
Sábado, fui ao Siga La Vaca, um barzinho muito simpático e com uma maravilhosa área de karaokê. Fui a convite do Phablo, amigo da faculdade, ele sempre falou muito desse bar, mas como eu sou um péssimo cantor, nunca dei muita bola. Quando cheguei no local, ele já estava cantando, parecia um artista, na verdade ele estava muito bêbado e pensava que era um artista, percebi isso quando ele gritou “
viva rock roll, viva cazuza” e eu, percebi que eu estava bêbado quando um cara estava cantando “Que País é Esse” da Legião Urbana e ele completou depois do refrão “
É a porra do Brasil” e a Fernanda, também amiga da faculdade gritou “
vai embora do Brasil seu trouxa” eu aproveitei o embalo e gritei “
vai para a Argentina” e a Fernanda continuou “
é isso ai, vai para os Estados Unidos”. Acho que exageremos, sei que o Brasil tem uma série de defeitos e as pessoas têm o direito de se expressarem, mas por outro lado, sou muito patriota para ficar indiferente a essa expressão, e bêbado então, não tem como não retrucar.

No karaokê, dei a graça da minha voz duas vezes, cantei “
Primeiros Erros” do Capital Inicial e “
Tem que Ser Você” do Victor e Léo, tinha agendado para cantar “
Envelheço na Cidade” do Irá, ia oferecer a música para o Phablo, mas a concorrência para cantar era muito grande e quando deu meia noite eu fui embora e não esperei a minha vez. Pretendo voltar no local em outras ocasiões, sei que canto categoricamente mal, mas depois de algumas cervejas e caipirinhas, não tem como não soltar a voz e o Phablo até comentou que eu arrasei, mas não posso levar isso muito a sério, ele estava muito mais bêbado do que eu. Sai do bar e fui para a casa, tenho duas provas nessa semana e aproveitei o domingo para estudar.
...
No domingo, fiquei o dia inteiro em casa, estudando os grandes pensadores da economia: Smith, Ricardo e Karl Marx, à tarde, estava na área lendo sobre o Smith, quando a minha sobrinha me abordou:
- Tio, porque você gosta tanto de ler? – perguntou olhando para o livro que eu estava em mãos.
- É para ficar inteligente, adquirir mais conhecimento – respondi.
- Mas você já é inteligente – disse a Larissa massageando o meu ego.
- Não sou não, ainda tenho muita coisa para aprender – respondi enquanto ela pegava o livro do Ricardo.
- Nossa, acho que ele já morreu, olha a foto dele – comentou.
- Sim, ele morreu há mais de 150 anos – respondi.
- Nossa! Faz muito tempo – retrucou surpresa.
- Sim, muito tempo, e até hoje o que ele escreveu é estudado, um dia você irá estudar ele – respondi a Larissa.
- Não vou não, eu vou estudar a história clássica da música – retrucou-a com um olhar sonhador.
Sei que a Larissa ainda dará muito orgulho para a minha família, ela é uma criança muito inteligente, bem a frente das crianças da sua faixa etária. Ontem, quando eu estava estudando, ela pegou o livro do Ricardo e leu a introdução, ela teve dificuldades com algumas palavras e leu outras palavras difíceis para uma criança de 7 anos, sei que muitas dessas palavras ela não sabe o significado, mas o fato dela ter curiosidade e perguntar o que não sabe, é um fator positivo para a sua formação. Tenho certeza que ela será um destaque em qualquer área que resolver trilhar.