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quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Esclarecimento aos "Anônimos" que me Ofendem

Desde abril, quando oficialmente foram anunciados oficialmente os candidatos a presidência da república, como cidadão que goza dos seus direitos civis e com direito a plena liberdade, como consta no artigo 5º da nossa constituição federal, me posicionei a favor do candidato José Serra, não apenas pelo fato de compor a militância do PSDB, mas por acreditar que o meu candidato representaria o que hoje o Brasil precisa.

O processo eleitoral foi finalizado e a maior parte do eleitorado Brasileiro se posicionou a favor da candidata do governo. Até os cidadãos mais leigos se deram conta que a tonalidade da campanha não foi uma das mais amistosas, entre acusações e defesas, o real cenário eleitoral foi alterado. Uma das minhas maiores indignações foi o fato da discussão central da pauta política focar aborto e casamento gay. Sou militante LGBT, sei como a questão do casamento entre homossexuais é importante para movimento gay no Brasil, mas fato é: o Brasil é muito mais amplo que tais questões.

Eleger um presidente que luta pelos direitos de minorias, que não se articula com movimentos conservadores e não assina documentos que anula direitos políticos de determinada camada da sociedade, é dever do cidadão. Se isso não ocorre, o que podemos fazer? Vivemos num poder de representatividade e se mais de 50% do eleitorado brasileiro se viu representado na figura de Dilma Rousseff, ela tem total autonomia para sentar na cadeira e fazer valer o poder de representatividade que a ela foi concedido.

Apartir do dia 1º de janeiro, não serei mais representando pelo presidente Lula, mas sim por Dilma, não é pelo fato dela me representar, que eu tenho que me sentir representado por ela. Não votei na Dilma, mas como brasileiro, ela me representa. Vivemos numa democracia, temos liberdade de expressão e tenho todo o direito de fazer oposição ao governo, como cidadão e como membro de um partido da oposição.

A eleição da Dilma não calará a minha voz e espero que não cale a dos 44 milhões de brasileiros que também não se sente representados por ela. Tal oposição é benéfica para o poder, pois regula a manutenção do mesmo. O PT continuará no poder, mas a necessidade de mudança foi acionada, pois se daqui 4 anos, mais uma camada da sociedade se somar aos 44 milhões que se opõe ao atual modelo, certamente teremos mudanças de fato.

Desde que foi anunciado a vitória da candidata do governo, recebi vários comentários ofensivos neste blog, se referindo a minha pessoa como "elite branca amargurada" "tucanalha frustrado", entre outros adjetivos. A campanha política acabou, mas a violência e a cegueira da manutenção do poder a qualquer custo, não. Agora me acusam de xenofóbo, dizendo que compactuei e promovi a enxurrada de preconceito contra os nordestinos desse país, outra violência gratuita destinada a minha pessoa. Sou filho de nordestinos, meu pai é baiano e minha mãe é pernambucana, fato que me enche de orgulho.

Tanto os meus avós paternos, como os maternos, deixaram o nordeste a fim de encontrar no sul, a região mais rica do Brasil, uma vida melhor. A família da minha mãe foi para a cidade de Santo André, berço do movimento sindical brasileiro, que tem uma história que se confunde com história do PT e cidade que eu nasci. A família do meu pai foi para o interior do Paraná, uma região rica no agro negócios, segmento que impulsiona a economia da nossa nação. Meus avós trabalharam muito para a construção e desenvolvimento desse país, nasceram e morreram pobres, meus pais trabalham até hoje.

Não vou ser hipócrita a ponto de dizer que não tenho uma situação favorecida frente a milhares de brasileiros, vim de uma família humilde e não pertenço a uma elite branca, tal termo dirigido a minha pessoa soa como ofensa, um deboche gratuito de pessoas que não tem argumentações para fazerem oposição as minhas ideologias políticas. Dizer que o meu partido é um partido de elite é no mínimo ingenuidade frente aos 44 milhões de votos que conquistamos do Oiapoque ao Chuí. O PSDB é um partido que representa o povo brasileiro, pois ele foi votado pelo povo, gostaria muito que a elite brasileira fosse composta por 44 milhões de brasileiros, mas tal informação não corresponde com a verdade.

