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sábado, 4 de dezembro de 2010

Outro Crime dos Homofóbicos da Av. Paulista

Um homem que foi atacado no começo do ano procurou a polícia e reconheceu dois agressores dele entre os cinco rapazes suspeitos de agressão contra pedestres na Avenida Paulista no último dia 14. Segundo o homem, a violência foi tanta que ele teve de passar por uma cirurgia. "Eu estava saindo desse clube noturno na Rua Augusta e fui surpreendido por dois rapazes. Um deles me imobilizou por trás e o outro começou a me agredir com soco inglês, desferiu vários golpes durante muito muito tempo, até que fiquei inconsciente. Eles não falaram, não citaram absolutamente nada, mas eu presumo com toda convicção que se trata de crime homofóbico de crime de ódio na verdade."

Por causa dos golpes , parte do rosto foi esfacelada. “Fiquei internado por cinco dias, sofri uma grande cirurgia, coloquei uma prótese de titânio, e presilhas ´para sustentação dos ossos”, disse o homem. Depois de se recuperar, o homem foi viajar a trabalho e ficou meses fora do Brasil. Voltou na semana passada e vendo as imagens pela televisão identificou os agressores. Por foto, teve mais certeza. O rapaz que bateu nele é o maior de idade, Jonathan Domingues. E outro foi um dos quatro adolescentes que participaram das agressões na Paulista.

Os quatro adolescentes suspeitos de envolvimento em agressões a homossexuais  seguem internados na Fundação Casa (ex-Febem).  Jonathan Lauton Domingues, de 19 anos, também suspeito de participar dos mesmo ataques, continuará em liberdade. O juiz Daniel Luiz Maia Santos, da 1ª Vara Criminal da Barra Funda, na Zona Norte de São Paulo, decidiu na quarta-feira (1º), remeter de volta o inquérito sobre o caso, sem analisar o pedido de prisão preventiva do rapaz maior de idade, para o 5º DP, na Aclimação, região central. O juiz acatou requerimento do promotor Roberto Bacal.

O representante do Ministério Público solicita que sejam anexadas ao inquérito as imagens das gravações feitas por circuitos de segurança de prédios próximos de onde ocorreram as agressões, além dos laudos do Instituto Médico Legal (IML) com as vítimas dos ataques, que aconteceram no último dia 14 de novembro. O objetivo, segundo o promotor, "é esclarecer todas as circunstâncias delitivas", inclusive para que o pedido de prisão preventiva por tentativa de homicídio seja analisado.

Jonathan Lauton Domingues, o agressor.
Um segundo inquérito da polícia apura a acusação de roubo contra um lavador de carros que teria sido praticada pelo mesmo grupo. Uma audiência com o juiz da Vara da Infância e Juventude marcada para 9 de dezembro deve decidir se os menores serão absolvidos ou continuarão internados. O tempo máximo que eles poderão ficar, no caso de uma sentença condenatória, são três anos. Imagens gravadas pelo sistema de monitoramento de câmeras dos prédios da Avenida Paulista mostram um jovem desferir golpes com lâmpadas fluorescentes numa vítima. Esse agressor teria 16 anos. Os outros três menores suspeitos têm idades entre 16 e 17.

Todos os casos de homofobia que presenciamos nos últimos dias, vem de encontro com a necessidade da aprovação imediata do PLC 122. O Brasil é o país que mais mata homossexuais com motivação de ódio e tal motivação não é criminalizada. Não podemos continuar em meio a tanta violência, sem leis que nos defendam. Temos que exigir os casos de homofobia sejam investigados e punidos e se necessário for, tomamos novamente a Av. Paulista em protesto a fragilidade política que o cidadão gay se encontra no Brasil.

2 comentários:

FOXX disse...

agora pq ele não deu queixa antes? assim não pode! vc é agredido e não dá queixa?

Marcos Freitas disse...

Foxx,

Acredito que se trata de um caso não solucionado pela polícia, pois segundo o relato do rapaz, o caso foi sério, ele teve que passar por uma cirurgia, mas infelizmente, nem tudo que vai para as mãos da polícia, é solucionado.