocorrência, os índices de criminalidade caem na cidade, porém, ontem tive um dia péssimo, talvez um dos piores da minha vida, e tudo o que eu queria era chegar a minha casa o quanto antes.

Em transito para a minha casa, me senti impotente, o mais impotente dos homens. Fiquei com nojo do meu carro, pois naquele banco que eu estava sentando, sentou um marginal, que com toda sua brutalidade arrancou o meu aparelho de som, e parte do painel, painel que eu também tive que tocar. Ao me lembra que o som foi um presente do Douglas, as lágrimas foram inevitáveis. Era o presente que ele me deu, que eu mais usava.

Na rodovia, mantive os 130 por hora, não estava suportando ficar dentro daquele carro. Pensei no Douglas, num país distante, me arrependi amargamente de não ter ido com ele, não por conta do furto, mas sim pela necessidade que tive naquele momento de um abraço apertado da pessoa amada. A vida nos reserva tantas surpresas, creio que a angustia que senti durante o dia de ontem foi um premonição do que estava prestes a acontecer.

Quando cheguei a casa, fui direito para o PC, queria saber noticias de Douglas. Eram 10 da noite em São Paulo e 6 da tarde em Montreal, não havia nenhum email, creio que nesse horário ele está saindo da escola, e ao sair aproveita o dia para conhecer pontos turísticos. Fiquei esperando por noticias até meia noite, 8 da noite lá. Tentei dormir, o meu corpo estava cansando, mas o meu cérebro estava a mil. Tive um ataque de insônia e novamente lembrei-me de Douglas, pois ele sofre de insônia. Por volta de uma da madrugada voltei a acessar meu email, e nada de respostas. Desliguei o PC, peguei um comprimido mágico da minha mãe e fui dormir.

Acordei uma hora antes de o relógio despertar, fiquei mais alguns minutos fazendo companhia para o vazio que se apoderava de mim mesmo, e logo depois levantei. Quando terminei de me arrumar, o relógio despertou. Aproveitei o tempo ocioso para verificar meus emails. Tinha notícias, mas todas muito subjetivas. Quero saber mais sobre os lugares, as experiências, as amizades, enfim... Quando o Douglas voltar, darei umas broncas nele.

Leia Também: Leve Desespero

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Leve Desespero

Sabe quando uma forte dor no peito, seguido de uma ânsia que jorra do coração e completada com uma leve depressão? Pois é, estou exatamente dessa forma. Não tenho motivos aparentes para me sentir assim, porém, estou. Sinto o meu corpo inteiro em estado de iminência, querendo me avisar que algo está por acontecer. Tento me calar, não cessando as palavras, mas sim apaziguando o coração, mas é impossível. O meu corpo se debate de um lado para outro como se estivesse dando o último suspiro de vida, mas sou forte... Porra! Não irei morrer, pelo menos não agora. Confesso que tenho medo da morte, mas nesse exato momento não, isso é explicável, pois a morte é um estado de espírito, é por isso que encontramos muitos espíritos mortos dentro de corpos em vida.

É perigoso não usar máscaras, principalmente no Carnaval. Vivemos num Mundo onde somos expostos a todo o momento, preservar a nossa intimidade, o nosso verdadeiro “eu”, é uma sacada de mestre. É para isso que servem as máscaras, todas estão ao nosso alcance, do puritano ao pervertido sexual. Certa vez ouvi alguém dizer que óculos escuros são mascaras urbanas, mas tarde, refleti sobre isso e concordei. Toda a sinceridade de uma pessoa encontra-se nos olhos. Através dos olhos, sabemos todas as intenções de um indivíduo, se há sinceridade, amor, amizade ou compaixão. Quem mente, não te encara nos olhos sem as mascaras urbanas, os olhos entregam o que o coração esconde.

Sempre tive vontade de usar óculos escuros. Malditas sejam minha hipermetropia e o astigmatismo. Esses óculos de grau, ridículos e desprezíveis, me deixam à mostra na sociedade. Meus sentimentos ficam jogados na sarjeta, fazendo companhia para um andarilho faminto e um cão sarnento. Maldito seja o dia em que as minhas córneas se formaram, especialmente à direita, devido ao problema de formação dela, não posso operar, e assim enxergar a vida em sua plenitude. Sem esses óculos que não são mascaras para nada, óculos que denunciam o que estou sentido, pois não escondem esses velhos olhos vermelhos que entregam minhas sentimentalidades. Se eu me lembrei do Capital Inicial? Sim, lembrei, é a banda brasileira que eu mais gosto.

Os velhos olhos vermelhos voltaram
Dessa vez
Com o mundo nas costas
E a cidade nos pés
Pra que sofrer se nada é pra sempre?
Pra que correr, se nunca me vejo de frente

Parei de pensar e comecei a sentir
Nada como um dia após dia
Uma noite, um mês
Os velhos olhos vermelhos voltaram de vez

Os velhos olhos vermelhos enganam
Sem querer
Parecem claros, frios, distantes
Não têm nada a perder
Por que se preocupar por tão pouco?
Por que chorar, se amanhã tudo muda de novo?

