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terça-feira, 26 de outubro de 2010

Como Esquecer

Ontem fui ao cinema com o meu amigo Hélio. Conheço o Hélio há mais de 12 anos, um amigo de longa data. Ele trabalhava numa empresa que presta assessoria para a empresa dos meus pais e com os constantes contatos profissionais que estabelecemos, nos tornamos grandes amigos. Assistimos ao filme "Como Esquecer", com Ana Paula Arósio, Murilo Rosa e Natália Lage. O filme está participando da Mostra de Cinema de São Paulo.

Esperei esse filme com muita ansiedade, até pelo fato do meu blog ter participado de uma rede de mídias gays que apoiaram a produtora na divulgação do filme, fato que aumentou ainda mais a minha ansiedade. Outro fator que me levou a uma identificação imediata com o filme, foi o fato de também estar no processo de "Como Esquecer". Em muitos momentos me senti Júlia (Ana Paula Arósio), em outros me senti Hugo (Murilo Rosa) e ontem, assistindo ao filme, também me senti Lisa (Natália Lage), me identifiquei com as três personagens, remetendo as cenas do filme com a realidade da minha vida.

Confesso que esperava mais da produção. Esperava uma Júlia mais indignada, mais revoltada com o fato de ter sido abandonada pelo seu grande amor, esperava mais sofrimento. O filme é sofrimento do começo ao fim, mas faltou uma profundide a mais na questão. A história aborda o abandono de relações afetivas por três oticas: a de Júlia ao ser abandonada por sua companheira Antônia, a de Hugo ao perder seu grande amor vitima de cancêr e a de Lisa ao ser abandonado pelo seu namorado ao descobrir que a mesma estava grávida.

Unidos por conta de uma dor em comum e para suprir as necessidades financeiras que tais rompimentos geraram em suas vidas, Júlia, Hugo e Lisa decidem dividir a mesma casa, uma saída para se apoiarem financeiramente. Hugo, fazendo um papel de pai na casa, tenta de todas as formas colocar Júlia para fora do abismo chamado "fim do amor". Na verdade, vejo a situação de Hugo de forma mais confortável que a de Júlia e Lisa, Hugo perdeu o seu grande amor, assim como ambas, mas perdeu quando seu companheiro foi vencido pela morte, não foi abandonado, foi deixado por alguém que lutava pela vida e o amava.

Costumo dizer que a dor de um rompimento afetivo é comparado com a dor da perda de um ente querido, só que com o agravante daquela pessoa que é a motivação do nosso amor, estar viva e por um motivo qualquer, muitas das vezes inerente a vontade de ambos, decidiu seguir outros caminhos. Essa é a dor de Júlia e Lisa, a dor da morte em vida, a dor de ver o seu grande amor as rejeitando, colocando um ponto final numa história que pelo menos em uma das partes existia amor para recomeçar.

Assim como Júlia, hoje preciso de um tempo para recolher os cacos que ainda estão no chão e avaliar o que sobrou de mim. Depois de nos levantarmos de uma queda promovida pela ruptura de um amor, temos que primeiramente reaprender a nos amar primeiro, para depois amarmos outras pessoas. Só podemos dar aquilo que temos e como vamos amar um terceiro se o nosso amor próprio ainda está comprometido. Voltar a amar depois da rejeição, não é uma tarefa fácil. Encontrar motivos para ir além e dar outras oportunidade para nos mesmo, é uma superação diária.


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