Como se não bastasse as acusações de membro de uma elite branca e xenófobo, a mais nova acusação é de misógino. Sou gay, com muito orgulho, mas não abro mãos das mulheres da minha vida. Fui criado pela minha mãe, com o auxílio de duas irmãs mais velhas. Cresci rodeado de mulheres, fato que me enche de orgulho, pois credito muito do meu caráter, as mulheres que passaram e que ainda estão em minha vida. Minhas melhores amizades são do sexo feminino.

Ter aversão ao sexo feminino é rasgar toda a minha militância politica. Como ativista LGBT, luto pelo fim da homofobia, preconceito que nasce do machismo, a grande luta no movimento feminista. Tal termo me foi atribuído pelo fato de um comentário no twitter que dizia que me recordei do filme "O professor aloprado", quando a presidente eleita disse: Sim, a mulher pode. Quem assistiu ao filme deve se lembrar da cena que o professor aloprado diz: Sim, eu posso. Me referi apenas as expressões.

Depois me perguntei o motivo do ataque instantâneo Porque a presidente eleita não pode ter a sua imagem ligada a personagem do filme? Pelo fato dele ser frustrado e não beneficiado pela beleza padrão estabelecida pela sociedade? Não sei, mas concluo que o preconceito vem daqueles que me acusam. Se Dilma disse "sim, a mulher pode" e a personagem do filme disse "sim, eu posso", qual o problema de fazer tal analogia? Não são as mesmas expressões, de motivação e reafirmação. Se Dilma tivesse mudado o seu discurso e tivesse dito "eu tenho um sonho" e eu tivesse ligado a sua expressão ao discurso de Martin Luther King que disse "I have a dream", os simpatizantes do partido da situação encheriam a minha caixa postal de elogios.

O grande problema é que estão me medindo com a régua deles, assim como fizeram com o candidato José Serra. Ao me acusarem de xenofobia e misoginia, estão atribuindo os preconceitos inerentes a outra parte, para a minha pessoa. Todos o que disserem "sim, eu posso" me lembrarei do professor aloprado e todos os que disserem "eu tenho um sonho", me lembrarei de Martim Luther King. Atribuir preconceitos a mim por conta dos fatos expostos é expor os seus proprios preconceitos.

4 comentários:

FOXX disse...

infelizmente seu partidarismo deixou há muito a casa da saudável democracia e se tornou apenas partidarismo...

Marcos Freitas disse...

Foxx,

Não sou eu que estou me atacando e como fui atacado, me senti no direito de me defender. Como disse no texto, estou recebendo muitos comentários no meu blog e não acho isso justo.

Ale Foca disse...

Marcos,

Faço suas as minhas palavras, o texto é muito bom e reflete um sentimento que tenho há muito tempo.

Essas críticas que você vem recebendo, nascem da mania que alguns membros do partido da situação tem de achar que somente eles sabem governar.

Além disso, eu sempre achei interessante a posição deles de criticar quando são oposição, coisa que fazem duramente ao Governo do Estado de São Paulo, mas que não aceitam no Governo Federal.

Gritam na Assembléia que as CPI´s são barradas mas é o mesmo que fazem no Congresso.

Mas não se cale, estamos aqui para apoiar vc e levar a cabo uma oposição dura e de interesse do país!

E mais uma coisa, o politicamente correto eu chamaria de politicamente hipócrita, pois as pessoas escondem seus preconceitos atrás deste discurso.

Como partidário do PSDB desde muito tempo, apesar de não ter carteirinha, vou continuar lendo seu blog e apoiando!

Abraços

Leo Carioca disse...

Marcos, ofensas comigo não rolam, porque nas raras vezes em que alguém comenta alguma coisa pra me ofender no meu blog, se for simplesmente uma agressão gratuita, eu me limito a remover o comentário da criatura e não respondo nada.
Se a pessoa pelo menos tentou argumentar na agressão que ela fez, aí eu dou uma resposta tão racional que a criatura nem tem como fazer tréplica nenhuma e acaba ficando na dela.
Mas uma coisa é certa: eu não fico batendo boca com quem vem me agredir, não. Até porque é exatamente isso que eles querem, né?