Impressionante como as músicas do Dinho Ouro Preto fala comigo. Essa música tem todas as respostas que eu preciso. Mas adianta encontrar respostas? Claro que não, estamos condicionados ao sofrimento. Sei que amanhã tudo mudará e os motivos ocultos que me levaram a essa reflexão não existirão mais. Talvez, espero que sim. O grande erro do ser humano é estabelecer critérios rígidos para a vida, se não fossem os critérios, não haveria sofrimento. Gostaria de vomitar o meu coração, quem sabe essa dor não cessaria? Tenho um primo que diz que se houver reencarnação, na próxima vida ele quer ter dois fígados, ao invés de um coração. Na minha “encarnação” atual, não preciso disso, não gosto de beber. Mas se gostasse, me limitaria a questionamentos tolos, as drogas podem ter um efeito terapêutico.

Em meio a tanta angústia que não sei onde começa e termina, no fundo estou feliz. Ontem recebi a notícia de que novamente serei tio, a mãe da Larissa terá um bebê (malditos sentimentos que estragaram um dia que deveria ser muito feliz). Espero que seja um menino. Sou gay (grande novidade), minha irmã mais velha também, minha família está fadada a ser pequena, já tenho uma sobrinha, também quero ter um sobrinho. Em meio à alegria de uma nova vida, encontro-me triste. Gostaria muito de chorar, mas as lágrimas estão ausentes... Quem sabe mais tarde, quando estiver apenas com os meus travesseiros, eles me aconchegam e acalantam sem questionar-me quem eu sou.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Final de Semana Maravilhoso

O Douglas foi viajar, me deixou sozinho, mas consegui almoçar com ele na sexta. Expressei meus votos de felicidades e desejei uma excelente viagem, e foi o que aconteceu. Ele embarcou no sábado à noite, eu estava num sítio com amigos, mas liguei duas vezes para desejar boa viagem. Ele estava super eufórico, depois disso só voltei a ter notícias dele no Domingo, quando eu já estava em casa.

Ainda na sexta, me encontrei com amigos na Vieira de Carvalho, de lá fomos para Mogi das Cruzes, no sítio do Sérgio, amigo do meu amigo Will. Também viajou conosco o Pedro Pitanga (da rádio Omega Hitz), o DJ Nando (toca em várias baladas legais como Cantho, Bubu e Ultra Diesel) e o Marcelo, amigo do Nando. Combinamos essa viagem desde o ano passado, em comemoração ao vinte e poucos anos do Will.

Na ida pegamos muita chuva, nunca dirigi sob tamanha tempestade, até pegamos um ponto da Mogi-Bertioga alagado. Sinto-me atraído pela chuva, mas da forma que choveu sexta-feira, não. Chegamos todos podres de cansaço, ligamos a TV, mas ninguém assistiu, o que queríamos era dormir.

No sábado aproveitamos o dia, usamos muito a piscina, ficamos a toa descansando, e liguei para o Douglas. Precisava confirmar se realmente o irmão dele iria levá-lo ao aeroporto, caso contrário eu levaria, pois ele viajou com duas malas e uma bolsa, dando quase 35 quilos de bagagem. Só quero ver o que ele fará para voltar, pois sempre compramos algo, e nunca conseguimos arrumar a mala na mesma disposição que arrumamos na ida. Qualquer coisa, ele terá que deixar metade da bagagem no Canadá, eu aconselhei ele diminuir a quantidade de roupas, e caso fosse necessário, era só ir numa lavandeira, mas quem conhece o Douglas, sabe como ele é teimoso.

No domingo também aproveitamos o dia na piscina, eu fiquei o dia inteiro pensando no meu petit ami, o que ele estaria fazendo. Como foi a experiência de dar entrada na imigração, enfim, como ele estava se virando num país onde ele tem pouco domínio sobre o idioma oficial. Acabou se virando muito bem. Perdido no aeroporto de Toronto, ele encontrou uma brasileira também perdida. Ela fala o básico de inglês e ele o básico de francês, juntos conseguiram se achar e descobriram que perderam o vôo para Montreal, mas em menos de uma hora (quanta diferença do Brasil) eles foram realocados em outro vôo. A moça - muito bonita por sinal -, fará intercâmbio de inglês e está hospedada próximo da republica onde o Douglas está hospedado. Ainda bem que ele já arrumou uma amiga. Creio que amigos não serão problema, pois no andar dele tem muitos brasileiros, estudantes que estão lá há muito tempo.

Ontem recebi algumas fotos, da janela do quarto dele da para ver a neve na rua, creio que deveria ter uns 40 centímetros, ele quase caiu na porta da hospedaria... Uma pena eu não ter ido, me divertiria muito com ele. Hoje começo o meu curso de Sociologia e Política na Faculdade de Sociologia de São Paulo, a necessidade de iniciar esse curso foi um dos grandes motivos que me levaram a não ir. Espero que ele curta bastante e que faça o terceiro comentário dele nesse blog, pois sempre falo dele e ele nunca comenta.